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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

N° de ordem: MET - UFAL – MS - 70.

TRANSPORTE DE SEDIMENTOS NO RIO CORURIPE E
QUANTIFICAÇÃO DO SEU EMPILHAMENTO A PARTIR DO EVENTO
PLUVIOMÉTRICO DE JUNHO/2009 NO RESERVATÓRIO CORURIPE – I
MUNICÍPIO DE CORURIPE - AL

DARLAN MARTÍNES SCHMIDT

Maceió-AL
Fevereiro/2010

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

TRANSPORTE DE SEDIMENTOS NO RIO CORURIPE E
QUANTIFICAÇÃO DO SEU EMPILHAMENTO A PARTIR DO EVENTO
PLUVIOMÉTRICO DE JUNHO/2009 NO RESERVATÓRIO CORURIPE – I
MUNICÍPIO DE CORURIPE - AL

Por

DARLAN MARTÍNES SCHMIDT

Orientador:
Prof. Dr. MARCOS ANTÔNIO LIMA MOURA

Maceió-AL
Fevereiro/2010

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

TRANSPORTE DE SEDIMENTOS NO RIO CORURIPE E
QUANTIFICAÇÃO DO SEU EMPILHAMENTO A PARTIR DO EVENTO
PLUVIOMÉTRICO DE JUNHO/2009 NO RESERVATÓRIO CORURIPE – I
MUNICÍPIO DE CORURIPE - AL

DARLAN MARTÍNES SCHMIDT

Dissertação submetida ao colegiado do Curso
de Pós-Graduação em Meteorologia da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL, como
parte dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Mestre em Meteorologia. N° de ordem:
MET – UFAL – MS - 70.

Maceió-AL
Fevereiro/2010

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
S349t

Schmidt, Darlan Matínes.
Transporte de sedimentos no Rio Coruripe e quantificação do seu empilhamento
a partir do evento pluviométrico de junho/2009 no reservatório Coruripe-I município de Coruripe – AL / Darlan Matínes Schmidt, 2009.
xi, 72f. : il., grafs., tabs.
Orientador: Marcos Antonio de Lima Moura.
Dissertação (mestrado em Meteorologia : Processos de Superfície Terrestre) –
Universidade Federal de Alagoas. Instituto de Ciências Atmosféricas. Maceió,
2009.
Bibliografia: f. 66-72.
1. Meteorologia. 2. Coruripe, Rio (AL). 3. Sedimentação e depósitos.
4. Assoreamento- Reservatórios. 5. Transporte de sedimentos. I. Título.
CDU: 551.3.051

I

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a meus pais, Darci e
Inês pelo amor, força, compreensão e
incentivo e a meus irmãos, Daniel e
Douglas pela motivação e apoio
oferecidos e a todos os meus familiares
que de alguma maneira me apoiaram e
colaboraram ao longo da minha trajetória.
Em especial o meu avô Herberto Getúlio
Schmidt, pelo apoio e motivação ao meu
sucesso, que veio a falecer no decorrer
desta etapa.

À

minha

namorada,

Marília,

pelo

companheirismo, dedicação e paciência
durante a realização desta pesquisa.

Amo todos vocês.

II

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. e amigo Dr. Marcos Antônio Lima Moura, orientador da
dissertação, pela colaboração, apoio e paciência na realização desse estudo;

A Capes, pelo apoio dado ao desenvolvimento desta pesquisa;

Ao Instituto de Ciências Atmosféricas, pela oportunidade a mim concedida
para a realização do mestrado;

À Professora Dra. Rochana Campos de Andrade Lima (IGDEMA) e ao
Professor Msc. Luíz Tarcísio (IGDEMA) pela ajuda como também ao Laboratório de
Ciências do Mar e Naturais - UFAL;

A S.A.Usina Coruripe Álcool e Açúcar por ter disponibilizado a área de
estudo, funcionários e suas instalações para o desenvolvimento desta pesquisa;

Ao amigo e Prof. Dr. Ricardo Amorim e aos amigos e colegas de curso
Henrique Repinaldo, Allan Rodrigues, Marcos de Andrade (Jequiá), Ricardo, Paulo e
Eduardo (Biro-Biro) pela ajuda concedida em algumas etapas;

E aos professores do Mestrado pelos ensinamentos concedidos;

III

LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Níveis do índice de correlação para análise estatística.............................21
Tabela 2. Concentração de sedimentos em suspensão amostrada (kg.m-3)............39

IV

LISTA DE FIGURAS
Figura 01. Localização da área de estudo................................................................ 17
Figura 02. Aspecto visual do Ponto 1. Conjunto de Réguas Linimétricas ................ 23
Figura 03. Vista parcial do Ponto 2 – região completamente assoreada a montante23
Figura 04. Vista da Barragem em (a) e ponte a Jusante da barragem em (b) ......... 24
Figura 05. Mapa Topo-Altimétrico da área de alagamento do reservatório (setembro
de 2006) ................................................................................................................... 25
Figura 06. Amostrador de Sedimentos de arraste .................................................... 28
Figura 07. Draga do tipo Eckman para coleta de Sedimentos de Fundo ................. 29
Figura 08. Campos de precipitação média anual (intervalo de 100 mm) para o estado
de Alagoas. Fonte: (FIGUEIREDO, 2002) ................................................................ 34
Figura 09. Comportamento da Precipitação média mensal normalizada (mm) para o
período de 1990 – 2008 da estação pluviométrica de Camaçari .............................. 35
Figura 10. Comportamento da precipitação no período de operação da barragem
2007 – 2009 comparado com a precipitação da normal climatológica ..................... 36
Figura 11. Histograma de precipitação (colunas) e Hietograma de vazão (linha),
médias mensais normalizadas da estação pluvio-fluviométrica de Camaçarí .......... 38
Figura

12.

Dispersão

dos

dados

de

precipitação

/

vazão

normalizadas

climatologicamente, com a referida reta de regressão linear e o coeficiente de
determinação (R2) para a estação de Camaçari ...................................................... 39
Figura 13. Comportamento da concentração de sedimentos amostrados em relação
à precipitação média normalizada climatologicamente do período entre 1990 a 2008
....................................................................................................................................41
Figura 14. Comportamento da concentração de sedimentos amostrados em relação
à vazão média normal do período 1978 – 2008 ...................................................... 42
Figura 15. Dispersão da reta de regressão linear entre concentração de sedimentos
em suspensão relacionados às médias normalizadas de precipitação e o respectivo
coeficiente de determinação..................................................................................... 43
Figura 16. Comportamento da concentração de sedimentos em suspensão
relacionados às médias de precipitação e respectiva reta de regressão linear e
coeficiente de determinação..................................................................................... 44

V

Figura 17. Locais assoreados, cobertos por eutrofização no interior do lago da
barragem Coruripe –I sendo: (a) eutrofização de margem, (b) eutrofização em deltas,
(c) eutrofização em meandros, (d) eutrofização deslocada pelo lago ...................... 47
Figura 18. Grande quantidade de sedimentos carreada pela calha do rio ao
reservatório sendo: (a) sedimentos carreados pelo rio, (b) banco de areia formados
por sedimentos ......................................................................................................... 47
Figura 19. (a) desestabilização de margens por vazões elevadas, (b) rompimento da
ponte da BR 101, (c) reservatório totalmente cheio, (d) abertura do dique de
segurança e vegetação semi-aquática deslocada ................................................... 48
Figura 20. Traçado do percurso no levantamento batimétrico realizado no
reservatório Coruripe – I (2009), sobreposto ao mapa de projeto original (2006) ... 50
Figura 21. Mapa do novo perfil de fundo da Barragem Coruripe – I levantado em
2009, sobreposto ao desenho original do lago em 2006. ......................................... 52
Figura 22. Condições inadequadas de cultivo e da região totalmente assoreada a
partir do entorno de 3/5 da extensão do reservatório, sendo (a) ausência de matas
ciliares; (b) cultivo em declives acentuados; (c) cultivo em áreas de preservação; (d)
cultivo até as margens do lago; (e) cultivo em terras assoreadas; (f) inutilizarão do
reservatório ............................................................................................................. 56
Figura 23. Aspectos das condições gerais atuais do entorno do reservatório Coruripe
– I, sendo (a) carreamento oriundo de estradas; (b) desestabilização por solo
descoberto; (c) cultivo até a margem; (d) sem mata ciliar preservada; (e) eutrofização
de parte do lago; (f) assoreamento visível com cultivo na região assoreada .......... 57

VI

ANEXOS
Anexo 1 - Médias mensais anuais históricas das precipitações e as respectivas
médias mensais do período entre 1990 a 2008 ..................................................72-74
Anexo 2 – Médias mensais anuais históricas das vazões e as referidas medias
mensais do período entre 1978 a 2008 ...............................................................75-77
Anexo 3 – Comportamento médio das variáveis precipitação e vazão medias durante
o período considerado para estudo compreendido entre 1978 a 2009 .................... 78
Anexo 4 – Pontos levantados no Levantamento Topo – Batimétrico ....................... 79
Anexo 5 – Diferenças entre as épocas seca e cheia, sendo: (a e b) estação
fluviométrica (Ponte da Rocheira); (c e d ) montante a Ponte da Rocheira; (e e f)
jusante a Ponte da Rocheira; (g e h) margem direita da jusante a Ponte da Rocheira;
(i e j) comporta de controle da represa Coruripe – I; (k e l) vertedouro da represa
Coruripe – I; (m e n) jusante a represa Coruripe – I ............................................80-82
Anexo 6 – Tabela 3 – Relação entre precipitação, volume escoado e produção de
sedimentos de eventos da Bacia Hidrográfica do Rio Coruripe em 2009 ................ 83
Anexo 7 - Amostrador de sedimentos de arraste com amostra de sedimentos
coletada na seção de monitoramento da Bacia do Rio Coruripe.............................. 84
Anexo 8 – Amostras de material de fundo coletada no interior do reservatório
Coruripe – I, comprovando a homogeneidade das mesmas .................................... 85

VII

SIGLAS E SÍMBOLOS
NEB

- Nordeste Brasileiro

APP

- Área de Preservação Permanente

PDRH

- Projeto e Desenvolvimento de Recursos Hídricos

SEMARH

- Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos

VCAN

- Vórtice Ciclônico de Altos Níveis

ZCIT

- Zona de Convergência Inter Tropical

ANA

- Agência Nacional de Águas

CPRM

- Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais

R2

- Coeficiente de Determinação

R ou r

- Coeficiente de Correlação

GPS

- Global Positioning System

LABMAR

- Laboratório de Ciências do Mar e Naturais

IGDEMA

- Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente

SERHI

- Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Irrigação

POA

- Perturbações Ondulatórias nos campos dos ventos Alísios

Q

- Vazão (m3.s-1)

P

- Precipitação (mm)

ha

- Hectares

t

- Toneladas

VIII

RESUMO
SCHMIDT, D. M.; TRANSPORTE DE SEDIMENTOS NO RIO CORURIPE E
QUANTIFICAÇÃO DO SEU EMPILHAMENTO A PARTIR DO EVENTO
PLUVIOMÉTRICO DE JUNHO/2009 NO RESERVATÓRIO CORURIPE – I
MUNICÍPIO DE CORURIPE – AL. Maceió, 2010, 85p. Dissertação (Mestrado em
Meteorologia - MET-UFAL-MS-70) – Instituto de Ciências Atmosféricas –
Coordenação de Pós-graduação.
A pesquisa teve como objetivo avaliar o transporte no rio Coruripe e o
empilhamento de sedimentos provindos de uma barragem que rompeu à montante
do Reservatório Coruripe - I, mediante estudos da quantificação do transporte de
sedimentos por arraste e em suspensão. O lago possui atualmente espelho d’água
de 373 ha, construído para demanda de água para irrigação em 2006. Situa-se na
BH do Rio Coruripe, com área de 1.562 km². Pela batimetria, a profundidade do
reservatório varia de 0,8 a 12,3 m, de montante à barragem. Para a quantificação
dos sedimentos transportados em suspensão e rolamento foram coletadas amostras
acima do reservatório e para os sedimentos de fundo foram coletados no interior do
lago na mesma época do levantamento topo-batimétrico com amostrador draga tipo
Ecman.As amostras de sedimentos em suspensão foram analisadas através da
secagem total e posterior pesagem, as quais foram quantificadas proporcionalmente
ao volume amostrado. Já com as amostras de fundo não foi possível determinar a
granulometria por apresentarem homogeneidade na composição, contendo somente
lodo. Estima-se que o volume inutilizado do lago em 3 anos de existência é de 59,12
%, com taxa média de sedimentos acumulados de aproximadamente 512.549,43
ton.ano-1. As áreas de maior assoreamento e eutrofização estão no sentido de
jusante à montante por sedimentos oriundos de uma barragem rompida à montante
e do rio que abastece o reservatório e das laterais para o centro, devido a
sedimentos carreados pela erosão das áreas de encostas, as quais são cultivadas
com cana-de-açúcar. Diante disso, não são mantidas as faixas de preservação ciliar,
que atuariam como uma espécie de filtro, diminuindo essa contribuição direta.
Estimou-se ainda que, se forem tomadas decisões urgentes para a contenção de
sedimentos marginais, a vida útil deste reservatório pode se elevar para
aproximadamente 85 anos. Caso contrário, se o atual nível de assoreamento
continuar, a vida útil efetiva não ultrapassará 3 anos.
Palavras-chave: Transporte e deposição de sedimentos, assoreamento e vida útil
de reservatório.

IX

ABSTRACT
SCHMIDT, D. M.; SEDIMENT TRANSPORTATION IN CORURIPE RIVER AND
QUANTIFICATION OF ITS PILING UP FROM THE RAIN EVENT IN 2009/JUNE IN
THE CORURIPE RESERVOIR – I CORURIPE CITY. Maceió, 2010, 85p.
Dissertação (Mestrado em Meteorologia - MET-UFAL-MS-70) – Instituto de Ciências
Atmosféricas – Coordenação de Pós-graduação.
Sediment transportation in Coruripe River and quantification of its piling up
from the rain event in 2009/June in the Coruripe Reservoir – I Coruripe city.
The research aimed to evaluate the sediment transportation and
deposition and the sedimentation (silt, siltation) in the Coruripe- I Reservoir,
analyzing the quantification of the sediment transportation by drag (drag, dragging),
and in suspension. The lake has, nowadays, 373 ha of water surface, and was built
in 2006 to demand water for irrigation. It is located in the Coruripe River
Hydrographic Basin, with 1562 Km2 of area. According to the batimétricos
(bathymetric) data, the depth of the reservoir varies from 0.8 to 12.3 m, from the
montant to the dam.
To quantificate the transportation of the sediments in suspension and bearing,
samples were taken above the reservoir, and the bottom sediments samples were
collected within the lake at the same time as the Topo-bathymetric survey, with a
Ecman dredging machine.
Samples of suspended sediments were analyzed through total evaporation and
subsequent weighting, than quantified in proportion to the sample volume. The size
of the bottom samples wasn’t possible to determine due the composition
homogeneity of the samples, containing only mud. It was verified that the depositions
are predominantly made up of silt and clay. It was estimated that the assoread
volume of the lake, in 3 year of existence, is about 59,12%, with mean rate of
sediment accumulated around 512,549.43 ton.ano -1. The areas of greater
sedimentation and eutrophication were in the direction from downstream to montant
by sediments, derived from the river that provides the reservoir and from the laterals
to the centre, due to sediment erosion brought from areas of the reservoir slopes,
planted with cane sugar, in which are not maintained the tracks of ciliary
preservation, which would act as a kind of filter by reducing this direct contribution. It
is estimated that, if urgent decisions to contain the marginal sediments were taken,
this reservoir utile life can rise to approximately 85 years, otherwise, if the current
level of sedimentation (sedimentation) continues, the effective utile life will not
exceed 3 years.

Key words: Transport and deposition of sediments, siltation and useful life of
reservoir

X

SUMÁRIO
DEDICATÓRIA ............................................................................................................ I
AGRADECIMENTOS ................................................................................................. II
LISTA DE TABELAS ................................................................................................. III
LISTA DE FIGURAS................................................................................................. IV
LISTA DE ANEXOS ................................................................................................. VI
SIGLAS E SÍMBOLOS ............................................................................................ VII
RESUMO................................................................................................................ VIII
ABSTRACT .............................................................................................................. IX
SUMÁRIO.................................................................................................................. X
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1
2. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................. 4
2.1. Importância da Sedimentometria em Rios e Represas .................. 4
2.2. Manejo de Bacias Hidrográficas ..................................................... 5
2.3. Erosão, Transporte e Deposição de Sedimentos ........................... 6
2.3.1. Fatores que Controlam e Amenizam a Erosão ........................ 7
2.3.2. Importância das Florestas e Mata Ciliar .................................. 8
2.3.3. Produção de Sedimentos ....................................................... 9
2.3.4. Transporte e Deposição de Sedimentos................................ 10
2.4. Processo de Assoreamento ......................................................... 11
2.4.1. Assoreamento em Reservatórios............................................ 13
2.4.2. Previsão de Vida Útil de Reservatórios .................................. 15
3. MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 17
3.1. Área de estudo ............................................................................. 17
3.1.1. Bacia Hidrográfica do rio Coruripe ......................................... 17
3.1.2. Caracterização da bacia hidrográfica do rio Coruripe ............ 18
3.1.2.1. Aspectos Fiográficos ........................................................ 18
3.1.2.2. Características Climáticas ................................................ 19
3.1.2.3. Características Geológicas............................................... 19
3.2. Dados utilizados da Bacia hidrográfica do Rio Coruripe ............. 20
3.2.1. Precipitação........................................................................... 20
3.2.2. Vazão .................................................................................... 20

XI

3.2.3. Correlação entre dados de precipitação e vazão normalizados
......................................................................................................... 20
3.2.4. Concentração Sólida .............................................................. 21
3.3. Área Experimental ........................................................................ 22
3.3.1. Localização ............................................................................ 22
3.3.2. Caracterização do Reservatório ............................................. 22
3.3.3. Pontos de Monitoramento ....................................................... 23
3.4. Equipamentos Utilizados .............................................................. 24
3.4.1. Material cartográfico ............................................................... 24
3.4.2. Levantamento topo-batimétrico .............................................. 26
3.4.2.1. Importância....................................................................... 26
3.4.2.2. Batimetria ......................................................................... 26
3.4.3. Amostragens .......................................................................... 27
3.4.3.1. Sedimento em suspensão ................................................ 27
3.4.3.2. Sedimento por arraste e fundo ......................................... 28
3.4.4. Análises laboratoriais ............................................................ 29
3.4.4.1. Concentrações de sedimentos em suspensão ................. 29
3.4.4.2. Concentração de sedimentos por arraste e fundo ............ 30
3.5. Tratamento dos dados ................................................................. 30
3.6. Cálculo do volume útil do reservatório ......................................... 30
3.7. Cálculos e dados complementares .............................................. 31
3.7.1. Concentrações da descarga sólida do rio a montante do
reservatório ...................................................................................... 31
3.7.2. Avaliação do assoreamento e/ou volume morto total do
reservatório ...................................................................................... 31
3.7.3. Avaliação da vida útil do reservatório .................................... 31
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ......................................................................... 33
4.1. Precipitação ................................................................................. 33
4.1.1. Distribuição da Precipitação Média Anual .............................. 33
4.2. Vazão ........................................................................................... 37
4.3. Concentração Sólida .................................................................... 39
4.4. Levantamento Topo-batimétrico .................................................. 49
4.5. Alteração na capacidade de armazenamento entre 2006 e 2009.53

XII

4.6. Produção de Sedimentos ............................................................. 53
4.7. Estimativa da vida útil do reservatório.......................................... 55
4.8. Assoreamento do Reservatório Coruripe-I ................................... 56
5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................... 58
5.1. CONCLUSÕES ........................................................................... 58
5.2. RECOMENDAÇÕES ................................................................... 59
6- REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 61
7- ANEXOS .............................................................................................................. 71

1

1- INTRODUÇÃO
O Estado de Alagoas tem um regime pluviométrico irregular, onde há má
distribuição temporal e espacial das chuvas, ou seja, as precipitações ocorrem por
no máximo seis meses ao longo do ano, podendo chover de forma considerável em
um determinado local e praticamente nada no outro.
A dinâmica de uso e ocupação do solo, em bacias hidrográficas, exige
estudos para a compreensão dos diversos impactos provocados pela ação antrópica
e estratégias adequadas para a conservação dos recursos naturais nestas áreas. O
uso do solo e de novas tecnologias nem sempre levam em consideração os manejos
mais adequados desses recursos, o que vem a promover maior desgaste e
empobrecimento do meio físico considerado, o solo.
Um dos recursos naturais bastante explorados no Brasil são os cursos
d’água para construção de barragens, com a finalidade de formar reservatórios e
lagos para atender diversas necessidades, tais como: geração de energia elétrica,
abastecimento de água, irrigação, etc.
Atualmente, a crescente escassez dos recursos hídricos, particularmente
provocada pelo advento da irrigação, impôs a necessidade da busca pela
minimização do uso da água. Nesta direção a política nacional de recursos hídricos
(Lei 9.433/97), com seus instrumentos de outorga, enquadramento, planos de
recursos hídricos, cobrança e sistema de informações; além do instituto dos comitês
de bacias hidrográficas, forçaram todo o setor produtivo a minimizar seus consumos
hídricos. Em 1997 foi instituída em Alagoas a Lei n° 5.965 que determina a Política
Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Estadual de Gerenciamento de
Recursos Hídricos. No entanto, ainda, não existem diretrizes de ações que efetivem
a legislação, o que torna o estado carente de informações que propiciem esta
instrumentação.
A bacia hidrográfica do rio Coruripe foi à primeira, no estado, a implantar o
seu Plano Diretor. A S.A. Usina Coruripe Açúcar e Álcool é um dos principais
usuários de água do rio Coruripe, e preocupada com o quadro evolutivo dos
problemas de qualidade e escassez de água no atendimento de suas demandas,
bem como às de outros usuários, antecipou estudos referentes aos recursos hídricos
da bacia hidrográfica daquele rio.

2

A caracterização dos ambientes naturais, suas fragilidades potenciais e
emergentes proporcionam melhor estimativa das potencialidades erosivas em cada
bacia.
Devido à erosão hídrica, a taxa de produção de sedimentos de bacias
hidrográficas eleva-se, promovendo gradativa redução da disponibilidade das águas
armazenadas nos reservatórios superficiais, a principal fonte hídrica do semi-árido
do Nordeste Brasileiro (NEB).
Um fator que muitas vezes não é levado em consideração, apesar da
importância e de estar protegida por legislação federal, são as matas ciliares, que se
encontram devastadas na maioria das áreas vertentes e marginais de rios e
reservatórios, em virtude das ações antrópicas indiscriminadas. A fragilidade de um
ambiente árido também contribui para este estado de degradação, embora não
justifique o descaso das autoridades em relação a esses ambientes.
A construção de uma barragem em um rio causa diversas alterações
significativas no leito, na geometria e no fluxo de água que segue para o
reservatório. Partículas sólidas são transportadas pelo escoamento e ocorre a
deposição no reservatório, elevando o leito do rio e causando assoreamento. O
assoreamento é causado, principalmente por processos erosivos na bacia
hidrográfica, acelerados pela interferência antrópica, pois é nestes locais que se
concentram um dos maiores problemas ambientais. A ação humana faz com que a
degradação dos recursos naturais, principalmente do solo e da água, aumente a
cada dia.
Existem poucos trabalhos referentes ao estudo da vida útil de
reservatórios no país. Somente a partir da década de 80 foi dado maior enfoque a
este problema ambiental. Diversos corpos d’águas se encontram total ou
parcialmente assoreados. Este tipo de problema ambiental se deve ao fato de não
se considerar previamente o potencial erosivo das bacias hidrográficas, bem como
os estudos a respeito da vida útil destes reservatórios.
Os problemas que aparecem em estudos sedimentológicos para a
formação de um reservatório dizem respeito à quantidade anual de sedimento
afluente, ao sedimento que passará pelo reservatório e quanto será retido, à perda
de capacidade causada pelos depósitos, à sua distribuição e aos efeitos que trarão
na redução do volume útil, bem como efeitos da retenção de sedimentos no lago que
poderão afetar o curso d’água a jusante da barragem.

3

A velocidade com que ocorre esse efeito de assoreamento, além dos
fatores já mencionados, está diretamente associada ao volume de água afluente ao
reservatório, o qual carrega junto a seu fluxo, a quantidade de sedimentos
disponível. Essa variável, portanto, apresenta uma ligação direta com o regime de
precipitações, tanto de sua distribuição temporal como espacial. A velocidade do
fluxo que entra no reservatório é reduzida, devido ao aumento da seção transversal
corrente. Isto provoca queda acentuada, ou mesmo eliminação, da turbulência do
fluxo, reduzindo a capacidade de transporte de sedimentos no reservatório,
provocando a sedimentação da carga em suspensão e de arrasto.
Estudos de assoreamento em reservatórios como o caso do Reservatório
Coruripe - I justificam-se como subsídio ao planejamento adequado de futuras obras
regionais, sobretudo devido à previsão da construção de outros reservatórios.
O presente estudo teve como objetivo, avaliar o estado de assoreamento
do Reservatório Coruripe - I, mediante estudos de transporte de sedimentos
oriundos de áreas adjacentes ao lago e as diferenças entre os volumes de água
disponíveis entre a época da implantação e a época do estudo, encontradas por
diferenças entre áreas e profundidades.
Também foram definidos os seguintes objetivos específicos:
a) Elaborar o novo mapa de perfil do fundo com as alterações na
profundidade média do represamento do lago entre 07-09;
b) Estimar a redução do volume útil do reservatório durante o período de
operação;
c) Avaliar a taxa média de erosão da Bacia Hidrográfica;
d) Quantificar o volume morto total do reservatório até a época do estudo;
e) Estimativa da vida útil operacional do reservatório pelas condições
atuais e pela vazão sólida afluente;

4

2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1- Importâncias da Sedimentometria em Rios e Represas

A degradação dos recursos naturais, principalmente do solo e da água,
vem crescendo de forma alarmante, atingindo níveis críticos que se refletem na
deterioração do meio ambiente, no assoreamento dos cursos e dos espelhos d’água
(LOMBARDI NETO et al. 1990). Coiado (2001) cita que a degradação da natureza,
como o desmatamento desordenado, o uso irracional do solo pela agricultura,
indústria, obras civis, etc., associada aos fenômenos naturais de precipitações e
inundações, como os verificados nas regiões tropicais, resulta em quantidades de
solo (sedimentos) que chegam aos rios e reservatório, muito maiores que aquelas
produzidas em condições de equilíbrio natural.
Conforme Paiva et al. (2000), o conhecimento do aporte de sedimentos
em bacias hidrográficas é extremamente importante no planejamento e gestão dos
recursos hídricos. Os problemas causados pelos sedimentos são dependentes da
quantidade e de sua natureza, fatores que decorrem dos processos de produção,
transporte e deposição (PAIVA et al., 1995), o que significa dizer que os sedimentos
causam três tipos de prejuízos: no local de origem, no trecho onde transitam e no
local de sua deposição (MEYER, 1972).
Branco (1998), completa que, somado à redução do potencial de
produtividade dos solos devido a remoção da camada fértil e de fertilizantes
presentes no solo, do recobrimento de áreas agricultadas por sedimentos estéreis e
do encharcamento das mesmas, tem-se a presença significativa de sedimentos nos
cursos d'água que ocasionam vários problemas, afetando a operação de obras como
reservatórios, barragens e canais, que como conseqüência, afetam a geração de
energia

elétrica,

abastecimento,

irrigação,

amortecimento

de

cheias

e

a

regularização dos cursos d'água. Ainda, segundo o autor supracitado, esse acúmulo
de sedimentos na calha dos rios retrata outro problema, que o leito antes livre de
sedimentos, agora assoreado, transborda tal calha acarretando o alagamento de
áreas ribeirinhas e possível agravamento do tipo enchente.
De acordo com Carvalho (1994), o transporte de sedimento ocorre
principalmente nos cursos de água, sendo que 70 a 90% da quantidade transportada
ocorrem no período das chuvas, assim como a erosão.

5

O estudo e a compreensão dos fatores que integram o processo de erosão
do solo e a quantificação das perdas de solo são de grande importância, pois podem
servir como ponto de partida para elaboração de medidas que visem à maximização
do uso dos recursos hídricos disponíveis, sem os efeitos negativos decorrentes da
produção, transporte e deposição de sedimentos.

2.2 - Manejos de Bacias Hidrográficas

Segundo Faustino (1996), o manejo de Bacia Hidrográfica é a ciência ou
arte que trata da gestão para se conseguir o uso apropriado dos recursos naturais
em função da intervenção humana e suas necessidades, proporcionando ao mesmo
tempo a sustentabilidade, a qualidade de vida, o desenvolvimento e o equilíbrio do
meio ambiente.
Barroso (1987) salienta que, onde as áreas já estão todas em regime de
exploração, a grande dificuldade do planejador é conciliar a conservação dos
recursos naturais com a exploração econômica desenfreada.
Segundo Sperlling (1999), para se evitar a morte precoce de lagos,
principalmente aqueles de pequeno tamanho, e a sua posterior transformação em
pântanos e, por conseguinte, em desertos, é necessária a adoção de medidas
preventivas e corretivas, tanto no próprio corpo d’água quanto na sua bacia de
drenagem. Dentre estas medidas podem ser citadas o disciplinamento do uso e
ocupação do solo, o controle de focos de erosão, a construção de anéis
interceptores circundando os lagos, a implantação de bacias de sedimentação nos
tributários e a dragagem de sedimentos, além naturalmente da implantação de
programas de educação ambiental.
Tucci (1993) cita ainda que o planejamento da ocupação da bacia
hidrográfica é uma necessidade numa sociedade com usos crescentes da água, a
qual tende a ocupar espaços com riscos de inundação, além de danificar o seu
meio, enfatizando que a tendência atual envolve desenvolvimento sustentado de
bacia hidrográfica, que implica no aproveitamento racional dos recursos, com o
mínimo dano ao ambiente.

6

2.3 - Erosão, Transporte e Deposição de Sedimentos

A chuva é sem duvida nenhuma a principal causa da erosão ocorra, pois a
partir do impacto da gota com a partícula de solo, esta o desagrega, dependendo
apenas da quantidade, intensidade e duração, tendo como dependências aliadas a
esse processo, a declividade do terreno, o que pode ou não acelerar seu
deslocamento, a cobertura do solo, o que primeiramente intercepta a queda das
gotículas, e, por conseguinte, atua como um freio na velocidade do escoamento, e
com isso propicia a infiltração, dependendo da permeabilidade do solo em questão e
da capacidade de retenção do mesmo, somando ainda uma pequena parcela de
contribuição

referente

a

eventos

antecedentes

ao

analisado,

devido

ao

encharcamento do solo ou não.
Os processos hidrológicos associados ao uso e manejo da terra
claramente exercem um papel dominante na produção e transporte de sedimentos
(MACHADO & VETTORAZZI, 2003).
A erosão, conforme Coiado (2001) é um fenômeno geológico que ocorre
naturalmente, independente da ação humana, sendo o processo responsável pela
atual esculturação do relevo do nosso planeta, esculpido ao longo dos anos. Porém,
este fenômeno natural pode ter seu equilíbrio dinâmico rompido a partir das formas
inadequadas de ocupação e uso da terra, o que tem provocado alterações na
paisagem, assim como causado modificações irreparáveis.
Simões et al. (2001) denominam a erosão como sendo um conjunto de
processos decorrentes do intemperismo, como desgaste de solos e rochas.
Segundo Scapin (2005), quando esta erosão é natural, este processo geológico
encontra-se em equilíbrio. A partir do momento em que o equilíbrio é rompido,
ocorre à erosão acelerada. O homem tem sido o principal responsável por essa
aceleração, seja pelo uso de práticas agrícolas inadequadas, seja pela implantação
de obras sem considerar as características do solo.
A erosão do solo é um processo complexo que se manifesta de diversas
formas na natureza, sendo também complexa a sua medida. Estudos de erosão
laminar, em sulcos ou em estradas que são fenômenos mais comuns, não são
medidos.

No Brasil para cada quilograma de grão produzido, o país perde

entre 6 a 10 quilogramas de solo por erosão (SANTOS et al., 2001). A principal
conseqüência deste impacto é o assoreamento dos mananciais, que além de

7

modificar ou deteriorar a qualidade da água, a fauna e a flora (CARVALHO et al.,
2000), provoca o decréscimo da velocidade da água (CURI et al., 1993), resultando
também, em redução da disponibilidade hídrica de rios e reservatórios.
2.3.1 - Fatores que Controlam e Amenizam a Erosão

Segundo Tomas (1993) para a erosão não existe cura. Porém, existem
mecanismos e instrumentos que permitem detectar e diagnosticar sinais precoces e
implementar medidas que reduzam a sua taxa. Alguns fatores influenciam os
processos erosivos, tais como a cobertura pedológica, a ocupação do solo, a
topografia, a área de drenagem, o clima, efeitos da energia cinética da chuva,
importância da vegetação na formação de húmus e teor de agregados, condições
antecedentes ao evento pluvioso e a hidrologia local (AUZET et al., 2002, LEE et al.,
2002).
A cobertura pedológica tem um papel essencial sobre o processo de
erosão através da sua capacidade de infiltração e de sua erodibilidade. O estado de
degradação estrutural do horizonte superficial e da condutividade hidráulica do solo
tem um efeito sobre a infiltração da água. A erodibilidade depende principalmente da
estabilidade estrutural do solo, indicativo da coesão dos agregados e de sua
resistência a desagregação sob a ação da chuva. Os tipos de ocupação dos solos,
da distribuição das culturas e utilização da natureza, constituem obstáculos ao
escoamento superficial influenciando globalmente a erosão.
Já a topografia, principalmente a declividade e o comprimento da rampa
determinam a velocidade e importância do escoamento superficial nas vertentes e,
portanto da desagregação e do transporte das partículas do solo. As precipitações
agem através da energia cinética das gotas, ligadas essencialmente a sua
intensidade. O contexto hidrológico atua na delimitação da extensão das zonas
saturadas e próximas da saturação nas quais o escoamento superficial e, portanto
da erosão podem ser importantes. Em um mesmo solo, diferentes intensidades de
erosão podem ser observadas segundo a umidade e o estado superficial do solo
(AUZET et al., 2002).

8

2.3.2 - Importância das Florestas e Mata Ciliar

As florestas e matas, mesmo quando situadas em solos de baixa
produtividade, além de seu aspecto paisagístico, exercem papel de fundamental
importância no que diz respeito à conservação e manutenção dos recursos hídricos
e do solo. Contribuem para a manutenção da qualidade do meio ambiente, não
somente através de sua influência sobre fatores climáticos, mas principalmente,
mediante controle quase total da erosão (BERTONI & LOMBARDI NETO 1985;
SILVA et al., 1993).
Em relação às águas e aos mananciais, as matas ciliares exercem papéis
de extrema importância, tais como: escoamento das águas da chuva, diminuição do
pico dos períodos de cheia, estabilidade das margens e barrancos de cursos d'água,
equilíbrio da temperatura das águas (favorece os peixes), ciclo de nutrientes
existentes na água, entre outros. Logo, um solo sem cobertura vegetal ou florestal
reduz drasticamente sua capacidade de retenção de água de chuva, ou seja, em vez
de se infiltrar no solo, ela escoa sobre a superfície dando inicio ao escoamento
superficial, aumentando gradativamente a velocidade do escoamento, ocasionando
enormes enxurradas que não permitem o bom abastecimento do lençol freático, o
que por sua vez promove a diminuição da água armazenada.
Conforme Silva (2006), o Código Florestal Brasileiro define que a mata
ciliar tem a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a
estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e de flora, bem
como proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
As matas ciliares e/ou florestas de galeria, estão asseguradas em lei
federal, nas áreas que englobam as áreas de preservação permanentes (APP). As
APPs são assim discriminadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais
alto em faixa marginal cuja largura mínima seja: 1 - de 30 m (trinta metros) para os
cursos d'água de menos de 10 m (dez metros) de largura; 2 - de 50 m (cinqüenta
metros) para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 m (cinqüenta metros) de
largura; 3 - de 100 m (cem metros) para os cursos d'água que tenham de 50
(cinqüenta) a 200 m (duzentos metros) de largura; 4 - de 200 m (duzentos metros)
para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 m (seiscentos metros)

9

de largura; 5 - de 500 m (quinhentos metros) para os cursos d'água que tenham
largura superior a 600 m (seiscentos metros).
b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou
artificiais;
c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água",
qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 m (cinqüenta
metros) de largura; (Redação determinada pela Lei nº7. 803/89);
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;
e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°,
equivalente a 100% na linha de maior declive.
Consideram-se ainda, de preservação permanente as florestas e demais
formas de vegetação natural destinadas:
a) a atenuar a erosão das terras; b) a formar faixas de proteção ao longo
de rodovias e ferrovias; c) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor
científico ou histórico; d) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de
extinção; e) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; f) a
assegurar condições de bem-estar público.
A retirada da vegetação, além de alterar a paisagem contribui para o
enfraquecimento do solo. Segundo Dill (2002) a diminuição ou perda da cobertura
florestal aumenta a quantidade e a velocidade do escoamento superficial com o
conseqüente aumento da capacidade de arraste e transporte de material. Outro
papel importante das matas é que a maior parte da água fica retida nas folhas, que
são importantes no sentido de reduzir a velocidade das gotas de água, minimizando
o impacto desta no solo.
2.3.3 - Produção de Sedimentos

A quantidade de sedimentos produzida por uma bacia hidrográfica
depende de dois princípios básicos: primeiro que haja disponibilidade de material
suscetível de ser transportado e segundo, que o escoamento tenha capacidade para
transportar esse material.
Carvalho (1995), num estudo na bacia do rio São Francisco, verificou que
o aumento da produção de sedimentos está sendo causado pela urbanização e

10

mineração na bacia, pelo aumento de áreas agrícolas para a produção de alimentos
e pela construção de estradas, aliados a presença de fortes chuvas.
Esse sedimento disponível para ser transportado, existente nas bacias
vertentes, é decorrente da lavagem das mesmas tendo origem na erosão causada
pelo impacto da gota da chuva sobre o solo e no incorreto e inapropriado uso deste.
Já, na própria calha do rio, esse material para ser transportado, provém da erosão
das margens, do fundo e da descarga de abastecimento de montante. De acordo
com Gupta & Saul (1996) este transporte é denominado de carga de lavagem (flush
load). A intensidade do fenômeno da carga de lavagem é maior em bacias menores.

2.3.4 - Transporte e Deposição de Sedimentos

O transporte de sedimentos é um processo que envolve remoção,
transporte e deposição de material e faz parte da evolução da paisagem, originando
as formas geomorfológicas (SANTOS et al., 2001).
As formas de transporte sedimentos são: carga sólida de arrasto; carga do
leito ou saltante e carga sólida em suspensão. A carga sólida de arraste são as
partículas de sedimentos que rolam e escorregam sobre o leito dos cursos d’água. A
carga sólida saltante são as partículas que pulam devido a colisão umas nas outras
e sob o efeito da corrente de água. A carga sólida em suspensão são as partículas
de sedimentos capazes de se manter em suspensão pelo fluxo turbulento devido ao
seu peso reduzido. Um decréscimo na capacidade de transporte causa a imediata
deposição desta partícula. Já os sedimentos em arraste, os quais estão
uniformemente distribuídos na lâmina de água escoada superficialmente, não são
depositados imediatamente devido ao decréscimo na capacidade de transporte.
Esse retardamento é resultado da pequena velocidade de sedimentação das
partículas em suspensão (BORDAS & SEMMELMANN, 1993).
As cargas em suspensão e dissolvidas são transportadas na mesma
velocidade em que a água flui. Esta carga sólida saltante e a de arrasto representam
entre 10 e 20% da carga em suspensão, enquanto em rios anastomosados a carga
de leito pode exceder 50% da carga total (SUGUIO & BIGARELLA, 1990).
Segundo Simons & Senturk (1976), a quantidade de material transportado
ou depositado num rio depende de uma série de condições divididas em dois grupos

11

de variáveis que influenciam na quantidade e na qualidade do sedimento
transportado e na competência do rio de transportar aquele sedimento.
Para Carvalho et al., (2000), a maior parte da descarga sólida,
aproximadamente 95%, é representada pelo sedimento em suspensão. Por esta
razão e pela facilidade de determinação, as medições diárias e a maior parte dos
eventos individuais só contemplam o sedimento em suspensão.
Conforme descrito por Carvalho (1994), os sedimentos que chegam ao
curso d’água tem diversas granulometrias e sofrerão um processo de transporte
variado de acordo com as condições locais do escoamento, onde atuarão forças
para manter a partícula em suspensão ou no fundo do rio, saltando do leito para o
escoamento, deslizando ou rolando ao longo do leito, em função do tamanho da
partícula, do peso e forma. Também é função da forma do escoamento, se laminar
ou turbulento, da velocidade da corrente, dos obstáculos no leito e de diversas
outras funções que estão inter-relacionadas, como declividade do leito, forma do
canal, temperatura da água, etc. É sabido que nem todo o sedimento que passa por
uma secção transversal de um curso d’água é governado com a mesma lei
(UMEZAWA, 1979).
Quando o material transportado por um curso d'água provém da superfície
da bacia contribuinte ele é caracterizado como deplúvio (Washload) e seu transporte
se dá predominantemente em suspensão, atingindo ao redor de 90 a 95% do total
de sedimentos transportados (UMEZAWA, 1979; FIGUEIREDO, 1989).
A deposição é seletiva por tamanho. Primeiro se depositam as partículas
maiores e mais pesadas, posteriormente as partículas mais finas e por último se
deposita o material dissolvido (UFRA, 2007).
2.4 - Processo de Assoreamento

No Brasil, no início da década de 80 se teve preocupação com o assunto
de assoreamento de rios e canais, com os estudos de Ponçano et al., (1981),
Gimenez et al., (1981) e Carlstron Filho et al., (1981), quando apresentaram
métodos de análise de assoreamento para os reservatórios de Capivari (PR), Passo
Real e Ernestina (RS), respectivamente (CARVALHO, 2000).
Segundo Infanti & Fornasari (1998), o assoreamento é um processo que
consiste na acumulação de partículas sólidas (sedimento) em meio aquoso,

12

ocorrendo quando a força do agente transportador natural é sobrepujada pela força
da gravidade ou quando a super saturação das águas permite a deposição. A
intensificação deste processo (assoreamento) decorre em geral das atividades
antrópicas, relacionadas diretamente do aumento de erosão pluvial, por práticas
agrícolas inadequadas e infra-estrutura precária de urbanização, bem como da
modificação da velocidade dos cursos d’água por barramentos, desvios, entre
outros.
Ao se construir um reservatório, altera-se a característica hidráulica do
trecho compreendido entre a barragem e a seção à montante, muda-se o estado de
equilíbrio do fluxo, proporcionando a desaceleração do movimento das partículas na
direção da corrente, fazendo com que as partículas sólidas como pedregulhos e
areias grossas se depositem mais próximas da entrada do reservatório quanto maior
o seu diâmetro.
As partículas mais finas, cuja sustentação e viscosidade exercem papel
relevante, ou vão se depositar no trecho mais baixo do reservatório ou permanecer
em suspensão alcançando os órgãos de descarga (LOPES, 1993; MORRIS & FAN,
1997; CARVALHO, 1994 e 2000).
Segundo Ramos (1999), as duas origens de transporte sólido são as
correspondentes à carga de lavagem da bacia e outra ao transporte do material que
compõem o material do leito. A fração mais grossa da carga de lavagem, ao
adentrar no reservatório pode chegar a se depositar, dependendo do tempo de
residência ou de outros fatores de natureza físico – química que possa favorecer a
floculação e, conseqüentemente, a decantação. Já a fração mais fina pode manterse em suspensão por mais tempo em forma até de suspensão coloidal e atravessar
os limites do barramento, não chegando a assorear.
Para Carvalho et al., (2000) vários fatores influenciam a formação dos
depósitos, sendo que os principais são: sedimentos afluentes; eficiência de retenção
do sedimento no reservatório e a densidade dos depósitos e volume de sedimento
depositado. Com relação ao transporte e a velocidade de sedimentação e
assoreamento existem diferenças de um reservatório para outro, sendo esses
processos condicionados pela vazão, tempo de residência e seção transversal dos
rios que formam o reservatório, além da característica morfométrica do sistema,
localização e uso da bacia hidrográfica.

13

De acordo com Morris & Fan, (1997) e Carvalho (2000), à medida que o
tempo decorre, os impactos do assoreamento se tornam mais severos e mais fáceis
de serem constatados, mas de difícil solução. São esperadas conseqüências tanto a
montante quanto à jusante.

2.4.1- Assoreamento em Reservatórios

Em relação ao aspecto sedimentológico, as barragens geram uma
redução das velocidades da corrente provocando a deposição gradual dos
sedimentos carreados pelo curso d’água, ocasionando o assoreamento, diminuindo
gradativamente a capacidade de armazenamento do reservatório e podendo até
mesmo torná-lo inoperante e inviável, além de ocasionar problemas ambientais de
diversas naturezas.
Sperling (1999) comenta que o intenso aporte de material mineral
(principalmente areia, silte e argila) é o fenômeno causador do assoreamento dos
corpos d’água. No caso de lagos e represas, que apresentam um elevado tempo de
residência da água, em comparação com os rios, ocorre a deposição deste material
na região de entrada dos tributários. A deposição de montante se denomina depósito
de remanso (backwater deposit), em referência ao fenômeno hidráulico, sendo
também remontante à medida que aumentam os depósitos nestas áreas. As
deposições dentro do reservatório são chamadas de delta (delta), depósito de
margem (overbank) e depósito de leito (bottom-set deposit). O delta se forma com
sedimentos grossos, enquanto que os depósitos do interior com sedimentos mais
finos.
As enchentes produzem outro tipo de deposição, ocorrendo ao longo do
curso d’água e do reservatório, formado por sedimentos mais finos e grossos e que
é denominada depósito de várzea ou depósito de planície de inundação
(CARVALHO et al., 2000).
À medida que a deposição de sedimentos aumenta, a capacidade de
armazenamento do reservatório diminui, a influência do remanso aumenta para
montante, as velocidades no lago aumentam e maior quantidade de sedimentos
passa a escoar para jusante diminuindo a eficiência de retenção das partículas,
demonstrando que a evolução do fundo do reservatório depende fortemente da

14

geometria do reservatório e do tamanho do sedimento depositado (MORRIS & FAN.
1997; TARELA & MENÉNDEZ, 1999; CARVALHO, 2000).
Quanto à medição do assoreamento de um reservatório, podem-se utilizar
vários métodos, como o de previsão de assoreamento proposto por Carvalho et al.
(2000), método da planimetria de curvas batimétricas, ou pelo método do
amostrador Piston Core, utilizado por Saunitti (2003) na represa de Passaúna - PR,
que obtém testemunhos verticais pouco deformados, demonstrando que é possível
correlacionar o material depositado com as áreas-fonte, sabendo-se também a
espessura da camada depositada em cada ponto amostrado (CABRAL, 2005).
Todos os reservatórios fatalmente ficarão assoreados em maior ou menor
tempo. A questão primordial é verificar se não haverá problemas que venham
impedir a operação do aproveitamento dentro do tempo de vida útil econômica. Por
outro lado, tende a procurar-se minimização dos efeitos secundários derivados do
sedimento. Em razão disso faz-se a previsão do assoreamento na fase de
planejamento e procura-se acompanhar a formação dos depósitos e os efeitos do
assoreamento na fase de operação independente do porte do reservatório.
A determinação da nova capacidade e do grau de assoreamento é a
principal finalidade do levantamento topo-batimétrico. Segundo Sperling (1999), a
batimetria consiste na determinação do relevo de fundo de um corpo d’água e de
sua respectiva representação gráfica.
Dentre os produtos de um levantamento dessa natureza, cita-se: volume
de água ou capacidade do reservatório nas condições atuais (da época do
levantamento), nova área do espelho d’água; o desenho das novas curvas cota x
área e cota x volume; nova geometria do leito do reservatório; o desenho da curva
de dejeção de sedimentos; a verificação das características morfológicas dos
sedimentos acumulados; a quantificação do sedimento assoreado no período por
comparação com levantamentos anteriores ou do mapa da época de formação do
reservatório; capacidade de retenção de sedimentos pelo reservatório; descarga
sólida média afluente; verificação da porcentagem de sedimento depositado no
reservatório, no volume morto e o volume perdido na área do volume útil.
A previsão do assoreamento de um reservatório é função dos objetivos a
serem atendidos. Na fase de inventário o principal objetivo é estimar o tempo de
assoreamento total e a vida útil do aproveitamento. Nas fases de viabilidade e
projeto básico os estudos são mais laboriosos, procurando-se garantir a verificação

15

dos efeitos do assoreamento e as soluções gerais de controle de sedimento
(controle preventivo). Na fase de operação procura-se acompanhar o assoreamento
através de levantamentos sistemáticos, monitoramento sedimentométrico, vigilância
sobre as transformações na bacia e outros estudos, sempre visando à possibilidade
de controle preventivo e, quando não for possível, o controle corretivo mais
adequado (CARVALHO et al., (2000).
2.4.2 - Previsão de Vida Útil de Reservatórios

Os reservatórios interceptam a maior parte das descargas sólidas
transportadas na rede fluvial. A determinação dos volumes de sedimentos neles
depositados fornece indicações preciosas e às vezes decisivas sobre a produção de
sedimentos pelas bacias hidrográficas. Essa determinação é geralmente feita por
comparação entre levantamentos topo-batimétricos feitos antes da construção da
barragem e depois de um período de operação do reservatório, com uso de
ecobatímetro (TUCCI, 1993).
O levantamento topo-batimétrico do reservatório pelo método do
levantamento de seções transversais é o mais largamente usado para médios e
grandes reservatórios (BRUK, 1985). O levantamento permite a determinação da
capacidade do reservatório que, comparada com levantamento anterior, fornece o
volume de sedimento depositado. Essa capacidade é calculada por dois métodos,
com volumes parciais, utilizando as curvas traçadas ou seções transversais.
(CARVALHO et al., 2000).
Linsley & Franzini (1978) consideram que o tempo de vida útil de um
reservatório termina quando o volume assoreado for suficiente para impedir que o
mesmo seja utilizado de acordo com os propósitos para os quais foi construído,
considerando para efeito de estimativa geral um volume equivalente à perda de 80%
do volume útil do reservatório (CABRAL, 2005).
Bufon (1999), por meio de levantamentos topo-batimétricos, estudou o
tempo de vida útil da represa Velha em Pirassununga – SP, onde comparou as
medidas efetuadas em 1998 com as da época da construção da represa em 1940 e
verificou uma perda de profundidade em termos de valores máximos (5m) e médios
(2m), sendo o tempo de vida útil previsto para 230 anos.

16

Pode-se destacar também os trabalhos desenvolvidos por Carvalho &
Catharino (1993) de um programa de estudos sedimentológicos para o reservatório
de Itaipu apresentando a previsão do assoreamento e vida útil do reservatório com
indicação da altura de sedimento no pé da barragem para 100 anos e o tempo em
que o depósito alcançaria a soleira da tomada d’água.
A batimetria realizada no reservatório do Rio Santo Anastácio que
abastece a cidade de Presidente Prudente-SP, com área alagada de 75,6 ha,
mostrou que o volume do reservatório reduziu em 13,42% entre 1993 e 1998
(MACHADO et al., 1998).

17

3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 – Área de estudo
3.1.1 – Bacia Hidrográfica do rio Coruripe

A bacia do rio Coruripe é de grande importância para o estado de Alagoas,
sendo a maior bacia totalmente inserida no estado. Destaca-se por preservar
características

de

um

regime

hidrológico

natural,

apesar

de

pequenos

represamentos e excessiva exploração das indústrias sucro-alcooleiras e por ser
uma bacia hidrográfica pequena com uma quantidade de dados limitados (apenas
uma estação fluviométrica com dados disponíveis) característicos das pequenas
bacias das regiões Norte e Nordeste.
A bacia hidrográfica é situada no centro-sudeste alagoano e sua foz dista
ao sul, aproximadamente 130 quilômetros da capital do Estado. Sua porção mais
alta está inserida na zona fisiográfica do semi-árido e sua foz na Mata Atlântica,
conforme pode ser visto na Figura 1.

Figura 1- Localização da área de estudo.

18

3.1.2 – Caracterização da bacia hidrográfica do rio Coruripe

Com uma área de drenagem de aproximadamente 1.562 km² (SEMARH,
2003; VALLADARES, 2004), a maior parte desta bacia encontra-se sob domínio do
clima tropical úmido, com transições para um clima tropical no extremo leste, sob
influência da zona litorânea, passando para um clima semi-árido na parte noroeste.
O regime pluviométrico da bacia do rio Coruripe caracteriza-se por uma precipitação
média anual da ordem de 1.400 mm, [PDRH do Coruripe, 2001].
Sua economia é baseada na policultura, destacando-se o cultivo de feijão,
milho, fumo, coco e cana-de-açúcar. As principais indústrias da região são as sucroalcooleiras, merecendo ênfase às usinas Coruripe e Seresta [PDRH do Coruripe,
2001].
De modo geral, a bacia caracteriza-se pela intensa ocupação antrópica,
onde aparecem pouquíssimos remanescentes da vegetação original, principalmente
na região sul da bacia, onde toda a mata atlântica nativa foi substituída por canaviais
(PDRH do Coruripe, 2001).

3.1.2.1 - Aspectos Fisiográficos

O relevo da Bacia do Rio Coruripe faz parte da unidade dos Tabuleiros
Costeiros no médio e baixo cursos, região onde se localiza o reservatório. Esta
unidade acompanha o litoral de todo o nordeste e apresenta altitude variando de 10
a 100 metros. Compreende platôs de origem sedimentar, que apresentam grau de
entalhamento variável, ora com vales estreitos e encostas abruptas, ora abertos com
encostas suaves e fundos com amplas várzeas. De modo geral, os solos são
profundos e de baixa fertilidade natural. A vegetação é predominantemente do tipo
Floresta Subperenifólia, com partes de floresta subcaducifólia e cerrado / floresta
(BRASIL, 2005).
Os solos dessa unidade geoambiental são representados pelos Latossolos
e Podzólicos nos topos de chapadas e topos residuais, pelos Podzólicos com
Fregipan, Podzólicos Plínticos e Podzóis nas pequenas depressões nos tabuleiros,
pelos Podzólicos Concrecionários em áreas dissecadas e encostas e Gleissolos e
solos Aluviais nas áreas de várzeas. Esta região da cabeceira até a foz encontra-se
geologicamente inserida na Província Borborema, representada pelos litótipos do

19

complexo Nicolau/Campo Grande e pelos grupos Macunaré e Igreja Nova, Coruripe
e Barreiras e pelos Depósitos de Pântanos e Mangues, Depósitos Flúvio-lagunares e
Depósitos Litorâneos (BRASIL, 2005).
3.1.2.2 - Características Climáticas

O clima específico, de acordo com o sistema de classificação de Köppen,
é o Tropical Chuvoso com verão seco, enquadrado no Semi-Árido Nordestino, com
temperatura média anual de 24,4ºC. A precipitação média anual é 1400 mm, porém
com grande variação espacial, oscilando entre um mínimo de 650 mm/ano na região
de Arapiraca no oeste, parte alta da bacia, e um máximo de até 1.600 mm/ano na
região de Pindorama, na faixa litorânea. O trimestre mais chuvoso ocorre entre maio
e agosto, em praticamente toda a bacia, enquanto os meses menos chuvosos
concentram-se no período do verão, entre os meses de novembro a fevereiro [PDRH
do Coruripe, 2001]. A umidade relativa do ar média anual é em torno de 62% com
ventos predominantes de leste-nordeste. A região é periodicamente influenciada por
sistemas sinóticos tipo VCANs, pela ZCIT e pela confluência dos Ventos Alísios,
responsáveis pela modelação e comportamento do regime climático e do regime de
precipitação (PDRH do Coruripe, 2001).
3.1.2.3 - Características Geológicas

A região de Coruripe encontra-se geologicamente inserida na Província
Borborema, com rochas cristalinas da nascente até Campo Alegre e Bacia
Sedimentar até a foz, representada pelos litótipos do complexo Coruripe e Barreiras
e pelos Depósitos de Pântanos e Mangues, Depósitos Flúvio-lagunares e Depósitos
Litorâneos. O Complexo Nicolau/Campo Grande (An) engloba xistos, gnaisses,
mármores, BIF, metamáficas e metaultramáficas. O Grupo Macururé Formação
Santa Cruz (NPm2), está representado por micaxistos granatíferos. O Grupo Igreja
Nova (CPi), é constituído por siltitos, arenitos, folhelhos, folhelhos e calcários
intercalados e sílex. O Grupo Coruripe (K1cp), engloba folhelhos, arenitos, calcários
e arcóseos. O Grupo Barreiras (ENb), está representado por arenitos e arenitos
conglomeráticos com intercalações de siltito e argilito. Os Depósitos de Pântanos e
Mangues (Qpm) constituem-se de areia, silte e materiais orgânicos. Os Depósitos

20

Flúvio-lagunares (Qfl), englobam filitos arenosos e carbonosos. Os Depósitos
Litorâneos (Q2l) são constituídos por areias finas e grossas e dunas móveis
(BRASIL, 2005).
3.2 – Dados utilizados da Bacia hidrográfica do Rio Coruripe
3.2.1 – Precipitação

Os dados de precipitação utilizados nesta pesquisa foram obtidos da Rede
Hidrometeorológica

Nacional,

ANA/CPRM

disponíveis

no

site

www.hidroweb.ana.gov.br, referem-se diretamente a uma série de dados verificada
no período de 1990 a dezembro de 2009, período desde que se têm dados
confiáveis e armazenados para se extrair a precipitação média mensal, coletados na
estação Hidrometeorológica Pluviométrica de Camaçari (1036062).
3.2.2 – Vazão

Os dados de vazão utilizados foram obtidos também da Rede
Hidrometeorológica Nacional, ANA/CPRM, porém referindo-se diretamente ao
período de dados existentes, que é de 1978 até 2008, dados de 30 anos, que
possibilitou a extração das normais climatológicas de vazão média mensal,
coletados da estação Hidrometeorológica Fluviométrica de Camaçari (39980000).

A vazão ecológica regional determinada a partir da legislação estadual em
torno de 0,89 m³.s-1 é muito inferior às vazões mínimas históricas e as vazões
médias mensais, significando que o rio em questão não apresenta com freqüência
períodos com estresse hídrico (FARIAS JÚNIOR, 2006).
3.2.3 – Correlação entre dados de precipitação e vazão normalizados
De modo geral, um coeficiente de determinação (R 2) variando de 0,70 a
0,80 indica um ajuste satisfatório (KRYSANOVA et al., 1998).
No entanto, na prática, se utiliza mais comumente o coeficiente de
correlação (r), que é extraído pela raiz quadrada do coeficiente de determinação, o
qual pode-se ver sua relevância entre os índices na Tabela 1.

21

Tabela 1 - Níveis do índice de correlação para análise estatística.

Valor

Correlação

r=0

nula

0 < |r| < 0.30

fraca

0.30 < |r| < 0.60

média

0.60 < |r| < 0.90

forte

0.90 < |r| < 1

fortíssima

|r|= 1

perfeita
Fonte: (Carvalho, 1994).

Com os dados normalizados de precipitação e vazão (Anexos 1 e 2), foi
possível ajustar as curvas de comportamento com a reta de regressão linear
correspondente aos valores médios mensais de totais precipitados e vazão no
período disponível, assim como, apresentar a equação aproximada da reta
característica desse comportamento e os referidos coeficientes de determinação.
Para a avaliação direta do total assoreado do reservatório Coruripe – I,
desde o início de sua operação em 2007 até dezembro de 2009, período estudado
neste trabalho, foram utilizados dados de precipitação, de uma estação
meteorológica localizada próxima a área do reservatório. Com esses dados foi
possível extrapolar, a partir da normal climatológica, os volumes de vazão sólida que
entraram no reservatório e como consequência, pela equação da reta de regressão
linear entre os dados de concentração sólida encontrados nas amostras realizadas
durante o ano de 2009 e as vazões normalizadas, encontrar os valores das
descargas sólidas, oriundas de áreas externas às de domínio e utilizadas pela
empresa Coruripe, portanto fora da área drenada diretamente pelo lago
(CARVALHO, 1994).
3.2.4 – Concentração Sólida

Os dados de sedimentos em suspensão, arraste e material de fundo são
provenientes de amostragens coletadas diretamente na área de abrangência do
reservatório e no rio a montante do lago.

22

Depois de coletadas as amostras, das mesmas foram determinadas as
concentrações em g.l -1 e/ou kg.m-3 (gramas / litro ou quilogramas / metros cúbicos), e
posteriormente transformada em volume de descarga sólida em termos de vazão
(Kg.m-3), para padronizar as unidades.
A partir das concentrações encontradas no período amostrado, de janeiro
a setembro de 2009, foi possível extrapolar essas quantidades em relação à vazão
líquida de referência mensal, para os meses que não se teve disponibilidade de
amostragem da quantidade sólida, a qual flui diretamente para o lago. Esta será a
maneira utilizada para quantificar os sedimentos carreados durante os três anos de
operação deste reservatório (CARVALHO, 1994).
3.3 – Área Experimental
3.3.1 – Localização
A área de estudo está a montante da barragem do Rio Coruripe – I, no
Município de Coruripe – AL, fazendo parte da bacia hidrográfica do rio Coruripe, a
barragem está situada nas coordenadas geográficas 10°01’51,6” S e 36°18’03,9” W
(acima da tomada d’àgua).
3.3.2 – Caracterização do Reservatório

O reservatório da Barragem do Rio Coruripe-I tem por finalidade a
irrigação de áreas agricultáveis pela Usina Coruripe S.A e abrange uma área de
562,07 ha. A barragem está localizado na Fazenda Poção, Município de Coruripe –
AL, bacia hidrográfica do Rio Coruripe, que atravessa a porção central do município,
tendo como principais tributários os Riachos: Francisco Alves, Estiva, Açude Velho,
Correnteza, Tamanduá, Draga e das Pedras. O referido reservatório tem 9.925 m de
extensão e com uma área de drenagem total de aproximadamente 1.455 km². A
barragem tem a extensão de 254,20 m, sendo que a cota máxima e mínima úteis
são 31 m e 15 m, respectivamente, cuja altura da Barragem é de 16 m (SEMRH,
2003).

23

3.3.3– Pontos de Monitoramento
a) Ponto 1 - Ponte da Fazenda Rocheira, nas coordenadas 09’56’47,6” S
e 36’19’29,1” W, e cota 47 m, local de referência da vazão e coleta de material em
suspensão e arraste. Ponto de referência em que drena aproximadamente 1.380
km² da área total da Bacia. A Figuras 2 mostra as condições em que se encontrou
esse ponto de amostragem e monitoramento.

Figura 2- Aspecto visual do Ponto 1. Conjunto de Réguas Limnimétricas;

b) Ponto 2 - Ponte próxima a divisa territorial entre as usinas Coruripe e
Guaxuma, sob localização 09’59’03,1” S e 36’19’40,1” W e cota 40 m. Ponto,
interessante pela observação visual e impactante, um ponto aproximadamente a 2/5
da distancia longitudinal do lago, totalmente assoreado e coberto por macrófitas,
estando acima deste, a área mais crítica e assoreada do reservatório observado na
Figura 3.

Figura 3 - Vista parcial do Ponto 2 – região completamente assoreada a montante;

24

c) Ponto 3 - Represa da barragem Coruripe – I, sob as coordenadas
geográfica 10°01’51,6” S e 36°18’03,9” W. Vertedor na cota 27 m e barramento com
extensão total de 254,20 m, sendo este, o ponto exutório da bacia em questão.
Mostrado na Figura 4a a barragem de contenção do reservatório e na Figura 4b a
ponte da BR 101 logo a jusante da mesma.

(a)

(b)

Figura 4 – Vista da Barragem em (a) e ponte a Jusante da barragem em (b).

3.4 – Equipamentos utilizados
3.4.1- Material cartográfico

Para a realização dos levantamentos na Bacia Hidrográfica do rio Coruripe
e da Barragem do rio Coruripe – I foram utilizados mapas elaborados pela empresa
Gama Engenharia, licenciada pela empresa, na escala 1:20.000, com impressão em
2006 contendo o levantamento topo-altimétrico do local do alagamento, com
equidistância das curvas de nível de 5 metros, cedidos pelo setor de topografia da
Usina Coruripe, como pode-se observar na Figura 5.

25

Figura 5 – Mapa Topo-Altimétrico da área de alagamento do reservatório (setembro de 2006).

26

3.4.2 – Levantamento topo-batimétrico
3.4.2.1– Importância

Após o enchimento de um reservatório o levantamento topo-batimétrico
completo fornece curvas cota x área e cota x volume com grande precisão.
Acompanham esses estudos, a amostragem de sedimentos em suspensão e do leito
para caracterização do material. A amostragem de sedimento do leito deve incluir a
determinação da composição do fundo em relação à granulometria a partir de
amostras indeformadas ou medições diretas. Esta medida é necessária devido à
compactação dos depósitos pelo peso da água ou atividades geológicas (ICOLD,
1989).
Basicamente, o procedimento geral é construir um mapa batimétrico do
fundo do lago, que pode ser comparado com um mapa previamente preparado. Os
dois métodos mais comuns empregados no levantamento de reservatórios são: 1)
método de levantamento de contornos do reservatório; 2) método de levantamento
de linhas topo-batimétricas. A seleção do método depende da disponibilidade e
condições do mapeamento prévio, dos objetivos de estudo, do tamanho do
reservatório e do grau de precisão desejado (BRUK, 1985).
Para este trabalho optou-se pelo segundo método.
3.4.2.2– Batimetria

A batimetria realizada forneceu um mapa do perfil de fundo do
reservatório, com o auxilio de um ecobatímetro, o qual pôde ser comparado com
outros mapas previamente elaborados. O ecobatímetro funciona através da emissão
de ondas eletromagnéticas a partir de uma sonda, refletidas pelo fundo e retornam
para o receptor do aparelho, onde anota o valor da coluna de água mostrado no
visor. No barco também foi utilizado um GPS, para a localização pontual dos pontos
a serem mapeados.
O levantamento foi realizado em linhas transversais pré definidas,
utilizando mapas cartográficos, digitais de levantamentos antes realizados para
ajudar na escolha das seções e na localização dos marcos. As seções foram
localizadas de tal forma que o volume calculado represente da melhor forma
possível o desenho do fundo do reservatório e com isso o volume assoreado.

27

A batimetria no reservatório Coruripe – I foi realizada nos dias 21 e 22 de
dezembro de 2009 com o auxilio de um ecobatímetro digital pontual não registrador
Garmin modelo Fishfinder 80 auxiliado a um GPS Garmin de 12 canais. Nesta
ocasião foram feitos 90 pontos de sondagem.
Inicialmente foram feitos os seguintes procedimentos básicos: obtenção de
mapas em escala 1:20.000 do reservatório; reconhecimento preliminar; procura de
marcos de levantamento altimétrico e de coordenadas; planejamento das seções
levantadas; escolha dos métodos de trabalho e dos equipamentos; medida de
profundidades e locação simultânea de pontos (cotas); interpretação, mapeamento,
desenhos de seções transversais.
O levantamento propiciou desenvolver um desenho da nova geometria de
fundo do lago (deltas e canais preferenciais). Para isso, traçaram-se seções
transversais comparativas, escolhidas em posições ao longo do reservatório e que
retrataram mudanças nessa geometria em relação à condição inicial de projeto (ver
anexo 09).
3.4.3 – Amostragens
3.4.3.1 – Sedimento em suspensão

Estas amostragens foram feitas manualmente, coletando a água
diretamente na embalagem pré definida (potes de plástico com tampa, com
capacidade de 750 ml), coletadas no ponto de entrada do reservatório, no rio
principal, na ponte da Fazenda Rocheira, local onde se encontra a estação
pluviométrica e fluviométrica da ANA/CPRM, de coordenadas 09º56’47,6” S e
36º19’29,1” W. Foram coletadas num total de 25 amostras, para quantificar os
sedimentos em suspensão ao longo do período estudado, em ocasiões de
disponibilidade do coletor, sempre após um evento pluviométrico. O agente
responsável pelas coletas foi um dos vigilantes da usina Coruripe, já que este por
circular toda á área do lago, com a função de fiscalizador ambiental se prontificou
para esta tarefa.

28

3.4.3.2 - Sedimento de arraste e de fundo

Foi utilizado um amostrador divergente do tipo Amhem, conforme a Figura
6, que possui um bocal quadrado, com corpo fabricado em tela fina onde a
amostragem é depositada. No estudo o amostrador ficou suspenso junto ao fundo
por um cabo preso na ponte da seção. As medidas diretas da descarga de arraste
foram feitas nas verticais localizadas a 1/4, 1/2 e 3/4 da largura da seção. Em cada
um destes pontos da seção, o amostrador ficou apoiado no leito e permaneceu em
repouso durante aproximadamente trinta minutos coletando a respectiva amostra.

Figura 6 - Amostrador de Sedimentos de arraste.

A concentração de sedimentos por arraste foi coletada e quantificada no
mesmo período em que foi realizado o levantamento topo-batimétrico, portanto em
dezembro de 2009. Concentração oriunda de áreas externas às utilizadas pela
Usina Coruripe.
Nesta época, foram coletadas amostras de fundo com auxilio de uma
draga do tipo Eckman, (Figura 7), na ocasião foram feitas amostragens ao longo do
perfil longitudinal do reservatório, para se ter uma idéia da formação e distribuição
granulométrica do fundo deste. Porém, o que foi constatado nas coletas realizadas é
que todas as amostras apresentaram homogeneidade em sua composição, foram
compostas somente de material fino (lodo), impossibilitando então a determinação

29

da granulometria do fundo do lago pelo método de peneiramento que seria
empregado para tal finalidade.

Figura 7 – Draga do tipo Eckman para coleta de Sedimentos de Fundo.

3.4.4 – Análises laboratoriais

As análises sedimentométricas foram efetuadas no LABMAR, (Laboratório
de Ciências do Mar e Naturais) da Universidade Federal de Alagoas.
3.4.4.1 – Concentrações de sedimentos em suspensão

Para a obtenção das concentrações das amostras se fez necessário a
secagem das amostras, utilizando-se uma estufa para secamento total da mesma.
Foi importante quantificar a amostra em partes (volume para obtenção da
concentração dos sólidos dissolvidos, volume retirado de sobrenadante e volume
remanescente no recipiente) a fim de se obter o volume total de sólidos referente a
quantidade composta (líquido+sólido suspenso) da amostra.

30

3.4.4.2 – Concentração de sedimentos por arraste e de fundo

A distribuição granulométrica do material de leito é a determinação do
tamanho das partículas e suas respectivas porcentagens de ocorrência e
concentração. A concentração de sedimentos por arraste foi obtida por secagem da
amostra em estufa e pesagem da mesma para se ter a quantidade total amostrada.
Já os ensaios de peneiramento e sedimentação foram dispensados devido
a homogeneidade das amostras de fundo coletadas.
3.5 – Tratamento dos dados

O perfil inicial do fundo da Barragem, proveniente do mapa topográfico
original confeccionado na época da construção e o obtido pelo levantamento topobatimétrico, foram processados e otimizados em softwares adequados para
poderem ser feitas as devidas comparações.
A primeira em relação ao mapa elaborado em 2007, proveniente do
Projeto do Traçado de alagamento, realizado pela empresa Gama Consultoria,
enquanto a segunda foi produto das medidas topo-batimétricas realizadas a partir de
seções transversais ao longo do reservatório em dezembro de 2009. Teve-se o
cuidado de estabelecer pontos de alteração de declividade, em curvaturas e
mudanças sinuosas de trajetória, a fim de definir a disposição do relevo. Procurou-se
sempre estabelecer medidas em seções mais representativas possíveis, de forma a
obter a maior aproximação da realidade.
3.6- Cálculo do volume útil do reservatório

A partir dos dados do levantamento topo-batimétrico foi possível se
elaborar um novo mapa, determinando o atual relevo de fundo do lago, para
posteriormente por comparação entre as áreas e as profundidades com o mapa de
projeto, se ter uma idéia da nova capacidade de armazenamento de água do
reservatório, resultando deste levantamento topo-batimétrico em um mapa em
terceira dimensão do atual formato do fundo do reservatório, quando comparado
com a planta original, forneceu o volume de água disponível até a época do estudo.

31

3.7 – Cálculos e dados complementares
3.7.1- Concentrações da descarga sólida do rio a montante do reservatório

Para quantificar o aporte de sedimentos transportados pelo rio, optou-se
pelo cálculo direto, da concentração em quilogramas de sedimentos por metro
cúbico de água, encontrado nas amostras coletadas em diferentes épocas do ano de
2009, cujas concentrações foram extrapoladas para todo o período de operação do
reservatório compreendido entre 2007, 2008 e 2009. Para esse cálculo foi utilizada a
seguinte equação:
Qss= Ql x Cs [kg.s-1]

(1)

Onde:
Qss= descarga sólida de sedimentos [kg.s-1]’;
Ql= descarga líquida [m³.s-1];
Cs= concentração de sedimentos[kg.m-3]

3.7.2 - Avaliação do assoreamento e/ou volume morto total do reservatório

Esse

parâmetro

foi

avaliado

pela

diferença

entre

as

áreas

e

profundidades, do antigo mapa de projeto, levantado em setembro de 2006 e o
mapa confeccionado pelos dados do levantamento topo-batimétrico realizado em
dezembro de 2009, utilizando-se de um método cartográfico, a planimetria, para se
obter as áreas nas diferentes épocas e posteriormente, diminuída a área que existia
em 2006 da área efetiva atualmente. Como consequência, se obteve o volume já
indisponível para armazenamento.
3.7.3 – Avaliação da vida útil do reservatório

Nessa análise se teve a preocupação de obter o tempo de vida em que o
lago continuará a ser utilizado para a finalidade na qual foi construído,
independentemente do valor encontrado foi um dos principais objetivos propostos
neste trabalho. Essa avaliação foi possível de ser realizada pelas seguintes
equações:

32

ou

(2)

Sendo:
S = volume de sedimentos retido no reservatório (m3.ano-1);
Dst = deflúvio sólido total médio anual afluente ao reservatório (ton.ano-1);
Er = eficiência de retenção do sedimento afluente ao reservatório (% e
fração);
Yap = peso específico aparente médio dos depósitos (ton.ano-1);
Qst = descarga sólida total média afluente ao reservatório (ton.dia-1);

e,
(3)

Sendo:
T = tempo de assoreamento de um determinado volume (anos);
S = volume de sedimentos retido no reservatório (m3.ano-1);
Vres = volume do reservatório, total ou volume morto (m3).

33

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1- Precipitação
4.1.1 - Distribuição da Precipitação Média Anual

A precipitação na região tropical é a variável meteorológica de maior
importância, pois apresenta maior variação em termos de mudanças sazonais,
sendo também o principal fator na utilização da subdivisão do clima numa região
(MORAES, 2003). Segundo Ribeiro (2001) a precipitação é também um dos
principais componentes do balanço hídrico.
O estado de Alagoas está localizado em uma sub-região do Nordeste que
possui grande variabilidade na distribuição pluviométrica devido a sua orografia e
sistemas de ventos locais. A localização do Nordeste Brasileiro (NEB) faz com que a
influência de vários sistemas meteorológicos, atuando de forma diferenciada em
relação a sua freqüência e intensidade, torne a climatologia da região complexa,
uma vez que esta região parece ser o fim de várias trajetórias destes sistemas. A
atividade e intensidade desses sistemas são condicionadas à circulação atmosférica
que é determinada pela condição térmica dos oceanos (FIGUEIREDO, 2002).
O litoral alagoano, do extremo norte ao extremo sul, em se tratando de
precipitação, apresenta um declínio de norte a sul, com índices pluviométricos
anuais médios superiores a 1.200 mm, sendo que quanto mais ao norte estes
índices podem ser ainda maiores, podendo ultrapassar 1800 mm. Em média, o litoral
norte, apresenta 1.487,0 mm anuais, enquanto no litoral sul é 1.295,3 mm.
Entretanto, no centro da faixa litorânea do Leste alagoano, encontra-se o valor mais
elevado de precipitação anual, ou seja, com média anual de 1636,9mm. Ainda de
acordo com estes estudos, mais para o interior do Estado, onde apresentam uma
pluviometria média anual mais baixa quando comparada com localidades da estreita
faixa litorânea. Nessa região a precipitação apresenta valores entre 920,0 e 1831,0
mm anuais, prevalecendo o declínio dos quantitativos de chuva de norte em direção
sul (FIGUEIREDO, 2002).
A região de Coruripe, segundo o Projeto Cadastro de Fontes de
Abastecimento por Água Subterrânea do estado de Alagoas - Diagnóstico do
Município de Coruripe de 2005, apresenta uma precipitação média anual de 1.634.2
mm.

34

Observa-se que os totais pluviométricos anuais médios para todo o Estado
de Alagoas apresentam em sua distribuição um decréscimo de leste (litoral) para
oeste (sertão), conforme observa-se na Figura 8.

Figura 8 -

Campos de precipitação média anual (intervalo de 200 mm) para o estado de
Alagoas. Fonte: (SEMARH/DMET-AL, 2008).

A distribuição sazonal da normal climatológica para a região leste do
estado alagoano, segundo a Secretaria de Estado de Recursos Hídricos e Irrigação
(SERHI, 2003), e comprovada pelos dados normalizados, apresenta um período
chuvoso compreendido nos meses de abril, maio, junho e julho, enquanto o período
seco se caracteriza em outubro, novembro, dezembro e janeiro e pode ser
observado na Figura 9, os períodos referidos aos valores normalizados da região de
Coruripe com o conjunto de dados no período compreendido entre 1990 e 2008 (ver
Anexo 1), se estende de abril a agosto, destacando-se o mês de maio responsável
pelos maiores índices de precipitação, enquanto o período mais seco compreende o
período de outubro a fevereiro, corroborando com os resultados supracitados.

35

Figura 9 –

Comportamento da Precipitação média mensal normalizada (mm) para o período
de 1990 – 2008 da estação pluviométrica de Camaçari.

Ao analisar o comportamento da precipitação acumulada no período de
2007, 2008 e 2009, comparada ao valor da normal climatológica regional (Figura
10), pode-se perceber que a precipitação anual acumulada é coincidente com o
tempo de operação do reservatório Coruripe – I que foi de 1.701,2, 1.593,3 e 1.843,2
mm, respectivamente, enquanto o valor médio da normal climatológica local é de
1.363,96 mm. Os meses com maiores intensidades foram maio, junho, julho e
agosto, o que representa, em média, 58,3% da precipitação anual dos três anos.
Mostrando ser um período com índices acima das normais, destaca-se o
ano de 2009, principalmente o mês de maio (A), com índice pluviométrico de 617
mm, o que corresponde a aproximadamente 33% do total deste ano.
Kousky (1979) sugeriu que o máximo de chuvas no Nordeste Brasileiro
(NEB) estaria ligado à maior atividade de brisas que advecta bandas de
nebulosidade para o continente e à ação das frentes frias, ou seus remanescentes,
que se propagam ao longo da costa. Comenta, ainda, que o máximo de chuvas
poderia estar relacionado à máxima convergência dos Alísios com a brisa terrestre,
mais forte durante as estações de outono e inverno quando o contraste de
temperatura entre a terra e o mar é maior.
De acordo com Fedorova (2001) as estações chuvosas, freqüentemente
desastrosas nas regiões tropicais, estão associadas com o deslocamento da ZCIT.
De acordo com Molion & Bernardo (2002) existem mecanismos de macro, meso e

36

escala local que provocam chuvas na região do Nordeste do Brasil. Dentre os
mecanismos de grande escala destacam-se os Sistemas Frontais e a Zona de
Convergência Intertropical (ZCIT). Perturbações ondulatórias no campo dos Alísios
(POAs), Complexos Convectivos e Brisas Marinha e Terrestre fazem parte da
mesoescala, enquanto circulações orográficas e pequenas células convectivas se
constituem fenômenos da microescala. Para Cohen et al., (1989) e Ferreira et al.,
(1990), a quadra chuvosa está relacionada com distúrbios ondulatórios.
Ainda na Figura 10 é possível observar que a precipitação registrada para
a quadra chuvosa oscilou em relação à normal climatológica para os meses de abril
a agosto (B), enquanto maio ocorreu um excesso de precipitação nos três anos de
153,3 e 232,5 mm para 2007 e 2008 respectivamente e destacando o ano de 2009
que teve 360,03 mm acima da média (A). Enquanto, os meses que caracterizam a
quadra seca, apenas os meses de fevereiro e março tiveram precipitação acima do
esperado nos anos de 2007, 2008 e 2009, com uma exceção no mês de março de
2009. Já para outubro, novembro, e dezembro (C) e janeiro a precipitação para os
três anos foram abaixo da média normal, principalmente o mês de novembro, que
apresentou valores quase nulos nos três anos de estudo.

Figura 10 –

Comportamento da precipitação no período de operação da barragem 2007 –
2009 comparado com a precipitação da normal climatológica.

Esse elevado valor observado em maio de 2009 foi responsável pelo
encharcamento do solo na área da Bacia do Rio Coruripe. Posteriormente, no mês
de junho aconteceu um fenômeno relevante para esta pesquisa, onde nessa

37

ocasião, devido aos grandes valores precipitados, somados a continuidade do
período chuvoso, rompeu um pequeno reservatório à montante da Barragem
Coruripe – I. Isso proporcionou um grande volume de água fluindo rio abaixo
carreando e empilhando sobre o leito, sedimentos e desestabilizando as margens
até o reservatório.

4.2- Vazão

A Figura 11 foi confeccionada a partir dos dados das médias normalizadas
de vazão referente ao período compreendido entre 1978 a 2008 (ver Anexo 2) e a
precipitação normalizada (ver Anexo 3), apresentando um valor máximo médio de
vazão em torno 16 m3.s-1 no mês de junho, portanto, com retardo (C) em relação ao
pico de precipitação pela contribuição do escoamento subterrâneo que ocorreu em
maio, comprovado pelos dados climatológicos normalizados. Isso porque a
precipitação ao entrar em contato com a vegetação e com o solo, primeiramente se
infiltra, percola e demora um determinado período para escoar até a calha principal
do rio por escoamento superficial ou subterrâneo.
A resposta que se observa no regime das vazões é decorrente
diretamente do comportamento do regime de precipitação. Enquanto, parte da
precipitação pode ser interceptada pela vegetação, se existir, infiltrando no solo,
outra parte ao entrar em contato com o solo, inicia o processo de infiltração.
Enquanto o solo encontra-se em processo de saturação, inicia-se o escoamento
superficial. O tempo que leva para a água, precipitar até chegar a calha do rio que
drena a área vertente, depende de algumas características do solo e da região,
como declividade, tipo de solo, composição e granulometria, condições de cobertura
vegetal e uso do solo. Portanto, quanto maior o nível de cobertura vegetal e
conservação do solo e menor declividade, maior é o tempo de resposta até a calha
do rio por escoamento subterrâneo.
Neste estudo, o tempo de resposta observado para os maiores índices foi
de dois meses, de acordo com os dados normalizados disponíveis. Portanto,
ocorrendo o pico da precipitação em maio e a resposta, ou pico das vazões em
julho, confirmado pelas condições de resposta que se espera normalmente
encontrar.

38

Já para os meses seguintes, a vazão apresentou uma resposta muito
semelhante ao comportamento da precipitação (Figura 11). A partir do mês de
agosto até março vê-se que a resposta é quase que imediata mostrando
dependência direta entre essas variáveis (D), possivelmente em decorrência das
chuvas anteriores que ocorreram, como consequência a vazão aos poucos se reduz,
pois ainda existe água armazenada no subsolo, o que mantém a curva da vazão até
fevereiro. A partir de março, a vazão começa a aumentar gradativamente como
resposta as primeiras chuvas que ocorreram na região.
Pela Figura 11, em abril o índice de precipitação apresentou-se elevada,
enquanto pode ser observado que a vazão aumentou mais suavemente e com um
pequeno retardo, possivelmente devido ao solo está com déficit de água por
consequência da estação seca. Essa subida mais suave da curva da vazão (A) pode
ser explicada pelo solo está iniciando o armazenamento de água para atingir sua
capacidade de campo, sendo que logo após atingir esta condição, a liberação de
água por escoamento superficial e sub-superficial inicia para a calha do rio é
iniciada. Isso é comprovado pelo crescimento da curva de vazão a partir do mês de
maio (B) como resposta pelos maiores índices de precipitação ocorridos na região
vertente e pela liberação de água subterrânea armazenada.
O retardo no pico da vazão, no mês de julho, em relação ao pico da
precipitação em maio, de Sá pela contribuição oriunda do escoamento subterrâneo,
que se soma a partir desse período com o escoamento suberficial.

Figura 11 –

Histograma de precipitação e Hidrograma de vazão, médias mensais
normalizadas da estação pluvio-fluviométrica de Camaçarí.

39

Observando a correlação encontrada entre as séries de dados histórica de
precipitação e vazão, vê-se que a mesma foi positiva, apresentando um coeficiente
de correlação (r=((R2)1/2) em torno de 0,91, o qual mede o grau da correlação entre
duas variáveis relacionadas. Pelo índice mencionado na metodologia deste trabalho,
este valor refere-se a uma correlação considerada fortíssima, conforme a Figura 12.

Figura 12 –

Dispersão dos dados de precipitação / vazão normalizadas climatologicamente,
com a referida reta de regressão linear e o coeficiente de determinação (R 2)
para a estação de Camaçari.

Para fins de cálculos da concentração de sedimentos carreados para o
interior do reservatório em seu período operacional, foi utilizada a Equação da reta
“Q = 0,0483P + 1,7095”, expressada anteriormente (Figura 12), para obter a vazão
afluente correspondente aos volumes precipitados entre 2007 a 2009.

4.3- Concentração sólida

Na Tabela 2 são apresentados os valores das concentrações de
sedimentos em suspensão encontradas nas amostragens realizadas no período de
janeiro a setembro (ver Anexo 6), as quais foram coletadas antes da região de
alagamento

do

reservatório,

e

em

dias

com

ocorrência

de

chuvas

e,

consequentemente, com alteração na cota da seção do rio. As concentrações de
outubro, novembro e dezembro foram obtidas por meio da equação da reta de
regressão linear através da relação precipitação normalizada/concentração, já que
esta apresentou um coeficiente de correlação de aproximadamente 0,92, o que é
considerada fortíssima pela metodologia aplicada, podendo ser utilizado com nível
de confiança alto.

40

-3

Tabela 2 – Concentração de sedimentos em suspensão amostrada (kg.m ).

Meses
Jan
Conc. (kg.m-3) 0,1

Fev
1,12

Mar Abr
1,23 3,67

Mai
4,36

Jun
4,58

Jul
3,46

Ago
1,45

Set
1,22

Out
0,74

Nov
0,37

Dez
0,27

Essa concentração quantificada na seção do rio antes do alagamento
corresponde à quantidade da contribuição oriunda de áreas externas à área utilizada
pela S. A. Usina Coruripe. Corresponde às áreas vertentes ao restante da bacia
hidrográfica, região a montante do reservatório. Já que a área de contribuição
vertente direta a região alagada pelo reservatório, é praticamente de domínio da S.
A Usina Coruripe, portanto, a parte interessada no aproveitamento da Barragem,
tem por finalidade integral a irrigação de culturas canavieiras.
Na Figura 13 é mostrado o comportamento da concentração sólida
encontrada nas amostras realizadas durante o ano de 2009, onde se vê que o pico
de concentração de sedimentos em suspensão se apresenta em período não
coincidente com o pico da precipitação. Esse comportamento entre os maiores
valores de precipitação e de sedimentos é explicado pelo fato de que justamente a
estação das chuvas inicia no mês de março, destacando, portanto, o mês do pico na
curva de precipitação sendo maio. Logo, se os maiores índices de precipitação
ocorrem em maio, esses volumes elevados são os responsáveis pelo maior
transporte de sólidos, sendo possível observar que o aumento da concentração
sólida inicia a partir do mês de março (Figura 13) onde já começam a ocorreu
volumes precipitados, os quais iniciam o que se chama carga de lavagem superficial,
e cresce até o mês de junho, onde atinge o pico dessa concentração carreada
referente aos enormes índices pluviométricos de maio.
Devido ao solo está seco, depois de um período aproximado de 6 meses
com pouca ou sem precipitação, e a não compactação pela não ocorrência de
chuvas somado ao solo revolvido pelo plantio e capina realizados no período de
replantio, os primeiros volumes precipitados depois da estação seca (Janeiro e
Fevereiro) acabam por infiltrar-se no solo, pois não ocorrem com grande intensidade
até meados de março. Já os volumes seguintes, os quais ocorrem com maior
intensidade encontram um solo em partes saturado ou prestes a saturar, como
também mais compactado pela ação das gotas de chuvas. Daí inicia o que se
conhece como escoamento da carga de lavagem (A) que corresponde as maiores
concentrações de sedimentos transportados superficialmente e carreados até o

41

sistema de drenagem. Esse é o mecanismo que explica o pico de sedimentos em
suspensão defasado em torno de um mês em relação ao pico da precipitação (B).
Lopes e Srinivisan (1981) concluíram que as chuvas com alta intensidade
geralmente produzem escoamentos suficientes para causar erosão laminar, uma vez
que tenham superado a capacidade de infiltração do solo. Esta correlação positiva
de precipitação x vazão x descarga sólida, ou seja, o aumento de uma variável
normalmente implica no aumento da outra variável.
Por esse raciocínio, aumentando uma variável aumenta outra, se explica o
comportamento dos meses seguintes. Depois das camadas superficiais terem sido
de certa forma “lavadas” (Junho), pelos enormes índices pluviométricos que
antecederam esse período, o solo disponível para ser carreado até o sistema de
drenagem pelas chuvas, diminui gradativamente até chegar a níveis que não seja
possível detectar grandes concentrações (C) (de Agosto a Janeiro), como é o caso
encontrado no final de janeiro onde a concentração encontrada foi praticamente
nula, a concentração desse mês em particular, devido ao longo período sem chuvas,
se assemelha a concentração referente a outubro, novembro e dezembro as quais,
no caso em estudo foram extrapoladas a partir da reta de regressão em relação aos
dados de precipitação do período estudado. Essa concentração encontrada em
janeiro se assemelhou a concentração encontrada a jusante da Barragem Coruripe –
I na amostra feita para comprovação onde se constatou que praticamente todo
sedimento carreado se deposita no interior do reservatório, com concentração de
0,06 kg.m-3 (Ver Anexo 6).

Figura 13 –

Comportamento da concentração de sedimentos amostrados em relação à
precipitação média normalizada climatologicamente do período entre 1990 a
2008.

42

A Figura 14 mostra que o pico de concentração de sedimentos em
suspensão que também não coincide com o pico da vazão. Esse comportamento
entre os maiores valores de sedimentos suspensos antecipado ao da vazão se
explica, devido a que seguindo a sequencia de “eventos x comportamento”, onde já
foi mencionado que os maiores volumes de precipitação acarretam em maiores
concentrações de sedimentos transportados superficialmente como carga de
lavagem (A). E como a vazão não estabelece um reflexo imediato, pois parte da
água precipitada infiltra e apenas uma parte se transforma em escoamento
superficial direto, mesmo assim pode-se afirmar que as maiores vazões são
referentes aos maiores períodos de volumes de precipitação. Porém, os sedimentos
carreados superficialmente apresentam em seu comportamento uma resposta mais
rápida (Adiantado em f(Q)), observando os picos no comportamento referentes as
concentrações e a vazão, esse comportamento, atrasado da vazão, é explicado pela
maior demora da parcela referente ao escoamento subterrâneo para chegar ao rio
do que o escoamento superficial, o qual carrea junto a concentração de sedimentos.
O que explica essa diferença de aproximadamente um mês entre o pico da maior
concentração de sedimentos no mês de junho e o pico da maior média mensal da
vazão que se dá no mês de julho (B). O restante do comportamento da
concentração sólida, apresenta a mesma configuração apresentada em relação a
precipitação, com decréscimo acentuado até o mês de agosto e mais suavizado até
janeiro sem sedimento disponível (C).

Figura 14 -

Comportamento da concentração de sedimentos amostrados em relação à vazão
média normal do período 1978 – 2008.

43

Na Figura 15 pode-se observar a correlação entre o comportamento da
concentração de sedimentos em suspensão relacionada à série histórica de dados
de precipitação, apresentando uma correlação em torno de 0,94. Isso significa que,
para fins de estudos com precisão moderada, é válido utilizar dados de precipitação
para a extrapolação de concentrações sólidas carreadas em suspensão. Logo,
possibilitando esta fortíssima dependência entre volumes precipitados e sedimentos
carreados em caso de extrapolação para períodos que não se tenha dados
amostrais da concentração de sólidos em suspensão é valida. Segundo Villela e
Mattos (1985) isto se deve a elevada velocidade com que se dá o escoamento
superficial, a qual é determinada pela declividade do terreno.

Figura 15 –

Dispersão da reta de regressão linear entre concentração de sedimentos em
suspensão relacionados às médias normalizadas de precipitação e o
respectivo coeficiente de determinação.

44

A Figura 16 mostra a relação de dispersão do comportamento da
concentração sólida em suspensão encontrada nas amostras realizadas em 2009,
diretamente relacionadas à precipitação média no período de operação do
reservatório, compreendido de 2007 a 2009.

Figura 16 -

Comportamento da concentração de sedimentos em suspensão relacionados às
médias de precipitação e respectiva reta de regressão linear e coeficiente de
determinação.

Desta relação obteve-se um coeficiente de correlação de 0,77, que para
fins de cálculos de volume carreado anualmente e tempo de utilização do
reservatório em questão, essa relação expressa uma boa estimativa. Com esta
relação, pode-se estimar o aporte mensal e anual de sedimentos carreados para o
interior do reservatório durante seu período de operação.

Baseado na metodologia aplicada para a obtenção da quantidade de
sedimentos carreados por arraste e rolamento em relação ao volume escoado pela
calha no momento da amostragem (ver Anexo 7), foi encontrado um valor de 1,63
kg.h-1, refletindo em um transporte por arraste constante de sedimento grosseiro
pelo leito do rio, que posteriormente atingirá o lago do reservatório em
aproximadamente 39 kg.dia-1. Inicialmente esse valor pode parecer pequeno, mas
levando em consideração que no dia da amostragem a velocidade do escoamento
estava baixa, com valor estimado em 0,4 m.s -1, enquanto em outras oportunidades
foram observadas vazões médias de 2,5 m.s -1, o que já alteraria essa concentração
para um volume aproximado de 10,20 kg.h -1 ou seja, aproximadamente, 245 kg.dia -1.

45

Quando projetado aos três anos de operação poderia se chegar a aproximados
268.275 kg de sedimentos, carreados por arraste para dentro dos depósitos do
reservatório.
Essas concentrações por arraste de material grosseiro implicam em sérios
problemas para o lago, sendo que este material, pelo processo de rolamento e
saltitação, começa a depositar-se ao longo do represamento, disposto de
granulometria maior para menor, formando deltas de deposição, enquanto que o
material mais fino e em suspensão deposita-se por todo o lago de maneira mais
uniforme.
Como observado na literatura (ALMEIDA et al. , 1997; AMORIM, 1999) em
se tratando de assoreamento de reservatórios, algumas conclusões convergem,
sendo as principais o transporte de sedimento diretamente relacionado com a
precipitação, a distribuição espacial e temporal relacionadas com os fatores
geológicos da bacia e a descarga sólida diretamente relacionada ao escoamento
superficial direto (carga de lavagem) e com o potencial eólico da região.
Segundo Amorim (1999), a má conservação dos solos, não preservação
de matas ciliares, mau uso de técnicas conservacionistas e de manejo de solo,
áreas cultivadas em declives acentuados impróprios para agricultura e não
manutenção de cobertura mínima dos solos ou não uso de plantio direto são as
principais variáveis responsáveis por altos níveis de sedimentação e assoreamento
em reservatórios.
Já Carvalho et al. (2000) descrevem que os sedimentos não são somente
um dos maiores poluentes da água, mas também servem como catalisadores,
carreadores e como agentes fixadores para outros agentes poluidores. O sedimento
degrada a água para consumo humano, industrial, entre outros. Relatam ainda que
produtos químicos e lixo são assimilados sobre e dentro das partículas, tornando-as
agentes potencializadores dos problemas causados por pesticidas, agentes
químicos provenientes do lixo, resíduos tóxicos, nutrientes e bactérias patogênicas.
Entre alguns trabalhos realizados na área Hidrossedimentológica citam-se
os de Nunez (1991) que avalia perdas de solos e nutrientes na bacia hidrográfica do
Arroio Grande, Santa Maria, RS; os estudos de Canalli (1981); Silveira (1982); o
trabalho de Corso (1989) no arroio Itaquarinchim, Santo Ângelo, RS; os estudos de
estimativa da produção de sedimentos na bacia hidrográfica do lajeado São José,

46

Chapecó, SC por Bassi (1990), e o trabalho de Goldenfum (1991) sobre a bacia do
arroio Forquetinha, RS.
A distribuição da deposição de sedimentos pela granulometria ao longo do
reservatório não foi comprovada neste experimento com as amostragem feitas com
a draga, pois estas não apresentaram concentração alguma de material grosso
(cascalho e areia), a qual era composta somente de material fino (ver Anexo 8).
Como conseqüência, impossibilitou as análises de granulometria por peneiramento,
já que não teria nenhuma concentração para caracterizar e quantificar.
O mais provável a se constatar e explicar essa ausência de material
grosso (areia), nas coletas de fundo, é o imenso volume de sedimentos antes
armazenados na pequena barragem a montante, a qual com seu rompimento no
evento ocorrido em junho, transladaram e depositaram essa lama sobre o fundo do
reservatório Coruripe – I, formando um manto de lodo recobrindo toda a extensão
deste, impossibilitando a análise granulométrica do material de fundo.
Devido a esse grande volume de água deslocado a jusante, para a
Barragem Coruripe – I, já que esta apresentava visivelmente uma extensa área
assoreada e eutrofizada, logo, deslocou uma quantidade enorme de vegetação
semi-aquática sobre toda a extensão do lago, inclusive parte dessa vegetação
deslocou-se para jusante.
Essa vegetação, juntamente com a grande quantidade de sedimentos
deslocada, e conseqüentemente, depositada em curvas, deltas e remansos do lago,
o que além de alterar significativamente o perfil do leito deste reservatório reduz o
volume útil da barragem, pois visualmente diminui a efetividade do reservatório, o
qual já está em regime de degradação e diminuição constante e severa de sua
capacidade de armazenamento.
Na Figura 17, nota-se visualmente o nível de eutrofização atual do
reservatório, lembrando que grande parte dessa eutrofização foi solta das áreas já
assoreadas

e

eutrofizadas

e

espalhadas

pelo

reservatório.

Isso

ocorre

principalmente nos acúmulos sedimentares sobre a parte côncava das curvas do
traçado do curso principal das águas dentro do lago, como também sobre depósitos,
deltas e meandros preferenciais para depósitos de sedimentos, distribuídos ao longo
do lago. Para essa vegetação aquática sobreviver, é necessária a fixação de suas
raízes em solo, que geralmente não são muito profundas, pois nota-se visualmente
na Figura 18 o grande transporte de sedimentos para dentro do leito fluvial oriundo

47

da desestabilização e remoção de margens e, provavelmente, de sedimentos antes
armazenados na barragem rompida a montante.

(a)

(c)
Figura 17 -

(b)

(d)

Locais assoreados, cobertos por eutrofização no interior do lago da barragem
Coruripe –I sendo: (a) eutrofização de margem, (b) eutrofização em deltas, (c)
eutrofização em meandros, (d) eutrofização deslocada pelo lago.

(a)
Figura 18 –

(b)

Grande quantidade de sedimentos carreada pela calha do rio ao reservatório
sendo: (a) sedimentos carreados pelo rio, (b) banco de areia formados por
sedimentos.

48

É possível observar principalmente danos decorrentes do evento
relacionado anteriormente, o qual provocou impactos, desde a desestabilização de
margens até mesmo o rompimento da cabeceira da ponte a jusante a barragem
(Figura 19a e 19b). É importante lembrar que nesse evento a empresa Coruripe
optou pelo rompimento do dique de segurança do barramento (Figura 19c e 19d), já
que o nível da água atingiu a cota 29,30m, cerca de 0,70 cm antes de ocorrer o
transbordamento, quando seu nível máximo está na cota 31. Caso esta barragem
transbordasse, poderia causar impactos irreversíveis na região a jusante, tanto nas
próprias instalações industriais da Usina de manufaturamento de açúcar e álcool,
como nas comunidades ribeirinhas. O próprio município de Coruripe poderia sofrer
impactos, já que este se encontra nas margens do rio Coruripe.

Figura 19 –

(a)

(b)

(c)

(d)

Sendo (a) desestabilização de margens por vazões elevadas, (b) rompimento da
ponte da BR 101, (c) reservatório totalmente cheio, (d) abertura do dique de
segurança e vegetação semi-aquática deslocada.

49

4.4 - Levantamento Topo-batimétrico

Com os dados obtidos em campo (ver Anexo 4) foi possível gerar um
arquivo com informações pontuais, que possui as coordenadas geográficas e
altitude, onde z é a altitude do fundo da superfície do reservatório em relação ao
nível do mar, obtido através da medida de profundidade realizada com o
ecobatímetro.
Para se ter uma idéia das áreas disponíveis no reservatório entre 2006 e
2009, foi sobreposto o mapa do trajeto do levantamento topo-batimétrico ao mapa
de projeto, sendo que a região onde não foi possível fazer o levantamento topobatimétrico está atualmente com nível de profundidade menor que 0,8 m por se
apresentar completamente assoreada e totalmente tomada por eutrofização.
A Figura 20 apresenta a região onde foi possível realizar o levantamento
topo-batimétrico, em relação ao traçado original do lago. Essa foi a alteração
(diminuição) da área de alagamento do lago entre o período de operação do
reservatório compreendido entre setembro de 2006 a dezembro de 2009.
De antemão é possível observar que a extensão do lago diminuiu de forma
significativa em aproximadamente 40 % de seu comprimento. Em 2006 a
profundidade média do lago, ao menos em torno de 2/3 da extensão da mesma, era
de aproximadamente 12 m, já que o reservatório foi construído numa região de vale
de várzea.

50

Figura 20 -

Traçado do percurso no levantamento batimétrico realizado no reservatório
Coruripe – I (2009), sobreposto ao mapa de projeto original (2006).

51

Esse levantamento foi de primordial importância para a determinação do
novo perfil de fundo do reservatório da Barragem Coruripe-I. Baseando-se na
profundidade de cada ponto sondado foi possível confeccionar o mapa do novo
perfil, possibilitando observar quais os pontos mais críticos na atual configuração
desse leito.
Contudo, a partir da Figura 21 é possível observar, além do novo perfil de
fundo do reservatório, que está drasticamente alterado pelo processo de
empilhamento pelo rompimento da barragem, as demais regiões compreendidas
entre os limites do antigo lago e a que se teve acesso a barco. A princípio, não
deveriam estar assoreadas, mas devido ao assoreamento do mesmo está crescendo
no sentido de jusante a montante, grande parte por causa dos sedimentos carreados
por arraste. Outra parte pelo escoamento superficial direto, que lava e carrega até o
lago os sedimentos desprendidos das áreas cultivadas em seu entorno, áreas estas
que quanto mais a montante se percorre, observamos que suas margens estão
desprotegidas. Portanto, áreas potenciais ao fornecimento de sedimentos.
Entretanto, observa-se ainda na Figura 21 que a profundidade média
diminuiu

drasticamente,

para

aproximadamente

6,5

m,

o

que

preocupa,

principalmente pelo pouco tempo de operação dessa Barragem (menos de 3 anos),
o que obviamente diminuiu muito o volume de água represada.
As áreas em torno do centro de curvas do percurso principal do lago são
regiões preferenciais à formação de deltas e meandros de remanço. Devido,
principalmente, as menores velocidades do escoamento os sedimentos se
depositam nestas áreas. Consequentemente, estas regiões de fluxo lento, além do
assoreamento, tornam-se propícias ao acúmulo de plantas semi-aquáticas,
ocasionando o crescimento das regiões eutrofizadas.
Pode-se ainda afirmar que grande parte dessa eutrofização, foi removida
das áreas já assoreadas e eutrofizadas anteriormente localizadas na parte superior
do reservatório. Vegetação esta, removida em decorrência dos grandes volumes
precipitados e pela força das águas oriundas do rompimento da barragem a
montante que ocorreu em junho.
Vale mencionar que a diferença entre o traçado do lago e os pontos do
levantamento topo-batimétrico visualmente observados na Figura 21 é devido a
precisão do GPS no momento da coleta das coordenadas, já que este em virtude da
nebulosidade apresentou erro médio de até 11 metros.

52

Figura 21 -

Mapa do novo perfil de fundo da Barragem Coruripe – I levantado em 2009,
sobreposto ao desenho original do lago em 2006.

53

4.5 – Alteração na capacidade de armazenamento entre 2006 e 2009
O reservatório da Barragem Coruripe – I no rio Coruripe, município de
Coruripe - AL possuía em 2006 uma área inundada de 498 ha, com um volume
aproximado de 59.760.000 m3, até o nível proposto para a implantação da mata
ciliar, na cota 27, com profundidade média de 12 m. Atualmente essa capacidade de
armazenamento d’água na mesma cota está reduzida a 24.431.500 m³,
apresentando uma área inundada de 373 ha com profundidade média aproximada
em 6,55 m, já que foram encontrados valores mínimos deste 0,8 m na parte
superior, até máximos em torno de 12,3 m próximos a represa.
Comparando esses resultados com dados de projeto, vê-se que ocorreu
uma redução significativa na capacidade de armazenamento d’água em torno de

4.6 – Produção de Sedimentos

De acordo com as concentrações de sedimentos em suspensão,
encontradas nas amostras coletadas na seção da Bacia Hidrográfica vertente acima
do reservatório em questão, realizadas em 2009, foi possível calcular o aporte total
de sedimentos provindos do rio que é carreado para o reservatório. Para isso, foi
utilizada como referência, a média mensal dessa concentração de sedimentos
encontrada no período estudado, ano de 2009, que foi de 1,89 kg.m-3, com a vazão
média mensal extrapolada em relação a precipitação média ocorrida no período de
2007 a 2009, que foi de 8,60 m3.s-1. Utilizando a Equação 1, resultou em um valor
médio aproximado de 16,25 kg.s -1, o que significa 512.460 t.ano-1. Portanto, nesses
três anos de operação do reservatório, foi estimado um aporte total de sedimentos
em suspensão carreado para seu interior de aproximadamente 1.537.380 t. Esse
total deve ser somado ao aporte total de sedimentos por arraste, carreado no
mesmo período de operação, cerca de 268,3 t. Então, totalizando uma carga de
sedimentos fornecida para o reservatório pelo rio aproximado em 1.537.648,3 t
durante os três anos operacionais.
Bicalho, (2006) em seus estudos no rio Descoberto Distrito Federal,
concluiu que em se tratando de sedimentos mistos pode-se adotar peso específico
aparente, adotando 1,43 t.m-3. Já, segundo Carvalho (1994), Strand (1974), Vanoni

54

(1977) e outros autores, em pesquisas com amostragem de sedimentos em
reservatórios, concluíram que para esses depósitos mistos pode-se utilizado um
peso específico aparente de 1,5 t.m-3.
Portando, para este estudo adotou-se um valor médio de peso específico
em torno de 1,465 t.m-3. Sendo assim, em termos de volume inutilizado por este
material sólido, chegou-se a um volume inutilizado de 1.049.589,3 m3, em seu
período operacional.
Para grandes reservatórios, com capacidade superior a 12 milhões de m3,
a eficiência de retenção pode ser considerada de 100%. Em pequenos reservatórios
o material sólido mais fino não tem tempo suficiente para sedimentação e deixam o
reservatório com o fluxo efluente (COIADO, 2001).
Segundo Bicalho (2006), no estudo do rio Descoberto (Distrito Federal),
encontrou um coeficiente de retenção de 0,98%, cujo valor é indicado por Carvalho
et al. (2000) para rios de bacias hidrográficas no Distrito Federal. Enquanto Carvalho
et al. (1994) em pesquisas em bacias hidrográficas no estado do Rio de Janeiro
adotou 0,54% para aporte de sedimentos mistos, mas com predominância de
material grosseiro.
Já Farias (2008) em seu trabalho, estudando reservatórios alimentados
por bacias hidrográficas vertentes no sudoeste do estado do Ceará, encontrou um
coeficiente de retenção em torno de 0,93%.
Logo, pelo reservatório em questão ser considerado de grande porte e por
estar situado na região Nordeste, optou-se por adotar um coeficiente de retenção
médio, de aproximadamente 0,82 %. Contudo, baseando-se pela Equação 2, foi
possível calcular a estimativa do volume de sedimentos retido neste reservatório em
cada ano de operação, encontrando um volume aproximado de 286.837,68 m 3.ano-1.
Em se tratando de 3 anos de operação, somam-se 860.513,04 m3.

55

4.7 – Estimativa da vida útil do reservatório

De acordo com os dados obtidos nas amostragens realizadas e
relacionando-os com a vazão normalizada, obteve-se pela Equação 2, um deflúvio
sólido total médio anual afluente ao reservatório (Dst) de 512.549,43 t.ano-1, sendo
considerado uma eficiência de retenção (Er) de 0,82% e como peso específico
aparente médio dos depósitos (Yap) adotou-se 1,465 t.m-3. Então, tem-se no total
um volume de sedimentos retido no reservatório (S) de 286.887,74 m3.ano-1.
Como de início havia disponível um volume total do reservatório (Vres) em
torno de 59.760.000 m3, a partir da Equação 3 se chegou ao tempo de
assoreamento (T) total aproximado em 208,3 anos. Porém, com o atual volume útil
desse reservatório (T2), esse prazo de utilização diminui para aproximados 85 anos
restantes até o assoreamento total do reservatório.
Desse total de sedimentos depositados, cerca de 512.430,43 t.ano-1
correspondem aos sedimentos em suspensão. Esta estimativa foi realizada através
de medições em alguns eventos, sendo que para os meses em que não houve
medição de descarga sólida (Outubro, Novembro e Dezembro) utilizou-se a curva da
regressão linear obtida pelos dados de descargas sólidas médias, extrapolada para
os períodos correspondentes em termos da precipitação média ocorrida entre 2007
a 2009. Transformando esses resultados em função da área total da bacia
hidrográfica do rio Coruripe, que em sua totalidade abrange 1.572 km2 (157.200 ha),
o que representa uma taxa de erosão total aproximada de 326,05 t.km-2.ano-1.
Farias (2008), no seu trabalho em bacias com características diferentes no
interior estado do Ceará, concluiu que a produção de sedimentos encontrada variou
de 1 a 686 t.k-2.ano-1, atribuindo essa variação a diferenças no percentual de
cobertura de solos que variou entre 100 a 76% da área, declividade média e aos
diferentes usos dos solos. Portanto, os resultados encontrados neste estudo
condizem com valores obtidos em regiões semelhantes.

56

4.8- Assoreamento do Reservatório Coruripe-I

Embora o evento climático tenha influenciado significativamente no
processo erosivo, as margens do rio e do reservatório onde ocorreram os processos
erosivos estavam desprovidas de mata ciliar e nestes locais existem plantações de
cana-de-açúcar até as margens destes. Como se pode confirmar pela Figura 22.

.
Figura 22 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Condições inadequadas de cultivo e da região totalmente assoreada a partir do
entorno de 3/5 da extensão do reservatório, sendo (a) ausência de matas ciliares;
(b) cultivo em declives acentuados; (c) cultivo em áreas de preservação; (d)
cultivo até as margens do lago; (e) cultivo em terras assoreadas; (f) inutilizarão
do reservatório.

57

Baseando-se pelos valores aqui encontrados, a Figura 23 mostra alguns
dos aspectos ou mecanismos responsáveis pela atual realidade da Bacia do Rio
Coruripe na área de estudo, em especial dos arredores do reservatório Coruripe – I.
Essas imagens nos ajuda a compreender e explicar o porquê deste estudo ter
encontrado esses resultados. Isso é preocupante, principalmente, pelo curto período
em operação deste reservatório, aspectos estes que poderiam ter seus impactos
minimizados por medidas a serem recomendadas se fossem efetuadas desde o
início de sua operacionalidade. Mesmo assim, ainda podendo ser otimizadas e
colocadas em prática.

(a)

Figura 23 -

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Aspectos das condições gerais atuais do entorno do reservatório Coruripe – I,
sendo (a) carreamento oriundo de estradas; (b) desestabilização por solo
descoberto; (c) cultivo até a margem; (d) sem mata ciliar preservada; (e)
eutrofização de parte do lago; (f) assoreamento visível com cultivo na região
assoreada.

58

5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
5.1- Conclusões

Os resultados obtidos no presente trabalho, aliados à pesquisa
bibliográfica realizada, permitiram chegar às seguintes conclusões:
Entre 2007 e 2009, a redução na profundidade média foi de 12 para 6,5 m;
Entre 2007 e 2009, a redução no volume útil foi de 59,12 %;
De acordo com as práticas atuais a vida útil não se prolongará além de 3
anos;
Taxa de erosão média aproximada em 326,05 t.km-2.ano-1;
Estima-se que o volume aproximado de assoreamento do lago é de
512.549,43 t.ano-1, totalizado aproximadamente 1.537.648,3 toneladas nos 3 anos
de operação;
As áreas com as maiores taxas de assoreamento foram a central e as
laterais próximas a cabeceira do represamento. Nestes locais foram observados
alguns pontos do estreitamento do lago e até mesmo extinção de parte de áreas
devido ao transporte de sedimentos pelas enxurradas das encostas para seu
interior.
As maiores espessuras de assoreamento do lago associam-se às
margens arenosas sem nenhum tipo de filtro ou cobertura vegetal margeando o
reservatório.
De acordo com as amostragens realizadas e o regime de vazões, estimase que o reservatório teria, a princípio, se forem tomadas providências de remedição
urgentes, uma vida útil operacional de aproximadamente 85 anos.
Contudo, se a partir deste momento, forem executadas, em regime de
urgência, práticas de não utilização e conservação das áreas marginais ao
reservatório, este poderá mesmo nas suas atuais condições de assoreamento elevar
seu tempo de utilização para um período semelhante aos resultados encontrados
neste.
Caso contrário, se seguir-se da mesma maneira a qual vem se
trabalhando ao longo dos últimos anos, a vida útil deste reservatório não se
prolongará além de 3 anos de operação.

59

5.2 - Recomendações

Com base nas conclusões encontradas, elaborou-se um conjunto de
recomendações (prognósticos) que visam contribuir para a redução do grau de
deterioração da bacia hidrográfica e na redução do acelerado assoreamento do lago
e ainda melhorar a qualidade e quantidade dos recursos hídricos na bacia
hidrográfica.
As recomendações, se implantadas adequadamente na bacia hidrográfica,
permitirão maior infiltração de água das chuvas para o lençol freático, reduzirão as
erosões e o assoreamento do rio e do reservatório, reduzindo os impactos
ambientais negativos decorrentes de ações antrópicas.
- Preservação das matas nativas existentes na bacia hidrográfica;
- Arborização de estradas;
- Em áreas de cultivo agrícola e pastagens deverão respeitar faixas de
contenção com largura estipulada no código florestal e legislação complementar, nas
margens dos cursos d’água (rio e reservatório);
- Em áreas com cultivos agrícolas em declividades superiores a 15%
deverão ser aplicadas práticas conservacionistas rigorosas;
- Cuidados especiais deverão existir com as culturas nas encostas;
- A falta de mata ciliar em muitos trechos do curso d’água e em alguns
divisores d’águas deverá ser corrigida permitindo a invasão por “macegas” e árvores
nativas da região;
É importante ressaltar que, apesar de o processo de assoreamento de
reservatórios ser inevitável, ele pode ser amenizado através de medidas preventivas
e corretivas, com o objetivo de controlar a produção de sedimento e corrigir o
problema já instalado. Carvalho (1994) salienta que as medidas preventivas são
mais eficientes e econômicas do que as medidas corretivas, as quais geralmente
são aplicadas por falta de previsão e adotadas em condições tais que os prejuízos
materiais e financeiros já são intoleráveis.
Porém, se visualizado nas figuras, observa-se que não existe nenhuma
prática conservacionista, nem mesmo a preservação de faixas ciliares no entorno do
reservatório, mas sim, diversas regiões onde existem fornecimento constante de
sedimentos para o lago, principalmente pela má utilização de estradas e valas ao
redor das áreas cultivadas.

60

Na indicação e implementação destas medidas deve-se lembrar que a
deposição do sedimento é a última etapa que se inicia na erosão superficial da bacia
hidrográfica, sendo assim, as medidas de controle da produção de sedimento na
bacia são de suma importância para minorar este processo que acarreta perdas
econômicas e podem inviabilizar a operação e, conseqüente, atendimento das
demandas por parte do reservatório.
Reforça-se, por fim, que estudos posteriores em barragens também
detectem as áreas potenciais à produção de sedimentos, com o objetivo, portanto,
de lidar com prevenção e não apenas estimativa de vida útil e recuperação de
danos.

61

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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71

7. ANEXOS

72

Anexo 1 -

Médias mensais anuais históricas das precipitações e as
respectivas médias mensais do período entre 1990 a 2008.

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

2008

20,2

2008

68,9

2008

278,4

2008

156,5

2007

25,8

2007

211,9

2007

166,9

2007

218,5

2006

7

2006

72,4

2006

7,3

2006

86

2005

29,7

2005

70,6

2005

15,8

2005

86,2

2004

171,7

2004

79,7

2004

17,4

2004

39,7

2003

9,6

2003

32,4

2003

86,5

2003

92,4

2002

213,4

2002

72,8

2002

57,8

2002

99,1

2001

22,4

2001

10,3

2001

65,6

2001

74,2

2000

59,8

2000

95,3

2000

141,7

2000

313,5

1999

10,7

1999

16,4

1999

6,4

1999

63,6

1998

61,7

1998

4,9

1998

34,3

1998

49

1997

90

1997

88,6

1997

108,6

1997

204,4

1996

31,8

1996

9,5

1996

38,9

1996

395,9

1995

5,6

1995

6,3

1995

16,3

1995

178,4

1994

6,7

1994

17,8

1994

142,3

1994

150,9

1993

6,4

1993

2,7

1993

14,4

1993

25,8

1992

61,7

1992

101,1

1992

195,8

1992

163,1

1991

35,3

1991

44,8

1991

60,3

1991

58,5

1990

16,2

1990

33,5

1990

25,5

1990

178,1

Média

46,345 Média

59,12 Média

75,39 Média

144,07

73

Continuação
Maio

Junho

Julho

Agosto

2008

317,7

2008

144,5

2008

237,5

2008

149,3

2007

317,1

2007

133,2

2007

286,6

2007

195,6

2006

296,4

2006

162

2006

155,7

2006

29,4

2005

567,5

2005

303,4

2005

168,7

2005

169,4

2004

197,3

2004

367,5

2004

143,8

2004

137,5

2003

149

2003

113,7

2003

135,6

2003

109,6

2002

286,5

2002

370,2

2002

176,8

2002

157,5

2001

38

2001

397

2001

300,4

2001

154,8

2000

123,6

2000

254,1

2000

206,7

2000

117

1999

158,4

1999

146,3

1999

241,5

1999

86,4

1998

185,2

1998

197,9

1998

175,7

1998

116,6

1997

256,4

1997

139,2

1997

197,9

1997

141,7

1996

119,2

1996

184,2

1996

225,2

1996

191,4

1995

411,4

1995

260,8

1995

308,9

1995

130

1994

429,6

1994

515,5

1994

214,9

1994

88,7

1993

109,2

1993

194,4

1993

87,4

1993

128,4

1992

58,5

1992

218,1

1992

192,7

1992

156,4

1991

264,6

1991

174,8

1991

163,8

1991

221,7

1990

238,7

1990

134,1

1990

353,9

1990

133,3

Média

257,07 Média

232,33 Média

204,42 Média

147,325

74

Continuação
Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

2008

23,7

2008

39

2008

3,6

2008

5,5

2007

65,4

2007

37

2007

6,7

2007

28,9

2006

65,5

2006

41,8

2006

2006

34,3

2005

36,6

2005

4,3

2005

2005

109

2004

140,2

2004

2004

2004

4,3

2003

42

2003

36,3

2003

2003

5,3

2002

20,8

2002

22

2002

2002

25,7

2001

44,8

2001

178,3

2001

33,7

2001

86,6

2000

153,5

2000

20,2

2000

10,5

2000

41,6

1999

126

1999

146

1999

97

1999

21,5

1998

35

1998

49,6

1998

1998

24,3

1997

3,8

1997

3,4

1997

6,8

1997

30,9

1996

22,2

1996

4,4

1996

35,9

1996

26,5

1995

60,2

1995

15,6

1995

135,5

1995

9,3

1994

144,5

1994

28,4

1994

45

1994

52,6

1993

19

1993

251,9

1993

55,3

1993

17,7

1992

139

1992

16,8

1992

21,8

1992

8,7

1991

80,4

1991

32,9

1991

19,3

1991

1,4

1990

140,5

1990

58,1

1990

9,1

1990

33,5

Média

71,64 Média

52,61579 Média

29,7

34,28667 Média

28,52829

75

Anexo 2 –

Médias mensais anuais históricas das vazões e as referidas
medias mensais do período entre 1978 a 2008.

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

2008 4,875464

2008 3,091232

2008 7,743824

2008 2,635572

2007 2,224067

2007 8,838638

2007 6,821298

2007 4,364696

2006 2,526158

2006 2,119527

2006 2,495561

2006 3,542475

2005 5,992218

2005 1,111575

2005 1,493404

2005 3,616649

2004 25,88871

2004 14,95634

2004 3,282926

2004 2,602264

2003 1,354786

2003 2,060645

2003 3,238626

2003 3,179578

2002 16,15056

2002 4,339739

2002 3,445617

2002 3,139324

2001 5,284746

2001 1,196368

2001 1,549454

2001 2,073362

2000

1,79336

2000 3,184763

2000 1,681682

2000 5,858074

1999 1,771269

1999 2,026914

1999 2,301122

1999 2,456893

1998 3,154079

1998 3,157005

1998 3,317098

1998

1997 8,395637

1997 7,064914

1997 14,66257

1997 15,88741

1996 5,162937

1996 5,266448

1996 5,850347

1996 18,82547

1995 3,647563

1995 4,218514

1995 4,186226

1995 8,389549

1994 1,716156

1994 1,880873

1994 2,390989

1994 2,191187

1993 3,317355

1993 2,824394

1993 2,724973

1993 2,761405

1992 5,620409

1992 12,62238

1992 13,79497

1992 13,80222

1991 3,653928

1991 3,694996

1991 4,178328

1991 3,819364

1990 5,925029

1990 6,340971

1990 6,741247

1990 8,796342

1989 3,733574

1989 3,364434

1989 3,937564

1989 10,64004

1988 2,387402

1988 2,602836

1988 6,910584

1988 9,246675

1987 4,119511

1987 3,717102

1987

3,88132

1987 5,604651

1986 1,567977

1986 1,945582

1986 2,773052

1986 1,849462

1985 1,981757

1985

3,60189

1985 3,133954

1985 15,40297

1984 2,393662

1984 2,285565

1984 3,192196

1984 5,707889

1983 2,153836

1983 2,859868

1983

2,8616

1983 2,229126

1982 1,602133

1982 1,487339

1982 0,830499

1982 9,536326

1981 2,436576

1981 2,837217

1981 10,40086

1981 6,148342

1980 2,259775

1980 8,166091

1980 9,371827

1980 3,893632

1979 4,139894

1979 4,198459

1979 4,503758

1979 4,969178

1978 2,963805

1978 3,505197

1978 7,023745

1978 4,446818

Média

4,522398 Média

4,211865 Média

4,861975 Média

4,46189

6,196091

76

Continuação
Maio

Junho
2008

Julho

Agosto

39,5537

2008 15,21392

2008 9,733535

2008 7,768776

2007 10,52549

2007 11,13159

2007 12,41038

2007 10,00662

2006 12,04972

2006 37,21552

2006 40,73087

2006

2005 3,005167

2005 17,50965

2005 7,650657

2005 12,68918

2004 2,921805

2004 13,51497

2004 11,11302

2004 19,24738

2003 4,204655

2003 4,279648

2003 4,256859

2003 3,835284

2002 7,321194

2002 16,06617

2002 15,54317

2002 8,447733

2001

1,50126

2001 12,31967

2001 19,68284

2001 14,99225

2000 3,907677

2000 7,992462

2000

4,68445

2000 13,46859

1999

5,1108

1999 3,402215

1999 3,597448

1999 2,932356

1998 5,543742

1998 7,101172

1998 6,517187

1998 5,871466

1997 23,93288

1997 12,10143

1997

16,2941

1997 14,40932

1996 10,92541

1996 24,86179

1996 29,65477

1996 36,73442

1995 15,60516

1995 9,954429

1995 19,79203

1995 6,354966

1994 5,677794

1994

40,6783

1994 14,84214

1994 12,12037

1993 3,512666

1993 4,575366

1993 3,976274

1993 3,895732

1992

5,13273

1992 7,197899

1992 16,17369

1992 10,20724

1991 6,937157

1991 7,613415

1991 6,615136

1991 21,79425

1990 6,896864

1990 7,477264

1990 13,44554

1990 11,09047

1989 51,23653

1989 23,66704

1989 66,07373

1989 10,66268

1988 8,076159

1988 9,732724

1988 43,09403

1988

1987 3,694413

1987 6,490516

1987 17,91691

1987 6,779738

1986 2,345664

1986

7,2803

1986 20,34589

1986 8,032553

1985 7,182158

1985 15,14691

1985 21,28231

1985 17,40915

1984 5,248658

1984 2,893224

1984

8,37472

1984 2,453242

1983 2,142925

1983 5,743992

1983 4,454355

1983 3,861896

1982 56,40558

1982 12,55393

1982 6,142665

1982 6,111439

1981 3,154054

1981 3,081767

1981 2,460245

1981 2,360263

1980 2,845885

1980 9,185354

1980 9,611492

1980 4,332998

1979

15,2782

1979 10,80941

1979 12,79793

1979 5,312949

1978 31,80402

1978 13,86884

1978 31,67571

1978 15,69238

Média

11,73162 Média

12,27938 Média

16,15949 Média

10,9387

9,4453

10,2987

77

Continuação
Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

2008 2,923538

2008 3,987456

2008 3,059923

2008 3,258559

2007 5,923975

2007 3,826436

2007 3,867436

2007 4,012748

2006 8,171402

2006 3,741712

2006 3,113861

2006

2005 5,303767

2005 3,020192

2005 1,935717

2005 3,940911

2004 5,766347

2004 1,910014

2004 0,829343

2004 0,707034

2003 2,592622

2003 1,633804

2003 1,458476

2003 0,959365

2002 4,930466

2002 3,197832

2002 2,652403

2002 3,287258

2001

4,69399

2001 3,640969

2001 1,550629

2001 1,435737

2000 6,369002

2000 2,389965

2000 1,593394

2000 2,029143

1999 3,041896

1999 2,471539

1999

2,19763

1999 1,645556

1998 3,509058

1998 2,868804

1998 2,320616

1998 1,976976

1997 6,420384

1997 4,668889

1997 4,775444

1997 3,682009

1996 15,62574

1996 9,946607

1996

8,80873

1996 8,350985

1995 5,534027

1995 3,545228

1995

3,83905

1995 4,581644

1994 6,857624

1994 3,798401

1994 3,388995

1994 3,940277

1993 2,820853

1993 3,759697

1993 3,213085

1993 1,827432

1992 7,645828

1992 3,959723

1992 3,624873

1992 3,426474

1991

7,3225

1991 3,965881

1991 3,800293

1991

1990

5,98882

1990 5,123749

1990 3,853483

1990 3,744074

1989 8,852704

1989

7,32761

1989 5,871508

1989 6,944293

1988 6,206747

1988 3,693811

1988 3,404395

1988 10,87839

1987 4,406186

1987 3,195957

1987 2,762002

1987 2,414224

1986 14,54082

1986 9,097859

1986 5,346354

1986

1985 3,626347

1985

1,90721

1985 1,531231

1985 1,480951

1984 7,678268

1984 1,439562

1984 1,242407

1984 1,035451

1983 2,646807

1983 2,488329

1983 2,303307

1983 2,190016

1982 4,664202

1982 3,015219

1982 2,197683

1982 2,036519

1981 2,258309

1981 1,644057

1981 1,782043

1981 2,150113

1980 3,415506

1980 4,295671

1980 2,864077

1980 2,428001

1979 3,984281

1979 2,674697

1979 2,310796

1979 2,103595

1978 6,915645

1978

1978 4,165832

1978 4,385364

Média

5,827021 Média

6,0778
3,816603 Média

3,085968 Média

2,06992

3,2123

4,79989

3,255974

78

Anexo 3 –

Comportamento médio das variáveis precipitação e vazão medias
durante o período considerado para estudo compreendido entre
1978 a 2009.

79

Anexo 4 –
Ponto
1
2
3
4
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45

Pontos levantados no Levantamento Topo – Batimétrico.
X
-36,3091
-36,3104
-36,3112
-36,3147
-36,3169
-36,3172
-36,3189
-36,3202
-36,3202
-36,3216
-36,3205
-36,3208
-36,3229
-36,3266
-36,3276
-36,3285
-36,3267
-36,3264
-36,3263
-36,3245
-36,3257
-36,3278
-36,3278
-36,3281
-36,3284
-36,3278
-36,3233
-36,3236
-36,3238
-36,324
-36,3227
-36,3215
-36,3214
-36,3207
-36,3201
-36,3192
-36,3188
-36,3194
-36,3195
-36,3201
-36,3231
-36,3241
-36,3234
-36,3223

Y
-10,0276
-10,0266
-10,0252
-10,0211
-10,0185
-10,0172
-10,0146
-10,0119
-10,0098
-10,0099
-10,0065
-10,0036
-10,004
-10,0019
-9,99696
-9,9957
-9,99821
-9,99789
-9,99793
-9,99961
-10,0002
-10,0012
-10,001
-10,0013
-10,0016
-10,002
-10,0035
-10,0041
-10,0051
-10,0057
-10,0059
-10,0068
-10,0091
-10,01
-10,0106
-10,0113
-10,0119
-10,0128
-10,0138
-10,014
-10,0145
-10,0146
-10,0154
-10,0165

Z
-12,3
-9,8
-9,3
-11,3
-6,3
-6,3
-5,3
-5,8
-5,3
-3,3
-4,3
-4,8
-4,3
-2,8
-3,3
-2,1
-3,5
-2,3
-0,8
-1,6
-3,6
-4,3
-4
-3,6
-2,8
-0,7
-7,5
-4,3
-5,7
-1,9
-4,8
-3,3
-1,5
-5,9
-6,7
-5,5
-9,3
-5,3
-5,9
-6,6
-6,4
-1,7
-8
-8,7

Ponto
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90

X
-36,3211
-36,3197
-36,3184
-36,3188
-36,3195
-36,3178
-36,3177
-36,3159
-36,315
-36,3143
-36,313
-36,3122
-36,3112
-36,3103
-36,3104
-36,3087
-36,3079
-36,3089
-36,3093
-36,3091
-36,3088
-36,3082
-36,3088
-36,3095
-36,3103
-36,311
-36,3116
-36,3119
-36,3114
-36,3107
-36,3102
-36,3093
-36,3087
-36,3075
-36,3061
-36,3061
-36,3054
-36,3055
-36,3061
-36,3064
-36,3066
-36,3067
-36,3066
-36,3067

Y
-10,0178
-10,0181
-10,0194
-10,0205
-10,0211
-10,0211
-10,0212
-10,0216
-10,0228
-10,0232
-10,0228
-10,0225
-10,0224
-10,0225
-10,0227
-10,0229
-10,0233
-10,0245
-10,0254
-10,0262
-10,0271
-10,0279
-10,0282
-10,0288
-10,0294
-10,0301
-10,0307
-10,0315
-10,0319
-10,0324
-10,0327
-10,0331
-10,0335
-10,0342
-10,0349
-10,0346
-10,0337
-10,033
-10,0325
-10,0318
-10,0318
-10,0312
-10,0305
-10,0297

Z
-6,9
-4
-1,7
-2,5
-1,1
-5,9
-5,5
-9,8
-0,8
-2,2
-9,5
-9
-9
-9
-10,3
-9,8
-4,2
-9,4
-8
-7,4
-7,1
-5,4
-10,1
-9,9
-10,2
-10
-9,6
-9
-7
-9
-6,4
-10,3
-10,3
-11,3
-3
-8,5
-5,5
-11,3
-8,9
-9
-9,8
-12,3
-9,4
-9,5

80

Anexo 5 –

Diferenças entre as épocas seca e cheia, sendo: (a e b) estação
fluviométrica (Ponte da Rocheira); (c e d ) montante a Ponte da
Rocheira; (e e f) jusante a Ponte da Rocheira; (g e h) margem
direita da jusante a Ponte da Rocheira; (i e j) comporta de controle
da represa Coruripe – I; (k e l) vertedouro da represa Coruripe – I;
(m e n) jusante a represa Coruripe – I.

(a)

(b)

(c)

(d)

81

Continuação

(e)

(f)

(g)

(h)

(i)

(j)

82

Continuação

(k)

(l)

(m)

(n)

83

Anexo 6 –

Relação entre precipitação, volume escoado e produção de
sedimentos de eventos da Bacia Hidrográfica do Rio Coruripe em
2009.

Meses

Prec.Nor(mm)

Prec 07-09 (mm)

Vaz Nor(m3.s-1)

Conc(kg.m-3)

1

46

29,07

5

0,10

2

59

141,10

4

1,12

3

75

157,63

5

1,23

4

144

207,33

6

3,67

5

257

490,10

12

4,36

6

232

171,13

12

4,58

7

204

200,27

16

3,46

8

147

217,67

10

1,45

9

72

52,33

6

1,22

10

53

29,90

4

0,74

11

34

3,57

3

0,37

12

29

12,50

3

0,27

84

Anexo 7 -

Amostrador de sedimentos de arraste com amostra de
sedimentos coletada na seção de monitoramento da Bacia do Rio
Coruripe.

85

Anexo 8 –

Amostras

de

material

de

fundo

coletada

no

interior

do

reservatório Coruripe – I, comprovando a homogeneidade das
mesmas.