Valter Ramos 2022

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS - ICAT
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA - PPGMET

VALTER RAMOS DE SOUSA FILHO

Dinâmica dos Focos de Calor nas Mesorregiões Climáticas do Estado de
Alagoas

Maceió - AL
Abril, 2022

VALTER RAMOS DE SOUSA FILHO

Dinâmica dos Focos de Calor nas Mesorregiões Climáticas do Estado de
Alagoas

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Meteorologia
do Instituto de Ciências Atmosféricas da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito para obtenção do grau de Mestre em
Meteorologia, área de concentração Processos
de Superfície Terrestre.
Orientador: Prof. Dr. José Francisco de
Oliveira Júnior
Coorientador: Prof. Dr. Givanildo de Gois

Maceió - AL
Abril, 2022

Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho Freitas Neto – CRB-4 – 1767
S725d

Sousa Filho, Valter Ramos de.
Dinâmica dos focos de calor nas mesorregiões climáticas do estado de
Alagoas / Valter Ramos de Sousa Filho. – 2022.
52 f. : il.
Orientador: José Francisco de Oliveira Júnior.
Coorientador: Givanildo de Gois.
Dissertação (Mestrado em Meteorologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Ciências Atmosféricas. Maceió, 2022.
Bibliografia: f. 46-52.
1. Incêndios. 2. Queimada - Alagoas. 3. Análise multivariada. 4. Secas. 5.
Urbanização. I. Título.
CDU: 551.524.3(813.5)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

CERTIFICADO DE APRESENTAÇÃO
N.º de ordem: MET-UFAL-MS-190.

“DINÂMICA DOS FOCOS DE CALOR NAS MESORREGIÕES CLIMÁTICAS DO ESTADO DE
ALAGOAS”

VALTER RAMOS DE SOUSA FILHO
Dissertação submetida ao colegiado do Curso de
Pós-Graduação em Meteorologia da Universidade
Federal de Alagoas - UFAL, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do grau de
Mestre em Meteorologia.
Aprovado pela Banca Examinadora composta por:

_____________________________________________________

Prof. Dr. José Francisco de Oliveira Junior
(Orientador)

______________________________________________________

Profa. Dra. Maria Luciene Dias de Melo
(Membro Interno)

______________________________________________________

Prof. Dr. Givanildo de Gois
(Membro Externo)

______________________________________________________

Prof. Dr. David Mendes
(Membro Externo)
ABRIL/2022

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a minha família, aos meus pais, minha irmã e a Melka Gomes Lima (in
memoriam).

AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus todos os dias pela grande graça da vida, pela saúde
durante um período tão difícil para humanidade.
À minha família que me deu o suporte necessário e sempre esteve ao meu lado nos
momentos mais difíceis. Em especial à minha esposa (Perolina), que em muitos momentos
minha ausência foi necessária e compreendida por vezes até alterando planos de viagem e tantas
outras situações. Aos meus filhos (Inez e Gabriel), Aos meus pais (Valter e Maria) que sempre
me deram amor sem medidas. À minha irmã (Jacinta) que vem travando uma luta desde 2019
contra uma doença difícil e dolorosa, porém vencendo com a graça de Deus e segue sempre me
apoiando a não desistir dos meus sonhos.
Ao meu orientador Professor Doutor José Francisco de Oliveira Júnior e coorientador
Doutor Givanildo de Gois pela paciência, disponibilidade, por muitas vezes, deixar de lado seus
momentos de descanso para me ajudar e me orientar e principalmente pela percepção no
momento certo em que o desamino estava me dominando e não mediu esforços para que eu não
desistisse do curso. Serei eternamente grato por tudo que fizeram e por terem acreditado em
mim, que Deus esteja sempre com vocês. A minha colega de mestrado Lourdes, que muito me
ajudou em sinótica tirando dúvidas, agregando seu conhecimento científico e prático. A todos
que fazem parte do PPGMET por terem contribuído nessa longa jornada com meu aprendizado.
À Universidade Federal de Alagoas, em especial ao ICAT por ter me proporcionado a
oportunidade de concluir o Mestrado.

Não queiras te atrasar no caminho. Não queiras retornar ou sair do caminho. Quem não avança, recua. Quem não
corre atrás, retarda. (Santo Agostinho)

RESUMO
Este estudo avaliou a variabilidade espaço-temporal dos focos de calor (FC) nas três
mesorregiões climáticas de Alagoas: Sertão, Leste e Agreste Alagoano. Os dados de FC foram
obtidos do Banco de Dados de Queimadas (BDQueimadas) entre 1998-2020. A série temporal
de FC foi submetida às análises estatísticas descritiva, exploratória e multivariada aplicada aos
102 municípios alagoanos. Com base no agrupamento hierárquico identificaram-se três grupos
homogêneos (G1, G2 e G3) no Sertão e dois grupos homogêneos de FC no Agreste e Leste
Alagoano (G1 e G2). Alguns municípios não formaram grupos (NA), tais como: Belo Monte
(26,83 ± 25,87 focos), Limoeiro de Anadia (54,48 ± 38,65), Penedo (262,83±183,80 focos) e
Coruripe (553 ± 369,40 focos). A variabilidade interanual dos FC em Alagoas está associada
com atividades agrícolas, desmatamento, novas áreas para a criação de animais e colheita da
cana-de-açúcar. Na avaliação espacial via densidade de FC por município utilizou-se o período
total (1998-2020) e os anos de destaque na série temporal (2012 e 2019). O maior registro de
densidade de FC no período total encontra-se na mesorregião do Leste Alagoano e não se
descarta que os anos em destaque sejam influenciados pela ocorrência de seca e períodos de
estiagens em Alagoas. O bioma Mata Atlântica é mais ameaçado segundo quantidade de
registros de focos de calor anual, porém, em alguns anos há aumento no bioma Caatinga.
Palavras-chave: incêndios, áreas queimadas, análise multivariada, seca, urbanização.

ABSTRACT
This study evaluated the spatiotemporal variability of fire focis (FF) in the three climatic
mesoregions of Alagoas: Arid Zone, East and Hinterland Alagoano. FF data were obtained from
the Queimadas Database (BDQueimadas) between 1998-2020. The FF time series was
submitted to descriptive, exploratory, and multivariate statistical analysis applied to 102
municipalities in Alagoas. Based on the hierarchical grouping, three homogeneous groups were
identified (G1, G2 and G3) in the Arid Zone and two homogeneous groups of FF in the
Hinterland and East Alagoas (G1 and G2). Some municipalities did not form groups (NA), such
as: Belo Monte (26.83 ± 25.87 foci), Limoeiro de Anadia (54.48 ± 38.65), Penedo (262.83 ±
183.80 foci) and Coruripe (553 ± 369.40 foci). The interannual FF variability in Alagoas is
associated with agricultural activities, deforestation, new areas for animal husbandry and
sugarcane harvest. In the spatial evaluation via FF density per municipality, the total period
(1998-2020) and the years highlighted in the time series (2012 and 2019) were used. The highest
FF density record in the total period is found in the East Alagoas mesoregion and it is not ruled
out that the highlighted years are influenced by the occurrence of drought and dry periods in
Alagoas. The Atlantic Forest biome is more threatened according to the number of records of
annual hotspots, however, in some years there is an increase in the Caatinga biome.
Keywords: fires, burned areas, multivariate analysis, drought, urbanization.

Lista de Figuras

Figura 1. Mesorregiões climáticas (Leste, Agreste e Sertão) do Estado de Alagoas. ............. 23
Figura 2. Biomas Brasileiros ................................................................................................... 27
Figura 3. Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Sertão Alagoano.
.................................................................................................................................................. 30
Figura 4 Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Leste Alagoano.
.................................................................................................................................................. 32
Figura 5. Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Agreste
Alagoano. .................................................................................................................................. 33
Figura 6. Distribuição temporal dos FC anual nos Grupos G1, G2 e G3 na mesorregião Sertão
estado de Alagoas entre 1998 e 2020. ...................................................................................... 36
Figura 7. Distribuição temporal dos FC anual nos Grupo G1, G2 e NA, na mesorregião Leste
estado de Alagoas entre 1998 a 2020. ...................................................................................... 38
Figura 8 Distribuição temporal dos FC anual nos Grupos G1, G2 e NA, na mesorregião Agreste
estado de Alagoas entre 1998 e 2020. ...................................................................................... 40
Figura 9. Distribuição espacial da densidade dos FC total (a), 2012 (b) e 2019 (c) no Estado de
Alagoas. .................................................................................................................................... 43
Figura 10. Distribuição anual dos FC nos Biomas Alagoanos (1998-2020). .......................... 44

LISTA DE TABELAS
pág.
Tabela 1 - Localização dos 102 municípios de Alagoas, com suas respectivas coordenadas
geográficas (latitude e longitude, º), altitude (m) e as mesorregiões climáticas (Sertão, Agreste
e Leste Alagoano). .................................................................................................................... 23
Tabela 2 - Resultado da ED aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do Sertão
alagoano. ................................................................................................................................... 34
Tabela 3 - Resultado da ED e EE aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do Leste
alagoano. ................................................................................................................................... 37
Tabela 4 - Resultado da ED e EE aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do
Agreste alagoano. ..................................................................................................................... 39

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
APA

Áreas de Preservação Ambiental

ASAS

Alta subtropical do Atlântico Sul

CA

Cluster Analysis

CAM

Crassulacean Acid Metabolism (MAC: Metabolismo ácido das crassuláceas)

CCC

Coeficiente de Correlação Cofenética

CV

Coeficiente de variação

ENOS

El Niño Oscilação Sul

FC

Focos de Calor

HPA

Hidrocarboneto Poliaromático

NE

Nordeste

NEB

Nordeste do Brasil

PNCD

Plano Nacional de Combate à Desertificação

RMM

Região Metropolitana de Maceió

SF

Sistemas frontais

SR

Sensoriamento Remoto

VCAN

Vórtice Ciclônico de Alto Nível

ZCIT

Zona de convergência intertropical

MMA

Ministério do meio ambiente

NOAA

National Oceanic and Atmospheric Administration

SIG

Sistema de Informação Geográfica

AVHRR

Advanced Very High-Resolution Radiometer

MODIS

Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer

CPTEC

Centro de Pesquisa do Tempo e Estudos Climáticos

CEDEC

Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Corpo de Bombeiros Militares de
Alagoas

IPCC

Intergovernmental Panel on Climate Change

NDVI

Normalized Difference Vegetation Index

ED

Estatística descritiva

Dp

Desvio padrão

AIQ

Amplitude interquartil

SUMÁRIO
1

INTRODUÇÃO

12

2

OBJETIVOS

14

3

4

5

2.1

Geral

14

2.2

Específicos

14

REFERENCIAL TEÓRICO

15

3.1

Detecção de Focos de Calor

15

3.2

Incêndios e Queimadas no NEB

15

3.3

Impacto Socioambiental dos Incêndios e das Queimadas nos Biomas do NEB
18

3.4

Clima e Incêndios

21

3.5

Poluentes e riscos à saúde pública

21

MATERIAL E MÉTODOS

22

4.1

Caracterização da Área de Estudo

22

4.2

Caracterização dos biomas Alagoanos

26

4.3

Série Temporal de dados (1998-2020)

27

4.4

Estatística Multivariada

28

4.5

Estatística Aplicada e Mapeamento dos Focos de Calor

29

RESULTADOS E DISCUSSÃO

29

5.1

Grupos Homogêneos de Focos de Calor nas Mesorregiões

29

5.2

Estatística Aplicada aos Focos de Calor nas Mesorregiões

34

5.3

Análise espacial dos focos de calor

40

5.4

Estatística aplicada aos Biomas

43

6

CONCLUSÕES

45

7

RECOMENDAÇÕES

45

8

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

46

12

1 INTRODUÇÃO
Incêndios florestais ocorrem em vários ecossistemas existentes no mundo (WHITE et al.,
2017; GARCIA et al., 2021). Os incêndios podem ser naturais (causados por queda de raios ou
longos períodos de estiagem) - ou antrópicos, sendo esta última a principal problema ambiental
do Brasil (LOPES et al., 2018; MEDEIROS et al., 2004; OLIVEIRA JÚNIOR et al., 2020;).
No Brasil, nos últimos anos tem sido frequente a ocorrência das queimadas e dos incêndios
florestais, sendo intensificado a partir do desmatamento, do agronegócio, pelos períodos de
estiagens e pelas secas severas (SILVA JÚNIOR et al., 2020; SANTOS et al., 2021; TEODORO
et al., 2022).
Vale destacar a diferença entre as queimadas e os incêndios. A queimada é uma atividade
controlada e regulamentada pelo Governo Federal de acordo com o Código Florestal, no artigo
n.º 38 da Lei n° 12.651/12, que abrange todas as atividades agrícolas, as Unidades de
Conservação (UC) e as Áreas de Preservação Ambiental (APA) - (CLEMENTE et al., 2017;
MMA, 2010). Ao contrário do incêndio, que se refere à perda do controle da queimada ou
quando ela é resultante do processo antrópico ou natural (CAÚLA et al., 2015; MARINHO et
al., 2021).
Tanto as queimadas quanto os incêndios florestais são uma das maiores ameaças à
preservação da biodiversidade (WHITE et al., 2017; LIBONATI et al., 2022). Além dos seus
impactos diretos sobre a fauna e a flora, contribuem, indiretamente, com a degradação
ambiental, por exemplo, o solo se torna susceptível a processos erosivos e com tempo
intensifica o processo de desertificação (CASTELLETI et al., 2003; SANTOS et al., 2022) e,
ainda libera na atmosfera os gases de efeito estufa (GEE), que por sua vez contribuem para o
Aquecimento Global - (SOARES E BATISTA, 2007; WHITE et al., 2013; SILVA JÚNIOR et
al., 2020; LIBONATI et al., 2022).
A detecção de queimadas e incêndios florestais por meio de satélites é uma tecnologia
antiga, iniciada na década de 1980 (WANG et al., 2012; CAÚLA et al., 2015). Em geral, a nível
global, os satélites da série National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), com
os sensores Advanced Very High Resolution Radiometer (AVHRR), e o Moderate Resolution
Imaging Spectroradiometer (MODIS) são os mais utilizados neste tipo de monitoramento. As
imagens geradas pelos sensores termais e infravermelhos a bordo das plataformas orbitais, são
enviadas para o centro de controle onde são processadas por meio de algoritmos de detecção
(BATISTA, 2004; WANG et al., 2012).

No Brasil, o Centro de Pesquisa do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), gera e disponibiliza publicamente, via Internet, dados
de focos de calor (FC) registrados por satélites ambientais (CAÚLA et al., 2015; MARINHO
et al., 2021). Os dados FC são tratados por algoritmos que indicam apenas os registros de fogo
em vegetação, e são disponibilizados a partir do Banco de Dados de Queimadas
(BDQueimadas) - (CPTEC, 2020). Apesar de receberem imagens de diversos satélites
ambientais em operação, o “satélite de referência” é utilizado na composição da série temporal
ao longo dos anos e assim, permite avaliar os FC sobre as regiões de interesse (CPTEC, 2020).
Recentemente, foram realizados os primeiros estudos sobre FC em Alagoas, por exemplo,
Santos et al. (2020) avaliaram a espaço-temporalidade dos FC na Região Metropolitana de
Maceió (RMM), e identificaram que alta variabilidade dos FC estava diretamente associada às
atividades agrícolas na RMM, destaque para a relação com a colheita de cana-de-açúcar. Eles
também apontaram, que os maiores registros de FC estavam associados à degradação de
vegetação litorânea (bioma Mata Atlântica). Já o estudo realizado por Oliveira-Júnior et al.
(2020), apontaram que a variabilidade dos FC estava diretamente associada aos indicadores
socioeconômicos no Estado de Alagoas, neste caso, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
e o índice de Gini. Ambos os estudos não destacam a influência dos FC nas mesorregiões
climáticas do estado (Sertão, Leste e Agreste Alagoano) e a sua variabilidade espaço-temporal.
Portanto, o estudo é fundamental na avaliação da variabilidade espaço-temporal dos FC nas
mesorregiões climáticas no Estado de Alagoas, visto que tal identificação desta variabilidade
pode ser usada como futuras políticas públicas e adoção de monitoramento a nível estadual e
municipal das queimadas e incêndios.

2 OBJETIVOS
2.1

Geral



AVALIAR os focos de calor nas mesorregiões climáticas do Estado de Alagoas e os
impactos geosocioambientais.

2.2

Específicos



APLICAR análise de agrupamento na identificação de regiões homogêneas de focos
de calor dentro das mesorregiões climáticas de Alagoas.



IDENTIFICAR qual ou quais as mesorregiões climáticas com maiores registros de
focos de calor a partir de estatística descritiva e exploratória.



MAPEAR a densidade de focos de calor nas mesorregiões climáticas Alagoanas via
Sistema de Informação Geográfica (SIG).

3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1

Detecção de Focos de Calor
O INPE desde a década de 1980, vem aprimorando um sistema de detecção de queimadas

a partir de imagens de sensores a bordo de satélites polares e geoestacionários. São os chamados
''focos de calor'', que são pontos geográficos captados por sensores espaciais na superfície do
solo, quando detectado temperatura superior a 47ºC e área mínima de 900 m². Atualmente, as
informações são disponibilizadas operacionalmente aos usuários cerca de 20 minutos após as
passagens dos satélites ambientais. Todo o País e grande parte da América do Sul, são cobertos
pelas imagens, pois se utiliza recepções das estações do INPE em Cachoeira Paulista, SP e de
Cuiabá, MT (CPTEC/INPE, 2004).
Os focos de calor são obtidos através do site do BDQueimadas do CPTEC/INPE
(http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas/). Os satélites de órbitas polares se deslocam em
sentido norte-sul e tem menor distância da terra, já os satélites geoestacionários estão em órbita
equatorial geoestacionária e tem seu ponto de observação mais distante da terra (LIU, 2006).
Após a identificação e detecção de focos de calor, vários métodos estatísticos têm sido usados
a fim de avaliar os padrões de variabilidade espaço-temporal, e a intensidade desses eventos,
por exemplo, cluster analysis (CA) - (CAÚLA et al. 2015; OLIVEIRA-JÚNIOR et al. 2020).

3.2

Incêndios e Queimadas no NEB
Os incêndios influenciam os ecossistemas florestais. Eles têm um forte impacto tanto

sobre as condições bióticas como as abióticas. Como um elemento de perturbação natural, é um
componente essencial para o funcionamento de diversos ecossistemas. Nas últimas décadas,
houve um aumento significativo nas ocorrências de incêndios em diversas áreas do mundo. Isso
resultou em um desequilíbrio entre os episódios de fogo e a recuperação do ecossistema, o que
leva a fragmentação da paisagem e sua degradação (ADÁMEK et al., 2015). Há décadas, os
incêndios florestais vêm sendo estudados, entretanto, à medida que as florestas passaram a
ganhar maior importância econômica, começaram a surgir pesquisas e estudos específicos com
o objetivo de reduzir os impactos negativos causados pelo fogo.

Com a chegada da colonização europeia, as queimadas passaram a ser utilizadas de forma
indiscriminada, principalmente após a adoção dos grandes latifúndios coloniais de exportação.
Nesse período, difundiu-se a visão de que a natureza estava ali para servir, uma fonte
inesgotável de recursos naturais, e daí se iniciou o processo de devastação das matas,
inicialmente as litorâneas, com o uso do fogo e outras técnicas danosas ao meio ambiente
(LEONEL, 2000).
Todavia, é importante salientar que a técnica da queimada controlada se destaca pelo seu
uso ao longo da história tendo participação na evolução do homem em função, principalmente,
de seu baixo custo de aplicação, tendo em vista a rapidez e eficiência com que elimina material
vegetal indesejável (RIBEIRO, 2009). Atualmente, a realização de queimadas controladas no
Brasil é um tema polêmico e regido por legislação a níveis federais, estaduais e municipais. Em
nível federal, as queimadas são permitidas somente como fator de produção e manejo em
atividades agropastoris e mediante prévia obtenção de autorização de órgão do Sistema
Nacional do Meio Ambiente com atuação na área onde se realizará a operação (DECRETO
FEDERAL nº 2.661/98), entretanto, nos últimos anos, alguns municípios passaram a proibi-las
em função da poluição do ar, como por exemplo a fuligem, e problemas de saúde públicas
(doenças respiratórias e cardiovasculares) decorrentes. Em países como Estados Unidos,
Austrália e Canadá, a queima controlada constitui uma das principais técnicas de prevenção de
incêndios florestais de grande porte, à medida que contribuem com a redução do material
combustível e consequente redução do risco.
Apesar da detecção de fogo em vegetação por satélite, essa técnica possuir a vantagem
de ter uma ampla abrangência, podendo recobrir grandes extensões de Terra totalmente
isoladas, limitações técnicas impedem que queimadas controladas ou incêndios de pequeno
porte, geralmente com linha de frente do fogo com largura inferior a 50 m, sejam detectados.
Além disso, algumas situações como fogos que iniciaram e terminaram durante o
intervalo de passagem dos satélites ambientais; presença de nuvens na área ardida; fogo
superficial em vegetação com dossel fechado; e, fogo em encostas de montanhas enquanto o
satélite só observou o outro lado, limitam a eficiência desta tecnologia. Portanto, o número de
focos de calor registrado via satélite para uma determinada região corresponde apenas a uma
fração do total de incêndios florestais e/ou queimadas controladas ocorridas (SETZER et al.,
1992; PEREIRA et al., 2012; INPE, 2016).

As queimadas também estão associadas a modificações do clima, gerando um ambiente
cada vez menos adequado para as populações, com agravamento de doenças, principalmente
respiratórias (SOUZA et al., 2012). As queimadas antrópicas, como a queima de limpeza para
instalação de grandes áreas agropastoris, ou para a despalha da cana-de-açúcar, é uma técnica
que foi amplamente difundida e utilizada (RAMOS et al., 2019). Esse fato é preocupante,
principalmente em regiões com alta produção dessa cultura. A microrregião do sudoeste goiano
contém extensas áreas destinadas ao cultivo da cana-de-açúcar, portanto, se há ocorrências de
práticas de queimada para a despalha, podem ocorrer efeitos significativos na emissão de
dióxido de carbono (CO2). Conforme Araújo et al. (2013), a emissão de CO2 tem a partir das
queimadas e incêndios tem intensificado o Efeito Estufa. Bezerra et al. (2018) constataram que
as queimadas ocorrem em períodos mais secos e as ocorrências provocam efeitos negativos nos
aspectos sociais, econômicos e ambientais.
Carneiro e Albuquerque (2019), consideram importante o uso de dados espaço-temporal
de focos calor para o planejamento e alerta para os períodos mais críticos do ano, esses mesmos
autores relatam que o uso de ferramentas de sensoriamento remoto é uma ferramenta importante
para a identificação e prevenção de incêndios. As características biofísicas da superfície
terrestre podem ser facilmente obtidas por meio de Sensoriamento Remoto (SR) e Sistemas de
Informações Geográficas (SIG) - (BARBOZA et al, 2020). As vantagens do uso de dados de
satélite estão relacionadas a aplicações em áreas extensas, menor custo, possibilidade de
aplicações, disponibilidade histórica, entre outros (LIMA et al., 2020). Soares et al., (2016)
ressaltam que a análise da dinâmica de foco de calor com o uso de sensoriamento remoto e suas
possíveis causas deve ser investigada para elaboração de medidas de preservação e controle.
Saber quais são as causas e onde as queimadas acontecem com maior intensidade é de
extrema importância para a criação de planos de prevenção e combate ao fogo. De acordo com
Fonseca e Ribeiro (2003) as atividades preventivas são mais eficientes quando baseadas em
informações como em quais áreas o fogo surge com maior frequência e o que favoreceu o seu
acontecimento nessas áreas. Mediante essa perspectiva, Santos et al. (2011) afirmam que as
geotecnologias surgem como um importante recurso de subsídio na identificação das queimadas
permitindo localizar, quantificar e fazer estudos de análises espaço-temporais das áreas onde
ocorrem incêndios. Uma ferramenta importante para essa identificação é o Sensoriamento
Remoto (SR) que permite cruzar informações georreferenciadas e saber a quantidade e a
localização dos focos de calor (TOMZHINSKI et al., 2011).

Em Alagoas, as queimadas nas comunidades agrícolas são observadas, em geral, no
período da pré-estação (dezembro e janeiro) chuvosa e/ou nos meses que a antecedem.
Historicamente, os meses de outubro e novembro se caracterizaram como os de elevado índice
de queimadas, afirmando a questão cultural de limpar o terreno com fogo para as práticas
agrícolas e pecuárias. Apesar de existirem vários programas do governo, através da
“Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Corpo de Bombeiros Militares de Alagoas”
(CEDEC), para a conscientização do uso do solo e consequentemente dos problemas
(incêndios) associados às queimadas de vegetação nessa região.
Em Sergipe, as queimadas controladas são geralmente realizadas de forma irregular, sem
a requisição de autorização pela Administração Estadual do Meio-Ambiente (ADEMA). São
frequentemente empregadas por grandes lavradores de cana-de-açúcar para facilitar o
procedimento de colheita; por pecuaristas para estimular o nascimento de gramíneas; e por
pequenos agricultores tradicionais como forma de limpeza de terreno. Entretanto, queimadas
mal realizadas, em que o agricultor ou pecuarista, não tomando os devidos cuidados, acaba
perdendo o controle do fogo que escapa a área delimitada e atinge demais regiões de forma
descontrolada, compreendem uma das principais causas de ocorrência dos incêndios florestais
no Brasil (SANTOS et al., 2006; SOARES, 2009). O fogo quando atinge áreas de conservação,
torna-se ainda mais danoso ao meio ambiente, podendo, inclusive, levar determinadas espécies
endêmicas e sensíveis ao fogo à extinção (DEBANO et al., 1998).

3.3

Impacto Socioambiental dos Incêndios e das Queimadas nos Biomas do NEB

Os incêndios florestais têm degradado inúmeras áreas de floresta causando graves danos
ao ambiente, comprometendo a manutenção e a qualidade de vida de espécies da fauna e flora
e impactando negativamente no desenvolvimento socioeconômico e nos serviços
ecossistêmicos locais (FIEDLER et al., 2006). Essa degradação é ainda mais intensa no
semiárido do NEB devido à irregularidade na distribuição espacial e temporal das precipitações
pluviométricas que associadas às elevadas temperaturas registradas ao longo do ano e à limpeza
de áreas para expansão agrícola e pecuária contribuírem para a maior incidência de incêndios
florestais (ASSIS et al., 2014; FERNANDES et al., 2016).

No Brasil um dos biomas mais afetados por incêndios é a caatinga, um bioma
exclusivamente brasileiro, e que ocupa 10% do território nacional. A caatinga termo que teve
origem do tupi-guarani e significa mata branca, caracteriza por apresentar no período de chuvas
um comportamento específico de mudança rápida da paisagem, com renascimento de plantas,
no qual são expostas novas folhas dando aspecto verde à vegetação e uma beleza esplêndida a
paisagem (PRADO, 2003; ALVES et al., 2009).
A Caatinga apresenta um alto nível de degradação por atividades antrópicas e fenômenos
naturais, relacionados com aspectos climáticos, tais como a seca, altas temperaturas, déficit de
água, baixa umidade e ocorrência de incêndios (MARIANO et al., 2018). O bioma Caatinga é
extremamente afetado pelos incêndios originados, predominantemente, por atividades
humanas. Esse Bioma é rico em espécies animais e vegetais, porém muitas espécies ainda são
desconhecidas. Apesar de sua importância, tem sido alvo de incêndios e desmatamentos,
principalmente nos últimos anos, devido ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal
e insustentável e a conversão para pastagens e agricultura. Por isso, a vegetação preservada é
pouca, fragmentada e geralmente localizada nos pontos mais inacessíveis (GARIGLIO et al.,
2010). Tais impactos promovem o desaparecimento de espécies que podem levar períodos de
carência de alimentos para alguns grupos de animais e a uma drástica redução de suas
populações, à perda de processos ecológicos e o surgimento de vários e extensos núcleos de
desertificação na região.
Nesse sentido, diversos autores têm chamado a atenção para a ameaça da sustentabilidade
do bioma Caatinga que faz parte do conjunto de florestas secas, consideradas as mais ameaçadas
do mundo, contudo é o bioma brasileiro menos estudado. Leal et al. (2003) e Santos et al. (2011)
comentam que a caatinga é um dos ecossistemas mais ameaçados e negligenciados do país,
onde dificilmente encontram-se remanescentes de vegetação nativa maiores que 10 mil hectares
(ha).

No Brasil, o Plano Nacional de Combate à Desertificação (PNCD), considerou que a
grande maioria das terras susceptíveis à desertificação se encontra nas áreas semiáridas e
subúmidas do NEB. A quantificação dessas áreas mostra que cerca de 181 mil km2 (o que
corresponde a aproximadamente 20% da área semiárida da região Nordeste) se encontram em
processo de desertificação – aproximadamente o mesmo valor de área apontado por Lacerda
(2004) como estando em processo grave ou muito grave de desertificação no NEB.
De acordo com Santos et al (2011), as florestas secas tropicais têm atraído poucos
investimentos de ciência e conservação. Em seu estudo, verificou que a caatinga apresentou os
escores mais baixos em termos de pesquisa e geração de conhecimento, com um número
inferior de artigos publicados em revistas internacionais. Esse panorama é ainda mais
preocupante quando se trata dos efeitos do fogo na caatinga.
Embora diversas literaturas ressaltem sobre as perdas decorrentes do fogo, pouco se
estudou acerca das respostas das comunidades florestais a este agente de impacto (MELO e
DURIGAN, 2010). No caso da caatinga, os estudos científicos são aplicados principalmente na
análise da biodiversidade (LEAL et al. 2003; CASTELLETTI et al. 2005; SANTOS e
NOGUEIRA, 2012; SOUZA et al., 2015; OLIVEIRA et al., 2016) na análise eco geográfica da
degradação (ALVES et al. 2009) e relações hídricas e profundidade de raízes das árvores
(DOMBROSKI et al., 2011; PINHEIRO et al., 2013). Especificamente para os efeitos do fogo,
as informações na literatura são mais escassas, no qual podemos citar os trabalhos de Nunes et
al. (2006, 2009) que avaliaram a dinâmica dos FC e o impacto das queimadas utilizando fogo
controlado.
Castro (2012) cita que no NEB, e em particular na região semiárida, onde estão 95% dos
municípios cearenses, encontra-se 82,6% da mão de obra do campo voltada para a agricultura
familiar, mesmo com todos os problemas estruturais e processos de desertificação observados
nessa região. Ainda segundo Castro (2012) a metade dessa população não utiliza práticas
recomendadas de agricultura e aproximadamente 25% das 170 mil famílias existentes nessa
região usam o fogo controlado na vegetação como prática de limpeza do terreno para fins
agrícolas. Em Alagoas, por exemplo, a área destinada para lavouras temporárias é quase dez
vezes maior do que a área destinada para as lavouras permanentes. Nesse caso, isso se explica
pelo predomínio da cana-de-açúcar entre as lavouras desse estado.

3.4

Clima e Incêndios
As condições meteorológicas são fatores que influenciam diretamente as etapas do

incêndio. Os incêndios apresentam impactos significativos em nível microclimatológico,
ambiental e socioeconômico. De acordo com Fernandes et al. (2016), a área incendiada é
controlada por uma grande variedade de fatores estáticos e dinâmicos, entre eles a cobertura do
solo (vegetação), variáveis meteorológicas e as atividades antrópicas, incluindo o
desenvolvimento do solo, densidade de estradas, distância de assentamentos, prevenção de
incêndios e estratégias contrastantes. Conforme o IPCC (em inglês - Intergovernmental Panel
On Climate Change, 2013), Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, as
mudanças climáticas tendem a aumentar os riscos de grandes incêndios na Terra.
Em relação à climatologia das chuvas observada em Alagoas, tem-se bem definido um
período chuvoso nos meses de Abril a Junho de cada ano, por exemplo, para mesorregião Leste
Alagoano (OLIVEIRA JÚNIOR et al., 2012; LYRA et al., 2014). Devido à sua posição
geográfica espacial, Alagoas possui uma característica de transição entre os regimes
pluviométricos do norte (com máximos de fevereiro a maio) e do sul dos setores NEB
(dezembro a fevereiro) - (PEREIRA et al., 2012).
Em relação às ocorrências de secas ou períodos chuvosos com chuvas abaixo da média
climatológica, ou ainda ausência de chuvas no período chuvoso nessa região, observa-se, nessa
região a seca hidrológica que significa pouca ou nenhuma acumulação de águas nos açudes, e
de seca agrícola que significa chuvas insuficientes ou com distribuição no tempo e no espaço
de forma prejudicial à lavoura, que também é denominada de seca verde. (SILVA et al., 2021)

3.5

Poluentes e riscos à saúde pública
Nas queimadas são emitidos vários poluentes clássicos, entre eles o óxido de nitrogênio

(NOx), monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e material particulado (MP), além
de substâncias altamente tóxicas. O efeito agudo à saúde da população em geral fica restrito
àquelas pessoas mais próximas à área da queimada, em especial as que estejam atuando no seu
combate. O efeito pode ir de intoxicação até a morte por asfixia, pela redução da concentração
de oxigênio em níveis críticos e pela elevação no nível de CO, que compete com o oxigênio na
sua ligação com a hemoglobina (RIBEIRO, 2008). O MP pode se depositar na traqueia ou nos
brônquios. Partículas com menos de 1 µm, em geral depositam-se por difusão nos pequenos
bronquíolos e alvéolos (WHO, 1979). Os cortadores de cana estão altamente expostos aos

Hidrocarbonetos Poli Aromáticos (HPAs) no período de safra, devido à queima dos canaviais
(BOSSO, 2004). Estudos têm avaliado, os efeitos poluentes das queimadas sobre a saúde da
população, incluindo taxas de mortalidade, de internação e atendimentos emergenciais por
doenças respiratórias. As doenças respiratórias foram responsáveis por quase 421 mil
internações de crianças entre 0 e 10 anos no Brasil, produzindo custos para o Sistema Único de
Saúde (SUS) de R$ 85 milhões no ano de 2012 (MACHIN e NASCIMENTO, 2018).

4 MATERIAL E MÉTODOS
4.1

Caracterização da Área de Estudo
O estado de Alagoas possui uma área aproximada de 27.767 km2 (IBGE, 2021), o que

representa aproximadamente 0,33% do território brasileiro. Localiza-se entre os paralelos
8°48’12" e 10°29’12" Sul (S) e entre os meridianos 35°09’36" e 38°13’54" Oeste (W). Está
limitado ao norte (N) e W com o estado de Pernambuco, ao sul (S) com os estados de Sergipe
e Bahia e a leste (E) com o oceano Atlântico (Figura 1). Possui 339 km de extensão na direção
do seu eixo maior (E-W) e 186 km na direção de seu eixo menor (N-S) – (LYRA et al., 2014).
Alagoas possui apenas 1% de seu território localizado em áreas superiores a 600 m de
altitude. Atualmente, o estado de Alagoas está dividido em três mesorregiões: o Leste, o Agreste
e o Sertão Alagoano (Figura 1). O Leste é a maior região em aspecto territorial e abrange o
Litoral e a Zona da Mata. O Agreste é uma região de transição entre as zonas úmida e seca, e o
Sertão Alagoano corresponde às localidades com características climáticas áridas e semiáridas
(IBGE, 2021).

Figura 1. Mesorregiões climáticas (Leste, Agreste e Sertão) do Estado de Alagoas.
Tabela 1 - Localização dos 102 municípios de Alagoas, com suas respectivas coordenadas
geográficas (latitude e longitude, º), altitude (m) e as mesorregiões climáticas (Sertão, Agreste
e Leste Alagoano).
ID

Municípios

Latitude (°)

Longitude (°)

Altitude (m)

Mesorregiões
Climáticas

1

Água Branca

09° 15' 39" S

37° 56' 10" W

570

Sertão Alagoano

2

Batalha

09° 40' 40" S

37° 07' 29" W

120

Sertão Alagoano

3

Belo Monte

09° 49' 42" S

37° 16' 48" W

30

Sertão Alagoano

4

Canapi

09° 07' 01" S

37° 36' 08" W

342

Sertão Alagoano

5

Carneiros

09° 28' 57" S

37° 22' 38" W

347

Sertão Alagoano

6

Delmiro Gouveia

09° 23' 19" S

37° 59' 57" W

256

Sertão Alagoano

7

Dois Riachos

09° 23' 33" S

37° 06' 02" W

245

Sertão Alagoano

8

Inhapi

09° 13' 17" S

37° 44' 55" W

410

Sertão Alagoano

9

Jacaré dos Homens

09° 38' 08" S

37° 12' 17" W

135

Sertão Alagoano

10

Jaramataia

09° 39' 34" S

37° 00' 07" W

164

Sertão Alagoano

11

Major Isidoro

09° 31' 56" S

36° 59' 06" W

182

Sertão Alagoano

12

Maravilha

09° 14' 08" S

37° 21' 00" W

362

Sertão Alagoano

13

Mata Grande

09° 07' 03" S

37° 43' 56" W

633

Sertão Alagoano

14

Monteirópolis

09° 36' 10" S

37° 14' 54" W

228

Sertão Alagoano

15

Olho D'agua das Flores

09° 32' 10" S

37° 17' 38" W

286

Sertão Alagoano

CONTINUAÇÃO.
16

Olho D'agua do Casado

09° 30' 07" S

37° 50' 02" W

230

Sertão Alagoano

17

Olivença

09° 31' 07" S

37° 11' 26" W

231

Sertão Alagoano

18

Ouro Branco

09° 10' 00" S

37° 21' 24" W

380

Sertão Alagoano

19

Palestina

09° 40' 19" S

37° 19' 45" W

160

Sertão Alagoano

20

Pão De Açúcar

09° 44' 54" S

37° 26' 12" W

19

Sertão Alagoano

21

Pariconha

09° 15' 10" S

38° 00' 17" W

550

Sertão Alagoano

22

Piranhas

09° 37' 25" S

37° 45' 24" W

88

Sertão Alagoano

23

Poço das Trincheiras

09° 18' 45" S

37° 17' 08" W

292

Sertão Alagoano

24

Santana do Ipanema

09° 22' 42" S

37° 14' 43" W

250

Sertão Alagoano

25

São José da Tapera

09° 33' 30" S

37° 22' 52" W

255

Sertão Alagoano

26

Senador Rui Palmeira

09° 27' 59" S

37° 27' 25" W

352

Sertão Alagoano

27

Arapiraca

09° 45' 09" S

36° 39' 40" W

264

Agreste Alagoano

28

Belém

09° 34' 16" S

36° 29' 32" W

311

Agreste Alagoano

29

Cacimbinhas

09° 24' 01" S

36° 59' 25" W

270

Agreste Alagoano

30

Campo Grande

09° 57' 28" S

36° 47' 30" W

142

Agreste Alagoano

31

Coite do Noia

09° 37' 56" S

36° 34' 43" W

280

Agreste Alagoano

32

Craíbas

09° 37' 05" S

36° 46' 05" W

252

Agreste Alagoano

33

Estrela de Alagoas

09° 23' 25" S

36° 45' 36" W

290

Agreste Alagoano

34

Feira Grande

09° 54' 01" S

36° 40' 39" W

220

Agreste Alagoano

35

Girau Do Ponciano

09° 53' 03" S

36° 49' 44" W

244

Agreste Alagoano

36

Igaci

09° 32' 13" S

36° 38' 01" W

240

Agreste Alagoano

37

Lagoa da Canoa

09° 49' 47" S

36° 44' 16" W

283

Agreste Alagoano

38

Limoeiro de Anadia

09° 44' 26" S

36° 30' 10" W

140

Agreste Alagoano

39

Mar Vermelho

09° 26' 51" S

36° 23' 17" W

542

Agreste Alagoano

40

Maribondo

09° 34' 38" S

36° 18' 19" W

157

Agreste Alagoano

41

Minador do Negrão

09° 18' 19" S

36° 51' 53" W

270

Agreste Alagoano

42

Olho D'agua Grande

10° 03' 30" S

36° 49' 00" W

118

Agreste Alagoano

43

Palmeira dos Índios

09° 24' 26" S

36° 37' 39" W

342

Agreste Alagoano

44

Paulo Jacinto

09° 21' 58" S

36° 22' 11" W

292

Agreste Alagoano

45

Quebrangulo

09° 19' 08" S

36° 28' 16" W

366

Agreste Alagoano

46

São Brás

10° 07' 40" S

36° 54' 02" W

25

Agreste Alagoano

47

São Sebastiao

09° 56' 01" S

36° 33' 15" W

201

Agreste Alagoano

48

Tanque D'arca

09° 31' 55" S

36° 25' 58" W

212

Agreste Alagoano

49

Taquara

09° 38' 42" S

36° 29' 50" W

159

Agreste Alagoano

50

Traipu

09° 58' 14" S

37° 00' 12" W

10

Agreste Alagoano

51

Anadia

09° 41' 04" S

36° 18' 15" W

153

Leste Alagoano

52

Atalaia

09° 30' 07" S

36° 01' 22" W

54

Leste Alagoano

53

Barra de Santo Antônio

09° 24' 17" S

35° 30' 26" W

10

Leste Alagoano

54

Barra de São Miguel

09° 50' 24" S

35° 54' 28" W

2

Leste Alagoano

55

Boca da Mata

09° 38' 29" S

36° 13' 13" W

132

Leste Alagoano

56

Branquinha

09° 14' 44" S

36° 00' 55" W

100

Leste Alagoano

57

Cajueiro

09° 23' 48" S

36° 09' 13" W

102

Leste Alagoano

58

Campestre

08° 50' 45" S

35° 34' 05" W

200

Leste Alagoano

CONTINUAÇÃO.
59

Campo Alegre

09° 46' 55" S

36° 21' 03" W

176

Leste Alagoano

60

Capela

09° 24' 27" S

36° 04' 25" W

84

Leste Alagoano

61

Chã Preta

09° 15' 19" S

36° 17' 46" W

463

Leste Alagoano

62

Colônia Leopoldina

08° 54' 32" S

35° 43' 30" W

140

Leste Alagoano

63

Coqueiro Seco

09° 38' 18" S

35° 48' 11" W

31

Leste Alagoano

64

Coruripe

10° 07' 32" S

36° 10' 32" W

16

Leste Alagoano

65

Feliz Deserto

10° 17' 31" S

36° 18' 22" W

6

Leste Alagoano

66

Flexeiras

09° 11' 51" S

35° 46' 51" W

78

Leste Alagoano

67

Ibateguara

08° 58' 21" S

35° 56' 22" W

505

Leste Alagoano

68

Igreja Nova

10° 07' 31"S

36° 39' 43" W

14

Leste Alagoano

69

Jacuípe

08° 50' 30" S

35° 27' 36" W

74

Leste Alagoano

70

Japaratinga

09° 05' 18" S

35° 15' 30" W

5

Leste Alagoano

71

Jequiá da Praia

10° 00' 51" S

36° 01' 47" W

16

Leste Alagoano

72

Joaquim Gomes

09° 08' 00" S

35° 44' 54" W

104

Leste Alagoano

73

Jundiá

08° 56' 05" S

35° 34' 25" W

94

Leste Alagoano

74

Junqueiro

09° 55' 31" S

36° 28' 33" W

175

Leste Alagoano

75

Maceió

09° 39' 57" S

35° 44' 07" W

16

Leste Alagoano

76

Maragogi

09° 00' 44" S

35° 13' 21" W

5

Leste Alagoano

77

Marechal Deodoro

09° 42' 37" S

35° 53' 42" W

31

Leste Alagoano

78

Matriz de Camaragibe

09° 09' 06" S

35° 32' 00" W

16

Leste Alagoano

79

Messias

09° 23' 00" S

35° 50' 30" W

148

Leste Alagoano

80

Murici

09° 18' 24" S

35° 56' 36" W

82

Leste Alagoano

81

Novo Lino

08° 54' 54" S

35° 38' 48" W

146

Leste Alagoano

82

Paripueira

09° 27' 54" S

35° 33' 06" W

5

Leste Alagoano

83

Passo de Camaragibe

09° 14' 18" S

35° 29' 36" W

4

Leste Alagoano

84

Penedo

10° 17' 25" S

36° 35' 11" W

27

Leste Alagoano

85

Piaçabuçu

10° 24' 20" S

36° 26' 04" W

3

Leste Alagoano

86

Pilar

09° 35' 50" S

35° 57' 24" W

13

Leste Alagoano

87

Pindoba

09° 28' 31" S

36° 17' 24" W

310

Leste Alagoano

88

Porto Calvo

09° 02' 42" S

35° 23' 54" W

54

Leste Alagoano

89

Porto de Pedras

09° 09' 30" S

35° 17' 42" W

22

Leste Alagoano

90

Porto Real do Colégio

10° 11' 09" S

36° 50' 24" W

10

Leste Alagoano

91

Rio Largo

09° 28' 42" S

35° 51' 12" W

39

Leste Alagoano

92

Roteiro

09° 49' 58" S

35° 58' 40" W

32

Leste Alagoano

93

Santa Luzia do Norte

09° 36' 12" S

35° 49' 21" W

32

Leste Alagoano

94

Santana do Mundaú

09° 10' 05" S

36° 13' 20" W

221

Leste Alagoano

95

São José da Laje

09° 00' 35" S

36° 03' 30" W

256

Leste Alagoano

96

São Luís do Quitunde

09° 19' 06" S

35° 33' 40" W

4

Leste Alagoano

97

São Miguel dos Campos

09° 46' 52" S

36° 05' 37" W

12

Leste Alagoano

98

São Miguel dos Milagres

09° 15' 56" S

35° 22' 23" W

1

Leste Alagoano

99

Satuba

09° 33' 48" S

35° 49' 28" W

6

Leste Alagoano

100

Teotônio Vilela

09° 54' 19" S

36° 21' 10" W

156

Leste Alagoano

101

União dos Palmares

09° 09' 46" S

36° 01' 55" W

155

Leste Alagoano

102

Viçosa

09° 22' 17" S

36° 14' 27" W

210

Leste Alagoano

4.2

Caracterização dos biomas Alagoanos
O bioma Caatinga é considerado o único tipicamente brasileiro, ocupando cerca de 11%

do território, com ampla diversidade de flora e fauna o que o coloca nesta posição dentre os
sete biomas existentes que predomina no país (SENAR, 2016; AVANCINI, 2013; DOS
SANTOS SILVA, 2013).
Além disso, é considerada a maior e mais diversificada Floresta Tropical Sazonalmente
Seca do Brasil (SILVA et al., 2017), predominantemente sua área corresponde a 969.589 km²
de acordo com a delimitação (INPE, 2015). Vale destacar que, esta área é concomitante com a
região do semiárido brasileiro, sua vegetação é classificada como savana estépica e heterogênea
com grande variedade de espécies vegetais, por exemplo, xerofítica e caducifólia, as quais são
adaptadas para suportar longos períodos de déficit hídrico mantendo suas folhas verdes mesmo
com a estação seca, devido à presença do metabolismo de plantas CAM (plantas adaptadas para
não fazer fotorrespiração durante o dia, evitando a perda de água pelo fechamento dos
estômatos). (MMA, 2010). O juazeiro, o umbuzeiro e a barriguda são árvores típicas da
Caatinga. Além da vegetação predominante, há vários outros tipos, como os que se formam nos
grotões das serras ou nas áreas de lajedos (formações rochosas características), todos ainda
poucos estudados.
O Brasil, por sua dimensão continental, apresenta uma diversidade de solos e
consequentemente de usos da terra. O solo varia de acordo com as condições ambientais (DALMOLIN E PEDRON, 2004) apresentando, portanto, uma grande variabilidade espacial.
Conforme Ab’Saber (2003), esses diferentes ambientes são chamados de Biomas (ou Domínios
Morfoclimáticos) conforme Figura 2:
I – Domínio Amazônico – região norte do Brasil, com terras baixas e grande processo de
sedimentação; clima e floresta equatorial;
II – Domínios do Cerrado – região central do Brasil, com vegetação tipo cerrado e
chapadões;
III – Domínio dos Mares de Morros (Mata Atlântica) – região leste (litoral brasileiro),
onde se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado;
IV – Domínio das Caatingas – região nordeste do Brasil, de formações cristalinas, área
depressiva Inter montanhas e de clima semiárido;
V – Domínio das Araucárias – região sul brasileira, área do habitat da araucária, onde
predominam planaltos e de clima subtropical e

VI

–

Domínio

das

Pradarias

–

região

do

sudeste

gaúcho

Figura 2. Biomas Brasileiros

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, ocupa 862.818 km2 e abrangendo
9 estados da federação (IBGE, 2021). A Caatinga, apesar de ser o bioma menos conhecido do
Brasil, é considerada o semiárido mais biodiverso do mundo, por possuir uma elevada
diversidade de ecossistemas e de espécies (SILVA et al., 2018). Além disso, cerca de 80% de
seus ecossistemas originais já foram alterados, principalmente por meio de desmatamentos,
queimadas e desertificação, em um processo de ocupação que remonta ao período colonial.
Os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica possuem uma grande diversidade de tipos
vegetacionais, o que é explicado, sobretudo, pela distribuição em amplos gradientes latitudinal,
longitudinal e altitudinal, além de variadas condições climáticas, geomorfológicas e
pedológicas (OLIVEIRA-FILHO e FONTES, 2000).

4.3

Série Temporal de dados (1998-2020)
A base de dados de FC usadas no estudo compreendeu o período de 1998 a 2020, sendo

obtida a partir do BDqueimadas do CPTEC/INPE no seguinte endereço eletrônico: http://

queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/BDqueimadas/ (CPTEC, 2020). Vale ressaltar que foi
desenvolvido um script do software ambiente R versão 4.1.1 (R Development Team, 2021),
para aquisição dos dados de FC por municípios nas mesorregiões climáticas de Alagoas.

4.4

Estatística Multivariada
A técnica Cluster Analysis (CA) foi aplicada a série temporal de FC na escala municipal

por meio do software R versão 4.1.1 (R DEVELOPMENT TEAM, 2021). Assim, o respectivo
número de grupos e o dendrograma foram determinados para os municípios pertencentes às
mesorregiões climáticas do Estado. O número de grupos adotados e a estratificação foram
baseados no método hierárquico aglomerativo da média das distâncias (average linkage) O
método aglomerativo de ligação média consiste na medida de similaridade entre dois clusters,
sendo definida pela maior distância de todos os pontos do 1º cluster em relação aos pontos do
2º cluster (LYRA et al., 2014; GOIS et al., 2020). A distância euclidiana é dada pela Eq. 1:
em que, dE = distância euclidiana e xij e xkj = quantitativos variáveis dos indivíduos p e k,
respectivamente.
𝑑 =

∑

(1)

(𝑥 − 𝑥 )

O grau de ajuste do método de ligação média foi avaliado pelo coeficiente de correlação
cofenética (CCC). Isto mede a associação entre a matriz de dissimilaridade (F) e a matriz
resultante da simplificação fornecido pelo método de agrupamento. O CCC é baseado em
Coeficiente de correlação de Pearson (r), sendo calculado entre a matriz de dissimilaridade e a
matriz resultante do processo de agrupamento (SOKAL e ROHLF, 1962). Assim, o quanto
maior o valor de r, menor será a distorção. Rohlf (1970) e Biagiotti et al. (2013) mencionam
que quanto maior o valor obtido para o CCC, o menor a distorção causada por CA. Na prática,
dendrogramas com CCC < 0,7 indicam a inadequação da técnica de CA. O CCC é definido pela
Eq. 2:
𝐶𝐶𝐶 = 𝑟

∑

=
∑

∑

∑

̅

̅

̅
∑

∑

̅

(2)

em que, c e f são as médias aritméticas definidas pelas Eqs. 3 e 4.
𝑐̅ =

∑

(3)

𝑓̅ =

∑

(4)
em que, CCC é o coeficiente de correlação cofenética, c é a matriz cofenética, 𝑐̅ é a média

da matriz cofenética, f é a matriz fenética, 𝑓 ̅ é a média da matriz fenética e n é o número de
elementos.

4.5

Estatística Aplicada e Mapeamento dos Focos de Calor
A avaliação dos FC nas mesorregiões de Alagoas foi baseada na estatística descritiva

(ED). Os indicadores usados foram: média (M), mediana (Md), máximo (Mx), mínimo (Mn),
amplitude total (AT), desvio padrão (DP) e o coeficiente de variação (CV, %), conforme
metodologia proposta por Gois et al. (2020). Na estatística exploratória (EE) foram definidos
os seguintes indicadores: Valores Máximo (Vma), Mínimo (Vmi), Amplitude Interquartílica
(AIQ), 1º quartil (Q1), 3º quartil (Q3) e os Limites inferior (Li) e superior (Ls). Todos os
indicadores estatísticos calculados via software ambiente R versão 4.1.1 (R Development
Team, 2021). Para a confecção dos mapas de FC, foi usado software QGIS (Quantum GIS) na
versão 3.16.9. A interpolação dos FC foi baseada no método de interpolação Inverso do
Quadrado da Distância (IQD).

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1

Grupos Homogêneos de Focos de Calor nas Mesorregiões
A técnica CA por meio do método hierárquico aglomerativo com base no método das

ligações médias, obteve um CCC de 0,90 e uma linha de Fenon de 37,45% (corte na horizontal).
A decisão do corte do dendograma se baseou na distância normalizada de ligação dos grupos,
sendo determinados três grupos homogêneos de FC (G1, G2 e G3) no Sertão Alagoano (Figura
3a), exceto o município de Belo Monte que não formou grupo de FC (NA) – (Figura 3b). A
formação dos grupos homogêneos de FC obteve consistência, visto que o CCC foi superior a
0,90, onde o recomendado na literatura é CCC > 0,70 (SOKAL E ROHLF, 1962; SARAÇLI et
al., 2013, GOIS et al., 2020). O grupo G1 (5,77 ± 8,81 focos) é o maior grupo de FC formados
por 19 municípios, porém com a menor média anual, enquanto o grupo G2 (16,15 ± 15,49 focos)
com 2 municípios possuem as médias intermediárias, e o grupo G3 (24,26 ± 23,59 focos)
composto por 4 municípios exibe a maior média de FC anuais, respectivamente.

Figura 3. Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Sertão Alagoano.
O município de Belo Monte (NA) - (26,83 ± 25,87 focos) compreende 10% dos FC da
mesorregião, com um total de 617 FC no período de estudo, seguido das maiores M, DP e CV%
(> 95%). O maior registro de FC no município de Belo Monte (NA), pode estar associado às
práticas agrícolas, por exemplo, manejo das culturas de feijão, o milho e de palma (alimentação
de animais) ou desmatamento para abrigar novas áreas para criação de animais, vale a pena
destacar que o município faz parte da Bacia Leiteira de Alagoas, onde 83% da sua população é
essencialmente rural e ocupa a 94° posição no IDH com valor de 0,517 (IBGE, 2020, SANTOS,
et al., 2020, OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2020). Vale ressaltar, que no semiárido ocorrem os
menores registros de chuva anual, um fator determinante para o surgimento de longos períodos
de estiagem, e de secas severas e prolongadas (MARENGO et al., 2017; COSTA et al., 2021)

e, assim aumenta a susceptibilidade a incêndios (CAÚLA et al., 2015; SILVA JÚNIOR et al.,
2020). Não se descarta o aumento da probabilidade de incêndios via FC no NEB estarem
relacionados ao desmatamento e a expansão da agricultura via consórcios agrícolas (OliveiraJúnior et al., 2021; Garcia et al., 2021).
No Leste Alagoano delimitou dois grupos homogêneos de FC (G1, G2) (Figura 4a),
novamente houve exceção, no caso os municípios de Coruripe e Penedo (NA) - (Figura 4b)
via técnica CA por meio do método hierárquico aglomerativo com base no método das ligações
médias (JOHNSON E WICHERN, 1992). O CCC obtido foi de 0,86 e uma linha de Fenon de
18,73% (corte na horizontal), sendo inferior a mesorregião do Sertão.
Os municípios de Coruripe e Penedo totalizaram 18767 FC, ambos correspondem a 25%
do número total de FC no período avaliado. Vale ressaltar que ambos os municípios têm as
maiores M e DP. Ambos os municípios de Coruripe e Penedo possuem produção
sucroalcooleira e, portanto, maior queima da cana-de-açúcar durante o período da colheita,
prática usual e comum no NEB (FERNANDES e CORREIA FILHO, 2014; OLIVEIRAJÚNIOR et al., 2020). O grupo G1 (36,33 ± 42,37 focos) é o maior grupo de FC formados por
45 municípios, enquanto o grupo G2 (174,24 ± 143,51 focos) foi menor, com apenas 5
municípios na mesorregião.
Os resultados obtidos foram similares aos de Gois et al. (2020) para o estado do Rio de
Janeiro (ERJ), próximo do ambiente costeiro e no mesmo bioma, Mata Atlântica. Os autores
atribuem o aumento dos FC ao crescimento populacional, seguido do adensamento urbano,
resultantes das mudanças no uso e ocupação do solo, sendo identificado recentemente no Leste
alagoano (OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2020; SANTOS et al., 2021).

Figura 4 Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Leste Alagoano.
A técnica CA por meio do método hierárquico aglomerativo com base no método da
ligação média determinou um CCC de 0,8655 e uma linha de Fenon de 37,45% (corte na
horizontal) delimitou dois grupos homogêneos de focos de calor (G1, G2) no Agreste Alagoano
(Figura 5a), similar ao Leste alagoano, e os municípios de Limoeiro de Anadia (54,48 ± 38,65
focos), São Sebastião (40,43 ± 27,70 focos) e Traipu (61,26 ± 55,47 focos) - (NA) - (Figura
5b).
O grupo NA formado pelos municípios: Limoeiro de Anadia, São Sebastião e Traipu
totalizaram 3592 focos, correspondendo a 46% dos FC no período avaliado na mesorregião do
Agreste. Os FC detectados nestes municípios do Grupo (NA) podem estar associados à

produção de cana-de-açúcar e consequentemente maior queima no período da colheita
(FERNANDES E CORREIA FILHO, 2014; SINDAÇÚCAR-AL, 2020; OLIVEIRA JUNIOR
et al.,2020). O grupo G1 (5,31 ± 6,45 focos) é o maior grupo de FC com 15 municípios,
enquanto G2 (16,98 ± 19,57 focos) com 6 municípios foi o menor.

Figura 5. Curva de inércia que ilustra o número ideal de grupos a serem constituídos (a), e
dendrograma dos grupos homogêneos de focos de calor (b) na mesorregião do Agreste
Alagoano.

5.2

Estatística Aplicada aos Focos de Calor nas Mesorregiões
Em relação à ED no Sertão Alagoano, os grupos G2, G3 e NA apresentaram as maiores

M anuais e DP dos FC, ao contrário do grupo G1, com destaque para os municípios de Carneiros
(0,87 ± 1,25 focos) e Palestina (1,04 ± 1,94 focos). Na maioria dos municípios, a Md foi inferior
a M. Vale ressaltar que os municípios do grupo G1 obtiveram as maiores M anuais de FC, por
exemplo, Major Isidoro (13,17 ± 15,72 focos), Canapi (13,13 ± 15,16 focos), Olho D’água do
Casado (9,91 ± 12,48 focos), Água Branca (9,78 ± 12,8 focos) - (Tabela 2). O número elevado
de registro de FC nesses municípios pode estar associado a atividades antrópicas, neste caso,
atividades agrícolas e desmatamento - (OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2021; SANTOS et al.,
2021), seguido de secas severas frequentes em Alagoas (OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2012;
LYRA et al., 2017; COSTA et al., 2021). Na mesorregião do Sertão, ocorreu alta variabilidade
dos FC dentro dos grupos homogêneos, visto que os valores de DP e AIQs se sobressaíram em
relação a Md. Destaque para o município de Belo Monte (NA) obteve maior DP (25,87 focos)
e M (26,83 focos).
Tabela 2 - Resultado da ED aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do Sertão
alagoano.
Valores
Vma

Grupos

𝑥̅

Md

Vmi

At

G1
G2
G3
NA

5,77
16,15
24,26
26,83

3,00
12,50
17,00
21,00

0,00
0,00
0,00
1,00

Grupos

CV

Dp

Q1

58,00
58,00
82,00
82,00
115,00
115,00
115,00
114,00
Quartis
Q3

G1
G2
G3
NA

%
152,61
95,90
97,23
96,42

8,81
15,49
23,59
25,87

0,00
5,25
7,00
11,50

7,25
22,50
33,25
33,00

Limites
Li
Ls
-10,88
-20,63
-32,38
-20,75

18,13
48,38
72,63
65,25

AIQ

7,25
17,25
26,25
21,50

A Figura 5 mostra a média de FC anual em alguns municípios da mesorregião Sertão.
Vale destacar os anos de 2012 e 2019, obteve os maiores registros dos FC, devido à seca que
ocorreu no NEB no período (MARENGO et al., 2017). A partir do ano de 2012 até o ano de
2019 os FC foram superiores a M na maioria dos municípios analisados da mesorregião, com
destaque para os municípios do grupo G3 (Batalha, Santana do Ipanema, Mata Grande, Pão de
Açúcar).

Figura 6. Distribuição temporal dos FC anual nos Grupos G1, G2 e G3 na mesorregião Sertão
estado de Alagoas entre 1998 e 2020.

Em relação à ED, o grupo G2 e NA apresentaram as maiores M anuais e DP dos FC, ao
contrário do grupo G1, com os menores valores M anuais e DP dos FC, com destaque para Chã
preta (2,13 ± 2,51 focos) e Pindoba (0,65 ± 1,11 focos). Para a Md, na maioria dos municípios,
observam-se valores inferiores a M (Tabela 2). Vale ressaltar os municípios do grupo G2, com
maiores M anuais de FC, por exemplo, São Miguel dos Campos (200,17 ± 160,45 focos), Jequiá
da Praia (163,55 ± 100,36 focos), Campo Alegre (158,43 ± 114,43 focos), Teotônio Vilela
(148,30 ± 122,37 focos), Coruripe (NA) (553,13 ± 369,40 focos) - (Tabela 2 e Figura 6). O
maior registro de FC nesses municípios está relacionado a áreas com plantio de cana-de-açúcar,
e tal cultivo utiliza o fogo para a colheita, sendo uma prática secular no NEB e no Brasil
(FERNANDES E CORREIA FILHO, 2014; OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2020; MARINHO et
al., 2021; SILVA et al., 2021).
A Tabela 3 apresenta a ED dos FC nos grupos da mesorregião Leste Alagoano durante o
período de estudo. No Leste Alagoano foram registrados 74812 focos de calor, com destaque
para o munícipio de Coruripe e Penedo que não formaram grupo mesmo apresentando um dos
maiores registros de focos de calor com aproximadamente 25% do acumulado total da
mesorregião (18767 focos).

Tabela 3 - Resultado da ED e EE aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do Leste
alagoano.

Grupos

𝑥̅

Md

Vmi

Valores
Vma

Limites
At

Li

Ls

-60,13
-141,75
-360,38

118,88
460,25
1066,63

-1

G1
G2
NA

36,33
174,24
407,98

20,50
135,00
357,00

Grupos

CV
%
116,63
82,36
79,34

DP

G1
G2
NA

42,37
143,51
323,68

Focos de Calor. Ano
0,00
291,00
291,00
1,00
586,00
585,00
8,00
1351,00
1343,00
Quartis
Q1
Q3
7,00
84,00
174,75

Focos de Calor. Ano-1
51,75
234,50
531,50

AIQ

44,75
150,50
356,75

Figura 7. Distribuição temporal dos FC anual nos Grupo G1, G2 e NA, na mesorregião Leste
estado de Alagoas entre 1998 e 2020.
Em relação à ED, o grupo G2 e NA apresentaram as maiores M anuais e DP dos FC, ao
contrário do grupo G1, com os menores valores M anuais e DP dos FC, destacando-se os
municípios de Lagoa da Canoa (1,26 ± 1,68 focos) e Belém (2,43 ± 3,63 focos). Para a Md, na
maioria das estações, observam-se valores inferiores a M (Tabela 3). Vale ressaltar que os
municípios do grupo G2, com maiores M anuais de FC, por exemplo, Cacimbinhas (21,30 ±
28,01 focos), Girau do Ponciano (20,74 ± 21,61), Craíbas (6,09 ± 6,38 focos), Feira Grande
(7,65 ± 8,37 focos), Tanque D’arca (7,26 ± 7,17 focos), Taquarana (7,04 ± 9,58 focos) Estrela
de Alagoas (7,87 ± 8,64 focos), Igaci (8,30 ± 7,38 focos) Minador do Negrão (8,39 ± 8,32
focos) - (Figura 8 e Tabela 4). O maior registro de FC nesses municípios pode estar relacionado
com atividades antrópicas (atividades agrícolas ou desmatamento) - (CAÚLA et al., 2016;
OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2021).
A Tabela 4 apresenta a ED dos FC nos grupos da mesorregião Agreste Alagoano durante
o período de estudo, os resultados obtidos da ED dos FC nos grupos homogêneos obtidos do
Agreste Alagoano no período de estudo. No Agreste Alagoano foram registrados 7789 focos,
com destaque para os munícipios de Limoeiro de Anadia (1253 focos) São Sebastião (930
focos) e Traipu (1409 focos) que não formaram grupo mesmo apresentando um dos maiores
registros de FC aproximadamente 46% do acumulado anual da mesorregião (3592 focos).

Tabela 4 - Resultado da ED e EE aplicado à série temporal 1998-2020 entre os grupos do
Agreste alagoano.

Grupos

𝑥̅

Md

Vmi

Valores
Vma

Limites
At

Li

Ls

-8,00
-27,00
-41,00

16,00
53,00
135,00

-1

G1
G2
NA

5,31
16,98
52,06

3,00
12,00
46,00

Grupos

CV
%
121,54
115,28
81,57

DP

Focos de Calor. Ano
0,00
39,00
39,00
0,00
124,00
124,00
1,00
245,00
244,00
Quartis
Q1
Q3

6,45
19,57
42,47

Focos de Calor. Ano-1
7,00
23,00
69,00

G1
G2
NA

1,00
3,00
25,00

AIQ

6,00
20,00
44,00

Figura 8 Distribuição temporal dos FC anual nos Grupos G1, G2 e NA, na mesorregião Agreste
estado de Alagoas entre 1998 e 2020.

5.3

Análise espacial dos focos de calor
Na avaliação espacial utilizou-se o período total (1998-2020) e anos de 2012 e 2019 via

densidade de FC por município. Destaque para maior registro de densidade de FC no período
total no Leste Alagoano (Figura 9) com valores entre 3515 a 14059 FC, isso se deve a colheita
da cana-de-açúcar nos municípios produtores de cana-de-açúcar: São Miguel dos Campos,
Campo Alegre, Penedo, São José da Laje, Junqueiro, Rio Largo e Pilar com destaque a Coruripe
(SINDAÇÚCAR - AL 2022, SILVA et al., 2020), seguido do desmatamento do bioma Mata
Atlântica, que por sua vez ocupa a área e se estende do litoral até o Agreste (FERNANDES e
CORREIA FILHO, 2014; CORREIA FILHO et al., 2019).
Além disso, nas últimas décadas, o Leste Alagoano passou por diversas mudanças de uso
e ocupação do solo, sendo confirmado recentemente por Santos et al., (2020) via índice de
Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI). Costa et al. (2021) e Oliveira-Júnior et al.
(2021) encontraram mudanças marcantes nos períodos de chuva no Estado de Alagoas, com
destaque, para dois períodos de chuva, um chuvoso entre 1960-1990 e outro seco entre 19902016, tal mudança se deve as alterações no uso e ocupação da terra, particularmente, o processo
de urbanização (SANTOS et al., 2020) e, com isso podem ter aumentado a detecção dos FC.

Comparativamente, os anos de 2012 e 2019, houve um aumento considerável dos FC,
que por sua vez podem ser associados à degradação da vegetação litorânea, fatores climáticos,
tais como, alta temperatura e baixo registro de chuvas, atividades antrópicas e principalmente
ao manejo do cultivo da cana-de-açúcar, sendo observado por (OLIVEIRA-JÚNIOR et al.,
2020). É sabido que o NEB é fortemente afetado pelas fases do El Niño – Oscilação Sul (ENOS)
– (MOLION E BERNARDO, 2002; LYRA et al., 2017). Os eventos La Niña, a chuva no NEB
é geralmente superior à média climatológica. No entanto, no evento La Niña de 2011-2012,
atribuiu ao NEB sua pior seca dos últimos 30 anos (RODRIGUES et al., 2014), durante a
estação chuvosa de 2012, muitas áreas receberam menos de 50% da chuva média, e assim
muitos municípios decretaram estado de emergência (MARENGO et al., 2013; MARENGO et
al., 2016).

42

43

Figura 9. Distribuição espacial da densidade dos FC total (a), 2012 (b) e 2019 (c) no Estado de
Alagoas.
A técnica CA aplicada a séries temporais de focos de calor via método aglomerativo da
ligação média são consistentes de acordo com o CCC (> 0,70), ao qual consegue identificar três
grupos homogêneos no Sertão e dois grupos homogêneos no Agreste e Leste Alagoano, tal
diferença é em virtude das características climáticas e dos processos antrópicos. Alguns
municípios não formaram grupos, tais como, Belo Monte (Sertão), Limoeiro de Anadia, São
Sebastião e Traipu (Agreste) e Penedo e Coruripe (Leste). Portanto, tais municípios utilizam o
fogo como ferramenta para preparação da terra para a criação de animais, ou limpeza para o
plantio da monocultura da cana-de-açúcar ainda permitida pela legislação local, como o caso
dos municípios situados na mesorregião Leste Alagoano. (OLIVEIRA-JÚNIOR et al. 2020)
A análise estatística mostra que os grupos homogêneos formados pelos municípios de
Alagoas apresentam alta variabilidade temporal dos FC, independente da mesorregião
climática. Tal variabilidade dos FC no Leste Alagoano está relacionada às alterações no uso e
ocupação da terra, particularmente ao processo de urbanização e, com isso aumenta a detecção
dos FC. Já em relação ao Sertão o número elevado de detecção de FC nesses municípios pode
estar associado a atividades agrícolas e desmatamento seguido de longos períodos de estiagem
e secas severas. Temporalmente o número de FC tem aumentado significativamente em
Alagoas, destaque a partir de 2010. Não se descarta que os anos superiores à média sejam
influenciados pela ocorrência de seca e períodos de estiagens, comum no NEB e,
principalmente no Estado de Alagoas. Espacialmente a mesorregião do Leste Alagoano se
destaca em relação às outras mesorregiões, sendo identificados alguns municípios associados à
atividade sucroalcooleira como: Junqueiro, Campo Alegre, Coruripe, Pilar, Rio Largo e Satuba.
Tais municípios merecem atenção especial por parte da gestão pública e dos órgãos ambientais
em relação à ocorrência de futuros incêndios no Estado de Alagoas.
5.4

Estatística aplicada aos Biomas

Na avaliação dos FC versus Biomas Alagoanos utilizou-se o período total (1998-2020)
com destaque para maior registro de FC no período total no Bioma Mata Atlântica (Figura 10),
isso se deve a colheita da cana-de-açúcar nos municípios produtores de cana-de-açúcar: São
Miguel dos Campos, Campo Alegre, Penedo, São José da Laje, Junqueiro, Rio Largo e Pilar
com destaque a Coruripe (SINDAÇÚCAR - AL 2022, SILVA et al., 2020) seguido do
desmatamento do bioma Mata Atlântica, conforme observado também nos mapas de

44

distribuição de densidade dos FC (Figura 9) - (FERNANDES e CORREIA FILHO, 2014;
CORREIA FILHO et al., 2019).
Comparativamente os anos de 2012, 2015 e 2019, houve um aumento considerável dos
FC no Bioma Mata Atlântica (Figura 10), que por sua vez podem estar associados à degradação
da vegetação litorânea, fatores climáticos, tais como, alta temperatura e baixo registro de
chuvas, atividades antrópicas e principalmente ao manejo do cultivo da cana-de-açúcar, sendo
observado por (OLIVEIRA-JÚNIOR et al., 2020) e também nos anos de 2012 e 2019 é possível
observar um aumento dos FC no Bioma Caatinga, como verificado na avaliação estatística da
Mesorregião Sertão Alagoano onde predomina esse Bioma, possivelmente atribuído a
Agricultura Familiar e condicionamento de novas áreas para criação de animais na região da
Bacia Leiteira do Sertão do São Francisco.
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000

Caatinga

Mata Atlantica

Figura 10. Distribuição anual dos FC nos Biomas Alagoanos (1998-2020).

2020

2019

2018

2017

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

0

45

6 CONCLUSÕES
A técnica do CA aplicada a séries temporais de focos de calor via método aglomerativo da
ligação média identificou três grupos homogêneos (G1, G2 e G3) no Sertão e dois grupos
homogêneos no Agreste e Leste Alagoano (G1 e G2). Alguns municípios não formaram grupos
(NA), tais como, Belo Monte (Sertão), Limoeiro de Anadia, São Sebastião e Traipu (Agreste)
e Penedo e Coruripe (Leste). Os resultados obtidos pela técnica do CA são consistentes de
acordo com o CCC (> 0,70). A análise estatística descritiva mostrou que os grupos formados
pelos municípios de Alagoas apresentaram alta variabilidade temporal dos FC, independente da
mesorregião.
A variabilidade dos FC nos maiores grupos homogêneos do Leste Alagoano está
relacionada às alterações no uso e ocupação da terra, particularmente, o processo de
urbanização e, com isso podem ter aumentado a quantidade de FC nessa mesorregião. Já em
relação ao Sertão o número elevado de registro de FC nesses municípios pode estar associado
a atividades agrícolas e desmatamento seguido de longos períodos de estiagem e secas severas
Ao longo dos anos o número de FC tem crescido no estado de Alagoas, com picos nos anos de
2012 e 2019, conforme análise de ED e espacial, com destaque a mesorregião do Leste
Alagoano onde prevalece o bioma Mata Atlântica. O bioma Mata Atlântica é mais ameaçado
segundo quantidade de registros de focos de calor anual, porém, em alguns anos há aumento no
bioma Caatinga. Não se descarta que os anos em destaque sejam influenciados pela ocorrência
de seca e períodos de estiagens, comum no Estado de Alagoas.

7 RECOMENDAÇÕES
As principais recomendações deste estudo são:
1. Correlacionar os dados de produção agrícola com os FC, principalmente nos municípios
que não formaram grupo no Leste e Agreste Alagoano via Regressão Linear Múltipla
(RLM) ou Análise de Componente Principal (ACP);
2. Extrair as principais categorias do NDVI para cada mesorregião individualmente do
Estado;
3. Estabelecer um modelo conceitual entre as reações químicas dos poluentes que ocorrem
durante as queimadas e os incêndios florestais nas mesorregiões, com destaque para
qualidade do ar a partir das resoluções CONAMA 1990 e 2018.

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