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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E
NATURAIS
DEPARTAMENTO DE METEOROLOGIA
PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

MODIFICAÇÃO DA ESTRUTURA VERTICAL DAS FRENTES FRIAS DURANTE A
PASSAGEM DO SUL ATÉ O NORDESTE BRASILEIRO, ENTRE JANEIRO DE 2000
E DEZEMBRO DE 2012

NATALIA PARISOTTO SINHORI

ORIENTADORA:
Profª. Drª. NATALIA FEDOROVA

MACEIÓ
2015

2

NATALIA PARISOTTO SINHORI

MODIFICAÇÃO DA ESTRUTURA VERTICAL DAS FRENTES FRIAS DURANTE A
PASSAGEM DO SUL ATÉ O NORDESTE BRASILEIRO, ENTRE JANEIRO DE 2000
E DEZEMBRO DE 2012
Dissertação submetida ao colegiado do Curso de
Pós-Graduação em Meteorologia no Instituto de
Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de
Alagoas - UFAL, como parte dos requisitos
necessários para obtenção do título de Mestre em
Meteorologia.

ORIENTADORA:
Profª. Drª. NATALIA FEDOROVA

MACEIÓ
2015

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AGRADECIMENTOS
Agradeço à todos que de alguma forma, direta ou indiretamente, contribuíram para a
realização dessa conquista.
Principalmente à minha família, em especial aos meus pais e dindos por todo apoio
sempre.
Á minha orientadora Natalia pela orientação e paciência em todo o processo.
Aos meus colegas e acima de tudo amigos Helena Azevedo, Henrique Repinaldo,
Isabela Vaz, Ludmila Pochmann, Ricardo Molmann e Vinícius Pinho por toda paciência,
motivação e força nessa fase tão desafiadora.
Aos amigos Aleochi Carvalho e Vanessa Tigre por me acolherem e me aguentarem e
por fazer desse momento muito mais especial.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo
apoio financeiro através da concessão da bolsa de mestrado.
Ao Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (PROCAD) pelo apoio financeiro e
oportunidade de aprendizado.
Aos doutores do INPE Dirceu Herdies e Marcelo Seluchi pela recepção no Instituto e
contribuição nessa pesquisa.

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PENSAMENTO

Mar calmo nunca fez bom marinheiro

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RESUMO

Esse estudo objetivou analisar as modificações na estrutura vertical das frentes frias
que atingiram o estado de Alagoas entre 2000 e 2012. Para encontrar os melhores
campos para a análise de frentes em baixas latitudes e definir padrões verticais à
medida que o sistema se desloca para o equador, foram estudadas seções verticais das
variáveis vento, vorticidade, temperatura e temperatura potencial equivalente, em 4
pontos de observação fixos (Porto Alegre, São Paulo, Salvador e Maceió) e outros,
onde ocorreu regeneração e ciclogênese. Foram analisados 18 casos de sistemas
frontais que influenciaram diretamente Alagoas, classificados pela nebulosidade
apresentada no primeiro ponto de observação (Porto Alegre) em Tipo I: frente fria
clássica, com nebulosidade sobre o continente e oceano; Tipo II: frente fria com
extremidade provocando pouca ou quase nenhuma nebulosidade sobre o continente;
Tipo III: frente fria associada a outros tipos de nebulosidade sobre o continente: IIIA:
frente fria associada com nebulosidade convectivia sobre o continente e IIIB: frente
fria associada com nebulosidade de corrente de jato; Tipo IV: frente fria secundária e
Tipo V: frente fria com ciclogênese na região sudeste (não passando por Porto
Alegre). Os sistemas frontais atingiram Maceió o ano todo: o tipo I variou entre
outono e inverno; o tipo II apenas no outono; o tipo III, principalmente na primavera
austral, com casos no inverno e no verão; o tipo IV somente no inverno e o tipo V, nas
estações de transição. As regenerações e ciclogêneses influenciaram a chegada desses
sistemas em baixas latitudes. As frentes foram identificadas por método sinótico
clássico, imagens de satélite e campos horizontais de vento e temperatura potencial
equivalente utilizando dados de reanálise do Centro Europeu (ECMWF) e imagens de
satélite do canal infravermelho do CPTEC/INPE. Também foram analisados dados de
precipitação de Alagoas (SEMARH-AL). Em latitudes baixas, a única variável capaz
de registrar a superfície frontal até altos níveis foi a temperatura potencial equivalente.
Os casos sofreram modificações em suas estruturas chegando ao último ponto de
observação com apenas 3 tipos de nebulosidade: Tipo I; Tipo II e Tipo IIIA.

Palavras Chave: Meteorologia Sinótica; Sistemas Frontais; Nordeste do Brasil;
Seções Verticais; Temperatura Potencial Equivalente; Nebulosidade Frontal.

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ABSTRACT
This study aimed to analyze the changes in the vertical structure of cold fronts that hit
the state of Alagoas between 2000 and 2012. To find the best fields for the analysis of
fronts at low latitudes and set vertical patterns as the system shifts to the equator,
vertical sections of the variables wind, vorticity, temperature and equivalent potential
temperature were studied on 4 fixed observation points (Porto Alegre, Sao Paulo,
Salvador and Maceió) and others where there is regeneration and cyclogenesis. We
analyzed 18 cases of frontal systems that directly influenced the state of Alagoas,
ranked nebulosity presented in the first observation point (Porto Alegre) in Type I:
classical cold front, with cloud cover on the continent and ocean; Type II: Cold front
end with causing little or no cloud cover over the continent; Type III: Cold front
associated with other types of cloud cover over the continent: IIIA: cold front
associated with convective cloudiness over the continent and IIIB: cold front
associated with jet stream of cloudiness; Type IV: secondary cold front and Type V:
cold front with cyclogenesis in the southeast (not going through Porto Alegre). The
frontal systems reached Maceió all year: type I ranged between autumn and winter;
type II only in the fall; type III, mainly in the southern spring, with cases in winter and
summer; type IV only in winter and type V in transitional seasons. The regeneration
and cyclogeneses influenced the arrival of frontal systems at low latitudes. The fronts
were identified by classical synoptic method, satellite and horizontal wind fields and
equivalent potential temperature using reanalysis of the European Centre for image
data (ECMWF), infrared channel satellite images of the CPTEC/INPE and Alagoas
precipitation data SEMARH -AL. At lower latitudes, the only variable able to register
the front surface to high levels was the equivalent potential temperature. The cases
have been changed in their structures coming to the last observation point with just
three types of cloudiness: Type I; Type II and Type IIIA.
Keywords: Synoptic Meteorology; Front systems; Northeast Brazil; Vertical sections;
Temperature Potencial equivalent; Front cloudiness.

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LISTA DE FIGURAS
FIGURA 2.1 FIGURA 2.2 -

FIGURA 2.3 FIGURA 2.4 FIGURA 2.5 -

FIGURA 2.6 FIGURA 2.7 -

FIGURA 3.1 FIGURA 3.2 FIGURA 3.3 -

FIGURA 4.1 -

FIGURA 4.2 -

FIGURA 4.3 -

FIGURA 4.4 -

FIGURA 4.5 -

FIGURA 4.6 -

FIGURA 4.7-

FIGURA 4.8 -

FIGURA 4.9 –

Localização aproximada da Baixa do Chaco (CHL) e da Baixa no Noroeste da
Argentina (NAL). FONTE: SELUCHI et al. (2003) ..................................................... 19
Modelo conceitual da evolução de um ciclone mostrado na baixa troposfera, altura
geopotencial e frentes (acima) e temperatura potencial (abaixo). (a) modelo ciclônico
norueguês: (I) perturbação na onda, (II) e (III) estreitamento do setor quente, (IV)
oclusão; (b) modelo de Shapiro-Keyser: (I) perturbação de onda. (II) fratura frontal,
(III) frente em forma de T e frente curvada atrás, (IV) frente em de T e exclusão
quente. FONTE: SCHULTZ et al. (1998) ..................................................................... 21
Deslocamento sazonal da AB. FONTE: Kayano (1979) ............................................... 22
Esquema de formação para o VCAN do tipo Palmer clássico sobre o Oceano
Atlântico Tropical Sul. FONTE: KOUSKY e GAN (1981) .......................................... 24
Sistema Frontal em evolução no Hemisfério Sul, centro de baixa pressão (B), frentes
fria e quente, isóbaras (linhas inteiras), regiões de precipitação (área hachurada).
FONTE: Varejão-Silva, 2001......................................................................................... 25
Diagrama esquemático de uma baixa polar com uma baixa de ar frio FONTE:
Adaptada de REED (1979) para o HS............................................................................ 27
Descrição esqemática das três seqüencias básicas de desenvolvimento de vórtices
através de imagens de satélite: a) desenvolvimento de nuvem vírgula inteiramente
dentro do ar frio; b) desenvolvimento de uma oclusão instantânea; c)
desenvolvimento de uma onda frontal. Os algarismos romanos I, II e III indica
respectivamente uma região de forte concevcção, uma banda de nuvens em
decaimento e uma banda de nuvens convectiva mergindo com uma banda de nuvens
frontal. FONTE: adaptada de BROWNING (1986), citada por BONATTI (1988) ...... 29
Mapa da região de estudo com pontos de observações identificados. FONTE:
GrADS............................................................................................................................ 35
Mapa do estado de Alagoas dividido pelas regiões climáticas FONTE: SEMARHAL................................................................................................................................... 36
Seção Vertical para a cidade de Porto Alegre: a) vento; b) vorticidade relativa; c)
temperatura e d) temperatura potencial equivalente. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF......................................................................................................................... 43
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
19/05/2002 às 06Z: (a) Vento em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em
925hPa (em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF ............ 46
Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 19/05/2002 06Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa. Fonte:
Adaptada de CPTEC/INPE ............................................................................................ 47
Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia 19/05/2002 às 06Z de:
(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF ............................................. 48
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
30/04/2006 às 12z: (a) Vento em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em
925hPa (em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF ............ 50
Imagem de satélite do canal infravermelho no dia 30/04/2006 às 12Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa. Fonte:
Adaptada de CPTEC/INPE ............................................................................................ 51
Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia 30/04/2006 às 12Z de:
(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF ............................................. 52
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
09/10/2003 às 06Z: (a) Vento em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em
925hPa (em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF............. 54
Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 09/10/2003 06Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa (c) linhas
de correntes e 200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF...................... 55
Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia 09/10/2003 às 06Z de:

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FIGURA 4.10 -

FIGURA 4.11 -

FIGURA 4.12 -

FIGURA 4.13 -

FIGURA 4.14 -

FIGURA 4.15 -

FIGURA 4.16 -

FIGURA 4.17 -

FIGURA 4.18 -

FIGURA 4.19 -

FIGURA 4.20 -

FIGURA 4.21 -

FIGURA 4.22 -

FIGURA 4.23 -

FIGURA 4.24 -

(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial 56
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF..............................................
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
25/09/2012 às 00Z: (a) Vento em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em
925hPa (em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF............. 58
Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 25/09/2012 00Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa (c) campo
de linha de corrente em 200hPa. Fonte: Adaptada de CPTEC/INPE ............................ 59
Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia 25/09/2012 às 00Z de:
(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF............................................. 61
Imagens do satélite GOES-10 do canal infravermelho entre os dias 26/07/2007 e
27/07/2007: (a) 26/07/2007 às 12Z; (b) 26/07/2007 às 18Z; (c) 27/07/2007 às 00Z;
(d) 27/07/2007 às 06Z e (e) 27/07/2007 às 12Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE
e ECMWF....................................................................................................................... 63
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
27/07/2007 às 18Z: (a) Linhas de Corrente em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade
Relativa em 925hPa (em cores); (c) Advecção de Temperatura Potencial Equivalente
(em cores) e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d) Temperatura. FONTE: dados
de reanálise do ECMWF................................................................................................ 64
Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 27/07/2007 às 18Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa. FONTE:
Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF.......................................................................... 65
Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia 27/07/2007 às 18Z de:
(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF.............................................. 66
Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo de PNM no dia
30/10/2011 às 18Z: (a) Vento em 925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em
925hPa (em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF............. 67
Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 30/10/2011 18Z sopreposta
com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da camada 500/1000hPa (c) campo
de linha de corrente em 200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF...... 69
Seção Vertical sobre a longitude de São Paulo 46°W no dia 30/10/2011 às 18Z de:
(a) vento; (b) vorticidade relativa; (c) temperatura e (d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: de dados de reanálise do ECMWF.............................................. 70
Imagens de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas de correntes em
925hPa para os dias: a) 19/05/2002 06Z; b) 20/05/2002 06Z; c) 21/05/2002 08Z; d)
23/05/2002 12Z; e) 24/05/2002 00Z e f) 26/05/2002 00Z. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF............................................................................................... 73
Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias: a) 19/05/2002 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) - ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z (lon
46°W) - SP; d) 23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002 às 00Z
(lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 75
Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a) 19/05/2002 às 06Z (lon
51°W) - POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) - ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z
(lon 46°W) - SP; d) 23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002 às
00Z (lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados
de reanálise do ECMWF................................................................................................ 76
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 19/05/2002 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) - ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z (lon
46°W) - SP; d) 23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002 às 00Z
(lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 77
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 19/05/2002 às
06Z (lon 51°W) - POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) - ciclogênese; c)
21/05/2002 às 12Z (lon 46°W) - SP; d) 23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração;
e) 24/05/2002 às 00Z (lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) -

9

FIGURA 4.25 -

FIGURA 4.26 -

FIGURA 4.27 -

FIGURA 4.28 -

FIGURA 4.29 –

FIGURA 4.30 -

FIGURA 4.31 -

FIGURA 4.32 -

FIGURA 4.33 -

FIGURA 4.34 -

FIGURA 4.35 -

FIGURA 4.36 -

FIGURA 4.37 -

FIGURA 4.38 -

FIGURA 4.39 -

MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF............................................................ 79
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 19/04/2000 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 20/04/2000 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 23/04/2000 às 12Z (lon 38°W) SALV e d) 24/04/2000 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF......................................................................................................................... 80
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 19/04/2000 às
06Z (lon 51°W) - POA; b) 20/04/2000 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 23/04/2000 às 12Z
(lon 38°W) - SALV e d) 24/04/2000 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 81
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 06/08/2004 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 08/08/2002 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 08/08/2004 às 06Z (lon 39°W) ciclogênese; d) 10/08/2004 às 00Z (lon 38°W) - SALV e e) 11/08/2004 às 00Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 83
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 06/08/2004 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 08/08/2002 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 08/08/2004 às 06Z
(lon 39°W) - ciclogênese; d) 10/08/2004 às 00Z (lon 38°W) - SALV e e) 11/08/2004
às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................... 85
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 13/08/2010 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 14/08/2010 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 14/08/2010 às 06Z (lon 40°W) regeneração; d) 17/08/2010 às 00Z (lon 22°W) - regeneração; e) 17/08/2010 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e f) 17/08/2010 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 87
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 13/08/2010 às
06Z (lon 51°W) - POA; b) 14/08/2010 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 14/08/2010 às 06Z
(lon 40°W) - regeneração; d) 17/08/2010 às 00Z (lon 22°W) - regeneração; e)
17/08/2010 às 00Z (lon 38°W) - SALV e f) 17/08/2010 às 18Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF....................................................................... 88
Imagens de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas de correntes em
925hPa para os dias: a) 30/04/2006 às 12Z; b) 02/05/2006 às 18Z; c) 06/5/2006 às
00Z e d) 07/05/2006 às 18Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF............. 91
Seção Vertical de Vento para os dias: a) 30/04/2006 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d)
07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de Reanálises do ECMWF.... 92
Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a) 30/04/2006 às 12Z (lon
51°W) - POA; b) 02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z (lon
38°W) - SALV e d) 07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de
Reanálises do ECMWF.................................................................................................. 93
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 30/04/2006 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z (lon 38°W) SALV e d) 07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de Reanálises do
ECMWF......................................................................................................................... 94
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 30/04/2006 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de
Reanálises do ECMWF.................................................................................................. 96
Seção Vertical Temperatura para os dias: a) 04/04/2010 às 00Z (lon 51°W) - POA;
b) 04/04/2010 às 18Z (lon 45°W) - regeneração; c) 05/04/2010 às 18Z (lon 46°W) SP; d) 06/04/2010 às 18Z (lon 40°W) - regeneração; e) 08/04/2010 às 06Z (lon
38°W) - SALV e f) 10/04/2010 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:Dados de
Reanálises do ECMWF.................................................................................................. 98
Seção Vertical Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 04/04/2010 às
00Z (lon 51°W) - POA; b) 04/04/2010 às 18Z (lon 45°W) - regeneração; c)
05/04/2010 às 18Z (lon 46°W) - SP; d) 06/04/2010 às 18Z (lon 40°W) - regeneração;
e) 08/04/2010 às 06Z (lon 38°W) - SALV e f) 10/04/2010 às 00Z (lon 36°W) MCZ. FONTE:Dados de Reanálises do ECMWF.......................................................... 100
Imagem de Satélite do canal infravermelho sobreposto com mapa de linha de
corrente de 925hPa para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z; b) 10/10/2003 às 12Z; c)
15/10/2003 às 00Z e d) 15/10/2003 às 06Z e e) 17/10/2003 às 12Z. FONTE:
Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF.......................................................................... 104
Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) -

10

FIGURA 4.40 -

FIGURA 4.41 -

FIGURA 4.42 -

FIGURA 4.43 -

FIGURA 4.44 -

FIGURA 4.45 -

FIGURA 4.46 -

FIGURA 4.47 -

FIGURA 4.48 -

FIGURA 4.49 -

FIGURA 4.50 -

FIGURA 4.51 -

FIGURA 4.52 -

POA; b) 10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003 às 06Z (lon 39°W) regeneração; d) 15/10/2003 às 00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às 06Z (lon
31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 105
Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z (lon
51°W) - POA; b) 10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003 às 06Z (lon
39°W) - regeneração; d) 15/10/2003 às 00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às
06Z (lon 31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF...................................................................................... 106
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003 às 06Z (lon 39°W) regeneração; d) 15/10/2003 às 00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às 06Z (lon
31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 108
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 09/10/2003 às
06Z (lon 51°W) - POA; b) 10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003 às 06Z
(lon 39°W) - regeneração; d) 15/10/2003 às 00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003
às 06Z (lon 31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF...................................................................................... 109
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 01/11/2003 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 02/11/2003 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 03/11/2003 às 00Z (lon 30°W) regeneração; d) 03/11/2003 às 12Z (lon 36°W) - regeneração; e) 04/11/2003 às 12Z
(lon 38°S) - SALV e f) 05/11/2003 às 18Z (lon 36°S) – MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 112
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 01/11/2003 às
06Z (lon 51°W) - POA; b) 02/11/2003 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 03/11/2003 às 00Z
(lon 30°W) - regeneração; d) 03/11/2003 às 12Z (lon 36°W) - regeneração; e)
04/11/2003 às 12Z (lon 38°S) - SALV e f) 05/11/2003 às 18Z (lon 36°S) – MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF....................................................................... 114
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 15/07/2004 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 17/07/2004 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 17/07/2007 às 12Z (lon 25°W) regeneração; d) 20/07/2007 às 06Z (lon 12°W) – regeneração; e) 21/07/2004 às 12Z
(lon 38°W) - SALV e d) 22/07/2004 às 06Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 116
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 15/07/2004 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 17/07/2004 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 17/07/2007 às 12Z
(lon 25°W) - regeneração; d) 20/07/2007 às 06Z (lon 12°W) – regeneração; e)
21/07/2004 às 12Z (lon 38°W) - SALV e d) 22/07/2004 às 06Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF....................................................................... 117
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 15/10/2006 às 18Z (lon 51°W) POA; b) 17/10/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 20/10/2006 às 06Z (lon 21°W) regeneração; d) 21/10/2006 às 18Z (lon 38°W) - SALV e d) 23/10/2006 às 00Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 120
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 15/10/2006 às
18Z (lon 51°W) - POA; b) 17/10/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 20/10/2006 às 06Z
(lon 21°W) - regeneração; d) 21/10/2006 às 18Z (lon 38°W) - SALV e d) 23/10/2006
às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................... 121
Imagem de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas de correntes para o
dia 25/09/2012 às 00Z em: a) 925hPa e b) 200hPa. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF............................................................................................... 124
Imagem de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas de correntes para o
dia 26/09/2012 às 00Z em: a) 925hPa e b) 200hPa. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF............................................................................................... 124
Imagem de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas de correntes em
925hPa para os dias: a) 27/09/2012 às 12Z e b) 29/09/2012 às 18Z. FONTE:
Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF.......................................................................... 125
Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias: a) 25/09/2012 às 00Z (lon 51°W) POA; b) 26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012 às 12Z (lon 38°W) SALV; d) 28/09/2012 às 00Z (lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 126

11

FIGURA 4.53 -

FIGURA 4.54 -

FIGURA 4.55 -

FIGURA 4.56 -

FIGURA 4.57 -

FIGURA 4.58 -

FIGURA 4.59 -

FIGURA 4.60 -

FIGURA 4.61 -

FIGURA 4.62 -

FIGURA 4.63 -

FIGURA 4.64 -

FIGURA 4.65 -

FIGURA 4.66 -

FIGURA 4.67 -

FIGURA 4.68 -

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a) 25/09/2012 às 00Z (lon
51°W) - POA; b) 26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012 às 12Z (lon
38°W) - SALV; d) 28/09/2012 às 00Z (lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às
18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF................................ 127
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 25/09/2012 às 00Z (lon 51°W) POA; b) 26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012 às 12Z (lon 38°W) SALV; d) 28/09/2012 às 00Z (lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 129
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 25/09/2012 às
00Z (lon 51°W) - POA; b) 26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012 às 12Z
(lon 38°W) - SALV; d) 28/09/2012 às 00Z (lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012
às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................... 130
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 31/08/2000 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 01/09/2000 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 05/09/2000 às 00Z (lon 30°W) regeneração; d) 05/09/2000 às 06Z (lon 38°W) - SALV e e) 06/09/2000 às 06Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 132
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 31/08/2000 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 01/09/2000 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 05/09/2000 às 00Z
(lon 30°W) - regeneração; d) 05/09/2000 às 06Z (lon 38°W) - SALV e e) 06/09/2000
às 06Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................... 134
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 01/12/2005 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 02/12/2005 às 0Z (lon 46°W) - SP; c) 04/12/2005 às 00Z (lon 21°W) regeneração; d) 04/12/2005 às 18Z (lon 38°W) - SALV e e) 05/12/2005 às 00Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 136
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 01/12/2005 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 02/12/2005 às 0Z (lon 46°W) - SP; c) 04/12/2005 às 00Z
(lon 21°W) - regeneração; d) 04/12/2005 às 18Z (lon 38°W) - SALV e e) 05/12/2005
às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................... 137
Imagem de satélite sobreposta com linhas de correntes em 925hPa para os dias: a)
27/07/2007 às 18Z; b) 29/07/2007 às 00Z; c) 30/07/2007 às 00Z e d) 31/07/2007 às
12Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF................................................... 140
Seção Vertical de Linhas de Correntes para os dias: a) 27/07/2007 às 18Z (lon
51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon
38°W) - SALV e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 141
Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a) 27/07/2007 às 18Z (lon
51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon
38°W) - SALV e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 142
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 27/07/2007 às 18Z (lon 51°W) POA; b) 29/07/2007 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon 38°W) SALV e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF......................................................................................................................... 143
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 27/07/2007 às
18Z (lon 51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 144
Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 31/05/2000 às 12Z (lon 51°W) POA; b) 01/06/2000 às 00Z (lon 30°W) - regeneração; c) 01/06/2000 às 06Z (lon
46°W) - SP; d) 04/06/2000 às 18Z (lon 38°W) - SALV e e) 05/06/2000 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.............................................. 146
Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 31/05/2000 às
12Z (lon 51°W) - POA; b) 01/06/2000 às 00Z (lon 30°W) - regeneração; c)
01/06/2000 às 06Z (lon 46°W) - SP; d) 04/06/2000 às 18Z (lon 38°W) - SALV e e)
05/06/2000 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........ 148
Imagens de satélites do campo infravermelho sobrepostos com linhas de correntes
para o dia 30/10/2011 às 18Z em: a)925hPa e b)200hPa. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF............................................................................................... 150
Imagens de satélites do campo infravermelho sobrepostos com linhas de correntes
em 925hPa para os dias: a) 01/11/2011 às 12Z; b) 02/11/2011 às 00Z e c) 04/11/2011

12

FIGURA 4.69 -

FIGURA 4.70 -

FIGURA 4.71 -

FIGURA 4.72 -

FIGURA 4.73 -

FIGURA 4.74 -

FIGURA 4.75 -

FIGURA 4.76 -

às 18Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF.............................................. 151
Seções Verticais de Linhas de Correntes para os dias: a) 30/10/2011 às 18Z (lon
46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 152
Seções Verticais de Vorticidade Relativa para os dias: a) 30/10/2011 às 18Z (lon
46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 153
Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 30/10/2011 às 18Z (lon 46°W) SP; b) 01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z (lon
38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 154
Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 30/10/2011
às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; c)
02/11/2011 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF....................................................................... 155
Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 30/04/2005 às 12Z (lon 46°W) SP; b) 02/05/2005 às 06Z (lon 38°W) - SALV; c) 03/05/2005 às 00Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF............................................................ 156
Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 30/04/2005
às 12Z (lon 46°W) - SP; b) 02/05/2005 às 06Z (lon 38°W) - SALV; c) 03/05/2005 às
00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF................................ 157
Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 10/05/2006 às 18Z (lon 46°W) SP; b) 13/05/2006 às 06Z (lon 25°W) - regeneração; c) 13/05/2006 às 18Z (lon
38°W) - SALV e d) 15/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 159
Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para os dias: a) 10/05/2006
às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 13/05/2006 às 06Z (lon 25°W) - regeneração; c)
13/05/2006 às 18Z (lon 38°W) - SALV e d) 15/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF....................................................................... 160

13

LISTA DE TABELAS
TABELA 4.1 –
TABELA 4.2 –
TABELA 4.3 –
TABELA 4.4 –
TABELA 4.5 –
TABELA 4.6 –
TABELA 4.7 –
TABELA 4.8 –
TABELA 4.9 –
TABELA 4.10 –
TABELA 4.11 –
TABELA 4.12 –
TABELA 4.13 –
TABELA 4.14 –
TABELA 4.15 –
TABELA 4.16 –
TABELA 4.17 –
TABELA 4.18 –
TABELA 4.19 –
TABELA 4.20 –
TABELA 4.21 –
TABELA 4.22 –
TABELA 4.23 –
TABELA 4.24 –
TABELA 4.25 –
TABELA 4.26 –
TABELA 4.27 –
TABELA 4.28 –
TABELA 4.29 –

Tipos de frentes frias e suas respectivas datas ............................................................... 45
Modificação do tipo de nebulosidade em cada ponto de observação. Fonte: Autora ... 71
Precipitação registrada as zonas climáticas do estado de Alagoas, para os dias 25, 26
e 27 de maio de 2002. Fonte: SEMARH-AL ................................................................ 72
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas, para os dias 23,
24 e 25 de abril de 2000. FONTE: SEMARH-AL ........................................................ 79
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas, para os dias 10,
11 e 12 de agosto de 2004. FONTE: SEMARH-AL ..................................................... 82
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas, para os dias 16,
17 e 18 de agosto de 2010. FONTE: SEMARH-AL ..................................................... 85
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo IV. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.......................................................... 89
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 06, 07
e 08 de maio de 2006. FONTE: SEMARH-AL ............................................................ 90
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 09, 10
e 11 de abril de 2010. FONTE: SEMARH-AL ............................................................. 97
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo II. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................................................... 101
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 16,17
e 18 de outubro de 2003. FONTE: SEMARH-AL......................................................... 103
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 05,06
e 08 de novembro de 2003. FONTE: SEMARH-AL..................................................... 111
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 21, 22
e 23 de julhode 2004. FONTE: SEMARH-AL.............................................................. 115
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 22, 23
e 24 de outubro de 2006. FONTE: SEMARH-AL......................................................... 118
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo III A. FONTE: dados de reanálise do ECMWF...................................................... 122
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 28, 29
e 30 de setembro de 2012. FONTE: SEMARH-AL....................................................... 124
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 05,06
e 07 de agosto de 2000. FONTE: SEMARH-AL........................................................... 131
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 04, 05
e 06 de dezembro de 2005. FONTE: SEMARH-AL...................................................... 134
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo III B. FONTE: dados de reanálise do ECMWF...................................................... 138
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 30, 31
de julho e 01 de agosto de 2007. FONTE: SEMARH-AL............................................. 139
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 30, 31
de julho e 01 de agosto de 2007. FONTE: SEMARH-AL............................................. 145
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo IV. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.......................................................... 149
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 03, 04
e 05 de novembro de 2011. FONTE: SEMARH-AL..................................................... 150
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 02, 03
e 04 de maio de 2005. FONTE: SEMARH-AL............................................................. 155
Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de Alagoas para os dias 14,15
e 16 de maio de 2006. FONTE: SEMARH-AL............................................................. 158
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos pontos de observação do
tipo V. FONTE: dados de reanálise do ECMWF........................................................... 161
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis em Salvador. FONTE: dados
de reanálise do ECMWF................................................................................................ 162
Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis em Maceió. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF..................................................................................................... 163
Divisão sazonal dos casos de frentes frias em Alagoas.................................................. 164

14

LISTA DE ABREVIATURAS
AB

Alta da Bolívia

AL

Alagoas

AS

América do Sul

ASAS

Alta Subtropical do Atlântico Sul

CCM

Complexo Covectivo de Mesoescala

CHL

Chaco Low (Baixa do Chaco)

CJ

Corrente de Jato

CJNEB

Corrente de Jato do Nordeste

CJP

Corrente de Jato Polar

CJS

Corrente de Jato Subtropical

CPTEC

Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos

ECMWF

European Centre for Medium-Range Weather Forecasts

EF

Extremidade Frontal

FF

Frente Fria

FP

Frente Primária

FS

Frente Secundária

GOES

Satélite Meteorológico Geostacionário

GrADS

Grid Analysis and Display

HN

Hemisfério Norte

HS

Hemisfério Sul

INMET

Instituto Nacional de Meteorologia

INPE

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

MCZ

Maceió

MS

Mato Grosso do Sul

NAL

Northwestern Argentinean Low (Baixa do Noroeste da Argentina)

NEB

Nordeste do Brasil

OL

Ondas de Leste

PNM

Pressão ao Nível do Mar

POA

Porto Alegre

RS

Rio Grande do Sul

SALV

Salvador

SP

São Paulo

VCAF

Vórtice Ciclônico no Ar Frio

VCAN

Vórtice Ciclônico de Altos Níveis

VCBN

Vórtices Ciclônicos de Baixos Níveis

VCMN

Vórtice Ciclônico de Altos Níveis

Z

Zulu

ZCIT

Zona de Convergência Intertropical

15

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS
DEPARTAMENTO DE METEOROLOGIA
PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

Sumário
1.

INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 17

2.

REVSÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................. 19

2.1.

Ciclone Térmico ou Barotrópico ...................................................................... 19

2.2.

Ciclone Baroclínico ............................................................................................ 20

2.3.

Alta da Bolívia.................................................................................................... 21

2.4.

Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis .................................................................. 22

2.5.

Frentes ................................................................................................................ 24

2.6.

Método de Identificação de Frentes ................................................................. 25

2.7.

Vórtices de Ar Frio, Frentes secundárias e Oclusão Instantânea ................. 27

2.8.

Ligações das Frentes com Ciclones Térmicos ................................................. 29

2.9.

Influências Frontais no Nordeste Brasileiro ................................................... 30

3.

MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................. 35

3.1.

Região de Estudo ............................................................................................... 35

3.1.1.

Estado de Alagoas .......................................................................................... 36

3.2.

Dados .................................................................................................................. 36

3.2.1.

Imagens de Satélite ........................................................................................ 37

3.2.2.

Dados de Reanálise ........................................................................................ 37

3.3.

Software Utilizado ............................................................................................. 38

3.4.

Metodologia ........................................................................................................ 38

3.4.1.

Método Utilizado para a Identificação das Zonas Frontais ....................... 38

3.4.2.

Escolha e Agrupamento dos Casos ............................................................... 39

3.4.3.

Variáveis Utilizadas ....................................................................................... 40

3.4.4.

Seção Vertical ................................................................................................. 41

4.

RESULTADOS ...................................................................................................... 44

4.1.

Tipos de Frentes ................................................................................................. 44

4.1.1.

Tipo I: frente fria clássica, com nebulosidade sobre o continente............. 45

4.1.2. Tipo II: frente fria com extremidade provocando pouca ou quase nenhuma
nebulosidade sobre o continente.................................................................................. 49
4.1.3.

Tipo III: frente fria associada com nebulosidade sobre o continente ....... 52

16

4.1.3.1.
Tipo IIIA: frente fria associada com nebulosidade convectiva sobre o
continente ...................................................................................................................... 52
4.1.3.2.

Tipo IIIB: frente fria associada com nebulosidade de corrente de jato 57

4.1.4.

Tipo IV: frente secundária ............................................................................ 61

4.1.5. Tipo V: frente fria com ciclogênese na região sudeste (não passando por Porto
Alegre) 66
4.2. Modificações dos tipos de nebulosidade durante a passagem da frente fria para o
NEB 70
4.2.1.

Modificações das frentes do tipo I ................................................................ 71

4.2.1.1.

Modificações do caso padrão do tipo I ..................................................... 71

4.2.1.2.

Modificações dos outros casos do tipo I ................................................... 79

4.2.2.

Modificações das frentes do tipo II .............................................................. 89

4.2.2.1.

Modificações do caso padrão do tipo II.................................................... 89

4.2.2.2.

Modificações dos outros casos do tipo II .................................................. 96

4.2.3.

Modificações das frentes do tipo III ........................................................... 102

4.2.3.1.

Modificações das frentes do tipo IIIA .................................................... 102

4.2.3.1.1.

Modificações do caso padrão do tipo IIIA ......................................... 102

4.2.3.1.2.

Modificações dos outros casos do tipo IIIA ........................................ 110

4.2.3.2.

Modificações das frentes do tipo IIIB..................................................... 123

4.2.3.2.1.

Modificações do caso padrão do tipo IIIB .......................................... 123

4.2.3.2.2.

Modificações dos outros casos do tipo IIIB ........................................ 130

4.2.4.

Modificações das frentes do tipo IV ........................................................... 139

4.2.4.1.

Modificações do caso padrão do tipo IV ................................................ 139

4.2.4.2.

Modificações dos outros casos do tipo IV .............................................. 144

4.2.5.

Modificações das frentes do tipo V ............................................................. 149

4.2.5.1.

Modificações do caso padrão do tipo V .................................................. 149

4.2.5.2.

Modificações dos outros casos do tipo V ................................................ 155

4.3.

Divisão Sazonal ................................................................................................ 163

5.

CONCLUSÕES E SUGESTÕES ....................................................................... 165

6.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 168

17

1. INTRODUÇÃO

A precipitação no nordeste brasileiro (NEB) é influenciada por diversos sistemas
meteorológicos. Um estudo feito por Pontes da Silva et al (2011) mostra que a Corrente de
Jato do Nordeste (CJNEB) é o sistema que mais provoca dias com chuvas na região,
seguido por: Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM); Zona de Convergência
Intertropical (ZCIT); anticiclones em médios e/ou altos níveis; Extremidades Frontais
(EF); Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN); Vórtices Ciclônicos de Médios Níveis
(VCMN) e Ondas de Leste (OL).
Os sistemas frontais são um dos principais sistemas que ocorrem sobre a América do
Sul. Ativos durante o ano todo, podem penetrar até latitudes tropicais, com intensidade
considerável (LEMOS e DE CALBETE, 1996). São sistemas de fundamental importância
nos regimes de precipitação e temperatura em quase todo o continente (LEMOS e
CALBETE,1996; QUADRO et al.,1996). Sobre o NEB, as frentes não apresentam grande
contraste de temperatura, entretanto, ficam ativas devido ao grande contraste de umidade
(Veber, 2011).
Ao adentrarem no continente sul americano, as frentes frias geralmente apresentam
dois tipos de deslocamento: para leste, trajetória que só modifica o tempo no sul do
continente; ou com uma componente para norte (nordeste) modificando o tempo em todo
o continente sul americano, podendo chegar até latitudes tropicais com intensidade
considerável (LEMOS E DE CALBETE, 1996).
Alguns autores como Kalnay (1996), Justi e Silva Dias (2002) e Cavalcanti e Kousky
(2003), citados por Andrade (2005), Da Cruz (2008) e Veber (2011), mostram que a
frequência de frentes frias cai à medida que a latitude diminui, e suas passagens estão
ligadas à mudanças de tempo nas regiões afetadas. Em altas latitudes, as mudanças de
tempo são associadas com precipitações, queda de temperatura e mudanças na direção e
intensidade dos ventos. Em latitudes mais baixas, os efeitos das frentes são relacionados
ao aumento da precipitação (Veber, 2011).
A identificação das frentes não é um processo simples, gerando discussões em relação
ao seu posicionamento. Os principais métodos se baseiam nas imagens de satélite e nos
campos de diferentes variáveis meteorológicas, principalmente nos campos báricos,
térmicos e nos indicadores de umidade.

18

O objetivo desse trabalho é identificar as frentes frias que atingiram o estado de
Alagoas de janeiro de 2000 à dezembro de 2012 e estudar a mudança da estrutura vertical
durante a passagem ao longo da costa brasileira desde o sul do país. As cidades de Porto
Alegre, São Paulo, Salvador e Maceió consistem os quatro pontos de observação,
juntamente com os mecanismos que influenciaram a chegada da frente até latitudes mais
baixas, como: regeneração e ciclogênese.

19

2. REVSÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1.

Ciclone Térmico ou Barotrópico

Uma baixa ao nível do mar, com núcleo quente irá enfraquecer com a altura,
podendo passar a ser uma alta pressão nos níveis superiores. Esse tipo de ciclone é
observado somente nos baixos níveis, quando o aquecimento próximo da superfície é
maior que em outras regiões, podendo ser chamado de ciclone quente, ciclone térmico,
ciclone local ou ciclone de baixos níveis (FEDOROVA, 2001).
Segundo Seluchi et al. (2003), Hoffmann (1975) analisou detalhadamente
mapas de pressão na superfície, mostrando a existência de dois centros de baixa
pressão separados. O primeiro localizado na região do Chaco (chamado de Baixa do
Chaco – [CHL]) e o segundo no noroeste argentino (chamado de Baixa do Noroeste
Argentino – [NAL]), como mostra a figura 2.1.

FIGURA 2.1 -

Localização aproximada da Baixa do Chaco (CHL) e da Baixa no
Noroeste da Argentina (NAL). FONTE: SELUCHI et al. (2003).

Para Seluchi, apesar de ambos os centros parecerem ser de apenas um único
sistema ciclônico, algumas diferenças podem ser vistas:

20

•

A CHL é situada em uma região de fortes chuvas anuais (1500 mm/ano), já a
região da NAL apresenta valores abaixo de 300 mm/ano

•

A CHL é associada com um anticiclone em altos níveis (AB) que desaparece
gradualmente em direção a região da NAL, ao sul do trópico de Capricórnio

•

A CHL possui um comportamento quase-permanente, enquanto a NAL,
situada mais ao sul, é preferencialmente intermitente

•

Durante o inverno, a CHL é praticamente ausente, enquanto a NAL, enquanto
intermitente, ainda é vista na baixa troposfera

2.2.

Ciclone Baroclínico

O primeiro modelo conceitual ciclônico mais realístico, foi descrito por
Bjerknes (1919) e aperfeiçoado por Bjerknes e Solberg (1922). Tal modelo introduz o
conceito da Teoria da Frente Polar, indicando que ciclones extratropicais são
formados numa onda de pequena amplitude, resultado da instabilidade na frente polar,
intensificando-se até atingir o estágio maduro, chegando ao estágio de oclusão, onde
torna-se um vórtice embebido dentro do ar frio. Fedorova (2001) resumiu o modelo
em um sistema ciclônico com uma massa de ar frio, que forma uma rampa e eleva uma
massa de ar quente. Já a distribuição das nuvens e da precipitação podem ser
explicadas como resultado do resfriamento adiabático do ar quente ascendente sobre
as frentes quente e fria.
Shultz et al. (1998), baseado em estudos anteriores (BROWNING, 1990;
SHAPIRO e KEYSER, 1990; EVANS et al., 1994; SMIGIELSKI e MOGIL, 1995;
BOSART, 1998), dividiu os ciclones frontais em dois grupos: O primeiro foi
caracterizado por ciclones alongados meridionalmente e frentes frias dominantes
(modelo norueguês). O segundo apresentou ciclones alongados zonalmente com
frentes quentes dominantes (modelo de Shapiro-Keyser), como mostrado na figura
2.2.

21

FIGURA 2.2 -

Modelo conceitual da evolução de um ciclone mostrado na baixa
troposfera, altura geopotencial e frentes (acima) e temperatura potencial
(abaixo). (a) modelo ciclônico norueguês: (I) perturbação na onda, (II) e
(III) estreitamento do setor quente, (IV) oclusão; (b) modelo de ShapiroKeyser: (I) perturbação de onda. (II) fratura frontal, (III) frente em forma
de T e frente curvada atrás, (IV) frente em de T e exclusão quente.
FONTE: SCHULTZ et al. (1998).

Suticliffe (1947) propos o modelo de desenvolvimento de ciclones e
anticiclone, estabelecendo que os principais mecanismos são: a advecção de
vorticidade negativa no nível de não-divergência (HS) e o aquecimento entre a
superfície e o nível de não-divergência.

2.3.

Alta da Bolívia

A AB é um anticiclone de grande escala que ocorre nos altos níveis da
troposfera, centrado em média, no platô boliviano, é associada com um ciclone
barotropico em superfície. Ocorre na primavera, verão e outono (SIGNORINI, 2001 e
SELUCHI et al. 2003), e tem sua origem devido à aquecimento de superfície e
manutenção da AB esta ligado com liberação de calor latente (FIGUEROA et al.,
1995).
De acordo com Gan (1993), a AB é formada por um prévio aquecimento do
continente e, consequentemente da troposfera, provocando uma queda na pressão
local. Assim, pela instabilidade atmosférica, surge movimentos convectivos que
favorecem a formação de nuvens, essas liberam calor latente, que aquecem e
expandem o ar, formando a AB em altos níveis.

22

Ferreira (1995) concluiu que a AB estava ligada a processos térmicos e
dinâmicos, tais como: forte aquecimento da superfície (calor sensível); convergência
de umidade vinda da Amazônia (em baixos níveis); movimentos verticais ascendentes;
formação de nuvens convectivas; precipitação e a conseqüente liberação do calor
latente que intensifica da circulação da AB.
Para Kousky e Kayano (1994) , a baixa quente, associada à AB, se posiciona
sobre a Bolívia no verão, sobre o oeste da Amazônia em outubro e se desloca para
região central da Amazônia em abril, como mostra a figura 2.3.
Carvalho (1989) verificou a existência de uma conexão direta entre a intensidade da
AB e o cavado em seu flanco nordeste. Quando intensificado o cavado, forma-se um
vórtice ciclônico de altos níveis. A intensidade da convecção no VCAN está
diretamente relacionada a AB.

FIGURA 2.3 -

2.4.

Deslocamento sazonal da AB. FONTE: Kayano (1979)

Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis

Vórtices ciclônicos de altos níveis são sistemas de escala sinótica, apresentam
circulação fechada que se formam na alta troposfera, sendo observados de 200hPa até
500hPa (KOUSKY e GAN, 1981). Como proposto por Ferreira, Ramíres e Gan
(2009), possuem centro mais frio que a sua periferia; convergência de massa;

23

movimentos verticais subsidentes no seu centro, o que aumenta a pressão em
superfície e inibe a formação de nuvens, e ascendentes na periferia; apresenta
nebulosidade mais intensa principalmente na direção de seu deslocamento, produzindo
chuvas e fenômenos adversos.
Sua origem e desenvolvimento diferem de um lugar para outro, assim Frank
(1970) destacou dois tipos de vórtices, conforme sua formação: do tipo Palmén e do
tipo Palmer.
•

VCAN de Palmén: forma-se quando “bolsões” de ar frio, associados com
extensos cavados no ar superior, se desprendem e são confinados do lado da
corrente média dos ventos de oeste (PALMÉN, 1949). Tem sua origem nas
latitudes subtropicais, surgindo mais comumente no outono, inverno e
primavera, raramente ocorrendo no verão.

•

VCAN de Palmer: forma-se em latitudes tropicais, principalmente durante os
meses de verão e raramente durante o inverno (PALMER, 1951). Não é
originado pelo mesmo processo do vórtice do tipo Palmén, pois aparece
principalmente em latitudes tropicais e não envolvem ar polar em nenhum de
seus estágios. (PALMÉN e NEWTON, 1969).

Kousky e Gan (1981), Gan (1982), Ramírez (1996) e Ramírez, Kayano e
Ferreira (1999) estudaram VCAN’s sobre o Atlântico Sul e regiões adjacentes ao
NEB, mostrando que a maior frequência de formação de VCAN’s ocorre durante o
verão entre os meses de dezembro e fevereiro e tem um tempo de vida de 4 a 11 dias.
Kousky e Gan (1981) sugeriram que a penetração dos sistemas frontais induz a
formação de VCAN’s, especialmente em baixas e médias latitudes. Ocorrendo assim a
amplificação da crista da AB e, consequentemente, a amplificação do cavado corrente
abaixo, por fim, formando um vórtice sobre o Atlântico. Com o avanço do sistema
frontai sobre regiões subtropicais, ocorre a advecção de ar quente na vanguarda, em
baixos níveis, o que amplifica a crista em altos níveis e o cavado pré existente. Esse
processo pode ser verificado na figura 2.4

24

FIGURA 2.4 -

2.5.

Esquema de formação para o VCAN do tipo Palmer clássico sobre o
Oceano Atlântico Tropical Sul. FONTE: KOUSKY e GAN (1981).

Frentes

A definição de frente mais abrangente foi feita por HOLTON (1979): “Zonas
frontais podem ser definidas por regiões com alta assimetria na forma, com fortes
ventos e fortes gradientes de temperatura”. São sistemas altamente baroclínicos e
apresentam perturbações na velocidade dos ventos com a altura (SAUCIER,1955;
PETTERSEN, 1956; PALMEN e NEWTON, 1969; MEDINA, 1976 e DEFANT e
MORTH, 1978).
Os sistemas frontais são constituídos de uma frente fria, uma frente quente e
um centro de baixa pressão em superfície denominado ciclone ou vórtice frontal, como
mostra a figura 2.5.
Segundo Fedorova (1999) quando o ar frio avançar e substituir o ar quente, a
zona frontal é chamada de frente fria. Caso o ar quente se desloque e substituir o ar
frio, é definida uma frente quente. Se nenhuma das massas de ar avançar sobre a outra,
a frente é chamada estacionária. O processo de oclusão, ou frente oclusa, ocorre
quando frentes quentes e frias se alternam sucessivamente, formando chuvas leves e
contínuas, sobre um mesmo local. Nesse caso, atuam três massas de ar, o ar mais
quente entre duas massas de ar mais frio, frente oclusa podendo ser quente ou fria
(FEDOROVA, 1999).
Bowditch (1977) usou a expressão onda frontal para duas massas de ar
distintas, com movimentos independentes e cada uma delas irá alterar a outra, de
modo que a interação das massas causa a formação característica de uma onda. Dessa
forma, Oliveira et al. (2001) definiu onda frontal como uma deformação horizontal do

25

tipo ondular nos baixos níveis, comumente associada a um máximo de circulação
ciclônica no escoamento próximo, que pode evoluir para um ciclone ou uma frente.

FIGURA 2.5 -

2.6.

Sistema Frontal em evolução no Hemisfério Sul, centro de baixa pressão
(B), frentes fria e quente, isóbaras (linhas inteiras), regiões de precipitação
(área hachurada). FONTE: Varejão-Silva, 2001

Método de Identificação de Frentes

Segundo NEWTON et al. (1972), uma frente é uma faixa estreita da camada
atmosférica com pelo menos três quilômetros de altura. Horizontalmente, há uma
mudança brusca na temperatura de pelo menos 3 graus nas regiões sub-tropicais, e de
4 a 5 graus nas latitudes médias e regiões polares. Ampliando a definição, NEWTON
et al. (1972) definiram a frente como “uma estreita zona hiperbaroclínica separando
massas relativamente barotrópicas”.
De acordo com Fedorova e Carvalho (2000), os principais métodos para a
determinação das frentes utilizam informações obtidas pelos dados de satélite e de
diferentes campos, como pressão, linhas de corrente, temperatura, espessura,
laplaciano da pressão, umidade e outros.
Na literatura são encontrados diferentes critérios, utilizados por diferentes
autores para determinação das frentes, como por exemplo:

26

•

Petterssen (1956) determinou que, no campo de pressão, as frentes encontramse em um cavado associado ao ciclone baroclínico extratropical e apresentam
fortes gradientes de temperatura e/ou espessura;

•

Parmenter (1976) baseou-se somente em imagens de satélite para a
determinação das frentes;

•

Kousky (1979), através da mudança na direção do vento para sul e uma
variação na média diária da temperatura do bulbo úmido de 2 graus,
determinou a passagem frontal;

•

Oliveira (1986) identificou as frentes através de imagens de satélites, pela
formação de uma banda de nebulosidade que se estendia desde a costa do
continente até a região amazônica, para avaliar a interação do sistema frontal
com a convecção tropical;

•

Smith et al. (1995) definiram um eixo de máxima vorticidade relativa para a
identificação das frentes;

•

Fedorova e Carvalho (2000) identificaram a zona frontal em diversos campos.
A linha de frente coincide com o eixo do cavado bárico no campo de pressão,
com forte gradiente de temperatura, convergência próxima à zona frontal no
campo de vento e alta umidade nas proximidades da frente fria;

•

Koch e Mitchem (2003) utilizaram imagens de satélites, análise isentrópica,
perfis verticais e imagens de radar para estudar uma frente quebrada ou “split”;

•

Andrade e Cavalcanti (2004) avaliaram a passagem frontal, considerando a
queda de temperatura em 925 hPa, mudança na componente meridional do
vento em 925 hPa e aumento da pressão ao nível médio do mar (PNM), no
intervalo de dois dias;

•

Souza e Nechet (2004) usaram o critério de mudança na direção do vento e
queda na temperatura para estudar a influência de um sistema frontal na
Amazônia Oriental.

•

Da Cruz et al. (2008) identificaram uma frente através de imagens de satélites
e dos campos horizontais de temperatura potencial equivalente e advecção de
temperatura potencial equivalente, indicando que o posicionamento da frente é
encontrado entre as áreas de advecção negativa e positiva, apresentando forte
gradiente de temperatura potencial equivalente;

27

•

Calvalcanti e Kousky (2009) indicaram como métodos objetivos para
determinação da passagem de uma frente fria a variação de Pressão ao Nível
do Mar (PNM), variação de temperatura em 925 hPa e a força e sentido do
vento em 925 hPa. Sendo os critérios aplicados: 1) uma diminuição de
temperatura em 925 hPa de, pelo menos 2°C; 2) um aumento da PNM de pelo
menos 2 hPa; e 3) existência de ventos de sul de, pelo menos, 2 ms-1.

As frentes possuem características distintas de acordo com a época do ano e
com o local onde se formam. Ainda não é possível determinar corretamente a posição
frontal através de um único método. Por isso, são utilizados critérios diferentes para a
identificação,

tornando

indispensável

a

interpretação

dos

dados

por

um

meteorologista.

2.7.

Vórtices de Ar Frio, Frentes secundárias e Oclusão Instantânea

Vórtices no ar frio são sistemas essencialmente baroclínicos que se
desenvolvem na corrente de ar polar, podendo se formar em uma massa de ar
barotrópica. São caracterizados por uma linha de máxima curvatura ciclônica nas nas
isóbaras em superfície, não possuindo características térmicas de uma frente (REED,
1979). Esses pequenos vórtices se localizam na periferia de um vórtice maior, dentro
do ar frio, como mostra a figura 2.6.

FIGURA 2.6 -

Diagrama esquemático de uma baixa polar com uma baixa de ar frio
FONTE: Adaptada de REED (1979) para o HS.

Como informa a literatura (Reed, 1979; Businger e Hobbs, 1987; Dereczynski,
1995; Bonatti, 2004), a maioria desses vórtices de ar frio se desenvolvem sobre os
oceanos durante o inverno. Possuem uma escala horizontal na ordem de 500 a 2000

28

km, com uma velocidade de deslocamento para leste de 8m/s, podendo durar de 0,5
até 2 dias. (BONATTI, 2004).
Na América do Sul, sua formação ocorre principalmente nas estações de
transição, nas regiões do Paraguai, norte da Argentina, Uruguai e sul do Brasil
(BONATTI E RAO, 1987)
A formação de um vórtice de ar frio é precedida por uma região com aumento
de convecção (forte curvatura ciclônica), corrente de jato bem desenvolvida nas
troposferas média e superior (condição necessária para a instabilidade barotrópica é
normalmente

satisfeita),

com

aquecimento

em

baixos

níveis

e

camadas

condicionalmente instáveis até 500 hPa. Esses vórtices de ar frio adquirem a
configuração de uma nuvem em forma de vírgula (invertida no HS) ao atingirem o
estado maduro (BONATTI, 1987).
Outros mecanismos, citados por diversos autores (HARLEY, 1960;
HARROLD e BROWNING, 1969; MULLEN, 1979; RASMUSSEN, 1979; REED,
1979; LOCATELLI et al., 1982; BONATTI, 1988; BONATTI e RAO, 1987),
combinados ou sozinhos, explicam a formação e/ou desenvolvimento dessas nuvens:
•

Instabilidade baroclínica úmida

•

Instabilidade baroclínica modificada pela liberação de calor latente

•

Instabilidade condicional do segundo tipo (CISK)

•

Esteira transportadora quente (paralela a frente fria)

Segundo Bonatti (1987), ciclogêneses à jusante dos Andes também são
possíveis mecanismos de geração desses sistemas.
Fedorova (1999) afirma que, uma frente secundária pode formar-se na
retaguarda de uma frente fria que se desloca rapidamente e possuem estruturas
semelhantes. Possuem comprimentos horizontais de algumas centenas de km, são
vistas nos baixos níveis da atmosfera e duram de 1 a 2 dias. São observadas pancadas
de chuvas em algumas estações.
Essas frentes formam-se na retaguarda do ciclone, no cavado bárico depois da
oclusão do ciclone. Nas frentes secundárias não são observadas zonas frontais em altos
níveis da atmosfera e nem corrente de jato, como ocorre com as frentes principais
(FEDOROVA, 1999). De acordo com Saldanha et al (2010), as frentes secundárias são
claramentes observadas na imagem de satélite e nos campos de temperatura,

29

convergência de umidade em baixos níveis e de advecção de vorticidade no nível de
500hPa. Elas ainda concluem que, através das análises das seções verticais, na região
da frente secundária, a umidade em baixos níveis estava bastante elevada, isolinhas de
temperatura apresentavam-se inclinadas e a vorticidade apresentou valores negativos
em torno de −9𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 entre os níveis de 300 e 250hPa.

De acordo com Zillman e Price (1972) e Bonatti (1988), os vórtices de ar frio e

as frentes secundárias as vezes evoluem para uma oclusão instantânea, onde nuvens do
tipo vírgula, associadas com um cavado de altos níveis (polar), interagem com uma
banda da frente polar, produzindo um sistema de nuvens na forma de “lambda”. A
figura 2.7 mostra três sequencias básicas para o desenvolvimento de vórtices através
de imagens de satélite.

FIGURA 2.7 -

2.8.

Descrição esqemática das três seqüencias básicas de desenvolvimento de
vórtices através de imagens de satélite: a) desenvolvimento de nuvem
vírgula inteiramente dentro do ar frio; b) desenvolvimento de uma oclusão
instantânea; c) desenvolvimento de uma onda frontal. Os algarismos
romanos I, II e III indica respectivamente uma região de forte concevcção,
uma banda de nuvens em decaimento e uma banda de nuvens convectiva
mergindo com uma banda de nuvens frontal. FONTE: adaptada de
BROWNING (1986), citada por BONATTI (1988).

Ligações das Frentes com Ciclones Térmicos

Garbel (1947) definiu ciclone térmico, ou baixa quente, como sendo um
aquecimento desigual sobre uma região, que provoca uma deformação das superfícies

30

isobáricas originalmente horizontais. Próximo ao centro quente, em baixos níveis, a
pressão atmosférica é menor que arredores, e maior em altos níveis, provocando a
ocorrência de intensa atividade convectiva com precipitação (SIGNORINI, 2001).
Um estudo climatológico feito por Oliveira (1986), ao analisar uma série de
dados entre 1974 e 1984, mostrou a interação entre os sistemas frontais e a convecção
tropical. No verão, uma frente ao interagir com a convecção na Amazônia, em
presença da Alta da Bolívia e da Baixa do Nordeste, torna-se quase-estacionária,
contribuindo significativamente para o regime de precipitação no sudeste.
Oliveira (1986), ao estudar os sistemas frontais que possuem penetração
meridional no continente que organizam extensas faixas de nebulosidade convectiva,
com intensa precisitação, constatou que tais sistemas estão associados a cavados de ar
superior e em baixos níveis com inclinação horizontal para noroeste, produzindo forte
advecção de ar frio para o interior do continente e subsidência atrás da frente,
resultando em uma região de céu claro. No entando, forma-se uma zona de
confluência em baixos níveis, onde se verifica uma advecção de ar quente na
extremidade da frente. A faixa de nebulosidade convectiva está associada à
divergência em altos níveis e a movimentos verticais ascendentes em 500hPa. Ao se
deslocar para latitudes mais baixas, o sistema frontal é acompanhado pela formação de
movimentos ascendentes do cavado, preferencialmente na direção noroeste-sudeste.
Ao estudar a interação entre a extremidade frontal e o ciclone térmico sobre o
continente, Signorini (2001) observou que a passagem da extremidade da frente no sul
do Brasil é intensificada pela presença de um ciclone térmico no norte da Argentina.
Ao analisar imagens de satélite, Signorini associou a nebulosidade e os processos
ocorridos, constatando que a mais intensa cobertura de nuvens se localiza sobre a
região de encontro entre a frente fria e o ciclone.
Ela também verificou que a vorticidade relativa apresenta baixos valores
negativos na região de encontro entre o ciclone térimo e a frente fria, ou no cetro da
nebulosidade intensa.

2.9.

Influências Frontais no Nordeste Brasileiro

As ondas baroclínicas de latitudes médias modificam-se ao atravessar os Andes
e interagem com a circulação atmosférica sobre a América do Sul (ANDRADE,
2005). Consequentemente os sistemas frontais que se deslocavam de oeste para leste,

31

sobre o Pacífico, agora ganham uma componente em direção ao Equador, propagandose de sudoeste para nordeste ao longo da costa leste da América do Sul, chegando a
atingir latitudes tropicais. Podem se acoplar com mecanismos típicos de convecção,
intensificando-se e permanecendo ativos durante vários dias (CAVALCANTI, 1985;
REEDER e SMITH, 1998; SATYAMURTY et al., 1998; SELUCHI ET AL., 1998).
KOUSKY (1979) mostrou que os sistemas frontais e seus resíduos penetram na
parte sul do NEB ao longo de todo o ano, tendo um papel importante no máximo de
precipitação em dezembro-janeiro, principalmente na Bahia; são associados com o
aumento da precipitação ao longo da costa, desde a Bahia até o Rio Grande do Norte,
durante os meses de inverno, chegando a afetar a precipitação até o norte do Ceará;
baixas pressões à superfície, em baixas latitudes favorecem o movimento da ZCIT em
direção ao sul.
Alguns outros trabalhos foram feitos para estudar os efeitos frontais no NEB.
Silva e Molion (2002) ao estudarem um evento de extrema precipitação na
costa leste do NEB, mostraram que as penetrações de sistemas frontais em latitudes
equatoriais, tanto do HN (entre novembro e abril) quando do HS (entre maio e agosto),
sãoos principais mecanismos causadores das Perturbações Ondulatórias nos Alísios.
Da Cruz et al. (2008) mostraram que restos frontais podem interagir com essas
perturbações nos Alísios, gerando sistemas baroclínicos atípicos chamados de Vórtices
Ciclônicos de Baixos Níveis (VCBN).
Kousky e Ferreira (1981) ao analisarem imagens de satélite, observaram o
aumento da atividade convectiva associado a sistemas de latitudes médias que
penetram em latitudes baixas sobre o Brasil, e concluíram que os distúrbios associados
com flutuações de pressão, geralmente, se propagam na direção leste e nordeste.
Os sistemas frontais que organizam extensas faixas de nebulosidade
convectiva, com intensa precipitação, possuem uma penetração meridional no
continente. Estão associados a cavados de ar superior (200 hPa) e em baixos níveis,
com inclinação horizontal para noroeste, os quais produzem forte advecção de ar frio
para o interior do continente e subsidência atrás da frente em toda a coluna
atmosférica, resultando em uma região de céu claro. Por outro lado, forma-se uma
zona de confluência em baixos níveis (850 hPa), onde se verifica advecção de ar
quente e convergência em baixos níveis na extremidade da frente. A faixa de
nebulosidade convectiva está associada à divergência nos altos níveis e a movimentos
verticais ascendente em 500hPa. O deslocamento do sistema frontal para latitudes

32

mais baixas é acompanhado pela formação do movimento ascendente no cavado, com
orientação preferencial noroeste-sudeste (OLIVEIRA, 1986).
Gemiacki (2005) estudou a passagem de dois sistemas frontais sobre a AS
durante a estação seca do NEB. No primeiro evento, a frente influenciou as condições
de tempo em toda AS, chegando até o estado de AL. No segundo, a frente teve um
deslocamento zonal, modificando o tempo apenas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Os principais resultados obtidos para a chegada do sistema frontal em AL foram:
•

O ciclone frontal, associado à frente fria, estava ao sul de 60°S quando a onda
frontal começou a atuar na AS;

•

Houve uma interação entre o cavado frontal e um ciclone térmico no norte da
Argentina;

•

Ocorreu o surgimento de duas frentes secundárias, seguidas por duas oclusões
instantâneas;

•

Nova ciclogênese na frente principal que estava sobre o Atlântico, próxima a
30°S, intensificando a frente principal;

•

Presença de interação entre a corrente de jato subtropical (CJS) e a corrente de
jato polar (CJP), com eixo em torno de 25°S e 55°S, respectivamente;

•

Deslocamento da AB para leste, chegando até o oeste da região NEB;

•

O ciclone, que surgiu no Atlântico, se deslocou para o sudeste.

Da Cruz (2008) analisou, para o período de janeiro de 2004 até dezembro de
2006, sistemas frontais que influenciaram as condições de tempo sobre o estado de
AL. Pelos métodos clássicos de identificação, os casos foram divididos em 3 grupos:
•

G1: passagem da extremidade frontal sobre o estado. Esses eventos foram
encontrados em todas as estações do ano. Concluindo que podem ocorrer
passagens frontais em qualquer época.

•

G2: passagem de uma fraca banda de nebulosidade, sendo observada apelas na
imagem de satélite. Os casos desse grupo se concentram durante as estações de
inverno austral e início da primavera austral (transição quente), em função do
resfriamento continental durante o inverno e a configuração da Alta
Barotrópica de Núcleo Quente observada. Essa condição desfavorece o
desenvolvimento da extremidade frontal sobre AL.

33

•

G3: atividades convectivas sobre AL, organizadas pela extremidade frontal
posicionada sobre o oceano. Os eventos tendem a ocorrer durante o fim da
primavera austral (transição quente), verão austral e início do outono austral
(transição fria), onde o aquecimento sobre o continente favorece o
desenvolvimento de sistemas convectivos que interagem com a extremidade
frontal. A grande concentração dos casos do G3 foi na estação de outono
austral (transição fria), no ano de 2006. Esse fato deve estar ligado às
anomalias negativas de TSM no Pacífico Equatorial, indicando um aumento de
influências frontais sobre AL durante episódios de La Niña.
Da Cruz ressalta que os campos de θe e Aθe se mostraram muito eficientes

para análise de sistemasfrontais sobre as regiões tropicais.Em especial, o campo de
Aθe conseguiu identificar 6 extremidades frontais sobre AL nos eventos do G2 e G3.
Veber (2011), através da análise para o período de 10 anos (2000-2009),
estudou o desenvolvimento das atividades convectivas sobre o NEB organizadas pela
extremidade frontal. Ficou evidente que o NEB sofre influência de sistemas frontais
durante todas as estações. De acordo com as características de nebulosidade
encontrada, os eventos foram separados em grupos G:
•

Grupo 1 (G1): Atividades convectivas sobre a Região Nordeste do Brasil,
organizadas pela extremidade frontal, localizada sobre o Atlântico Tropical
Sul. Nos casos verificados durante o verão austral, e para grande parte dos
casos ocorridos no início da transição fria e final da transição quente no HS,
evidenciou-se a intensificação da extremidade sobre o NEB.

•

Grupo 2 (G2): Banda de nebulosidade pouco ativa sobre a Região Nordeste do
Brasil, organizada pela extremidade frontal, localizada sobre o oceano
Atlântico Tropical Sul. Para os casos ocorridos durante o inverno austral,
início da transição fria e final da transição quente, no HS, configurou-se uma
banda de nebulosidade pouco ativa, restringindo as zonas frontais ao sul do
estado da Bahia.

Pela análise dos casos, foram estabelecidos oito fatores dinâmicos relacionados
com a intensificação da extremidade frontal sobre o NEB:
•

Baixos níveis:

34

o F1: atuação da ZCIT
o F2: bifurcação do escoamento sobre o Atlântico e a convergência sobre
o NEB
o F3: borda oeste da ASAS
•

Médios níveis:
o F4: convergência e cavado sobre o NEB
o F5: cavado com eixo NW-SE sobre o NEB
o F6: cavado estendendo-se do ciclone posicionado no HN

•

Altos níveis:
o F7: cavado estendendo-se merionalmente em 200hPa
o F8: interação entre AB e VCAN

35

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1.

Região de Estudo

Com uma grade de 30°N-50°S e 90°W-10°W, a região de estudo se concentra
no Brasil.
Para um melhor entendimento sobre a modificação do sistema frontal ao longo
do caminho percorrido, desde o sul do Brasil até o estado de Alagoas, foram
selecionados 4 pontos de observação:
•

Porto Alegre (POA): 30°S e 51°W

•

São Paulo (SP): 23°S e 46°W

•

Salvador (SALV): 12°S e 38°W

•

Maceió (MCZ): 9°S e 36°W

FIGURA 3.1 -

Mapa da região de estudo com pontos de observações
identificados. FONTE: GrADS

36

3.1.1.

Estado de Alagoas

O Estado de Alagoas é a principal região de estudo. Localizada na região
leste do NEB, situa-se entre os paralelos de 8°45’ S e 10°30’ S e entre os
meridianos de 35°09’ W e 38°14’ W. É composto por 6 regiões climáticas:
•

Litoral

•

Zona da Mata

•

Baixo São Francisco

•

Agreste

•

Sertão

•

Sertão do São Francisco

FIGURA 3.2 -

3.2.

Mapa do estado de Alagoas dividido pelas regiões climáticas
FONTE: SEMARH- AL

Dados

Para a elaboração dessa pesquisa foram utilizados os seguintes dados:
•

Imagens de satélite

•

Dados de reanálise do modelo global do ECMWF

37

3.2.1.

Imagens de Satélite

Para este trabalho, foram usadas imagens dos satélites GOES-8 e GOES12 com abrangência da AS, do canal infravermelho. Foram utilizados todos os
horários sinóticos entre, janeiro de 2000 e dezembro de 2012. Obtidas através do
site http://www.cptec.inpe.br/satélite mantido pelo Centro de Previsão do Tempo
e

Estudos

Climáticos

do

Instituto

Nacional

de

Pesquisas

Espaciais

(CPTEC/INPE).

3.2.2.

Dados de Reanálise

Foram utilizados dados de Reanálise do European Centre of MediumRange

Weather

Forecasts

(ECMWF),

obtidos

através

do

site

http://www.ecmwf.int/ , para a obtenção dos campos meteorológicos. Os dados

desse modelo possuem basicamente a seguinte forma:
•

37 níveis verticais;

•

Uma grade global com espaçamento de 1,5°x1,5° de latitude e
longitude;

•

Nos horários sinóticos padrões de 00, 06, 12 e 18 Z;

•

Para os níveis de 1000, 925, 850, 700, 500 e 200 hPa.

Desse modelo foram usados dados das seguintes variáveis:
•
•
•
•
•
•
•
•

Pressão ao nível do mar (PNM em ℎ𝑃𝑃𝑃𝑃);
Divergência (d em 𝑠𝑠 −1 )

Geopotencial (z em 𝑚𝑚2 𝑠𝑠 −2);

Umidade relativa (UR em %);
Temperatura (T em 𝐾𝐾);

Velocidade vertical (w e𝑚𝑚 𝑃𝑃𝑃𝑃 𝑠𝑠 −1);

Vorticidade (vo em 𝑠𝑠 −1 )

Componente zonal e meridional do vento (u e v em 𝑚𝑚 𝑠𝑠 −1)

38

3.3.

Software Utilizado

Todas as composições foram geradas com o pacote gráfico Grid Analysis

and

Display System (GrADS) (DOTY, 1992). Esse software foi desenvolvido pelo Center
for Ocean Land Atmosphere Interaction (COLA) e está disponibilizado na homepage
http://grads.iges.org .

Todas as tabelas foram geradas a partir de planilha eletrônica do Microsoft Excel
2007.

3.4.

3.4.1.

Metodologia

Método Utilizado para a Identificação das Zonas Frontais

A análise das zonas frontais é feita através da verificação simultânea de
diversos campos meteorológicos. Sendo a interpretação do meteorologista, uma
ferramenta de fundamental importância para a identificação da região de atuação
da frente.
Neste estudo, foram empregados métodos clássicos e bem difundidos na
literatura para identificação e análise dos sistemas frontais. Esses métodos foram
apresentados por Petterssen (1940, 1956), Bluestein (1993), Smith et al. (1995) e
Fedorova e Carvalho (2000). As características frontais foram observadas nos
campos utilizados:
•

Pressão → cavado do ciclone baroclínico;

•

Espessura → região com forte gradiente;

•

Linhas de corrente → confluência em baixos níveis;

•

Advecção de Temperatura → região entre advecção quente e a
advecção fria;

•

Vorticidade relativa → eixo de máxima vorticidade ciclônica.

Outros métodos, pouco utilizados, também ajudaram na avaliação das
frentes, as caracterizando da seguinte forma:

39

•

Campo horizontal de θe → claro gradiente, apresentando uma onda
com altos valores de θe (OAVθe) na vanguarda e outra com baixos
valores de θe (OBVθe) na retaguarda;

•

Campo de Aθe → região entre a advecção negativa e a advecção
positiva de θe.

3.4.2.

Escolha e Agrupamento dos Casos

Foi realizada a identificação de todos os sistemas frontais que atuaram na
Região Nordeste do Brasil (NEB) com enfase no Estado de Alagoas, no período
de 1° de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2012. Tendo como base para
identificação a Revista Climanálise e a Sintese Sinótica Mensal, ambas
disponíveis no site http://www.cptec.inpe.br (CPTEC/INPE). Essas informações
foram

comparadas

com

as

imagens

http://satelite.cptec.inpe.br/home/novoSite/index.jsp

de

satélite

(CPTEC/INPE),

do

site
sendo

selecionados apenas os eventos onde a nebulosidade, ligada à frente fria, chegava
ao estado de Alagoas. A confirmação dos casos se deu através da análise dos
campos meteorológicos, a partir dos dados disponíveis no ECMWF e gerados
pelo software GrADS. Os principais campos utilizados para a determinação da
localização da frente fria foram: linha de corrente; temperatura potencial
equivalente e advecção de temperatura potencial equivalente.
Análises do campo de Aθe identificam processos ciclogenéticos e
posicionamento de zona frontal com um alto grau de excelencia. Comparado ao
campo clássico de advecção de temperatura, a identificação de ciclones
extratropicais e de suas frentes frias são otimizadas com o uso do campo de Aθe
(DA CRUZ et al. (2008)). A localização de uma frente fria, bem definida no
campo de pressão, pode ser vista na vanguarda de uma advecção negativa e
retaguarda de uma advecção quente.
Por se mostrar um campo muito eficiente na identificação de frentes frias,
principalmente nas regiões tropicais, a Aθefoi utilizada para a separação dos
casos. De acordo com Da Cruz et. al (2008), é preferível a utilização do nível de
850hPa por obter as melhores caracterizações da estrutura horizontal dos
sistemas baroclínicos na baixa troposfera das regiões tropicais.

40

3.4.3.

Variáveis Utilizadas

As seguintes variáveis meteorológicas fora utilizadas para se analisar as
características frontais:
•

Advecção horizontal de temperatura:

𝐴𝐴𝐴𝐴 = 𝑢𝑢

𝜕𝜕𝜕𝜕
𝜕𝜕𝜕𝜕
+ 𝑣𝑣
𝜕𝜕𝜕𝜕
𝜕𝜕𝜕𝜕

Onde:
AT: advecção de temperatura [K/s];
u: componente zonal do vetor vento [m/s];
v: componente meridional do vetor vento [m/s].
•

Temperatura potencial equivalente(𝜃𝜃𝑒𝑒 ), segundo Bolton (1980):

1000 0,2864 �1−0,28𝑥𝑥10
𝜃𝜃𝑒𝑒 = 𝑇𝑇𝐾𝐾 �
�
𝑝𝑝

−3 𝑟𝑟�

exp �

3,376
− 0,0025𝑟𝑟(1 + 0,81 𝑥𝑥 10−9 𝑟𝑟)�
𝑇𝑇𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙

Onde:
𝜃𝜃𝑒𝑒 : temperatura potencial equivalente (K);
𝑇𝑇𝐾𝐾 : temperatura absoluta (K);
𝑟𝑟: razão de mistura (g kg-1);

𝑇𝑇𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 : temperatura no nível de condensação por levantamento (K), pela
expressão:

𝑇𝑇𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙𝑙 =

1
+ 56
ln(𝑇𝑇𝐾𝐾 − 𝑇𝑇𝑑𝑑 )
1
+
800
𝑇𝑇𝑑𝑑 − 56

Onde:
𝑇𝑇𝑑𝑑 : temperatura do ponto de orvalho
•

Advecção de temperatura potencial equivalente:

41

𝐴𝐴𝜃𝜃𝑒𝑒 ≡ −𝑉𝑉𝐻𝐻 . ∇𝐻𝐻 𝜃𝜃𝑒𝑒 = −(𝑢𝑢

𝜕𝜕𝜃𝜃𝑒𝑒
𝜕𝜕𝜃𝜃𝑒𝑒
+ 𝑣𝑣
)
𝜕𝜕𝜕𝜕
𝜕𝜕𝜕𝜕

Onde:
𝐴𝐴𝜃𝜃𝑒𝑒 : advecção de temperatura potencial equivalente (K/s);
u: componente zonal do vetor vento (m/s);

v:componente meridional do vetor vento (m/s).
•

Vorticidade relativa:

ζ = K. (∇ X V) =

∂v ∂u
−
∂x ∂y

Onde:
𝜁𝜁: vorticidade relativa [10-4 s-1];

u: componente zonal do vetor vento [m/s];
v: componente meridional do vetor vento [m/s].

Foram também feitas imagens, através do software GRADS, da Seção
Vertical de cada ponto analisado.

3.4.4.

Seção Vertical
A seção vertical consiste em setar a longitude de um determinado local, e
variar a latitude entre dois pontos, assim temos uma imagem de um corte vertical
na atmosfera que nos possibilita analisar a frente fria de uma maneira diferente,
onde os sistemas são vistos do nível de 1000hPa à 100hPa ao mesmo tempo.
Nesse estudo, foram contruídos cortes verticais em todos os pontos de
observação, transversais à frente fria: Porto Alegre, São Paulo, Salvador e
Maceió. Foram utilizados 15 níveis de pressão: 1000, 975, 950, 925, 900, 850,
800, 750, 700, 600, 500, 400, 300, 200 e 100hPa.
Para verificar o nível máximo em que as variáveis apresentavam
características frontais, foram estabelecidas algumas regras que também ajudam
na identificação dos sistemas frontais nas diversas variáveis que foram utilizadas:

42

Vento
•

Onde o vento muda de direção;

•

Diferença de no mínimo 30° na mudança da direção do vento;

Vorticidade Relativa
•

Até que nível a vorticidade se mantém negativa;

Temperatura
•

Onde o gradiente apresenta diminuição de no mínimo 1°/100 km;

Temperatura Potencial Equivalente
•

Onde o gradiente apresenta diminuição de no mínimo 1°/100 km;

Em todas as variáveis, acima de 500hPa as mudanças nos perfis sofrem
influências de sistemas que ocorrem em altos nívies como as correntes de jatos.
As seções verticais de Temperatura e Temperatura Potencial equivalente
apresentam um diferencial, sendo apenas coloridas as partes em que o gradiente
diminui no mínimo 1°/100km.
Um exemplo é mostrado na Figura 3.3. Um corte feito na longitude da
cidade de Porto Alegre, 51°W, variando a latitude entre o equador e 50°S.
A altura da superfície frontal é diferente em cada variável. O vento (Figura
3.3a) apresenta as características frontais até 700hPa, acima desse nível as
mudanças ocorridas na velocidade e direção do vento sofrem interferências de
sistemas em altos níveis. Na vorticidade (Figura 3.3b) a superfície frontal
também atinge 700hPa. Na Figura 3.3c, o gradiente de temperatura ultrapassa os
200hPa de pressão com queda de temperatura de até 2°/100km. O gradiente de
temperatura potencial equivalente ultrapassa a troposfera chegando a atingir
100hPa também com os valores mínimos necessários que caracterizam a
superfície frontal (Figura 3.3d).

43

FIGURA 3.3 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical para a cidade de Porto Alegre: a) vento; b)
vorticidade relativa; c) temperatura e d) temperatura potencial
equivalente. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

44

4. RESULTADOS

4.1.

Tipos de Frentes

De janeiro de 2000 à dezembro de 2012 foram selecionados 18 casos de frentes
frias que tiveram deslocamento para a região tropical e influenciaram as condições de
tempo no estado de Alagoas.
As frentes frias que passaram por POA no período estudado foram classificadas
de acordo com: 1) localização da extremidade frontal e 2) nebulosidade associada, em
três tipos (I, II e III). Foi definido também o tipo IV para frentes secundárias
ocorrentes nessa região. Essa classificação foi ampliada com o tipo V, envolvendo
frentes cuja formação ocorreu na região sudeste.
Portanto, podem ser descritos os seguintes tipos de frentes:
•

Tipo I: frente fria clássica, com nebulosidade sobre o continente

•

Tipo II: frente fria com extremidade provocando pouca ou quase
nenhuma nebulosidade sobre o continente

•

Tipo III: frente fria associada a outros tipos de nebulosidade sobre
o continente
o IIIA: frente fria associada com nebulosidade convectivia
sobre o continente
o IIIB: frente fria associada com nebulosidade de corrente de
jato

•

Tipo IV: frente fria secundária

•

Tipo V: frente fria com ciclogênese na região sudeste ( não
passando por Porto Alegre)

A tabela 4.1 mostra os diferentes tipos de frentes frias encontradas e a
quantidade de casos de cada tipo.

TABELA 4.1 –

Tipos de frentes frias e suas respectivas datas.

45

TIPO

SUBTIPO DATA (N° DO CASO)
19/04/00 (3)
19/05/02 (4)

I

06/08/04 (8)
13/04/10 (16)
30/04/06 (11)

II

04/04/10 (15)
09/10/03 (5)
A

01/11/03 (6)
15/07/04 (7)
15/10/06 (13)

III

25/09/12 (18)
B

31/08/00 (2)
01/12/05 (10)

IV

31/05/00 (1)
27/07/07 (14)
30/04/05 (9)

V

10/05/06 (12)
30/10/11 (17)

A seguir serão apresentados os exemplos de cada tipo de frente.

4.1.1.

Tipo I: frente fria clássica, com nebulosidade sobre o continente

Caso 4
No dia 19/05/2002 às 06Z foi identificada uma frente fria sobre a cidade
de Porto Alegre. O sistema frontal ficou caracterizado em baixos níveis pelos
campos mostrados na Figura 4.1. No campo de pressão, o ciclone aparece no
oceano Atlântico, aproximadamente em 40°S/50°W.
Nos mapas de linhas de correntes em 925hPa, há uma confluência de
ventos na região do cavado, confirmando a existência frontal. Esse cavado se
estende do centro do ciclone, passando por POA, até o norte do Paraguai (Figura
4.1a).
A vorticidade relativa também é uma importante variável na identificação
da zona frontal. A Figura 4.1b apresenta PNM e vorticidade relativa, sendo a
vorticidade representada pelas linhas coloridas e PNM pelas linhas pretas. Pela
vorticidade, nota-se a característica ciclônica (vorticidade negativa no HS) na
região do cavado e no centro do sistema. O eixo de vorticidade ciclônica máxima
coincide com a posição da frente fria no campo bárico.

46

O campo de temperatura, mostrado na Figura 4.1c, apresenta um gradiente
fraco mas que coincide com a posição do cavado no campo de pressão. Na
vanguarda da frente fria, sobre o continente, entre as latitudes de 25°S/10°S e as
longitudes de 60°W/45°W, apresenta uma massa de ar quente, proveniente do
aquecimento superficial.
Um campo que se mostrou muito eficiente para a identificação de zonas
frontais é o campo de temperatura potencial equivalente, que apresenta um
gradiente de cor entre o branco e vermelho, indicando a intensidade da queda de
temperatura a cada 100km. Na Figura 4.1d mostra que o gradiente frontal sobre
POA se intensifica a medida que adentra o continente, e sobre o oceano coincide
com posição do cavado e do forte gradiente de espessura.

FIGURA 4.1 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo
de PNM no dia 19/05/2002 às 06Z: (a) Vento em 925hPa (em
cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa (em cores); (c)

47

Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise
do ECMWF

Na imagem de satélite é possível identificar a nebulosidade, como é visto
na Figura 4.2a, com o campo de PNM sobreposto. A nebulosidade frontal é
composta por uma banda de nuvens bem organizadas que se estende desde o
sistema ciclônico no Atlântico Sul, passando sobre o norte do estado do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até o sul do estado do Mato Grosso do
Sul aproximadamente em 25°S/55°W.
Na Figura 4.2b é visto a imagem de satélite sobreposta com a espessura da
camada de 500/1000hPa. A nebulosidade coincide com o forte gradiente de
espessura, localizado próximo ao centro do ciclone, sobre o oceano. No
continente, a nebulosidade somente aparece onde o gradiente de espessura está
menos intenso.

(a)
FIGURA 4.2 -

(b)

Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 19/05/2002
06Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura da
camada 500/1000hPa. Fonte: Adaptada de CPTEC/INPE

Para uma melhor visão do que acontece na frente fria, foram feitas seções
verticais dos campos meteorológicos apresentados na Figura 4.3. A seção
vertical consiste em um corte transversal da frente fria na longitude de Porto
Alegre (51°W), possibilitando a visualização de todos os níveis atmosféricos. A
localização da frente fria, próximo da superfície, está sinalizada com uma faixa
preta na latitude de 30°S.

48

A Figura 4.3a apresenta o corte vertical nas linhas de corrente. Em altos
níveis, a partir de 400hPa, são observados ventos fortes compatíveis com a
presença de uma CJ Polar. Em baixos níveis, na retaguarda da frente fria, é
possível ver que tanto em 30°S, referente à frente fria, quanto em 40°S, referente
ao centro do ciclone, o vento sofre uma mudança na direção e intensidade.
Sobre a FF, da superfície até 650hPa a vorticidade é negativa, acima de
600hPa a vorticidade se torna positiva (anticiclônica no HS). Essa diferença se
dá pela inclinação que a frente fria sofre à medida que a altura aumenta (Figura
4.3b).
Na Figura 4.3c o corte vertical da temperatura mostra que, o gradiente com
queda de temperatura entre 1-2°/100km, se estende da superfície até 800hPa.
Enquanto que na Figura 4.3d, que mostra a seção vertical da temperatura
potencial equivalente (θe), a superfície frontal atinge 300hPa com a mesma
intensidade de 1-2°/100km, mas ao longo do gradiente, a intensidade varia,
chegando a 7°/100km em torno de 900hPa.

FIGURA 4.3 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia

49

19/05/2002 às 06Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa; (c)
temperatura e (d) temperatura potencial equivalente. FONTE: de
dados de reanálise do ECMWF

4.1.2.

Tipo II: frente fria com extremidade provocando pouca ou quase nenhuma
nebulosidade sobre o continente

Caso 11
Foi identificada uma frente fria sobre POA no dia 30/04/2006 às 12Z. O
sistema frontal estava ligado a um ciclone extratropical que se dividiu e
apresentou dois centros ciclônicos, mostrados pelos mapas de linha de corrente e
vorticidade relativa. Todavia, um destes centros, 45°S/48°W, não foi visto no
campo de pressão.
O ciclone baroclínico, que já estava no seu estágio de desenvolvimento
máximo apresentando um aumento da pressão na parte central do ciclone. Na
Figura 4.4a, o mapa de linha de corrente mostra os dois centros ciclônicos: um
mais a oeste, coincidindo com o campo de PNM, apresentando isóbaras fechadas
de 1000hPa; e outro mais a leste, que apresenta o ponto de oclusão e a zona
frontal na periferia do ciclone.
No campo de vorticidade, a vorticidade negativa é identificada pelas linhas
pontilhadas (Figura 4.4b). O centro ciclone posicionado a leste apresenta um
gradiente mais forte, de −15𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 , do que o que está mais a oeste, com o

gradiente de −9𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 . O cavado frontal também apresenta um extenso

núcleo de vorticidade ciclônica, que se estende até 30°S/48°W, não atingindo o
continente, mas coincidindo com o cavado no campo de PNM.
Na Figura 4.4c, a espessura (pontilhado) e PNM (linhas cinzas) são
sobrepostas ao campo de temperatura. Sobre o oceano, o cavado em baixos
níveis coincide com as linhas de espessura e com o gradiente de temperatura. No
continente, o gradiente de temperatura se estende até 22°S 65°W, mesmo ponto
onde a espessura começa a apresentar um leve aquecimento e se espande,
aumentando a espessura entre as camadas. O cavado não adentra o continente.
A Temperatura potencial equivalente foi sobreposta com o campo de PNM

na Figura 4.4d e apresenta gradientes mais intensos sobre o continente chegando
a mais de 10°/100km no interior do RS e norte da Argentina. Sobre o oceano,

50

próximo ao centro do ciclone, o gradiente também é intenso com valores de até
7°/100km, porém, ocorre um enfraquecimento próximo o litoral do RS.

FIGURA 4.4 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo
de PNM no dia 30/04/2006 às 12z: (a) Vento em 925hPa (em
cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa (em cores); (c)
Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise
do ECMWF

As imagens de satélite ajudam na identificação da nebulosidade. Ao
sobrepor o campo de PNM (Figura 4.5a), é possivel verificar que a
nebulosidade, mesmo fraca, se restringe ao centro do ciclone a oeste, que
apresenta uma isóbara fechada de 1000hPa, e também ao cavado frontal do
ciclone a leste.
Na Figura 4.5b, onde o campo de espessura da camada de 500/1000hPa é
sobreposto na imagem de satélite, a nebulosidade está associada ao ciclone a

51

oeste, que possue a menor espessura. A nebulosidade também está conectada ao
cavado frontal, ligado ao ciclone posicionado a leste, onde a espessura apresenta
o gradiente mais intenso e paralelo à nebulosidade frontal.

(a)
FIGURA 4.5 -

(b)

Imagem de satélite do canal infravermelho no dia 30/04/2006 às
12Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura
da camada 500/1000hPa. Fonte: Adaptada de CPTEC/INPE

Os cortes transversais de diferentes variáveis meteorológicas na frente fria
são apresetados na Figura 4.6, onde a frente fria em baixos níveis é representada
pela linha preta, na latitude da cidade de Porto Alegre.
A Figura 4.6a mostra que na vanguarda da FF os ventos são fracos em
quase toda a atmosfera. Na retaguarda, ao sul de 30°S, os ventos possuem
intensidade maior, tanto nos baixos quanto nos altos níveis. Em níveis mais
baixos, a mudança na direção do vento indica a presença da FF na região até
850hPa. Na vorticidade, a Figura 4.6b apresenta vorticidade positiva em baixos
níveis na latitude de 30°S.
A temperatura apresenta uma superfície frontal com a mesma intensidade
(1-2°/100km) desde a superfície até 300hPa (Figura 4.6c). No corte vertical de
θe a superfície frontal também atinge 300hPa com 1-2°/100km, porém apresenta
diferença de intensidade ao longo do gradiente, sendo mais intenso entre 850700hPa com valores de até 7°/100km.

52

FIGURA 4.6 -

4.1.3.

4.1.3.1.

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia
30/04/2006 às 12Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa; (c)
temperatura e (d) temperatura potencial equivalente. FONTE: de
dados de reanálise do ECMWF

Tipo III: frente fria associada com nebulosidade sobre o continente

Tipo IIIA: frente fria associada com nebulosidade convectiva sobre o
continente

Caso 5
Através da análise dos campos de PNM e linhas de corrente para o
dia 09/10/2003, foi encontrado o centro do ciclone barotrópico em
superfície ao norte da Argetina e sudoeste do Paraguai em torno de
23°S/61°W,

um

ciclone

baroclínico

no

oceano

Atlântico

Sul,

aproximadamente em 47°S/45°W, e uma frente fria que se estende do
ciclone baroclínico, passando sobre a cidade de Porto Alegre, unindo-se ao
ciclone barotrópico aproximadamente em 29°S/55°W no centro do estado
do RS.

53

Os mapas de linhas de corrente (Figura 4.7a) mostram que na região
do ciclone barotrópico há uma convergência em baixos níveis,
apresentandno apenas uma isóbara fechada, essa convergência se estende
para sudeste até 29°S/55°W. No ciclone baroclínico, com centro de 990hPa,
há um cavado quase meridional que chega ao estado do RS e se encontra
com a convergência vinda do cavado barotrópico do norte da Argentina.
A vorticidade relativa também identifica o sistema frontal sobre o
oceano por um forte gradiente de vorticidade negativa de −18𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1

(ciclônica no HS) presente no centro do ciclone baroclínico, o cavado
frontal também apresenta núcelos de vorticidade negativa de −9𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1

(Figura 4.7b). Sobre o continente, a vorticidade negativa também indica a
presença do ciclone barotróico no norte da Argentina, com núcleo de
−15𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 se estendendo ao encontro do cavado frontal. Porém no

encontro entre o cavado frontal e o ciclone barotrópico, a vorticidade perde
intensidade, chegando a −6𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1.

Na Figura 4.7c a temperatura apresenta um gradiente mais intenso

sobre o norte da Argentina, onde ocorre a convecção no campo de vento,
com valores de até 4°/100km. A espessura também fica mais intensa nessa
região, onde a pressão indica a presença de isóbaras de 1005hPa. Porém
sobre o oceano, o cavado bárico não coincide com as variáveis de
temperatura e espessura, não havendo gradiente térmico.
No mapa de θe (Figura 4.7d) o gradiente começa onde começa o
cavado frontal, com gradientes que se intensificam a´te 10°/100km. Soobre
o continente o gradiente é mais espesso, principalmente sobre o norte da
Argentina.

54

FIGURA 4.7-

(a)

(b)

(c)

(d)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no
campo de PNM no dia 09/10/2003 às 06Z: (a) Vento em
925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa (em
cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa
(pontilhada) e (d) Temperatura Potencial Equivalente.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF

Nas imagens de satélites da Figura 4.8, constata-se que a mais
intensa cobertura de nuvens encontra-se sobre a região de encontro entre a
frente fria e o ciclone baroclínico. Com o campo de espessura sobreposto
(Figura 4.8a), é possível ver que a nebulosidade se concentra na parte
quente do ciclone baroclínico, se estendendo desde o centro do ciclone no
Atlântico Sul até o norte da Argentina e sul do Paraguai, cobrindo todo o
estado do RS. Ao sobrepor o campo de pressão (Figura 4.8b), o ciclone
principal apresenta um núcleo de 990hPa. Com a banda de nebulosidade
bem organizada se estendendo sobre o cavado frontal, está ligada
principalmente à vanguada do sistema frontal. Ao avançar sobre o

55

continente encontra-se com a nebulosidade produzida pelo ciclone
barotrópico.

(a)

(b)

(c)
FIGURA 4.8 -

Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia
09/10/2003 06Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b)
campo de espessura da camada 500/1000hPa (c) linhas de
correntes e 200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e
ECMWF

A Figura 4.9 apresenta cortes tranversais na frente fria, do dia
09/10/2003 às 06Z na longitude da cidade de Porto Alegre, representada
pela linha preta na latitude de 30°S.
A seção vertical de vento (Figura 4.9a) mostra que na retaguarda da
FF os ventos são mais intensos, até 700hPa. Em altos níveis é possível ver o
ramo norte da corrente de jato polar atuando próximo à FF, tendo seu
máximo de vento na latitude de 35°S, como mostra a Figura 4.8c.

56

Na Figura 4.9b, a vorticidade relativa apresenta valores negativos em
baixos níveis e na retaguarda da FF até 700hPa. Ficando mais intensa à
medida que a altura aumenta, a inclinação da FF é vista no limite entre
vorticidade negativa (ciclônica no HS) e positiva (anticiclonica no HS).
O corte vertical da temperatura (Figura 4.9c) mostra que as
características frontais se estendem da superfície até 150hPa com a mesma
intensidade de 1-2°/100km.
Na temperatura potencial equivalente, a Figura 4.9d exibe o
gradiente até 100hPa com a mesma intensidade vista na temperatura, porém
é mais intenso abaixo de 400hPa, apresentando valores de 7°/100km em
800hPa.

FIGURA 4.9 –

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no
dia 09/10/2003 às 06Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa;
(c) temperatura e (d) temperatura potencial equivalente.
FONTE: de dados de reanálise do ECMWF.

57

4.1.3.2.

Tipo IIIB: frente fria associada com nebulosidade de corrente de jato

Caso 18
No dia 25/09/2012 às 00Z é observada uma FF próxima a cidade de
Porto Alegre. A Figura 4.10 mostra o sistema em baixos níveis, em diversos
campos meteorológicos sobrepostos com o campo de PNM.
Os mapas de pressão e linha de corrente (Figura 4.10a) mostra o
ciclone principal posicionado com o núcleo próximo de 50°S/41°W. A
confluência do vento delimita a região do cavado, onde o campo de pressão
confirma o posicionamento, que se estende até o continente. Mais ao sul, na
retaguarda do ciclone frontal, em torno de 45°S/44°W, um cavado se
destaca do ciclone principal em direção a leste, formando uma frente
secundária. Há também, uma área com forte convergência de massa,
aproximadamente em 22°S/2°W, no extremo leste do Paraguai.
A vorticidade também é uma boa variável na indicação da
localização da zona frontal. Na Figura 4.10b a vorticidade negativa,
representada pelas linhas pontilhadas, apresenta fortes gradientes tanto no
centro (−21𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1) quando no cavado frontal (−15𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 ). Ao
atingir

o

continente,

a

vorticidade

negativa

perde

intensidade

(−3𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1), tendo seu máximo concentrado apenas onde as isóbaras

estão fechadas. O campo de vorticidade também mostra a frente
secundáriana retaguarda do sistema frontal, com núcelos de −6𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1,

não atinge o continente, chegando somente até 42°S/57°W.

Na Figura 4.10c o grdiente frontal aparece apenas sobre o
continente, no norte do RS, Paraguai e sul de MS. A espessura e pressão
não ficam paralelas com o gradiente de temperatura, porém são entre si,
mantendo o gradiente de espessura intenso enquanto coincide com o cavado
bárico.
Na Figura 4.10d o gradiente de θe se intensifica sobre o continente,
porém não é observado ligação entre o gradiente térmico e bárico sobre a
FF.

58

FIGURA 4.10 -

(a)

(b)

(a)

(b)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no
campo de PNM no dia 25/09/2012 às 00Z: (a) Vento em
925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa
(em cores); (c) Temperatura e Espessura 500/1000hPa
(pontilhada) e (d) Temperatura Potencial Equivalente.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

A nebulosidade frontal, vista na Figura 4.11, é composta por uma
banda de nuvens bem organizada sobre o oceano, que se estende do centro
do ciclone baroclínico no oceano Atlântico Sul, passando sobre o centro-sul
do RS, Uruguai chegando no interior da Argentina.
A Figura 4.11a, mostra a imagem de satélite sobreposta com o
campo de pressão. A nebulosidade é mais intensa na região do cavado
frontal. Sobre o continente, a nebulosidade se posiciona sobre a crista da
alta pós-frontal. Na retaguarda da frente fria, onde foi localizada a frente
secundária, há nebulosidade esparças e com uma textura rugosa,
característico de nuvens cumuliformes.

59

Na Figura 4.11b, a espessura mostra que a nebulosidade se encontra
no lado quente do sistema frontal, acompanhando a curvatura das isolinhas
da espessura, onde o gradiente é mais intenso.
Porém, é na Figura 4.11c, com linhas de correntes em 200hPa
sobrepostas, que é visto com maior clareza a interação das correntes de jato
com a nebulosidade. No sistema frontal, tem-se o ramo norte da corrente de
jato polar interferindo na nebulosidade que se encontra no centro da
Argentina. Mais ao norte, a corrente de jato subtropical aparece
influenciando a nebulosidade sobre o norte de MG e sul da BA se
estendendo sobre o oceano, onde são vistos estruturas lineares de nuvens
Cirrus. O núcleo mais intenso de corrente de jato se localiza entre as duas
regiões com nebulosidade, onde as correntes de jato se unem, sobre o leste
do PR e SP e o oceano adjacente.

(a)

(b)

(c)
FIGURA 4.11 -

Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia

60

25/09/2012 00Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b)
campo de espessura da camada 500/1000hPa (c) campo de
linha de corrente em 200hPa. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF

As seções verticais, representadas pela Figura 4.12, apresentam os
cortes transversais feitos na longitude onde a frente fria se encontrava no
dia 25/09/2012 às 00Z, em baixos níveis.
Os cortes verticas do vento mostram uma clara divisão na
intensidade e direção dos ventos na latitude de 30°S, demarcando a
presença da FF até 700hPa. Na retaguarda do sistema, os ventos são mais
intensos em toda atmosfera, e mostram a inclinação da frente fria em
direção ao ar frio, em latitudes mais altas (Figura 4.12a).
A Figura 4.12b mostra o corte vertical na vorticidade relativa. Sobre
a FF, em baixos níveis, é visto a presença de vorticidade negativa fraca
(ciclônica no HS) até cerca de 900hPa, acima disso a vorticidade fica
positiva. Devido à inclinação da superfície frontal, a região com vorticidade
negativa está inclinada mais ao sul. Em baixos níveis, a frente secundária
apresenta um núcleo de vorticidade ciclônica próxima da latitude de 43°S.
A temperatura apresenta uma superfície frontal que se estende até
400hPa com 1-2°/100km. Em baixos níveis o gradiente é mais intenso com
queda de até 4°/100km na temperatura até 900hPa (Figura 4.12c).
No corte de θe, o gradiente é mais intenso, principalmente em
médios e baixos níveis, apresentando valores de até 10°/100km da
superfície a 650hPa. Porém, o gradiente atinge 350hPa com 1-2°/100km.

(a)

(b)

61

(c)
FIGURA 4.12 -

4.1.4.

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia
25/09/2012 às 00Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa; (c)
temperatura e (d) temperatura potencial equivalente. FONTE:
de dados de reanálise do ECMWF.

Tipo IV: frente secundária

Caso 14
A Figura 4.13 apresenta as imagens de satélite do canal IR sbrepostas com
o campo de PNM, mostrando a evolução da frente secundária (FS), desde a sua
formação até o horário anterior à chegada da FS na cidade de Porto Alegre.
No dia 26 às 12Z (Figura 4.13a), é observado o sistema frontal principal
(B1), baroclínico, no estágio de desenvolvimento máximo, apresentando um
centro de 970hPa ocluso e uma extremidade frontal (EF) que atinge a costa
sudeste do Brasil. Mais a oeste, próximo do continente, na retaguarda da frente
fria principal, um vórtice ciclônico de ar frio (VCAF) (B2) começa a se formar,
com uma isóbara fechada de 995hPa, e nebulosidade posicionada mais a norte do
centro do B2.
No horário seguinte (Figura 4.13b), o ciclone principal (B1) se desloca
para sudeste, a pressão no centro diminui ainda mais para 965hPa, e a
nebulosidade da EF movimenta-se para nordeste. O VCAF (B2) agora apresenta
um padrão visual da nebulosidade em forma de nuvem vírgula invertida,
exibindo o centro da baixa pressão abaixo da cabeça da vírgula, enquanto o
cavado se posiciona aproximadamente sob a cauda da vírgula.
No dia 27 às 00Z (Figura 4.13c), o ciclone principal (B1) continua se
deslocando para sudeste e a pressão no centro do B1 continua a cair, em 960hP.

62

Em B2, o vórtice apresenta um deslocamento para leste e uma diminuição da
pressão no centro para 990hPa. Nessa figura é possível ver que a frente
secundária se forma do prolongamento da cauda da nuvem vírgula atingindo o
extremo sul do RS, na divisa com o Uruguai.
Na Figura 4.13d o ciclone principal (B1) não é mais visto na imagem de
satélite, apenas a sua borda oeste, porém a sua extremidade frontal continua
visível e parada no mesmo local. O VCAF (B2) continua se deslocando para
leste, e o centro de pressão aumenta de diâmetro com o avanço do ar mais quente
para o centro.
No dia 27 às 12Z (Figura 4.13e) a extremidade frontal de B1 continua no
mesmo local. O B2 já se encontra no estágio maduro, apresentando vórtice
ciclônico de baixos níveis até 700hPa, e frente secundária coincide com a posição
do cavado bárico. A nebulosidade agora apresenta forma de espiral.

B

B1

B
2

B
(a)

(b)

B

B2
B1
(c)

(d)

63

B
2
(e)

FIGURA 4.13 -

Imagens do satélite GOES-10 do canal infravermelho entre os dias
26/07/2007 e 27/07/2007: (a) 26/07/2007 às 12Z; (b) 26/07/2007 às
18Z; (c) 27/07/2007 às 00Z; (d) 27/07/2007 às 06Z e (e)
27/07/2007 às 12Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e
ECMWF

No dia 27 às 18Z a frente secundária chega à cidade de Porto Alegre. A
frente principal, já afastada para leste no oceano, apresenta a extremidade frontal
estacionária sobre o sudeste brasileiro.
No mapa de PNM e linhas de correntes em 925hPa, o vórtice ciclônico de
ar frio (VCAF) que se formou a sudoeste do ciclone principal, no setor frio do
ciclone, na retaguarda da frente fria principal, apresenta uma isóbara fechada de
990hPa. O cavado frontal se estende desde o centro do ciclone até o litoral do
RS, não adentrando o continente.
Na Figura 4.14b, a vorticidade negativa no centro do ciclone B2 apresenta
uma intensidade de −18𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 . Ao se afastar do centro, a vorticidade perde

força, e fica nula sobre o cavado.

O gradiente de temperatura, apresentado na Figura 4.14c, mostra a frente
principal mais a norte, e a FS passando sobre POA com valores de até 3°/100km,
que coincide com o campo de espessura e o cavado bárico.
A Figura 4.14dmostra que os gradiente de θe são mais intensos que os de
temperatura, mostrando com mais precisão a posição das duas frentes. No caso
da FS, o gradiente se liga ao centro do ciclone B2, e se intensifica sobre o
continente, acompanhando o cavado.

64

B2

B2
(a)

(b)

B
2

B2

(c)
FIGURA 4.14 -

(d)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo
de PNM no dia 27/07/2007 às 18Z: (a) Linhas de Corrente em
925hPa (em cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa (em
cores); (c) Advecção de Temperatura Potencial Equivalente (em
cores) e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d) Temperatura.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

As imagens de satélite, apresentadas na Figura 4.15, foram sobrepostas
com os campos de PNM (4.18a) e espessura (4.18b). Nessas imgens é possível
ver a banda de nuvens da frente principal sobre o norte de SP, sul do MT, norte
de MS, sul de GO, sul de MG e RJ, se estendendo para sudeste em direção ao
oceano Atlântico.
A frente secundária aparece mais ao sul, onde na Figura 4.15a, a
nebulosidade aparece ao redor do centro do ciclone secundário (B2), marcado
pela isóbara de 990hPa. A nebulosidade não chega a atingir o continente, se
mantendo exclusivamento sobre o oceano.

65

Analisando a Figura 4.15b, a espessura apresenta uma curvatura próxima
ao centro do ciclone B2, compatível com a entrada de ar mais quente. A parte
fria da onda fica a leste do centro do ciclone secundário (B2), entrando sobre o
continente, onde o gradiente de espessura fica mais intenso, sobre o Uruguai e o
RS.

B2
(a)
FIGURA 4.15 -

B2
(b)

Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 27/07/2007
às 18Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b) campo de
espessura da camada 500/1000hPa. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF

O corte vertical do vento, apresentado na Figura 4.16a, mostra uma clara
divisão entre a magnitude e a direção do vento, onde a FS é vista em baixos
níveis (700hPa), na latitude da cidade de Porto Alegre (30°S). Na retaguarda da
FS, os ventos estão mais intensos em toda a atmosfera.
Na Figura 4.16b, o corte vertical a vorticidade apresenta valores positivos
na retaguarda do sistema e negativo na vanguarda. A FS se encontra na latitude
de 30°S, onde o gradiente entre a vorticidade positiva e negativa é mais intenso.
A temperatura mostra que o gradiente atinge 350hPa com 1-2°/100km. Em
baixos níveis a intensidade era maior, de até 4°/100km próximo a superfície
(Figura 4.16c).
A superfície frontal vista através da temperatura potencial equivalente
mostra o gradiente em 30°S até 300hPa, mais intenso do que o visto na
temperatura, com valores de até 7°/100km. A frente primária também é visivel
entre 15-20°S.

66

FIGURA 4.16 -

4.1.5.

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de Porto Alegre 51°W no dia
27/07/2007 às 18Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa; (c)
temperatura e (d) temperatura potencial equivalente. FONTE: de
dados de reanálise do ECMWF.

Tipo V: frente fria com ciclogênese na região sudeste (não passando por
Porto Alegre)

Caso 17
No dia 30/10/2011 às 06Z, no cavado procedente do ciclone localizado em
50°S/32°W, ocorre uma ciclogênese, em torno de 30°S/48°W. Ao se deslocar
para leste, às 18Z, o cavado frontal atinge a cidade de São Paulo.
No mapa de linhas de correntes em 925hPa e PNM dia 30/10/2011 às 18Z,
a Figura 4.17a apresenta uma isóbara fechada de 1005hPa em torno de
30°S/40°W (B2), onde mais ao sul é observado outro sistema ciclônico maior e
mais intenso, com o centro fora da grade e pressão de 980hPa (B1).
A vorticidade relativa apresenta um valor de −15𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 no centro do

ciclone (B2). Cercada por vorticidade positiva, o ciclone principal faz parte do

cavado do ciclone mais ao sul (B1). O campo de PNM coincide perfeitamente

67

com o núcleo de valores maiores de vorticidade negativa, confirmando a
presença do ciclone, aproximadamente em 30°S/42°W (Figura 4.17b).
Na Figura 4.17a, o gradiente de temperatura é vista sobre a parte sul do
ciclone B2 e também sobre a FF sobre a cidade de SP. A espessura é bem intensa
sobre o gradiente de temperatura.
Na temperatura potencial equivalente, o gradiente aumenta de intensidade,
principalmente no setor sul do B2, com valores que cegam a 10°/100km. Na FF,
o gradiente se intensifica sobre o continente com valores também de até
10°/100km.

B2

B2

B1

B1

(a)

(b)

B2

B2

B1

(c)
FIGURA 4.17 -

B1

(d)

Campos meteorológicos em baixos níveis sobrepostos no campo
de PNM no dia 30/10/2011 às 18Z: (a) Vento em 925hPa (em
cores); (b) Vorticidade Relativa em 925hPa (em cores); (c)
Temperatura e Espessura 500/1000hPa (pontilhada) e (d)
Temperatura Potencial Equivalente. FONTE: dados de reanálise
do ECMWF.

68

As imagens de satélite, apresentadas na Figura 4.18, mostram a
nebulosidade sobreposta com os campos de PNM, espessura e linha de corrente
em 200hPa.
Na Figura 4.18a, a nebulosidade frontal se estende desde o ciclone B2 até
o continente. O ciclone B1 apresenta a isóbara fechada no encontro da
nebulosidade proveniente do ciclone B2 com a nebulosidade da corrente de jato.
O campo de espessura na Figura 4.18b, mostra que a nebulosidade se
alinha perfeitamente à espessura tanto do ciclone B1, quanto do ciclone B2. A
nebulosidade se espande na parte quente do sistema e apresenta nuvens
cumuliformes e cirrus.
A Figura 4.2c ao sobrepor as linhas de correntes em 200hPa, mostra a
influência da corrente de jato na nebulosidade. Posicionada exatamente sobre o
ciclone B1, a corrente de jato apresenta uma região com nuvens Cirrus estriadas
perpendicularmente à sua posição.

B2

B2

B1

B1

(a)

(b)

69

B2

B1

(c)
FIGURA 4.18 -

Imagem de satélite do canal infravermelho para o dia 30/10/2011
18Z sopreposta com: (a) campo de PNM (b) campo de espessura
da camada 500/1000hPa (c) campo de linha de corrente em
200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF

A Figura 4.19 apresenta os cortes verticais feitos na longitude da cidade de
São Paulo. A seção vertical do vento (Figura 4.19a) mostra que na vanguarda da
frente fria os ventos estão mais intensos e a mudança de direção ocorre
exatamente onde a FF se posiciona em 700hPa. Na vanguarda os ventos são mais
fracos. É possível observar a inclinação da frente, em direção ao sul, até altos
níveis.
No campo de vorticidade (Figura 4.19b), o corte vertical mostra que
gradiente está localizado na divisa entre vorticidade negativa (na vanguarda) e
vorticidade positiva (na retaguarda). Entre 750-600hPa há um núcleo com
vorticidade negativa de até −4𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1 .

O corte vertical na temperatura mostra o gradiente frontal até 300hPa, com

pequenas variaçõs de intensidade entre 1-3°/100km na superfície e acima de
500hPa (Figura 4.19c).
Na Figura 4.19d a temperatura potencial equivalente atinge 250hPa
também com valores mínimos. Apresenta valores de até 10°/100km entre a
superfície e 600hPa, diminuindo à medida que o nível aumenta.

70

FIGURA 4.19 -

4.2.

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical sobre a longitude de São Paulo 46°W no dia
30/10/2011 às 18Z de: (a) vento; (b) vorticidade relativa; (c)
temperatura e (d) temperatura potencial equivalente. FONTE: de
dados de reanálise do ECMWF.

Modificações dos tipos de nebulosidade durante a passagem da frente fria para o
NEB
A frente fria, até chegar ao estado de Alagoas, sofre modificações na sua
estrutura. A seguir, são apresentadas as mudanças que a nebulosidade exibiu ao
passar pelos pontos de observação já mencionados anteriormentes.
A tabela 4.2 mostra todos os caso, divididos pelo tipo de nebulosidade, e as
modificações que sofreram ao longo do percurso até o estado de Alagoas,
representado pela cidade de Maceió.

71

TABELA 4.2 –

4.2.1.

4.2.1.1.

Modificação do tipo de nebulosidade em cada ponto de observação. Fonte:
Autora

Modificações das frentes do tipo I

Modificações do caso padrão do tipo I

Caso 4
O caso começa em Porto Alegre como uma frente fria clássica, onde
a nebulosidade frontal está dividida igualmente entre oceano e continente.
Ao atingir a cidade de São Paulo, apresenta uma associação da
nebulosidade frontal com uma convecção sobre o continente, sendo então
representada pelo tipo IIIA, mantendo-se assim por Salvador e Maceió.
A Figura 4.20 apresenta as imagens de satélite sobrepostas com
linhas de correntes em 925hPa, representando todo o sistema frontal, desde
Porto Alegre até chegar ao estado de Alagoas.

72

De Porto Alegre a São Paulo o ciclone principal (B1) continua seu
deslocamento na direção sudeste (Figura 4.20a), e no dia 20 às 06Z ocorre
uma ciclogênese no norte do Paraguai em 22°S/60°W (Figura 4.20b). No
dia 21 às 18Z esse novo ciclone está posiconado sobre o oceano Atlântico
Sul, aproximadamente em 32°S/40°W com um centro de 1005hPa (B2),
ainda no estágio de ciclone jovem, e a sua frente fria sobre a cidade de São
Paulo (Figura 4.20c). O ciclone B2 também apresenta um deslocamento
para sudeste, e no dia 23 às 12Z aproximadamente em 28°S/29°W sofre
uma regeneração no cavado frontal, apresentando uma isóbara fechada de
1015hPa, originando um terceiro ciclone (B3) (Figura 4.20d).
No dia 24 às 00Z, a frente fria atinge a cidade de Salvador (Figura
4.20e). No dia 26 às 00Z, o ciclone B3 ao seguir a trajetória sudeste une-se
a outro ciclone mais ao sul, porém a sua extremidade frontal atinge a cidade
de Maceió (Figura 4.20f).
No dia 25 ocorre os maiores volumes registrados de precipitação ns
regiões do Litoral com 26,5mm e no Baixo São Francisco com 23.3mm. No
dia 26, o Baixo São Francisco continua registrando os maiores volumes
com 14,6mm, seguido do Litoral e do Agreste ambos com 13,2mm
registrados, como mostra a tabela 4.3.

TABELA 4.3 – Precipitação registrada as zonas climáticas do estado de Alagoas,
para os dias 25, 26 e 27 de maio de 2002. Fonte: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

25/mai
7.6
6.7
13.1
12.4
26.5
23.3

26/mai
1.8
3.0
13.2
8.1
13.2
14.6

27/mai
0.0
0.2
0.0
1.7
1.3
1.3

73

B2

B1
(a)

(b)

B3
B2

(c)

(d)

B3
B3

(e)
FIGURA 4.20 -

(f)

Imagens de satélite do canal infravermelho sobreposta com linhas
de correntes em 925hPa para os dias: a) 19/05/2002 06Z; b)
20/05/2002 06Z; c) 21/05/2002 08Z; d) 23/05/2002 12Z; e)
24/05/2002 00Z e f) 26/05/2002 00Z. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF

74

Vento
A Figura 4.21 mostra o corte vertical feito no vento em todos os
pontos de observação do caso 4.
Em POA (Figura 4.21a), ciclogênese (Figura 4.21b) e regeneração
(Figura 4.21d) apresentam características frontais até 700hPa.
Em SP (Figura 4.21c) o vento fica mais intenso na retaguarda do
sistema em baixos níveis, e a superfície fronta é vista até 750hPa.
Em SALV (Figura 4.21d) e MCZ (Figura 4.21f) o vento está bem
fraco, sendo possível ver a superfície frontal somente até Salvador,
atingindo 900hPa.

(a)

(b)

(c)

(d)

75

(e)
FIGURA 4.21 -

(f)

Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias: a) 19/05/2002
às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z (lon 46°W) - SP; d)
23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002 às
00Z (lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Vorticidade Relativa
A vorticidade apresenta valores negativos apenas nos ponto de
observação de: POA (Figura 4.22a) até 650hPa e na ciclogênese (Figura
4.22b) até 350hPa.
Em SP (Figura 4.22c) a vorticidade é positiva (anticiclônica) da
superfície até 900hPa.
Nas Figuras 4.22d, 4.22e e 4.22f, da regeneração, Salvador e Maceió
respectivamente, não apresentam características frontais, sendo nula a
vorticidade nas latitudes correspondentes.

(a)

(b)

76

FIGURA 4.22 -

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a)
19/05/2002 às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 21/05/2002 às 06Z
(lon 47°W) - ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z (lon 46°W)
- SP; d) 23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e)
24/05/2002 às 00Z (lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às
00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura
A temperatura também não apresentou gradientes frontais em todos
os pontos de observação.
Em POA (Figura 4.23a), SP (Fgura 4.23c) e na regeneração (Figura
4.23d) o gradiente se mantém em baixos níveis, não ultrapassando os
700hPa. Na ciclogênese (4.23b), o gradiente vai até altos níveis, atingindo
250hPa com valores de 1-2°/100km.
Em SALV (Figura 4.23e) e MCZ (Figura 4.23f) o gradiente é nulo.

77

FIGURA 4.23 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 19/05/2002
às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 21/05/2002 às 06Z (lon 47°W)
- ciclogênese; c) 21/05/2002 às 12Z (lon 46°W) - SP; d)
23/05/2002 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002
às 00Z (lon 38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
O corte vertical de θe mostra a superfície frontal em todos os pontos
de observação no mínimo até 300hPa.
A ciclogênese (Figura 4.24b) mostra um gradiente mais intenso entre
850-700hPa de até 7°/100km, mas atinge 250hPa com apenas 1-2°/100km.

78

Em SP (Figura 4.24c) e na regeneração (Figura 4.24d) os gradientes
atingem 200hPa com o valor mínimo. Em SP o gradiente é mais intenso
com valores de até 7°/100km entre a superfície e 600hPa. Na regeneração, o
gradiente é mais fraco mas ocupa mais área, e mantém o valor de 4°/100km
da superfície até 400hPa.
Tanto em SALV (figura 4.24e) quanto MCZ (Figura 4.24f) o
gradiente atinge até 300hPa também com a intensidade mínima, porém em
médios níveis é registrado, em ambos os pontos de observação, valores mais
altos, de até 4°/100km.

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

79

FIGURA 4.24 -

4.2.1.2.

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 19/05/2002 às 06Z (lon 51°W) - POA; b)
21/05/2002 às 06Z (lon 47°W) - ciclogênese; c)
21/05/2002 às 12Z (lon 46°W) - SP; d) 23/05/2002 às 12Z
(lon 30°W) - regeneração; e) 24/05/2002 às 00Z (lon
38°W) – SALV e f) 26/05/2002 às 00Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Modificações dos outros casos do tipo I

Caso 3
No dia 19 de abril de 2000 às 06Z uma FF clássica se aproxima de
POA, apresentando nebulosidade igualmente distribuida entre oceano e
continente (tipo I). Após manter a mesma nebulosidade em SP no dia 20 às
06Z e SALV dia 23 às 12Z, a extremidade frontal (EF) chega em MCZ no
dia 24 às 12Z com pouca nebulosidade sobre o continente.
A Tabela 4.4 mostra que o maior volume foi registrado um dia após
a passagem da EF, no dia 25 na região do Litoral com uma média de
39,5mm.

TABELA 4.4 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas, para os dias 23, 24 e 25 de abril de 2000. FONTE:
SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

23/abr
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0

24/abr
0.0
0.2
0.0
6.4
6.3
1.4

25/abr
3.0
3.6
6.1
20.1
39.5
11.5

Temperatura
No caso 3 a temperatura não se mostrou uma boa variável para a
identificação frontal, pois apenas a Figura 4.25a que representa a cidade de
POA, apresenta gradiente até 700hPa. Nos demais pontos de observação o
gradiente frontal é nulo.

80

FIGURA 4.25 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 19/04/2000
às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 20/04/2000 às 06Z (lon 46°W)
- SP; c) 23/04/2000 às 12Z (lon 38°W) - SALV e d)
24/04/2000 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
O corte vertical em θe mostra, diferente do observado na
temperatura, gradientes com características frontais até altos níveis.
Em POA (Figura 4.26a) as características são bem intensas, até
600hPa com 7°/100km, mas chega em 350hPa com valores de até
2°/100km.
Em SP, os gradientes chegam em 150hPa com 1-2°/100km, porém,
em níveis mais baixos, camparando com os encontrados em POA, perdem
intensidade apresentando valores de até 5°/100km entre 800-500hPa (Figura
4.26b).
Tanto em SALV (Figura 4.26c) quanto em MCZ (Figura 4.26d) a
superfície frontal se estende até 400hPa. Apesar disso, o gradiente em
Salvador mostra valores entre 7-10°/100km entre os níveis de pressão de

81

800-600hPa, enquanto que em Maceió os valores mais intensos se
encontram entre 800-700hPa.

FIGURA 4.26 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 19/04/2000 às 06Z (lon 51°W) - POA; b)
20/04/2000 às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 23/04/2000 às 12Z
(lon 38°W) - SALV e d) 24/04/2000 às 12Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Caso 8
A FF chega à POA às 12Z do dia 06 de agosto de 2004,
apresentando uma extremidade frontal que se extende até o oceano Pacífico.
No dia 08 às 00Z a FF se encontra sobre SP e com o deslocamento
do sistema para leste, a nebulosidade frontal está principalmente sobre o
oceano, enquanto que sobre o continente ocorre a união entre as
nebulosidade frontais e da CJ (tipo IIIB). No mesmo dia, às 06Z, ocorre
uma regeneração na FF em 35°S 39°W.
No dia 10 às 00Z a EF está sobre Salvador, a nebulosidade sobre o
continente é pouca e sobre o oceano continua bem definida (tipo II).

82

Em Maceió, no dia 11 de agosto às 00Z a EF chega sem
nebulosidade próxima a costa de Alagoas. A Tabela 4.5 mosta que a
precipitação ocorreu principalmente no dia 10, nas regiões do Litoral e
Zona da Mata com 31,3 e 25,3mm respectivamente, de média registrada.
TABELA 4.5 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas, para os dias 10, 11 e 12 de agosto de 2004.
FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

10/ago
5.0
2.6
5.3
25.3
31.3
5.9

11/ago
1.9
3.4
9.3
9.2
7.9
1.4

12/ago
0.1
0.2
1.9
2.8
2.0
0.4

Temperatura
A Figura 4.27 mostra o corte vertical feito nos pontos de observação
do caso 8.
Nas Figuras 4.27a; 4.27b e 4.27c, que respectivamente representam
os pontos de: POA; SP e regeneração, é observado que o gradiente atinge
altos níveis com o valor de 1-2°/100km. Em Porto Alegre e São Paulo o
gradiente é mais intenso em baixos níveis com valores de até 3°/100km da
superfície até 900hPa.
Em SALV (Figura 4.27d) e MCZ (Figura 4.27e) não foram
observadas características frontais.

(a)

(b)

83

(c)

(d)
FIGURA 4.27 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 06/08/2004
às 12Z (lon 51°W) - POA; b) 08/08/2002 às 00Z (lon 46°W)
- SP; c) 08/08/2004 às 06Z (lon 39°W) - ciclogênese; d)
10/08/2004 às 00Z (lon 38°W) - SALV e e) 11/08/2004 às
00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
A temperatura potencial equivalente mostra o gradiente até altos
níveis em todos os pontos de observação. À medida que o gradiente se
aproxima de latitudes mais baixas, vai perdendo intensidade.
Em POA (Figura 4.28a) o gradiente passa pela tropopausa e atinge
100hPa com 1-2°/100km. Manteve uma intensidade moderada de até
4°/100km até 400hPa, com núcleos mais intensos de até 7°/100km entre a
superfície-900hPa e 800-600hPa.
Em SP apenas diminui a intensidade, chegando aos 300hPa, e os
núcleos mais intensos tbm não mudam de altitudes, apenas diminuem a área
(Figura 4.28b).

84

Na regeneração (Figura 4.28c) o gradiente vai ate 100hPa com
valores de 1-2°/100km, e ainda apresenta um núcleo mais intenso em
800hPa de até 5°/100km.
Em Salvador, a Figura 4.28d mostra que as características frontais
alcançam 250hPa com 1-2°/100km e pouca variação na intensidade.
Maceió também mostra o gradiente em altos níveis, 100hPa, com
queda de 1-2°/100km e entre 900-600hPa

chega a 3°/100km (Figura

4.28e).

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

85

FIGURA 4.28 -

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 06/08/2004 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
08/08/2002 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 08/08/2004 às 06Z
(lon 39°W) - ciclogênese; d) 10/08/2004 às 00Z (lon 38°W)
- SALV e e) 11/08/2004 às 00Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Caso 16
O caso 16 passa por Porto Alegre no dia 13 de agosto de 2010 às
06Z e sua nebulosidade se estende de Porto Alegre até a Cordilheira dos
Andes ao norte da Argentina (tipo I).
Ao atingir SP no dia 14 às 00Z, com o sistema frontal posicionado
mais a leste, a nebulosidade da FF sobre o continente é fraca e se concentra
sobre o oceano no setor quente do ciclone (tipo II). Às 06Z do dia 14 ocorre
a primeira regeneração em 35°S 40°W.
No dia 17 às 00Z a segunda regeneração ocorre em 28°S 22°W e ao
mesmo tempo a EF chega à Salvador com pouca nebulosidade porém que
cobre toda a parte leste da BA (tipo I).
Às 18Z do dia 17 a EF está sobre Maceió, com a nebulosidade rasa e
sobre toda a parte leste do NEB (tipo II). Apesar disso, a Tabela 4.6 mostra
que a média de precipitação entre o dia 16 e 18 de agosto de 2010 no estado
de Alagoas não passou de 11,8mm no dia 18 na região do Baixo São
Francisco.
TABELA 4.6 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas, para os dias 16, 17 e 18 de agosto de 2010.
FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

16/ago
1.7
1.7
0.2
0.2
0.0

17/ago
4.0
0.2
6.8
10.3
5.5

18/ago
3.9
1.5
8.7
11.2
11.8

Temperatura
O corte vertical feito na variável de temperatura mostra que as
características frontais se mantiveram entre baixos e médios níveis.
Em POA (Figura 4.29a) o gradiente mostra valores de 1-2°/100km
até 750hPa.

86

Na Figura 4.29b, em SP, a superfície frontal atinge, entre a superfície
e 800hPa até 3°/100km, porém chega aos 600hPa com 1-2°/100km.
Na primeira regeneração, o gradiente alcança 700hPa com 12°/100km, mas apresenta uma pequena intendificação próximo de 850hPa
(Figura 4.29c). Já na segunda regeneração, os valores são mínimo, porém
constante da superfície até 550hPa.
Em SALV (Figura 4.29e) não foram registradas carcaterísticas
frontais, mas em MCZ (Figura 4.29f) são observadas até 900hPa.

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

87

FIGURA 4.29 –

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 13/08/2010
às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 14/08/2010 às 00Z (lon 46°W)
- SP; c) 14/08/2010 às 06Z (lon 40°W) - regeneração; d)
17/08/2010 às 00Z (lon 22°W) - regeneração; e) 17/08/2010
às 00Z (lon 38°W) - SALV e f) 17/08/2010 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
A Figura 4.30 representa o corte vertical feito nos pontos de
observação do caso 16, e em todos o gradiente atinge até altos níveis.
Em POA (Figura 4.30a) o gradiente frontal se encontra sobre a linha
preta, com baixa intensidade e que alcaça até 350hPa. O gradiente mais
intenso em 35°S é visto nas imagens horizontais como sendo o centro do
ciclone que se posiciona sobre a mesma longitude.
Em SP (Figura 4.30b), as características frontais são mais intensas,
chegando aos 300hPa com o mesmo valor que em POA, porém entre a
superfície e 500hPa o gradiente aumenta de intensidade chegando a
apresentar perda de 7°/100km.
Ambas as regenerações (Figura 4.30c e 4.30d) mostram que os
gradientes atingem acima de 150hPa com intensidade de até 2°/100km,
porém entre 1000-600hPa ocorre um aumento da intensidade chegando a
apresentar valores de até 5°/100km.
Em SALV (Figura 4.30e) a superfície frontal também ultrapassa a
tropopausa e atinge 100hPa com valores de 1-2°/100km. Porém em MCZ
(Figura 4.30f) chega somente até 250hPa.

(a)

(b)

88

FIGURA 4.30 -

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para os
dias: a) 13/08/2010 às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 14/08/2010
às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 14/08/2010 às 06Z (lon 40°W) regeneração; d) 17/08/2010 às 00Z (lon 22°W) - regeneração;
e) 17/08/2010 às 00Z (lon 38°W) - SALV e f) 17/08/2010 às
18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

A Tabela 4.7 mostra até que nível de pressão a variável apresentou
as características frontais nos casos com tipo I de nebulosidade no primeiro
ponto de observação (POA), e o desenvolvimento dos mesmos até a
chegada do sistema em MCZ.
O vento se manteve em baixos níveis, não ultrapassando 600hPa,
porém essa característica não exibiu, em nenhum caso, superfície frontal
sobre MCZ.
A vorticidade também não apresentou resultados muito conclusivos,
variando entre atmosferas com vorticidade nula, positiva ou negativa em
baixos níveis. Somente a ciclogênese do caso 4 mostrou valores de
vorticidade negativa até 350hPa.
A temperatura foi outra variável que, em muitos pontos de
observação, não registrou gradientes com queda de temperatura o suficiente

89

para ser classificada como frontal (1°/100km). Quando apresentou, os
gradientes variaram entre 900-250hPa, sempre atingindo a maior altura com
o menor valor.
Somente a temperatura potencial equivalente consegue registrar
gradientes frontais até latitudes próximas do equador. Os níveis de pressão
máximos variam entre 400-100hPa onde também apresentam o valor
mínimo (1-2°/100km), porém a intensidade em médios e baixos níveis
chega a variar entre 1-7°/100km.
TABELA 4.7 –

4.2.2.

4.2.2.1.

Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos
pontos de observação do tipo IV. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF.

caso
caso 3
caso 4
caso 8
caso 16

vento
700hPa
700hPa
600hPa
nulo

PORTO ALEGRE
vorticidade temperatura
700hPa
600hPa
650hPa
800hPa
750hPa
250hPa
975hPa
750hPa

θe
350hPa
300hPa
100hPa
350hPa

caso
caso 3
caso 4
caso 8
caso 16

vento
750hPa
750hPa
700hPa
800hPa

SÃO PAULO
vorticidade temperatura
nulo
nulo
p 900hPa
850hPa
300hPa
nulo
nulo
600hPa

θe
150hPa
200hPa
300hPa
300hPa

caso
caso 3
caso 4
caso 8
caso 16

vento
950hPa
900hPa
900hPa
nulo

SALVADOR
vorticidade temperatura
750hPa
nulo
nulo
nulo
800hPa
nulo
nulo
nulo

θe
400hPa
300hPa
250hPa
200hPa

caso
caso 3
caso 4
caso 8
caso 16

vento
nulo
nulo
900hPa
nulo

MACEIÓ
vorticidade temperatura
nulo
nulo
nulo
nulo
850hPa
nulo
900hPa
nulo

θe
400hPa
300hPa
100hPa
250hPa

caso
caso 4
caso 8
caso 16 (1)
caso 16 (2)

vento
700hPa
700hPa
600hPa
900hPa

REGENERAÇÃO
vorticidade temperatura
nulo
700hPa
p 700hPa
400hPa
p 800hPa
750hPa
p 750hPa
550hPa

θe
200hPa
100hPa
150hPa
100hPa

caso
caso 4

vento
700hPa

CICLOGÊNESE
vorticidade temperatura
250hPa
350hPa

θe
250hPa

Modificações das frentes do tipo II

Modificações do caso padrão do tipo II

Caso 11
No dia 30 de abril de 2006 às 12Z uma frente fria com chega à
cidade de POA. Apresentando pouca nebulosidade sobre e continente, se
concentrando mais no oceano (tipo II), a frente fria está ligada a um ciclone
extratropical (Figura 4.31a).
Com deslocamento para nordeste, o sistema frontal chega à SP no
dia 02 de maio às 18Z. A nebulosidade se concentra no oceano, tanto na
frente fria, quanto no centro do ciclone. O continente continua apresentando
pouca nebulosidade (tipo II) (Figura 4.31b).

90

No dia 02, o ciclone principal se deslocou para leste, na longitude de
40°W, onde permaneceu até o dia 05, quando começou a enfraquecer e se
uniu a outro ciclone que passava ao sul de 40°S.
A EF atinge SALV no dia 06 às 06Z, como mostra a Figura 4.31c. O
ciclone não é mais visto na imagem de satélite nem no mapa do vento em
925hPa, porém é possível identificar um cavado próximo de 20°S30°W. A
nebulosidade continua mais intensa sobre o oceano (tipo II).
No dia 07 às 18Z, a EF chega à MCZ (Figura 4.31d). A imagem de
satélite mostra que pouca nebulosidade sobre o continente e também sobre o
oceano nas proximidades do estado de Alagoas. O mapa de linhas de
correntes em 925hPa mostram que sobre Alagoas, os ventos são moderados
e de quadrante sul. Tanto que, o maior volume registrado foi o de 10,7 mm
no dia 07 de maio na Zona da Mata (Tabela 4.8).
TABELA 4.8 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 06, 07 e 08 de maio de 2006. FONTE:
SEMARH-AL.

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

(a)

06/mai
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0

07/mai
0.0
1.1
0.0
10.7
1.6
3.6

(b)

08/mai
0.0
0.3
1.5
8.1
4.1
8.3

91

(c)
FIGURA 4.31 -

(d)

Imagens de satélite do canal infravermelho sobreposta com
linhas de correntes em 925hPa para os dias: a) 30/04/2006 às
12Z; b) 02/05/2006 às 18Z; c) 06/5/2006 às 00Z e d)
07/05/2006 às 18Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e
ECMWF

Vento
O corte vertical do vento, de todos os pontos de observação do caso
11, é mostrado na Figura 4.32. O primeiro ponto de observação é em POA e
tem o corte feito na longitude de 51°W no dia 30 de abril de 2004 às 12Z. A
linha preta na Figura 4.32a identifica a latitude da cidade de POA, onde a
FF se encontra sobre, em baixos níveis (lat 30°S). A Figura mostra que até
850hPa os ventos apresentam uma modificação na direção e velocidade do
vento, devido à presença da FF. Acima de 600hPa nota-se o forte aumento
da velocidade do vento e a mudança brusca na direção, aumentando à
medida em que chegam à tropopausa, indicando a presença de uma CJ.
A Figura 4.32b mostra o corte feito na cidade de SP (lat 23°S e lon
46°W). Os ventos, apesar de fracos, ainda mostram uma diferença de no
mínimo 30° na direção do vento em 800hPa. Acima de 600hPa ainda é
possível notar a presença da CJ, pelo aumento da velocidade do vento e da
diferença de 180° na direção do vento.
As Figuras 4.32c de SALV (lat 12°S e lon 38°W) e 4.32d de MCZ
(lat 10°S e lon 36°W), apresentam ventos fracos em baixos níveis nos dias
em que a EF se encontrava sobre as cidades. A falta de mudança de direção
e a baixa velocidade do vento indicam que não há mais presença de
características frontais sobre esses pontos de observações.

92

FIGURA 4.32 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Vento para os dias: a) 30/04/2006 às 12Z
(lon 51°W) - POA; b) 02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c)
06/5/2006 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d) 07/05/2006 às 18Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de Reanálises do
ECMWF.

Vorticidade Relativa
A Figura 4.33 mostra a seção vertical feita na vorticidade relativa em
todos os pontos de observação do caso 11. Em POA, a Figura 4.33a mostra
que em baixos níveis, na latitude de 30°S, onde a FF se encontra sobre, a
vorticidade é positiva (anticiclônica), não indicando a presença de
vorticidade ciclônica sobre o continente. Mais ao sul de 35°S nota-se a
presença de vorticidade negativa (ciclônica) devido à presença do centro do
ciclone, nessa mesma longitude (51°W), como visto na Figura 4.31a. É
visto também que a partir de 600hPa a intensidade da vorticidade aumenta
devido à presença de ventos mais fortes em níveis mais altos.
Em SP (Figura 4.33b), a vorticidade até 800hPa é nula, acima de
700-200hPa, em 23°S, fica positiva. Apenas ao sul de 25°S que a

93

vorticidade apresenta valores negativos, mostrando o mesmo padrão que
visto em POA, onde a FF não atinge o continente, e o centro do ciclone é
visto em latitudes mais altas. Entre 500-200hPa também ocorre um aumento
da intensidade, principalmente da vorticidade negativa.
A Figura 4.33c mostra o corte vertical sobre a cidade de SALV. Em
baixos níveis, até 900hPa, é possível ver um pequeno núcleo de vorticidade
negativa na retaguarda da EF. De 850-100hPa a vorticidade se mantém
positiva, aumentando à medida que se aproxima da tropopausa.
Em MCZ (Figura 4.33d) a vorticidade é nula, não apresentando mais
ligação nenhuma com a EF.

FIGURA 4.33 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a)
30/04/2006 às 12Z (lon 51°W) - POA; b) 02/05/2006 às 18Z
(lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z (lon 38°W) - SALV e
d) 07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados
de Reanálises do ECMWF.

94

Temperatura
A Figura 4.34a mostra o corte vertical feito na cidade de POA, onde
a temperatura mostra a perda de 1-2°/100km até 300hPa, indicando a
presença da FF. Mais ao sul, em torno de 200hPa, é observado outro núcleo
onde a temperatura diminui de 2-3°/100km, rodeada por uma área com
perdas menos intensas de 1-2°/100km.
Em SP, na Figura 4.34b, pode-se ver que em baixos níveis, até
850hPa, foi registrado perdas de até 3-4°/100km. Porém, ao atingir 300hPa
a temperatura marcou uma queda mais amena, de 1-2°/100km. Mais ao sul,
também em torno de 200hPa, ainda é possivel ver o mesmo núcleo que
visto em POA, porém mais fraco.
Em SALV (Figura 4.34c) a temperatura não apresenta gradientes,
indicando a ausência de características frontais.
Já em MCZ, a Figura 4.34d mostra que até 900hPa houve uma queda
de 1-2°/100km sobre a latitude de 10°S.

FIGURA 4.34 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 30/04/2006
às 12Z (lon 51°W) - POA; b) 02/05/2006 às 18Z (lon 46°W)

95

- SP; c) 06/5/2006 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d)
07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: Dados de
Reanálises do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
A Figura 4.35 mostra os cortes verticais feitos na temperatura
potencial equivalente. Em POA (Figura 4.35a) o gradiente se mostra mais
intenso do que o visto no ítem anterior. Em baixos níveis, começa com
valores de 4-5°/100km até 850hPa, quando atinge valores de 7-10°/100km.
Acima de 700hPa a intensidade do gradiente diminui gradativamente
atingindo os 300hPa com valores de 1-2°/100km.
Na Figura 4.35b, em SP, são observados valores entre 5-10°/100km
da superfície até 700hPa. Na medida em que o gradiente atinge a altura de
300hPa, a intensidade do mesmo diminui para valores de 1-2°/100km.
Em SALV (Figura 4.35c) as características frontais são quase nulas,
de 1-2°/100km até 975hPa.
Na Figura 4.35d, em MCZ, a superfície frontal vai até 500hPa com
1-2°/100km. Em dois pontos o gradiente fica mais forte: o primeiro em
850hPa com 4-5°/100km e o segundo em 700hPa com gradiente de 710°/100km.

(a)

(b)

96

(c)
FIGURA 4.35 -

4.2.2.2.

(d)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 30/04/2006 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
02/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 06/5/2006 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 07/05/2006 às 18Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: Dados de Reanálises do ECMWF.

Modificações dos outros casos do tipo II

Caso 15
O sistema frontal começa a ser analisado no dia em que a frente fria
atinge POA, em 04 de abril de 2010 às 00Z. Após uma regeneração ocorrer
às 18Z do dia 04, em 28°S45°W, a frente fria chega à cidade de SP no dia
05 de abril às 18Z, ainda apresentando nebulosidade do tipo II. No dia 06 às
18Z, ocorre uma segunda regeneração na frente fria, em 22°S40°W. Ao
chegar à SALV, no dia 08 às 06Z, a nebulosidade do sistema frontal se une
à nebulosidade convectiva sobre o continente (tipo IIIA). Quando a
extremidade frontal atinge MCZ, no dia 10 de abril às 00Z, a nebulosidade
sobre o leste do NEB é intensa, com presença de nuvens cumulunimbus
(tipo I).
No estado de Alagoas, a precipitação já apresentou volumes
significativos no dia 09, sendo a região do Agreste com 36,4mm. No dia 10,
a região do Baixo São Francisco apresentou o maior volume acumulado do
dia, com 85,8mm registrados, como mostra a Tabela 4.9.

97

TABELA 4.9 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 09, 10 e 11 de abril de 2010. FONTE:
SEMARH-AL

09/abr
15.1
23.1
36.4
31.0
12.3
31.7

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

11/abr
23.4
13.0
19.3
19.2
8.2
17.1

10/abr
30.1
16.1
20.8
13.2
16.6
85.8

Temperatura
As seções verticais de temperatura (Figura 4.36) mostram que em
POA (Figura 4.36a), a temperatura apresentou núcleos mais intensos, de 23°/100km em 800hPa, e de 650 a 400hPa, com um núcleo ainda mais
intenso

de

3-4°/100km

em

500hPa.

Porém,

o

gradiente

chega

aproximadamente em 250hPa com valores de 1-2°/100km.
A Figura 4.36b mostra o corte vertical feito na primeira regeneração,
que ocorre em 28°S45°W, próximo ao litoral de São Paulo, no dia 04 de
abril às 18Z. O gradiente mostrou uma queda pequena na intensidade,
apresentando um núcleo com valores de 3-4°/100km entre 700 e 400hPa,
com um máximo em 500hPa de 4-5°/100km bem pequeno. Ainda assim,
atinge 300hPa com 1-2°/100km. Em 200hPa ainda é visto um núcleo mais
intenso de 2-3°/100km.
Em SP, no dia 05 às 18Z (Figura 4.36c), a FF ainda apresenta
nebulosidade do tipo II, a temperatura mostra um gradiente dividido, onde a
primeira parte atinge 800hPa com valor de 1-2°/100km, com um núcleo de
2-3°/100km da superfície até 850hPa, ainda na latitude de 23°S. A segunda
parte do gradiente aparece a partir de 900hPa, mais ao sul da cidade de SP,
com valores de 1-2°/100km que atingem 300hPa.
A segunda regeneração ocorre no dia 06 de abril às 18Z em
22°S40°W. O corte vertical mostrou um gradiente bem fraco, de 12°/100km, dividido, que se estende até 200hPa (Figura 4.36d).
Em SALV (Figura 4.36e) e MCZ (Figura 4.36f) não são observados
gradientes significativos de temperatura.

98

FIGURA 4.36 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical Temperatura para os dias: a) 04/04/2010 às
00Z (lon 51°W) - POA; b) 04/04/2010 às 18Z (lon 45°W) regeneração; c) 05/04/2010 às 18Z (lon 46°W) - SP; d)
06/04/2010 às 18Z (lon 40°W) - regeneração; e) 08/04/2010
às 06Z (lon 38°W) - SALV e f) 10/04/2010 às 00Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE:Dados de Reanálises do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Os cortes verticais apresentados na Figura 4.37 mostram valores
mais intensos do que os observados na variável de temperatura.

99

Em POA, na Figura 4.37a, os valores mais intensos, acima de 710°/100km, aparecem de 900-700hPa. Da superfície até 600hPa, o gradiente
continua intenso, de 5-7°/100km. Porém, a medida em que o gradiente se
aproxima da tropopausa, vai perdendo intensidade, ultrapassando os
200hPa, com valores de 1-2°/100km.
Na primeira regeneração, a Figura 4.37b mostra que os valores mais
altos, de 5-7°/100km, se estendem da superfície até cerca de 600hPa. A
altura máxima que a superfície frontal é vista ultrapassa os 300hPa, com
valores de 1-2°/100km .
Em SP, na Figura 4.37c, o gradiente também é dividido em dois
núcleos mais fortes de 7-10°/100km, como visto na Figura 4.36c. Porém,
esses dois núcleos estão envolvidos por valores menores de θe. O gradiente
atinge a altura de 300hPa com valores de 1-2°/100km.
A segunda regeneração é apresentada na F gura 4.37d, onde na
superfície é visto valores médios de 4-5°/100km, aumentando entre 900500hPa para valores de 5-7°/100km, e chegando aos 300hPa com valores de
1-2°/100km.
Chegando à SALV (Figura 4.37e), o gradiente chega aos 150hPa
com valores de 1-2°/100km. Desde a superfície com valores de 2-3°/100km,
atinge sua intensidade maior entre 850-450hPa, com valores que chegam à
5-7°/100km entre 600-700hPa.
Em MCZ (Figura 4.37f), o gradiente também atinge 150hPa com
valores de 1-2°/100km. Apesar de possui um corte vertical muito
semelhante ao visto em SALV, mantém os valores acima de 3-4°/100km
desde a superfície até 450hPa, com pontos mais intensos de 7-10°/100km
em 800 e 700hPa.

100

FIGURA 4.37 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical Temperatura Potencial Equivalente para os
dias: a) 04/04/2010 às 00Z (lon 51°W) - POA; b)
04/04/2010 às 18Z (lon 45°W) - regeneração; c) 05/04/2010
às 18Z (lon 46°W) - SP; d) 06/04/2010 às 18Z (lon 40°W) regeneração; e) 08/04/2010 às 06Z (lon 38°W) - SALV e f)
10/04/2010 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:Dados de
Reanálises do ECMWF.

A Tabela 4.10 mostra a altura (em hPa) em que as variáveis
analisadas (linhas de correntes, vorticidade relativa, temperatura e θe)
atingem no momento da passagem da FF ou EF sobre o ponto de
observação.
O tipo II de nebulosidade mostra que em POA, a vorticidade e o
vento não são variáveis muito boas para se visualizar a superfície frontal. Já
a temperatura e a θe mostram mudanças significativas na atmosfera até altos
níveis.
Em SP, onde os dois casos ainda pertencem ao mesmo tipo (tipo II).
As variáveis se apresentaram de forma mais homogênea. O vento identifica
características frontais apenas em baixos níveis; a vorticidade é nula em

101

ambos os casos, confirmando o fato da nebulosidade não estar sobre os
continentes. A temperatura e θe apresentam gradientes até 300hPa.
Em SALV os casos mudam de tipos de nebulosidade, devido à
ocorrencia de outros sistemas na trajetória. O caso 11, que continua
apresentando o tipo II, mostra que a vorticidade e θe foram as únicas
variáveis que identificaram padrões frontais, porém apenas em baixos
níveis, não ultrapassando 900hPa. O caso 15, que agora pertence ao tipo
IIIA, onde uma nebulosidade convectiva sobre o continente interage com a
FF, apresenta a características frontais de θe até 150hPa e ventos em baixos
níveis.
Em MCZ, os casos ainda pertencem a tipos diferentes de
nebulosidade: caso 11 no tipo II e o caso 15 no tipo I. Ambos os casos
registraram padrões de superfície frontal na variável de θe em médios e altos
níveis. O vento e a vorticidade mostram as características frontais apenas no
caso 15, e em baixos níveis. O caso 11 apresenta valores significativos
apenas nas variáveis térmicas.
A regeneração é um processo que ocorre apenas no caso 15, duas
vezes entre SP e SALV. A Tabela 4.10 mostra que ambas as regenerações
obtiveram resultados parecidos. O vento é identificado apenas em baixos
níveis, a vorticidade é nula e tanto a temperatura quanto θe apresentam
valores significativos até 300hPa.

TABELA 4.10 –

Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos
pontos de observação do tipo II. FONTE: dados de reanálise
do ECMWF.

caso
caso 11
caso 15

vento
850hPa
600hPa

PORTO ALEGRE
vorticidade temperatura
p
300hPa
nulo
250hPa

θe
300hPa
150hPa

caso
caso 11
caso 15

vento
800hPa
700hPa

SÃO PAULO
vorticidade temperatura
nulo
300hPa
nulo
300hPa

θe
300hPa
300hPa

caso
caso 11
caso 15

vento
nulo
800hPa

SALVADOR
vorticidade temperatura
900hPa
nulo
nulo
nulo

θe
975hPa
150hPa

caso
caso 11
caso 15

vento
nulo
900hPa

MACEIÓ
vorticidade temperatura
nulo
850hPa
800hPa
nulo

θe
500hPa
150hPa

caso
vento
caso 15 (1) 700hPa
caso 15 (2) 700hPa

REGENERAÇÃO
vorticidade temperatura
300hPa
nulo
nulo
200hPa

θe
300hPa
300hPa

102

4.2.3.

4.2.3.1.

4.2.3.1.1.

Modificações das frentes do tipo III

Modificações das frentes do tipo IIIA

Modificações do caso padrão do tipo IIIA

Caso 5
A Figura 4.38 mostra as imagem de satélite do canal
infravermelho, sobrepostas com mapas de linha de corrente em 925hPa
para quase todos os pontos de observação do caso 5, pois não havia
imagem de satélite para o dia 11 de outubro de 2003 às 06Z.
No dia 09 de outubro de 2003 às 06Z uma FF é observada sobre
a cidade de POA, como mostra a Figura 4.38a. É possível ver também
que a nebulosidade frontal está associada a um ciclone barotrópico no
norte da Argentina (tipo IIIA).
Ao chegar em SP no dia 10 às 12Z (Figura 4.38b), a FF já se
encontra sobre o oceano, porém a nebulosidade da EF continua sobre o
continente (tipo I).
Após a ocorrencia da regeneração no dia 11 às 06Z em 39°S
39°W, a EF atinge SALV no dia 15 às 00Z com a nebulosidade frontal
associada à uma CJ (tipo IIIB). Como mostra a Figura 4.38c, a CJ
influência a nebulosidade que está ao sul de 20°S e sobre o oceano. No
mesmo dia às 06Z uma ciclogênese se forma em 30°S 31°W, indicado
na Figura 4.38d como C1.
A Figura 4.38e mostra que no dia 17 de outubro às 12Z a
nebulosidade frontal já havia se dispersado (tipo II).
A Tabela 4.11 mostra a média da precipitação diária das regiões
climáticas de Alagoas para os dias 16, 17 e 18 de outubro de 2003,
confirmando a falta de chuva para os dias em que o sistema frontal
passa sobre o estado. O maior volume registrado é o de 22,4mm na
região do Baixo São Francisco no dia 17.

103

TABELA 4.11 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 16,17 e 18 de
outubro de 2003. FONTE: SEMARH-AL.

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

(a)

16/out
2.4
8.3
2.0
2.3
8.7
4.7

(b)

(c)

17/out
5.4
11.9
8.8
16.9
10.3
22.4

18/out
3.3
2.1
15.8
19.7
20.4
13.8

104

C1

(d)
FIGURA 4.38 -

(e)

Imagem de Satélite do canal infravermelho
sobreposto com mapa de linha de corrente de 925hPa
para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z; b) 10/10/2003 às
12Z; c) 15/10/2003 às 00Z e d) 15/10/2003 às 06Z e
e) 17/10/2003 às 12Z. FONTE: Adaptada de
CPTEC/INPE e ECMWF

Vento
A Figura 4.39 mostra o corte vertical feito na variável vento em
todos os pontos de observação do caso 5.
As características frontais do vento são registrada somente em
baixos níveis, não ultrapassando 700hPa.
Em POA (Figura 4.39a) e SP (Figura 4.39b) os ventos são um
pouco mais intensos na retaguarda do sistema, facilitando a
identificação da superfície frontal até 700hPa. Em ambas as cidades,
acima de 500hPa ocorre um aumento gradativo da velocidade do
vento devido à processos que ocorrem em altos níveis.
Apesar da Figura 4.39c mostrar que, sobre a latitude em que
ocorreu a regeneração, não foram registradas características frontais.
Porém, mais ao norte, aproximadamente em 36°S é observado
barbarelas com diferentes intensidades e direções até 700hPa.
Tanto na Figura 4.39d (SALV) quanto na 4.39e (ciclogênese),
apesar dos ventos estarem fracos e de difíciel identificação, é possível
ver que a superfície frontal se estende até 900hPa e 700hPa
respectivamente.

105

Em MCZ (Figura 4.39f) não foi observado nenhuma
característica frontal.

FIGURA 4.39 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias:
a) 09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) - POA; b)
10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003
às 06Z (lon 39°W) - regeneração; d) 15/10/2003 às
00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às 06Z (lon
31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Vorticidade Relativa

106

A vorticidade apresentou resultados diversos, atingindo tanto
baixos quanto médios níveis, sendo nula apenas em SP (Figura 4.40a).
A Figura 4.40c mostra a altura máxima que a vorticidade na
regeneração apresenta características frontais é 500hPa. De 500150hPa a vorticidade negativa de deve à processos em altos níveis.
Em SALV (Figura 4.40e) e MCZ (Figura 4.40f) o gradiente se
estende somente até 800hPa.

FIGURA 4.40 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os
dias: a) 09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) - POA; b)
10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003
às 06Z (lon 39°W) - regeneração; d) 15/10/2003 às
00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às 06Z (lon

107

31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura
A Figura 4.41a mostra que a temperatura em POA apresenta
características frontais de queda de 1-2°/100km até 150hPa.
Em SP (Figura 4.41b) a superfície frontal chega apenas até
750hPa, enquanto que na regeneração (Figura 4.41c) o gradiente
atinge 650hPa.
Em SALV (Figura 4.41d), na ciclogênese (Figura 4.41e) e em
MCZ (Figura 4.41f) não foram observados gradientes frontais sobre
essas latitudes.

(a)

(b)

(c)

(d)

108

(e)
FIGURA 4.41 -

(f)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) - POA; b)
10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 11/10/2003
às 06Z (lon 39°W) - regeneração; d) 15/10/2003 às
00Z (lon 38°W) - SALV; e) 15/10/2003 às 06Z (lon
31°W) - ciclogênese e f) 17/10/2003 às 12Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Os cortes verticais de θe apresentam gradientes até altos níveis,
e intensidades maiores baixo de 500hPa.
Em latitudes mais altas como POA (Figura 4.42a) e SP (Figura
4.42b) a superfície frontal chega a 100hPa e 250hPa respectivamente,
com a mesma intensidade de até 2°/100km. Também possuem a parte
mais intensa do gradiente abaixo de 700hPa, chegando a 10°/100km.
A Figura 442c mostra que a regeneração, além de também
ocorrem em latitudes altas (39°S) apresenta valores de até 2°/100km
na tropopausa em 100hPa.
Em SALV (Figura 4.42d) o gradiente está posicionado mais ao
sul da latitude da cidade, porém o gradiente se estente até 250hPa,
com um ponto mais intenso de até 5°/100km em 700hPa.
Durante a ciclogênese, a Figura 4.42e mostra que a intensidade
em toda superfície frontal diminui consideravelmente, apresentando
apenas os valores mínimos até 500hPa.
Em MCZ (Figura 4.42f) o gradiente está intenso novamente,
apresentando características frontais até 350hPa.

109

FIGURA 4.42 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente
para os dias: a) 09/10/2003 às 06Z (lon 51°W) POA; b) 10/10/2003 às 12Z (lon 46°W) - SP; c)
11/10/2003 às 06Z (lon 39°W) - regeneração; d)
15/10/2003 às 00Z (lon 38°W) - SALV; e)
15/10/2003 às 06Z (lon 31°W) - ciclogênese e f)
17/10/2003 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF.

110

4.2.3.1.2.

Modificações dos outros casos do tipo IIIA

Caso 6
No dia 01 de novembro de 2003 às 06Z, uma FF chega à cidade
de POA, com a nebulosidade associada a um ciclone barotrópico em
baixos níveis localizado ao sul do Mato Grosso do Sul (MS). Em altos
nívies é observado da presença de uma AB no interior do continente
Sul Americado (tipo IIIA).
Após 24 horas, no dia 02 às 06Z a FF se encontra sobre SP. A
nebulosidade continua associada a uma convecção em baixos níveis
sobre o continente, e a AB ainda é vista em altos níveis. A diferença
está na nebulosidade da CJ sobre o oceano, que também se liga na
nebulosidade frontal (IIIB).
Antes de atingir Salvador, ocorrem duas regenerações no dia 03.
A primeira acontece às 00Z em 35°S 30°W e a segunda às 12Z em
36°S 36°W.
No dia 04 às 12Z a EF avança sobre SALV e apesar da CJ não
influenciar mais, a nebulosidade frontal continua associada à uma área
de convergência de massa em baixos níveis no interior do continente, o
que contribui para um aumento da nebulosidade (IIIA).
Quando a EF chega à Maceió, a nebulosidade sobre o continente
está mais escassa, ainda é observada uma área de convergência sobre o
continente ligada ao sistema frontal.
Porém, pouca precipitação foi registrada tanto no dia em que a
EF se encontra sobre Maceió, quanto nos dias adjacentes. Os maiores
valores ocorreram no dia 5 nas regiões do Agreste e Sertão do São
Francisco com 25,6mm e 18mm respectivamente, como mostra a
Tabela 4.12.

111

TABELA 4.12 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 05,06 e 08 de
novembro de 2003. FONTE: SEMARH-AL.

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão do São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

04/nov
40.1
0.0
5.6
3.1
2.0
44.6

05/nov
11.3
18.0
25.6
7.4
7.9
10.3

06/nov
6.7
10.4
14.1
2.2
3.5
21.3

Temperatura
A Figura 4.43 mostra o corte vertical feito nos pontos de
observação do caso 6 na variável temperatura.
Em POA (Figura 4.43a) o gradiente se estente até 300hPa com
1-2°/100km, e apresenta a maio intensidade entre 700-500hPa com 34°/100km.
Na Figura 4.43b, quando a FF chega à SP, é observada uma
diminuição no gradiente frontal. Apesar de alcançar 300hPa, a
intensidade foi a mesma em todo gradiente, de 1-2°/100km.
Das regenerações, apenas a primeira apresentou características
frontais. Na Figura 4.43c é visto que até 800hPa a intensidade era de
até 3°/100km, acima disso açém da área do gradiente expandir, atinge
os 400hPa com queda de de 1-2°/100km.
Apesar de não apresentar superfície frontal em SALV (Figura
4.43e), em MCZ é encontrado valores de 1-2°/100km até 850hPa e
aumenta para 2-3°/100km próximo da superfície.

(a)

(b)

112

FIGURA 4.43 -

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
01/11/2003 às 06Z (lon 51°W) - POA; b) 02/11/2003
às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 03/11/2003 às 00Z (lon
30°W) - regeneração; d) 03/11/2003 às 12Z (lon
36°W) - regeneração; e) 04/11/2003 às 12Z (lon
38°S) - SALV e f) 05/11/2003 às 18Z (lon 36°S) –
MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
As seções verticais de θe mostram gradientes mais intensos,
principalmente em médios níveis.
Na Figura 4.44a, a superfície frontal se estende até 250hPa com
1-2°/100km. Porém, entre a superfície e 550hPa os valores são mais
altos, chegando até a 7°/100km.
Em SP, na Figura 4.44b, o gradiente também começa alto na
superfície, com valores de até 7°/100km. Até 500hPa, o gradiente
apresentava intensidade de 5°/100km. Ao atingir 250hPa a intensidade
diminui para 1-2°/100km.
Ambas as regenerações apresentam características frontais de
θe, porém a primeira regeneração (Figura 4.44c) é mais intensa, com

113

gradientes de até 7°/100km entre a superfície e 700hPa. Ao atingir os
300hPa, a intensidade havia diminuindo, tendo queda de 1-2°/100km.
Na segunda regeneração (Figura 4.44d), chega à 500hPa com 12°/100km, e apresenta na superfície valores mais altos de até
4°/100km.
Em SALV (Figur 4.44e) o gradiente é mais intenso entre 900500hPa com queda de até 7°/100km. Ao atingir 300hPa a intensidade
diminui para até 2°/100km.
Na Figura 4.44f, a área mais intensa continua em médios níveis
mas diminui de tamanho, apresentando valores de até 7°/100km entre
850-600hPa. O gradiente em 250hPa é de até 2°/100km.

(a)

(b)

(c)

(d)

114

(e)
FIGURA 4.44 -

(f)

Seção Vertical de Temperatura Potencial
Equivalente para os dias: a) 01/11/2003 às 06Z (lon
51°W) - POA; b) 02/11/2003 às 06Z (lon 46°W) SP; c) 03/11/2003 às 00Z (lon 30°W) regeneração; d) 03/11/2003 às 12Z (lon 36°W) regeneração; e) 04/11/2003 às 12Z (lon 38°S) SALV e f) 05/11/2003 às 18Z (lon 36°S) – MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Caso 7
O caso 7 é bem similar ao caso 6, apresenta duas regenerações
entre SP e SALV.
Começa no dia 15 de julho de 2004 às 12Z quando uma FF
chega à cidade de POA, com uma nebulosidade associada à uma
região de convecção em baixos níveis no norte do RS (tipo IIIA).
Ao atingir SP no dia 17 às 06Z, apesar de apresentar pouca
nebulosidade sobre o continente, há uma região com confluência de
ventos no norte do estado de SP e sul de MG (tipo IIIA).
Após duas regenerações: a primeira no dia 17 às 12Z em 45°S
25°W e a segunda no dia 20 às 06Z em 30°S 1°W, a EF se aproxima
de SALV no dia 21 às 12Z, porém pouca nebulosidade é registrada
sobre o continente (tipo II).
O mesmo ocorre no dia 22 às 06Z quando a EF atinge MCZ, a
nebulosidade sobre o continente diminui ainda mais, mantendo o
mesmo tipo de nebulosidade (tipo II).
A Tabela 4.13 mostra a precipitação sobre o estado de Alagoas
para o dia em que a EF está sobre Maceió e os dias adjacentes. Apesar
de não apresentar volumes significativos, no dia 22 de julho o Litoral
teve 8,5mm de chuva, e no dia 23 resgitra 8,9mm.

115

TABELA 4.13 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 21, 22 e 23 de julho
de 2004. FONTE: SEMARH-AL.

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

21/jul
1.1
0.0
0.0
0.8
0.5
2.8

22/jul
0.4
0.0
0.0
3.0
8.5
6.5

23/jul
0.6
0.4
1.1
5.7
8.9
6.1

Temperatura
Em POA (Figura 4.45a) e SP (Fgura 4.45b) o gradiente chega à
300hPa e 350hPa respectivamente, tendo os valores mais intensos
entre 700-400hPa de até 3°/100km.
Nas regenerações a superfície frontal continua se comportando
da mesma forma, tendo a parte mais intensa localizada mais longe da
superfície. Na Figura 4.45c, a primeira regeneração mostra o gradiente
até 800hPa de 1-2°/100km, e em 900 um pequeno núcleo de até
3°/100km. Na segunda regeneração (Figura 4.45d) as características se
estendem até altos níveis chegando a 350hPa, sendo mais intenso entre
600-400hPa com até 3°/100km.
Porém, tanto em SALV (Figura 4.45e) quanto MCZ (Figura
4.45f) a temperatura não apresenta gradiente suficiente para a
identificação frontal.

(a)

(b)

116

FIGURA 4.45 -

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
15/07/2004 às 12Z (lon 51°W) - POA; b) 17/07/2004
às 06Z (lon 46°W) - SP; c) 17/07/2007 às 12Z (lon
25°W) - regeneração; d) 20/07/2007 às 06Z (lon
12°W) – regeneração; e) 21/07/2004 às 12Z (lon
38°W) - SALV e d) 22/07/2004 às 06Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF

Temperatura Potencial Equivalente
Os cortes verticais de θe apresentam gradientes com
características frontais em todos os pontos de observação do caso 7.
Na Figura 4.46a observa-se que o gradiente também atinge
300hPa em POA com 1-2°/100km, porém a intensidade é maior entre
a superfície-700hPa com valores de até 10°/100km.
Em SP, a Figura 4.46b também apresenta características frontais
até 300hPa com 1-2°/100km, mas em baixos e médios níveis é menos
intenso do que POA, com pequenos núcleos de até 7°/100km.
Nas regenerações, o gradiente também se mostrou mais intenso
do que os vistos na temperatura, principalmente em baixos níveis. A
primeira regeneração (Figura 4.46c) começa com 3-4°/100km da

117

superfície até 800hPa, e atinge 600hPa com 1-2°/100km. Na segunda
regeneração (Figura 4.46d), atinge 300hPa com 1-2°/100km, mas entre
a superfície e 650hPa chega a valores de até 7°/100km.
Em SALV (Figura 4.46e) e MCZ (Figura 4.46f) o gradiente é
menos intenso em toda sua extensão, não passando de 4°/100km em
baixos níveis. Porém o gradiente chega até 150hPa em ambas as
cidades.

FIGURA 4.46 -

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente
para os dias: a) 15/07/2004 às 12Z (lon 51°W) -

118

POA; b) 17/07/2004 às 06Z (lon 46°W) - SP; c)
17/07/2007 às 12Z (lon 25°W) - regeneração; d)
20/07/2007 às 06Z (lon 12°W) – regeneração; e)
21/07/2004 às 12Z (lon 38°W) - SALV e d)
22/07/2004 às 06Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF

Caso 13
O caso 13 começa no dia 15 de outubro de 2006 às 18Z quando
a FF atinge POA com a nebulosidade frontal associada à uma àrea de
convergência de massa na divisa entre os estados do RS e SC (tipo
IIIA).
Em SP, no dia 17 às 18Z, a nebulosidade frontal diminui
bastante, principalmente sobre o continente, e a nebulosidade da CJ se
une à FF (tipo IIIB).
A regeneração ocorre entre SP e SALV, no dia 20 às 06Z em
41°S 21°W.
No dia 21 às 18Z, em SALV, a nebulosidade frontal se mistura à
nebulosidade de uma àrea de convergência em baixos níveis, no
interior do continente (tipo IIIA).
Ao chegar à MCZ no dia 23 às 00Z, a nebulosidade já está bem
afastada da costa alagoas, não apresentando ligação com o continente.
A Tabela 4.14 mostra a média da precipitação das regiões
climaticas do estado de AL para os dias em que a EF atuou sobre
MCZ. A região do Baixo São Francisco registra os maiores volumes
tanto no dia 23 com 28,7mm quanto no dia 24 com 33,7mm.
TABELA 4.14 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 22, 23 e 24 de
outubro de 2006. FONTE: SEMARH-AL.

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

22/out
2.1
1.0
0.0
5.3
8.4
3.1

23/out
8.6
7.1
8.5
6.1
11.7
28.7

24/out
4.7
14.2
5.8
1.1
3.9
33.7

119

Temperatura
A Figura 4.47 mostra que o corte vertical de temperatura
apresenta os gradiente frontais até médios níveis, não passando de
600hPa com 1-2°/100km em POA (Figura 4.47a). Sendo mais intenso
da superfície até 900hPa com 4°/100km.
Em SP (Figura 4.47b) a superfície frontal chega somente até
800hPa cm até 2°/100km.
Na regeneração (Figura 4.47c) o gradiente mantém o mesmo
valor de 1-2°/100km da superfície até 900hPa.
Na Figura 4.47d, apesar de estar alguns graus mais a norte da
latitude de SALV, pode-se ver entre a superfície e 800hPa valores de
até 2°/100km.
Em Maceió, a Figura 4.47e não apresenta nenhum gradiente
frontal de temperatura.

(a)

(b)

(c)

120

(d)
FIGURA 4.47 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
15/10/2006 às 18Z (lon 51°W) - POA; b)
17/10/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c) 20/10/2006
às 06Z (lon 21°W) - regeneração; d) 21/10/2006 às
18Z (lon 38°W) - SALV e d) 23/10/2006 às 00Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF

Temperatura Potencial Equivalente
A Figura 4.48 mostra o corte vertical feito na temperatura
potencial equivalente para todos os pontos de observação do caso 13.
No geral, essa variável se apresenta mais intensa do que os gradientes
de temperatura, facilitando a análise da FF que atingem latitudes mais
baixas.
Na Figura 4.48a, o gradiente chega até altos níveis em 300hPa
com baixa intensidade de até 2°/100km, porém apresenta valores de no
máximo 7°/100km da superfície até 600hPa.
Em SP, a Figura 4.48b mostra características mais intensas da
superfície a 600hPa com 5-7°/100km, e diminui a medida que chega a
250hPa com 1-2°/100km.
Na regeneração (Figura 4.48c), continua com a mesma
intensidade de 1-2°/100km porém atinge 500hPa.
Em SALV (Figura 4.48d) o gradiente chega a 300hPa com 12°/100km, apresentando a maior intensidade em médios níveis com
valores de até 5°/100km entre 850-700hPa.
Na Figura 4.48e, a superfície frontal em Maceió também chega
aos 300hPa com 1-2°/100km, e também apresenta entre a superfície e
500hPa, valores mais intensos de até 5°/100km em 850hPa.

121

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.48 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente
para os dias: a) 15/10/2006 às 18Z (lon 51°W) POA; b) 17/10/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; c)
20/10/2006 às 06Z (lon 21°W) - regeneração; d)
21/10/2006 às 18Z (lon 38°W) - SALV e d)
23/10/2006 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF

Na Tabela 4.15 são exibidas as alturas máximas (em níveis de
pressão) em que as variáveis mais utilizadas apresentam características
frontais.

122

O vento em POA e SP se mantém em baixos níveis, não
ultrapassando 800hPa. Em SALV o único caso que atinge 750hPa é o
caso 7 (tipo II), os outros chegam apenas a 900hPa. Em Maceió,
apenas o caso 7 (tipo II) apresentou características frontais até 850hPa.
Nas regenerações e ciclogênese, as características se mantiveram em
baixos níveis.
A vorticidade também não apresentou resultados semelhantes.
Em SP dois casos (5 e 13) exibem vorticidade nula sobre a FF. Nos
demais pontos de observação, a altura diminui à medida que a EF se
aproxima de Maceió, não ultrapassando os 700hPa.
A temperatura também apresenta falhas, principalmente em
Salvador e Maceió, onde a maioria dos casos não registrou gradientes
frontais. Porém em POA, SP e nas regenerações os gradientes atingem
de médios a altos níveis.
A variável de temperatura potencial equivalente é a única que
mostra gradiente, até altos níveis, em todos os pontos de observação,
principalmente em latitudes mais baixas. O gradiente em POA, SP,
SALV e MCZ sempre se manteve acima de 300hPa, enquanto que na
regeneração e ciclogênese o gradiente varia entre médios e altos
níveis.
TABELA 4.15 –

Altura da superfície frontal nas variáveis
disponíveis nos pontos de observação do tipo III A.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

caso
caso 5
caso 6
caso 7
caso 13

PORTO ALEGRE
vento vorticidade temperatura
700hPa 700hPa
150hPa
700hPa 800hPa
300hPa
700hPa 800hPa
300hPa
850hPa 450hPa
600hPa

θe
100hPa
250hPa
300hPa
300hPa

caso
caso 5
caso 6
caso 7
caso 13

SÃO PAULO
vento vorticidade temperatura
700hPa
nulo
150hPa
800hPa 650hPa
300hPa
900hPa 800hPa
350hPa
900hPa
nulo
800hPa

θe
250hPa
250hPa
300hPa
250hPa

caso
caso 5
caso 6
caso 7
caso 13

SALVADOR
vento vorticidade temperatura
900hPa 800hPa
nulo
900hPa 800hPa
nulo
750hPa 650hPa
nulo
nulo
850hPa
800hPa

θe
250hPa
300hPa
150hPa
300hPa

caso
caso 5
caso 6
caso 7
caso 13

MACEIÓ
vento vorticidade temperatura
nulo
850hPa
nulo
nulo
850hPa
850hPa
850hPa 700hPa
nulo
nulo
900hPa
nulo

θe
350hPa
250hPa
150hPa
300hPa

caso
caso 5
caso 6 (1)
caso 6 (2)
caso 7 (1)
caso 7 (2)
caso 13

REGENERAÇÃO
vento vorticidade temperatura
nulo
500hPa
650hPa
800hPa 700hPa
400hPa
nulo
800hPa
nulo
700hPa
nulo
800hPa
700hPa 800hPa
350hPa
850hPa 700hPa
900hPa

θe
100hPa
300hPa
500hPa
600hPa
300hPa
500hPa

caso
caso 5

CICLOGÊNESE
vento vorticidade temperatura
θe
700hPa 750hPa
nulo
500hPa

123

4.2.3.2.

4.2.3.2.1.

Modificações das frentes do tipo IIIB

Modificações do caso padrão do tipo IIIB

Caso 18
A Figura 4.49 mostra a imagem de satélite do canal
infravermelho sobreposta com os mapas de linhas de corrente em: a)
925hPa e b) 200hPa, para o dia 25 de setembro de 2012 às 00Z,
quando a FF se encontra sobre a cidade de Porto Alegre. A
nebulosidade frontal é associada à nebulsidade da CJ, como visto na
Figura 4.49b (tipo IIIB).
Ao chegar em São Paulo, a FF continua com o mesmo tipo de
nebulosidade (IIIB). A Figura 4.50 mostra as imagens de satélites com
o vento sobreposto em a) 925hPa e b) 200hPa para o dia 26 às 00Z,
indicando a presença da CJ sobre o oceano em altos níveis.
A Figura 4.51a mostra o momento em que a EF está sobre
Salvador no dia 27 às 18Z, com a nebulosidade frontal tanto sobre o
oceano quanto sobre o continente, mas sem a associação com a CJ
(tipo I).
No dia 28 às 00Z ocorre uma regeneração, vista na Figura 4.51b
(R1).
Ao chegar à Maceió (Figura 4.51c) a EF se afasta ainda mais
para leste, dispersando a nebulosidade frontal (tipo II).
A Tabela 4.16 exibe a média da precipitação diária em cada
região climática do estado de Alagoas nos dias em que a EF se
encontra sobre Maceió e confirma o fato de haver pouca umidade
sobre o continente. Foi registrado uma média de 31,3mm de
precipitação no dia 30 de setembro na região do Baixo São Francisco.

124

TABELA 4.16 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 28, 29 e 30 de
setembro de 2012. FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

(a)
FIGURA 4.49 -

(a)
FIGURA 4.50 -

28/set
0.0
0.0
0.0
0.2
0.6
0.8

29/set
1.3
2.9
1.1
3.7
7.0
6.6

30/set
29.0
9.1
17.1
10.1
16.4
31.3

(b)
Imagem de satélite do canal infravermelho
sobreposta com linhas de correntes para o dia
25/09/2012 às 00Z em: a) 925hPa e b) 200hPa.
FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF

(b)

Imagem de satélite do canal infravermelho sobreposta com
linhas de correntes para o dia 26/09/2012 às 00Z em: a)
925hPa e b) 200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE
e ECMWF

125

R

(a)

(b)

(c)
FIGURA 4.51 -

Imagem de satélite do canal infravermelho
sobreposta com linhas de correntes em 925hPa para
os dias: a) 27/09/2012 às 12Z e b) 29/09/2012 às
18Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF

Vento
Os cortes verticais do vento mostram que, em todos os pontos de
observação, com excessão de MCZ, a superfície frontal não atinge
níveis de pressão superiores a 700hPa.
Tanto em POA (Figura 4.52a) quanto SP (Figura 4.52b) pode-se
notar que a partir de 500hPa a mudança que ocorre na direção e
velocidade do vento se deve à processos ocorrendo em altos níveis, no
caso as CJ mencionadas anteriormentes.
Em SALV (Figura 4.52c) e na regeneração (Figura 4.52d), as
características
respectivamente.

frontais

só

chegam

a

750hPa

e

800hPa

126

Em MCZ (Figura 4.52e) o vento não registra nenhuma mudança
na direção e velocidade do vento, indicando que sobre o continente
não há influência da FF.

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.52 -

(e)

Seção Vertical de Linha de Corrente para os dias:
a) 25/09/2012 às 00Z (lon 51°W) - POA; b)
26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012
às 12Z (lon 38°W) - SALV; d) 28/09/2012 às 00Z
(lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às 18Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Vorticidade Relativa

127

Nos pontos de observação principais, a vorticidade manteve-se
negativa (ciclônica) apenas em baixos níveis, sendo nula em SP
(Figura 4.53b). Porém, na regeneração, a vorticidade negativa se
mantém até 500hPa (Figura 4.53d).

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.53 -

(e)

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os
dias: a) 25/09/2012 às 00Z (lon 51°W) - POA; b)
26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012
às 12Z (lon 38°W) - SALV; d) 28/09/2012 às 00Z
(lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às 18Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

128

Temperatura
A temperatura variou bastante a altura máxima que a superfície
frontal atinge. Os cortes verticais mostram que nas latitudes mais
altas, como POA (Figura 4.54a) e SP (Figura 4.54b), o gradiente de
até 2°/100km alcança 400hPa e 350hPa respectivamente, e apresentam
àreas mais intensas em baixos níveis.
Nas latitudes mais baixas, como em SALV (Figura 4.54c) e
MCZ (Figura 4.54e) o gradiente se mantém mínimo somente em
baixos níveis.

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

129

FIGURA 4.54 -

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
25/09/2012 às 00Z (lon 51°W) - POA; b)
26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 27/09/2012
às 12Z (lon 38°W) - SALV; d) 28/09/2012 às 00Z
(lon 30°W) - regeneração e e) 29/09/2012 às 18Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
A temperatura potencial equivalente apresenta gradientes mais
intensos, chegando a apresentar quedas de até 10°/100km em latitudes
altas e de 5°/100km em latitudes baixas.
Em POA (Figura 4.55a), o gradiente atinge 350hPa com valores
de 1-2°/100km, porém é observado que entre a superfície e 650hPa a
intensidade do gradiente aumenta e chega a valores de até 10°/100km.
Tanto em SP (Figura 4.55b) quanto SALV (Figura 4.55c) as
características frontais mínimas são vistas até 300hPa. A diferença se
dá pela intensidade do gradiente em níveis mais baixos. Em SP, o
gradiente na superfície chega a valores de 7°/100km, e entre 800700hPa a intensidade aumenta para 10°100km. Em SALV, fica entre
900-600hPa atinge 7°/100km.
Na Figura 4.55d a regeneração, apesar de apresentar valores
médios em baixos níveis, tem em 800hPa o ponto mais intenso
(7°/100km), mas atinge 200hPa com valores mínimos de 1-2°/100km.
Em MCZ (Figura 4.54e) a superfície frontal não ultrapassa os
550hPa e também apresenta a parte mais intensa entre 800-700hPa
com até 7°/100km.

(a)

(b)

130

(c)

(d)
FIGURA 4.55 -

4.2.3.2.2.

(e)

Seção Vertical de Temperatura Potencial
Equivalente para os dias: a) 25/09/2012 às 00Z (lon
51°W) - POA; b) 26/09/2012 às 00Z (lon 46°W) SP; c) 27/09/2012 às 12Z (lon 38°W) - SALV; d)
28/09/2012 às 00Z (lon 30°W) - regeneração e e)
29/09/2012 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF.

Modificações dos outros casos do tipo IIIB

Caso 2
O caso começa no dia 31 de agosto de 2000 às 18Z quando uma
FF se encontra sobre a cidade de POA, tendo a nebulosidade frontal
associada com dois outros tipos de nebulosidade sobre o interior do
continente: uma nebulisdade convectiva devido a um cavado em
baixos níveis e uma circulação de alta pressão em médios níveis e; CJ
em altos níveis.
Com o deslocamento do ciclone para sudeste, a FF chega à SP
no dia 01 de setembro às 12Z, mantendo o mesmo tipo de
nebulosidade, III B. Tanto a convecção em baixos níveis quando a

131

presença da AB em médios níveis, e em altos níveis também tiveram
um pequeno deslocamento para leste, assim como a CJ.
No dia 05 às 06Z ocorre uma regeneração no dia 05 às 06Z em
21°S 30°W ao mesmo tempo em que a EF está sobre a cidade de
Salvador. A nebulosidade mais intensa é concentrada sobre a
regeneração no oceano, enquanto sobre o continente a nebulosidade se
concentra em baixos níveis (tipo II).
Ao chegar no estado de Alagoas, a nebulosidade se afasta para o
oceano, estando sobre Maceió no dia 06 às 06Z. Porém o maior
volume de precipitação foi registrado no dia seguinte, dia 07 com
30,5mm na região do Litoral.
TABELA 4.17 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 05,06 e 07 de agosto
de 2000. FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

05/ago
6.9
0.0
3.7
18.1
18.2
7.6

06/ago
2.1
0.0
4.6
11.8
17.9
4.4

07/ago
2.9
0.3
8.1
11.9
30.5
22.6

Temperatura
A Figura 4.56 apresenta a seção vertical da temperatura nos
pontos de observação do caso 2.
Em POA (Figura 4.56a) e em SP (Figura 4.56b) as
características frontais atingem até altos níveis, 200hPa e 400hPa
respectivamente, com gradientes de 1-2°/100km.
Já na regeneração, em SALV (Figura 4.56c) e MCZ (Figura
4.56d) não foram registrados valores suficientes para superfície
frontal.

132

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.56 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
31/08/2000 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
01/09/2000 às 12Z (lon 46°W) - SP; c) 05/09/2000
às 00Z (lon 30°W) - regeneração; d) 05/09/2000 às
06Z (lon 38°W) - SALV e e) 06/09/2000 às 06Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Todos os pontos de observação apresentam características
frontais até altos níveis, diferenciando apenas na intensidade do
gradiente.

133

Tanto POA (Figura 4.57a) quanto SP (Figura 4.57b) mostram o
gradiente de 1-2°/100km até 300hPa, porém em POA até 800hPa é
registrado o valor de 5-7°/100km enquanto em SP esse valor é
observado até 700hPa.
A regeneração (Figura 4.57c), SALV (Figura 4.57d) e MCZ
(Figura 4.56e) apresentaram valores de 1-2°/100km até 200hPa.
Apesar de ter atingido níveis mais altos, exibiram os gradientes mais
fortes em médios níveis porém menos intensos.

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

134

FIGURA 4.57 -

Seção Vertical de Temperatura Potencial
Equivalente para os dias: a) 31/08/2000 às 12Z (lon
51°W) - POA; b) 01/09/2000 às 12Z (lon 46°W) SP; c) 05/09/2000 às 00Z (lon 30°W) regeneração; d) 05/09/2000 às 06Z (lon 38°W) SALV e e) 06/09/2000 às 06Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Caso 10
Sendo o único caso registrado na estação quente, o caso 10
inicia-se no dia 01 de dezembro de 2005 quando passa sobre a cidade
de POA. A nebulosidade frontal se une à uma nebulosidade
convectiva sobre o norte da Argentina e Paraguai. Em altos níveis
verifica-se a presença da AB e também a influência da CJ na
nebulosidade frontal (tipo III B).
No dia 02 às 06Z chega à SP com o meso tipo de nebulosidade,
III B, com a convecção em baixos níveis mais a nordeste e a CJ
atuando sobre o oceano.
No dia 04 às 00Z ocorre uma regeneração no dia 04 às 00Z em
25°S 29°W, e às 18Z a EF chega à SALV com pouca nebulosidade
sobre o continente (tipo II).
Ao atingir MCZ no dia 05 às 00Z, a nebulosidade continua a
mesma, mais intensa sobre o oceano. A Tabela 4.18 mostra que as
precipitações no dia 05 apresentam os maiores valores registrados
com 38,5mm na região do Litoral, 33,2 na Zona da Mata e 32,7 no
Agreste. No dia 06 ainda foram observados 33,1mm e 29,5 mm na
Zona da Mata e no Sertão do São Francisco respectivamente.
TABELA 4.18 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do
estado de Alagoas para os dias 04, 05 e 06 de
dezembro de 2005. FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

04/dez
0.6
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0

05/dez
13.1
3.2
32.7
33.2
38.5
26.9

06/dez
7.2
29.5
19.3
33.1
21.5
20.6

135

Temperatura
A Figura 4.58 mostra as seções verticais de temperatura nos
pontos de observação do caso 10.
Em POA (Figura 4.58a), o gradiente em baixos níveis começa
com valores de 2-3°/100km. A medida que chega em 300hPa, perde
intensidade para 1-2°/100km.
Na Figura 4.58b a superfície frontal só aparece a partir de
950hPa até 150hPa com 1-2°/100km, sendo que entre 800-350hPa a
intensidade é maior.
A regeneração (Figura 4.58c) mostra um gradiente homogeneo
com valores de 1-2°/100k da superfície até 500hPa.
Em SALV (Figura 4.58d) as características frontais foram
apenas até 850hPa com valores de 1-2°/100km.
A Figura 4.58e exibe o corte vertical feito no dia em que a EF
estava atuando sobre a cidade de MCZ, porém nenhum gradiente foi
registrado na variável de tempratura.

(a)

(b)

(c)

136

(d)
FIGURA 4.58 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a)
01/12/2005 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
02/12/2005 às 0Z (lon 46°W) - SP; c) 04/12/2005
às 00Z (lon 21°W) - regeneração; d) 04/12/2005 às
18Z (lon 38°W) - SALV e e) 05/12/2005 às 00Z
(lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Na Figura 4.59 os gradientes são mais intensos do que os
encontrados na temperatura, principalmente em médios níveis nas
latitudes mais baixas.
Em POA (Figura 4.59a) o gradiente é bem intenso desde a
superfície até 500hPa com valores de até 5-7°/100km, porém ao
atingir 200hPa a intensidade diminui para 1-2°/100km.
Em SP, a Figura 4.59b mostra que além de atingir 150hPa com
1-2°/100km, apresentou valores de até 7-10°/100km entre 900700hPa.
Na Figura 4.59c, a regeneração apresenta um gradiente com
valores de até 7°/100km entre a superfície e 700hPa, diminuindo à
medida que chega aos altos nívies, estando em 200hPa com valores de
1-2°/100km.
Em SALV (Figura 4.59d) e MCZ (Figura 4.59e) a configuração
foi bem parecida, mostrando uma grande intensidade entre 900700hPa de até 10°/100km, que se estende chegando à 400hPa com 12°/100km.

137

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.59 -

Todos

os

(e)

Seção Vertical de Temperatura Potencial
Equivalente para os dias: a) 01/12/2005 às 12Z (lon
51°W) - POA; b) 02/12/2005 às 0Z (lon 46°W) SP; c) 04/12/2005 às 00Z (lon 21°W) regeneração; d) 04/12/2005 às 18Z (lon 38°W) SALV e e) 05/12/2005 às 00Z (lon 36°W) - MCZ.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

casos

possuem

uma

progressão

similar

da

nebulosidade: III B em POA; IIIB em SP; I ou II em SALV e II em
MCZ. Os três casos também apresentaram regenerações em
localidades próximas, entre os pontos 20-30°S e 30°W.

138

A Tabela 4.19 mostra a altura da superfície frontal dos casos
pertencentes ao tipo de nebulosidade III B no primeiro ponto de
observação (POA), porém também mostra o avanço dos mesmos casos
até a chegada à MCZ, das principais variáveis analisadas: vento;
vorticidade relativa; temperatura e temperatura potencial equivalente.
O vento apenas exibiu características frontais em baixos níveis,
não ultrapassando 700hPa (POA). No entanto, em latitudes mais
baixas como MCZ (10°S) o vento não apresentou características
frontais, principalmente no verão, que a partir de SALV (12°S) já não
mostrava.
A vorticidade não apresentou resultados semelhantes. O caso 2
apresenta em POA, MCZ e na regeneração vorticidade positiva
(anticiclônica) em baixos nívies, enquanto em SP e SALV os valores
são nulos. Os outros casos também só exibem características frontais
em baixos níveis, incluindo em SP (caso 10) e SALV.
A temperatura em POA e SP mostrou características até altos
níveis, variando entre 400-150hPa. Em SALV, MCZ e na
regeneração, as características se conservam principalmente em baixos
níveis, apresentando valores nulos à medida que a latitude diminui.
Apenas a variável de θe exibe as características frontais, em
todos os casos, variando entre os médios níveis (regeneração caso 18)
até 150hPa (SP caso 10).
TABELA 4.19 –

Altura da superfície frontal nas variáveis
disponíveis nos pontos de observação do tipo III B.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

caso
caso 2
caso 10
caso 18

vento
700hPa
700hPa
700hPa

PORTO ALEGRE
vorticidade temperatura
p 850hPa 200hPa
300
750hPa
900hPa
400hPa

θe
300hPa
200hPa
350hPa

caso
caso 2
caso 10
caso 18

vento
800hPa
850hPa
800hPa

SÃO PAULO
vorticidade temperatura
400hPa
nulo
750hPa
150hPa
nulo
350hPa

θe
300hPa
150hPa
300hPa

caso
caso 2
caso 10
caso 18

vento
900hPa
nulo
750hPa

SALVADOR
vorticidade temperatura
nulo
nulo
850hPa
800hPa
850hPa
800hPa

θe
200hPa
400hPa
300hPa

caso
caso 2
caso 10
caso 18

vento
nulo
nulo
nulo

MACEIÓ
vorticidade temperatura
p
nulo
800hPa
nulo
900hPa
900hPa

θe
200hPa
400hPa
550hPa

caso
caso 2
caso 10
caso 18

vento
900hPa
800hPa
800hPa

REGENERAÇÃO
vorticidade temperatura
p 850hPa
nulo
p 700hPa 500hPa
500hPa
800hPa

θe
200hPa
200hPa
200hPa

139

4.2.4.

4.2.4.1.

Modificações das frentes do tipo IV

Modificações do caso padrão do tipo IV

Caso 14
No dia 27 de julho de 2007 às 18Z uma frente secundária se aproxima
da cidade de POA. Na Figura 4.60a, é observado sobre o sudeste brasileiro
uma banda de nuvens referentes à frente princiapal. Mais ao sul, na
retaguarda da FF sobre o oceano Atlântico Sul, verifica-se a presença de um
vórtice de ar frio com nebulosidade que se estende do centro do ciclone até
o litoral do RS.
Com o deslocamento de todo o sistema para sudeste, ao chegar à SP
no dia 29 às 00Z, a nebulosidade da frente principal e secundária se uniram
e interagiram com a CJ em 200hPa, formando uma nebulosidade do tipo III
B (Figura 4.60b).
A Figura 4.60c mostra que a nebulosidade da EF se encontra sobre
SALV. Pelas linhas de corrente é observado que o cavado frontal está
afastado da costa e que o continente está sob influência da alta pós frontal,
advectando ventos umidos do oceano para o continente. O mesmo ocorre na
Figura 4.60d, quando a EF está sobre MCZ. Ambas as cidades apresentam
nebulosidade do tipo I.
No estado de Alagoas, a extremidade da frente fria provocou chuvas
moderadas, registrando o maior volume no dia 01 de agosto com 38,4mm
no Litoral.
TABELA 4.20 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 30, 31 de julho e 01 de agosto de 2007.
FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

30/jul
14.9
1.3
7.1
12.4
32.1
14.6

31/jul
15.0
4.1
37.5
23.0
37.1
27.5

01/ago
6.8
1.8
14.1
34.0
38.4
18.5

140

FIGURA 4.60 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Imagem de satélite sobreposta com linhas de correntes em
925hPa para os dias: a) 27/07/2007 às 18Z; b) 29/07/2007 às
00Z; c) 30/07/2007 às 00Z e d) 31/07/2007 às 12Z. FONTE:
Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF

Vento
A Figura 4.61 mostra o corte vertical feito nas linhas de corrente em
todos os pontos de observação do caso 14. A posição da FF, em baixos
níveis, é indicada pela linha preta.
Em POA (Figura 4.61a) e SP (Figura 4.61b) o comportamento do
vento foi semelhante. Na vanguarda da FF, o vento apresentou pouca
intensidade, na retaguarda a velocidade aumentou e mostrou características
frontais até 700hPa nas duas cidades. Acima dos 600hPa, a mudança
encontrada na direção e velocidade do vento é influênciada por processos
ocorridos em altos níveis.

141

Em SALV (Figura 4.61c) e MCZ (Figura 4.61d), apesar de também
apresentarem características frontais até 700hPa, os ventos na vanguarda do
sistema são mais intensos do que os vistos em POA e SP.

FIGURA 4.61 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Linhas de Correntes para os dias: a)
27/07/2007 às 18Z (lon 51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z
(lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon 38°W) - SALV
e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados
de reanálise do ECMWF.

Vorticidade Relativa
O corte vertical da vorticidade relativa dos pontos de observação do
caso 14 é apresentado na Figura 4.62. As cidades de POA (Figura 4.62a) e
SP (Figura 4.62b) mostram que a vorticidade negativa (ciclônica) na
vanguarda do sistema e vorticidade positiva (anticiclônica) na retaguarda.
Em SP é possivel ver entre 750-650hPa um núcleo de vorticidade negativa
com valores de até −2𝑥𝑥10−5 𝑠𝑠 −1.

Em SALV (Figura 4.62c) e MCZ (Figura 4.62d) a vorticidade na

atmosfera é basicamente positiva (anticiclônica) na região do sistema
frontal, apresentando vorticidade negativa apenas a partir dos 400hPa.

142

FIGURA 4.62 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Vorticidade Relativa para os dias: a)
27/07/2007 às 18Z (lon 51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z
(lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon 38°W) - SALV
e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados
de reanálise do ECMWF.

Temperatura
O corte vertical mostra que para POA (Figura 4.63a) e SP (Figura
4.63b) a temperatura apresenta características frontais até altos níveis, 350 e
200hPa respectivamente. Apesar da diferença de intensidade em baixos
níveis, POA com 3-4°/100k e SP com 2-3°/100km, ambas as cidades
exibem uma queda de 1-2°/100km no nível mais alto.
Em SALV (Figura 4.63c) e MCZ (Figura 4.63d) a temperatura não
possue características frontais.

143

FIGURA 4.63 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 27/07/2007
às 18Z (lon 51°W) - POA; b) 29/07/2007 às 00Z (lon 46°W)
- SP; c) 30/07/2007 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d)
31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Nas Figuras 4.64a e 4.64b, que representam o corte vertical nas
cidades de POA e SP respectivamente, verifica-se que há um aumento da
intensidade do gradiente em relação à variável da temperatura. Em POA, a
superfície frontal se estende até 300hPa, apresentando o gradiente mais
intenso de 5-7°/100km em 900hPa. Em SP a intensidade aumenta,
apresentando de 5-7°/100km até 700hPa, e chega até 200hPa com 12°/100km.
Em SALV (Figura 4.64c) o gradiente está mais ao sul da localização
da cidade, é menos intenso do que o visto em SP e possue um núcleo de 45°/100km entre 800-650hPa, atingindo 250hPa com 1-2°/100km.

144

Ao chegar à MCZ (Figura 4.64d) as características frontais de θe
atinge 600hPa com 1-2°/100km e apresenta um pequeno núcleo de 57°/100km em 800hPa.

FIGURA 4.64 -

4.2.4.2.

(a)

(b)

(c)

(d)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 27/07/2007 às 18Z (lon 51°W) - POA; b)
29/07/2007 às 00Z (lon 46°W) - SP; c) 30/07/2007 às 00Z
(lon 38°W) - SALV e d) 31/07/2007 às 12Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

Modificações dos outros casos do tipo IV

Caso 1
O caso começa no dia 31 de maio de 2000 às 12Z, quando uma FS
chega à cidade de POA (tipo IV). Com a movimentação do sistema para
sudeste, no dia 01 de junho às 00Z ocorre uma regeneração em 40°S30°W.
Às 06Z do dia 01, a FF chega à SP, e com a nebulosidade frontal associada
a uma nebulosidade da CJ sobre o continente (tipo III B). No dia 04 às 18Z
a EF atinge a cidade de SALV com a nebulosidade tanto sobre o oceano

145

quanto sobre o continente (tipo I). Ao alcançar MCZ no dia 05 às 18Z, a EF
continua apresentando o mesmo tipo de nebulosidade (tipo I), cobrindo o
oceano e parte do leste do nordeste.
Quando se encontra sobre o estado de Alagoas, o sistema frontal
provocou grandes quantidades de precipitação. No dia 05, a Zona da Mata e
o Litoral apresentam os maiores acumulados com 44 e 83mm
respectivamente. No dia 06, as regiões do Agreste (28,5mm), Zona da Mata
(66,8mm) e Litoral (30,2mm) também também receberam os maiores
volumes de precipitação, mostrados na Tabela 4.17.
TABELA 4.21 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 30, 31 de julho e 01 de agosto de 2007.
FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

04/jun
1.5
0.0
0.8
3.0
7.3
12.2

05/jun
23.6
5.0
6.5
44.0
83.0
16.0

06/jun
6.4
5.2
28.5
66.8
30.2
9.8

Temperatura
A Figura 4.65a mostra o corte vertical da temperatura feito na cidade
de POA (lon 51°W) no dia 31 de maio às 12Z, e identifica apenas a frente
principal com uma variação de 1-2°/100km em 25°S.
Na regeneração (Figura 4.65b), a seção vertical foi feita na longitude
de 30°W, e também não apresenta características frontais.
Ao chegar em SP no dia 01 de junho às 06Z, o gradiente de
temperatura de 1-2°/100km se encontra sobre a cidade, atingindo 300hPa
(Figura 4.65c).
Porém, tanto a Figura 4.65d (SALV) quanto a Figura 4.65e (MCZ)
apresentam valores de 1-2°/100km alguns graus de latitude mais ao norte do
ponto observado.

146

(a)

(b)

(c)

(d)
FIGURA 4.65 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura para os dias: a) 31/05/2000
às 12Z (lon 51°W) - POA; b) 01/06/2000 às 00Z (lon 30°W)
- regeneração; c) 01/06/2000 às 06Z (lon 46°W) - SP; d)
04/06/2000 às 18Z (lon 38°W) - SALV e e) 05/06/2000 às
18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF

Temperatura Potencial Equivalente
Os gradientes aparecem mais fortes na temperatura potencial
equivalente. Em POA (Figura 4.66a), a frente principal apresenta gradientes
com valores maiores de 10°/100km. A FS se encontra posicionada mais ao

147

sul da frente principal e também do ponto de observação. Em 650hPa, as
duas frentes se unem em um mesmo gradiente, chegando a atingir 200hPa.
A Figura 4.66b mostra que sobre a localização da regeneração, os
valores de queda de temperatura a cada 100km são nulos.
Em SP, o gradiente teve um aumento considerável, apresentando
quedas de 5-7°/100km até 700hPa, sobre a latitude de 23°S. Após diminuir a
intensidade à medida que a altitude aumenta, o gradiente chega em 200hPa
com intensidade de 1-2°/100km (Figura 4.66c).
Em SALV e MCZ, ao contrário do que mostrou as Figuras de
temperatura, as características frontais chegam até 500hPa em SALV
(Figura 4.66d) e em 450hPa em MCZ (Figura 4.66e), com intensidades de
2-3°/100km em SALV e de 1-2°/100km em MCZ.

(a)

(b)

(c)

148

(d)
FIGURA 4.66 -

(e)

Seção Vertical de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 31/05/2000 às 12Z (lon 51°W) - POA; b)
01/06/2000 às 00Z (lon 30°W) - regeneração; c) 01/06/2000
às 06Z (lon 46°W) - SP; d) 04/06/2000 às 18Z (lon 38°W) SALV e e) 05/06/2000 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF

A altura em que a superfície frontal atinge, nas diversas variável
analisadas, dos pontos de observação dos casos do tipo II, são apresentadas
na Tabela 4.22.
O vento apresentou, em todos os pontos de observação, características
frontais apenas em baixos níveis, não passando de 700hPa, com excessão da
regeneração do caso 1 em que as linhas de corrente mostram que ocorreram
mudanças significativas na direção e velocidade do vento até 600hPa.
A vorticidade relativa exibiu características frontais em baixos níveis
no caso 1, e apresentou uma atmosfera positiva em todos os pontos de
observação do caso 14 e na regeneração do caso 1.
Nesses casos, a temperatura não foi uma boa variável para
identificação frontal em latitudes mais altas. Apesar de apresentar
características, em POA e SP, até altos níveis, o gradiente em SALV, MCZ
e na regeneração, foram nulos.
Com excessão da regeneração do caso 1, onde o gradiente de θe é
nulo, os demais pontos de observação apresentaram valores significativos de
temperatura potencial equivalente até altos níveis em POA e SP, em médios
e altos níveis em SALV e em MCZ não passa de 550hPa.

149

TABELA 4.22 –

4.2.5.

4.2.5.1.

Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos
pontos de observação do tipo IV. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF.

caso
caso 1
caso 14

vento
900hPa
700hPa

PORTO ALEGRE
vorticidade temperatura
nulo
925hPa
350hPa
p

θe
200hPa
300hPa

caso
caso 1
caso 14

SÃO PAULO
vento vorticidade temperatura
900hPa
800hPa
300hPa
700hPa 750-650hPa 200hPa

θe
200hPa
200hPa

caso
caso 1
caso 14

vento
nulo
700hPa

SALVADOR
vorticidade temperatura
nulo
900hPa
nulo
p

θe
500hPa
250hPa

caso
caso 1
caso 14

vento
nulo
700hPa

MACEIÓ
vorticidade temperatura
nulo
800hPa
nulo
p

θe
550hPa
600hPa

caso
caso 1

vento
600hPa

REGENERAÇÃO
vorticidade temperatura
nulo
p 650hPa

θe
nulo

Modificações das frentes do tipo V

Modificações do caso padrão do tipo V

Caso 17
O caso 17 começa no dia 29 de outubro de 2011 às 12Z quando um
cavado de um ciclone polar se une a um ciclone barotrópico sobre o norte da
Argentina, aproximadamente em 25°S 61°W.
Com o deslocamento do ciclone para sudeste, a FF chega à cidade de
SP no dia 30 às 18Z. A Figura 4.66 mostra a imagem de satélite do dia 30 às
18Z sobreposto com linhas de correntes em 925hPa (Figura 4.67a) e em
200hPa (Figura 4.67b). A nebulosidade frontal está associada com um
ciclone baroclínico em baixos níveis, e com uma CJ em altos níveis.
A Figura 4.68 mostra, pelas imagens de satélite com sobreposição de
linhas de corrente em 925hPa, o momento em que a FF se encontrava sobre
os demais pontos de observações.
A regeneração ocorre no dia 01 de novembro às 12Z em 30°S 30°W,
como mostra a Figura 4.68a (R1), onde a nebulosidade enfraquece à medida
que se aproxima do continente.
No dia 02 às 00Z (Figura 4.68b) a nebulosidade frontal se encontra
sobre Salvador e se estende até o extremo oeste da BA (tipo II).
No dia 04 às 18Z, a Figura 4.68c mostra que apesar da maior parte da
EF estar localizada mais ao sul, a nebulosidade chega à Maceió com pouca
intensidade. Tanto que, a Tabela 4.23 mostra a média de precipitação por

150

região do estado de Alagoas. Os maiores volumes registrados foram: no dia
04 nas regiões do Sertão, Zona da Mata e Litoral com 34,1mm, 28,4mm e
25,6mm respectivamente e no dia 05 no Litoral com 38mm e Zona da Mata
com 29,6mm.
TABELA 4.23 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 03, 04 e 05 de novembro de 2011.
FONTE: SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

(a)
FIGURA 4.67 -

03/nov
0.4
0.0
2.0
6.5
8.5

04/nov
34.1
2.6
28.4
25.6
13.8

05/nov
17.0
19.3
29.6
38.0
11.6

(b)

Imagens de satélites do campo infravermelho sobrepostos
com linhas de correntes para o dia 30/10/2011 às 18Z em:
a)925hPa e b)200hPa. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE
e ECMWF

151

R1

(a)

(b)
FIGURA 4.68 -

(c)

Imagens de satélites do campo infravermelho sobrepostos
com linhas de correntes em 925hPa para os dias: a)
01/11/2011 às 12Z; b) 02/11/2011 às 00Z e c) 04/11/2011 às
18Z. FONTE: Adaptada de CPTEC/INPE e ECMWF

Vento
A Figura 4.69 mostra o corte vertical feito na variável de linhas de
corrente para as longitudes dos pontos de observação do caso 17, marcados
com a linha preta indicando a localização do sistema frontal em baixos
níveis.
Em SP (Figura 4.69a), o gradiente apresenta características frontais
até 700hPa, acima desse nível de pressão a mudança ocorrida no vento se
deve à fatores em altos níveis, como a CJ. Na Figura 4.69b, a regeneração
não apresenta superfície frontal.

152

Tanto em SALV (Figura 4.69c) quanto em MCZ (Figura 4.69d) o
gradiente não passa de 850hPa, apresentando menos características em
latitudes mais baixas.

FIGURA 4.69 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seções Verticais de Linhas de Correntes para os dias: a)
30/10/2011 às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z
(lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z (lon
38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF

Vorticidade Relativa
A Figura 4.70 mostra que os cortes verticais feitos na vorticidade
também não apresentam resultados muito satisfatórios, sendo negativo até
850hPa apenas em SALV (Figura 4.70c), enquanto que nos outros pontos de
observação a vorticidade se manteve positiva em baixos níveis.

153

FIGURA 4.70 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seções Verticais de Vorticidade Relativa para os dias: a)
30/10/2011 às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z
(lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z (lon 38°W) SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF

Temperatura
Tanto em SP (Figura 4.71a) quando na regeneração (Figura 4.71b) o
gradiente de temperatura mostra até altos níveis, acima de 350hPa, valores
de pelo menos 2/°100km.
Em SALV (Figura 4.71c) o gradiente é nulo, porém em MCZ (Figura
4.71d) é observado valores mínimos até 900hPa.

154

FIGURA 4.71 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 30/10/2011
às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) regeneração; c) 02/11/2011 às 00Z (lon 38°W) - SALV e d)
04/11/2011 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF

Temperatura Potencial Equivalente
Os cortes feitos na temperatura potencial equivalente foram os mais
importantes pois em todos os pontos de observação pode-se notar a presença
de gradientes até 150hPa com o valor mínimo de 1-2°/100km. A diferença
para as seções verticais de temperatura, também é vista na intensidade do
gradiente ao longo da atmosfera, apresentando valores de até 7°/100km em
médios níveis em SP (Figura 4.72a).
Apesar da diminuição do gradiente à medida que a latitude também
diminui, MCZ (Figura 4.72d) apresenta valores de até 7°/100km entre 850700hPa.

(a)

(b)

155

(c)
FIGURA 4.72 -

4.2.5.2.

(d)

Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 30/10/2011 às 18Z (lon 46°W) - SP; b)
01/11/2011 às 12Z (lon 30°W) - regeneração; c) 02/11/2011
às 00Z (lon 38°W) - SALV e d) 04/11/2011 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF

Modificações dos outros casos do tipo V

Caso 9
Após formar a ciclogênese na região subtropical, a FF alcança a
cidade de SP no dia 30 de abril às 12Z. Ao chegar à SALV no dia 02 de
maio, a nebulosidade frontal interage com uma convecção no continente,
aumentando a nebulosidade até o centro-oeste brasileiro (tipo III A). O
mesmo tipo de nebulosidade se mantém até MCZ no dia 03.
A Tabela 4.24 mostra a precipitação registrada, no estado de Alagoas,
nos dias 02, 03 e 04 de maio de 2005. O maior volume observado foi de
190,2mm na região do Baixo São Francisco no dia 03 de maio.
TABELA 4.24 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 02, 03 e 04 de maio de 2005. FONTE:
SEMARH-AL

Postos/ Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

02/mai
8,3
38,7
12,7
2,1
14,5
65,7

03/mai
20,1
10,4
28,9
30,2
34
190,2

04/mai
17,7
19,1
25,5
25,9
45,4
18,1

156

Temperatura
Apenas em SP foi observado gradiente de 1-2°/100km sobre a FF até
750hPa (Figura 4.73a). Também é visto que acima de 550hPa, na mesma
latitude de 23°S, outro núcleo com gradientes de 1-2°/100km se estende até
quase 200hPa. Porém, tanto em SALV (Figura 4.73b) quando em MCZ
(Figura 4.73c) não apresentaram valores significativos.

(a)

(b)

(c)
FIGURA 4.73 -

Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 30/04/2005
às 12Z (lon 46°W) - SP; b) 02/05/2005 às 06Z (lon 38°W) SALV; c) 03/05/2005 às 00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE:
dados de reanálise do ECMWF

Temperatura Potencial Equivalente
O aumento da intensidade do gradiente é notório nas seções verticais
de θe. A Figura 4.74a mostra que o gradiente em baixos níveis apresenta
valores altos de até 7-10°/100km, mas a medida que sobre, vai perdendo
força e atinge os mesmos 200hPa com 1-2°/100km que atingiu na
temperatura.

157

Além da diferença de intensidade, os gradientes com características
frontais também foram registrados em SALV (Figura 4.74b) e MCZ (Figura
4,74c). Ambos os cortes apresentam o mesmo perfil, mais fraco em baixos
níveis, tendo sua maior intensidade entre 900 e 400hPa, chegando à 250hPa
em SALV e 300hPa em MCZ.

(a)

(b)

(c)
FIGURA 4.74 -

Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 30/04/2005 às 12Z (lon 46°W) - SP; b)
02/05/2005 às 06Z (lon 38°W) - SALV; c) 03/05/2005 às
00Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do
ECMWF.

Caso 12
O caso 12 também apresenta ciclogênese em regiões subtropicais e no
dia 10 de maio de 2006 às 18Z a FF chega à SP.
Antes de atingir SALV, ocorre uma regeneração no dia 13 às 06Z em
35°S 25°W. Às 18Z do mesmo dia, a EF se encontra sobre SALV, porém a
nebulosidade frontal fica concentrada sobre o oceano, sendo mais rasa sobre
o continente (tipo II).

158

O mesmo ocorre em MCZ, a nebulosidade da EF está quase toda
sobre o oceano, atingindo principalmente a região sul do estado de AL.
Como mostra a Tabela 4.25, no dia 15 de maio as regiões do Litoral, Zona
da Mata e Baixo São Francisco registraram os maiores volumes
pluviométricos do estado com 62,6mm, 57,5mm e 32,1mm respectivamente.

TABELA 4.25 –

Precipitação registrada nas zonas climáticas do estado de
Alagoas para os dias 14,15 e 16 de maio de 2006. FONTE:
SEMARH-AL

Postos/Municípios
Média Sertão
Média Sertão São Francisco
Média Agreste
Média Zona da Mata
Média Litoral
Média Baixo São Francisco

14/mai
6.0
2.3
0.0
31.0
17.9
4.0

15/mai
6.7
0.1
2.5
57.5
62.6
32.1

16/mai
14.2
17.9
19.3
24.9
40.3
12.2

Temperatura
Em SP (Figura 4.75a) o gradiente se manteve em baixos niveis,
chegando apenas até 900hPa, o mesmo ocorre em MCZ (Figura 4.75d). Na
regeneração, o gradiente atinge até 700hPa (Figura 4.75b), a maio altura
registrada. Na Figura 4.75c o gradiente não apresenta nenhum valor
significativo sobre a latitude de SALV.

(a)

(b)

159

(c)
FIGURA 4.75 -

(d)

Seções Verticais de Temperatura para os dias: a) 10/05/2006
às 18Z (lon 46°W) - SP; b) 13/05/2006 às 06Z (lon 25°W) regeneração; c) 13/05/2006 às 18Z (lon 38°W) - SALV e d)
15/05/2006 às 18Z (lon 36°W) - MCZ. FONTE: dados de
reanálise do ECMWF.

Temperatura Potencial Equivalente
Nas Figuras de seção vertical de θe o gradiente é muito mais intenso e
atinge altitudes maiores do que as encontradas na temperatura.
Em SP (Figura 4.76a), a superfície frontal em baixos níveis começa
com valores de 4-5°/100km, tendo sua maior concentração entre 900700hPa com valores até 7°/100km. Após perder intensidade à medida que o
gradiente sobre, chega aos 150hPa com 1-2°/100km.
Na regeneração, apesar de apresentar os valores mais altos até 900hPa,
atinge os 300hPa com 1-2°/100km (Figura 4.76b).
Na Figura 4.76c, a EF se localiza sobre SALV e registra valores de θe
de 1-2°/100km até 250hPa, mostrando que os valores mais altos são
encontrados entre 800-750hPa.
Em MCZ (Figura 4.76d), o gradiente está menos intenso, porém o
gradiente se intensifica entre 800-400hPa, mas também chega aos 300hPa
com gradiente de 1-2°/100km.

160

FIGURA 4.76 -

(a)

(b)

(c)

(d)

Seções Verticais de Temperatura Potencial Equivalente para
os dias: a) 10/05/2006 às 18Z (lon 46°W) - SP; b)
13/05/2006 às 06Z (lon 25°W) - regeneração; c) 13/05/2006
às 18Z (lon 38°W) - SALV e d) 15/05/2006 às 18Z (lon
36°W) - MCZ. FONTE: dados de reanálise do ECMWF.

A Tabela 4.26 mostra o nível máximo onde as superfícies frontais
foram observadas. Em todos os pontos de observação o vento manteve as
características frontais apenas em baixos níveis, sendo em SP onde atingiu o
nível mais alto, 700hPa. À medida que o sistema se desloca para MCZ e o
ciclone se afasta do continente, as linhas de corrente identificam a EF
apenas até 850hPa, sendo que na maioria dos casos, não foram encontrados
características significaivas.
A vorticidade se comporta de maneira similar ao vento, restita aos
baixos e médios níveis, apenas o caso 17 apresenta uma atmosfera com
vorticidade positiva na região da superfície frontal.
A temperatura não apresentou gradientes em SALV e se manteve em
baixos níveis em MCZ. Ao contrário da θe, que apresentou em todos os
casos gradietes fortes até altos níveis.

161

TABELA 4.26 –

Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis nos
pontos de observação do tipo V. FONTE: dados de reanálise
do ECMWF.

caso
caso 9
caso 12
caso 17

vento
700hPa
800hPa
700hPa

SÃO PAULO
vorticidade temperatura
700hPa
750hPa
nulo
900hPa
750-600hPa 300hPa

θe
200hPa
150hPa
250hPa

caso
caso 9
caso 12
caso 17

vento
850hPa
nulo
900hPa

SALVADOR
vorticidade temperatura
650hPa
nulo
nulo
nulo
850hPa
nulo

θe
250hPa
250hPa
150hPa

caso
caso 9
caso 12
caso 17

vento
nulo
nulo
850hPa

MACEIÓ
vorticidade temperatura
800hPa
nulo
800hPa
900hPa
p
900hPa

θe
300hPa
300hPa
350hPa

caso

vento

REGENERAÇÃO
vorticidade temperatura

θe

caso 12
caso 17

800hPa
nulo

nulo
850-700hPa

nulo
350hPa

250hPa
300hPa

Até chegarem ao último ponto de observação (MCZ) os casos
sofreram modificações em sua estrutura e nebulosidade. A Tabela 4.27
mostra a altura da superfície frontal quando a EF estava sobre a cidade de
Salvador. Os casos continuam separados pelo tipo de nebulosidade que
apresentam, porém na latitude de 12°S os tipo IV e V de nebulosidade não
existem mais.
Ao analisar a Tabela 4.27, percebe-se que a temperatura é nula na
maioria dos casos, não sendo uma variável boa para verificar sistemas
frontais em latitudes tão baixas.
Nos tipos I, IIIA e IIIB o vento continua apresentando características
frontais em baixos níveis, chegando à no máximo 700hPa.
A vorticidade, apesar de não mostrar resultados muito significativos,
continua se mantendo em baixos níveis na maioria dos casos, mas já começa
a apresentar vorticidade positiva ou nula.
A única variável que continua exibindo superfícies frontais em todos
os casos é a temperatura potencial equivalente. No tipo I e II o gradiente se
mantém entre médios e altos níveis, com apenas uma excessão no caso 11
que apenas é visto em baixos níveis. Os tipos IIIA e IIIB a predominância
do gradiente de θe em altos níveis.

162

TABELA 4.27 Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis em Salvador.
–
FONTE: dados de reanálise do ECMWF

caso
caso 1
caso 3
caso 14
caso 16
caso 17
caso 18

vento
nulo
950hPa
700hPa
nulo
900hPa
750hPa

SALVADOR
TIPO I
vorticidade temperatura
900hPa
nulo
750hPa
nulo
p
nulo
nulo
nulo
850hPa
nulo
850hPa
800hPa

caso
caso 2
caso 7
caso 8
caso 10
caso 11
caso 12

vento
900hPa
750hPa
900hPa
nulo
nulo
nulo

TIPO II
vorticidade temperatura
nulo
nulo
650hPa
nulo
800hPa
nulo
800hPa
850hPa
900hPa
nulo
nulo
nulo

θe
200hPa
150hPa
250hPa
400hPa
975hPa
250hPa

vento
900hPa
900hPa
850hPa
nulo
800hPa

TIPO III A
vorticidade temperatura
nulo
nulo
800hPa
nulo
650hPa
nulo
850hPa
800hPa
nulo
nulo

θe
300hPa
300hPa
250hPa
300hPa
150hPa

vento
900hPa

TIPO III B
vorticidade temperatura
800hPa
nulo

θe
250hPa

caso
caso 4
caso 6
caso 9
caso 13
caso 15

caso
caso 5

θe
500hPa
400hPa
250hPa
200hPa
150hPa
300hPa

Ao atingir Maceió, somente 3 tipos são observados sobre AL: tipo I
com 4 casos; tipo II com 11 casos e o tipo IIIA com apenas 3 casos. A
Tabela 4.28 mostra a altura em que a superfície frontal é observada na
latitude de 10°S.
O vento e a temperatura foram as variáveis que mais apresentaram
valores nulos no último ponto de observação, os casos em que algumas
caracteríticas frontais foram identificadas, o gradiente se manteve em baixos
níveis.
A vorticidade apesar de, na maioria dos casos, apresentar propriedades
frontais em baixos níveis também exibe vorticidade positiva e nula em todos
os tipos de nebulosidade.

163

Apenas a temperatura potencial equivalente é capaz de exibir as
características frontais de todos os casos, até altos níveis. O tipo I também
apresenta casos em que o gradiente é visto somente até médios níveis. No
tipo II e IIIA a superfície frontal se manteve predominantemente em altos
níveis, com excessão de 1 casos no tipo II que não passa de 500hPa.

TABELA 4.28 –

Altura da superfície frontal nas variáveis disponíveis em Maceió.
FONTE: dados de reanálise do ECMWF

4.3.

caso
caso 1
caso 14
caso 15
caso 16

vento
nulo
700hPa
900hPa
nulo

MACEIÓ
TIPO I
vorticidade temperatura
800hPa
nulo
p
nulo
800hPa
nulo
nulo
900hPa

caso
caso 2
caso 3
caso 5
caso 7
caso 8
caso 10
caso 11
caso 12
caso 13
caso 17
caso 18

vento
nulo
nulo
nulo
850hPa
900hPa
nulo
nulo
nulo
nulo
850hPa
nulo

TIPO II
vorticidade temperatura
p
nulo
nulo
nulo
850hPa
nulo
700hPa
nulo
850hPa
nulo
800hPa
nulo
nulo
850hPa
800hPa
900hPa
900hPa
nulo
p
900hPa
900hPa
900hPa

θe
200hPa
400hPa
350hPa
150hPa
100hPa
400hPa
500hPa
300hPa
300hPa
350hPa
200hPa

caso
caso 4
caso 6
caso 9

vento
nulo
nulo
nulo

TIPO III A
vorticidade temperatura
nulo
nulo
850hPa
850hPa
800hPa
nulo

θe
300hPa
250hPa
300hPa

θe
550hPa
600hPa
150hPa
250hPa

Divisão Sazonal

A distribuição sazonal dos eventos analisados é apresentada na tabela 4.3.
Pode-se constatar que as frentes frias atingem o estado de Alagoas em todas as
estações do ano, sendo mais raras no verão e mais abundantes nas estações de
transições, principalmente o outono, e no inverno. Foram conferidas uma influência
frontal no verão, seis em cada estação de transição e cinco no inverno.

164

TABELA 4.29 –

PERÍODO
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
TOTAL
MENSAL
TOTAL
SAZONAL

Divisão sazonal dos casos de frentes frias em Alagoas

DEZ

VERÃO
JAN
FEV

MAR

OUTONO
ABR
MAI

1

JUN

INVERNO
JUL
AG

1

PRIMAVERA
SET OUT NOV

1

1
1
1
1

1

1

1
2

1
1

1

1
1
1

1

0

0

0

2

4

1

2

2

2

2

TOTAL
ANUAL

3
0
1
2
2
2
3
1
0
0
2
1
1

2
18

1

6

5

6

Os resultados mostrados estão de acordo com os obtidos por Kousky (1979),
onde após análise de dez anos de dados (1961-1970), concluiu que os sistemas
frontais e seus resíduos atuam no sul da região nordeste brasileiro o ano todo, com
maior frequencia entre março e dezembro, afetando os totais de precipitação até o
norte do Ceará durante o outono e inverno.

165

5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES

Foram estudados todos os 18 eventos onde os sistemas frontais influenciaram as
condições de tempo sobre o estado de Alagoas, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2012.
A modificação da estrutura destes casos foi analisada desde o sul do Brasil até a região do
NEB.
Através da utilização dos diversos métodos para a identificação frontal, como o
método clássico sinótico, imagens de satélite e campos horizontais de vento e θe, os casos
foram divididos pelo tipo de nebulosidade observada no primeiro ponto de observação.
Foram encontrados 4 casos onde a frente fria em POA era do tipo clássica,
apresentando nebulosidade frontal sobre o oceano e continente (tipo I).
Somente 2 casos mostraram nebulosidade frontal sobre o oceano e quase nenhuma
no continente sobre POA (tipo II). Ou seja, as zonas frontais raramente atingem o NEB se,
quando estão no sul, são localizadas somente sobre o oceano.
Na maioria dos casos que no final atingiram o NEB, foi identificado no sul do
Brasil uma ligação da nebulosidade frontal com outro tipo de nebulosidade no continente.
Entre estes, 4 casos tiveram a nebulosidade frontal associada à nebulosidade convectiva
sobre o continente, principalmente sobre a região do norte da Argentina (tipo IIIA).
Outros 3 casos apresentam nebulosidade da CJ associada à nebulosidade da frente fria tipo
IIIB.
Em 2 eventos, a frente estudada era uma frente secundaria (FS) sobre a cidade de
POA, cuja nebulosidade estava na retaguarda de outro sistema principal.
Houve também 3 sistemas frontais que atingiram Maceió onde a ciclogênese
principal ocorre na região sudeste, entre 20-25°S, não passando por Porto Alegre.
Os eventos do tipo I foram encontrados nas estações mais frias: inverno e outono
austral. Os casos do tipo II ocorreram principalmente na fase de transição fria (outono
austral). O tipo III teve uma predominância de eventos na fase de transição quente
(primavera austral), porém, também foram encontrados casos que aconteceram no inverno
(tipo IIIA) e no verão austral (tipo IIIB). As FS (tipo IV) tiveram uma predominância no
inverno austral. Já as ciclogêneses que se desenvolveram no sudeste e atingem o estado de
AL, foram observadas em ambas as estações de transição (primavera e outono austral).
Até atingirem Maceió, os casos sofreram modificações em suas estruturas e
nebulosidades, chegando ao último ponto de observação com apenas 3 tipos de
nebulosidade: Tipo I; Tipo II e Tipo IIIA.

166

Em Salvador, o vento e a vorticidade apresentam características frontais em baixos
níveis e em alguns casos a vorticidade chega até 650hPa. A temperatura, quando exibe
gradiente frontal, não ultrapassa 850hPa, porém na grande maioria dos casos não foi
registrado gradiente. Em θe, a superfície frontal é observada em todos os níveis
atmosféricos, variando a altura máxima que o gradiente atinge entre 975-150hPa.
O mesmo ocorre quando o sistema frontal chega à Maceió. A vorticidade mantém o
mesmo nível de confiança que nos pontos de observação anteriores, mantendo as
características frontais em baixos níveis na maioria dos casos, mas também apresentando
valores nulos e positivos. O vento e a temperatura continuam não apresentando
características suficientes para a identificação de superfícies frontais em latitudes menores
que 12°S. Em θe, o gradiente frontal varia a altura máxima entre 500-100hPa, adentrando
a tropopausa.
A variável de temperatura potencial equivalente (θe) é a única variável que
apresentou superfície frontal em médios e altos níveis, em todos os pontos de observação
de todos os casos, inclusive em latitudes abaixo de 12°S. Em Maceió, nos tipos I e II a
altura máxima que o gradiente atinge varia de 500hPa (caso 11) a 100hPa (caso 8). No
tipo IIIA, os casos apresentaram a altura máxima predominante em altos níveis, todos
registrando gradientes acima de 300hPa. Apesar de do gradiente de todos os casos
apresentarem o mesmo valor no topo (1-2°/100km), a intensidade varia ao longo da
coluna atmosférica, sendo mais forte em baixos e médios níveis, alcançando valores de
mais de 10°/100km.
As regenerações e ciclogêneses na frente fria foram os mecanismos que mais
influenciaram a chegada dos sistemas frontais até latitudes mais baixas. Em 14 casos
ocorre regeneração, com maior frequência entre SP e SALV. Desses, 2 casos apresentam
mais de uma regenerações (casos 6 e 15) e em outros 2 casos também ocorre uma
ciclogênese (casos 4 e 5), todos em estações de transição. Apenas 4 casos não apresentam
algum tipo de mecanismo (casos 3, 9, 11 e 14), sendo que todos ocorreram em estações
frias entre os meses de abril e julho.
A precipitação para o período em que os sistemas frontais influenciaram o estado
de Alagoas também foi avaliada nesse estudo.
Os casos pertencentes ao tipo I quando chegam a Maceió (1, 14, 15 e 16) registram
os maiores volumes pluviométricos tanto no dia D (dia em que a EF está sobre MCZ)
quanto no dia D+1, com valores que variam de 11,8mm (caso 16) à 85,8mm (caso 15),
tanto na região do Litoral quando no Baixo São Francisco.

167

A maioria dos casos apresentam o tipo II em Maceió (2, 3, 5, 7, 8, 10, 11, 12, 13,
17 e 18) e ocorrem durante o ano todo. Os volumes registrados variam de 8,9mm (caso 7)
à 62,6mm (caso 12), principalmente na região do Litoral, alternando entre dia D e dia
D+1.
No tipo IIIA, as precipitações foram as mais elevadas chegando a registrar
190,2mm na região do Baixo São Francisco (caso 9).

Sugestões para novas pesquisas:
•

Prosseguir com os estudos sobre a modificação das nebulosidades frontais ao
longo do caminho entre Porto Alegre e Maceió utilizando uma série maior de
dados;

•

Comparar as diferenças entre os sistemas que chegam e os que não chegam à
latitudes mais baixas;

•

Analisar a interação entre a TSM e a penetração dos sistemas frontais em
direção ao equador;

•

Analisar a interação entre ROL e a nebulosidade frontal em baixas latitudes.

168

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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