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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

MET-UFAL-MS-110

ESTUDO SOBRE A ORIGEM DA CORRENTE DE JATO DO NORDESTE BRASILEIRO E
SUAS LIGAÇÕES INTER-HEMISFÉRICAS

ISABELA NOGUEIRA VAZ

MACEIÓ, AL
2014
ISABELA NOGUEIRA VAZ

ESTUDO SOBRE A ORIGEM DA CORRENTE DE JATO DO NORDESTE BRASILEIRO E
SUAS LIGAÇÕES INTER-HEMISFÉRICAS

Orientadores:
Prof. Dra. Natalia Fedorova
Prof. Dr. Vladimir Levit

MACEIÓ, AL
2014

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Maria Auxiliadora G. da Cunha
V393e

Vaz, Isabela Nogueira.
Estudo sobre a origem da Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro e suas
ligações inter-hemisféricas / Isabela Nogueira Vaz. – 2014.
119 f. : il
Orientadora: Natalia Fedorova.
Co-orientador: Vladimir Levit.
Dissertação (Dissertação de Conclusão de Curso em Pós-graduação em Meteorologia) –
Universidade Federal de Alagoas. Instituto de Ciências
Atmosféricas. Maceió, 2014.
Bibliografia: f. 82-85.
Apêndices: f. 86-119.
1.Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro. 2. Corrente de Jato Subtropical.
3. Corrente de Jato Polar. 4. Hemisfério Norte. 5. Hemisfério Sul. I. Título.
CDU: 551.524(813.5)

Folha de Aprovação
AUTOR: ISABELA NOGUEIRA VAZ

ESTUDO SOBRE A ORIGEM DA CORRENTE DE JATO DO NORDESTE BRASILEIRO E
SUAS LIGAÇÕES INTER-HEMISFÉRICAS
.

Dissertação submetida ao colegiado do Curso de Pós-Graduação em
Meteorologia no Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade
Federal de Alagoas – UFAL, como parte dos requisitos à obtenção
do grau de Mestre em Meteorologia e aprovada em 20 de Janeiro de

2014.

DEDICATÓRIA

À minha família, DEDICO.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para minha conquista. Principalmente a
Deus, minha Família, “Amiiiiiigas”, Amigos, Colegas e Professores Queridos. Ao Henrique
Repinaldo por toda paciência e ajuda fundamental ao meu progresso.
Aos Queridos Professores e Orientadores Natalia e Vladimir, pela paciência, amizade e
aprendizado transmitidos, sem os quais não seria possível a caminhada até aqui.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq pelo apoio
financeiro através da concessão da bolsa de Mestrado.

RESUMO
O conhecimento a respeito dos principais sistemas sinóticos que afetam o tempo no Estado de
Alagoas, no Nordeste do Brasil, é fundamental para aprimorar a previsão do tempo. As Correntes de
Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEBs) são um dos principais sistemas que estão relacionados às
precipitações intensas em Alagoas. Portanto, o objetivo desse trabalho é estudar a origem da
CJNEB e suas ligações com as Correntes de Jato (CJs) dos Hemisférios Norte (HN) e Sul (HS). O
período escolhido para análise foi de 10 anos, entre 2000 a 2009. Os dados utilizados foram de
reanálises do National Centers for Environmental Prediction (NCEP) no nível de 200hPa às 00Z.
Um fato importante encontrado no estudo é que as ligações inter-hemisféricas através das CJNEBs
ocorrem não apenas com a participação das Correntes de Jato Subtropicais (CJSTs), mas também
em conjunto com as Correntes de Jato Polares (CJPs). Isto significa que todas as CJs estudadas (do
HN e HS) são capazes de se conectar em um só processo. Com a finalidade de compreender melhor
as conexões entre todas as CJs, foi estabelecido três padrões de circulação das CJNEBs: o
Meridional, Transversal e o Zonal. Contudo, foi observado que a CJNEB do padrão Zonal não se
ligou a todas as CJs. O padrão de ocorrência mais comum foi o CJNEB Meridional, e foi também
aquele em que as ligações persistiram por mais dias. Em contrapartida, o padrão Transversal foi de
curta duração, durando em média, apenas um dia. Os três tipos de padrões de circulação das
CJNEBs foram ainda associados de acordo com presença do Vórtice Ciclônico em Altos Níveis
(VCAN) ou do Cavado em Altos Níveis (CAN). O eixo e a posição do VCAN ou CAN foram
fatores fundamentais para auxiliar na união ou separação entre todas as CJs. Sendo assim, foi
verificado que o padrão CJNEB Meridional, deve apresentar o VCAN ou CAN com o eixo também
Meridional, a fim de haver união entre todas as CJs e maior duração nos dias de ligação, caso
contrário, há separação ou inibição da ligação. Na análise do padrão CJNEB Transversal, observouse que o eixo do VCAN ou CAN também deve ser Transversal para haver união entre todas as CJs.
Em relação a posição, quando estão mais próximos do Nordeste Brasileiro (NEB), o VCAN ou
CAN facilitam a ligação entre todas as CJs, e ao se afastarem contribuem para a separação delas.
Outro fato importante foi a presença de dois eventos incomuns, denominados no estudo de Evento
Raro. O referido evento trata-se de dois casos particulares onde todas as CJs se uniram durante o
Outono no HS. Além disso, verificou-se que a origem das CJNEBs estava relacionada com os dois
Hemisférios, ou seja, ela alternou-se entre um ramo da Corrente de Jato Subtropical do Hemisfério
Norte (CJSTHN) e como um ramo da Corrente de Jato Subtropical do Hemisfério Sul (CJSTHS).

Palavras-Chave: Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro. Corrente de Jato Subtropical. Corrente de
Jato Polar. Hemisfério Norte. Hemisfério Sul.

.
ABSTRACT

The knowledge regarding the main synoptic systems that affect the weather in the State of Alagoas,
in the Northeast of Brazil, would provide information that is fundamental to advancing the
understanding and prediction of the weather. The Brazilian Northeast Jet Streams (BNEJSs) are one
of the main systems that are related to intense rainfall in Alagoas. Therefore, the aim of this
research is to study the origin of BNEJSs and their connections with the Jet Streams (JSs) from
Northern Hemisphere (NH) and Southern Hemisphere (SH). A 10-year period, between 2000 to
2009 was chosen for this analyzes. Reanalysis data provided by the National Centers for
Environmental Prediction (NCEP), in the level of 200 hPa at 00Z time, were used during this
research. An important finding of this research is that inter-hemispheric connections through
BNEJSs occurred not only with the participation of the Subtropical Jet Stream (SJS), but also in
conjunction with Polar Jet Streams (PJS), meaning that all JSs are able to connect in the process.
For the purpose of further understanding the connections among all the JSs, it has been established
three circulations patterns of BNEJS: the Meridional, the Tranvsersal and the Zonal. It was
observed that the Zonal BNJESs pattern did not connect to all JSs. The most common occurrence
pattern is the Meridional CJNEB type, where all the JSs also remained connected longer. In contrast
the Transversal pattern was the type with short duration, lasting on average only one day. These
three established types of BNEJSs circulation patterns were associated according to the presence of
the Upper Tropospheric Cyclonic Vortex (UTCV) or the Upper Tropospheric Trough (UTT). The
axis and the position of the UTCV and the UTT were instrumental for the association or separation
process of all JSs. Hence, it was noted that the Meridional BNJESs type should present a UTCV or
UTT with also a Meridional axis, in order to have the union between all JSs and maintain longer
days of connection. Otherwise, the separation or inhibition of connections is more likely to occur.
When analyzing the Transversal BNJESs type, it was noted that the axis of UTCV or UTT should
also be Transversal to promote the connections between of all JSs. In relation to UTCV or UTT
position, it was noticed that the closer they are to the Brazilian Northeast (BNE), the easier will be
the establishment of connections between all JSs. Another key finding of this research, was that a
unusual event called: Rare Event, was detected – it was observed two particular cases where the
connections of all CJs occurred during the Autumn in the SH. Furthermore, it was verified that the
origin of the BNEJSs was related to the two Hemispheres - alternating between as a branch of the
Northern Subtropical Jet Stream (NSJT) and as the branch of the Southern Subtropical Jet Stream
(SSJT).

Key-Words: Brazilian Northeast Jet Stream. Subtropical Jet Stream. Polar Jet Stream. Northern
Hemisphere. Southern Hemisphere.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 2.1 -

Representação das Correntes de Jato Subtropical e Polar em cada
Hemisfério.........................................................................................................19

Figura 2.2 -

Representação da Circulação e as CJs no Hemisfério Sul (HS)........................20

Figura 2.3 -

Representação esquemática do eixo das Correntes de Jato. As linhas tracejadas
são isotacas em m.s¹..........................................................................................21

Figura 2.4 -

Padrão idealizado do movimento ageostrófico na entrada e saída da CJ retilínea
para o HS (a); Circulação transversal direta (entrada) (b); Circulação
transversal indireta (saída) (c)..........................................................................23

Figura 2.5 -

Modelo conceitual da circulação transversal na entrada e saída da corrente de
jato com curvatura ciclônica (A) e anticiclônica (B) para o Hemisfério Norte,
indicando as regiões de convergência e divergência em altos níveis. As linhas
tracejadas indicam as linhas de corrente e as contínuas são
isotacas..............................................................................................................24

Figura 2.6 -

Linhas de correntes e magnitude (colorido) em 200 hPa no dia 21/01/1992,
mostrando a CJNEB a leste do Nordeste Brasileiro..........................................26

Figura 2.7 -

Esquema de formação para o VCAN do tipo Palmer clássico sobre o Oceano
Atlântico Tropical Sul.......................................................................................28

Figura 2.8 -

Esquema de um corte vertical do vórtice ciclônico no Atlântico
Sul......................................................................................................................29

Figura 3.1 -

Localização da área de identificação das CJs, indicando o NEB e o Oceano
Atlântico adjacente no retângulo azul...............................................................30

Figura 3.2 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN..................................32

Figura 3.3 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHS..................................33

Figura 3.4 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN e CJPHN..................34

Figura 3.5 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHS e CJPHS...................34

Figura 3.6 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN e CJTHS e
CJPHN...............................................................................................................35

Figura 3.7 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN e CJTHS e
CJPHS................................................................................................................35

Figura 3.8 -

Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN e CJTHS e CJPHN e
CJPHS (todas CJs).............................................................................................36

Figura 3.9 -

Exemplo de dia com presença de mais de uma CJNEB e dois eventos
distintos..............................................................................................................37

Figura 3.10 -

Exemplo de uma mesma CJNEB em meses e anos diferentes em: a) 31/12/02 e
b) 01/01/03.........................................................................................................37

Figura 5.1 -

Campo de linhas de correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 06/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................53

Figura 5.2 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 07/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................54

Figura 5.3 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 08/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................55

Figura 5.4 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 09/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................56

Figura 5.5 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 10/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................57

Figura 5.6 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 11/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................58

Figura 5.7 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 12/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do VCAN é representado pelo tracejado azul........................................59

Figura 5.8 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 13/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................60

Figura 5.9 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 14/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................61

Figura 5.10 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 15/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................62

Figura 5.11 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 16/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................63

Figura 5.12 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 17/12/01 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................64

Figura 5.13 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200
hPa, em m.s-1 do dia 16/05/05 representando sistemas sinóticos
associados..........................................................................................................65

Figura 5.14 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 17/05/05 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................66

Figura 5.15 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 18/05/05 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................67

Figura 5.16 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 19/05/05 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................68

Figura 5.17 -

Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200hPa, em m.s-1 do dia 20/05/05 representando sistemas sinóticos associados.
O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul..........................................69

Figura 5.18 -

Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200 hPa, em m.s-1 para os dias de união entre todas CJs. O eixo do CAN é
representado pelo tracejado azul.......................................................................70

Figura 5.19 -

Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s-1 (contornos
em vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2
(sombreado) para os dias de união entre todas CJs...........................................71

Figura 5.20 -

Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200 hPa, em m.s-1 para os dias de separação entre todas CJs. O eixo do CAN é
representado pelo tracejado azul.......................................................................72

Figura 5.21 -

Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos
em vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2
(sombreado) para os dias de separação entre todas CJs....................................73

Figura 5.22 -

Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200 hPa, em m.s-1 para casos Transversais com ou sem VCAN. O eixo do
CAN é representado pelo tracejado azul...........................................................74

Figura 5.23 -

Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos
em vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2
(sombreado) para os casos Transversais com ou sem VCAN...........................75

Figura 5.24 -

Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200 hPa, em m.s-1 para dia anterior a ligação entre todas CJs. O eixo do CAN é
representado pelo tracejado azul.......................................................................76

Figura 5.25 -

Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos
em vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2
(sombreado) para dia anterior a ligação entre todas CJs...................................76

Figura 5.26 -

Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de
200 hPa, em m.s-1 para os dias anteriores a ligação entre todas CJs. O eixo do
CAN é representado pelo tracejado azul...........................................................77

Figura 5.27 -

Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos
em vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2
(sombreado) para os dias anteriores à ligação entre todas CJs..........................78

LISTA DE TABELAS
Tabela 4.1 -

Ocorrências
de
CJNEB
totais
durante
o
período
de
estudo
2009.....................................................................................................................41

entre

Tabela 4.2 -

Frequência de ocorrência em dias da CJNEB durante período
2009.........................................................................................................42

de

Tabela 4.3 -

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJSTHN
2009.........................................................................................................42

entre

os

anos

Tabela 4.4 -

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHN entre
2009.................................................................................................................43

os

anos

Tabela 4.5 -

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJSTHS
2009.........................................................................................................43

entre

os

anos

Tabela 4.6 -

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHS entre
2009..................................................................................................................44

os

anos

Tabela 4.7 -

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJTHN e CJPHN entre os ano
2009............................................................................................45

Tabela 4.8 -

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHN CJPHN entre os ano
2009....................................................................................................45

Tabela 4.9 -

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJTHS e CJPHS entre os ano
2009............................................................................................46

estudo

e

Tabela 4.10-

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHS e C
anos de 2000 a 2009.....................................................................

Tabela 4.11-

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJTHN e CJS
entre os anos de 2000 a 2009........................................................

Tabela 4.12-

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHN e CJS
entre os anos de 2000 a 2009........................................................

Tabela 4.13-

Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJTHN e CJ
entre os anos de 2000 a 2009........................................................

Tabela 4.14-

Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHN e CJ
entre os anos de 2000 a 2009........................................................

Tabela 4.15-

Tabela 4.15- Quantidade de eventos de ligações entre todas as CJs entre os
anos de 2000 a 2009..........................................................................................49

Tabela 4.16-

Quantidade de dias com ligações entre todas as CJs entre os anos de 2000 a
2009...................................................................,...............................................50

Tabela 4.17-

Duração, data e padrão de eventos com ligações entre todas as CJs entre os
anos de 2000 a 2009..........................................................................................51

LISTAS DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS
AB – Alta da Bolívia
CAN – Cavado em Altos Níveis próximo do Nordeste Brasileiro
CCM – Complexo Convectivo de Mesoescala
CJ – Corrente de Jato
CJNEB – Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro
CJP – Corrente de Jato Polar
CJPHN – Corrente de Jato Polar do Hemisfério Norte
CJPHS – Corrente de Jato Polar do Hemisfério Sul
CJST – Corrente de Jato Subtropical
CJSTHN – Corrente de Jato Subtropical do Hemisfério Norte
CJSTHS – Corrente de Jato Subtropical do Hemisfério Sul
COLA – Center for Ocean Land Atmosphere Interaction
ESRL – Earth System Research Laboratory

GrADS – Grid Analysis and Display System
HN – Hemisfério Norte
HS – Hemisfério Sul
LSC – Lyndon State College
NCAR – National Center for Atmospheric Research
NCEP – National Centers for Environmental Prediction
NEB – Nordeste do Brasil
NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration
NVM – Núcleo de Vento Máximo
NWS – National Weather Service
OAR – Oceanic and Atmospheric Research
PSD – Physical Sciences Division
ROLE – Radiação de Onda Longa Emergente
VCAN – Vórtice Ciclônico em Altos Níveis
ZCIT – Zona de Convergência Intertropical

SUMÁRIO
1
2
2.1

INTRODUÇÃO......................................................................................................18
REVISÃO BILBIOGRÁFICA..............................................................................19
Corrente de Jato.....................................................................................................19

2.1.1

Fluxo Zonal e Meridional.........................................................................................20

2.1.2

Núcleos de Ventos Máximos....................................................................................21

2.1.3

Circulações Transversais..........................................................................................22

2.1.4

Corrente de Jato Subtropical (CJST)........................................................................24

2.1.5

Corrente de Jato Polar (CJP)....................................................................................24

2.1.6

Variações Sazonais...................................................................................................25

2.1.7

Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB)...................................................25

2.2

Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN)..........................................................27

2.2.1

Tipos de VCAN........................................................................................................27

2.2.3

Estrutura

Vertical......................................................................................................29
2.3

Alta da Bolívia (AB)...............................................................................................29

3

3.3

METODOLOGIA...................................................................................................3
0
Região
de
Análise....................................................................................................30
Dados........................................................................................................................3
0
Softwares Utilizados...............................................................................................31

3.4

Identificação das Correntes de Jato......................................................................31

3.4.1

Ligação entre CJNEB, CJST e CJP..........................................................................32

3.4.2

Cálculo dos Eventos.................................................................................................36

3.5

Padrão de Circulação.............................................................................................38

3.5.1

Padrões nas Ligações entre Todas as CJs.................................................................38

3.6

Análise dos Casos Específicos................................................................................38

3.7
3.7.1

Análise
das
Composições........................................................................................39
Composição do Dia Anterior à Ligação...................................................................39

4

RESULTADOS.......................................................................................................41

4.1

Ocorrências de CJNEB..........................................................................................41

4.2

Ligação da CJNEB com CJST..............................................................................42

4.2.1

Ligação da CNEB com CJSTHN.............................................................................42

4.2.2

Ligação da CJNEB com CJSTHS............................................................................43

4.2.3
4.3

Ligação
da
CNEB
com
CJSTHN
e
CJSTHS............................................................44
Ligação da CJNEB com CJST e CJP...................................................................45

4.3.1

Ligação da CNEB com CJSTHN e CJPHN.............................................................45

4.3.2

Ligação da CJNEB com CJSTHS e CJPHS.............................................................46

4.3.3

Ligação da CNEB com CJST dos dois Hemisférios e CJPHN................................47

4.3.4

Ligação da CJNEB com CJST dos dois Hemisférios e CJPHS...............................48

4.3.5

Ligação da CNEB com CJST e CJP dos dois Hemisférios (todas CJs)...................49

5

ESTUDO DE CASO...............................................................................................52

5.1

Análise das Ligações entre CJNEB, CJSTs e CJPs dos dois Hemisférios (todas
as CJs)......................................................................................................................52

5.1.1

Escolha dos Eventos.................................................................................................52

3.1
3.2

5.1.2
5.2
5.2.1

Análise
Geral
dos
Eventos........................................................................................52
Análise dos Eventos Específicos............................................................................52

5.2.3

CJNEB
Meridional
com
ou
sem
VCAN...................................................................53
CJNEB
Transversal
com
ou
sem
VCAN..................................................................59
Evento Raro..............................................................................................................64

5.3

Composição dos Casos Meridionais com ou sem VCAN....................................69

5.3.1

Dia de União.............................................................................................................69

5.3.2

Dia de Separação......................................................................................................71

5.4

Composição dos Casos Transversais com ou sem VCAN...................................73

5.5

Composição dos Dias Anteriores à Ligação entre Todas as CJs........................75

5.5.1

Composição para o dia Anterior às Ligações entre Todas as CJs do tipo CJNEB
Meridional com ou sem VCAN................................................................................75

5.5.2

Composição para o dia Anterior às Ligações entre Todas as CJs do tipo CJNEB
Transversal com ou sem VCAN...............................................................................77

6

CONCLUSÕES.......................................................................................................7

5.2.2

9
REFERÊNCIAS....................................................................................................82
APÊNDICE ...........................................................................................................86

•

INTRODUÇÃO
O tempo na região Nordeste do Brasil (NEB) é determinado por vários sistemas

meteorológico, como: os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) (PONTES DA SILVA et
al., 2011), Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) (UVO, 1989), Frentes Frias (KOUSKY,
1979), Linhas de Instabilidade (COHEN et al., 1995), Ondas de Leste (FERREIRA et al., 2000),
Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) (KOUSKY E GAN, 1981), a Corrente de Jato do
Nordeste Brasileiro (CJNEB) (GOMES, 2003) entre outros.
A CJNEB localiza-se geralmente próximo do nível de 200 hPa na tropopausa tropical entre
as latitudes de 20ºS e o Equador. Ela é registrada durante todas as estações do ano tendo maior
ocorrência e desenvolvimento durante os meses de Inverno (GOMES, 2003 e CAMPOS, 2006).
Conforme analisado por Pontes da Silva (2008) e Pontes da Silva et al. (2011) as CJNEBs são um
dos principais sistemas que estão mais relacionados às precipitações intensas em Alagoas. Foram
encontrados ainda em estudos anteriores, (REPINALDO, 2010 e COSTA, 2010) eventos de

ligações entre a CJNEB e as Correntes de Jato Subtropicais do Hemisfério Sul (CJSTHS) e
Hemisfério Norte (CJSTHN) na presença de VCAN ou Cavado em Altos Níveis (CAN). Entretanto,
durante as análises preliminares do presente trabalho foi observado que as ligações ocorriam
também na presença das Correntes de Jato Polares (CJP) do Hemisfério Sul (CJPHS) e do
Hemisfério Norte (CJPHN).
Os VCANs são sistemas de grande importância no que diz respeito às precipitações e
fenômenos adversos no NEB, pois durante o verão eles são os principais causadores de chuva nas
regiões localizadas em sua periferia, e quando posicionados sobre o NEB podem facilitar que o
verão seja mais seco e quente. Em seu estudo, Gomes (2003) observou que em alguns casos as
CJNEBs estiveram associadas à VCANs e Repinaldo (2010) constatou que mais da metade de todos
VCANs analisados, estavam associados à CJNEB.
Investigar a origem da CJNEB e suas ligações entre as Correntes de Jato (CJs) dos
Hemisférios Norte (HN) e Sul (HS) é importante para auxiliar tanto a aviação quanto na previsão do
tempo de fenômenos adversos. Assim como, analisar a relação da associação do VCAN à CJNEBs
durante as ligações.
Baseado nas informações citadas anteriormente, o objetivo geral do trabalho é estudar a
origem da CJNEB e suas ligações entre as CJs dos HN e HS, ou seja, como os processos de escala
sinótica dos dois hemisférios auxiliam na união entre a CJNEB e as demais CJs e como auxiliam na
separação entre elas.
•

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

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Corrente de Jato
Os grandes contrastes de temperatura entre Trópicos e Polos produzem um escoamento de

fortes ventos zonais de oeste em altos níveis da troposfera, conhecido por Correntes de Jato (CJs).
Elas apresentam valores superiores a 30m.s -1 e se desenvolvem entre 9 e 13km de altura
(tipicamente avaliados em 200-300hPa), limitando-se a poucos milhares de metros de profundidade
vertical e dezenas de quilômetros de extensão horizontal (FEDOROVA, 1999). Há duas bandas
principais desses ventos presentes em cada Hemisfério, uma mais próxima da região subtropical,
denominada de Corrente de Jato Subtropical (CJST) e outra mais próxima dos Polos, a Corrente de
Jato Polar (CJP) (AHRENS, 2000), representadas na Figura 2.1. Além dessas bandas de ventos,
alguns estudos ainda mostraram a existência de correntes de ventos fortes em altos níveis no
Nordeste do Brasil, conhecida por Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB) (GOMES,
2003 e CAMPOS, 2005).

Figura 2.1- Representação das Correntes de Jato Subtropical (vermelho) e Polar (azul) em cada
Hemisfério.

Fonte: Adaptado de NWS/NOAA.

As CJs estão localizadas na descontinuidade da tropopausa onde há mistura do ar
troposférico e estratosférico. Elas se formam na divisa entre três células de circulação em cada
Hemisfério, juntamente com o encontro de massas de ar de diferentes temperaturas, dando origem
às variações de pressão e fortes ventos.
A CJST é associada à circulação das Células de Hadley e de Ferrel, e a Corrente de Jato
Polar (CJP) é associada à circulação das Células Polar e de Ferrel, como mostra a Figura 2.2.
Figura 2.2 - Representação das Células de Circulação e as CJs no Hemisfério Sul (HS).

Fonte: Adaptado de LSC.

As CJs variam sazonalmente, uma vez que o gradiente de temperatura varia conforme a
estação do ano. Durante o inverno, a diferença de temperatura entre a região equatorial e polar,
atinge o seu máximo, aumentando a velocidade dos ventos e, consequentemente, a intensidade das

CJs. No verão, a diferença de temperatura entre o Polo e o Equador é a menor possível e os ventos
são mais fracos, enfraquecendo as CJs.

•

Fluxo Zonal e Meridional
A propagação das Correntes de Jato se dá de forma ondulatória, através de cristas e cavados.

Isso permite uma troca de ar, o mais frio vindo dos Polos em direção ao Equador, enquanto o ar
mais quente propaga-se na direção contrária.
A amplitude das ondas pode ser muito importante para determinar as condições do tempo.
Quando as ondas da Corrente de Jato são baixas em amplitude, o fluxo é considerado Zonal,
indicando que o ar está fluindo quase diretamente de oeste para leste. Com fluxo Zonal, a mistura
do ar quente com o ar frio não é tão intensa, então as baixas pressões que se desenvolvem são
usualmente fracas. É considerado como fluxo Meridional, quando se tem altas amplitudes da onda
do jato. Esse fluxo é caracterizado por cavados com baixa pressão e cristas com alta pressão, que
resultam no maior transporte de massas de ar quente e frio. Com a corrente de jato suprindo
circulação e energia, o fluxo Meridional pode contribuir para o desenvolvimento de tempestades
severas.

•

Núcleos de Ventos Máximos
A velocidade do vento na CJ não é uniforme em sua extensão horizontal, pois ela possui

máximos e mínimos locais nas isotacas ao longo do seu eixo. Os Núcleos de Ventos Máximos
(NVM) ao longo ou embebido no eixo da CJ é conhecido por “Jet Streaks” (Figura 2.3). A
velocidade do vento no NVM pode atingir ou superar 65m.s -1. Normalmente, esses núcleos
deslocam-se ao longo do eixo, no mesmo sentido do vento (MEDINA, 1976), porém a velocidade
do vento no NVM de uma corrente de jato é maior do que a velocidade com que este núcleo se
move.
Os “Jet Streaks” encontram-se presentes nos regimes de escoamento extratropical e, devido
a sua importância como precursores de ciclogênese e tempos severos, tem recebido bastante atenção
em pesquisas (CARLSON, 1991; BLUESTEIN, 1993).
Figura 2.3 - Representação esquemática do eixo das Correntes de Jato. As linhas tracejadas são
isotacas em m.s-1 e os núcleos vermelhos são os NVM.

Fonte: Adaptado de Medina (1976).

•

Circulações Transversais
A presença de uma CJ assegura que algum processo de ajuste dos campos de massa e de

vento ocorre nas regiões de entrada e saída do NVM do jato, decorrente da mudança de velocidade
nestas áreas.
Revisões históricas sobre as circulações na Corrente de Jato foram feitas por Riehl et al
(1952) e Reiter (1969). Beebe e Bates (1955) incorporaram os efeitos de curvatura ao modelo de
circulação transversal criado por Riehl et al (1952). Uma revisão sobre essa circulação vertical da
CJ foi feita por Reiter (1969), onde ele restabelece o interesse em sistemas de tempo que se
desenvolvem nas vizinhanças do jato na alta troposfera. Outros avanços também foram alcançados
por Newton (1954), através de estudos observacionais, além de novos modelos conceituais,
apresentados por Uccellini e Jonhson (1979), Mattocks e Bleck (1986), que mostram a existência de
circulações transversais em torno da corrente de jato.
As mudanças de velocidade das partículas na entrada (aumento) e saída (diminuição) no
Jato, podem ser explicadas por uma componente ageostrófica da velocidade do vento dirigida para o
lado Polar, na região de entrada e dirigida para o lado equatorial na saída (HOLTON, 1979). Ou
seja, na área da entrada da CJ ocorre uma aceleração da parcela de ar implicando numa componente
ageostrófica do vento negativa, sendo direcionada para menores alturas geopotenciais (em direção
ao Polo) (Figura 2.4). Entretanto na saída da CJ ocorre o oposto, pois quando a parcela de ar
desacelera, a componente ageostrófica torna-se positiva, direcionando-se para maiores alturas
geopotenciais (em direção ao Equador). Assim na entrada da CJ retilínea existe uma circulação

térmica direta em que o ar quente ascende no lado equatorial do Jato e o ar frio descende no lado
Polar (Figura 2.4 b). Já na saída da Corrente de Jato a circulação térmica é indireta, com ar frio
ascendente no lado Polar do Jato e ar quente descendente no lado Equatorial (Figura 2.4 c).

Figura 2.4- Padrão idealizado do movimento ageostrófico na entrada e saída da CJ retilínea para o HS
(a); Circulação transversal direta (entrada) (b); Circulação transversal indireta (saída) (c).

Fonte: Adaptado Uccellini e Kocin (1987).

Já para correntes de jato com curvatura, o padrão idealizado discutido anteriormente não
pode ser considerado, pois é preciso levar em consideração os efeitos dessa curvatura, que são
fortemente amplificados pelo padrão de escoamento meridional com grandes cavados e cristas.
O efeito de curvatura na corrente de jato foi estudado por Beebe e Bates (1955), onde eles
sugeriram que a CJ com curvatura ciclônica teria uma divergência e convergência mais pronunciada
no lado ciclônico (Figura 2.5A). O oposto é verdadeiro para jatos com curvatura anticiclônica
(Figura 2.5B). Moore e Vanknowe (1992), também estudaram o efeito de curvatura e para isso,
utilizaram um modelo simples de duas camadas de equações primitivas. Os mesmos encontraram
que a CJ com ambas as curvaturas ciclônica e anticiclônica, é acompanhada por um padrão de duas
células de movimento vertical, o qual é significativamente maior que o encontrado no padrão de
quatro células na Corrente de Jato retilínea. Ao mesmo tempo, observaram que a curvatura

anticiclônica gera divergência a leste do eixo da crista e convergência à oeste (Hemisfério Sul).

Figura 2.5- Modelo conceitual da circulação transversal na entrada e saída da corrente de jato com
curvatura ciclônica (A) e anticiclônica (B) para o Hemisfério Norte, indicando as regiões de
convergência e divergência em altos níveis. As linhas tracejadas indicam as linhas de corrente e as
contínuas são isotacas.

Fonte: Adaptado de Beebe e Bates (1955).

•

Corrente de Jato Subtropical (CJST)
A Corrente de Jato Subtropical está associada à circulação de Hadley, que é um dos

principais mecanismos para sua manutenção (PALMÉN e NEWTON, 1969). Geralmente ela
encontra-se acima da porção descendente dessa célula de circulação, entre as latitudes de 20° e 35°
e níveis de 200 a 300hPa. Segundo Hastenrath (1990), esse Jato é mais desenvolvido na estação do
inverno onde a circulação média meridional é mais intensa.
De acordo com Palmém e Newton (1969), a CJST é semi-permanente e sua posição
média desloca-se em direção ao Equador no período de inverno e em direção aos Polos no verão,
assim como toda a circulação atmosférica, devido à posição do Sol e, no Hemisfério Sul, há uma
menor variação sazonal da intensidade do Jato, quando comparada com Hemisfério Norte.

•

Corrente de Jato Polar (CJP)
A Corrente de Jato Polar forma-se na fronteira entre a circulação Polar e a Célula de

Ferrel. Encontra-se geralmente entre as latitudes de 35º a 70º e entre 200 e 300hPa de altura. A
CJP diferentemente da CJST, não é semi-permanente, ela está associada com o forte gradiente
horizontal de temperatura, e em qualquer instante tende a coincidir com as estreitas zonas frontais
em altos níveis (Pezzi et al., 1996). A variação sazonal da sua posição é a mesma da CJST, ou seja,
sua posição é mais próxima ao Equador durante inverno do que no verão, mas em termos de
estrutura espacial, a CJST apresenta uma estrutura horizontal maior do que a CJP. Isto é esperado
pelas diferenças de latitudes destas correntes e pelos seus mecanismos fundamentais de formação.
Porém em extensão vertical a CJP é maior que a CJST. A ocorrência de um núcleo de jato intenso
acima da zona frontal em superfície é uma consequência do balanço do vento térmico.

•

Variações Sazonais
As características das CJs mudam com as estações do ano. Essas mudanças estão

relacionadas à forma na qual a área de máximo aquecimento na Terra migra ao longo do ano. A
geração de máximos de vento em altura depende diretamente do gradiente horizontal de
temperatura (HOLTON, 1979), no caso sazonal, entre Polo e Equador. Durante o inverno, o
gradiente de temperatura entre a região Equatorial e Polar atinge o seu máximo, portanto a
velocidade dos ventos é maior e a intensidade das CJs também. Durante os meses de verão, a
diferença de temperatura entre o Polo e o Equador é a menor possível e os ventos são mais fracos
enfraquecendo as CJs.
No inverno, por exemplo, a CJP no Hemisfério Norte está normalmente localizada entre
30°N e 35°S e seus ventos podem atingir 300km.h -1. No verão, contudo, a CJP retrocede para o
Norte (aproximadamente 50°N) e os ventos atingem apenas 160km.h-1. A CJST também sofre
variações sazonais similares.

•

Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB)
Alguns estudos mostraram uma corrente com fortes ventos em níveis superiores atuante no

Nordeste Brasileiro (NEB), entre o nordeste da Alta da Bolívia (AB) e o sudoeste do Vórtice
Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). Quando associadas à VCANs ou Cavados de Altos Níveis
(CANs) podem ocasionar precipitações intensas em Alagoas. A essas correntes foi dado o nome de
Correntes de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB).
A CJNEB localiza-se geralmente próximo dos 200 hPa na tropopausa tropical entre a
latitude de 20ºS e o Equador tendo maior ocorrência e desenvolvimento durante os meses de

inverno e primavera (GOMES, 2003; CAMPOS, 2006).
De acordo com Gomes (2003), as CJNEB foram encontradas em todas as estações do ano e
em alguns casos, alcançaram velocidades superiores a 50 m.s -1, no período do inverno. Em alguns
eventos durante o verão, o autor observou a ligação das Correntes de Jato dos hemisférios Sul e
Norte através da CJNEB, e esta ligação contribuiu para a formação do VCAN. Repinaldo (2010)
também constatou em seu estudo que há uma interação entre esses jatos.
As células de circulação criadas pela CJNEB e pelos ventos Alísios foram responsáveis pela
formação de movimentos ascendentes, que contribuíram para formação de Complexos Convectivos
de Mesoescala (CCM) a leste do Estado de Alagoas (FEDOROVA et al. 2005). Outros estudos,
(CAMPOS E FEDOROVA, 2006) mostraram ligações da CJNEB com mais sistemas sinóticos:
VCAN’s no Hemisfério Sul (continente e oceano), VCAN do Hemisfério Norte, Vórtices de
Médios Níveis e Corrente de Jato de Baixos Níveis. Alguns destes sistemas sofreram mudança na
estrutura devido às circulações transversais da CJNEB. Um exemplo de CJNEB pode ser visto na
Figura 2.6.
Figura 2.6 - Linhas de correntes e magnitude (colorido) em 200 hPa no dia 21/01/1992, mostrando a
CJNEB a leste do Nordeste Brasileiro.

Fonte: Repinaldo (2010).

No seu estudo sobre CJNEB, Repinaldo (2010) agrupou os eventos em três tipos de padrões:
Meridional, Zonal e Transversal (nos casos Meridionais foram agrupados as CJNEB de sul e
sudoeste, as Zonais de oeste e as Transversais de sudeste e noroeste) e concluiu que a associação da
CJNEB com VCANs ocorre entre os meses de Setembro a Março. Costa (2010) utilizou o mesmo

critério para análise da CJNEB e constatou uma frequência maior para o padrão Meridional, com
47%.

•

Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN)
Os Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCAN) são baixas frias, definidas como uma

circulação ciclônica fechada onde o núcleo é mais frio que sua periferia (GAN, 1982). Eles também
são conhecidos por baixas frias e baixas desprendidas.
Os primeiros estudos sobre VCANs desenvolvidos para o Hemisfério Norte, foram
produzidos por Palmén (1949), Palmer (1951) e Frank (1966). Já para o Hemisfério Sul, na região
do Atlântico Sul Tropical, os pioneiros no estudo desse sistema sinótico foram Dean (1971), Aragão
(1975) e Virji (1981).
Gan e Kousky (1986) observaram que os VCANs originam-se sobre o Oceano Atlântico
entre a faixa de 20° – 45°W e 0° – 28°S, e que sua formação ocorre principalmente durante o verão
austral, sendo janeiro o mês de máxima frequência, devido ao escoamento da alta troposfera sobre a
América do Sul ser anticiclônico. Além disso, ao penetrar no Brasil, produzem chuvas no norte do
Nordeste e ausência de chuvas na região Sul e central do Nordeste.
De acordo com Aragão (1975), os VCANs sobre o NEB estendem-se desde o nível de
700hPa até o nível de 300hPa. Entretanto, Valverde Ramírez (1996) em seu estudo sobre os padrões
de circulação associados aos VCANs sobre o NEB e Atlântico Tropical, constatou que geralmente
os VCANs estendem-se para baixo até 500hPa e que raramente alcançam o nível de 700hPa.
Verificou também, que a máxima vorticidade ciclônica desse sistema é observada no nível de
200hPa e um centro frio em 300hPa.
De acordo com Gan (1982), os vórtices são observados entre os meses de Setembro a Abril
e, Gan (1986) verificou que os VCANs se formam com maior frequência no período do verão do
Hemisfério Sul, sendo o mês de Janeiro aquele em que o fenômeno é mais comumente observado.
•

Tipos de VCAN
Os VCANs podem ser classificados de acordo com sua origem e formação em dois

tipos: de Palmer e de Palmén (FRANK, 1970). Os de Palmer originam-se em latitudes tropicais e
ocorrem na primavera, verão e outono, sendo mais frequentes no verão (FRANK, 1970; KOUSKY
e GAN, 1981). São encontrados no NEB. Já os de Palmén formam-se em latitudes subtropicais e
surgem em qualquer época do ano principalmente no inverno (PALMER 1951; SIMPSON, 1952).
Na literatura, são conhecidos como vórtices desprendidos (GAN, 1982).

Kousky e Gan (1981) encontraram vórtices ciclônicos sobre o Nordeste do Brasil e
utilizaram dados convencionais para determinar o comportamento desses e seu mecanismo de
formação.
Paixão e Gandu (2000) analisaram o campo de vento e classificaram os VCANs na região
Tropical em quatro tipos quanto a sua formação: Clássica, Alta, Africana I e Africana II.
O VCAN de formação clássica se origina devido à intensificação da crista associada à Alta
da Bolívia e, consequentemente, do cavado a leste, formando em um último momento um vórtice
ciclônico sobre o Atlântico, decorrentes de incursão de sistemas frontais para latitudes baixas como
sugerido por Kousky e Gan (1981). Os estágios de desenvolvimento deste mecanismo podem ser
visto na Figura 2.7.

Figura 2.7- Esquema de formação para o VCAN do tipo Palmer clássico sobre o Oceano Atlântico
Tropical Sul.

Fonte: Pontes da Silva (2011).

•

Estrutura Vertical
Quanto à estrutura vertical, no VCAN observa-se um movimento descendente de ar frio e

seco no seu centro, de altos para médios níveis, enquanto em sua periferia, o ar quente ascende com
formação de nuvens. Assim desenvolve-se do ponto de vista termodinâmico uma circulação térmica
direta, (RAMAGE, 1962; FRANK, 1966; FRANK, 1970; KOUSKY e GAN, 1981; GAN, 1983)
onde o ar quente sobe e o ar frio desce. Um esquema da estrutura vertical do VCAN proposto por
Kousky e Gan (1981) é ilustrado na Figura 2.8.
Figura 2.8- Esquema de um corte vertical do vórtice ciclônico no Atlântico Sul.

Fonte: Kousky e Gan (1981).

•

Alta da Bolívia (AB)
Durante o verão, Kousky e Gan (1981) notaram que a maior frequência de VCAN está

associado ao padrão de circulação dos ventos em altos níveis sobre a região tropical da América do
Sul, o qual é mais meridional. Esse escoamento meridional se configura quando ocorre um maior
aquecimento do continente, ocasionando um aumento da convecção sobre a região da Amazônia
(SILVA DIAS ET AL., 1983) e formação de um intenso anticiclone em 200 mb, que surge no
período da primavera, verão e outono (SIGNORINI, 2001 e SELUCHI et al., 2003) . A esse sistema
é dado o nome de Alta da Bolívia (AB) (VIRJI, 1981).
Conforme sugerido por Nobre e Molion (1988), a região semiárida do NEB é consequência
de sua proximidade à região Amazônica, onde se observa movimentos convectivos intensos e
amplos. Isto é, o ar ascende sobre a Amazônia, adquire movimentos anticiclônicos em altos níveis
(AB) e diverge gerando um ramo descendente e uma forte inversão de subsidência sobre o oceano
Atlântico Sul e posteriormente sobre o NEB. Tal configuração inibe o desenvolvimento de nuvens e
consequentemente estão associados a um período mais seco do ciclo anual.
•

METODOLOGIA

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Região de Análise
Foram escolhidas duas áreas de estudo para fins de análise. A primeira, o Nordeste

Brasileiro (NEB) e Oceano adjacente, onde há ocorrência da Corrente de Jato do Nordeste
Brasileiro (CJNEB), foi limitada a uma grade entre as longitudes 20ºW a 50ºW e latitude do
Equador, 0° a 20ºS (Figura 3.1). A segunda área foi escolhida de acordo com as posições
climatológicas, já descrita, das Correntes de Jatos (CJST E CJP) dos dois Hemisférios e dos
sistemas sinóticos associados, entre 0° – 90°W em longitude e 50°N – 50°S em latitude (Figura
3.1).
Figura 3.1- Localização da área de identificação das CJs (área 2), indicando o NEB e o Oceano

Atlântico adjacente no retângulo azul (área 1).

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Dados
Os dados utilizados no trabalho são derivados das reanálises do National Centers for

Environmental Prediction – National Center for Atmosphere Research (NCEP/NCAR), para o
período entre 2000 a 2009. Estes dados estão disponíveis no site http://www.cdc.noaa.gov/. Este
conjunto de dados tem resolução horizontal de 2,5° de longitude e 2,5° de latitude (Kalnay et al.,
1996). Utilizaram-se mapas diários da componente zonal (u) e meridional (v), com linhas de
corrente e magnitude do vento, no horário de 00Z, no nível de 200hPa.
Os dados de Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m-2 têm uma
resolução horizontal de 2,5º de latitude e 2,5º de longitude, fornecida pela NOAA/OAR/ESRL PSD,
Boulder, Colorado, E.U.A. Estão disponíveis no site http://www.esrl.noaa.gov/psd/.

•

Softwares utilizados
Todas as composições de linhas de corrente, magnitude do vento e ROLE foram gerados

com o pacote gráfico Grid Analysis and Display System (GrADS) (DOTY, 1992). Esse software foi
desenvolvido pelo Center for Ocean Land Atmosphere Interaction (COLA) e está disponibilizado

na homepage http://grads.iges.org.
As tabelas com as quantidades de eventos e frequência das CJNEB e suas ligações, foram
elaboradas a partir de planilha eletrônica do Microsoft Excel 2010.

•

Identificação das Correntes de Jato
Segundo Fedorova (2001), as Correntes de Jato nas regiões extratropicais são definidas

como ventos na alta troposfera de intensidade superiores a 30 m.s-1.
A CJNEB é menos intensa do que a Corrente de Jato Subtropical (CJST) e a Corrente de
Jato Polar (CJP) (Gomes, 2003, Costa, 2010). Em estudos anteriores (Virji, 1981) a CJNEB foi
definida com velocidade a partir de 20 m.s-1. Além disso, ela está localizada na região do NEB,
entre as longitudes 20ºW a 50ºW e latitude 0° a 20ºS.
A identificação das Correntes de Jato foi feita através de mapas de linhas de corrente e
magnitude de vento no nível de 200hPa, confeccionados a partir dos dados de reanálise das
componentes zonal (u) e meridional (v).

•

Ligação entre CJNEB, CJST e CJP
A ligação inter-hemisférica entre a CJNEB e as CJSTs e CJPs foi considerada quando a

isotaca de 20m.s-1 abrangeu os dois Hemisférios. Houve também ligações entre CJNEB e as CJs do
HS e CJNEB com CJs do HN.
Para comprovar e analisar esses resultados, foram elaboradas tabelas com quantidade de
eventos e dias de ocorrência, apresentadas no Capítulo 4.
No estudo, foi observado oito tipos de eventos de ligação. São elas:
CJNEB com CJST:
•

Ligações entre CJNEB e CJSTHN (Figura 3.2);

Figura 3.2 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHN.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre CJNEB e CJSTHS (Figura 3.3);

Figura 3.3 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB e CJSTHS.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre CJNEB, CJSTHN e CJSTHS;

Não foi constatada ligação entre apenas essas Correntes no estudo.
CJNEB com CJST e CJP:
•

Ligações entre CJNEB, CJSTHN e CJPHN (Figura 3.4);

Figura 3.4 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB, CJSTHN e CJPHN.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre CJNEB, CJSTHS e CJPHS (Figura 3.5);

Figura 3.5 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB, CJSTHS e CJPHS.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJPHN (Figura 3.6);

Figura 3.6 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB, CJSTHN, CJTHS e CJPHN.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJPHS (Figura 3.7);

Figura 3.7 - Exemplo do evento de ligação entre CJNEB, CJSTHN, CJTHS e CJPHS.

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Ligações entre todas as CJs: CJNEB,CJSTHN, CJSTHS, CJPHN e CJPHS(Figura 3.8).

Figura 3.8- Exemplo do evento de ligação entre CJNEB , CJSTHN, CJTHS, CJPHN e CJPHS (todas
CJs).

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Cálculo dos Eventos
Nesse trabalho foi identificado como evento de ocorrência de CJNEB quando esta persistiu

por no mínimo três dias. Portanto aquelas com curta duração não foram computadas.
Para facilitar a análise, foram elaboradas tabelas com os eventos de CJNEBs e suas ligações,

que obedeceram as regras seguintes.
Na contagem das CJNEBs, houve dias com a presença de mais de uma CJNEB. Nestes
casos, contabilizou-se a quantidade dos dias com existência no mínimo de uma corrente. E no
momento de calcular os eventos, se eles fossem independentes, eram contados separadamente cada
um. Por exemplo, no dia 04/12/00 (Figura 3.9), há uma CJNEB ligada à CJSTHN (tipo 1), e outra
CJNEB acoplada às CJSTHS e CJPHS (tipo 5), então são computados a presença da CJNEB e de
dois eventos distintos para um mesmo dia .

Figura 3.9- Exemplo de dia com presença de mais de uma CJNEB e dois eventos distintos.

Fonte: Elaborado pelo Autor

Foram observados também casos em que uma mesma CJNEB está presente em meses
diferentes e anos também. Sendo então contada em todos os meses e consequentemente nos dois
anos. Por exemplo, no final de um ano, um episódio de CJNEB pode persistir de Dezembro (Figura
3.10a) a Janeiro (Figura 3.10b ), portanto sendo contado nos dois meses, e nos dois anos em
questão.
Figura 3.10- Exemplo de uma mesma CJNEB em meses e anos diferentes em: a) 31/12/02 e b) 01/01/03.

a)

b)

Fonte: Elaborado pelo Autor

•

Padrões de Circulação
Os padrões de circulação da CJNEB ligada ao VCAN, encontrados por Repinaldo

(2010) foram adaptados ao estudo, pois foram observadas também as ligações da CNJEB com
Cavado de Altos Níveis (CAN). Para determinar os tipos de ligações, foi levada em consideração a
direção da CJNEB sobre o NEB e o Oceano adjacente.
Portanto, nos casos Meridionais foram agrupados as CJNEB de sul, sudoeste e norte, as
Zonais de oeste, e as Transversais de sudeste e noroeste.

•

Padrões nas Ligações entre Todas as CJs
Os eventos foram separados em três padrões, sendo dois deles de acordo com os

padrões adaptados de circulação da CJNEB já definidos por Repinaldo (2010), e um terceiro, de
acordo com a época do ano. São eles respectivamente: CJNEB Meridional com ou sem VCAN,
CJNEB Transversal com ou sem VCAN e Evento Raro.
Os casos associados à circulação da CJNEB foram agrupados de acordo com o dia em
que houve a ligação entre todas as CJs. Ou seja, o tipo de CJNEB atuante no dia da ligação era
considerado um padrão. Outro fator também considerado era a presença ou não do VCAN no dia da
ligação.
O Evento Raro foi assim escolhido porque ocorreu no mês de Maio durante o Outono
no HS. Nesse período o fato das Correntes de Jato do HN normalmente estarem localizadas mais ao

Norte impossibilita a ligação. No entanto, na análise dos casos houve dois eventos em que um ramo
da CJSTHN estava posicionado mais ao sul e se ligou a CJNEB.

•

Análise dos Casos Específicos
Para a análise dos casos específicos foram escolhidos três eventos de cada padrão distintos.

Através dos campos de linhas de corrente em 200hPa, foram selecionados os eventos que tivessem
maior duração em dias. Essas análises foram feitas com objetivo de compreender tanto a origem da
CJNEB quanto suas ligações com os Hemisférios Norte e Sul.

•

Análise das Composições
Com objetivo de identificar um padrão nas ligações, foram feitas composições médias de

linhas de corrente em 200hPa, utilizando as médias diárias dos dados de reanálise do NCEP-NCAR.
Nos trópicos, a Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) permite estudar o contraste
entre regiões onde são observadas nuvens convectivas, isto é, com valores de ROLE inferiores a
240 W.m-2 (KOUSKY, 1985) e, áreas onde apenas uma pequena quantidade ou nenhuma convecção
se estabelece (aquelas com elevada taxa de emissão de ROLE, ou seja maior que 240W.m -2).
Portanto, com o objetivo de analisar a atividade convectiva nos padrões de ligações, foram feitas
composições médias, usando valores de ROLE inferiores a 240W.m-2.
As composições foram feitas para oito dos onze eventos totais de CJNEB Meridional com
ou sem VCAN, para o dia da união entre todas CJs e para o dia de separação. Não foi feita
composição para eventos em que união e separação coincidiram no mesmo dia, no caso, três
eventos.
Já para os casos de CJNEB Transversal com ou sem VCAN, oito dos nove casos totais
coincidiram o dia de união e separação entre todas as CJs. Portanto a composição foi feita entre
esses oito casos e o que persistiu por mais de um dia foi analisado especificamente.
A composição não foi feita para o Evento Raro, pois esse apresentou apenas dois
eventos diferentes entre si, um coincidindo o dia de união e separação entre todas as CJs, e o outro
de maior duração, foi analisado especificamente.

•

Composição do Dia Anterior à Ligação

As composições médias das linhas de corrente em 200hP e ROLE do dia anterior às
ligações entre todas as CJs, foram feitas com objetivo de analisar como os principais sistemas de
escala Sinótica, em altos níveis, atuam a favor dessa ligação e assim auxiliar previsores do tempo e
a aviação na previsão desse fenômeno.
As composições para o tipo CJNEB Meridional com ou sem VCAN foram feitas para os
eventos em que a CJNEB se localizava entre a AB e o VCAN/CAN, visto que, os eventos em que a
CJNEB estava posicionada a leste do VCAN/CAN, ocorreu apenas uma vez durante o período de
estudo e foi um caso analisado especificamente.
As composições para o tipo CJNEB Transversal com ou sem VCAN foram feitas para os
eventos em que a CJNEB se localizava a leste do VCAN/CAN, visto que de todos os casos, houve
apenas dois eventos isolados, um em que ela se localizava a oeste do VCAN/CAN e no outro havia
duas CJNEBs e ambas se ligavam simultaneamente com todas CJs.
•

RESULTADOS
Nas tabelas apresentadas nesse Capítulo, são mostradas informações gerais referentes à

quantidade de eventos e seus dias de ocorrência, segundo os critérios discutidos no Capítulo 3.
•

Ocorrências de CJNEB
Na Tabela 4.1 são apresentados os totais de casos de CJNEB. Durante o período entre 2000

a 2009, foram observados 239 eventos de ocorrência de CJNEB, sendo 2003 e 2005 os anos com
maior ocorrência, num total de 28 cada. Em relação aos meses, Janeiro foi o de maior ocorrência
com 26 casos no total e Maio o de menor ocorrência, com 10 casos.
Tabela 4.1- Ocorrências de CJNEB totais durante período de estudo entre 2000 e 2009.

Mês/ano

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Total(casos

2

2
2
1
2
1
2
2
1
2
1
3
2
21

2
2
1
2
1
2
2
2
1
2
3
3
23

2
3
2
1
1
2
2
3
3
2
4
3
28

3
5
3
1
1
2
2
1
2
2
2
1
25

3
3
4
3
1
1
3
2
2
1
1
4
28

4
2
1
2
1
2
1
1
2
3
3
4
26

2
1
2
2
1
1
3
2
1
2
1
1
19

3
2
1
2
1
2
2
2
3
2
22

200
8
4
3
2
2
1
2
3
2
2
3
1
2
27

200
9
2
1
1
1
1
1
2
1
3
2
3
2
20

)
Fonte: Elaborado pelo Autor.

Na Tabela 4.2 são mostradas as frequências de ocorrência em dias da CJNEB. O ano de
2005 e o mês de Maio foram os que tiveram maior frequência em dias de CJNEB, com 294 e 292
dias respectivamente. Uma explicação de o mês de Maio apresentar-se na tabela 4.1 como o de
menor ocorrência da CJNEB, é devido uma mesma CJNEB persistir por muitos dias durante o mês.
Além disso, apesar de Janeiro ter se apresentado com maior ocorrência de CJNEB, Março foi o mês
de menor frequência de ocorrência.
Tabela 4.2- Frequência de ocorrência em dias da CJNEB durante período de estudo entre 2000 e 2009.

Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l
(ano
)

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

9
15
17
31

15
10
4
10
29

29
11
4
10
24

27
10
14
8
31

27
19
23
30
28

24
19
21
24
31

19
17
3
26
31

26
14
11
22
31

20
9
12
16
28

16
21
4
16
28

27
31
30
25
17
18
23
243

22
25
31
20
27
25
29
247

17
29
27
30
28
23
28
260

27
26
27
22
30
24
23
269

25
30
31
24
19
21
10
287

30
27
30
28
14
27
19
294

29
26
30
23
25
15
20
264

26
24
29
21
24
18
11
257

26
19
26
25
16
18
19
234

30
24
30
18
16
18
28
249

Total
(mês
)
212
130
111
179
292
259
261
291
236
216
207
210

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJST

•

Ligação da CJNEB com CJSTHN
Na Tabela 4.3 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre apenas a

CJNEB e a CJSTHN (1). Durante os anos de 2000 a 2009 foram encontrados 16 casos desse tipo de
ligação, sendo o ano de 2002 o com maior número de casos (7 no total). Já em relação aos meses, as
ligações aconteceram apenas em Janeiro, Fevereiro e Dezembro, ou seja, elas ocorreram no Inverno
do HN, que é quando a CJSTHN encontra-se mais próxima do HS.

Tabela 4.3- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJSTHN entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2

2001

2002

2003

3

2
1

2

1

3

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

1

1

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.4 mostra a quantidade de dias com a ligação 1. O mês de Dezembro foi o que
apresentou mais dias com esse tipo de ligação, totalizando 15 dias. Portanto Dezembro é o mês do
Inverno (HN) que possui características climatológicas mais propícias a esse tipo de ligação.
Tabela 4.4- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHN entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

6
6

2001

2002

2003

3

2
1

2

2
5

5
8

2

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

Tota
l
8
1

2
2

15

1

1

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJSTHS
Na Tabela 4.5 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre a

CJNEB e a CJSTHS (2). Durante os anos de 2000 a 2009 foram encontrados 21 casos desse tipo de
ligação, sendo o ano de 2008 e o mês de Fevereiro os que apresentaram maiores quantidades.

Diferentemente do caso anterior, esse tipo ligação apresenta-se mais bem distribuído ao longo do
ano, ocorrendo praticamente em todos os meses (exceção de Setembro).
Tabela 4.5- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB e CJSTHS entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Maio.
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

1
1

1

200
9

1
1
1
1
1
1

3
1
1

2008

1
1
1
1

2

1

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.6 mostra a quantidade de dias com a ligação 2. O mês de Fevereiro e o ano de
2008 foram os que apresentaram mais dias com esse tipo de ligação. Todos os anos de análise
apresentaram dias com esse tipo de ligação.
Tabela 4.6- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB e CJSTHS entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

2001

2002

2003

2004

2005

2007

1
1
2

2008

200
9

1
2
1
1
1

4
2

2
2

1
1
1
3

2
2

3

2

1

2
4

Ligação da CJNEB com CJSTHN e CJSTHS

2

2

8

Tota
l
2
6
4
3
1
2
4
1

2

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

2006

2

1
3
2

Não foram encontradas ligações entre apenas as CJNEB e CJSTHN e CJSTHS (3), durante o
período de análise entre 2000 a 2009. Ou seja, a CJP esteve também envolvida quando havia
ligações entre CJNEB e CJSTs dos HN e HS.

•

Ligação da CJNEB com CJST e CJP

•

Ligação da CJNEB com CJSTHN e CJPHN
Na Tabela 4.7 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre a

CJNEB, CJSTHN e CJSPHN (4). Durante o período de estudo foram encontrados 84 casos no total,
desse tipo de ligação. É possível perceber ausência desse tipo de ligação no período do Verão do
HN, quando as CJs do HN apresentam-se mais ao Norte, inviabilizando a união. Também é possível
notar que esse evento é mais comum no período frio do HN.
Tabela 4.7- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB, CJTHN e CJPHN entre os anos de 2000 a
2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2
1
2

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2

5
2

6
1
1

4
2

3
1
1

2

3
3

4
2

2
2

1
2

200
9
3

1
4
3

1
3

2

1
3

2
6

1

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.8 mostra a quantidade de dias com a ligação 4. O mês de Dezembro foi o
que apresentou mais dias com esse tipo de ligação. Comprova-se assim como no ítem 4.2.1 que no
mês de Dezembro as características climatológicas são favoráveis à ligações entre a CJNEB e as
CJs do HN.
Tabela 4.8- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB, CJSTHN e CJPHN entre os anos de 2000 a
2009.

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200

Tota

9
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

4

2
1
8
11

9
2

17
1
3

8
3

5
3
1

2
6
19

1
9
19

7

14
4

5
3

l
3

1
6
8
18

2
8
21

12
34

1
6
13

19

1
9

10
18
31

65
23
4

3
23
76

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJSTHS e CJPHS
Na Tabela 4.9 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre a

CJNEB, CJSTHS e CJPHS (5). Durante os anos de 2000 a 2009 foram encontrados 290 casos no
total, bem distribuídos ao longo dos meses e dos anos. Esse foi o tipo de ligação que apresentou a
maior quantidade de eventos, independente da estação do ano houve ligações.
Tabela 4.9- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB, CJSTHS e CJPHS entre os anos de 2000
a 2009.

Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2000
3
2
4
2
3
1
3
4
4
2
5

2001

2
1
2
3
1
2
1
4
4

2002
4
1
1
2
1
2
2
2
1
4
3
4

2003
4
1
3
2
2
2
2
3
3
4
3
3

2004
3
3
3
5
1
2
3
1
4
4
4
1

2005
2
5
3
3
4
2
3
2
2
4
2
3

2006
2
1
3
1
2
2
1
3
3
4
2

2007
4
3
1
5
1
1
3
3
3
6
1
1

2008
2
1
3
3
2
4
3
2
2
5
3
2

2009
1
1
1
1
1
1
2
2
3
2
4
2

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.10 mostra a quantidade de dias com a ligação 5. O mês de Maio foi o que
apresentou mais dias com esse tipo de ligação. O período frio do HS foi aquele em que houve a
maior frequência de dias com ligações entre CJNEB, CJSTHS e CJPHS enquanto o período quente,

a menor. Fato esse justificado devido ao posicionamento das CJSTHS e CJPHS durante as
diferentes estações do ano. No período frio elas posicionam-se mais a Norte, e no quente mais ao
Sul.

Tabela 4.10- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB, CJSTHS e CJPHS entre os anos de 2000
a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

9
29

5
1
6
5
30

9
7
23
18
29

6
14
13
20
24

2
1

2
14
28

7
1
3
5
24

23
31

8
5
2
15
31

26
31
29
21
8
8
6
176

22
24
29
18
27
12
10
180

17
25
27
30
15
6
10
170

26
26
26
22
28
20
9
204

24
28
31
16
14
15
1
215

29
27
29
27
11
24
9
233

29
22
30
19
24
10
6
197

26
24
25
19
18
12
6
191

3

3
1
10
15
27

200
9
3
3
3
15
28

Tota
l
46
33
62
139
281

22
19
25
25
10
16
6
179

30
23
29
12
16
7
8
177

251
249
280
209
171
130
71

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJST dos dois Hemisférios e CJPHN
Na tabela 4.11 são apresentados o número de eventos onde ocorrem ligações entre a CJNEB,

CJSTHN, CJSTHS e CJPHN (6). Durante o período de estudo foram encontrados apenas 4 casos no
total desse tipo de ligação, ou seja, esse evento não ocorre com frequência.
Tabela 4.11- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB, CJTHN, CJSTHS e CJPHN entre os
anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

Out.
Nov.
Dez.

2
2

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.12 mostra a quantidade de dias com a ligação 6. Apenas os anos de 2000 e 2001
que apresentaram dias com essa ligação. No total, foram apenas 5 dias com ocorrência desse evento
durante os 10 anos de estudo.
Tabela 4.12- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB ,CJSTHN, CJSTHS e CJPHN entre os
anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

Tota
l

2

2

2
3
3

3

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJST dos dois Hemisférios e CJPHS
Na Tabela 4.13 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre a

CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJPHS (7). Durante os anos de estudo foram encontrados 7 casos no
total, ocorrendo principalmente durante o mês de Dezembro e um deles em Novembro. Não houve
casos no período frio do HS. Portanto esse evento ocorre preferencialmente no período quente do
HS.
Tabela 4.13- Quantidade de eventos de ligações entre CJNEB, CJTHN, CJSTHS e CJPHS entre os
anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2

1
1

1

1

1

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.14 mostra a quantidade de dias com a ligação 7. O mês de Dezembro também foi
o que apresentou mais dias com esse tipo de ligação. Esse fato se deve por conta de no período frio
do HN a CJSTHN apresentar-se mais ao Sul e propícia à ligação.
Tabela 4.14- Quantidade de dias com ligações entre CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJPHS entre os
anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

2
2

2001

2002

1
1

1
1
2

2003

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

1
1

Tota
l

2
2

1
7

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Ligação da CJNEB com CJST e CJP dos dois Hemisférios (todas as CJs)
Na Tabela 4.15 são apresentados os números de eventos onde ocorrem ligações entre todas

as CJs do estudo (8). Durante os anos de 2000 a 2009 foram encontrados 23 casos totais. É possível
observar que os eventos ocorreram durante quase todas as estações do ano e com maior propensão
no período quente do HS, onde o mês de Dezembro foi o que apresentou maior quantidade de
eventos. Em 2005 no Outono, quando não era esperado haver a ligação devido à posição das CJs do
HN mais ao Norte, houve a presença desse evento, que foi denominado de Evento Raro.

Tabela 4.15- Quantidade de eventos de ligações entre todas as CJs entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2001

2002
3

2003
2

2004

2005

2006

2007

2008

2009

1

1
2

1

2

2

1
1
3

4

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.16 mostra a quantidade de dias com a ligação 8. O mês de Dezembro foi o que
apresentou mais dias com esse tipo de ligação, totalizando 25 e do mesmo modo o ano de 2001,
com 14 dias. O Evento Raro ocorrido em Maio de 2005 apresentou 4 dias com todas as CJs unidas.
Tabela 4.16- Quantidade de dias com ligações entre todas as CJs entre os anos de 2000 a 2009.

2000
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Mai
o
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Tota
l

2001

2002

2003

5

3

2004

2005

2006

2007

2008

200
9

2

4

4
4

1
1
12
14

4
9

3

4

Tota
l
8
2

4

2

3
3

1
2
3

1
2
25

Fonte: Elaborado pelo Autor.

A Tabela 4.17 apresenta a duração, data e padrão de cada caso específico de ligação
entre todas as CJs. Os tipos dos eventos estão especificados através de siglas, onde o padrão CJNEB
Meridional com ou sem VCAN é representado por “M”; o CJNEB Transversal com ou sem VCAN
por “T” e o Evento raro por “E.R”. É possível observar que os eventos em que a ligação entre todas

as CJs durou apenas um dia foram os mais numerosos, assim como os do padrão CJNEB
Meridional com ou sem VCAN.

Tabela 4.17- Duração, data e padrão de eventos com ligações entre todas as CJs entre os anos de 2000
a 2009.

Ano

Mês

2000
2000
2001
2001
2001
2001
2001-02
2002
2002
2002
2002
2002
2002
2003
2003
2005
2005
2007
2008
2009
2009
2009

12
12
10
11
12
12
12-01
01
01
12
12
12
12
01
01
05
05
02
12
11
12
12

Data começo
evento
11
14
28
26
7
14
28
3
7
7
9
12
25
04
27
15
17
03
11
27
04
10

Data final
evento
12
15
28
26
11
16
1
3
9
7
9
12
25
05
27
15
19
04
13
27
04
10

Duração
(dias)
2
2
1
1
5
3
5
1
3
1
1
1
1
2
1
1
3
2
3
1
1
1

Tipo
M
M
T
T
M
T
M
M
M
T
M
T
T
M
M
E.R
E.R
M
M
T
T
T

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

ESTUDO DE CASO

•

Análise das Ligações entre CJNEB, CJSTs e CJPs dos dois Hemisférios (Todas as CJs)

•

Escolha dos Eventos
Com objetivo de melhorar o estudo dos sistemas, no presente trabalho foi utilizada uma

grade maior que a usada em trabalhos anteriores (REPINALDO, 2010 e COSTA, 2010), onde
foram vistos ligações entre CJNEB e as CJSTs. Na análise dos casos foi observado que houve
ligações entre todas as Correntes de Jatos estudadas. E ao contrário do que foi considerado nos

trabalhos anteriores (REPINALDO, 2010 e COSTA, 2010), as ligações inter-hemisféricas não
ocorreram exclusivamente entre as CJSTs e CJNEB, pois as CJPs também estiveram presentes.
Portanto foram escolhidos para serem estudados os episódios em que houve ligações entre todas as
Correntes de Jato.

•

Análise Geral dos Eventos
Durante os 10 anos de estudo ocorreram 22 eventos de ligações entre todas as CJs. O ano de

2002 foi o que mais teve ocorrências de casos, 7 no total. Já nos anos de 2004 e 2006 não ocorreram
nenhum caso.
Em relação à frequência dos eventos em dias, o ano de 2001 foi o que teve o maior número,
alcançando 14 dias. E o mês que teve mais dias com eventos de ligações entre todas as CJs foi o
mês de Dezembro, com 25 dias.
•

Análises dos Eventos Específicos
Os eventos específicos foram agrupados em três padrões: CJNEB Meridional com ou

sem VCAN, CJNEB Transversal com ou sem VCAN e Evento Raro.
Os casos Meridionais com ou sem VCAN foram os que mais ocorreram, com 11
eventos, sendo 9 deles com VCAN e 2 sem.
Já para os casos Transversais com ou sem VCAN houve 9 eventos, dos quais 7 eram com
VCAN e 2 sem.
E por último houve 2 eventos raros e ambos sem VCAN.
•

CJNEB Meridional com ou sem VCAN
Essa seção apresenta um caso de ligação de CJNEB Meridional com Vórtice Ciclônico

em Altos Níveis ocorrido entre os dias 07 e 11 de Dezembro de 2001.
O dia 06 de Dezembro (Figura 5.1) é aquele que antecede à ligação entre todas as
Correntes de Jatos. Nesse dia é observado duas CJNEBs em ambos lados do VCAN, que está
centrado em 10°S e 30°W. Sobre o NEB, está posicionada a CJNEB1 com um eixo Meridional e
ventos no sentido sul-norte e intensidade máxima de 32m.s -1. A CJNEB2 com um eixo Transversal
e ventos de noroeste está localizada na borda leste do VCAN sobre o Oceano Atlântico e sua
velocidade máxima é de 32m.s-1. A Alta da Bolívia (AB) está sobre o continente centrada em 13°S e
55°W. A CJSTHS está ligada à CJNEB1 e à CJPHS e tem seu “Jet Streak” posicionado entre 38° a

65°W com velocidade de 44m.s-1. A CJPHS está localizada bem a sul da grade de análise com seu
“Jet Streak” localizado a partir de 42°S. Há ainda um sistema de circulação fechada próximo ao
Equador e a CJNEB2 em 4°S e 8°W.
No HN a CJSTHN possui um fluxo mais Zonal com uma ramificação ligada a CJNEB2,
e seu “Jet Streak” está localizado entre 30° e 43°W com velocidade máxima de 44m.s -1. A CJPHN
tem seu “Jet Streak” localizado entre 55° e 90°W com uma intensidade maior que 60m.s-1.
Figural 5.1- Campo de linhas de correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 06/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado
pelo tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 07 de Dezembro (Figura 5.2) ocorre a ligação entre todas as CJs. A CJNEB2 passa
ter fluxo Meridional e ventos no sentido norte-sul, enfraquecendo-se quando há a ligação e
passando a ter intensidade de 24m.s-1. No HS, um cavado (1) se aprofunda e une as CJPHS e
CJSTHS à CJNEB2 e permanecem unidas a CJNEB1. No HN, outro cavado (2) também se
aprofunda e une as CJPHN e CJSTHN. No HS, o VCAN se aproxima da costa do NEB (12°S E
32°W) e favorece a ligação entre CJNEB2 e as CJs do HN. Tanto a AB quanto a CJNEB1
continuam com as mesmas características. Já a circulação fechada próxima ao Equador se
desconfigura.
Figural 5.2- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 07/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 08 de Dezembro (Figura 5.3) a ligação persiste. A CJNEB2 enfraquece (24m.s -1) e desligase das demais CJs. O VCAN se aproxima do NEB localizando-se em 14°S e 35°W e permite a
ligação entre a CJNEB1 (ainda conectada às CJSTHS e CJPHS) e as CJs do HN. A circulação da
AB enfraquece. A CJSTHS mantém sua configuração e o “Jet Streak” da CJPHS enfraquece,
passando a ter intensidade de 28m.s-1. No HN, a CJSTHN continua com escoamento Zonal e
desintensifica-se (40m.s-1). A CJPHN permanece com as mesmas configurações.
Figural 5.3- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 08/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

No dia 09 de Dezembro (Figura 5.4) a ligação entre todas as CJs permanece (e não há
grandes mudanças com a configuração do dia anterior). A CJNEB2 deixa de atuar, portanto a partir
desse dia a CJNEB1 será denominada apenas por CJNEB. A AB se desconfigura e atua sobre o
continente em forma de crista. Os “Jet Streaks” das CJSTHS E CJPHS se unem e passam a ter
velocidade máxima de 36m.s-1. A CJNEB passa a ter dois núcleos, um sobre a Bahia de 32m.s -1 e
outro sobre o Equador de mesma intensidade. No HN, a CJSTHN intensifica, com velocidade
máxima de 44m.s-1 e entre ela e a CJPHN surge um anticiclone, localizado em 25°N e 55°W.

Figural 5.4- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 09/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

No dia 10 de Dezembro (Figura 5.5) a ligação entre todas as CJs continua. A CJNEB
enfraquece e passa a ter um núcleo apenas de intensidade máxima 28m.s -1. O VCAN aproxima-se

mais do NEB e localiza-se em 10°S e 35°W. A circulação da crista que atua sobre o continente
enfraquece. Os “Jet Streaks” das CJSTHS e CJPHS continuam unidos e com a mesma intensidade
(36m.s-1) e a CJPHS passa a ter três núcleos de mesmo valor.
No HN, a CJSTHN permanece com escoamento Zonal e núcleo de mesma intensidade
(44m.s-1), localizado em 12°N e 25°W. A CJPHN enfraquece e seu “Jet Streak” diminui de
tamanho, passando a ter velocidade máxima de 56m.s-1. O anticiclone que se formara no dia anterior
entre os fluxos das CJs do HN, se desconfigura.

Figural 5.5- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 10/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

O dia 11 de Dezembro (Figura 5.6) é o ultimo dia que as CJs permanecem unidas. O
VCAN se afasta do NEB ((13°S e 32°W) )e enfraquece sua circulação. A CJNEB volta a ter dois
núcleos máximos de velocidade do vento, um sobre o NEB, que enfraquece e passa ter intensidade
de 24m.s-1 e outro próximo ao Equador, que permanece com 28m.s -1. A crista que está localizada

sobre o continente intensifica sua circulação. Os “Jet Streaks” das CJSTHS e CJPHS se separam e a
CJPHS enfraquece e passa ter um núcleo de 32m.s-1 localizado em 50°S e 10°W.
No HN, a CJSTHN intensifica com ventos de 44m.s -1 e seu “Jet Streak” se localiza em
5°W entre 20° e 30°N. a CJPHN enfraquece e passa ter ventos máximos de 40m.s-1.

Figural 5.6- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 11/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 12 de Dezembro (Figura 5.7) não há mais a ligação entre todas as CJs. O VCAN
volta a enfraquecer sua circulação e se afasta novamente do NEB (27°W e 14°S) inibindo a ligação
da CJNEB com as CJs do HN. A CJNEB denominada anteriormente de CJNEB1 permanece com
ventos vindos de sul em direção ao norte, sobre a costa do NEB e conectada as CJSTHS E CJPHS.
Porém uma nova CJNEB(3), se configura, com ventos vindos de noroeste em direção a sudeste,
próxima ao Equador e velocidade máxima de 32m.s -1. Essa corrente encontra-se ligada apenas às
CJs do HN. A curvatura da crista sobre o continente se intensifica. A CJPHS continua ligada à

CJSTHS e CJNEB1, e seu “Jet Streak” diminui de tamanho.
No HN, a CJSPHN intensifica e a velocidade do vento é maior que 60m.s -1.A CJSTHN
também fortalece e sua intensidade máxima chega a 56m.s-1 .

Figural 5.7- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 12/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do VCAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

:

Na análise específica do caso CJNEB Meridional com ou sem VCAN é possível observar
que a origem da Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro pode estar ligada a sistemas tanto do HS
quanto do HN. Nesse evento houve a presença de duas CJNEBs, uma originada a partir de uma
ramificação da CJSTHS e a outra de uma ramificação da CJSTHN.
Aquela formada a partir da CJSTHN foi a primeira a se unir a todas as CJs, e a outra
formada através da CJSTHS, se uniu posteriormente. Após a separação entre todas as CJs, as duas
CJNEBs permaneceram sendo um ramo de suas respectivas CJST.

•

CJNEB Transversal com ou sem VCAN

Essa seção apresenta um caso de ligação de CJNEB Transversal sem VCAN ocorrido entre
os dias 14 e 16 de Dezembro de 2001.
O dia 13 de Dezembro (Figura 5.8) é aquele que antecede à ligação entre todas as CJs. Nesse
dia é possível observar um Cavado em Altos Níveis (CAN) posicionado sobre o Oceano Atlântico e
uma crista sobre o continente. Há duas CJNEBs: a CJNEB1 é Meridional com ventos vindos de
sudoeste em direção a nordeste. Está localizada sobre o NEB entre o CAN e a crista e sua
intensidade máxima é de 24m.s-1. A CJNEB2 é Transversal com ventos vindos de noroeste em
direção a sudeste, está localizada sobre o Oceano Atlântico e o Equador e tem intensidade de 32m.s 1

. A CJSTHS está ligada a CJNEB1 e a CJPHS. Sua velocidade máxima é de 32m.s -1 e ela se

localiza entre 40° e 55°W. A CJPHS possui dois “Jet Streaks”, um de 48m.s -1 próximo a 80°W e
outro de 36m.s-1 próximo a 3°W.
No HN, a CJSTHN possuiu escoamento Zonal e está ligada a CJNEB2 e a CJPHN. Ela
possui um “Jet Streak” extenso que se localiza entre 20° e 60°W com intensidade máxima de 40m.s 1

. A CJPHN está bastante intensa com velocidade maior que 60m.s -1e seu “Jet Streak” localiza-se

entre 33° e 50°N, indicando um fluxo mais Meridional. Observa-se também a presença de um
cavado próximo a 30°N e 60°W.
Figural 5.8- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 13/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 14 de Dezembro (Figura 5.9) ocorre a ligação entre todas as CJs. A AB se configura
sobre o continente centrada em 12°S e 56°W e contribui para intensificar a circulação do CAN, que

passa ter eixo Transversal. A CJSTHS e CJPHS continuam ligadas a CJNEB1, mas devido à
intensificação da circulação do CAN elas se unem também a CJNEB2, já conectada às CJs do HN.
No HN não há grandes mudanças na configuração dos sistemas, a CJSTHN se intensifica e
apresenta velocidade máxima de 52m.s-1 e o cavado se desloca em direção a sudeste.
Figural 5.9- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em m.s -1
do dia 14/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 15 de Dezembro (Figura 5.10) a ligação persiste. O CAN se movimenta e passa ter
eixo mais Transversal entre 17° e 30°W. A AB desloca e seu centro é observado em 9°S e 58°W. A
CJNEB1 enfraquece (20m.s-1) e desliga-se das demais Correntes. A CJNEB2 também enfraquece e
passa ter intensidade de 28m.s-1. A CJSTHS desintensifica-se e sua intensidade torna-se 28m.s -1.
Pode ser observado a formação de dois novos cavados no HS sobre o Oceano Atlântico, entre os
fluxos das CJSTHS e CJPHS. Um deles o cavado2 em 36°S e 45°W e outro, cavado3 em 36°S e
14°W.
No HN, o cavado fecha sua circulação e torna-se um VCAN localizado em 20°N e 66°W. A
CJSTHN intensifica (52m.s-1) e seu “Jet Streak” desloca e posiciona-se entre 15° e 32°W. A CJPHN
enfraquece e sua intensidade máxima passa a ser de 60m.s-1.

Figural 5.10- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 15/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

O dia 16 de Dezembro (Figura 5.11) é o ultimo dia que as CJs permanecem unidas. A AB se
desconfigura e dá lugar a uma crista sobre o continente. A CJNEB1 deixa de atuar e a CJNEB2 será
denominada apenas como CJNEB a partir desse dia. O cavado2 fecha sua circulação e torna-se um
VCAN, que se aproxima da CJSTHS e a intensifica (32m.s -1). O cavado3 une-se ao CAN, torna-se
um único sistema.
No HN, o VCAN torna-se um cavado novamente. A CJSTHN enfraquece (52m.s -1) e seu
“Jet Streak” passa se localizar entre 0° e 10°W. Já a CJPHN intensifica e seus ventos máximos
alcançam velocidades maiores que 60m.s-1 .

Figural 5.11- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 16/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

No dia 17 de Dezembro (Figura 5.12) a ligação entre todas as CJs não é mais observada
dentro da grade de estudo. O CAN desloca seu eixo em direção a leste e pode ser observado
aproximadamente entre 0° a 20°W. Devido a esse movimento, a CJNEB se desliga da CJSTHS e da
CJPHS. A crista continua atuando sobre o continente. O VCAN torna-se o cavado2 novamente e
aproxima-se mais uma vez da CJSTHS favorecendo sua intensificação (36m.s -1). As CJSTHN e
CJPHN permanecem unidas a CJNEB.

Figural 5.12- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 17/12/01 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo

tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Na análise específica do caso CJNEB Transversal com ou sem VCAN é possível observar
novamente que a origem da Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro pode estar ligada a sistemas
tanto do HS quanto do HN. Nesse evento, assim como no anterior, houve a presença de duas
CJNEBs, uma originada a partir de uma ramificação da CJSTHS e a outra de uma ramificação da
CJSTHN.
Diferentemente do caso anterior, aquela formada a partir da CJSTHN foi a única a se unir a
todas as CJs, devido ao eixo Transversal do CAN, e a outra formada através de uma ramificação da
CJSTHS, se dissipou. Após a separação entre todas as CJs, a CJNEB formada a partir da CJSTHN
permaneceu sendo seu ramo.

•

Evento Raro
Está seção apresenta um caso de Evento Raro ocorrido entre os dias 17 e 19 de Maio de

2005.
O dia 16 de Maio (Figura 5.13) é aquele que antecede à ligação entre todas as CJs.
Nesse dia a CJSTHS está com seu “Jet Streak” posicionado aproximadamente entre 20° e 33°S e
com uma intensidade maior que 60m.s -1. Há na sua saída uma bifurcação, entre 20° e 30°S e 40° a
50°W, que o conecta à CJNEB, posicionada entre 20°S e Equador e com uma intensidade de até
40m.s-1 e à CJPHS, com “Jet Streak” localizado em torno de 38° e 48°S e intensidade maior que
60m.s-1.

No HN, um cavado se estende desde 30°N até penetrar no HS e dar origem a uma crista que
atua sobre o continente Brasileiro. Há também um anticiclone centrado em 10°N, entre 70° e 80°W.
A CJSTHN tem seu núcleo localizado entre 20° e 30°N e possui uma ramificação próxima a 7°N,
ela está conectada a CJPHN que tem seu núcleo entre 30° e 40°N e intensidade de 36m.s-1.
Figural 5.13- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 16/05/05 representando sistemas sinóticos associados.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 17 de Maio (Figura 5.14), ocorre a ligação entre todas as CJs. As CJSTHN e CJPHN
permanecem conectadas. O anticiclone centrado a 10°N no HN desloca e se posiciona entre 60° e
70°W, sua circulação intensifica e promove uma bifurcação no fluxo da CJSTHN aproximadamente
em 20°N entre 40° e 50°W. Essa bifurcação faz com que a curvatura do cavado no HN se acentue e
consequentemente ao penetrar no HS, aumente também a curvatura da crista sobre o Norte e
Nordeste do Brasil.
No HS, as CJSTHS e CJPHS continuam unidas à CJNEB, que se localiza sobre o NEB e sua
costa. A área do “Jet Streak” da CJSTHS aumenta de tamanho enquanto que a da CJPHS diminui.
Localizado a leste do NEB sobre o Oceano Atlântico, há um CAN de eixo transversal. O CAN e a
circulação da crista sobre Brasil se aproximam da CJNEB e a desloca através de um fluxo
Meridional para o norte, permitindo a ligação entre ela e as CJSTHN e CJPHN.
Figural 5.14- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 17/05/05 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

No dia 18 de Maio (Figura 5.15) a ligação persistiu. O anticiclone do HN desloca para
noroeste e se posiciona seu núcleo em 13°N, entre 70° a 80°W. Esse movimento reforça o processo
ondulatório no HN, acentuando novamente a curvatura do cavado, que se mantém na mesma
posição apesar de agora iniciar aproximadamente em 18°N. Esse cavado juntamente com uma crista
do anticiclone no HN, intensificam a circulação da crista sobre o Brasil.
O movimento da crista no HS para sudeste desloca a CJNEB em direção ao Oceano
Atlântico adjacente ao NEB. O CAN ligado a CJNEB consequentemente também se movimenta e
passa ter um eixo mais meridional. A CJSTHS se desloca para leste com seu “Jet Streak”
posicionando entre 35° e 80°W. A CJPHS enfraquece, e adquire velocidade de 48m.s-1.

Figural 5.15- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 18/05/05 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

O dia 19 de Maio (Figura 5.16) é o último dia em que as CJs permanecem unidas. No HN, o
anticiclone se desloca para sudeste e se posiciona em 11°N entre 60° e 70°W. O cavado aprofundase e estende-se de 35°N até penetrar no HS.
No HS, novamente a crista sobre o Brasil tem sua circulação intensificada devido a
processos do HN, no caso, a aproximação de uma crista do anticiclone e do cavado. Tanto CJNEB
quanto o CAN ligado a ela se deslocam e afastam-se mais da costa do NEB, graças a presença da
crista sobre o Brasil. O “Jet Streak” da CJSTHS se divide em dois, um com velocidade maior que
60m.s-1 e outro de 52m.s-1 e a CJPHS permanece unida a CJSTHS.

Figural 5.16- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 19/05/05 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

No dia 20 de Maio (Figura 5.17) não há mais a ligação inter-hemisférica. O anticiclone do
HN tem seu núcleo atuando sobre uma área maior, localizando-se entre 55° e 70°W. A crista que
atua sobre o continente no HS tem sua circulação intensificada, devido aproximação do cavado do
HN. Esses processos favorecem o desligamento da CJNEB com as CJs do HN. O CAN novamente
se afasta do NEB e localiza-se aproximadamente entre 10° e 20°W. A CJSTHS passa ter apenas um
“Jet Streak” com intensidade maior que 60m.s -1 e se mantém ligada à CJPHS e à CJNEB. A
CJSTHN intensifica e sua intensidade máxima chega a 52m.s-1 e permanece ligada a CJPHN.

Figural 5.17- Campo de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa, em
m.s-1 do dia 20/05/05 representando sistemas sinóticos associados. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

Na análise específica do caso de Evento Raro é possível observar que a origem da Corrente
de Jato do Nordeste Brasileiro está ligada ao HS, devido á estação do ano (Outono). Nesse evento,
houve a presença de uma CJNEB originada a partir de uma ramificação da CJSTHS, que durante
essa época do ano encontra-se posicionada mais próxima da região do NEB e acaba por ser a
principal fonte de origem da CJNEB. Após a separação entre todas as CJs, a CJNEB permaneceu
sendo parte da CJSTHS.

•

Composições dos Casos Meridionais com ou sem VCAN

•

Dia de União
Essa seção apresenta uma composição média das linhas de corrente em 200hPa e da

Radiação de Onda longa Emergente (ROLE), para os dias de união entre todas as CJs, dos casos
CJNEB Meridional com ou sem VCAN, que duraram mais que um dia.
É possível observar (Figura 5.18) nesse padrão que há um CAN ao longo da costa do NEB
sobre o Oceano Atlântico entre 20° e 30°W, que tem o eixo Meridional. A AB está bem configurada
sobre o continente, centrada em 60°W e 15°S. A CJNEB tem ventos vindos de sul em direção ao
norte, e localiza-se entre o CAN e a AB sobre o NEB aproximadamente entre 30° e 42°W. A
CJSTHS e CJPHS possuem um escoamento Zonal. No HN a CJSTHN também possui escoamento
Zonal e se localiza aproximadamente entre 10° e 20°W. Já a CJPHN localiza-se próxima a 40°N.

Figural 5.18- Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa,
em m.s-1 para os dias de união entre todas CJs. O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

A partir da análise da ROLE é possível observar atividade convectiva, tendo em vista que
como mencionado anteriormente, as regiões com baixas radiações de ROLE (geralmente abaixo de
240 Wm-2) significam áreas frias que podem estar relacionadas com nuvens altas (nos trópicos).
A nebulosidade presente entre o Equador e 10°N está associada tanto com a ZCIT, quanto
com o encontro da CJNEB com a entrada equatorial da CJSTHN. Nesse caso é importante ressaltar
que a maior parte do Brasil (incluindo o NEB) está sobre efeito de algum tipo de atividade
convectiva, caracterizada pela divergência relacionada a AB (Figura 5.19).

Figura 5.19- Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos em
vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2 (sombreado) para os dias de
união entre todas CJs.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Dia de Separação
Essa seção apresenta uma composição média das linhas de corrente em 200hPa e ROLE,

para os dias de separação entre todas as CJs, dos casos CJNEB Meridional com ou sem VCAN, que
duraram mais que um dia.
É possível observar (Figura 5.20) que o CAN se afasta do NEB se localizando entre 18°e
30°W e seu eixo tende a ser Transversal, rompendo a ligação. A AB permanece bem configurada
sobre o continente. A CJSTHS e CJPHS permanecem com fluxo Zonal e ligadas a CJNEB, que
enfraquece. No HN a CJPHN enfraquece e se separa da CJSTHN.

Figural 5.20- Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa,
em m.s-1 para os dias de separação entre todas CJs. O eixo do CAN é representado pelo tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

Em relação ao dia de separação entre todas CJs é possível perceber que a nebulosidade
entre o Equador e 10°N está mais intensa que no dia da união. (Figura 5.21) Esse fato se deve a um
aumento no cisalhamento horizontal do vento na região de entrada da CJSTHN, o que reforça a
circulação ageostrófica na entrada do jato, acentuando o movimento ascendente no seu lado
equatorial. Tal processo em conjunto da ZCIT, auxilia na intensificação da convecção nesta região.
É possível notar também uma nebulosidade de origem convectiva sobre todo o NEB e parte de seu
Oceano adjacente, ocasionada devido a influencia da saída da CJNEB, entrada equatorial da
CJSTHN e também da divergência associada à difluência entre o fluxo da AB e do CAN.

Figura 5.21- Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos em
vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2 (sombreado) para os dias de
separação entre todas CJs.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Composições dos Casos Transversais com ou sem VCAN
Essa seção apresenta uma composição média das linhas de corrente em 200hPa e ROLE,

para os casos de CJNEB Transversal com ou sem VCAN que duraram apenas um dia.
É possível observar (Figura 5.22) nesse padrão que há um CAN sobre o Oceano Atlântico de
eixo Transversal com orientação noroeste-sudeste. A AB encontra-se bem configurada sobre o
continente. A CJSTHS está ligada a CJPHS e ambas possuem um fluxo Zonal. A CJNEB aparece
desconectada das demais correntes e de fraca intensidade (24m.s -1). No HN, a CJSTHN também
possui fluxo Zonal e está conectada a CJPHN. Entre o escoamento dessas correntes pode ser
observado a presença de um Cavado de grande amplitude.

Figural 5.22- Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa,
em m.s-1 para casos Transversais com ou sem VCAN. O eixo do CAN é representado pelo tracejado
azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

Para os casos Transversais a nebulosidade se apresentou intensa na área de encontro do
CAN com o “Jet Streak” da CJSTHN, entre o Equador e 20°S, evidenciado divergência nesse nível
com consequente atividade convectiva. Em relação ao NEB, pode-se concluir que ao longo de sua
costa há uma inibição dos movimentos ascendentes, causada pelo CAN (mais à oeste) que inibe a
zona de divergência (neste nível) ocasionada devido a difluência do fluxo da AB e do CAN (Figura
5.23).

Figura 5.23- Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos em
vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2 (sombreado) para os casos
Transversais com ou sem VCAN.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Composições dos dias Anteriores à Ligação entre Todas as CJs
Essa seção apresentam composições média das linhas de corrente em 200hP e ROLE dos

dias anteriores às ligações entre todas as CJs, dos tipos CJNEB Meridional com ou sem VCAN e
CJNEB Transversal com ou sem VCAN.

•

Composição para dia Anterior às Ligações entre Todas as CJs do tipo CJNEB Meridional
com ou sem VCAN
É possível observar (Figura 5.24) que há duas CJNEBs atuando, a CJNEB1 entre 10° e

20°S, originada a partir de um ramo da CJSTHS, e a CJNEB2 como um ramo da CJSTHN, próxima
ao Equador. Ao longo da costa do NEB sobre o Oceano Atlântico, há um CAN com orientação
norte-sul (eixo Meridional) e sobre o continente, há uma circulação anticiclônica bem definida (AB)
centrada em 15°S e 60°W. A CJSTHS está ligada à CJPHS e à CJNEB1, enquanto no HN a
CJSTHN se encontra ligada à CJPHN e à CJNEB2.

Figural 5.24- Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa,
em m.s-1 para dia anterior a ligação entre todas CJs. O eixo do CAN é representado pelo tracejado
azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

Em relação à nebulosidade para este caso é possível perceber convecção (Figura 5.25)
por quase todo continente, inclusive em boa parte do NEB, determinada devido a divergência
relacionada à AB.
Figura 5.25- Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos em
vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2 (sombreado) para dia anterior a
ligação entre todas CJs

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

Composição para dia Anterior às Ligações entre Todas as CJs do tipo CJNEB Transversal
com ou sem VCAN

É possível observar (Figura 5.26) a presença de duas CJNEBs, uma delas (CJNEB1) vindo
de sul próxima a 20ºS, originada a partir de um ramo da CJSTHS, e outra (CJNEB2) que passa pelo
Equador com orientação noroeste-sudeste, originada como uma ramificação da CJSTHN. Entre os
fluxos das duas CJNEBs sobre o Oceano Atlântico, atua um CAN de eixo Transversal com
orientação noroeste-sudeste. Sobre o continente, uma circulação anticiclônica bem definida (AB)
atua centrada em 13ºS e 63ºW. Assim como no caso para o dia anterior ao padrão CJNEB
Meridional, neste, a CJSTHS está ligada à CJPHS e à CJNEB1, enquanto a CJSTHN se encontra
ligada à CJPHN e à CJNEB2.

Figural 5.26- Composição de linhas correntes, magnitude do vento (sombreado) no nível de 200 hPa,
em m.s-1 para os dias anteriores a ligação entre todas CJs. O eixo do CAN é representado pelo
tracejado azul.

Fonte: Elaborado pelo Autor

Na Figura 5.27, é possível destacar a presença de nebulosidade convectiva na região do “Jet
Streak” da CJSTHN, relacionada à ZCIT e ao ramo ascendente da circulação ageostrófica na região
de entrada do jato. E no dia anterior a ligação entre todas as CJs do tipo Transversal, a costa e boa
parte do NEB encontram-se com valores de ROLE maiores que 240 W.m -2, indicando ausência de
convecção sobre essa área, devido posicionamento do CAN mais a oeste, o que inibe a zona de
divergência(neste nível) ocasionada devido a difluência entre AB e o próprio CAN.
Figura 5.27- Campo médio das linhas de corrente, magnitude do vento em m.s -1 (contornos em
vermelho) e Radiação de Onda Longa Emergente (ROLE) em W.m -2 (sombreado) para os dias
anteriores à ligação entre todas CJs.

Fonte: Elaborado pelo Autor.

•

CONCLUSÕES
Neste trabalho foram identificados 239 eventos de CJNEB entre os anos de 2000 a 2009.

Dentre os meses, Maio foi aquele em que houve a menor quantidade de CJNEBs, porém foi o que
teve a maior frequência de ocorrência em dias. O fato da CJNEB persistir por muitos dias durante o
mês justifica tal resultado observado. Janeiro apresentou a maior quantidade de CJNEB e Março a
menor frequência de ocorrência.
As ligações entre a CJNEB e CJSTHN ocorreram apenas nos meses de Janeiro,
Fevereiro e Dezembro, ou seja, elas ocorreram no período frio do HN, que é quando a CJSTHN
encontra-se mais próxima do HS. Além disso, Dezembro foi o mês em que houve mais dias dessa
ligação, o que sugere que o mesmo possua características climatológicas que a favorece.
As ligações entre CJNEB e a CJSTHS apresentaram melhor distribuição ao longo do
ano, ocorrendo praticamente em todos os meses com exceção de Setembro. E em relação aos anos
de estudos, em todos foram observados dias com a presença desse evento.
Foi verificado

durante o estudo que não ocorreram ligações entre apenas a

CJNEB e as CJSTHN e CJSTHS, pois a CJP também estava envolvida.
Em relação à ligação entre a CJNEB, CJSTHN e CJSPHN, foi possível perceber que há
ausência desse tipo de ligação no período do quente do HN, quando as CJs do HN localizam-se
mais ao Norte, dificultando a união. Também nota-se que esse evento é mais comum no período frio
do HN, sendo Dezembro o mês em que houve mais dias com esse tipo de ligação e novamente

àquele em que as características sinóticas são favoráveis à ligações entre a CJNEB e as CJs do HN.
Foi observado que as ligações entre a CJNEB, CJSTHS e CJSPHS, foram as que
apresentaram a maior quantidade de eventos (independente da estação do ano) e esses, bem
distribuídos ao longo dos meses e anos. O período frio do HS foi a estação em que houve a maior
frequência de ocorrência em dias, enquanto o quente a menor. Uma vez que no período frio as
CJSTHS e CJPHS posicionam-se mais ao Norte e próximas da CJNEB, e no quente mais ao Sul.
Durante o tempo de estudo foram encontrados apenas quatro casos, com duração de
cinco dias no total, de ligações entre CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJSPHN, o que sugere que esse
tipo de evento não ocorre com frequência.
As ligações entre a CJNEB, CJSTHN, CJSTHS e CJSPHS ocorreram principalmente no
período quente do HS, e no mês de Dezembro, já que no período frio do HN a CJSTHN apresentase mais ao Sul e favorece à ligação. No Inverno e no Outono não houve casos.
Na estação fria do HS não houve ligações entre todas as CJs, porém esse é o período com a
maior frequência de ocorrência da CJNEB, fato já observado em trabalhos anteriores (GOMES
2003 e CAMPOS 2006). Além disso, não houve ligações entre todas as CJs na presença da CJNEB
Zonal.
No total foram contabilizados onze casos do tipo CJNEB Meridional com ou sem VCAN,
nove CJNEB Transversal com ou sem VCAN e dois Eventos Raros. Em geral, as ligações do tipo
CJNEB Meridional foram as de maior ocorrência e persistiram por mais dias do que as do tipo
CJNEB Transversal.
Para ocorrer união do padrão CJNEB Meridional, o eixo do VCAN ou CAN também
precisa ser Meridional. Ao passo que quando este eixo é Transversal, a tendência é haver o
desligamento entre todas as CJs.
Notou-se ainda que na presença de duas CJNEBs, uma Meridional e outra Transversal, o
eixo Transversal do CAN foi fundamental para que a união entre todas as CJs ocorressem através da
CJNEB Transversal.
No Evento Raro o HN teve papel fundamental na ligação, já que a aproximação de uma
ramificação da CJSTHN ao HS favoreceu a ligação.
A posição do VCAN ou CAN influencia diretamente na união ou separação das CJs.
Quando estão mais próximos do NEB e sua costa, o VCAN ou CAN auxiliam a ligação, enquanto o
afastamento deles tende à separar todas as CJs.
Em geral, na análise da ROLE, (onde valores inferiores que 240 W.m- 2 representam
atividade convectiva) é possível perceber que a posição do eixo do CAN sobre o NEB nos casos de
composição da CJNEB Transversal, inibe a convecção sobre a maior parte do NEB, já que a zona
de divergência (neste nível) ocasionada devido à difluência entre o fluxo da AB e do CAN

encontra-se mais para oeste.
Já em relação às composições dos casos de CJNEB Meridional, boa parte do NEB apresenta
alguma atividade convectiva, principalmente devido à região de divergência (neste nível) entre a
AB e do CAN coincidir com o NEB.
E finalmente, apesar de a CJNEB ser considerada um sistema pertencente ao HS, sua origem
pode estar ligada a processos tanto do HS quanto do HN. Na análise dos casos do presente estudo,
ela surgiu através de uma ramificação tanto da CJSTHS quanto da CJSTHN. Além disso, sistemas
dos dois hemisférios contribuíram tanto na união e separação entre todas CJs quanto na atividade
convectiva de ambos os hemisférios.

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VIRJI, H. A Preliminary Study of Summertime Tropospheric Circulation Patterns over South
América Estimated from Cloud Winds. Monthly Weather Review, v.109, p.599–610. Mar. 1981.

APÊNDICE

Tabela com a quantidade total de casos de ocorrência e frequência de CJNEB e também de suas
ligações com as demais CJs, durante 10 anos (2000 a 2009). Onde (Num): Número de casos de
ocorrência de CJNEB, (A) ligações entre: CJNEB e CJSTHN, (B): CJNEB e CJSTHS, (C):
CJSTHN e CJSTHS, (D): CJSTHN e CJPHN, (E): CJSTHS e CJPHS, (F): CJSTHN, CJSTHS e
CJPHN, (G): CJSTHN, CJTHS e CJPHS, (H): CJSTHN, CJPHS, CJSTHS e CJPHS (todas CJs).
Tabela A: Quantidade total de casos de ocorrência e frequência de CJNEB e também de suas ligações com as demais
CJs, durante 10 anos (2000 a 2009). Onde (Num): Número de casos de ocorrência de CJNEB, (A) ligações entre:
CJNEB e CJSTHN, (B): CJNEB e CJSTHS, (C): CJSTHN e CJSTHS, (D): CJSTHN e CJPHN, (E): CJSTHS e CJPHS,
(F): CJSTHN, CJSTHS e CJPHN, (G): CJSTHN, CJTHS e CJPHS, (H): CJSTHN, CJPHS, CJSTHS e CJPHS (todas
CJs).