Maiane Rodrigues 2023

Arquivo
Dissertacao_Maiane_correta.pdf
Documento PDF (5.6MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

MAIANE RODRIGUES DO NASCIMENTO

INFLUÊNCIA DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA SOBRE A LINHA DE
COSTA , RISCOS E VULNERABILIDADES DO LITORAL DE MACEIÓ,
ALAGOAS

MACEIÓ – AL
2023

MAIANE RODRIGUES DO NASCIMENTO

INFLUÊNCIA DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA SOBRE A LINHA DE
COSTA, RISCOS E VULNERABILIDADES DO LITORAL DE MACEIÓ,
ALAGOAS

Trabalho de Dissertação apresentado como requisito para
obtenção de aprovação no Mestrado Acadêmico do
Programa de Pós-Graduação em Meteorologia, do Instituto
de Ciências Atmosféricas, da Universidade Federal de
Alagoas.
Orientadora: Professora Dra. Djane Fonseca da Silva.

Co-orientador: Professor Dr. Henrique Ravi Rocha de
Carvalho Almeida.

MACEIÓ – AL
2023

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos – CRB-4 – 2062
N244i

Nascimento, Maiane Rodrigues do.
Influência da variabilidade climática sobre a linha de costa, riscos e
vulnerabilidade do litoral de Maceió, Alagoas / Maiane Rodrigues do
Nascimento. – 2023.
143 f. : il. color.
Orientador: Djane Fonseca da Silva.
Coorientador: Henrique Ravi Rocha de Carvalho Almeida.
Dissertação (Mestrado em Meteorologia) – Universidade Federal de
Alagoas. Instituto de Ciências Atmosféricas. Programa de Pós-Graduação
em Meteorologia. Maceió, 2023.
Bibliografia: f. 123-143.
1. Variabilidade climática. 2. Ondaletas. 3. Vulnerabilidade. 4. Erosão. I.
Título.
CDU: 551.583

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

CERTIFICADO DE APRESENTAÇÃO
N.º de ordem: MET-UFAL-MS-200.
“INFLUÊNCIA DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA SOBRE A LINHA DE COSTA, RISCOS E
VULNERABILIDADES DO LITORAL DE MACEIÓ, ALAGOAS.”

MAIANE RODRIGUES DO NASCIMENTO

Dissertação submetida ao colegiado do Curso de
Pós-Graduação em Meteorologia da Universidade
Federal de Alagoas - UFAL, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do grau de
Mestre em Meteorologia.
Aprovado pela Banca Examinadora composta por:

_________________________________________________

Profa. Dra. Djane Fonseca da Silva
(Orientadora)

_________________________________________________

Prof. Dr. Henrique Ravi Rocha de Carvalho Almeida
(Coorientador)

_________________________________________________

Prof. Dr. Heliofabio Barros Gomes
(Membro Interno)

_________________________________________________

Prof. Dr. Ranyére Silva Nóbrega
(Membro Externo)
ABRIL/2023

DEDICATÓRIA

Dedico primeiramente a Deus essa grandiosa vitória, aos meus avós Mariana
Rodrigues e Francisco Leres in memorian, responsáveis por me criarem e moldarem o
meu caráter, obrigada por me ensinarem que nunca devo desistir, a eles meu amor eterno.
A minha Mãe Maria Rodrigues por todo seu amor, e sempre acreditar em mim se
sacrificando imensamente, essa vitória também é sua.
A minha irmã gêmea Mayara Rodrigues, a minha metade da alma dada por Deus,
ao meu irmão Luiz Fernando, minha referência de apoio incondicional e do que deve ser
a verdadeira irmandade.
Ao meu cachorro Ablon, que nutre todos os dias o meu ser com o que de melhor
existe neste mundo, o amor verdadeiro.
A minha cadela Gena in memorian, que foi e sempre será extremamente amada,
sua existência durante essa fase foi fundamental na minha vida, minha luz mais brilhante.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por tudo, ao Senhor toda a honra e Glória para todo sempre. A
minha família, obrigada a minha mãe Maria Rodrigues, por se dedicar todos os dias para
meu futuro, aos meus irmãos Mayara Rodrigues e Luiz Fernando, pelo apoio e incentivo
e amor, ao meu padrasto Francisco (Chico) por se orgulhar e nos proteger estando
contente com nossas vitórias, vocês foram fundamentais para essa realização, a vocês
minha eterna gratidão.
Sou grata os meus tios Raimundo Nonato, Jose Raimundo e José Maria, sempre
ajudando no que puderam para um futuro melhor, obrigada pelo orgulho extremo.
Agradeço as minhas tias Maria e Genilsa, sou imensamente grata por todo carinho, e
serem essenciais na minha vida. Agradeço aos meus primos, Kauê, Kauã, Kauane,
Andréia e Adryan pelas palavras de alegria e companheirismo sempre.
Agradeço imensuravelmente ao meu grande amigo Valdenir Moraes que foi o
veículo para a entrada nesse mestrado, seu incentivo foi a ferramenta principal, minha
eterna gratidão e admiração pelo ser humano incrível e batalhador que és.
As minhas grandes companheiras do mestrado, amigas que Deus me deu,
obrigada a Nathalia Bissaque, Flávia Franca e Mariana, agradeço por tornarem essa luta
mais leve, nossa ligação foi uma benção, as levarei para o resto da vida.
Sou grata a todos meus amigos inenarráveis e maravilhosos, em especial a Raul
Fortes e Keila de Freitas, obrigada pela preocupação, palavras de incentivo e orgulho.
Agradeço imensamente a todos os amigos aos quais não foram citados.
Agradeço grandiosamente a minha orientadora Djane Fonseca da Silva, por todos
os seus valiosos ensinamentos, compreensão sem igual, sua atuação foi de fundamental
importância para a realização dessa pesquisa, obrigada pela dedicação admirável.
Gratidão ao meu co-orientador Henrique Ravi Rocha de Carvalho Almeida.
Sou grata aos professores do Instituto de Ciências Atmosféricas, por serem
fundamentais para o meu aprendizado, em especial a Fabricio, Glauber, Luciene e Hélio
Fabio. Gratidão ao secretário do mestrado Rafael, do ICAT.
Agradeço a FAPEAL pela oportunidade de bolsa cota CAPES, tal incentivo
ajudou na árdua jornada ao longo de todo o curso do mestrado. Sou grata a todos que
participaram direta e indiretamente para a realização deste trabalho e o caminho
percorrido por mim ao longo desses dois anos.

Mas graças a Deus que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso
intermédio difunde em todo lugar a fragrância do seu conhecimento
2 Coríntios 2:14

RESUMO
A dissertação refere-se à investigação da influência da variabilidade climática no litoral
de Maceió e em como elas podem estar associadas a vulnerabilidade da área estudada.
Com o passar dos anos várias dessas mudanças vem sendo acompanhadas, e descobrir
quais variáveis mais tendem a desencadear impactos negativos se torna essencial
atualmente. Foram utilizados dados das variáveis climáticas de: Precipitação total mensal,
Temperatura média compensada mensal, Velocidade média do vento, e Nível médio de
marés. O teste de Mann-Kendall foi utilizado para analisar e identificar tendências, este
que por sua vez é indicado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) para
estudos que trabalham com tendências com séries temporais. O teste de significância TStudent foi aplicado para indicar se os valores das tendências obtidas pelo teste de MannKendall possuem significância estatística. As séries temporais das variáveis
meteorológicas de Maceió foram submetidas à Análise de Ondaletas (AO) com o objetivo
de identificar as escalas temporais presentes nas séries e isso levará à identificação dos
sistemas ou fenômenos que ocorrem ou influenciam as variáveis locais. Desse modo, fica
mais claro quais fenômenos climáticos atuam sobre as variáveis e assim, induz
interferência climática sobre o local. Para a determinação da dinâmica posicional da linha
de costa do litoral do município de Maceió foi adotado a ferramenta gratuita de código
aberto, denominada de Coastal Analyst System from Space Imagery Engine - CASSIE.
Posteriormente à essa etapa os dados quantitativos referentes a ocorrência de processos
erosivos foram refinados para uma melhor organização dos resultados em tabelas. A
elaboração dos layouts foi realizada no software livre Qgis versão 3.22 Białowieża para
focalizar a área de estudo. Os resultados apontaram processos erosivos encontrados, no
litoral de Maceió, com áreas acrescidas, criticamente erodidas, bem como estáveis. Em
diversos setores do litoral, realizou-se uma comparação visual de imagem de satélite do
ano de 2002 e outra de 2021, e apontou-se o setor 3, região da praia Pajuçara com o trecho
mais erodido, o qual foi identificado pelo método LRR com -59,6100 m/ano, e o mesmo
trecho mostrou nos gráficos das tendências que a variabilidade climática no litoral
exerceu influência sobre variáveis meteorológicas locais e consequentemente, sobre suas
praias. Com o emprego das imagens da visita in loco notou-se que nesse setor, as
tendências (em toda série) já calculadas de precipitação de 0,5546 mm, Temperatura
0,9891 °C, Vento -0,0123 m/s, e Níveis de Marés 1,2677 cm, indicaram o potencial que
essas variáveis exerceram para modificar as praias do litoral de Maceió, em alguns casos
evidenciaram situação de vulnerabilidade e ricos associados à zona costeira. Ao elencar

os impactos encontrados mediante à ocupação das praias, foram sugeridas medidas
mitigadoras a fim de amenizar e/ou reduzir os riscos causados pelas erosões e acréscimos
das praias. A pesquisa teve intuito de estimular a importância socioambiental das zonas
costeiras e sua preservação mediante uso antrópico e frente à variabilidade climática, e/ou
mudanças climáticas, e desenvolvendo auxilio científico para a tomada de decisão do
poder público em razão dos impactos ambientais no litoral de Maceió.

Palavras-Chave: Fenômenos climáticos, Tendência climática, Análises de
Ondaletas, Erosão, CASSIE.

ABSTRACT
The dissertation refers to the investigation of the influence of climate variability on the
coast of Maceió and how they can be associated with the vulnerability of the studied area.
Over the years, several of these changes have been monitored, and discovering which
variables tend to trigger negative impacts is currently essential. Data from the climatic
variables of: Total monthly precipitation, Average monthly compensated temperature,
Average wind speed, and Average tidal level were used. The Mann-Kendall test was used
to analyze and identify trends, which in turn is indicated by theWorld Meteorological
Organization (WMO) for studies that work with trends with time series. The T-Student
significance test was applied to indicate whether the trend values obtained by the MannKendall test have statistical significance. The temporal series of the meteorological
variables of Maceió were submitted to Wavelet Analysis (WA) with the objective of
identifying the temporal scales present in the series and this was lead to the identification
of the systems or phenomena that occur or influence the local variables. In this way, it
becomes clearer which climatic phenomena act on the variables and thus induces climatic
interference on the site. For the determination of the positional dynamics of the coastline
of the coast of the city of Maceió, a free open source tool called Coastal Analyst System
from Space Imagery Engine - CASSIE was adopted. After this stage, the quantitative data
referring to the occurrence of erosion processes were refined for a better organization of
the results in tables. The elaboration of the layouts was carried out in the free software
Qgis version 3.22 Białowieża to focus on the study area. The results showed erosive
processes found on the coast of Maceió, with increased areas, critically eroded, as well as
stable. In several sectors of the coast, a visual comparison of satellite images from 2002
and another from 2021 was carried out, and sector 3, the region of Pajuçara beach with
the most eroded stretch, was identified, which was identified by the LRR method with 59.6100 m/year, and the same section showed in the trend graphs that the climate
variability on the coast had an influence on local meteorological variables and,
consequently, on its beaches. With the use of images from the on-site visit, it was noted
that in this sector, the already calculated trends of precipitation of 0.5546 mm,
Temperature 0.9891 °C, Wind -0.0123 m/s, and Tide Levels 1, 2677 cm, indicated the
potential that these variables exercised to modify the beaches on the coast of Maceió, in
some cases they showed a situation of vulnerability and risks associated with the coastal
zone. When listing the impacts found through the occupation of the beaches, mitigating

measures were suggested in order to mitigate and/or reduce the risks caused by erosion
and additions to the beaches. The research aimed to stimulate the socio-environmental
importance of coastal zones and their preservation through anthropic use and in the face
of climate variability, and/or climate change, and developing scientific support for
decision-making by public authorities due to the environmental impacts on the coast of
Maceio.
Key-words: Climatic phenomena, Climate trend, Wavelets Analysis, Erosion, CASSIE.

LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Perfil generalizado de área de praia, apresentando suas divisões e os principais
elementos morfológicos.................................................................................................. 39
Figura 2. Localização da área de estudo, Litoral de Maceió -AL ................................. 53
Figura 3. Sistemas meteorológicos que provocam chuvas na região Nordeste. A área em
verde mostra a localização do Estado de Alagoas. ......................................................... 54
Figura 4. Fluxograma de etapas dos processos de usuário CASSIE ............................ 63
Figura 5. Tendência anual de precipitação para o período de 1991 a 2021 em Maceió
(estação INMET) ............................................................................................................ 67
Figura 6. Tendência anual de precipitação para o período de 2015 a 2021 de Cruz das
Almas região litorânea de Maceió .................................................................................. 70
Figura 7. Tendência anual de precipitação para o período de 2015 a 2021 no bairro Ipioca
região litorânea de Maceió ............................................................................................. 71
Figura 8. Tendência anual de temperatura para o período de 1991 a 2021 em Maceió 72
Figura 9. Tendência anual de velocidade do vento para o período de 1991 a 2021 em
Maceió ............................................................................................................................ 73
Figura 10. Tendência anual de nível de marés região litorânea de Maceió .................. 75
Figura 11. (a) Índice de precipitação normalizado para Maceió (1991 a 2021) pelo desvio
padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos amarelados
correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A curva em forma
de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é importante e (c)
Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando que o EPG é
significativo ao nível de confiança de 95%. ................................................................... 77
Figura 12. (a) Índice de precipitação padronizada para o bairro de Cruz da Almas (2015
a 2021) normalizado pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para
Precipitação. Contornos amarelados correspondem

a

variâncias normalizadas

significativas ao nível de 5%. A curva em forma de U representa o cone de influência,
sob a qual o efeito de borda é importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o
contorno tracejado indicando que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95% 79
Figura 13. (a) Índice de precipitação padronizada para o bairro de Ipioca (2015 a 2021)
normalizado pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação.
Contornos amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de
5%. A curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda

é importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%. .............................................. 81
Figura 14. (a) Índice de temperatura para Maceió (1991 a 2021) normalizado pelo desvio
padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos amarelados
correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A curva em forma
de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é importante e (c)
Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando que o EPG é
significativo ao nível de confiança de 95% .................................................................... 82
Figura 15. (a) Índice de velocidade do vento para Maceió (1991 a 2007) normalizado
pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95% ............................................... 84
Figura 16. (a) Índice de nível de marés para Maceió (1991 a 2021) normalizado pelo
desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95% ............................................... 85
Figura 17. Setor 1 com todos transectos e processos encontrados por meio da ferramenta
CASSIE .......................................................................................................................... 88
Figura 18. Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 1 .................... 91
Figura 19. Setor 2 e 3 com todos transectos e processos encontrados por meio da
ferramenta CASSIE ........................................................................................................ 92
Figura 20. Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 2 .................... 95
Figura 21. Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 3 .................... 98
Figura 22. Setor 4 com todos transectos e processos encontrados por meio da ferramenta
CASSIE .......................................................................................................................... 99
Figura 23. Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 4 ................. 102
Figura 24. Setor 5 com todos transectos e processos encontrados por meio da ferramenta
CASSIE ........................................................................................................................ 103
Figura 25. Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 5 ................. 106

Figura 26. (a) Variação da linha de costa de 2002 a 2021 (b) Tendência de precipitação
para Maceió 1991 a 2021 (c) Tendência de temperatura 1991 a 2021 (d) Tendência de
velocidade do vento (f) Tendência de nível de marés .................................................. 110
Figura 27. Imagens terrestres e aéreas do setor 1 ........................................................ 111
Figura 28. Imagens terrestres e aéreas do setor 2 ........................................................ 112
Figura 29. Imagens terrestres e aéreas do setor 3 ........................................................ 113
Figura 30. Imagens terrestres e aéreas do setor 4 ........................................................ 114
Figura 31. Imagens terrestres e aéreas do setor 5 ........................................................ 115

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Imagens de satélite disponíveis no GEE que podem ser usadas no CASSIE 62
Tabela 2. Tendências nas séries das variáveis meteorológicas...................................... 68
Tabela 3. Setorização e distribuição espacial das taxas de recuo no litoral de Maceió . 87
Tabela 4. Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 1 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros ............................................................................................................................. 90
Tabela 5. Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 2 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros ............................................................................................................................. 94
Tabela 6. Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 3 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros ............................................................................................................................. 97
Tabela 7. Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 4 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros ........................................................................................................................... 101
Tabela 8. Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 5 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros ........................................................................................................................... 105
Tabela 9. Variáveis meteorológicas e evolução dos processos erosivos no litoral de
Maceió .......................................................................................................................... 107
Tabela 10. Divisão do litoral de Maceió, uso da área, impactos ambientais e medidas
mitigatórias ................................................................................................................... 117

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AO

Análise de Ondaletas

CASSIE

Coastal Analyst System from Space Imagery Engine

CEMADEN

Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais

CPTEC

Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos

DAS

Digital Analyses System

DSAS

Digital Shoreline Analysis System

DHN

Diretoria de Hidrografia e Navegação

DOLs

Ondulatórios de Leste

DSAS

Digital Shoreline Analysis System

EPR

End Point Rate

GEE

Gases do Efeito Estufa

GEE

Google Earth Engine

GUI

Interface Gráfica De Usuário

INMET

Instituto Nacional de Meteorologia

INPE

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

IOC

Comissão Oceanográfia Internacional

IPCC

Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas

IPT-

Instituto de Pesquisas Tecnológicas

LDC

Delimitação da Linha de Costa

LRR

Método de regressão linear

NDWI

Índice de Diferença Normalizada

NDWI

Normalized Difference Water Index

NMM

Nível Médio do Mar

OMM

Organização Meteorológica Mundial

PBMC

Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas

PDI

Processamento Digital de Imagens

PNLM

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

PNMC

Política Nacional sobre Mudança do Clima

PNUMA

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

RI

Região de Interesse

SF

Sistemas Frontais

SPU

Secretaria do Patrimônio da União

SIGs

Sistemas de Informações Geográficas

SMC

Sistema de Modelagem Costeira

SPU

Secretaria do Patrimônio da União

UCM

Unidades de Conservação Costeiras e Marinhas

UCs

Unidades de Conservações

UFRJ

Universidade Federal do Rio de Janeiro

VCAN

Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis

ZCAS

Zona de Convergência do Atlântico Sul

ZCIT

Zona de Convergência Intertropical

SUMÁRIO
1

INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 17
1.1

2

OBJETIVOS ............................................................................................................. 19

1.1.1

Objetivo Geral .................................................................................................. 19

1.1.2

Objetivos Específicos ........................................................................................ 19

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................ 20
2.1

Mudanças climáticas globais ................................................................................... 20

2.1.1

Impactos das mudanças climáticas em cidades litorâneas................................... 24

2.1.2

Sistemas meteorológicos e fenômenos climatológicos que influenciam Alagoas
..............................................................................................................................28

2.1.3

Cenários futuros ou previsões Climáticas ........................................................... 32

2.2.1

Risco e Vulnerabilidade costeira ........................................................................ 34

2.3

Sistema praial ........................................................................................................... 36

2.3.1

Feições morfológicas de praias ........................................................................... 37

2.3.2

Processos sedimentares praiais ........................................................................... 41

2.4

Erosão e Progradação praial ................................................................................... 42

2.5

As consequências das mudanças climáticas sobre a costa litorânea ..................... 44

2.6

Gerenciamento costeiro ............................................................................................ 46

2.7

Sistemas Digitais de Análise de Linha de Costa ..................................................... 48

2.7.1

Sistema de Modelagem Costeira (SMC-Brasil) .................................................. 49

2.7.2

Digital Analyses System (DAS) ......................................................................... 50

2.7.3

End Point Rate (EPR) ......................................................................................... 51

2.7.4

Coastal Analyst System from Space Imagery Engine - CASSIE ........................ 52

3. METODOLOGIA ................................................................................................................ 53
3.1

Área de estudo ........................................................................................................ 53

3.2

Dados Meteorológicos............................................................................................ 56

3.3.

Análise de tendências ............................................................................................. 56

3.4

Teste de Significância de T-Student ....................................................................... 59

3.5

Análise de Ondeletas/Ondaletas ou Wavelet (AO) ............................................... 60

3.6

Análise posicional da linha de costa ...................................................................... 61

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................... 67
4.1

Tendências de Mann Kendall para as variáveis meteorológicas ............................ 67

4.2

Análise de Ondaletas para identificação de influências climáticas ..................... 75

4. 3

Avaliação da taxa de variação da linha de costa do litoral de Maceió ................... 86

4.4 Avaliação e mitigação dos impactos ambientais ......................................................... 115
5. CONCLUSÕES .................................................................................................................. 121
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 123

17

1

INTRODUÇÃO
A zona costeira é um ambiente de intensa dinâmica natural. É dominada por vários

agentes modeladores, tais como ventos, ondas, marés, correntes de deriva litorânea,
variações do nível do mar e obstáculos que retém sedimentos. É um ambiente ainda
parcialmente conhecido pelo ser humano. Seu valor ambiental, sua alta dinâmica
morfológica e sedimentar, responsável pelo amortecimento da energia hidráulica e a
importância socioeconômica que as praias arenosas apresentam, tem motivado diversas
pesquisas em busca de um melhor conhecimento, utilização racional e preservação destes
ambientes (QUINAMO, 2013).
As praias tem o potencial de serem um dos primeiros ambientes a sofrerem as
consequências das mudanças climáticas, tais como a combinação da elevação do nível do
mar com eventos climáticos extremos mais frequentes e rigorosos. As iniciativas de
gestão deste espaço não correspondem ao crescente uso, aos desafios eminentes das
mudanças climáticas, à necessidade de acesso livre por todos nem à necessidade de
conservação da biodiversidade e da livre ação da dinâmica costeira (SCHERER, 2013).
Segundo Muehe et al. (2010), a região costeira do país possui distintas
particularidades evidenciando assim ecossistemas diversificados, graças a esse aspecto
que influencia diretamente em sua estrutura dinâmica, e que por sua vez são classificadas
0de acordo com a atuação de agentes dinâmicos em sua geomorfológia, aliados a outros
fatores como características meteorológicas e também a oceanográfica respectiva de cada
região. De acordo com tais condições consequentemente cada região irá apresentar
diferentes tipos de vulnerabilidades.
A amplitude das marés (a diferença de nível entre a maré alta e a maré baixa) é
um elemento modelador da linha de costa, em função das velocidades de correntes a ela
associadas. Estas correntes de marés são significativas no transporte sedimentar costeiro.
A maior parte do litoral brasileiro, do Estado de Alagoas ao Rio Grande do Sul apresenta
amplitudes de marés inferiores a 2 metros no caso as micromarés (SAES et al., 2018).
Estudos recentes de Silva et al. (2021) evidenciam que a região do litoral alagoano
vem sofrendo com processos erosivos em sua linha de costa provenientes da atuação das
mudanças climáticas, o aumento do nível do mar impacta de maneira tão negativa na
progradação das praias que faz com o índice de vulnerabilidade na região por esse fator
em especial seja alarmante, pois o processo de erosão propicia o recuo da linha de costa.

18

Conforme destacam Molion et al. (2002) e Lyra et al. (2018) o Estado de Alagoas,
assim como a cidade de Maceió, possuem seu regime pluviométrico veiculado a sistemas
meteorológicos que influenciam diretamente em sua variabilidade climática. Com a
atuação de mecanismos considerados de grande escala como os Sistema Frontais, a Zona
de Convergência Intertropical (ZCIT), e Perturbações Ondulatórias no campo dos ventos
Alísios (POAS). Também podem ser destacados os Complexos Convectivos e Brisas
Marítimas e Terrestres que se tratam de sistemas de mesoescala.
Este conjunto de transformações trará impactos significativos também nas
condições de vida, principalmente para grupos socialmente mais vulneráveis que não
dispuserem de meios para enfrentar ou se adaptar aos efeitos negativos das mudanças. De
maneira geral, pode-se dizer que os grupos potencialmente mais suscetíveis aos efeitos
negativos das mudanças ambientais globais são aqueles que já se encontram em situação
precária em termos de acesso à infra-estrutura de saneamento e de condições de habitação.
Estes grupos já estão expostos a riscos que poderão ser amplificados pelas decorrências
da mudança climática (CARMO, 2007).
As Mudanças Climáticas vêm desempenhando um papel acelerado nas
modificações de diversas regiões no mundo (RIBEIRO, 2008) e essas, por sua vez, tem
acelerado os processos dos impactos negativos. A teoria dos Refúgios Florestais aponta
que as florestas tropicais são testemunhos dessas variações. Porém, a discussão sobre o
Antropoceno vem a mostrar que as alterações que estão sendo produzidas no planeta – e
também sobre as florestas – são de forma sem precedente em toda história, seja em escala
humana ou geológica (SANSON, 2016).
As mudanças vão gerar acontecimentos em intensidade desconhecida, ainda que
possam ser estimados, as cidades brasileiras podem ser afetadas pelos impactos causando
prejuízos, problemas já antigos que resultaram do processo rápido e particular de
urbanização no Brasil, principalmente a má condição de moradia da maioria da população
que vive em grandes cidades e metrópoles brasileiras. Com isso, avaliar os riscos do
potencial de vulnerabilidade sobre a linha de costa de Maceió faz-se mais que necessário,
pois por ser um ponto turístico de destaque no país, torna crucial estudos voltados para
zona costeira na cidade, e que visem uma gestão de mitigação de tais riscos.
Diante de tal premissa, o presente trabalho tem como objetivo investigar o efeito
das mudanças climáticas nas feições da linha de costa do litoral de Maceió, indicando
possíveis pontos/locais de riscos e níveis de vulnerabilidade.

19

1.1

OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral
Analisar o impacto das mudanças climáticas globais na área costeira de Maceió,
através de análise multitemporal com base em imagens de sensoriamento remoto.

1.1.2 Objetivos Específicos
▪ Avaliar como as tendências climáticas podem estar influenciando os
processos na linha de costa do litoral;
▪ Identificar as regiões litorâneas sobre a ação de possíveis processos erosivos,
bem como, inferir a intensidade destes ao longo da zona costeira;
▪ Estimar os níveis de risco e vulnerabilidade ao longo da costa por meio do
uso de ferramentas como imagens de satélites e softwares.
▪ Enviar o material final para órgãos gestores do setor, para que possa servir de

embasamento e ferramenta de cunho científico para o gerenciamento costeiro
de Maceió. Conforme o edital de parecerias estratégicas da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, com seu enfoque em
desenvolvimento, dinâmicas territoriais e segurança hídrica, buscando o
desenvolvimento de pesquisas que beneficiem a sociedade por meio de
programas de pós-graduação.

20

2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Mudanças climáticas globais
De conotação originariamente científica a ideia de clima tomou uma expressiva
complexidade na Modernidade avançada, saltando do campo das curiosidades do senso
comum e dos questionamentos acadêmicos para a esfera das deliberações políticas gerais.
Essa transmutação não aconteceu em decorrência de manifestações “normais” ou
habituais dos fenômenos e eventos climáticos, mas sim devido suas excepcionalidades,
tanto presentes quanto no que concerne a conjecturas futuras, especialmente no âmbito
da sociedade de risco que se vive e se projeta. É no conjunto de debates e argumentações
das mudanças climáticas globais que se situa a passagem do clima, enquanto elemento
integrante das paisagens, para fenômeno ecológico-político eivado de ameaças e riscos
ao futuro da vida na Terra (MENDONÇA, 2021).
De acordo com Blank (2015), as mudanças climáticas podem ser assimiladas
como as alterações no comportamento do clima, sendo essas alterações sofridas
diretamente no clima global, algumas dessas interferências podem ser causadas tanto por
agentes naturais quanto por ações humanas que acarretam em tais mudanças, sendo
algumas delas emissões de Gases de Efeito Estufa, que propiciam o aquecimento do
sistema climático. O aumento da temperatura média global pode ser considerado um
exemplo realista das mudanças climáticas. Isso por que pôde ser perceptível ao longo de
cada ano em muitas regiões do globo, as altas temperaturas contribuem também para o
aumento do nível do mar, mais uma das mudanças climáticas provenientes das alterações
que o planeta vem sofrendo.
A climatologia está no centro de um dos debates mais polarizados da atualidade,
apresentado pela mídia como o confronto entre os defensores da existência de um
aquecimento global causado pelas emissões de gases do efeito estufa pela atividade
humana e aqueles que rejeitam a existência de um aquecimento ou o consideram resultado
de um fenômeno natural (LEITE, 2015).
A despeito de controvérsias científicas e dificuldades de comunicação, as
alterações no clima têm-se feito presentes nas pautas de distintas esferas, da formulação
de políticas públicas às demandas de movimentos sociais, e têm demonstrado a
possibilidade de colocar em xeque o arsenal crítico-conceitual tradicionalmente
mobilizado para se pensar a sociedade (e as relações sociedade-natureza), demandando
novas concepções do agir político (FLEURY et al., 2019).

21

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, (IPCC) é uma órgão
criado em 1988, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Nessa época, já havia preocupações
acerca do aquecimento global. Muitos estudos a respeito estavam sendo desenvolvidos e
o IPCC foi estabelecido com a missão de avaliar as pesquisas, interpretá-las e reunir todas
as informações relevantes, tanto técnicas quanto socioeconômicas, em relatórios
abrangentes, de fácil compreensão e acessíveis a todos (WOLFFENBÜTTEL, 2007). De
um lado, ele envolve a contribuição voluntária de milhares de cientistas de centenas de
países (envolvendo também as instituições em que trabalham), que têm como tarefa
sistematizar periodicamente o conhecimento científico produzido sobre o clima e as
mudanças climáticas (LEITE, 2015).
De acordo com Ely e Debreuil (2017), quando se refere a variação climatológica
destaca-se que os estudos devem se fixar a determinados parâmetros, e tais parâmetros
enfatizam que a observação de certas variações climáticas devem ser levadas em
consideração aspectos como: a quantidade de anos que elas se repetem, mesmo que sejam
progressivas e consecutivas, pois para que seja possível se considerar como uma espécie
de tendência serão necessário anos de acompanhamentos, o que pode girar em torno de
meio século. A variação possui um aspecto de cunho natural do clima, e também possui
influência direta com atividades que correspondem a demandas socioeconômicas,
incitando assim estudos e aplicações pela Climatologia entre outras ciências abordando
as tendências climáticas.
A necessidade de compreender as mudanças climáticas e seus efeitos sobre o
ambiente natural reforça a importância dos estudos de tendências em séries temporais,
dada a incerteza presente na dinâmica dos processos hidrológicos (GONÇALVES e
BACK, 2018). E um dos assuntos que vem ocupando os meios científico e acadêmico nas
últimas décadas está relacionado à identificação de tendências climáticas em nível
regional e mundial. A verificação das alterações no clima é uma ferramenta para o
planejamento da sociedade, pois permite considerar as possíveis consequências do
aumento das temperaturas do ar e de mudanças no regime de precipitação (IPCC, 2013).
É inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a
superfície terrestre. Mudanças rápidas e disseminadas ocorreram. Do aquecimento de
1,09 oC observado atualmente (2011 -2020) em comparação com o período pré-industrial
(1850- 1900), 1,07 oC provavelmente deriva de ações humanas, como a queima de
combustíveis fósseis e o desmatamento. Cada uma das quatro últimas décadas foi mais

22

quente que todas as anteriores desde 1850. Entre 2011 -2020, o aquecimento da
temperatura sobre os continentes é de 1,59oC em média, contra 0,88 °C sobre o oceano.
A influência humana provavelmente contribuiu para o aumento da umidade na atmosfera.
A precipitação provavelmente aumentou desde os anos 1950, e mais aceleradamente a
partir dos anos 1980 (IPCC, 2021).
O IPCC mostra conhecimento científico a respeito da diferença dos impactos entre
esse limite e 2°C, além de alertar que deveríamos alcançar uma sociedade carbono neutra
em torno de 2050 para evitar impactos maiores. O IPCC alerta que permitir que as
temperaturas globais subam 2 °C acima dos níveis pré-industriais trará consequências
ainda mais devastadoras, incluindo a perda de habitats naturais e de espécies, e prevê a
proporção de espécies que perderão metade de sua distribuição geográfica (MARENGO,
2018).
Para Silva et al. (2017), a grande maioria dos pesquisadores tem em sua concepção
cientifica que as alterações climáticas que vem ocorrendo são proeminentes das
atividades antropogênicas, mais precisamente em relação ao aumento dos Gases de Efeito
Estufa (GEE) na atmosfera, por outro lado existem outros que enfatizam que essas
alterações se devem ao fato de haver variabilidade climática natural do planeta, indo
contra as afirmações dos Relatórios de Avaliações do IPCC.
A mudança climática já está acontecendo e já está produzindo impactos, e quanto
maior for o aquecimento, maiores serão os impactos futuros e riscos que a humanidade
vai enfrentar, incluindo a possibilidade de danos irreversíveis em ecossistemas, na
biodiversidade, na produção agrícola e na economia e sociedade em geral. A inclusão
efetiva de adaptação às mudanças de clima pode ajudar a construir uma sociedade mais
resiliente no médio prazo (MARENGO e SOUZA JR, 2018).
Os impactos das mudanças climáticas são transfronteiriços, não respeitando os
limites territoriais e políticos dos Estados, fazendo com que a ação conjunta entre
governos e sociedade seja mais que necessária para mitigar as consequências e buscar a
adoção de práticas que almejem um estado de equilíbrio entre as atividades humanas no
meio ambiente (ESPÍNDOLA e RIBEIRO, 2020.)
Os eventos climáticos e meteorológicos extremos também são um aspecto
integrante da variabilidade climática, e sua frequência e intensidade podem variar de
acordo com a mudança climática. Um desastre natural pode ser decorrente de atividades
humanas, como o desmatamento de encostas próximas a áreas urbanas ou construções em
áreas de risco, que pode intensificar as consequências de chuvas fortes. As chuvas

23

dificilmente causam a morte de pessoas por si só, mas os deslizamentos produzidos por
elas em áreas próximas a leitos de rios ou abaixo de inclinações desmatadas podem causar
danos às populações (MARENGO, 2009).
Para Kalil e Checco (2020), a situação em que o Brasil se encontra em relação ao
agravamento das mudanças climáticas tende a ficar ainda mais desafiadora, mesmo sem
levar em consideração o número de ocorrências de eventos extremos. Fazendo um
apanhado de critérios como gestão pública, medidas de mitigação e adaptação assim como
em outros países são as alternativas, no entanto, o Brasil ainda possui poucos avanços
comparados a outros países.
Mudanças climáticas no Brasil ameaçam intensificar as dificuldades de acesso à
água. A combinação das alterações do clima na forma de falta de chuva ou pouca chuva,
acompanhada de altas temperaturas e altas taxas de evaporação e alta competição pelos
recursos hídricos, pode levar a uma crise potencialmente catastrófica, sendo os mais
vulneráveis os agricultores pobres, como aqueles de subsistência na área do semiárido do
Nordeste. Levando em conta um semiárido mais árido e o aumento da frequência de
ocorrência das secas, a base de sustentação para as atividades humanas diminuirá, sendo
provável que aumente o deslocamento da população para as grandes cidades ou para as
áreas nas quais seja possível desenvolver a agricultura irrigada (MARENGO et al., 2011).
O clima de uma região tem influência sobre os ecossistemas, na distribuição da
vegetação, na formação das paisagens e, na atividade econômica. Dentre as variáveis
climáticas, a precipitação, assim como a temperatura, são os elementos que atuam de
maneira mais direta a configuração da natureza (GONÇALVES e BACK, 2018).
Para Carlos et al. (2019), a região Nordeste é uma das mais propensas a serem
afetadas pelas alterações climáticas previstas quando se trata especificamente de
mudanças que irão ocorrer no Brasil principalmente as ligadas ao regime de chuvas na
região.
Segundo Molion e Bernardo (2002), o Nordeste brasileiro possui sua variabilidade
no regime de chuvas coordenadas pela ação de sistemas atmosféricos de diferentes escalas
de tempo e espaço, esses por sua vez atuam na região, por exemplo, Zona de
Convergência Intertropical, (ZCIT), Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN),
Sistemas Frontais (SF), os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), a convecção
organizada em forma de linhas de instabilidade, aglomerados convectivos e a Zona de
Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), a circulação atmosférica desses sistemas

24

determina a variabilidade dos meses chuvosos em sub-regiões no caso da norte do
nordeste de dezembro a março e no leste do nordeste sendo de maio a agosto.
A extensão de uma estação seca nesta região poderia afetar o balanço hidrológico
regional e assim comprometer atividades humanas, ainda que haja alguma previsão de
aumento de chuva no futuro. Para o Nordeste, a tendência é de redução de chuvas
acompanhada de aumento da temperatura para finais do século XXI. As diferenças entre
tendências de mudanças de temperatura e chuva geradas pelos diferentes modelos para
algumas regiões, especialmente o Pantanal, sugerem que ainda há um grau de incerteza
nas projeções de clima futuro nesta região. Ainda assim, pode-se afirmar um clima mais
quente e possivelmente com chuvas mais irregulares concentradas em poucos dias nesta
região (MARENGO e VALVERDE 2007).
De acordo com Penereiro e Meschiatti (2017), em um de seus trabalhos
evidenciou-se que as tendências negativas puderam ser observadas na região nordeste,
essas tendências se estenderam na faixa leste da região onde a mesma havia apresentado
um total de 56 casos de tendências negativas, representado o maior número, identificando
assim o aumento da temperatura mínima para a região nordeste.
Segundo Batista et al. (2021), a cidade de Maceió apresentou desenvolvimento de
mudanças climatológicas significativas no que se refere ao uso e ocupação do solo, pois
estudos realizados embasam que ocorreu redução de cobertura vegetal principalmente de
classes de vegetação densa, sendo algumas pertencentes ao bioma Mata Atlântica,
identificados em alguns bairros da cidade, boa parte desse efeito se deve a expansão
urbana e de empreendimentos. Esses fatores contribuem para o aumento da temperatura
e consequentemente isso faz com que a sensação seja percebida de forma a causar
desconforto térmico em áreas menos arborizadas e favorecidas por influências hídricas.

2.1.1 Impactos das mudanças climáticas em cidades litorâneas
Uma das mais importantes questões relacionadas a eventos extremos a curto prazo
é se sua ocorrência está aumentando ou diminuindo com o tempo; isto é, se há uma
tendência a cenários propícios à ocorrência desses eventos. A variabilidade e as mudanças
na intensidade e frequência de eventos extremos dependem não apenas da taxa de
mudança do meio de uma determinada variável, mas também da ocorrência de mudanças
nos parâmetros estatísticos que determinam a distribuição daquela variável (MARENGO,
2009).

25

Os riscos associados aos eventos extremos climáticos poderão atingir a todos,
independentemente do status socioeconômico, e o que vai diferenciar as suas
consequências para cada indivíduo ou grupo serão as capacidades de respostas aos riscos
associados aos extremos climáticos. Desse modo, é cada vez mais urgente as ações
preventivas e um planejamento prospectivo como base para a redução de riscos de
desastre no contexto de mudanças climáticas (IWAMA, 2014).
O clima é um agente transformador de ambiente extremamente importante e está
em incessante interação com fatores físicos, químicos e biológicos atuantes na crosta e na
atmosfera terrestre. O relevo, por exemplo, é moldado, em parte, pela ação intempérica
das chuvas e do vento. Em contrapartida, a disposição do relevo molda a direção dos
ventos. A vegetação também está em constante interação com o clima. A ocorrência
frequente de precipitações nas áreas tropicais, por exemplo, pode propiciar o surgimento
de densas florestas, as quais apresentam um elevado índice de evapotranspiração,
mantendo o ambiente mais úmido (MOREIRA et al., 2017).
Alguns ambientes se tornaram mais suscetíveis às ações humanas como a
atmosfera e os recursos hídricos. Estes ambientes também são os mais delicados e
sensíveis, e o resultado do seu desequilíbrio pode ser a condição para a piora da qualidade
de vida da população e da extinção de diversas formas de vida, animais e vegetais. A
região costeira do país tem sido intensamente ocupada desde a sua colonização, e a
especulação imobiliária é apontada como principal responsável pela destruição dos
ambientes costeiros e essa disputa é mais acirrada nos Estados da região sudeste
(FARIAS, 2014).
Nas cidades costeiras do Brasil, os eventos meteorológicos-oceanográficos
extremos, como ressacas e sobrelevações do Nível Médio do Mar (NMM), marés
meteorológicas positivas, têm como efeitos principais as inundações costeiras e a erosão
costeira,

que

também

podem

ser

enquadradas

como

perigos

de

origem

hidrometeorológica. No contexto das inundações costeiras, como a evolução do evento
está associada à atuação de ciclones extratropicais e sistemas frontais (baixa pressão
atmosférica), que geram elevada precipitação, então é comum a conjunção com eventos
de enchentes/alagamentos, que amplificam os efeitos nas cidades costeiras, em especial
quando ocorrem em fase de maré de sizígia (MARENGO e SCARANO, 2016).
Conforme aponta em seu trabalho Grimm (2019), ao analisar os impactos
proporcionados pelas mudanças climáticas sob o turismo não encontrou uma bibliografia
tão notável, porém observou que existem pesquisas especificas relacionadas a mudanças

26

climáticas no turismo de regiões com neve, ou até mesmo em pequenas ilhas, também
evidenciou que a maior vulnerabilidade envolvendo as pesquisas das mudanças climáticas
e seu impacto no turismo se deve ao fato de os estudos não possuírem análises de longo
prazo. Essa peculiaridade faz com que seja difícil identificar a relação dos diversos
elementos do clima sendo eles: temperatura, umidade do ar, grau de radiação e pressão
atmosférica, e como eles atuam em conjunto com as variáveis do sistema turístico.
Segundo Corrêa et al. (2020), a preocupação com áreas que correspondem as
regiões litorâneas, e em relação as alterações que vem desencadeando problemas
relacionados as ações antrópicas, nota-se dentre elas o descarte desenfreado de materiais
em praias, riachos, restingas, manguezais, baías, entre outros, o que leva a considerar a
dinâmica rica da biodiversidade que compõem esses ambientes, principalmente por que
essas localidades estão diretamente ligadas a atividades de lazer e recreação, transporte,
turismo e pesca nessas regiões.
A partir de inúmeras ocorrências com ressacas na orla de Santos, nos últimos anos
e considerando que a cidade também tem uma vocação natural para o turismo, houve uma
necessidade urgente de se antecipar com uma ampla discussão para mitigar e se adaptar
aos riscos provenientes das mudanças climáticas. A elevação do nível do mar vem
causando não apenas problemas na praia, como uma forte redução da faixa de areia nos
últimos anos, mas o avanço do mar está destruindo as muretas de proteção,
comprometendo os edifícios na orla da praia e gerando prejuízos ao município. Além
disso, a entrada do Porto de Santos se dá pela região de Ponta da Praia, fortemente
impactada pelas ressacas (PINHO e GRANZIERA, 2019).
O Maranhão é um Estado com uma grande extensão litorânea, banhado ao norte
pelo oceano Atlântico. Com aproximadamente 640 quilômetros de faixa correspondentes
à costa litorânea existentes no Estado, onde se concentram inúmeras atividades urbanas,
comerciais e turísticas, que o transforma em um grande polo regional e nacional. Possui
6,9 milhões de habitantes (IBGE 2022). Com isso, o Maranhão é o quarto Estado mais
populoso da Região Nordeste. A Avenida Litorânea é um local de concentração de praias
da cidade de São Luís e frequentada pela população local e pela população advinda do
turismo. Sendo de fácil acesso, por ter um terminal de integração de ônibus urbanos na
sua proximidade.
As comunidades tornam-se vulneráveis por habitarem espaços próximos à beiramar e podem, portanto, sentir os efeitos do avanço do mar, como já ocorre na comunidade
de Atins e em Caburé no município de Barreirinhas. O Parque Nacional dos Lençóis

27

Maranhenses (PNLM), por sua vez, pode perder grande parte de sua atratividade turística,
a partir da possível perda de biodiversidade e possível alteração das dinâmicas de vento
e chuva que interferem na formação das lagoas e das dunas (PINHO et al., 2019).
Segundo a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), foi desenvolvido
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Área de Engenharia
Costeira & Oceanográfica, do Programa de Engenharia Oceânica da COPPE e do
Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Escola Politécnica, um estudo
sobre vulnerabilidades no litoral do Estado do Rio de Janeiro devido às mudanças
climáticas. A pesquisa teve como objetivo principal debater os potenciais riscos e
vulnerabilidades nas diversas áreas da zona costeira do Estado do Rio de Janeiro por meio
de análises e dados, resultando em previsões para 2050 e 2100 e sugerindo medidas para
mitigação e adaptação às mesmas. O plano cita o cenário tendencioso de elevação do
nível médio do mar, mudanças de direção de ondas e aumento de extremos climáticos
(AGUIAR, et al., 2020).
Com o aumento da ocupação das áreas costeiras e o quadro atual de Mudanças
Climáticas Globais, estudos sobre estratégias de adaptação têm se tornado ferramentas
essenciais para a gestão da orla marítima e da zona costeira em várias partes do mundo.
Na zona costeira de Mata de São João é possível observar trechos que ainda estão
desabitados e trechos que há alguns anos vêm passando por um processo intenso de
ocupação. O aumento do nível do mar e a ocorrência frequente e intensa de tempestades
ocasionadas por essas mudanças globais poderão afetar significativamente a prática
turística e recreacional de suas praias (SOUZA et al., 2020).
Visto o prognóstico de elevação do nível do mar estimadas pelo IPCC (2021),
Almeida et al. (2021), em estudo desenvolvido no litoral sul de Alagoas, constatou que a
região poderá sofrer grandes impactos erosivos, e por consequência intensa modificação
do sistema praial e aumento da vulnerabilidade costeira face as mudanças climáticas
Estudos urbanos a respeito da cidade de Maceió, como na maioria das cidades
brasileiras, apresentam a questão climática urbana pouco discutida, em um sentido mais
profundo e complexo. Entretanto, as mudanças microclimáticas são decorrentes das
transformações substanciais do espaço no tempo (ALMEIDA, 2020).

28

2.1.2

Sistemas meteorológicos e fenômenos climatológicos que influenciam
Alagoas
O controle climático oceânico exerce influência primordial nos níveis

pluviométricos do Nordeste do Brasil (NEB). Então, surgem questionamentos sobre o
comportamento da climatologia da TSM do Atlântico e do Pacífico leste em um período
onde se procura evidências de mudanças climáticas globais e os impactos que podem ser
potencializados ou até mesmo surgir (NOBREGA e SANTIAGO, 2016).
A presença de águas mais quentes e frias no Oceano Atlântico Tropical Norte
ocorre de maneira negativa e positiva, influenciando no regime de chuvas no NEB, visto
que a ZCIT tende a ficar mais distante ou próxima (JACINTO, et al., 2022). Conforme
Silva et al. (2017), a presença de um gradiente inter-hemisférico da TSM no oceano
Atlântico, forma assim o surgimento de outros sistemas que induzem a precipitação na
região NEB.
Os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs) Ou Ondas de Leste são um dos
principais sistemas meteorológicos que atuam no leste do (NEB) entre maio e julho.
Devido a importância dos DOLs para o regime de chuva do NEB, um melhor diagnóstico
desses sistemas (envolvendo as características físicas, como deslocamento do cavado e
abrangência e intensidade da chuva) são essenciais para minimizar os possíveis prejuízos
sociais e econômicos causados por estes eventos, haja visto que eles podem provocar
grande volume de precipitação concentrado em poucos dias (SILVA et al., 2021).
Outro sistema de importância para contribuição dos totais pluviométricos locais é
a Zona de Confluência Intertropical (ZCIT), é uma região localizada em torno da linha
do Equador nas latitudes tropicais que, em razão de suas particularidades, pode formar
nuvens de desenvolvimento vertical, as Cumulonimbus (CB). Estas nuvens são intensas
e, como resultado, favorecem a formação de tempestades. As tempestades são fenômenos
que interferem na navegação aérea por provocarem fatores como turbulência, gelo e
chuva pesada. Muitas vezes, o piloto, ao voar em aéreas de tempestade, deve fazer um
desvio da nebulosa, a fim de manter o vôo seguro (BISPO, 2021).
A ZCIT é o sistema meteorológico mais importante na determinação e produção
de chuvas no setor norte do Nordeste do Brasil, assim como na região equatorial dos
oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e sobre áreas continentais adjacentes. De um modo
geral, a ZCIT é conceituada como sendo uma região de baixa pressão ao nível médio do
mar, localizada em torno do equador que apresenta uma faixa de máximos de

29

nebulosidade e precipitação, onde os ventos alísios de nordeste do Hemisfério Norte e de
sudeste do Hemisfério Sul convergem. É parte integrante da circulação geral da atmosfera
(DIAS, 2018).
Os Vórtice Ciclônico de Altos Níveis VCANs são sistemas de baixa pressão com
núcleo frio formados em altos níveis da atmosfera (entre 5000 e 11000 m de altura acima
da superfície), mas que em algum estágio do seu ciclo de vida podem se estender até a
superfície e influenciar a formação de ciclones também em superfície (REBOITA et al.,
2012).
Os VCANs, são atuantes no Sul e Nordeste do Brasil, e é responsável pela
qualidade da estação chuvosa, sendo um dos principais sistemas meteorológicos
precipitantes no NEB. Este fenômeno em especial, é capaz de causar tempo estável no
centro e chuva na borda. Inúmeros VCANs foram responsáveis por extremos de
precipitação no NEB, principalmente, quando associados a outros fenômenos de escala
sinótica (REIS, 2018).
No regime climático sazonal de uma dada localidade, sabe-se que não raro são
registradas oscilações climáticas severas, que podem alterar o modelo climático esperado
para determinado período. Essas flutuações originam-se entre a circulação atmosférica
procedentes de agitações nos gradientes da pressão atmosférica, responsáveis pela
formação dos ventos, as quais transformam a estrutura de circulação global sobre a
América do Sul, originando fenômenos diversos como os fenômenos de larga escala El
Niño e La Niña (MEDEIROS, et al., 2021).
O El Niño e a La Niña são partes de um mesmo fenômeno atmosférico-oceânico
que ocorre no oceano Pacífico Equatorial (e na atmosfera adjacente), denominado de El
Niño Oscilação Sul (ENOS). O ENOS refere-se às situações nas quais o oceano Pacífico
Equatorial está mais quente (El Niño) ou mais frio (La Niña) do que a média normal
histórica. A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos
globais na temperatura e precipitação (CPTEC, 2022).
O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno que apresenta duas
componentes, uma atmosférica e outra oceânica e ocorre no oceano Pacífico equatorial.
A componente atmosférica OS (Oscilação Sul) foi registrada em meados do ano de 1920,
pelo matemático Sir. Walker, e revela uma correlação inversa entre a pressão atmosférica
nos extremos leste e oeste do Oceano Pacífico, ou seja, quando a pressão é alta a oeste
usualmente é baixa a leste e vice e versa, enquanto que a componente oceânica (El
Niño/La Niña) se caracteriza por apresentar anomalias da temperatura das águas da

30

superfície (TSM) no oceano Pacífico equatorial junto à costa da América do Sul. Em anos
de El Niño, observa-se um enfraquecimento dos ventos alísios associados a Alta
Subtropical do Pacífico Sul. A caracterização do ENOS é feita com base no cálculo de
índices como o Índice de Oscilação Sul (IOS – calculado através da diferença de pressão
entre duas regiões distintas: Taiti e Darwin) (SILVA, 2021).
Quando o El Niño acontece conjuntamente com o Dipolo Positivo do Atlântico,
que é desfavorável às chuvas, causam anos secos ou muito secos no NEB. O fenômeno
La Niña associado ao Dipolo Negativo do Atlântico (favorável às chuvas) é normalmente
responsável por anos considerados normais, chuvosos ou muito chuvosos na região
(MOURA et al., 2019).
Em casos de ocorrência do fenômeno La Niña, o deslocamento de massas de ar
frias do oceano pacífico intensificam as chuvas nas regiões norte, nordeste e parte da
sudeste enquanto que no sul e centro-oeste ocorre estiagem. Durante o fenômeno La Niña
as condições são desfavoráveis para a região sul e parte da centro-oeste devido à baixa
pluviosidade no entanto a região norte e nordeste passa por condições favoráveis para
culturas devido a precipitação acima das médias registradas. O período em que mais se
observa a ocorrência de doenças, é quando há condições de alta pluviosidade
independente da região (RAUBER, et al., 2019).
Para Ferreira e Melo (2005) e Souza Neto et al. (2021), o Dipolo do Atlântico é
caracterizado por ser a mudança entre a anomalia de TSM (ATSM) nos setores oceânicos,
norte e sul, o qual tem duas fases: a positiva que ocorre quando a região norte do oceano
atlântico tem uma TSM positiva enquanto o setor sul possui a TSM negativa, em relação
a fase negativa o processo é o contrário.
Cenários extremos relacionados a chuva podem causar grandes impactos sociais
e econômicos para a sociedade. As enchentes ocorrem como consequências da grande
intensidade de chuva e problemas de drenagem do solo urbano, e os longos períodos de
estiagem podem causar dificuldades para a produção agrícola. Assim como esses eventos
podem estar relacionados com fatores como temperatura, altitude e pressão atmosférica,
eles também podem estar associados com o que identificamos como atividade solar.
Denominada máxima quando a quantidade de manchas solares e fenômenos energéticos
e transientes que ocorrem no Sol também é máxima. Sucintamente, as manchas solares
representam um fenômeno que ocorre na camada visível do Sol, elas podem ser
observadas a olho nu e estão associadas a intensos campos magnéticos solares. Períodos

31

caracterizados pela baixa atividade solar, pouca ou nenhuma mancha solar, estão
vinculados com os períodos de baixa temperatura terrestre (AZEVEDO et al., 2022).
O ciclo de manchas solares de onze anos é também conhecido como ciclo de
Schwabe, por ter sido descoberto por Heinrich Schwabe em 1843. São necessários dois
ciclos de manchas solares para o Sol retornar ao mesmo estado de polaridade original,
resultado numa periodicidade de 22 anos que é conhecido como ciclo de Hale (LIMA,
2017).
A Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) é uma oscilação de longo prazo que
persiste por 20 a 30 anos. A ODP apresenta duas fases: a fase fria que é caracterizada por
anomalias negativas de Temperatura na Superfície do Mar (TSM) no Pacífico Tropical e,
simultaneamente, anomalias de TSM positivas no Pacífico Extratropical. Atualmente
estamos em uma fase fria que se iniciou em 1999. A fase quente apresenta anomalias de
TSM positivas no Pacífico Tropical e negativas no Pacífico Extratropical e as duas
últimas fases quentes ocorreram nos períodos de 1925-1946 e 1977-1998 (SPERLING et
al., 2009).
Nota-se, pois, que a ODP comporta-se como uma “gangorra” entre a TSM ao
longo da costa oeste da América do Norte, em respeito ao restante da bacia do Pacífico
Norte. Da mesma maneira como o Índice Oscilação Sul (IOS) constitui uma “gangorra”,
no Pacífico Sul, no que se refere às variações da pressão atmosférica de superfície entre
dois pontos ao leste e ao oeste da bacia do Pacífico Sul (por exemplo Tahiti, no sudeste
do Pacífico, e Darwin, na Austrália). Uma segunda característica da ODP é a persistência
das fases quentes (positivas) ou frias (negativas) predominantes por anos seguidos, por
vezes ao longo de duas décadas, a menos de algumas oscilações esparsas em sentidos
contrários (DA SILVA et al., 2012).
Como apontado por Alves (2016) a ODP possui teleconexões climáticas que
atuam nos Oceanos Atlântico e Pacifico, dessa forma exercendo influência na
variabilidade climática e regime climático da região nordeste.
De acordo com Siqueira et al. (2006) ao analisarem as influências do regime
pluviométrico em relação a ODP, notaram que a oscilação evidenciou desvios de
precipitação no que se refere a composição de eventos de El Niño em sua fase fria.
Contudo, observou-se que aproximadamente todas as regiões Norte e Nordeste, e parte
do Centro Oeste demonstraram diminuição em seus totais pluviométricos. Alguns desses
valores ultrapassaram 3 mm/dia na parte leste da Amazônia. No entanto em relação a fase
quente da ODP as reduções se estenderam por sobre a costa norte e leste do NEB.

32

2.1.3 Cenários futuros ou previsões Climáticas
O estado dos oceanos continua piorando a cada ano, pois sofrem demasiada
superexploração, seja por atividades ligadas diretamente à vida oceânica ou por atividades
fora do espaço oceânico, mas que interferem no equilíbrio oceânico. Muitos dos
compromissos assumidos nas convenções, tratados, leis e outros meios não passam de
meras declarações de intenções que nunca foram adequadamente implementadas. A cada
dia, maior é o desafio a enfrentar para conseguir priorizar a sustentabilidade, a
conservação e a recuperação dos recursos marinhos associados a um consumo mais
inteligente e mais responsável (OLIVEIRA e LEÃO, 2021).
Cada aumento adicional do aquecimento global acarreta mudanças maiores nos
eventos extremos. Cada meio grau a mais de aquecimento aumenta a frequência de ondas
de calor, tempestades e secas que afetam a agricultura. Mesmo com o aquecimento global
estabilizado em 1,5°C, eventos extremos sem precedentes no registro histórico deverão
acontecer. Algumas regiões semiáridas e a chamada Região da Monção da América do
Sul, que compreende parte do Centro-Oeste brasileiro, da Amazônia, da Bolívia e do Peru,
deverão ter os maiores aumentos de temperatura nos dias mais quentes do ano – até duas
vezes mais que a taxa de aquecimento global (IPCC, 2021).
Segundo Alcântara et al. (2020) em relação aos novos cenários que vão se
formando ao longo do acompanhamento das mudanças climáticas pede-se que se obtenha
forte ação por parte do poder público, pois é totalmente necessário que haja pareceria
entre esse setor e a sociedade civil, de forma a serem tomadas medidas de organização
que enfatizem a resiliência climática, apoiando medidas mitigatórias que incluem ações
como economia neutra em carbono em proporções de curto e médio prazo, entre outras
afirmativas elaboradas pelos pesquisadores da climatologia. Do contrário o cenário pode
enfrentar fracasso em se tratando de iniciativas voltadas para medidas e adaptações frente
às mudanças climáticas.
É relevante destacar que as mudanças climáticas são um fenômeno que ocorrem
em escala global, mas podem se refletir em escalas regionais e locais influenciadas por
variáveis e fatores regionais e locais. Para tanto, a gestão pública precisa se sensibilizar
para a relevância da abordagem de ações, planos, estratégias setoriais integradas e
sistêmicas de enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas. Portanto, cabe refletir
sobre a importância do planejamento urbano como ferramenta para aparar desigualdades
geradas pelo processo de desenvolvimento, tendo este como um meio e não um fim em

33

si mesmo, visto que um dos seus objetivos primordiais é planejar a cidade desejada e,
mais do que isso, é construir a cidade desejada garantindo a qualidade de vida à população
(JANDREY e AUMOND, 2020).
Conforme Leite (2015), os relatórios do IPCC foram um dos principais
contribuintes para a organização e ampliação dos conceitos sobre o clima e a situação que
o planeta vive atualmente. Com uma composição de grupos de trabalhos dividido em
diversas bases cientificas como (ciência física, impactos, adaptações, vulnerabilidade, e
mitigação da mudança climática), trouxe a atuação dos climatologistas como uma das
principais contribuições para os relatórios, onde também participam pesquisadores de
outras ciências naturais (geofísicos, meteorologistas, oceanógrafos, glaciologistas,
astrofísicos, estatísticos etc.), ou seja o IPCC tornou possível uma série de interações de
conversas com pesquisadores de várias áreas.
Com as perspectivas de mudanças climáticas, busca-se compreender a natureza
das mudanças que provavelmente ocorrerão durante o século 21 e depois dele, assim
como os efeitos que essas mudanças podem acarretar para as populações humanas e seus
sistemas socioeconômicos. As mudanças na precipitação possuem implicações no ciclo
hidrológico e nos recursos aquíferos em um clima mais quente no futuro. Espera-se que
as mudanças climáticas alterem os valores de precipitação e aumentem a variabilidade
dos eventos de precipitação, o que pode levar a enchentes e secas ainda mais intensas e
frequentes (MARENGO et al., 2011).
Um aumento na concentração de gases de efeito estufa tende a aquecer o planeta,
ao passo que os aerossóis têm um efeito de resfriamento. O clima regional e global pode
mudar com o desmatamento e outras atividades associadas ao uso da terra, como a
agricultura e a construção de grandes cidades. Na avaliação do clima futuro, além da
informação dos cenários climáticos, é também necessária a informação de outras
mudanças ambientais e socioeconômicas (MARENGO e VALVERDE 2007).
Muitos dos cenários climáticos são produzidos pelos modelos, os quais ainda
podem ter problemas em representar realmente os processos físicos que acontecem na
natureza. Projeções de extremos climáticos, geradas pelos modelos do IPCC, apontam
para um aquecimento maior durante o inverno e estações de transição, assim como para
uma tendência de noites mais quentes, consistentes com tendências positivas mais
intensas na temperatura mínima que as da temperatura máxima. Também o risco de haver
ondas de calor é bastante grande, especialmente nas regiões subtropicais da América do

34

Sul. Existem também indicadores de períodos secos mais intensos e longos na Amazônia
do Leste e no Nordeste (MARENGO e VALVERDE 2007).

2.2.1 Risco e Vulnerabilidade costeira
O termo risco é empregado segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT,
2014) como: a probabilidade de ocorrência de um acidente associado a um determinado
perigo ou ameaça, e que pode resultar em consequências danosas às pessoas ou bens, em
função da vulnerabilidade do meio exposto ao perigo e que pode ter seus efeitos reduzidos
pelo grau de gerenciamento colocado em prática pelo poder público e/ou pela comunidade
(GUIA DE DIRETRIZES DE PREVENÇÃO E PROTEÇÃO À EROSÃO COSTEIRA,
2018).
O conceito de vulnerabilidade deve considerar a situação específica, ou seja, deve
estar clara a ameaça ou perigo relacionado à condição de vulnerabilidade. Essa situação
se destaca por reduzir confusões acerca da abordagem da vulnerabilidade. É comum que
artigos científicos apresentem conceitos adaptados para seus objetivos e áreas de estudo
(SERAFIM et al., 2019).
As propostas metodológicas existentes para análise da vulnerabilidade costeira
costumam incluir um número excessivo de variáveis, deixando não apenas a análise
demasiadamente extensa, como, principalmente, obscurecendo as especificidades da zona
costeira. Em outras palavras, as questões intrínsecas dos espaços costeiros têm sido
contempladas de forma inadequada, não havendo distinção entre uma análise que visa a
gestão ambiental como um todo ou a gestão urbana, daquela que se direciona
especificamente para a gestão costeira. Além disso, a escassez de dados, a limitação de
tempo ou a exigência de estudos muito especializados, dificultam a análise em escala
local o que, consequentemente, compromete a eficácia em subsidiar políticas públicas e
zoneamentos (LINS−DE−BARROS, 2011).
A transformação do potencial de vulnerabilidade para uma situação de risco
depende da presença de pessoas e de bens. De forma concreta, o risco pode ser definido
como sendo o produto da probabilidade de ocorrência de um acontecimento potencial
indesejado (temporal, erosão) pela consequência associada a esse acontecimento (mortes,
ferimentos, perda de território, inundação, destruição do edificado, perda de atividades
econômicas, danos sobre um ecossistema). Em sentido mais lato, o risco traduz a relação

35

entre a vulnerabilidade de um local e a respetiva exposição a determinada ação
(PEREIRA e COELHO, 2013).
Em sistemas complexos como as zonas costeiras, e em sistemas naturais em geral,
é preciso trabalhar com simplificações e pressupostos, ignorando particularidades locais
que podem ter grande impacto na vulnerabilidade costeira à erosão, galgamento e
inundação. Em tempos de grande incerteza sobre a segurança e sustentabilidade das zonas
costeiras face às alterações climáticas, a implementação de um plano nacional (ou vários
regionais) de monitorização é, portanto, essencial (BIO et al., 2020).
Este processo tem influência direta na vulnerabilização dos espaços costeiros,
elevando o risco destas terras a uma eventual subida do nível do mar ou à ação de eventos
de alta energia (ressacas do mar). De forma geral os impactos costeiros não são sentidos
igualmente por todos, pois dependem do grau de exposição (físico e social), da
vulnerabilidade (física e sócio-demográfica) e do risco não é a resultante pura e simples
da exposição a um evento perigoso, e sim algo historicamente construído por meio de
ações humanas e processos sociais (PAULA, 2012)
Para Rodrigues e Silva, (2021) um dos fatores que podem evidenciar os avanços
das mudanças climáticas é a elevação do nível do mar, que acarretam no risco de
submersão marinha maior, dessa forma contribui para a evolução de processos erosivos
na linha de costa e na intrusão salina e continente adentro. Esses dois processos de cunho
costeiros propiciados por forçantes atuantes sobre a zona costeira tendem a modifica-la
de maneira constante.
A taxa de recuo de uma linha de costa é um dos indicadores mais utilizados na
literatura para avaliação de risco à erosão costeira. Ela é obtida com base na avaliação
temporal da posição da linha de costa em períodos de médio a longo prazo. Assim, linhas
de costa em progradação ou em equilíbrio indicam que a praia não é afetada com os efeitos
da erosão costeira, enquanto que linhas de costa em recuo indicam que o estoque
sedimentar está em déficit e a erosão já se tornou crônica, colocando em risco o
patrimônio público e/ou privado. Da mesma forma, a largura da pós-praia também é um
indicador bastante utilizado, e depende não só da evolução natural da linha de costa, mas
também da urbanização e das formas pelas quais ela ocorre e evolui. De forma geral,
quanto mais larga for a pós-praia, maior será a proteção contra efeitos erosivos de eventos
meteorológicos-oceanográficos intensos/extremos, como ressacas do mar e marés altas
anômalas (NOVAK e LAMOUR, 2021).

36

A Elevação e a Declividade são parâmetros que representam a facilidade de
inundação de uma região. A Geologia é o parâmetro determinante do quão frágil ou
resistente será a linha de costa à ação das ondas. A Altura de Onda representa o poder de
erosão das ondas e a Taxa de Recuo da linha de costa é o parâmetro que representa, em
uma escala de tempo menor, todos esses parâmetros. A identificação dos trechos da linha
de costa mais vulneráveis a uma possível subida do nível do mar nas próximas décadas é
de fundamental importância no planejamento urbano a longo prazo (RAMOS e
DOMINGUEZ, 2004).
Conforme

a

Comissão

Oceanográfica

Internacional

(IOC,

2010),

a

vulnerabilidade das zonas costeiras está associada ao seu estado como um todo,
atribuindo vertentes como estrutura social, econômica, estrutura físicas, bem como
respaldo ambiental. É evidente a necessidade de entender a configuração da interação do
homem assim como de eventos naturais e extremos que ocorrem em tais localidades,
desse modo, o acompanhamento das ações que ocorrem podem determinar os níveis de
degradações e vulnerabilidades expostas no ambiente costeiro.

2.3

Sistema praial
As praias são zonas costeiras que estão entre as áreas mais energéticas da Terra,

onde os processos de modificação da costa podem ser observados de forma contínua como
consequência da integração dos processos marinhos, atmosféricos atuantes sobre os
continentes (PINHEIRO 2017).
Este ecossistema costeiro depende principalmente do acúmulo de areia, pedras,
seixos e conchas, que são depositados nas regiões baixas do terreno, na interface terraágua. Seus limites estendem-se desde a linha da maré baixa até o ponto mais alto da maré,
delimitados por mudança de material formador ou por expressão fisiográfica, como uma
falésia ou linha de vegetação permanente. Possuem zonação típica, representada pela
distribuição vertical dos organismos em faixas ou zonas, mais ou menos características,
paralelas à linha de praia, determinadas pelas exigências ou tolerâncias peculiares de cada
espécie aos diferentes fatores ecológicos diretamente influenciados pela variação das
marés (CORREIA e SOVIERZOSKI, 2005).

37

2.3.1 Feições morfológicas de praias
A praia é formada por uma ou mais superfícies horizontais a sub-horizontais,
denominadas de berma, podendo apresentar uma ou mais bermas vegetadas denominadas
de bermas de tempestade. A praia emersa termina numa rampa de espraiamento refluxo
da onda, denominada de face praial (MUEHE, 2020).
O termo praia de acordo com a lei a Lei nº 7.661/88, refere-se a área coberta e
descoberta periodicamente pelas águas, acrescida da faixa subsequente de material
dentrítico, tal como areias, cascalhos, seixos e pedregulhos, até o limite onde se inicie a
vegetação natural, ou, em sua ausência, onde comece um outro ecossistema (BRASIL,
1988).
Dentre suas propriedades, é evidente a configuração de áreas costeiras com a
presença de conglomerados de sedimentos bioclásticos e quartzosos – possibilitando,
como produto, fragmentos de rochas e conchas com morfologia determinada sob
atividades de ondas, correntes marítimas e mudanças diretamente correlatas à
meteorização, erosão e transporte iniciados de uma área-fonte. Tais feições e
configurações, sofrem constantemente alterações significantes sob ação de agentes que
delimitam os processos de modelação. Tais como: ventos, ondas, correntes, tamanho do
grão e tipo do sedimento. Por consequinte, produz-se divergências quanto a definição do
espaço geográfico ‘praia’, tal como, sobre o emprego da terminologia aplicada na
descrição de seus constituintes (MADRUGA FILHO 2004, apud ALMEIDA, 2008).
As praias estão distribuídas ao longo de todos os continentes, incluindo ilhas e o
continente antártico, sempre onde ocorre distribuição de terras no encontro com os mares.
No entanto faz-se necessário que sejam terrenos baixos. As praias tropicais costumam ser
arenosas, geralmente com características de areias brancas e águas mornas e claras
(CORREIA e SOVIERZOSKI, 2005).
Acerca da classificação e método de subdivisão de setores praiais e sua
importância, apresentam variação segundo o raciocínio do autor que delineia a temática,
com alterações de autor para autor. Outra problemática perceptível é o problema de
tradução incerta de termos para a Língua Portuguesa, com desdobramentos que se
expressam até quanto à dificuldade em delimitá-los em textos na literatura científica
internacional. Nesse sentido, para o cenário brasileiro, Nascimento Junior (2006) e
Madruga Filho (2004) ressaltam ações que objetivaram consolidar um processo que
guiasse à padronização de terminologias sob arcabouço de rígida revisão bibliográfica de

38

autores previamente escolhidos – ÂNGULO et al. (1996), ALMEIDA (1995), SUGUIO
(1992) e MUEHE (2004), como corrobora ALMEIDA (2008).
De acordo com a problemática, levando em consideração a nomenclatura referida
a cada compartimentação do sistema praial, assim como os limites desses últimos não se
padroniza, foi utilizada uma terminologia que corresponde ao ambiente praial, conforme
consta no trabalho de Duarte (2002), onde ele faz a classificação do perfil de uma praia,
(Figura 1), descrevendo do continente em direção ao mar em dunas frontais, pós-praia,
praia ou estirâncio, antepraia e zona de transição (ALMEIDA, 2008).

39

Figura 1 – Perfil generalizado de área de praia, apresentando suas divisões e os principais elementos morfológicos

Fonte: DUARTE, 2002 apud ALMEIDA, 2008.

40

O perfil de praia é o perfil topográfico transversal à praia. Serve para caracterizar
a configuração morfológica e suas diferentes feições morfológicas: o volume de
sedimentos: o estágio morfodinâmico: bem como, acompanhar a evolução e resposta a
tempestades ou mudança do nível do mar. Sua extensão mar afora, englobando a
antepraia, permite avaliar seu estado em termos de equilíbrio ou desequilíbrio sedimentar
(MUEHE, 2020).
As Dunas Frontais: São depósitos formados após a pós-praia sentido continente
ou antepraia superior pela retenção de sedimento, sendo, no primeiro caso muitas vezes
retido pela vegetação. De acordo com Hesp apud Nascimento Junior (2006), as dunas
frontais começam como dunas incipientes ou embrionárias e evoluem no caso de dunas
fixadas e “permanentes”, com o aumento da altura, devido à complexidade morfológica
e a diversidade de cobertura vegetal (ALMEIDA 2008). Por serem formadas no topo da
praia pela deposição de sedimentos eólicos na vegetação (VIANA e CALLIARI, 2019).
São estruturas não migratórias, que se desenvolvem em resposta a interações
aerodinâmicas entre vegetação, transporte de areia e processos costeiros locais.
A Pós-Praia: Representa o setor, até certo ponto estreito, localizado acima da linha
de preamar, que só é inundado em marés muito altas ou de tempestades. Em locais onde
predominam ventos soprando para o continente e a amplitude de maré é alta, a pós-praia
é de certa forma bem desenvolvida (READING COLLINSON apud MADRUGA
FILHO, 2004). O limite inteiror, ou continental, pode ser a duna (se existir) ou o cordão
holocênico / terraço holocênico relacionado à último evento de transgressão marinha
(ALMEIDA, 2008).
Praia ou Estirâncio: Corresponde a feição situada entre o limite superior de
preamar, que é delimitado pela berma, vegetação ou marcas de deixa, e a linha de baixa
mar. Permanece exposto durante a maré baixa e submerso no decorrer da maré alta
(MELO 2000 apud ALMEIDA, 2008).
Antepraia: Região permanentemente submersa, sendo sua superfície destacada
por cristas e calhas longitudinais associadas a bancos sedimentares. Apresenta uma
movimentação máxima de sedimentos, reflexo dos processos litorâneos mais atuantes
como corrente longitudinal induzida por ondas ou pelas próprias ondas (REINECK,
SINGH, 1975). Nessa região podem ser encontrados os beach rocks, dispostos em
cordões paralelos a linha de costa, segundo Melo (2000) apud Almeida (2008).

41

Zona de transição: estende-se da base média da onda de tempestade à base média
da onda de bom tempo e é, por essa razão, caracterizada por alternâncias de condições de
alta e baixa energia (DUARTE, 2002 apud ALMEIDA, 2008).
O estado morfodinâmico praial depende de uma série de fatores interdependentes
que condicionam o “equilíbrio morfológico-dinâmico” do sistema. As características do
regime de ondas incidentes, configuração morfológica da região costeira e plataforma
continental adjacente, variáveis do estoque sedimentar disponível e processos harmônicos
produzidos pela ação das marés e correntes derivadas, são condicionantes dos processos
erosivos deposicionais atuantes no sistema (WESCHENFELDER e ZOUAIN, 2002).
Conforme o modelo proposto por Wright & Short (1985) que classifica o perfil
morfodinâmico praial para as praias com constituição arenosas por ondas, e também de
acordo com Short (2006) para praias bordejadas por plataformas rochosas ou recifais.
Diante destes modelos é possível determinar que a partir das condições ambientais, dos
sedimentos e das ondas, as praias e zonas de superfície associadas, podem ser
enquadradas nos estágios dissipativo, intermediário e refletivo (ALMEIDA, 2018).

2.3.2 Processos sedimentares praiais
A erosão é um fenômeno físico que possui consequências socioambientais e
econômicas, o que exige e justifica maior atenção da comunidade e empenho dos gestores
públicos no que se refere ao ordenamento da ocupação e ao desenvolvimento local,
considerando as potencialidades e as limitações de aproveitamento da orla (FRANÇA,
2020).
O aumento da erosão marinha é perceptível principalmente nas zonas urbanas e
regiões metropolitanas, pela perda social e dos investimentos financeiros públicos e
privados nestas áreas. Nos impactos físicos, construções de estruturas na faixa de praia
alteram os estoques de areia disponíveis, o que induz a alterações na estrutura da praia.
Onde se retira areia, que outrora amortizava a força das ondas, para substituí-la por
construções rígidas, surgem condições potenciais para se instalar a erosão. Na maioria
dos casos, as construções ocupam uma área onde estariam a vegetação de restinga e outras
feições como dunas, sendo essas, importantes componentes da regulação dos estoques de
areias para as praias (CIRM, 2018).
Para Souza (2009), os processos erosivos que ocorrem na zona costeira podem ser
considerados naturais, pois podem ser acometidos pelos seguintes agravantes entre eles a

42

relação da dinâmica da circulação costeira, que é o caso do transporte litorâneo, assim
como o estágio morfodinâmico da praia, que por sua vez possui fatores recorrentes de
erosividade, entre eles o aporte de sedimentos que não é suficiente ou não possui,
obstáculos como fossas, naturais ou ocasionadas de forma artificial, quando ocorre a
atuação de sistemas frontais, no caso de ciclones, faz com que seja gerada o aumento do
nível do mar, movimentando esses sedimentos em direção ao mar.
O transporte transversal é o responsável pelas variações na geometria da praia,
que migra dos estágios extremos reflectivos até os dissipativos, dependendo da altura e
do período das ondas, bem como do nível das marés. Segundo Mafra (2005), no estágio
reflectivo a face praial terá alta declividade, com a presença comum de cúspides praiais
e sedimentos de textura relativamente grossa, e asondas são geralmente pequenas
enquanto a zona de arrebentação é estreita, apresentando berma acentuada (ALMEIDA
2008).
A respeito do transporte longitudinal de sedimentos Muehe (2013) descreve em
seu trabalho que esse processo ocorre em estreita faixa que é constituída entre a zona de
arrebentação e a linha de praia, este processo por sua vez é tido como o agente primordial
na deposição e/ ou erosão que acomete as praias, isso por que tem grande potencial de
carrear os sedimentos. O transporte longitudinal é provocado por meio da obliquidade da
ocorrência das ondas, dessa forma a linha de arrebentação mostra um ângulo sobre a face
praial.
Logo, segundo Almeida (2008), o equilíbrio de uma praia depende da relação
entre o aporte de sedimentos e a capacidade de transporte litorâneo. Se uma quantidade
de areia, maior que a capacidade de transporte das ondas é levada até a costa, a praia
tenderá a acumular areia (como, por exemplo, na desembocadura de rios). Caso contrário,
se o aporte de sedimentos for menor, a praia tenderá a ser erodida. Alguns fatores
externos, como mudanças no nível do mar ou a construção de obras de engenharia que
interrompam o transporte litorâneo de sedimentos, podem modificar sensivelmente o
balanço sedimentar, e, consequentemente, o equilíbrio praial (MAFRA, 2005).

2.4

Erosão e Progradação praial
Em seu estudo Nascimento (2018), enfatiza que o processo de progradação

costeira ou praial é identificado como o avanço dos sistemas de deposições de sedimentos,
esse avanço possui características positivas e negativas provocados pelo mar, quando são

43

depositados sedimentos ocorre a ampliação da praia, desse modo é considerada como
positiva, quando o mar faz o contrário, o seja a retirada desse material a região é
prejudicada, e neste caso, ocorre a progradação de forma negativa.
As modificações na posição da linha de costa decorrem em grande parte da falta
de sedimentos, provocado pelo esgotamento da fonte, principalmente a plataforma
continental. O processo se dá pela transferência de sedimentos para campos de dunas ou
por efeitos decorrentes de intervenção do homem, principalmente a construção de
barragens ou obras que provocam a retenção do fluxo de sedimentos ao longo da costa
(MUEHE, 2006).
A circulação das águas costeiras apresenta características complexas devido à
interação de vários fatores, como a morfologia da plataforma, ondas superficiais, ondas
internas, correntes de maré, correntes geradas pelos ventos e interação com as correntes
oceânicas. Para a região de Maceió existe uma carência de medições de correntes, de
ondas e outros parâmetros oceanográficos. A compreensão desses fatores é essencial para
a solução de problemas em ambientes ameaçados (SANTOS, 2004).
De forma genérica os registros apontam que os segmentos costeiros sob efeito de
erosão predominam em relação aos trechos em progradação, com cerca de 40% do total
dos registros de erosão concentrados nas praias, 20% nas falésias sedimentares e 15% nas
desembocaduras fluviais. Registros de progradação indicam que 10% se concentram nas
praias e 15% nas desembocaduras fluviais ou estuarinas (MUEHE, 2006).
Para Almeida (2008), a mudança constante da linha de costa também é inferida
pela direção da intensidade e direção do transporte ao longo do litoral em razão do clima
e ondas (direção, período e ângulo de incidência).
A área costeira brasileira é bastante vasta e abrange boa parte do território do
nosso país e no Estado de Alagoas não é diferente. Com 15 municípios, fazendo parte da
zona litorânea, incluindo a capital Maceió, é normal ver uma variedade de construções à
beira mar, que vão desde edifícios a simples quiosques. É de grande importância se ter
em mente que a própria praia é um dissipador de energia natural e que a erosão também
é um processo que ocorre com ou sem a ação do homem, já que o ambiente em questão é
um local dinâmico, ou seja, sofre alterações constantemente em sua forma, uma vez que
as ondas levam e trazem areia, mesmo em pequenas quantidades (SILA et al., 2018).
No litoral do Brasil a erosão ocorre ao longo de toda a costa com predomínio sobre
os processos de acresção considerando-se que de fato, predomina a situação de
estabilidade. Por um lado, a baixa declividade de grande parte da plataforma continental

44

interna sinaliza uma ampla resposta erosiva, no caso de uma elevação do nível do mar.
Enquanto que por outro lado, grande parte do relevo costeiro, como as falésias e os
recifes, reduz esse impacto (MUEHE, 2006).
A zona costeira de Maceió tem sido ocupada de maneira acelerada, desde a década
de 80, sendo a área que apresenta maior densidade demográfica do Estado. É nessa área
que se concentram atividades econômicas, industriais, de recreação e turismo, tendo
como consequência problemas de impactos ambientais. A posição da linha de costa do
município tem sido afetada nas últimas décadas por fatores naturais, como dinâmica
costeira, transporte de sedimentos, variação do nível do mar efatores antrópicos, como
retirada da linha de recife natural, aterros, atividade imobiliária, dragagens de rios e obras
costeiras (SANTOS, 2004).
Estudos referentes às praias e à erosão no litoral do Estado de Alagoas são ainda
bastante escassos. Entretanto, nos últimos anos começaram trabalhos sistemáticos no
litoral norte do Estado, além da intensificação dos estudos na região de Maceió
(ALMEIDA et al., 2012).

2.5

As consequências das mudanças climáticas sobre a costa litorânea
Segundo o IPCC (2021), o índice que vem sendo utilizado para serem estimados

resultados é o recuo da linha costeira, pois através de um valor que é pré-definido de
planejamento futuro, este por sua vez costuma ser de cerca 50 ou 100 anos. Essas métricas
são aplicadas para situações de erosões costeiras. O relatório também aponta que a
distribuição ou capotamento de ilhas de barreiras podem acarretar em mudanças
irreversíveis modificando assim a estrutura física e até mesmo de ecossistemas que
compõem a costa. Também pode-se afirmar que o degelo do permafrost (tipo de solo que
tem em sua constituição terras, gelo e rochas que são permanentemente congeladas, esse
tipo de solo pode ser encontrado na região do Ártico) e o declínio do gelo em regiões
como o mar Ártico podem sofrer interferências negativas, aumentando ainda mais a
vulnerabilidade aos feitos erosivos provocados pelas ondas em regiões costeiras.
Impactos da mudança do clima já são observados na atualidade sobre a costa. O
Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) sistematizou dados e informações
indicando que as diferentes regiões do Brasil já vêm experimentando alterações em seus
climas característicos. Um aumento da temperatura poderá conduzir a um incremento na
frequência de eventos extremos nas diferentes regiões do Brasil, bem como uma alteração

45

no regime de chuvas, com maior ocorrência de secas, inundações, alagamentos,
deslizamentos de encostas e consequentes deslocamentos populacionais das regiões
atingidas. Essas alterações terão consequências na sociedade, nos ecossistemas e nos
diferentes setores da economia (PLANO NACIONAL DE ADAPTAÇÃO À
MUDANÇA DO CLIMA, 2016).
As mudanças climáticas podem também desencadear ou agravar o processo
erosivo, em decorrência de alterações na distribuição das chuvas e na frequência
direcional e intensidade dos ventos e ondas, fatores estes que afetam a hidrodinâmica, o
balanço e a dispersão dos sedimentos ao longo da costa (RODRIGUES, 2014).
Os processos de ocupação costeira reduzem a capacidade de adaptação da linha
de costa, uma vez que impedem o deslocamento e a realocação destes ambientes. Assim,
ao mesmo tempo em que a erosão compromete e causa a supressão, ou eliminação desses
hábitats, impactando a biodiversidade e os serviços associados a eles, como proteção da
costa contra tempestades e inundações, a própria ocupação humana também é afetada,
tanto pela perda de território, quanto pelas maiores magnitudes e frequências desses
eventos oceanográficos, cujas consequências passam a ser mais severas, principalmente
em planícies costeiras de baixa altitude que sofrem com as inundações (JACOBI et al.,
2015).
As ondas, juntamente com marés e ventos, tornam a zona costeira um setor
altamente dinâmico, intervindo de maneira significativa na mobilização, circulação e
transporte de sedimentos, definindo as características morfológicas das praias. As
condições da agitação marítima são influenciadas por fatores climáticos com
variabilidades em diferentes escalas temporais, por processos não-lineares que controlam
os Estados de mar no decorrer de décadas, estações do ano e pelas flutuações de curto
prazo de condições de climas locais (REGUERO et al., 2012).
Em seu trabalho Jacobi et al. (2015) enfatizam os impactos que a elevação do
nível do mar trazidos com as mudanças climas podem causar, chamam atenção para os
processos de salinização dos estuários, assim como a entrada de água do oceano em zonas
de água doce. Quando o nível do mar continua subindo cria-se mais resistência para o
fluxo dos rios, ou avança em direção ao continente alterando a salinidade e causando
impactos na biota que não está susceptível a tolerar tais alterações.
Conforme Peres et al. (2020) ao realizarem uma pesquisa sobre os impactos que
as mudanças climáticas vem causando e ainda causarão à região costeira de São Paulo,
foi confirmado que a alteração de parâmetros, físicos, químicos e biológicos são um

46

indicativo de que tais mudanças estão interferindo no aumento da temperatura do ar, nas
correntes marinhas, frequência de inundações, tempestades, e multiplicação excisava de
algas nos mares, assim como mudança na qualidade das águas costeiras, entre outros
fatores que irão aumentar estando previstos para os próximos trinta a quarenta anos.

2.6

Gerenciamento costeiro
Diante do delineamento recente de uma nova perspectiva com foco nas questões

concernentes às mudanças socioambientais associadas à crise ambiental da
contemporaneidade, nas zonas costeiras e nas comunidades aí inseridas, especialmente
no que se refere às mudanças do clima. É fundamental a compreensão das interações entre
as zonas costeiras e as variáveis relacionadas a essas mudanças, com o intuito de
promover a gestão territorial adequada e delinear medidas de adaptação diante de novos
cenários de aquecimento global, elevação do nível do mar, erosão costeira, inundações,
perda da biodiversidade, dentre outros (PINHO et al., 2019).
A Gestão Integrada da Zona Costeira pode ser considerada como um
compartilhamento de responsabilidades voltadas para um conjunto de recursos e sistemas
conectados. De forma prática é a gestão feita por muitos, integrando os diferentes
instrumentos e saberes de cada um. O Decreto nº5.300, de 7 de dezembro de 2004, que
regulamenta a Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988, constitui seu embasamento legal
(GUIA DE DIRETRIZES DE PREVENÇÃO E PROTEÇÃO À EROSÃO COSTEIRA,
2018).
Em termos de gestão costeira, o Artigo 14 da Lei nº 13.240, de 30 de dezembro
de 2015, autoriza a transferência de gestão das praias marítimas urbanas, estabelecendo
uma gestão compartilhada entre a União e município. Este último assina o termo de
adesão que será analisado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e, igualmente,
são estabelecidos critérios de garantia da equidade socioambiental das praias, como o uso
e ocupação de acordo com o suporte do meio físico, ou seja, estabelecendo os critérios de
Ordenamento Territorial e Turístico desses espaços (SOBREIRA, 2018).
A base ecossistêmica para a gestão tem, como concepção fundamental, a
consideração de que os sistemas marinhos e costeiros são entendidos como um conjunto
de ecossistemas compostos por elementos ecológicos (naturais), econômicos e sociais.
Numa versão tradicional, o sistema costeiro seria descrito como o empilhamento de
informações físicas, biológicas e socioeconômicas, na expectativa de serem integradas e

47

gerarem possíveis unidades de análise e de gestão. Essa integração tem se demonstrado
muito difícil, quando não impossível, levando cientistas ou gestores a optarem por definir
um critério de classificação da costa que não necessariamente reflete uma integração da
informação considerada (ASMUS et al., 2018).
O litoral alagoano possui aproximadamente 230 km de linha de costa e está
localizado na região nordeste do Brasil, entre as latitudes 8º8'12'' S e 10º29'12'' S. As
praias em Alagoas são amplamente utilizadas pela população como áreas de lazer, com
banhos de sol e mar, passeios pela areia e pesca esportiva. Estas atividades devem ser
ordenadas para que todos possam usufruir os muitos quilômetros de praias que o Estado
possui, como os passeios motorizados (bugres, motocicletas e outros veículos
automotivos), saída e chegada de embarcações (barcos, lanchas, jangadas, bananas-boat,
jet-skis) e de ultraleves (CORREIA e SOVIERZOSKI, 2005).
A caracterização histórica da zona costeira do Estado de Alagoas demonstra que,
desde o início da ocupação humana, os ecossistemas costeiros alagoanos vêm sofrendo
inúmeros impactos antrópicos, diretos e indiretos, decorrentes de desmatamentos,
implantação da agroindústria canavieira e poluição. Somam-se a estes problemas os
impactos decorrentes do crescimento desordenado das cidades, incluindo os aspectos
populacionais e industriais, principalmente devido à ausência de infraestrutura e de
saneamento básico (CORREIA e SOVIERZOSKI, 2008).
Apesar da falta de eficiência dos instrumentos de gestão de praias, esta gestão é
necessária e importante para muitas atividades na orla, sendo o turismo uma das
atividades mais presentes. Para a estruturação de um destino turístico de sol e praia, com
boa gestão das praias, há que se identificar os pontos críticos a serem vencidos
(SCHERER, 2013).
O processo acelerado de degradação nas últimas décadas compromete a
sustentabilidade ecológica, econômica e social de diversas destas atividades no Brasil e
no planeta. Portanto, é importante traçar estratégias de conservação como a gestão
costeira integrada, planos diretores, reservas legais, áreas de preservação permanente e
estratégias territoriais mais amplas como o planejamento espacial marinho e o
zoneamento ecológico-econômico (RIBEIRO et al., 2020).
As Unidades de Conservações Marinhas podem ser criadas em instâncias
privadas, municipais, estaduais e federais por diferentes razões políticas, culturais,
sociais, econômicas e ambientais. Estes ecossistemas são responsáveis por fornecer bens
e serviços ambientais, culturais e econômicos imprescindíveis à sobrevivência humana e

48

diminuição da enorme desigualdade social brasileira. Diante desse cenário desafiador,
faz-se necessário o uso de abordagens inter e transdisciplinares visando a proposição de
soluções para as Unidades de Conservação Costeiras e Marinhas (UCM) e inovar na
criação, efetividade e gestão destas UCs (RIBEIRO et al., 2020).
Houve um avanço considerável de UCM, na região amazônica, em uma zona que
possui os mais importantes manguezais brasileiros (FERREIRA e LACERDA 2016).
A gestão costeira torna-se uma questão central que visa unir o desenvolvimento
econômico, protegendo e garantindo os recursos naturais para gerações futuras, incluindo
o bem-estar da população. Ela tem como resultado a promoção de ações para minimizar
os impactos negativos envolvendo a comunidade nas tomadas de decisões. Planos de
ações que objetivam a melhoria da gestão da zona costeira no Brasil são abundantes,
incluindo os Planos Estaduais de Gerenciamento Costeiro (CHUEIRI e FORTUNATO,
2021).

2.7

Sistemas Digitais de Análise de Linha de Costa
Com o surgimento de ferramentas de informações geográficas e que auxiliam no

detalhamento da interface mar-terra, tornou-se possível a sua representação cartográfica
em consonância, há atualmente uma necessidade de redefinição de critérios e regras para
a Delimitação da Linha de Costa (LDC), como habitualmente é entendida (traço de
separação entre o mar e a terra) trazendo assim a perspectiva linear de como a linha de
costa é representada por meio do elemento gráfico ao qual pode ser presentada em um
mapa (ALVES-DA-SILVA e VENTURA, 2011).
O uso de técnicas de geoprocessamento e Processamento Digital de Imagens
(PDI) são aliados importantes nos estudos voltados ao gerenciamento de ecossistemas
costeiros. No intuito de auxiliar o monitoramento dos impactos ambientais gerados pelos
processos erosivos da linha de costa com base na análise de dados multifonte, a maioria
deles procedente de séries temporais de produtos de sensoriamento remoto (SOUSA et
al., 2017).
A utilização de imagens multitemporais de satélites, de radares, fotografias aéreas
e cartas, aliadas à Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) possibilita, portanto, o
monitoramento de paisagens que respondem a diversas perturbações e efeitos complexos
e difíceis de serem previstos, tais como as paisagens contidas nos ambientes costeiros,

49

que sofrem mudanças constantes em função da instabilidade das linhas de costas
(RANIERI e MAÂMAR, 2015).

2.7.1 Sistema de Modelagem Costeira (SMC-Brasil)
O Sistema de Modelagem Costeira (SMC) desenvolvido pelos pesquisadores do
IH-Cantábria para o Ministério de Meio Ambiente Espanhol, é uma ferramenta que inclui
um conjunto de metodologias e modelos numéricos, que permitem estudar os processos
costeiros e quantificar as variações que sofre o litoral como consequência de eventos
naturais ou de atuações humanas na costa (RODRIGUES, 2014).
O modelo SMC possui como uma das premissas que a direção principal da
propagação de ondas é em x, ou seja, entrando de forma transversal às isolinhas de
batimetria, e que o giro máximo de entrada de ondulações é de até 50º, não cumprindo
assim as premissas básicas do modelo, sendo importante ressaltar que quando as
premissas são descumpridas, o modelo não é confiável (KIEIN et al., 2016).
Para Silva et al. (2017), esse sistema foi adaptado no Brasil e trabalhado
diretamente na administração pública, onde a SMC refere-se a uma ferramenta de
modelagem computacional que atrelada a metodologias diversificadas bem como bases
de dados geográficos, náuticos, e modelos matemáticos, que processem resultados para a
problemática envolvida, assim como sugestões de ações mitigatórias para a gestão de
zonas costeiras.
Os modelos evoluíram incorporando mais variáveis e dimensões, avançando por
anos e décadas de simulações, na medida em que crescia a capacidade de processamento
dos computadores. A difusão de supercomputadores permitiu que centros de climatologia
se formassem em diferentes países, cada um desenvolvendo seus próprios modelos de
circulação atmosférica (LEITE, 2015).
Conforme Klein et al. (2016), em seu estudo notaram que o modelo SMC-Brasil
apresentou uma capacidade satisfatória em propagar as ondas até a costa das praias onde
realizam sua pesquisa. Consequentemente de posse dos resultados foi possível denotar a
influência dos promontórios e ilhas presentes na área bem como o grau de exposição das
ondas ao longo das parias. Contudo, em razão de algumas limitações do Modelo SMCBrasil, não foi possível expressar aptidão em relação a propagação de ondas em relação
as áreas abrigadas nessas praias.

50

Segundo Santos (2010), ao realizar análises através de fotografias aéreas verticais
correspondentes a 1965, sobre as linhas de costa na área que foram do Rio Persinunca,
divisa entre os Estados de Alagoas e Pernambuco e seguiu até o Pontal do Pega,
evidenciou respostas nas modificações no posicionamento da linha de costa, em que
principalmente através da obtenção dos dados de campo foi possível detectar tais
modificações, o que não ocorreu no Pontal do Peba. O estudo serviu de embasamento
para que pudessem serem traçadas diferentes linhas de costa, fornecendo assim
informações para a geração dos mapas de acompanhamento da evolução das erosões
através do software ArcMap 9.2®.
Em um de seus estudos Almeida et al. (2021), puderam obter através de análise
utilizando modelagem, primordialmente três pontos importantes, sendo eles: definição
dos níveis de retrogradação litorânea, que correspondem as (áreas com maior potencial
erosivo), categorização de grau de vulnerabilidade da costa a erosão marinha, e indicação
de regiões de preservação da paisagem, essas que possua vez fazem parte do
desenvolvimento da recuperação das zonas costeiras com a atuação das mudanças
climáticas, em área sem urbanização, localizadas no município de Barra de São Miguel
Estado de Alagoas.
De acordo com Santos (2010), alguns impactos ligados as mudanças climáticas
puderam ser apontadas em seu estudo, em que ele relaciona com a distribuição anual dos
ventos, assim como a maior frequência nos avanços nos sistemas frontais. Tendo em vista
tais parâmetros, resultados relacionados ao maior contraste térmico entre as massas de ar
levantados no estudo demonstraram as marés, e a condição sizígia como fator
fundamental para a ocorrência de agente erosivos registrados na costa de Alagoas,
representando 93% dos casos. Se for considerado apenas os eventos ocorridos sobre
condições de marés de sizígia em períodos equinociais, ou seja, nos meses de março e
setembro, estes corresponderam a 30% dos casos.

2.7.2 Digital Analyses System (DAS)
O uso de técnicas de geoprocessamento é um importante aliado em estudos
voltados ao gerenciamento de ecossistemas costeiros, no intuito de minimizar os impactos
ambientais gerados pela erosão da linha de costa com base na análise de dados
multifontes, a maioria deles são procedentes de produtos de sensoriamento remoto

51

multitemporais. Estas ferramentas geram informações que são manipuladas no ambiente
Sistema de Informações Geográficas (SIG), (MEDEIROS et al., 2008).
De acordo com Magalhaes et al. (2017), o Digital Analyses System (DAS) serve
para realizar cálculos de taxas relacionadas a mudanças com bases em metodologias
estatísticas diversificadas, ao qual permite a confiabilidade para produção de mapas das
áreas de estudo, em sua maioria de caráter detectáveis de riscos e vulnerabilidade.
A maioria dos trabalhos sobre a aplicação de modelos geostatisticos aos processos
de mudanças a linha de costa, baseados nos algoritmos do DSAS (Digital Shoreline
Analysis System)

foram realizados nos Estados Unidos, mas o modelo

geostatístico permite adequações que melhor se adaptem à área de estudo. Logo, a melhor
forma de utilização dos métodos depende dos objetivos específicos e das variáveis de
tempo especificamente para cada trecho de praia (MEDEIROS et al., 2008).
O DSAS versão 4.4 é uma extensão de software do Esri ArcGIS v.10.4 e 10.5 que
permite ao usuário calcular estatísticas de taxa de mudança da linha costeira a partir de
várias posições históricas da linha costeira. Uma interface amigável de botões e menus
simples orienta o usuário através das principais etapas da análise da mudança da linha
costeira (THIELER et al., 2009).

2.7.3 End Point Rate (EPR)
Determinar a resposta física da linha costeira ao aumento do nível do mar é um
dos problemas mais importantes na geologia costeira atualmente, e a capacidade de prever
o recuo da linha costeira e as taxas de perda de terra é crítica para o planejamento de
estratégias de gestão da zona costeira. Para estimar a vulnerabilidade costeira à erosão,
ao longo dos anos vários métodos têm sido usados. Em resumo, esses métodos levam em
consideração cada parâmetro em relação com as mudanças climáticas futuras e como essa
mudança afetará o nível do mar (KOTINAS et al., 2013).
O método relaciona o espaço e tempo, fazendo o cálculo dividindo a distância do
movimento pelo tempo transcorrido entre a linha mais antiga e a mais atual, já o método
de regressão linear (LRR) utiliza todos os transectos para a execução do cálculo aplicando
conceitos estatísticos (THIELER et al., 2005)
O EPR é a distância em metros da linha de costa mais antiga para a mais nova,
dividido pelo período da análise (m/ano), ou seja, é uma média. Permite em geral uma
média de variação anual em metros (positiva ou negativa) por ano ao longo do período.
Pode servir como parâmetro para projeção de cenários. Considera somente duas linhas de

52

costa (extremas temporalmente). Pode mascarar ciclos ou tendências erosivas e/ou
deposicionais ao longo do período (SOUZA, 2016). O método de EPR leva em
consideração apenas a linha de costa mais antiga e a mais atual, neste cenário realmente
pode-se observar um estado erosivo.
Para quantificar a evolução da linha de costa, faz-se necessário definir
inicialmente a linha de costa, podendo esta ser a linha do máximo espraiamento da onda,
elevação do mar, ou a linha de vegetação, ou ainda, outro traço evolutivo evidente. Para
observar tais feições e demarcar a posição das linhas de costa pretéritas e atuais empregase o método de posicionamento por satélites artificiais GPS-RTK e/ou fotografias aéreas
verticais e imagens de satélite (KIEIN et al., 2016).
2.7.4 Coastal Analyst System from Space Imagery Engine - CASSIE
O módulo ShoreAnalyst do CASSIE é uma interface gráfica de usuário (GUI)
construída com JavaScript GEE API e pode ser usado para carregar e visualizar imagens
de satélite, e para conduzir detecção e análise automática da linha costeira para qualquer
local na Terra onde haja uma fronteira entre água e terra existe. Com o CASSIE é possível
realizar análises de linhas costeiras e exportar os produtos (linhas costeiras, linha de base,
transectos e resultados estatísticos) para o formato de arquivo de forma ESRI, que permite
ao usuário final explorar ainda mais seus conjuntos de dados em ferramentas GIS
(ALMEIDA, et al., 2021).

53

3. METODOLOGIA
3.1

Área de estudo
A cidade de Maceió é a capital do Estado de Alagoas e está localizada no litoral

do Nordeste brasileiro entre as latitudes 9º 45’ Sul e longitude 35º 42’ Oeste (Figura 2).
Segundo o IBGE (2022), Maceió possui área total de 512,8 km² e população de cerca de
1.031.597 habitantes, sua geográfica tem características diversificadas, influenciada pela
presença do Oceano Atlântico e também pela presença de várias formações de lagoas.

Figura 2 – Localização da área de estudo, Litoral de Maceió -AL

Fonte: Autora, 2023.

A cidade de Maceió apresenta clima quente e úmido. Caracterizado segundo a
classificação climática de Köppen. Suas temperaturas médias mensais variam em torno
de 25,1°C. Tendo uma máxima mensal de 29,9°C e a mínima de 20,8°C. A umidade
relativa do ar é em média de 80,5 %, sendo julho o mês mais úmido do ano e novembro
o mês mais seco. Seu índice pluviométrico é superior a 1410 milímetros anuais. Na região

54

costeira, as chuvas ocorrem mais frequentes nos meses de abril a junho, com ventos
vindos do Sudeste (SANTIAGO e GOMES, 2016).
O regime de chuvas no Estado de Alagoas está diretamente relacionado com as
configurações da circulação atmosférica e oceânica em grande escala sobre os trópicos,
dentre os quais destacam-se a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT); os Sistemas
Frontais (SF), alimentados pela umidade do Atlântico Sul, que definem a Zona de
Convergência do Atlântico Sul (ZCAS); as Perturbações Ondulatórias no campo dos
ventos Alísios (POAS), que são agrupamentos de nuvens que se movem no Atlântico, de
leste a oeste; e dos Ventos Alísios de Nordeste e Sudeste (BARROS et al., 2011).
Além disso conforme a Figura 3, o Estado de Alagoas fica também submetido à
influência de sistemas meteorológicos, que organizam a convecção em escala sinótica, os
quais interagem entre si, tais como os vórtices ciclônicos de altos níveis que provocam
precipitação durante a primavera, verão e outono (setembro a abril), com ocorrência
máxima no mês de janeiro (KOUSKY; GAN, 1981) e, a oscilação 30- 60 dias ou oscilação
de Madden-Julian (KOUSKY; KAYANO, 1994) Apud (BARROS et al., 2011).
Figura 3 – Sistemas meteorológicos que provocam chuvas na região Nordeste. A área
em verde mostra a localização do Estado de Alagoas.

Fonte: Adaptado de Nobre (1986); Molion e Bernardo (2002).

55

Já para Barbosa e Vecchia (2009), sobre Maceió, que está localizada na faixa
costeira do Nordeste brasileiro, entre a latitude 9º39’57” Sul e longitude 35º44’07” Oeste,
tem gênese climática relacionada com a flutuação do equador térmico, conceito similar
ao da Zona de Convergência Inter-tropical (ZCIT), que condiciona os sistemas
atmosféricos atuantes sobre essa região do Brasil. Esses sistemas, por sua vez, são
afetados pelos fatores geográficos de modificação das condições iniciais do clima. No
caso específico de Maceió, têm-se a presença de grandes massas de água, correspondentes
ao oceano Atlântico e Laguna Mundaú, além da reduzida latitude que lhe garante maior
número de horas de Sol, ao longo do ano, o que, devido a esse fator, confere-lhe especial
balanço energético, garantindo-lhe maior incidência de radiação solar.
Maceió possui relevo de solos urbanizáveis, compartimentado em planícies
costeiras e baixos planaltos em tabuleiro, resultantes respectivamente de dois períodos
geológicos distintos, o quaternário e o terciário, contribui para conformar duas situações
urbanas principais: cidade-baixa e cidade-alta. Uma terceira situação urbana corresponde
à formação de uma cidade-das-grotas-e-encostas, compreendendo o conjunto de
ocupações, usualmente de baixa renda, que se desenvolveu nas encostas e vales de riachos
e nas encostas de falésias (FARIA, 2016).
A formação territorial acidentada da cidade esconde a maioria das ocupações
irregulares existentes, especialmente nas encostas dos vales, também denominadas grotas.
As grotas de Maceió são áreas de fundo de vale que funcionam como as calhas naturais
da cidade, levando as águas da chuva até a planície marítima (CERQUEIRA, et al., 2021).
Ocorreu a verticalização da orla maceioense, de forma acelerada incentivada pelo
desenvolvimento do setor turístico, e inicialmente desordenada. Desde então as alterações
nos mecanismos legais de ordenamento do solo se mostraram assertivas, ainda que devam
ser questionadas, estudadas e testadas para que as alterações continuem se convertendo
em melhorias. Os bairros litorâneos da cidade tornaram-se alvo de especulação
imobiliária. Encontrando-se extremamente ocupados, apresentaram uma tendência de
expansão para o litoral norte, regulamentado pelos parâmetros construtivos que permitem
edifícios verticais de até 20 pavimentos, ocasionando tipologias construtivas diferentes
dos bairros vizinhos, passíveis de estudos de impactos climáticos visto que o agrupamento
desse tipo de edifícios na orla são uma novidade, da qual não se conhecem as
consequências (NASCIMENTO e BARBOSA, 2021).

56

3.2

Dados Meteorológicos
Os dados utilizados para realização das análises correspondem aos das estações

convencionais da cidade Maceió localizada na parte alta da cidade, Latitude: -9.551,
Longitude: -35.770 para o período de 1991 a 2021, e foram obtidos por meio da base de
dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis usadas foram dados
mensais de precipitação total mensal, temperatura média mensal, velocidade do vento
média mensal, e as falhas identificadas em alguns períodos foram preenchidas pela média
climatológica mensal em todas as variáveis que possuíam falhas.
Também foram utilizados dados para a variável de precipitação total mensal das
estações pluviométricas nos bairros Cruz das Almas e Ipioca, em Latitude: -9,632º,
Longitude: -35,707 º e Latitude: -9,529 º, Longitude: -35,608 º, respectivamente, pois
estão localizadas no litoral de Maceió a qual é a área de estudo, os dados foram obtidos
através da Defesa Civil Municipal (CEMADEN), para o período de 2015 a 2021, o curto
período se deve ao fato da escassez de dados para as essas estações localizadas nos bairros
que compõem o litoral do município, as variáveis não apresentaram falhas, mesmo se
tratando de um período relativamente curto foi realizada análise de tendência da
precipitação e verificação do comportamento se é semelhante aos dados da estação de
Maceió do INMET localizada na parte alta, para que a partir da tendência de temperatura
média mensal e velocidade do vento mensal, seja possível estimar como se comportariam
tais variáveis nas estações do litoral de Maceió já que não há dados de tais variáveis para
a análise da região litorânea.
Foram também realizados os mesmos procedimentos estatísticos para as análises
das variáveis de níveis de marés no litoral, os dados brutos foram obtidos junto a Diretoria
de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil e a Administração do Porto de
Maceió. Devido à ausência de marégrafos instalados de forma permanente no Estado de
Alagoas, os dados da DHN representaram curtos períodos de observação em que a
Marinha revisitou o Porto e reinstalou um marégrafo na região. Os dados mais antigos
correspondem ao ano de 2003 e os mais recentes ao ano de 2019.

3.3.

Análise de tendências
Para o desenvolvimento da pesquisa foi utilizada a análise de tendência de

precipitação total, temperatura média, e velocidade média do vento para que assim, possa
ser verificado se nas séries há tendências, e estimar comportamento futuro das mesmas.

57

O teste de Mann-Kendall é um teste de cunho estatístico não paramétrico o qual é
utilizado para analisar e identificar tendências, este que por sua vez é indicado pela
Organização Mundial de Meteorologia (OMM) para estudos que trabalham com
tendências com séries temporais mais extensas (MARENGO e ALVES, 2005; FOLHES
e FISCH, 2006; OBREGÓN e MARENGO, 2007; BLAIN, 2010, HIERA et al., 2019;
Apud CAVALCANTE, 2022). Esse teste é largamente usado para testar tendências em
séries temporais hidrológicas e climatológicas (CHATTOPADHYAY E EDWARS,
2016; Apud BOMFIM, et al., 2020).
Neste trabalho algumas variáveis não possuíam séries mais robustas como de 30
anos, devido às estações meteorológicas da defesa civil de Maceió terem sido instaladas
mais recentemente (variável precipitação, estações Cruz das Almas e Ipioca, período de
2015/2021). Ainda assim, é importante utilizar essas séries para analisar o
comportamento da variável ao longo do tempo e como esse comportamento tende a ser
nos próximos anos, por isso mesmo com um curto período, foi aplicado o teste de MannKendall nas mesmas.
No estudo da avaliação das tendências o teste não paramétrico Mann-Kendall
realiza a interpretação da ocorrência ou não de correlação das séries pelo teste não
paramétrico de sequências, no qual é responsável por analisar a existência de uma
tendência imprevista dentro das séries do estudo submetido. No caso de séries que são
submetidas e tendem a passarem no teste é necessário que o processo seja realizado pelo
teste Mann-Kendall modificado, assim tem-se em consideração a autocorrelação, em que
as tendências significativas são removidas inicialmente, conforme a Equação 1 a
estatística do teste (HAMED e RAO, 1998; SANSIGOLO e KAYANO, 2010, LOPES e
DA SILVA, 2013, Apud CAVALCANTE, 2022):
n i−1

S = ∑ ∑ sign(xi − xj )
i=2 j=1

Em que xj são os dados estimados da sequência de valores, n e o número de
elementos da série temporal e o sinal (xi − xj) é igual a -1 para (xi − xj) < 0, 0 para (xi −
xj) = 0, e 1 para (xi − xj) > 0. Kendall mostrou que S é normalmente distribuída com
média E(S) e variância Var(S), que para uma situação na qual pode haver valores iguais
de x, são calculadas pelas equações:

(1)

58

E[S] = 0

𝑉𝑎𝑟[𝑆] =

𝑛(𝑛 − 1)(2𝑛 + 5) − ∑𝑞𝑝=1 𝑡𝑝 (𝑡𝑝 − 1)(2𝑡𝑝 + 5)
18

(2)

(3)

Em que (tp) é o número de dados com valores iguais em certo grupo (pth) e q é o
número de grupos contendo valores iguais na série de dados em um grupo p; o segundo
termo representa um ajuste para dados censurados. Usando-se a Eq. 1, tem-se que o valor
positivo de S indica tendência também positiva dos dados que crescem com o tempo; por
outro lado, o valor negativo indica tendência decrescente. Sabendo-se que S é
normalmente distribuída e que tem média zero e variância dadas pelas Eqs. 2 e 3,
respectivamente, pode-se testar se a tendência positiva ou negativa é significativamente
diferente de zero; se S é significativamente diferente de zero, a hipótese nula H0 pode ser
rejeitada para certo nível de significância apontando para a existência de tendência;
inversamente, a hipótese alternativa (H1) é aceita. O teste estatístico parametrizado
(ZMK) é computado pela seguinte equação:
𝑆−1

𝑖𝑓 𝑆 > 0
√𝑉𝑎𝑟(𝑆)
0 𝑖𝑓 𝑆 = 0
𝑍𝑀𝐾 =
𝑆+1
𝑖𝑓 𝑆 < 0
{√𝑉𝑎𝑟(𝑆)

(4)

A presença de uma tendência estatisticamente significativa é avaliada usando-se
o valor de Z; tal estatística é empregada para testar a hipótese nula, isto é, que nenhuma
tendência existe. Um valor positivo de ZMK indica um aumento da tendência e, quando
negativa, aponta tendência decrescente (SILVA et al., 2010). Para testar a tendência
monotônica crescente ou decrescente no nível de significância de p, a hipótese nula é
rejeitada se o valor absoluto de Z for maior que Z1-p/2, utilizando-se a tabela da
distribuição normal cumulativa padrão. Os níveis de significância de p = 0,01 e 0,05
foram aplicados neste estudo.
A análise de tendências também foi utilizada para realizar o comparativo do
comportamento das variáveis climáticas em função do deslocamento da linha de costa.
Dessa forma foi possível identificar se a redução ou aumento delas exerceu impacto nas

59

erosões da linha de costa do litoral de Maceió, e até mesmo em seu quadro evolutivo,
desencadeando ou não, a vulnerabilidade de determinados trechos do litoral.
Para essa análise foram associados os resultados das variáveis meteorológicas à
duas imagens de satélites, e essas imagens foram adquiridas por meio da plataforma
Google Earth. Essa plataforma tem disponibilidade de imagens dos satélites Landsat 4 e
8, foi adotada a imagem do ano de 2002, como sendo o referencial mais próximo do ano
de 1991, período inicial das análises, visto que há indisponibilidade de imagens anterior
a esse ano. A imagem mais recente para o comparativo refere-se ao ano de 2021, período
mais longo registrados por algumas das séries analisadas. Tal procedimento teve como
objetivo identificar de forma multitemporal como se encontrava o ponto mais crítico do
litoral de acordo com os resultados encontrados pelo CASSIE. Dessa forma, foi possível
avaliar do ponto de vista espaço-temporal a erosão no ponto mais erodido da linha de
costa de Maceió.
As tendências das variáveis meteorológicas juntamente com a análise das imagens
de satélites serviram para evidenciar se o litoral sofreu a interferência da variabilidade
climática, desencadeando processos erosivos na linha de costa do litoral de Maceió.
Esse comparativo de subidas e declínios das tendências aliados a imagem mais
antiga e comparada à imagem mais recente, puderam definir como as variáveis
meteorológicas influenciaram na modificação das praias do litoral.

3.4

Teste de Significância de T-Student
O teste de significância T-Student foi aplicado para realizar a validação dos dados

temporais, como foi o caso das variáveis hidrometeorológicas, pois a partir da
aplicabilidade do teste foi possível evidenciar se os valores das tendências obtidas por
meio do teste de Mann-Kendall possuíam significância estatística.
A utilização de testes paramétricos são preferencialmente empregados em análises
de dados quantitativos, isso devido a maior propensão a identificação de diferenças,
portanto, testes como o T-Student são alternativas estatísticas aplicáveis principalmente
quando se tratam de dados quantitativos (WAGNER, 1998; Apud CAVALCANTE,
2022).
Este teste se aplica a planos amostrais em que se deseja comparar dois grupos
independentes, não se exige que as amostras tenham o mesmo tamanho. Segundo
(MONTGOMERY, 2001; Apud SILVA, 2020), uma hipótese estatística é uma firmação

60

sobre os parâmetros de uma ou mais populações. Também pode ser pensada como uma
afirmação acerca da distribuição de probabilidade de uma variável aleatória.
Para amostras de tamanho N > 30, denominadas de grandes amostras, as
distribuições das amostras de variadas estatísticas são quase normais e melhores com o
aumento de N. Já para as amostras pequenas, as distribuições amostrais de diversas
estatísticas não são boas, tornando-se piores com o decréscimo de N, de tal maneira que
devem ser introduzidas as modificações adequadas (CAVALCANTE, 2022).
O teste de T-Student é um teste de significância de extrema relevância,
principalmente utilizado em análises de pesquisas na área da meteorologia, para assim
estimar e validar tais dados (KAYANO e KOUSKY, 1996; FIGUEROA, 1997;
CASTRO, 2002; DA SILVA, 2009; SOUZA NETO, 2019; BONFIM, 2018;
CAVALCANTE, 2022), para o cálculo aplica-se a equação 5:

tc =

t
√n − 2

+ t2

(5)

Sendo: tc = valor do percentil e c é o grau de liberdade; c = 0,95 ou 95%; t =
valor do percentil tabelado de acordo com υ (n-1); n = número de dados.

3.5

Análise de Ondeletas/Ondaletas ou Wavelet (AO)
As séries temporais das variáveis meteorológicas de Maceió foram submetidas à

AO com o objetivo de identificar as escalas temporais presentes nas séries e isso levará à
identificação do sistema ou fenômeno que ocorre ou influência as variáveis locais. Desse
modo, fica mais claro quais fenômenos climáticos atuam sobre as variáveis e assim, se o
local sofre comprovadamente interferência climática.
O termo Ondaleta refere-se a um conjunto de funções com forma de pequenas
ondas que são geradas por dilatações, Ψ (t) → Ψ (2t), e translações, Ψ (t) → Ψ (t + 1), de
uma função base geradora simples Ψ (t), assim, através da ondeleta-mãe, pode ser gerada
as chamadas ondeletas-filhas. A base da Transformada de Fourier é contatada que cada
função base é obtida a partir de simples dilatações na frequência, conciliando as
propriedades de dilatação e translação em um exemplo de função base, sendo obtida as
chamadas funções ondeletas, em que as dilatações e translações são dadas por duas
variáveis nomeadas j e k, respectivamente (BOLZAN, 2006).

61

Primeiramente os índices para cada variável devem ser tratados, e em seguida,
submetidos à AO. Os índices são as anomalias das variáveis, que são calculadas a partir
da climatologia mensal e normalizada pelo desvio padrão, como na Equação 6 (DA
SILVA, 2009):
𝐴𝑉𝑎𝑟𝑖,𝑗 = (𝑉𝑎𝑟𝑖,𝑗 − ̅̅̅̅̅
𝑉𝑎𝑟𝑖 /𝜎𝑖 )

(6)

Em que: AVari,j é a anomalia da variável, no ano j=1, 2, 3,..., N e mês i=1, 2,
3,...,12; Vari,j é a variável no ano j=1, 2, 3,..., N e mês i=1, 2, 3,..., 12, o qual foi calculado
sua anomalia; ̅̅̅̅̅̅
𝑉𝑎𝑟𝑖 é a média climatológica do mês a ser calculado a anomalia e 𝜎𝑖 é o
desvio padrão utilizado para cada mês i específico.
A Ondaleta de Morlet é definida como uma exponencial complexa modulada por
uma Gaussiana, que é dada pela Equação 7 (ANDREOLI et al., 2004, Da Silva, 2017,
Apud CAVALCANTE, 2022):
2

𝜓(𝑡) = 𝑒 𝑖𝜔0 𝜂𝑒−𝜂 /2

(7)

Em que η = t/s, onde t é o tempo, s é a escala da ondaleta em função do tempo (=
2/dt) e ω0 é uma frequência não-dimensional (lag1 = 0,7), escolhidos conforme Andreoli
et al. (2004); todos introduzidos no “script” de programação do Software Matlab®.

3.6

Análise posicional da linha de costa
Para a determinação da dinâmica posicional da linha de costa do litoral do

município de Maceió foi adotada a ferramenta gratuita de código aberto, denominada de
Coastal Analyst System from Space Imagery Engine - CASSIE.
Essa ferramenta foi elaborada por Almeida et al. (2021) em linguagem de
programação JavaScript, usando a Application Programming Interface (API) do Google
Earth Engine (GEE) e pode ser aplicada a qualquer região costeira da Terra onde exista
uma fronteira entre a água e a terra.
A escolha por esta ferramenta se deve ao fato de que a mesma utiliza as imagens
de satélite Landsat e Sentinel-2, disponíveis gratuitamente no (GEE), e implementa uma
detecção automática da linha costeira usando o Normalized Difference Water Index
(NDWI) junto com o algoritmo de segmentação de imagem Otsu, em que os resultados

62

são compostos por dados e tabelas obtidos automaticamente através de análise estatística
das informações extraídas em cada imagem de satélite, de forma semelhante à ferramenta
Digital Shoreline Analysis System (DSAS, da USGS).
Além disto, o CASSIE permite o acesso a todas as imagens de refletância de
superfície (SR) das coleções Landsat 5 (TM), Landsat 7 (EMT +) e Landsat 8 (OLI) Nível
1 e produtos Sentinel-2 (MSI) Nível 1C disponíveis no GEE. Os produtos Landsat SR
corretos para efeitos atmosféricos de iluminação, e geometria de visualização, são o mais
alto nível de processamento de imagem disponível para dados Landsat (MASEK et al.,
2006; VERMOTE et al., 2016; Apud ALMEIDA et al., 2021). O Sentinel-2 (MSI) Nível1C é fornecido em refletância no topo da atmosfera (TOA) junto com os parâmetros para
transformá-los em radiâncias. A tabela 1 resume os dados de satélite disponíveis no GEE
que podem ser usados no CASSIE.

Tabela 1 – Imagens de satélite disponíveis no GEE que podem ser usadas no CASSIE
Missão

Produtos

Cobertura
(anos)
1984 – 2013

Tempo de
revisão
(dias)
15

Resolução de
pixel
(m)
30

Landsat 5
(TM)
Landsat 7
(ETM +)
Landsat 8
(OLI)
Sentinela 2
(MSI)

SR
SR

Presente de 1999

15

30

SR

2013-presente

15

30

TOA

Presente de 2015

5

10

Fonte: (ALMEIDA et al., 2021).

O fluxo de trabalho dos diferentes processos que envolvem a interação do usuário
com a Interface Gráfica de Usuário (GUI) do CASSIE, o processamento interno e
resultados são apresentados e descritos na Figura 4.

63

Figura 4 – Fluxograma de etapas dos processos de usuário CASSIE

Fonte: ALMEIDA et al. (2021).

Após a seleção da missão do satélite e definição do Região de Interesse (RI), o
CASSIE realiza um conjunto de operações sequenciais para pré-processar as imagens
disponíveis. Os processos de pré processamento incluem o mosaico de imagens (processo
de montagem espacial de conjuntos de dados de imagens para produzir uma imagem
contínua); quando o RI cruza mais de um bloco, realiza o registro de imagem (correção
de deslocamentos horizontais entre as imagens) e porcentagem de nuvem calculado sobre
o RI usando o algoritmo C Function of Mask (CFMask) (FOGA et al., 2017; Apud
ALMEIDA et al., 2021).
Logo que o pré-processamento inicial é realizado o usuário determina o intervalo
de tempo ao qual é realizada a análise e também definir a porcentagem de nuvens
presentes nas imagens escolhidas.
Antes do CASSIE realizar a detecção automática de linha costeira nas imagens
pré-selecionadas, uma linha de base é necessária. As estatísticas da linha costeira CASSIE

64

(por exemplo, taxa de mudança) serão baseadas no método de distância da linha de base
(LEATHERMAN e CLOW, 1983; THIELER et al., 1994; Apud ALMEIDA et al., 2021).
De acordo com Almeida et al. (2021) a linha de base é digitalizada pelo usuário
de forma manual fazendo com que seja criado um ponto de partida para que dessa forma
siga para todos os transectos lançados pelo CASSIE. A linha de base é inserida do lado
da terra e posicionada a uma determinada distancia da linha de costa, para que assim possa
se impedir a convergência de quaisquer linhas de costa históricas. Posteriormente a esse
processo de definição do desenho da linha de base o usuário pode inserir o espaçamento
bem como o comprimento dos transectos no decorrer dos quais as estatísticas de
mudanças da linha de costa serão analisadas.
O CASSIE funciona por meio de detecção automática, desse modo ocorre a
aplicação de um algoritmo que realiza a detecção da linha de costa às margens préprocessadas, esse procedimento ocorre porque é utilizado o Índice de Diferença
Normalizada (NDWI) que é aplicado em cada imagens que foi selecionada para a análise
que é definida pela Equação 8:

NDWI =

( NIR − VERDE)
( NIR + VERDE)

(8)

Sendo o NIR e VERDE a refletância SR do pixel na faixa do infravermelho
próximo e na faixa verde, respectivamente. Quando o resultado da imagem NDWI tem
um histograma bimodal claro (as duas classes, terra e água, são bem distinguidas na
imagem), o corpo d'água e a terra são classificados, usando um Otsu de duas classes
algoritmo de limiarização. Embora quando o histograma da imagem do NDWI apresenta
três picos, como por exemplo em ambientes estuarinos, em que as características
intertidais (normalmente compostas por sedimentos de areia lamacenta ou fina com alto
teor de água) criam um pico entre a terra e a água, as duas classes Otsu Limiar produz
uma classificação ruim de terra / água (ALMEIDA et al., 2021).
Quando CASSIE finaliza todos os cálculos estatísticos, os resultados serão
adicionados a um mapa final, onde a linha de base, linhas costeiras e transectos podem
ser visualizados sobre uma imagem de satélite de alta resolução ou mapa de base do
Google Maps (para escolher o tipo de mapa de base dois botões estarão disponíveis no
canto superior esquerdo do mapa final). Os transectos são coloridos de acordo com a

65

classificação do LRR resultados, para facilitar uma avaliação qualitativa preliminar da
variabilidade espacial das tendências da linha costeira. O usuário pode realizar uma
consulta a todo o transecto, individualmente, que abrirá automaticamente um gráfico de
dispersão da série temporal das posições da linha costeira (distância à linha de base)
usadas na análise estatística, juntamente com um breve relatório dos resultados calculados
para o transecto selecionado. Um relatório final contendo todos os resultados estatísticos,
em forma de tabela, também é adicionado automaticamente ao mapa (ALMEIDA et al.,
2021).
Posteriormente à essa etapa os dados quantitativos referentes a ocorrência de
processos erosivos foram refinados para uma melhor organização dos resultados em
formato de tabelas em ambiente Excel. A elaboração dos layouts foi realizada no software
livre Qgis versão 3.22 Białowieża para representação dos resultados na área de estudo.
As regiões costeiras sofrem influência da circulação local das brisas marítima e
terrestre, devido ao gradiente horizontal de pressão provocado pelo contraste da
temperatura diária entre o continente e o oceano. Essa circulação tem uma importante
influência para amenizar a temperatura do ar diária e distribuir umidade para o interior
do continente, provocando chuvas esporádicas durante todo o ano (BARROS et al., 2011)
O litoral de Maceió possivelmente pode estar sofrendo com estas influências de forma a
notar que a chuvas de curta duração, mas com alta intensidade podem propiciar alterações
na linha costeira.
Foi utilizada a análise espacial juntamente com a análise climática para que fosse
possível evidenciar a influência da variabilidade climática sobre a linha de costa do litoral
de Maceió. Nesse contexto ambas as análises consistiram em séries temporais que datam
do mesmo período, isso permitiu realizar a verificação do comportamento das tendências
encontradas, comparando-as com a evolução das taxas de variação da linha costeira.
Acerca das ondaletas e com o auxílio das taxas de variação encontradas, facilitaram na
identificação de quais fenômenos atmosféricos demonstram maior interação e
intensificação, confrontando os resultados das médias e imagens da situação da região
litorânea encontrada pelo CASSIE para o mesmo período entre de 1991 a 2021.
De posse das variações da linha de costa pode ser demonstrado como o litoral
esteve ou não estar sofrendo evolução conforme a variabilidade climática no decorrer dos
anos. Dessa maneira destacando assim os anos aos quais obtiveram maiores e menos
índices de variação das variáveis meteorológicas analisadas.

66

Após a identificação multitemporal das áreas com processos erosivos na linha de
costa do litoral utilizando as imagens do Landsat 4 e 8, foi realizada a visita in loco dos
setores e seus respectivos trechos. Para esse procedimento foram utilizados máquina
fotográfica e drone como ferramenta de captura de imagens do local. As imagens
integraram a visualização da situação do litoral em relação à sua degradação, dessa forma
possibilitando avaliar a realidade de cada trecho determinando sua vulnerabilidade,
podendo ser comparadas com os resultados da análise espacial para adquirir a coerência
entre os métodos. Com base nesses parâmetros, serão sugeridas possíveis medidas
mitigadoras para a vulnerabilidade e os riscos que a zona costeira apresentou, sendo
descrito por meio da tabela de impactos encontrados e medidas aplicáveis à situação de
cada grau de risco ou vulnerabilidade

67

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1

Tendências de Mann Kendall para as variáveis meteorológicas
A tendências, tornou-se uma ferramenta crucial de interpretação de dados,

conforme pode ser visto na Figura 4, na qual é possível observar as tendências de
precipitação para a cidade Maceió, correspondente ao ano de 1991 a 2021, por meio do
teste de Mann Kendall. Em seus estudos López et al. (2020), também utilizaram do
método estatístico para investigar o comportamento de dados pluviométricos e através
das análises encontrando as tendências.
Na Figura 5 observa-se através da linha vermelha a tendência da série durante os
30 anos, estando nítida a oscilação da precipitação ao logo dos anos, além da leve
tendência. Neste intervalo, foi obtida uma tendência interanual positiva de 0,0178 mm, a
tendência total para a série foi de 0,5546 mm. Sua positividade está relacionada com a
oscilação dos picos de precipitação acima de 50 mm, essa relação está intimamente ligada
a taxa de precipitação, assim como Scofield et al. (2014), apontaram tal relação utilizando
os testes Mann Kendall para determinar as tendências de precipitação total e do número
de dias chuvosos para a região norte litorânea de São Paulo.
Assim como as tendências acima encontradas, resultados expressivos de índices
de precipitação foram evidenciados por Barbosa et al. (2018) para a região do Agreste
Setentrional, o que resultou em tendências positivas, em que foram obtidos resultados
semelhantes com os do estudo para Maceió.

Figura 5 – Tendência anual de precipitação para o período de 1991 a 2021 em Maceió
(estação INMET)
300

200
150
100
50
0

1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021

Precipitação (mm)

250

Anos

Fonte: Autora, 2023.

68

De acordo com os valores de tendências para todas as variáveis analisadas
(Tabela 2) atribui-se os seus níveis de significância para validação dos dados, visto que
algumas variáveis possuíam dados com séries inferiores a 30 anos. Conforme expresso a
série de precipitação e de temperatura do INMET apresentaram significância estatística
ao nível de 5%, contudo as demais não obtiveram, devido o curto período. Para as séries
de precipitação notou-se a diminuição segundo os resultados das estações localizadas no
litoral, já no caso da estação do INMET foi registrado aumento, isso se deve ao fato de a
estação se localizar na parte alta de Maceió, tal fator que pode ter contribuído para a
verificação desse aumento. Também foram evidenciados aumentos na temperatura,
diminuição na velocidade do vento e nível de marés.

Tabela 2 – Tendências nas séries das variáveis meteorológicas
Local
Maceió
(precipitação)
Bairro Cruz das
Almas
(precipitação)
Bairro
Ipioca
(precipitação)
Maceió
(Temperatura
média)
Maceió
(Velocidade do
Vento)
Litoral
de
Maceió (Nível
de maré)

Tendência
interanual
0,0178 mm/ano

-0,0238 mm/ano

Tendência para Status da Resultado
do
toda série
tendência
Teste T
0,5546 mm
Aumento
Com
significância
estatística
Sem significância
-0,1668 mm
Diminuição estatística

-0,0447 mm/ano

-0,3131mm

Diminuição

0,0319 °C/ano

0,9891 °C

Aumento

-0,0007 m/s

-0,0123 m/s

Diminuição

0,2535 cm/ano

1,2677 cm

Aumento

Sem significância
estatística
Com
significância
estatística
Sem significância
estatística
Sem significância
estatística

Fonte: Autora, 2023.

Ao aplicar análise de tendências para os dados de precipitação no bairro de Cruz
das Almas localizado na região litorânea de Maceió (Figura 6), foi obtido uma tendência
interanual de -0,0238 mm, enquanto que para a série toda foi de -0,1668 mm, ou seja,
notou-se através desses resultados que no decorrer desses 7 anos, com o declínio do índice
de precipitação na região, neste bairro as chuvas estão diminuindo e espera-se que

69

continuem a diminuir ao longo do tempo, mesmo os dados sendo de um período curto
estima-se a tendência nesse bairro litorâneo.
Folhes e Fisch (2006) também realizaram o teste Mann Kandall para uma série
curta, e assim como nas análises para os bairros litorâneos, também encontraram valores
de tendências negativas de precipitação anual em seu estudo para a cidade de Taubaté em
São Paulo.
Em Baldo et al. (2018) ao analisarem as tendências para a Bacia do Rio Piquiri no
Paraná, com um estudo que considerava 37 postos, observaram uma variação de
tendências positivas assim como negativas, em que também ressaltaram que os postos
estudados pertenciam a pontos diferentes da área da Bacia. Isso endossa a afirmativa de
que a ocorrência de tendências negativas e positivas em localidades de uma mesma região
pode ocorrer.
Em uma análise usando o mesmo teste estatístico, Ferreira et al. (2017) aplicaram
o método para avaliar possíveis mudanças no clima, aos quais referiam-se a análise anual,
e encontram também em cinco dos seis postos tendências negativas, evidenciando
mudanças que iniciaram entre 1970 e 1980, na região semiárida de Pernambuco.
Fazendo uma comparação com os resultados de tendências de precipitação de
Maceió (estação INMET) com os dados do bairro de Cruz das Almas, mesmo com uma
série curta é possível verificar o comportamento da diminuição da precipitação nos
últimos anos, o que é um fator a ser considerado para a verificação de como a precipitação
anual vem se comportando na região litorânea do município de Maceió. Dessa forma,
pode-se dizer que as tendências apresentadas no gráfico apontam semelhanças das quedas
nos picos de desenvolvimento de redução.

70

Figura 6 – Tendência anual de precipitação para o período de 2015 a 2021 de Cruz das
Almas região litorânea de Maceió
200
180

Precipitação (mm)

160
140
120
100
80
60
40
20
0
2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

Anos

Fonte: Autora, 2023.

Nas análises de tendências para o bairro de Ipioca (Figura 7) foi notado que a
precipitação anual se diferiu dos anteriores com apenas um pico entre os anos de 2016 a
2018 e continuou caindo até 2021, apresentando um valor de tendência interanual de 0,0447 mm, e para a série toda de -0,3131 mm. De acordo com Ferreira et al. (2021),
também observaram que ao analisar o comportamento das tendências das precipitações
para uma determinada região do Ceará ocorreu também uma leve redução na precipitação
conforme as tendências negativas evidenciadas em sua pesquisa.
Percebeu-se também ao comparar os resultados das estações dos dois bairros
diferentes e para o mesmo período, que os dois apresentam proximidade de valores de
tendências negativas, neste caso, os dois podem de certa forma estarem sob atuação dos
mesmos eventos/fenômenos que corroboram para uma influência semelhante da
variabilidade climática. Os resultados do INMET em alguns anos apresentaram alguns
picos de precipitação na margem de milímetros parecidos com os dos bairros litorâneos,
a diferença é que a redução é mais nítida por se tratar de dados mais específicos para a
área litorânea, evidenciando assim a redução por meio da tendência negativa.

71

Figura 7 – Tendência anual de precipitação para o período de 2015 a 2021 no bairro
Ipioca região litorânea de Maceió
300

Precipitação (mm)

250
200
150
100
50
0
2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

Anos

Fonte: Autora, 2023.

Analisando as tendências para os índices que correspondem a temperatura média
mensal compensada para a série com dados do INMET, (Figura 8), observou-se a
existência de uma tendência interanual de 0,0319 °C, enquanto a tendência para a série
toda chegou a 0,9891 °C, resultado bastante significativo ao passo que esse resultado é
referente a uma série temporal que abrange todo município de Maceió. Diante dos
resultados e conforme é apontado pela oscilação dos picos de temperatura de 1991 a 1999,
(Figura 8) a temperatura apresentava uma variação entre aproximadamente 24 °C e 26
°C, no entanto, esse quadro passou a mudar com a queda dos valores durante 2000 a 2004,
e nos anos seguintes a temperatura no município sofreu um crescente aumento.
Evidenciou-se que o comportamento das retas demonstraram temperaturas elevadas se
compradas ao início da análise, até o último ano 2021, a temperatura diminuiu, porém
conforme visto no valor da tendência, a temperatura ainda permanece acima dos valores
mais baixos nos últimos anos. Diante dessa conjuntura analisada e com base no aumento
dessa tendência positiva ficou nítida como a temperatura média no município de Maceió
está aumentando com o passar dos anos.
A região Nordeste em muitos casos convive com aumentos de temperatura e assim
como os resultados expressados nas análises para Maceió, Castelhano e Siqueira Pinto
(2022), ao realizarem um estudo para o Estado de Sergipe, também evidenciaram
tendências positivas e significativas na fronteira com o Estado de Alagoas.

72

Conforme afirmaram Carvalho et al. (2020) as mudanças no quadro padrão da
temperatura tem se modificado devido às atividades antrópicas desempenhadas
diariamente, mais precisamente às ações ligadas a emissões de gases de efeitos estufa,
vindouros também da agricultura, pecuária e indústria, sendo essas causas
intensificadoras do aquecimento global de acordo com Mahlstein e Knutti, (2010);
Carvalho et al. (2020).
Segundo Salviano et al. (2016) a maior parte do Brasil evidenciou tendências
positivas para temperatura média não só em alguns períodos, mas para o ano todo,
algumas das áreas estudadas com tendências positivas com significância de 5% variando
entre 36 e 78% do território brasileiro.
As tendências para a temperatura média mensal compensada obtidas por meio do
INMET, serviram como um padrão de embasamento de verificação de como a
temperatura se comporta nas áreas litorâneas, e como elas influenciam como variável
climatológica em abrangência litorânea.
Figura 8 – Tendência anual de temperatura para o período de 1991 a 2021 em Maceió
26,5
26

Temperatura °C

25,5
25
24,5
24
23,5

1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021

23

Anos

Fonte: Autora, 2023.

De acordo com Costa e Lyra (2012), o Estado de Alagoas pode ser divido por três
subdivisões climáticas, com diferentes características pluviométricas, sendo essas o
Litoral, Agreste e Sertão. Tais regiões apresentam distinção não apenas em sua
pluviometria, mas também em topográfica, relevo e clima. Uma dessas variáveis
climáticas que apresenta variações é o vento. Sua velocidade que tende a aumentar
quando o verão está se aproximando, alcança seu pico máximo na primavera (setembro),

73

e cai ao se aproximar do inverno, tem a ocorrência de seu pico mínimo no outono (abril).
Normalmente a direção do vento no litoral em sua predominância é entre E e SE. Os
ventos na região litorânea apresentam uma média mensal de 5,3 m.s-1, com máximo de
6,7 m.s-1 e mínimo de 3,9 m.s-1.
Analisando a tendência para velocidade média do vento para Maceió (Figura 9),
percebe-se que a oscilação dos resultados se dá a partir de 1993 e 1994 expressando cerca
de quase 3,5 m/s e com o passar nos anos até 2007 essa velocidade diminui. Com base
nos resultados da tendência interanual de -0,0007 m/s o mesmo que 0,00252 km/h, na
tendência para a série foi de -0,0123 m/s, o equivalente a -0,0442 km/h, os resultados
implicaram dizer que a velocidade média do vento com o passar dos anos sofreu redução.
Conforme apontaram Almeida et al. (2020) ao realizarem análise de tendências
para a variável de velocidade média compensada também obtiveram resultados que
sugeriram essa diminuição, tal redução foi notada de -0,35 a 0,03; no entanto ao comparar
com os dados para Maceió as tendências indicaram uma redução bem menor dessa
variável. A redução da velocidade do vento também foi evidenciada por Densk e Back
(2015) por meio do teste não paramétrico utilizado no estudo.
O vento é uma das variáveis climáticas que tem grande influência no clima, e as
tendências negativas encontradas para Maceió demonstram que ocorreu a diminuição,
considera-se também que tal redução tenha sido estendida para a região litorânea.

Figura 9 – Tendência anual de velocidade do vento para o período de 1991 a 2021 em
Maceió

3
2,5
2
1,5
1
0,5

Anos

Fonte: Autora, 2023.

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

1997

1996

1995

1994

1993

1992

0

1991

Velocidade média do vento (m/s)

3,5

74

Os resultados de nível maré (Figura 10), revelaram dados com uma cronologia
limitada, devido à extinção da estação principal e a instalação de nova régua maregráfica
na estação secundária do porto de Maceió, deste modo, o estudo se baseou em dados mais
antigos de 2003 e mais recentes de 2019.
Adotando os dados iniciais de 2003 como o início da série de maré observada, que
obtinha cerca de quase 216 cm no litoral. Espera-se que para níveis de maré próximos ao
nível de 180 cm, pode ocorrer a presença de alagamento de lote em algumas regiões com
vulnerabilidade, causando assim possibilidade de danos materiais (NEGRI et al., 2021).
Em 2006 o nível foi para quase 214 cm, como indicado pelo pico no gráfico em 2007 esse
aumento passou para pouco mais de 218 cm. O ano que apresentou uma queda foi 2018,
mas mesmo com a queda ainda apresentava superioridade aos anos iniciais. Em 2019 o
nível da maré observada chegou a 222 cm no litoral de Maceió. Os resultados das
tendências confirmaram essa elevação e inclinação no aumento do nível de maré, com
uma tendência interanual de 0,2535 cm, equivalente a 0,0025 m, quando a série toda foi
considerada a tendência apontou um resultado de 1,2677 cm, o que significou aumento
de 0,01267 m, confirmando o aumento dos níveis da maré observada.
Segundo Aguiar et al. (2019) a elevação do nível do mar tem sido bastante
debatida principalmente em âmbito internacional e a elevação nas regiões litorâneas são
alguns dos resultados dos impactos causados pelas mudanças climáticas, e conforme os
anos se passam os níveis tendem a aumentar, alguns desses resultados foram projetados
até 2100. A necessidade de se abordar o assunto faz com que diversos estudos se
concentrem na investigação dos impactos que as mudanças vão causar, fazendo com que
possam ser criadas adaptações para medidas que embasem mitigações para áreas
vulneráveis e de riscos locais.
Como os resultados das tendências de precipitação nos bairros foram negativos e
apontaram uma queda no índice de precipitação na região litorânea, mesmo assim os
índices pluviométricos em alguns anos expressaram precipitação acima de 100 mm, e
podem ter influenciado os resultados das tendências positivas nos níveis de marés.
Segundo Cabral et al. (2021) que realizaram um estudo recente para a cidade de Recife o
aumento do nível das marés está associado a chuvas maiores (≥ 100 mm) e concentradas
em 24h no período que corresponde aos últimos 60 anos. Assim, como eventos extremos
registrados que ocorreram foram um forte indicativo para a elevação.
O nível do mar também pode ser drasticamente alterado por um fenômeno, que
amplifica as marés astronômicas, associado ao movimento das massas de água devido a

75

fatores climáticos, principalmente ventos, denominado Maré Meteorológica. O
movimento do ar sobre a superfícies líquidas dos mares, dá origem a um escoamento
superficial (“ondas”), que quando possui a mesma direção e período da onda de
escoamento astronômico, possibilita a sua combinação, dando origem a níveis de marés
muito mais elevados que os inicialmente previsto (NEGRI et al., 2021).
No caso da região litorânea de Maceió assim como os resultados apontados pelas
tendências evidenciaram esse aumento de marés, Silva et al. (2022) inferiram que os
meses de março a junho que possuem estações climáticas do outono ao inverno
apresentaram os níveis médios mensais com a maior amplitude, indicando assim a
atuação de eventos meteorológicos, que por sua vez contribuem na amplitude das marés,
os quais também encontraram resultados que em um intervalo de 13 anos o nível médio
do mar aumentou cerca de 5,69 cm, evidenciando assim um crescimento de 0, 438 cm/
ano.

Figura 10 – Tendência anual de nível de marés região litorânea de Maceió
224
222

Nível de Maés (cm)

220
218
216
214
212
210
208
2003

2006

2007

2018

2019

Anos

Fonte: Autora, 2023.

4.2

Análise de Ondaletas para identificação de influências climáticas
A análise de ondaletas foi aplicada nas séries de dados meteorológicos com o

intuito de investigar quais fenômenos e sistemas meteorológicos estão atuando, a partir
da identificação de suas escalas temporais, e também suas influências em diferentes
escalas na região do estudo. Identificando assim fatores como períodos cíclicos, variações
sazonais, interanuais e variações aleatórias.

76

De acordo com o método empregado nas séries com dados de precipitação,
temperatura média e velocidade do vento, houve indícios de que o litoral de Maceió sofreu
influência de fenômenos que interferem em seu meio, através das ondaletas foi possível
aferir as escalas e intensidades delas durante o período analisado.
Com base na análise de ondaletas para a série de precipitação de Maceió do
período de 1991 a 2021, foram encontradas escalas para um melhor entendimento do
comportamento da precipitação. Conforme pode ser analisado (Figura 11 b) encontrouse a ocorrência de escala sazonal, que compreende o período de (0,25 anos), semestral
(0,5 anos), e interanual (1 ano). Também ocorreu a influência do ENOS de (1 a 2 anos)
com núcleos intensos entre os anos de 2000 a 2015, como apontado pela análise (Figura
11 a), podendo ser visto através dos picos de aumentos do índice de precipitação. Assim
como também ocorreu a presença do ENOS estendido entre (2 e 8 anos). A escala de
maior predominância foi do ENOS estendido.
Os resultados encontrados por meio da análise de ondaletas foram semelhantes
aos fenômenos e as escalas evidenciadas por outros autores sendo: sazonalidade
encontrado por (COSTA et al., 2016), escala semestral (0,5 anos) de acordo com
(CAVALCANTE e DA SIVA, 2021), interanual (1 ano) em (DA SILVA et al., 2021),
ENOS, (entre 1, 2 anos) corroboraram com (CARVALHO et al., 2013), ENOS estendido
(entre 2 a 8 anos) como evidenciou (OLIVEIRA, 2020), Dipolo do Atlântico, 8 a 11 anos
(SANTOS et al., 2015) e Manchas Solares (entre 8 e 16 anos) (SIQUEIRA e MOLION,
2012).
O Estado de Alagoas em si, demonstra alta variabilidade no quesito eventos de
precipitação, isso devido ao El Niño como reforçam Fernandes e Carvalho (2013).
Segundo o (CPTEC, 2022) a ocorrência moderada do fenômeno se deu em 2002 a 2003,
podendo assim, associar os resultados da análise com o fenômeno.
O aumento da precipitação nos anos citados se refere a ocorrência do fenômeno
La Niña que de acordo com o (CPTEC, 2022) se deu de forma moderada até 2018.
Conforme Costa e Araujo (2021), também evidenciaram a ocorrência de eventos
chuvosos ou muito chuvosos nessa mesma escala temporal no Ceará, os associando a
presença do La Niña.

77

Figura 11 – (a) Índice de precipitação normalizado para Maceió (1991 a 2021) pelo
desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%

8
6
4
2
0
-2
-4

1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021

Índice de Precipitação
para Maceió

(a)

Anos

(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

Ao analisar por meio da ondaleta a precipitação para o bairro de Cruz das Almas
(Figura 12 b) utilizando a série de 2015 a 2021, evidenciou-se a ocorrência de escala
semestral (0,5 anos), e interanual (1 ano), essas por sua vez demonstraram significância
estatística (Figura 12 b) e maior variância (Figura 12 c).
A ondaleta também permitiu encontrar escalas atuantes de ENOS estendido (2 a
8 anos), Dipolo do Atlântico (8 a 11 anos). A escala do ENOS estendido foi a escala
secundária, já a escala de Manchas Solares foi a escala dominante, no entanto, não está
localizada dentro do cone de influência.

78

Assim como Cavalcante e Da Silva (2021) também analisaram escalas sazonal,
semestral e interanual para o Estado de Alagoas por meio da detecção de ondaletas, para
a parte do litoral.
Da mesma forma a técnica foi utilizada por Nóbrega (2019) para a identificação
dos fenômenos que ocorreram na série histórica abordada, em que buscou explicar a
variabilidade interanual e interdecenal da precipitação pluvial das regiões hidrográficas
da parte Setentrional Oriental. Foram identificadas escalas semelhantes às encontradas na
ondaleta para o bairro de Cruz das Almas, mesmo a série tendo sido relativamente curta,
pode-se associar a ocorrência de fenômenos que determinam a variabilidade climática.
De acordo com Da Silva et al. (2020) também evidenciaram a presença da escala
de 11 anos como a dominante, o sinal da ondaleta demonstrou a influência dessa escala
no regime de precipitação da região leste do Nordeste.
Conforme Rocha et al. (2022) ao aplicarem análise de ondaletas para a Bacia do
Rio São Francisco encontraram escalas semelhantes, as quais associam a influência da
ausência ou ocorrências dos fenômenos ou sistemas envolvidos, como agentes que
contribuem para o aumento ou redução da precipitação na região.

79

Figura 12 – (a) Índice de precipitação padronizada para o bairro de Cruz da Almas
(2015 a 2021) normalizado pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local
para Precipitação. Contornos amarelados correspondem a variâncias normalizadas
significativas ao nível de 5%. A curva em forma de U representa o cone de influência,
sob a qual o efeito de borda é importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com
o contorno tracejado indicando que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%

2021

2020

2019

2018

2017

2016

3
2
1
0
-1
-2
-3

2015

Índice de Precipitação
para Cruz das Almas

(a)

Anos
(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

A ondaleta que representa a precipitação para o bairro de Ipioca no litoral de
Maceió (Figura 13 b) utilizou a série de 2015 a 2021, e apresentou a ocorrência de escala
sazonal (0,25 anos), no ano de 2016 e 2018, visto que nesses mesmos períodos observouse também picos positivos de precipitação. A análise também demonstrou escala
semestral (0,5 ), interanual (1 ano) com significância estatística estando dentro do cone
de influência (Figura 13 c). Notou-se que houve ocorrência do ENOS, de maneira
moderada de 2016 até meados de 2018, (Figura 13 a) ao qual demonstrou picos positivos
de precipitação no bairro Ipioca, podendo estar sob influência do fenômeno La Nina. A
ondaleta também permitiu detectar escalas de ENOS (1 a 2 anos) Dipolo do Atlântico (8

80

a 11 anos) também de modo moderado e com sinal forte, as Manchas Solares (na escala
de 11 anos) que foi a escala dominante, (Figura 13 c).
Conforme Cavalcante (2021) por meio da AO, identificou escalas semelhantes ao
avaliar a influência e identificação de fenômenos e quais escalas estão relacionadas a
variabilidade da precipitação no município de Maceió.
Assim como Da Silva et al. (2020) evidenciou escalas semelhantes para o índice
de precipitação para a região nordeste, destacando a escala de 11 anos como a dominante.
Segundo Pereira et al. (2018) ao analisarem as ondaletas correspondentes a
precipitação em um estudo de caso para a Laguna de Mundaú, notaram que a variabilidade
pluviométrica sofreu interferência em escalas acima de 10 anos com significância
estatística.
Ao investigar o comportamento do regime de chuvas e quais fenômenos e escalas
ocorriam, Santos (2011) notou a presença de escalas semelhantes para a Bacia
Hidrográfica do Rio São Francisco, ao qual enfatizou a influência do El Niño e La Niña
como destaque da variabilidade climática durante a série histórica analisada.
De acordo com a Lyra et al. (2018) que observaram por meio de ondaletas uma
série temporal de 1961 a 2015 para Maceió, identificaram, a presença de escalas de (0,250,5 anos) para precipitação. O comportamento do espectro do período final da série do
autor corroborou com o início da série analisada nesta pesquisa ao qual foi semelhante ao
encontrado nas ondaletas dos bairros Cruz das Almas e Ipioca.

81

Figura 13 – (a) Índice de precipitação padronizada para o bairro de Ipioca (2015 a
2021) normalizado pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para
Precipitação. Contornos amarelados correspondem a variâncias normalizadas
significativas ao nível de 5%. A curva em forma de U representa o cone de influência,
sob a qual o efeito de borda é importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com
o contorno tracejado indicando que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%

2021

2020

2019

2018

2017

2016

3
2
1
0
-1
-2

2015

Índice de Precipitação
para Ipioca

(a)

Anos
(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

A série de temperatura média (Figura 14 b) apresentou escala de sazonalidade
(0,25 anos), analisando o pico do aumento da temperatura (Figura 14 a), percebeu-se tal
evidência no ano de 2015, bem como a presença das escalas: semestral (0,5 anos), e
interanual (1 ano). Contudo, notou-se a ocorrência de outras escalas mais prolongadas,
sendo estas o ENOS, que normalmente ocorre de (1 a 2 anos), ENOS estendido (2 a 8
anos), e que apresentou temperaturas mais baixas de 2000 a 2006 segundo a (Figura 14
a), a série ainda demonstrou conforme a análise a presença de Dipolo do Atlântico (8 a
11 anos) e a atuação de Manchas Solares (11 anos) mesmo tendo pouca significância
estatística dentro do cone de influência, evidenciou escala dominante para a série de
acordo com a (Figura 14 c).

82

A série de temperatura também foi analisada por (GOMES e SILVA, 2019;
VILANE e SANCHES, 2013) que observaram sazonalidade, semestral e interanual
(ROCHA, 2018). Assim como escalas temporais de (1 a 2) anos ENOS e (1 a 8) anos
estão ligadas ao ENOS estendido. A relação de escala de (8 anos) com a ocorrência do
Dipolo do Atlântico, e a de (11) anos com o ciclo de manchas solares também foram
encontradas por Da Silva et al. (2013).
Ao acompanhar o registro do maior índice negativo, notou-se que ocorreu em
meados de 2002, em que a anomalia normalizada de temperatura em Maceió diminuiu
cerca de quase -4 graus em relação à média. Em Gomes e Silva (2018) também foi
identificado registo de temperatura diminuindo.

Figura 14 – (a) Índice de temperatura para Maceió (1991 a 2021) normalizado pelo
desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%
(a)
Índice de Temperatura
para Maceió

3
2
1
0

-1
-2
-3

1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021

-4

Anos

(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

83

A ondaleta analisada para a série de velocidade do vento (Figura 15 b) evidenciou
escala sazonal (0,25 anos), semestral (0,5 anos) e interanual (1 ano) de acordo com a
ondaleta nota-se, que por volta de 1994 a 1995, os fenômenos que atuaram nessa escala
causaram queda nos níveis de velocidade do vento no litoral de Maceió (Figura 15 a). A
análise também notou ENOS (de 1 a 2 anos) que também atuou de maneira moderada no
período citado e em 2003 a 2005, causando o mesmo efeito sob a velocidade do vento.
Ainda foi possível visualizar através do espectro da ondaleta o ENOS estendido com forte
sinal de 1997 a 2007 (2 a 8 anos) de acordo com os picos da velocidade do vento nesse
período (figura 15 a). Observou-se também a presença do Dipolo do Atlântico (8 a 11
anos) e Manchas Solares (11 anos) muito embora ambos respectivamente tenham se
posicionado fora do cone de influência, ou seja, sem significância estatística, ambos por
sua vez atuaram como escalas dominantes na análise de ondaletas para a velocidade média
do vento.
Resultados semelhantes de escalas e fenômenos atuantes foram encontrados em
trabalhos que utilizaram do método para determinar interferências meteorológicas em
determinado meio, sendo estes: presença de sazonalidade, (0,25 anos), escala semestral,
(0,5 anos) ocorrência de ENOS (entre 1 e 2 anos) bem como ENOS estendido (de 2 a 8
anos), manchas solares na escala de 11 anos, e Dipolo do Atlântico, na escala temporal
de (8 a 11 anos), DA SILVA et al. ( 2020).

84

Figura 15 – (a) Índice de velocidade do vento para Maceió (1991 a 2007) normalizado
pelo desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

1997

1996

1995

1994

1993

1992

4
3
2
1
0
-1
-2
-3
-4

1991

Índice de Velocidade média
do vento

(a)

Anos
(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

A análise da ondaleta para o nível de marés no litoral de Maceió (Figura 16 a)
demonstrou a ocorrência de sinais da escala sazonal, (0,25 anos), também notou-se a
escala semestral (0,5 anos), entre 2004 a 2006 estando com sinal mais forte durante os
anos de 2007 a 2017 conforme com a ondaleta (Figura 16 b). Também foi evidenciado
um fraco sinal de escala interanual (1 ano) no final da série em 2019, assim como a escala
de ENOS (1 a 2 anos) entre 2019 e 2018. A série também apresentou fraca ocorrência do
ENOS estendido (2 a 8 anos) entre o período de 2014 a 2019. A escalas do Dipolo do
Atlântico de (8 a 11 anos) e ciclo de Manchas solares (11 anos) coincidindo com o período
(em branco), influente de 2015 a 2019.

85

Conforme Da Silva (2017) ao utilizar a análise de ondaletas encontrou escalas de
sazonal a mais longas, sendo essas de (0,25 anos a 22 anos), tendo escalas de 4- 8 anos,
11 anos e 16 anos como as dominantes para a região Leste do Nordeste do Brasil.
Assim como em Rocha et al. (2022) que também evidenciaram escalas 4- 8 anos,
11 anos e 16 anos e até mais longínquas para a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco,
utilizando a análise de ondaletas para a identificação de sinais de influência de fenômenos
e sistemas meteorológicos por meio de variáveis climáticas.

Figura 16 – (a) Índice de nível de marés para Maceió (1991 a 2021) normalizado pelo
desvio padrão; (b) Espectro de energia (EPW) local para Precipitação. Contornos
amarelados correspondem a variâncias normalizadas significativas ao nível de 5%. A
curva em forma de U representa o cone de influência, sob a qual o efeito de borda é
importante e (c) Espectro de potência global (EPG), com o contorno tracejado indicando
que o EPG é significativo ao nível de confiança de 95%

2019

2018

2017

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

4
3
2
1
0
-1
-2
-3
-4

2003

Nível de Marés

(a)

Anos

(b)

(c)

Fonte: Autora, 2023.

86

4. 3

Avaliação da taxa de variação da linha de costa do litoral de Maceió
Conforme a Tabela 3 o litoral de Maceió foi dividido em 5 setores para melhor

efeito de análises, dessa forma, o setor 1 inicia do final do bairro Ipioca até o limite final
da faixa litorânea do município de Maceió, onde está situada a estação da CEMADEN,
assim como o setor 2 inicia no bairro Cruz das Almas. No caso dos demais setores como
o 3, 4 e 5 o critério para o recorte consistiu no melhor aspecto de distribuição espacial das
grandes praias de Maceió.
As análises tiveram a extração de 208 a 33 transectos que variaram por setor,
sendo estes contabilizados segundo a situação em que se encontrou o aspecto espacial das
praias do litoral de Maceió.
Ao analisar os resultados da Tabela 3 notou-se os valores das médias das taxas de
variação da linha de costa de todos os setores, esses valores correspondem a análise
multitemporal que levou em consideração uma distribuição de anos com início em 1991
a 2021 dando coerência as séries mais antigas empregadas na maioria das análises
climatológicas.
Os resultados referem-se as taxas e as imagens que originaram a representação da
situação da linha de costa do litoral de Maceió, utilizando a ferramenta CASSIE, esses se
relacionam com os resultados das análises dos dados meteorológicos. O comportamento
das tendências encontradas pode demonstrar que a variabilidade climática vem
desencadeando o quadro de comportamento do recuo da linha costeira de Maceió, ou seja,
o surgimento de erosão e progradação praial. Com o auxílio das ondaletas pode-se
identificar e avaliar a interação e a intensidade dos fenômenos meteorológicos que
resultaram em tal variabilidade no período submetido a análise.

87

Tabela 3 – Setorização e distribuição espacial das taxas de recuo no litoral de Maceió
Setores e divisões

Setor 1- Bairro
Ipioca até Cruz
das Almas

Setor 2- Bairro
Cruz das Almas

Setor 3- Região da
praia Pajuçara

Setor 4- Região
Ponta da Barra

Setor 5- Laguna
Mundaú
(1)

Total de
transectos

208

41

33

184

172

Classificação do
Total de
status da área
status
Criticamente Erodida
1

TVE (1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

NSM (5)

EPR (6)

-0,0028

0,7227

-10,338

432,043

-336,02

-11,552

-Erodida

8

-0,0017

0,3055

-0,6307

534,2971

-187,6111

-3,0600

-Acrescida

157

0,0039

0,3221

11,5438

1037,3340

88,2167

0,8569

- Estável

42

0,0001

0,0533

0,0530

672,2016

-104,0006

-3,1277

Erodida

1

-0,0015

0,1113

-0,5432

639,6120

-193,1760

-0,6572

-Acrescida

4

0,0020

0,1023

0,7230

976,6975

251,3455

8,2884

- Estável

36

0,0000

0,0455

0,0012

765,2753

62,4536

0,5391

Criticamente Erodida

1

-0,0057

0,0719

-20,6830

2472,0800

-1752,2030

-59,6100

-Acrescida

17

0,0052

0,1664

17,7235

2827,6092

295,9545

8,1481

- Estável

15

0,0004

0,0538

0,1389

446,7340

2,0387

0,0069

Criticamente Erodida

11

-0,0132

0,3650

-48,0258

2437,3745

-345,8255

-45,1893

-Erodida

16

-0,0020

0,2992

-0,7159

762,4174

-211,2550

-3,2789

-Acrescida

49

0,0028

0,1097

6,1437

982,9727

-227,2786

-5,6771

- Estável

0,0002

0,0159

0,0597

789,9017

-422,5684

-13,1333

Criticamente Erodida

29
32

-0,0095

0,1411

-34,6837

3793,7826

-638,6858

-22,6680

-Erodida

9

-0,0018

0,0428

-0,6735

2797,8111

-724,3113

-24,1042

-Acrescida

44

0,0050

0,2760

17,4112

2110,2570

530,7042

17,1154

0,0001

0,0294

0,0230

2438,0168

129,9972

4,4679

- Estável

37

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; (2) r = Coeficiente de correlação; (3) LRR =Taxa de regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM =
Movimento da linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

88

Conforme a análise realizada (Figura 17) a área do setor 1 evidencia a região
litorânea que inicia no bairro Ipioca,e finaliza de encontro ao bairro de Cruz das Almas.
O setor 1 por sua vez retrata um total de 208 transectos, representado pela cor rosa a
direita e projetado com todos os transectos extraídos. Foram encontrados dois tipos de
processos erosivos de acordo com a classificação do próprio CASSIE, áreas foram
classificadas como criticamente erodidas no qual o processo de erosão evoluiu ao ponto
de a paisagem estar fisicamente prejudicada, já a área erodida demonstra a área em
processo de erosão evidente, no entanto não tão evoluído como no primeiro caso.
Contudo, Garcia et al. (2022) salienta que o avanço da erosão costeira desencadeia
grandes prejuízos em virtude da invasão da água do mar sobre a infraestrutura urbana.
A área acrescida apresenta a constante transgressão de seu ponto inicial
avançando ao longo dos anos e de acordo com fatores que contribuem para tal. Dentre os
processos o encontrados notam-se áreas estáveis com alterações físicas quase
imperceptíveis e que estão fora de vulnerabilidade ou riscos. Dessa forma, o setor 1
demonstrou em sua maioria trechos acrescidos na linha de costa.

Figura 17 – Setor 1 com todos transectos e processos encontrados por meio da
ferramenta CASSIE

Fonte: Autora, 2023.

89

Em relação aos resultados médios correspondentes ao método LRR, que considera
todos os dados da série temporal, e que por sua vez compreende que a taxa equivalente a
inclinação da reta da regressão, gerou os valores de tendência para todos os pontos
analisados em cada status no setor. Ao longo da série temporal analisada a área
criticamente erodida teve um recuo ou variação de cerca de -10,3380 m/ ano e a erodida
-0,6307 m/ano, a área acrescida demonstrou em sua taxa de variação 0,0039 m/ano e a
estável de 0,0001 m/ano. Para fácil interpretação dos resultados tem-se que os valores
negativos correspondem aos recuos em direção a costa classificados como erosões, e até
mesmo erosões em um nível mais severo, e os valores com sinal positivo implicam nos
avanços em direção ao mar originando o assoreamento (MARINO e FREIRE, 2013;
GARCIA et al., 2022).
Os valores adquiridos expressaram de certo a evolução do quadro erosivo no
litoral de Maceió, com base em todos os transectos extraídos ano após ano. O método
EPR foi calculado através da distância dos movimentos da linha costeira mais antiga 1991
e a mais recente 2021. Por meio do EPR os resultados médios para área criticamente
erodida teve recuo de -11,5520 m/ano, a erodida -3,0600 m/ano, e acrescida 0,8569
m/ano, indicando a evolução do processo de acréscimo da praia ao longo da série, de
acordo com Araujo et al. (2009). Em relação as áreas estáveis sua média foi de -3,1277
m/ano. Se forem comparados ambos os métodos a taxa de variação pelo EPR demonstrou
resultados mais altos em relação ao LRR.
Conforme Santos et al. (2020) também evidenciaram as mesmas características de
diferenças de valores médios entre os métodos LRR e EPR em uma análise pra trechos
de linhas de costa em Sergipe ao utilizar a ferramenta CASSIE.
As taxas de vulnerabilidade espacial encontradas no setor 1 do litoral de Maceió
foram baseadas na média para cada tipo de processo extraído dos transectos que
compuseram o setor. A média da área criticamente erodida apresentou uma taxa de
vulnerabilidade espacial negativa de -0,0028 m/ano, Mazzer e Dillenburg (2009)
acreditam que se tratando de séries a longo prazo essa relação negativa indica taxa de
vulnerabilidade espacial erosiva. Assim como a erodida -0,0017 m/ano, já a área acrescida
apresentou uma taxa positiva de 0,0039 m/ano, em sua variação (Figura 17).
Mesmo o setor 1 se tratando de uma área bastante ampla comparada aos demais
setores por vir, este possui poucos trechos com denominação estável, e apresentou taxa
de vulnerabilidade espacial positiva de 0,0001 m/ ano, valor relativamente baixo, isso

90

indica que as áreas estáveis ao longo da série temporal analisada obtiveram alterações
físicas praticamente imperceptíveis.
O SCE que é a distância (em metros) entre a linha de costa mais distante e mais
próxima da linha de base em cada transecto, corresponde aos valores médios do total da
variação ocorrida de 1991 a 2021, em função da linha de base traçada no processo inicial
de extração dos resultados, os valores estão expressos de forma a demonstrar tal distância
percorrida (Tabela 4). Com base no NSM distância (em metros) entre as linhas costeiras
mais antigas e mais novas para cada transecto, percebeu-se que existe a variação de
valores negativos vão de -336,0200 m/ano a -104,0006 de acordo com o status dos
transectos. Para Muehe e Klumb-Oliveira (2014) a variabilidade morfodinâmica pode
estar relacionada com a variação da sua largura na ordem de dezenas de metros.
Percebeu-se que o coeficiente de correlação da linha de costa mais antiga e a mais
recente apresentaram alta e moderada correlação nas áreas criticamente erodidas,
erodidas e acrescidas, exceto as áreas estáveis com ausência de correlação (Tabela 4).

Tabela 4 – Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 1 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros
Status dos
transectos
Criticamente
Erodida

-0,0028

0,7227 -10,3380

432,0430 -336,0200 -11,5520

Erodida

-0,0017

0,3055

-0,6307

534,2971 -187,6111

Acrescida

0,0039

0,3221

11,5438 1037,3340

Estável

0,0001

0,0533

0,0530

TVE(1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

NSM (5)

EPR (6)

-3,0600

88,2167

0,8569

672,2016 -104,0006

-3,1277

(1)

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; (2) r = Coeficiente de correlação; (3) LRR =Taxa de
regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM = Movimento da
linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

Avaliando a situação em alguns trechos específicos dentro do setor 1 (Figura 18)
notou-se a identificação de áreas com recuo, como no caso do trecho A, este representado
por uma extensa área em processo de acréscimo da praia, indicativo do processo constante
do movimento transcorrido na linha de costa ao longo dos anos que originou a linha de
costa de 2021. Ao analisar divisões de trechos da linha costeira de ambientes litorâneos

91

no Ceará, Farias e Maia (2010) no tocante das análises identificaram o recuo da praia e
descobriram processos erosivos também classificados como críticos. No trecho B foi
observado uma distribuição de pontos estáveis, erodidos e acrescidos, conforme a linha
de costa de 1991 foi transgredida pela de 2021, mostrando assim o nítido avanço da linha
de costa. No caso do trecho C tem-se área erodida e criticamente erodida, as linhas
afastadas demonstraram ainda mais a evolução do quadro crítico, isso devido a linha de
costa de 2021 avançar expressivamente para mais perto da costa indicando que processos
mais intensos atuaram para corroborar para essa evolução.

Figura 18 – Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 1

Fonte: Autora, 2023.

Os setores 2 e 3 (Figura 19) representam setores importantes para o litoral de
Maceió, cada um com 40 e 47 transectos respectivamente, os dois setores possuem áreas
criticamente erodidas, erodidas, acrescidas e estáveis. Ambos os setores estão próximos
da estação meteorológica no bairro Cruz das Almas. O setor 2 possui a maioria de seus
transectos estáveis, em contra partida, existem trechos em acréscimo na praia, e a

92

detecção de um transecto com classificação de área erodida. O setor 3 evidenciou a
maioria de seus trechos como áreas acrescidas, revelando suscetibilidade ao quadro
evolutivo de sua progradação, também apresentou área criticamente erodida. Segundo
Baía et al. (2021) ao analisarem a taxa de variação em praias estuarinas de macromaré na
Amazônia oriental também identificaram em muitos trechos a presença de áreas
acrescidas.

Figura 19 – Setor 2 e 3 com todos transectos e processos encontrados por meio da
ferramenta CASSIE

Fonte: Autora, 2023.

Os valores médios para LRR (Tabela 5) a área erodida demonstraram recuo de 0,5432 m/ano, para a acrescida 0,7230 m/ano ao observar esse movimento da linha de
costa notou-se que o litoral vem gradativamente desenvolvendo seu acréscimo,
possivelmente pelas influências constantes da elevação do nível do mar e/ou das variáveis
meteorológicas, indicado assim a constante modificação das praias do litoral de Maceió.

93

Para Santos e Bonetti (2018) tal acréscimo está ligado ao clima de ondas que
promovem o processo de transporte sedimentar constante. A área estável teve 0,0012
m/ano, quase nenhuma alteração. O método EPR teve valores para a área erodida de 0,6572 m/ano, acrescida 8,2884 m/ano e estável com 0,5391 m/ano. Ao comparar os dois
métodos notou-se valores mais elevados em EPR.
No setor 2 os valores médios observados da taxa de vulnerabilidade espacial
(Tabela 4) em áreas erodidas foram -0,0015m/ ano, acrescida de 0,0020 m/ano, isso
indicou que a cada ano, esse setor sofreu com o desenvolvimento do quadro erosivo
nessas áreas. Nesse contexto Moreira et al. (2020) ressaltam que as mudanças das linhas
de costas indicam por meio das taxas, os impactos costeiros, como é o caso dos processos
erosivos. Uma diversidade de fatores pode influenciar na dinâmica de regiões litorâneas,
como as ondas (dominantes e tempestade), as marés incluindo atividades de cunho
antrópico. Os valores médios para a área estável tiveram uma a taxa de 0,0000 m/ano, ou
seja, não sofreu nenhuma mudança estatisticamente pontual em seu meio.
O SCE demonstrou distância entre a linha de costa mais distante e a mais próxima
da linha de base de cada transecto com valores médios entre 976,6975 m/ano a 639,6120
m/ano (Tabela 5). Pelo NSM a distância entre as linhas costeiras de 1991 e 2021 para
cada transecto, foram entre 251,3455m/ano a -193,1760 m/ano de acordo com o status
dos transectos (Tabela 5).
Segundo Spanghero et al. (2018) um fator a ser levado em consideração como
agente agravante para a erosão costeira são as influências geradas pelas atividades
humanas no balanço sedimentar, um exemplo dessas interferências seriam a
desembocadura fluvial, que com modificações ao longo do seu curso tende a alterar a
morfodinâmica costeira.
Considerando as duas linhas de costa da série histórica, notou-se que os
coeficientes de correlação de cada status demonstraram em todos os status ausência de
correlação com seus valores muito baixos, mesmo que tenham sido positivos (Tabela 5).
Para Santos et al. (2021) a dinâmica em ambientes costeiros ao longo de 3 décadas
permite analisar e detectar como ocorre o comportamento hegemônico de acresção,
quando se considera toda a série temporal.

94

Tabela 5 – Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 2 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros
Status dos
transectos

TVE (1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

NSM (5)

EPR (6)

Erodida

-0,0015

0,1113

-0,5432

639,6120

-193,1760

-0,6572

Acrescida

0,0020

0,1023

0,7230

976,6975

251,3455

8,2884

Estável

0,0000

0,0455

0,0012

765,2753

62,4536

0,5391

(1)

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; (2) r = Coeficiente de correlação; (3) LRR =Taxa de
regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM = Movimento da
linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

O trecho A em evidência (Figura 20) corresponde a área erodida em que a linha
de costa de 1991, que está mais próxima do mar e a linha mais jovem está mais próxima
da praia, possui em seu meio o movimento de transgressão de uma linha para outra, neste
trecho houve a detecção da erosão. No trecho B a linha de costa de 1991 comportada
próxima da mais recente evidenciou a progradação, ou seja, o desenvolvimento do
acréscimo da praia conforme os anos se passaram. Em C pode-se observar o início do
setor com um transecto estável e entre ele há uma área em acrescimento. Isso evidenciou
que a variação de cada setor se baseia no estado da linha costeira mais recente em função
da mais antiga.
De acordo com Almeida (2021) ao realizar uma análise para uma série de 20 anos
também identificou a ocorrência de movimentos de linha de costa semelhantes para a
região litorânea do Delta do Rio Paraíba do Sul, resultando em acréscimos e erosões nas
praias.

95

Figura 20 – Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 2

Fonte: Autora, 2023.

Ao analisar os processos encontrados no setor 3 em um total de 74 transectos
(Figura 20), foi notória a presença de áreas criticamente erodidas, e áreas erodidas bem
próximas, no entanto, o setor salientou a predominância de áreas acrescidas, que coloca
o setor em situação de alerta quanto aos riscos e aumento da vulnerabilidade. Negrão et
al. (2022) destacam que a ocorrência de eventos como tempestades, a presença de
instabilidades ocasionadas pelos ventos e ondas nas zonas costeiras ocorrem devido a
elevados índices de precipitação que impulsionam maiores descargas fluviais dos
estuários nas regiões litorâneas consequentemente influenciam na elevação dos níveis de
marés.
A média da taxa de variação do setor 3 a partir do LRR para a áreas em estado
criticamente erodidas foi de -20,6830 m/ano, acrescida 17,7235 m/ano e a estável 0,1389
m/ano (Figura 20). No caso do EPR os valores médios para a criticamente erodida foram
-59,6100 m/ano, para acrescida 8,1481 m/ano e estável 0,0069 m/ano. A diferença da taxa

96

de variação para a área estável se mostrou mais elevada pelo método LRR do que pelo
EPR.
Acerca dos resultados, Novak e Lamour (2021) acreditam que as linhas de costa
em avanço ou em equilíbrio sugerem que a praia não é afetada com os efeitos da erosão
costeira, em contrapartida as linhas de costa que realizam o recuo demonstram que o
estoque sedimentar está em deficiência e a erosão já se encontra em estado crítico, pondo
em risco o ambiente costeiro seja público e/ou privado.
O setor 3 apresentou taxa de vulnerabilidade espacial negativa para áreas
criticamente erodidas de -0,0057 m/ano, Franco (2021) associa tais resultados a
indicadores de vulnerabilidade. As áreas acrescidas tiveram aumentos de 0,0052 m/ano,
a área estável obtida foi cerca de 0,0004 m/ano, quase inalterado (Tabela 6).
O SCE evidenciou distância entre a linha de costa mais distante e mais próxima
da linha de base de cada transecto, com valores médios entre 2827,6092 m/ano a 446,7340
m/ano demonstrando a distância percorrida (Tabela 6). Pelo NSM a distância entre as
linhas costeiras de 1991 e 2021 para cada transecto, foram entre -1752,2030 m/ano a
2,0387 m/ano de acordo com o status dos transectos (Tabela 6).
Segundo Santos et al. (2021) o recuo nas praias oceânicas tem relação direta com
o balanço sedimentar, este que por sua vez resulta no desenvolvimento da acresção por
meio da barlamar, sentido de onde vem as correntes e os sedimentos, o déficit de
sedimentos através da sotamar direção para onde vão os sedimentos ou alterações com
base na intensidade do transporte dos sedimentos.
Quanto a correlação das linhas de costa de 1991 e 2021 foram obtidos os valores
médios que expressaram ausência de correlação, sendo relativamente muito baixos
(Tabela 6).

97

Tabela 6 – Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 3 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros
Status dos
transectos
Criticamente
Erodida

TVE (1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

-0,0057

0,0719

-20,6830

2472,0800

-1752,2030 -59,6100

Acrescida

0,0052

0,1664

17,7235

2827,6092

295,9545

8,1481

Estável

0,0004

0,0538

0,1389

446,7340

2,0387

0,0069

NSM (5)

EPR (6)

(1)

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; (2) r = Coeficiente de correlação; (3) LRR =Taxa de
regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM = Movimento da
linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

Na análise dos processos encontrados com ênfase em alguns trechos específicos
(Figura 21) demonstrou que no trecho A, o status de acréscimo revelou a transgressão da
linha de costa mais jovem em uma distância significativa da mais antiga, corroborando
para o processo de progradação nesse ponto da praia. Nesse sentido Matos et al. (2022)
endossaram que a variabilidade espacial e temporal das linhas de costa, local estão ligadas
à heterogeneidade dos aspectos geomorfológicos e sedimentológicos costeiros que
possuem uma conexão com à diversidade de ações antropogênicas que originam
alterações com grande relevância na morfologia da orla.
No trecho B teve-se a mesma situação do trecho A, foi evidente a transgressão
nesse trecho, a maioria dos processos encontrados neste setor foi de acréscimo. No trecho
C a ocorrência de área criticamente erodida, exibiu a linha de costa de 2021 estando mais
próxima da praia, e a de 1991 de encontro ao mar, tornando perceptível o afastamento das
duas, indicando as alterações sofridas ao longo dos anos.

98

Figura 21 – Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 3

Fonte: Autora, 2023.

A partir dos resultados encontrados no setor 4 com 184 transectos (Figura 22)
percebeu-se a ocorrência de áreas em processos caracterizados como criticamente
erodida, erodida, acrescida e estável. A área crítica em alguns trechos demonstrou
vulnerabilidade, podendo gerar riscos à área costeira do litoral naquele ponto, assim como
a já erodida. Para Lopes et al. (2021) o quadro erosivo ocorre por meio da dinâmica
intensiva do transporte de sedimentos promovido pela ação massiva das ondas. Em
relação ao quadro de área em acréscimo de praia, que também apresentou um longo trecho
neste setor, entende-se que existe um quadro de vulnerabilidade em desenvolvimento,
decorrentes dos processos erosivos severos encontrados no setor 4.
Na escala interanual/sazonal, a dinâmica da linha de costa pode ser influenciada
por dois fatores: a mobilidade associada à morfidinâmica de praia e a ocorrência de
eventos de tempestade. Nas escalas intersecular e interdecadal, também conhecida como
escala histórica, as alterações da linha de costa tendem a ser reflexos dos processos que
ocorrem na escala de eventos, podendo também responder a mecanismos associados à

99

escala geológica, configurando-se como uma escala de interseção entre elas (STIVE et
al., 2002; ROCHA et al., 2021).

Figura 22 – Setor 4 com todos transectos e processos encontrados por meio da
ferramenta CASSIE

Fonte: Autora, 2023.

Os valores médios do setor 4 (Figura 22), por meio do método LRR (Tabela 7),
revelaram que a taxa de variação da linha de costa para situações com áreas criticamente
erodidas tiveram recuo de -48,0258 m/ano, para as áreas erodidas -0,7159 m/ano, a
acrescida 6,1437 m/ano, o aumento desse quadro leva a crer que essas áreas em constante
mudança podem evoluir para os processos severos notados em alguns trechos. Nas áreas
estáveis neste setor o valor médio foi de 0,0159 m/ano. Quanto ao método EPR os valores
médios evidenciaram -45,1893 m/ano para criticamente erodida, já a erodida de -3,2789
m/ano, a área acrescida com -5,6771 m/ano a área estável teve -13,1333 m/ano. Os valores
de área erodida e estável apresentaram médias mais altas no EPR do que no LRR, o que
normalmente não ocorreu em alguns dos outros setores analisados (Tabela 7).

100

Conforme apontado por Vianna et al. (2022) o aumento das áreas erodidas nos
litorais ocorre quando a ressaca (elevação incomum do nível do mar) acomete a costas
acarretando em ondas acima da média na região atingida, a inundação provocada por esse
fenômeno gera a erosão e agrava a situação de vulnerabilidade dependendo das
localidades. Esse processo tem como agentes contribuidores a atuação de sistemas
atmosféricos de baixa pressão no oceano com a presença de ventos de intensas
magnitudes acompanhados de fortes tempestades.
Considerando os valores médios de taxa de vulnerabilidade espacial para os status
dos transectos (Tabela 7) foi obtida uma taxa negativa de -0,0132 m/ano para as áreas
criticamente erodidas, nos casos de áreas erodidas o valor também exibiu taxa de
vulnerabilidade espacial negativa de -0,0020 m/ano, enquanto que para as acrescidas o
valor foi positivo de 0,0028 m/ano, as áreas estáveis 0,0002 m/ano. Valores semelhantes
foram encontrados por Estevam et al. (2021) para setores com status críticos, erodidos,
acrescidos e estáveis.
De acordo com Matos et al. (2021) as tendências das mudanças das linhas de
costas, são influenciadas pelas condicionantes naturais (oceânicas e climáticas) e
antropogênicas, que compreendem as modificações da orla marítima, que por sua vez
podem desenvolver resultados diferentes com base no estado que se encontram.
Ao avaliar o SCE notou-se a distância entre a linha de costa mais distante e mais
próxima da linha de base de cada transecto com valores médios entre 2437,3745 m/ano a
762,4174 m/ano (Tabela 7). Por meio do NSM a distância entre as linhas costeiras de
1991 e 2021 para cada transecto, foram entre -422,5684 m/ano a -211,2550 m/ano de
acordo com o status dos transectos (tabela 6). Os métodos também foram utilizados por
Fernandes (2021) visando aferir a taxa de mobilidade nas zonas costeiras entre barra de
Maxaranguape e Ponta Gorda, Litoral Oriental do Rio Grande do Norte em um curto
período de avaliação.
Quanto ao coeficiente de correlação, (Tabela 7) os resultados relacionados as
linhas de costa de 1991 e 2021 apresentaram médias para as áreas criticamente erodidas
com presença de correlação positiva de fraca a moderada (0,36), as áreas erodidas
ausência de correlação, assim como as áreas acrescidas e estáveis.

101

Tabela 7 – Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 4 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros
Status dos
transectos
Criticamente
Erodida

TVE (1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

NSM (5)

-0,0132

0,3650

-48,0258

2437,3745

-345,8255 -45,1893

Erodida

-0,0020

0,2992

-0,7159

762,4174

-211,2550

-3,2789

Acrescida

0,0028

0,1097

6,1437

982,9727

-227,2786

-5,6771

Estável

0,0002

0,0159

0,0597

789,9017

-422,5684 -13,1333

EPR (6)

(1)

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; (2) r = Coeficiente de correlação; (3) LRR =Taxa de
regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM = Movimento da
linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

De acordo como foi evidenciado no trecho A (Figura 23) o setor 4 demonstrou em
seu entorno a junção de diversos processos, sejam de erosão ou de acréscimo, o que foi
notado a partir do atual posicionamento da linha de costa mais recente, no caso a de 2021,
essa linha se estende frente ao mar pairando em uma superfície de areia, onde observa-se
evidências de erosão critica se misturando com áreas acrescidas na superfície costeira.
No trecho B uma extensão de área acrescida pode ser observada, ao acompanhar o
afastamento da linha de costa de 1991 e comparar com a de 2021, percebeu-se nitidamente
esse crescimento. Já no trecho C, por se tratar de uma área portuária foram evidenciadas
áreas erodidas, isso devido a pouca faixa de linha costeira demarcada, porém mesmo
assim houve a detecção de 4 transectos com status de área erodida.
Ao analisar trechos distintos da linha costeira de Beberibe, no estado do Ceará,
para uma série temporal considerável, Teixeira et al. (2021) detectaram resultados
semelhantes aos encontrados para os trechos A, B e C no setor 5.
Levando em consideração a série temporal analisada e a frequência dos eventos
climáticos submetidos à zonas costeiras, deve-se aplicar ações atenuantes, visto que a área
agravada só tende a se desenvolver à medida que os anos vão se passando. A preocupação
mediante as modificações provindas das mudanças climáticas norteiam cenários que
impactarão diretamente no desenvolvimento dos processos erosivos.
Frente ao atual cenário de mudanças climáticas, com o aumento do nível relativo
do mar e maior frequência de eventos climáticos extremos, a dinâmica costeira vem

102

sofrendo alterações ao redor do planeta, principalmente na movimentação e balanço dos
sedimentos, ou relação entre erosão e deposição nas linhas de costa. A erosão costeira
aparece como uma questão de alta relevância em virtude da ocupação antrópica que
aconteceu, no decorrer dos séculos, na orla marítima sobre sistemas geomorfológicos
como campos de dunas, praias arenosas, estuários e deltas (WEINER et al., 2021).

Figura 23 – Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 4

Fonte: Autora, 2023.

De acordo com o setor 5 que trata-se da área da laguna (Figura 24) e exibiu
diversos trechos com áreas criticamente erodidas, erodidas, acrescidas bem como
estáveis, essa configuração foi extraída de um total de 172 transectos, tendo sido
identificados os processos pela análise somente em 122 deles. Mesmo não apresentando
linha costeira, a área de laguna também é caracterizada como parte litorânea. O setor 5
foi um dos setores que mais apresentou transectos com estabilidade, ou seja, áreas com
pouco desenvolvimento de processos erosivos ou mudança nítida em seu meio.

103

Segundo Luz et al. (2020) problemas ligados a erosão na área da Laguna de
Mundaú do litoral de Maceió, já foram destacados, isso devido a única entrada oceânica
que muda de posição dinamicamente, resultando assim em modificações na sua estrutura
compartimentaria.

Figura 24 – Setor 5 com todos transectos e processos encontrados por meio da
ferramenta CASSIE

Fonte: Autora, 2023.

Considerando os valores médios da taxa de variação pelo método LRR (Tabela
8), teve-se que a área criticamente erodida alcançou um recuo de -34,6837 m/ano e a
erodida obteve 0,6936 m/ano, ao analisar as áreas acrescidas notou-se o valor de 17,4112
m/ano, no caso das estáveis 0,0230 m/ano. Quanto ao método EPR os valores para a
criticamente erodida chegaram a -22,6680 m/ano inferior ao LRR, porém a área erodida
teve -27,0067 m/ano, bastante superior em comparação ao método anterior. A área
acrescida foi 17,1154 m/ano, esta por sua vez se manteve equiparada, a estável com
4,4679 m/ano (Tabela 8). De acordo com Moreira et al. (2020) a proximidade de valores

104

de taxas de recuo dos dois métodos se deve ao fato de o processo erosivo observado ao
longo do setor ter ocorrido de forma homogênea.
Tendo como base a média dos valores de taxa de vulnerabilidade espacial do setor
5, que apresentou áreas criticamente erodidas com taxa de vulnerabilidade espacial
negativa -0,0095 m/ano, no caso das áreas erodidas a taxa também foi negativa -0,0019
m/ano, já para as acrescidas foi 0,0050 m/ano, notou-se que a área de laguna com presença
de vegetação no entorno da laguna não sofreu tanta progradação quanto as áreas de praia,
nos outros setores demonstraram valores em constante mudança e variação. A área estável
apresentou 0,0001 m/ano, valor que corrobora para a estabilidade da área extraída,
determinando assim a quase imperceptível alteração em seu meio.
Acerca dos resultados, Toldo Jr. et al. (2003) e Lemke et al. (2021) salientam que
regiões costeiras de lagunas sofrem influência do transporte longitudinal, isso indica que
quando ocorre a erosão os sedimentos são transportados para o corpo da laguna enquanto
que ao longo da margem oeste os sedimentos normalmente são movimentados rumo à
linha costeira, a deriva litorânea é majoritariamente em direção ao norte na margem leste,
e para o sul na margem oeste.
Ao analisar o SCE obteve-se a distância entre a linha de costa mais distante e mais
próxima da linha de base de cada transecto, valores médios que variaram entre 3793,7825
m/ano, a 2110,2570 m/ano, (Tabela 8). De acordo com o NSM a distância entre as linhas
costeiras de 1991 e 2021 para cada transecto, foram entre -786,0358 m/ano a 129,9972
m/ano, de acordo com o status dos transectos (Tabela 8).
Conforme Weiner (2021) as análises de SCE e NSM se mostram como grande
auxílio para entendimento das modificações com base nas linhas de costas antigas e
recentes, elas avançam para o continente induzidos pelos processos erosivos
acompanhadas de deposição sedimentar restrita ao pós-praia, sobretudo nos transectos
posicionados mais próximos a desembocadura de áreas de lagoas, em sua análise foi
possível confirmar o aporte fluvial na dinâmica costeira ocorrida no setor estudado por
ele.
O coeficiente de correlação das linhas de costas de 1991 e 2021 em ambos os
status, apresentaram ausência de correlação (< 0,3), conforme os seus resultados médios
(Tabela 8).

105

Tabela 8 – Médias dos valores da variação da linha de costa no setor 5 obtidos por meio
do método da taxa do ponto de terminação (EPR) e taxa de regressão linear (LRR) em
metros
Status dos
transectos
Criticamente
Erodida
Erodida

TVE (1)

r

(2)

LRR (3)

SCE (4)

NSM (5)

EPR (6)

-0,0095

0,1411

-34,6837

3793,7826

-638,6858

-22,6680

0,0428

-0,6735

2797,8111

-724,3113

-24,1042

-0,0018

Acrescida

0,0050

0,2760

17,4112

2110,2570

530,7042

17,1154

Estável

0,0001

0,0294

0,0230

2438,0168

129,9972

4,4679

(1)

(2)

(3)

TVE = Taxa de Variabilidade Espacial; r = Coeficiente de correlação; LRR =Taxa de
regressão linear; (4) SCE = Envelope de mudança da linha costeira; (5) NSM = Movimento da
linha de costa; (6) EPR = taxa do ponto de terminação.
Fonte: Autora, 2023.

Observa-se que no setor 5 (Figura 25) o trecho A é composto por transectos com
áreas estáveis, estes por sua vez estão situados na área da lagoa, os transectos deste trecho
não apresentaram quaisquer valores relacionados a alguma alteração. Em B percebeu-se
que muitos transectos apresentaram área criticamente erodida, mesmo que na laguna não
tenham sido detectadas linhas de costas nem antiga ou recente. De acordo com a análise
desse trecho fica claro que não só a área de praia apresenta evidências de erosão, como
serviu também para detecção de processos ligados a erosões ou vulnerabilidade em áreas
componentes de regiões costeiras, como é o caso da Laguna Mundaú situada na região
litorânea de Maceió.
No trecho C (Figura 25) foi observado também mais pontos em de erosão e erosão
de classificação crítica. Isso revela os riscos que não só a área de praia está sujeita, mas
também áreas adjacentes como lagoas com ligação litorânea.
Em Scudelari et al. (2020) processos erosivos impulsionaram o quadro de
vulnerabilidade na embocadura lagunar na Lagoa de Guaraíras no Estado do Rio Grande
do Norte, ao longo dos anos também foi observado processos severos de erosão, à
margem à direita da embocadura apresentou uma maior dinâmica com períodos erosivos,
deposicionais e um pouco de estabilidade comparado a outra margem.
No caso da Laguna de Mundaú assim como a presença de recuos também foi
notada a evidencia de áreas com estabilidade em boa parte da região observada.

106

Com a presença de cobertura vegetacional há menor susceptibilidade do solo à
erosão, enquanto na variável uso e cobertura do solo estão refletidas as mudanças rápidas
ocorridas no contexto físico de dada região (AMARO et al., 2021).
A região da Laguna de Mundaú apresenta característica vegetativas, que podem
ser associadas a área com maior índice de estabilidade, salvaguardada pela cobertura
natural, e o distanciamento da dinâmica direta das correntes de marés mais intensas que
adentram a região da laguna no setor 5.

Figura 25 – Evolução da linha de costa em trechos vulneráveis do setor 5

Fonte: Autora, 2023.

Os processos erosivos encontrados em diversos pontos dos setores do litoral de
Maceió demonstraram que em áreas erodidas e criticamente erodidas, sofrem evolução
continua, tal prosseguimento se dá devido a influência de agentes modeladores, esses
agentes podem ser caracterizados pelas variáveis meteorológicas, como a precipitação,
temperatura, vento e nível de marés, abordadas na pesquisa. Conforme as análises
climatológicas, notou-se por meio das tendências de Mann Kendall o aumento ou a

107

redução de algumas dessas variáveis no litoral, durante o período de 1991 a 2021, assim
como o emprego das ondaletas que investigaram quais fenômenos e sistemas estavam
influenciando essas variáveis. As análises espaciais também correspondem ao mesmo
período a fim de examinar a influência da atuação desses agentes naturais na linha costeira
do litoral.

Tabela 9 – Variáveis meteorológicas e evolução dos processos erosivos no litoral de
Maceió
Local

Tendência
total
precipitação

Setor 1Bairro
Ipioca até
Cruz das
Almas)
Setor 2Bairro Cruz
das Almas
Setor 3Região da
praia
Pajuçara
Setor 4Região Ponta
da Barra
Setor 5Laguna
Mundaú

Tendência
total
temperatura
média

Tendência
total
velocidade
do vento

Tendência
total nível
de marés

-0,3131mm

0,9891 °C

-0,0123 m/s

1,2677 cm

-0,1668 mm

0,9891 °C

-0,0123 m/s

1,2677 cm

0,5546 mm

0,9891 °C

-0,0123 m/s

1,2677 cm

0,5546 mm

0,5546 mm

0,9891 °C

0,9891 °C

-0,0123 m/s

-0,0123 m/s

1,2677 cm

1,2677 cm

Status
da área

LRR *

Crítica

-10,338

Erodida

-0,630

Erodida

-0,6572

Crítica

-59,6100

Crítica

-45,1893

Erodida

-3,2789

Crítica

-22,6680

Erodida

-24,1042

LRR* =Taxa de regressão linear
Fonte: Autora, 2023.

Conforme pode ser observado (Tabela 9) um comparativo das tendências de Mann
Kendall com a análise de linha de costa em áreas com erosão e erosão crítica, foram
analisadas as médias utilizando os resultados de LRR, para investigar essa comparação.
O método LRR, baseia-se no cálculo de taxas de recuo da linha costeira por meio da
regressão linear simples, portanto, considera para isso inflexões já existentes ao longo da

108

linha de costa. Farias e Maia (2010) reiteram que o método utiliza de conceitos estatísticos
aceitados, considerando todos os transectos para a realização do cálculo. Dessa forma faz
com que a comparação dos valores de tendências para a série toda possam ser observadas,
para melhor entender como o comportamento das variáveis meteorológicas
acompanharam o deslocamento das taxas de recuo da linha de costa.
Diante dos resultados do comportamento das tendências (Tabela 9) foi observado
que a variável de precipitação do INMET apresentou aumento durante toda a série
analisada exceto a precipitação dos bairros litorâneos, que apresentaram tendência de
diminuição, neste caso sem significância estatística pelo teste T, já que a série possui um
período limitado. Outra variável que também teve o mesmo status foi a de velocidade
média do vento, no entanto, variáveis como temperatura e nível de marés demonstraram
aumento. Ao levar em consideração os setores com mais variáveis com tendência de
aumento e comparar com a taxa LRR, notou-se que os setores 3, 4 e 5 apresentaram altas
taxas, e as variáveis meteorológicas podem estar influenciando a evolução da erosão e
também seu agravamento. Principalmente pelo fato de as tendências terem demonstrado
o aumento em função da série toda, e a taxa de recuo expressar estatisticamente o
comportamento da linha de costa durante os anos aos quais essas variáveis foram
aumentando.
De acordo com as análises o setor que apresentou a maior média de LRR foi o 3,
em uma área com transecto de status de área criticamente erodida (Figura 26 a) com valor
de -59,6100 m/ano, isso implica dizer que a taxa de recuo da linha mais jovem se afastou
da linha mais antiga e foram se agravando ao longo dos anos, visto que ao ligar os fatores
que interferiram para tal podem ser notados nas figuras das tendências em que,
precipitação, temperatura, vento e nível de marés (Figura 26 a, b, c, d e f) que
demonstraram aumento, relacionando assim influência em seu quadro de evolução. Essa
influência também foi relacionada a erosão costeira por Krelling (2004) que enfatiza a
climatologia do local como fator determinante de erosões costeiras.
Para realização da análise multitemporal foram obtidas duas imagens dos satélites
Landsat 5 e 8 as quais datam os anos de 2002, período mais próximo do início da série,
e 2021 conforme proposto pela série em análise.
Nesse caso foram levados em consideração o movimento das linhas de
tendências no gráfico, em que percebeu-se que o deslocamento das linhas de costa que
ocorreram ao longo dos anos interagiram diretamente com o meio costeiro do litoral de
Maceió (Figura 26 a, b, c, d e f). Dessa forma, notou-se ainda a modificação da paisagem

109

entre uma imagem e outra, ao qual pode ser observada espacialmente como esse ponto
foi modelado por anos, e como a associação de agentes climáticos podem ter interferido
significativamente em sua dinâmica.
Variáveis meteorológicas exercem influência direta na estrutura física das praias,
a redução ou aumento das tendências, na região litorânea de Maceió possivelmente
promoveram o desenvolvimento dos riscos e agravamentos das áreas vulneráveis. O vento
é um agente modelador, e sua velocidade influencia na deposição e deslocamento dos
sedimentos, assim como a tendência de nível de maré, que por sua vez, evidenciou
aumento, demonstrando que o avanço do mar rente as praias exerceu forte participação
para alterações na estrutura do solo do litoral. O aumento da precipitação também
demonstrou que a chuva pode ter viabilizado o aumento dos riscos de erosão nos setores
analisados, principalmente no setor 3, tido como o mais atingido por processos de perda
de sedimentos. Em virtude do papel atuante de cada variável, pode-se visualizar como
cada uma delas auxiliou nos processos encontrados na zona costeira do litoral de Maceió.

110

Figura 26 – (a) Variação da linha de costa de 2002 a 2021 (b) Tendência de precipitação para Maceió 1991 a 2021 (c) Tendência de temperatura
1991 a 2021 (d) Tendência de velocidade do vento (f) Tendência de nível de marés

Figura 26 f – Tendência de nível de
marés para Maceió

Figura 26 d – Tendência de
velocidade do vento para Maceió

Figura 26 c – Tendência de
temperatura para Maceió

Fonte: Autora, 2023.

Figura 26 b – Tendência de
precipitação para Maceió

111

Conforme observa-se nas fotos da área do setor 1 (Figura 27) notou-se que esse
trecho possui obras de contenção, contudo, evidencia ainda degradação, nas proximidades
do calçadão, ainda pode-se visualizar o avanço eminente do mar nos trechos das duas
fotos acima, podendo ser caracterizadas como área bastante vulneráveis, e propicias ao
agravamento do processo erosivo, indicando que a contenção instalada não foi eficaz. Nas
fotos abaixo, o setor apresentou também trechos estáveis, demonstrando assim pouca
alteração em sua estrutura litorânea. Esse setor apresentou tendência de redução na
variável de precipitação, aumento de temperatura e redução do vento, contudo, o local
apresentou características de influência do nível de marés, que pode ter avançando,
degradando a estrutura do solo da praia, mesmo com as barreiras de contenção o avanço
provocou o desprendimento dos sedimentos. As imagens demonstram em alguns trechos
alta vulnerabilidade, apresentando riscos ambientais, que podem evoluir, se não
mitigadas, para um grau extremo de voçorocas.

Figura 27 – Imagens terrestres e aéreas do setor 1

Fonte: Autora, 2023.

112

Observa-se que as fotos correspondentes ao setor 2 demonstram pouca alteração
visual em suas praias, (Figura 28) percebeu-se que o setor 2 é um ambiente
frequentemente turístico, com construções e forte interação antrópica. Evidenciou-se por
meio das fotos provindas da visita in loco que as variáveis meteorológicas influenciaram
com menos intensidade os processos erosivos nesse setor se comparado com o setor 1. A
estrutura do solo das praias do setor 3 demonstrou mais estabilidade e pouco riscos em
relação a perda severa de sedimentação.

Figura 28 – Imagens terrestres e aéreas do setor 2

Fonte: Autora, 2023.

As fotos que correspondem ao setor 3 (Figura 29) demonstraram como as praias
do litoral tiveram sua linha de costa acrescida, assim como também trechos estáveis. O
setor 3 também evidenciou situações de erosão crítica na estrutura praial mais próxima
do mar. Levando em consideração a precipitação, vento e nível de marés, notou-se que
essas variáveis podem ter provocado o acrescimento em alguns trechos da praia, o nível

113

de maré, por sua vez, pode ter excedido, essa movimentação arrastando os sedimentos e
provocando a vulnerabilidade em trechos já fragilizados pela chuva e a movimentação
constante do vento nas praias. O nível de marés também expressou aumento conforme
notado pela tendência, o que também pode ter proporcionado riscos à erosão.

Figura 29 – Imagens terrestres e aéreas do setor 3

Fonte: Autora, 2023.

O resgitro do setor 4 (Figura 30) evidenciou trechos com áreas acresciscidas, ao
qual foi possivel observar conforme o avanço desses processos podem ter progredido para
processos erosivos mais aparentes. Notou-se ainda que existem obras de contenção para
atenuar os processos de degradação costeira, no entanto, o avanço do mar tende a
dificultar o desempenho das barreiras criadas como medida de metigação. As imagens do
local demonstram forte atuação do vento, visto que a movimentação e deslocamentos da
areia da areia pôde ser notada, assim como o nível de marés que também ultrapassaram
as barreiras instaladas em alguns trechos. No setor 4 percebeu-se que a atuação do vento
foi responsável por propicar o deslocamento da granulometria em alguns trechos, pois a
área é caracterizada pelo acréscimo da praia rente à vegetação gramínea. No trecho ainda

114

foi possivel observar que o aumento do nível de máres avançou sobre a barreira, outra
variavel que possivelmente pode estar associada à essa mudança de sedimentos é o
aumento da temperatura, que pode contribuir para o encrostamento da areia nos buracos
causados pelas erosões em algumas áreas afetadas pelas erosões.

Figura 30 – Imagens terrestres e aéreas do setor 4

Fonte: Autora, 2023.

As imagens in loco do setor 5 (Figura 31) demonstram o curso rio da Laguna
Mundaú de encontro com o Oceano Atlantico, notou-se por meio das fotos que trata-se
de um ambiente de alta intensidade dinâmica. Esse setor evidenciou bancos de areia que
se deslocam conforme a dinâmica natural do rio e oceano, a movimentação de sedimentos
é frequente. A presença de vegetação nas encostas da laguna promove ações atenuantes
sob os impactos ambientais, principalmente em relação a processos de erosão. Ao
visualizar as imagens observou-se que variavéis como precipitação, velocidade do vento
e niveis de marés podem ser agentes que influenciaram na modelação dessa área, e que
ainda continuam a alterar conforme a intensidade aos quais ocorrem.

115

Figura 31 – Imagens terrestres e aéreas do setor 5

Fonte: Autora, 2023

4.4 Avaliação e mitigação dos impactos ambientais
Conforme a Tabela 10, notou-se que ao analisar a situação do uso e ocupação do
litoral de Maceió, tem-se uma visão dos impactos ambientais que cada setor sofreu e vem
sofrendo, isto devido a não somente os processos antrópicos, mas também de fenômenos
naturais provenientes de agentes modeladores de ambientes costeiros como o mar, os
ventos e etc. Demostrou também recomendações de ações e medidas mitigatórias que
visam a manutenção e gestão do local afetado pelos processos erosivos e seu agravamento
local.

116

Nesse contexto, a aplicação de um plano de manejo torna-se uma das principais
demandas para os impactos encontrados nas regiões erodidas. Conforme sugerido por Da
Silva (2009) um plano de manejo com medidas mitigadoras implementado com iniciativa
pública e com auxílio da população, permite que ações de educação ambiental atinjam
resultados promissores, já que em parceria com a sociedade promovem a conservação de
ambientes naturais. Ainda destacando que atividades sustentáveis em zonas turísticas
merecem apoio e atenção da sociedade, poder público, e meio acadêmico, a fim de
favorecer ações que embasem soluções para problemas atuais e futuros nesses ambientes.
No que se refere a projetos de contenção e proteção contra o assoreamento
acarretado pelo mar, Maia et al. (2020) salienta a existência de alguns métodos que podem
ser empregados, tais métodos funcionariam para trechos mais afetados de zonas costeiras
com processos erosivos. A implantação de plantio de proteção, pode ser uma das soluções
já que a vegetação em alguns desses pontos pode absorver a energia que impacta
diretamente na estrutura da praia, tal dinâmica pode ser amenizada com uma cobertura
vegetal em alguns pontos de uma zona costeira.

117

Tabela 10 – Divisão do litoral de Maceió, uso da área, impactos ambientais e medidas mitigatórias
Setores e divisões
Setor

1-

Uso da área

Impactos ambientais

Medida mitigatórias

Bairro Vegetação, praias com amplo Ocorrência de deposição de Organização e planejamento do espaço biofísico,

Ipioca até Cruz espaço entre os manguezais sedimentos
das Almas

e

assoreamento urbano e turístico, manejo e educação ambiental.

com conjuntos residenciais e devido a erosão, e área com Projetos de manutenção das estruturas já instaladas,
comércios, lazer e atividade erosão mais severa, e acréscimo e construção de muros de proteção, diques, quebrade

pesca,

alta

antrópica.

atuação das praias na área da costa, com mares, gabiões, esporoões e outras técnicas de
modificação da paisagem, bem contenção e gerenciamento costeiro adequado para
como exposição de barreiras cada área vulnerável.
ineficientes.

Setor

2-

Bairro Vegetação, praias com amplo Ocorrência de deposição de Organização e planejamento do espaço biofísico,

Cruz das Almas

espaço entre os manguezais sedimentos

e

assoreamento urbano e turístico, manejo e educação ambiental.

com conjuntos residenciais e devido a erosão, e acréscimo Projetos como Construção de paredões, esporões e
comércios, lazer e atividade das praias na área da costa, com quebra de mares, e bem como o ordenamento do
de pesca, alta frequência de poucas
atividades antrópicas.

modificações

paisagem natural costeira.

da litoral, para que seja possível estabelecer faixa de
proteção destinada a absorver o recuo da linha de
costa/erosão costeira, deve considerar ainda a
avaliação de cenários de atuação em determinados
trechos costeiros, considerando a remoção ou o
recuo de construções na linha de costa versus a sua

118

proteção por meio do gerenciamento costeiros
adequados para cada área vulnerável.
Setor 3- Região da Vegetação, praias com amplo Ocorrência de deposição de Organização e planejamento do espaço biofísico,
praia Pajuçara

espaço entre os manguezais sedimentos

e

assoreamento urbano e turístico, manejo e educação ambiental.

com conjuntos residenciais e devido a área com erosão mais Projetos como Construção de paredões, esporões e
comércios, lazer e atividade severa, e acréscimo das praias quebra de marés, neste setor recomenda-se medidas
de pesca, o setor apresenta na
área

com

alta

área

da

costa,

frequência modificação da paisagem.

turística.

com que visem a necessidade baseadas no reordenamento
do litoral bem como estabelecer as

condições

naturais dos ecossistemas que que mitigam a erosão
costeira. Dessa forma recomenda-se a remoção de
construções na linha de costa, e posteriormente a
recuperação de dunas, isso pode evitar que a erosão
costeira se agrave em determinada região e
gerenciamento costeiros adequados para cada área
vulnerável

Setor 4- Região Vegetação, praias com amplo Ocorrência de deposição de Organização e planejamento do espaço biofísico,
Ponta da Barra

espaço entre os manguezais sedimentos

e

assoreamento urbano e turístico, manejo e educação ambiental.

com conjuntos residenciais e devido a erosão, e área com Implementação de o estruturas constituídas por
comércios, lazer e atividade erosão mais severa, e acréscimo blocos de rocha ou concreto armado, que visam
de pesca.

das praias na área da costa, refletir, direcionar ou dissipar a energia das ondas

119

barreiras

de

contenção que acometem a linha de costa. As estruturas devem

ineficazes,

estrutura

do ser paredões, esporões e quebra de mares, e

calçadão com danificações e gerenciamento costeiro adequado para cada área
modificação da paisagem neste vulnerável.
setor.
Setor 5- Laguna Área da Laguna com alta Ocorrência de deposição de Organização e planejamento do espaço biofísico,
Mundaú

dinâmica natural do mar, sedimentos

e

assoreamento urbano e turístico, manejo e educação ambiental.

presença de vegetação, com devido a erosão, e área com Realocação/ retirada de estruturas, Retirada de
interação direta com as praias erosão mais severa, e acréscimo pontos de drenagem da praia, Recuperação da
e amplo espaço entre os das praias na área da costa, com vegetação de pós-praia e Permacultura aplicada a
manguezais com conjuntos modificação

da

paisagem linha de costa - living shoreline techniques, bem

residenciais e comércios, lazer natural.

como a efetivação do gerenciamento costeiro

e atividade de pesca

adequado para cada área vulnerável.
.
Fonte: Autora, 2023.

120

Ao avaliar a situação de cada setor percebeu-se que cada um possui ocupações
semelhantes, assim como também diagnósticos do quadro erosivo, no entanto, cada setor
merece um estudo in loco de quais medidas mitigatórias devem ser aplicadas, cabe
ressaltar ainda que, o plano de manejo deve conter ações que visem o entendimento de
cada setor baseado em estudos e ferramentas que propiciem a efetividade e melhoria da
erosão costeira no litoral de Maceió.
Assim como enfatizam Silva Junior et al. (2020) ao realizarem o emprego de
alguma intervenção estrutural deve-se levar em consideração todos os fatores para seu
dimensionamento, assim como a viabilidade, sem esquecer das leis que regem os
ambientes e o tipo de projeto empregado. Para que assim, haja concordância com a
realização de estruturas que atendam a demanda atribuída a erosão em zonas costeiras.

121

5. CONCLUSÕES
Na análise notou-se a ocorrência de impactos erosivos sob a linha de costa do
litoral de Maceió, e esses impactos tiveram influência das variáveis meteorológicas, pois
notou-se que a precipitação, vento, temperatura e nível de marés provocaram ações na
estrutura das praias da zona costeira. Visto que as análises empregadas comprovaram as
modificações, em seu comportamento durante a série temporal de 1991 a 2021. Foi
verificado que em Maceió as tendências totais na série de; precipitação com aumento de
0,5546 mm, e diminuição nos bairros Cruz das Almas e Ipioca com 0,1668 mm, 0,3131
mm, respectivamente. O aumento da temperatura média foi de 0,9891 °C, para toda a
série, e diminuição as velocidade média do vento -0,0123 m/s, e nível de marés 1,2677
cm. Os resultados das tendências de Mann Kendall apresentam que o comportamento das
variáveis no decorrer dos anos pode estar associado com a dinâmica do meio físico no
litoral de Maceió conforme observado pela comparação multitemporal. Ao adotar a AO
foi verificada a influência dos fenômenos e sistemas meteorológicos que ocorreram no
litoral durante o período analisado e sobre as variáveis meteorológicas, identificando
assim a duração temporal e a intensidade em que ocorreu tal influência. Cabe destacar
que a AO notou influência do ENOS, ENOS estendido e Dipolo do Atlântico, assim como
escalas mais duradouras como a de 11 anos ligadas ao ciclo de Manchas solares, que
atuaram sob as variáveis antes destacadas.
Por meio da ferramenta de identificação de processos de posicionamento da linha
de costa CASSIE, foi possível verificar os processos erosivos encontrados no litoral de
Maceió. O emprego da ferramenta determinou a localização dos trechos os classificandoos e quantificando. A ferramenta permitiu diferenciar sua classificação conforme o seu
estágio, sendo esses, processos de erosão e progradação praial. Na região litorânea de
Maceió foram detectadas trechos classificados como áreas criticamente erodidas, onde
foram encontrados processos em situação de erosão extremamente severa, assim como
áreas erodidas, essas áreas referem-se aos processos de erosão em estágios não tão
avançadas, também foram identificadas áreas acrescidas, essas áreas correspondem ao
crescimento da área da praia, contudo, também foram observadas áreas estáveis, ou seja,
áreas com pouquíssimas alterações em relação a mudança de sedimentos da praia. As
principais taxas para a classificação em relação ao grau de vulnerabilidade do litoral de
Maceió foram determinadas pelos métodos LRR e EPR, através deles foi possível
evidenciar quantitativamente e qualitativamente os trechos mais e menos vulneráveis.

122

Observou-se ainda que o trecho tido como o mais erodido foi localizado no setor 3, região
da praia Pajuçara, que obteve média de -59,6100 m/ano, classificado como área
criticamente erodida pelo método LRR. Dessa forma, notou-se através da análise
comparativa do período mais antigo ano de 2002 a 2021 que a paisagem desse trecho foi
altamente modificada, demonstrando a modificação física do ambiente, que pode ter
sofrido alterações mediante a interferências meteorológicas/climáticas atuantes no litoral
de Maceió neste período.
As imagens adquiridas por meio de drone auxiliaram na visualização dos
processos encontrados, corroborando assim para a coerência da determinação dos graus
de vulnerabilidade estabelecidas pelo CASSIE e seus métodos de avaliação de processos
de erosão. A visita in loco foi crucial para o desenvolvimento da pesquisa, pois através
das imagens registradas obteve-se a visualização da realidade costeira, evidenciando as
algumas medidas de contenção já instaladas, porém sem grande efetividade, para a
redução ou agravamento das modificações causadas pelos avanços das linhas de costa.
Diante dos resultados assimilados, a pesquisa visou avaliar impactos ambientais
encontrados no litoral de Maceió, conforme sua situação, foram elencados por meio da
tabela de impactos ambientais, assim como também, foram sugeridas medidas
mitigadoras que viabilizem melhorias para o quadro de impactos evidenciados.
A dissertação evidencia a importância da investigação de processos que ocorrem
gradativamente em regiões costeiras, e que estão susceptíveis a sofrem diversos impactos,
na maioria das vezes essas regiões requerem a tomada de medidas que previnam o
desencadeamento e agravamento de situações mais críticas. Neste caso, fez-se necessária
a investigação de processos erosivos e explicações sobre a decorrência dos fatores aos
quais a eles estão relacionados, a fim de serem desenvolvidas medidas que promovam sua
mitigação, auxiliando e ajudando a sanar a vulnerabilidade que as zonas costeiras estão
ligeiramente propensas, principalmente com o desencadear da situação presente e futura
provindas das mudanças climáticas. Mediante a pesquisa elaborada, busca-se que o
conteúdo sirva para embasar e nortear trabalhos futuros, assim como atender de forma
estratégica iniciativas funcionais de gerenciamento ambiental, auxiliando o poder público
local. Desse modo, visou-se estimular o desenvolvimento socioambiental e salientar a
importância da preservação e manutenção do ambiente costeiro.

123

REFERÊNCIAS
AGUIAR, S. L., AMARO, V. E., ARAÚJO, N. P. V., SANTOS, A. L. S.
Geotecnologias de baixo custo aplicadas à avaliação de risco por inundação em áreas
urbanas costeiras em cenários de mudanças climáticas. Anuário do Instituto de
Geociências, v. 42, n. 1, p. 267-290, 2019.
AGUIAR, T. M. C. B; ERVATTI, M. Vulnerabilidade costeira frente a mudanças
climáticas e políticas públicas na cidade do Rio de Janeiro: estamos prontos? Novos
Cadernos NAEA, v. 23, n. 2, 2020.
ALCÂNTARA, L. R. P; DA SILVA, M. E. R; SANTOS NETO, S. M; LAFAYETTE,
F. B; COUTINHO, A. P; MONTENEGRO, S. M. G. L; ANTONINO, A. C. D.
Mudanças climáticas e tendências do regime pluviométrico do Recife. Research,
Society and Development, v. 9, n. 3, p. e178932583-e178932583, 2020.
ALMEIDA, E. M. A. A cidade como um sistema complexo: transformações
morfológicas e climáticas em Maceió. 2020. 210p. Tese (Doutorado em Arquitetura e
Urba IWAMA nismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, Maceió.
ALMEIDA, F. F. M. Geologia e Petrologia do Arquipélago de Fernando de
Noronha. Departamento Nacional de Produção Mineral, Div. de Geol., Monografia,
1995. (13): 181 p.
ALMEIDA, H. R. R. C. A. Séries Temporais de Imagens Suborbitais e Orbitais de
Alta Resolução Espacial na Avaliação da Morfodinâmica Praial no Município do
Cabo de Santo Agostinho – PE. Recife, 2008, 115p. Dissertação (Mestrado em
Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação) – Centro de Tecnologia e
Geociências, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.
ALMEIDA, H. R. R. C. A; JUNIOR, J. B. L; QUEIROZ, W. W. C; PERDIGÃO, Y. M.
Avaliação da Morfodinâmica praial-estudo de caso: Praia de Riacho Doce-AL. Revista
de Geografia (UFPE), v. 29, n. 3, 2012.
ALMEIDA, K. C. Mapeamento da linha de costa do delta do rio Paraíba do Sul
entre 1984 e 2020 através do Google Earth Engine. 2021. 35 f. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Geografia) - Instituto de Geociências, Universidade
Federal Fluminense, Niterói, 2021.
ALMEIDA, L. P., DE OLIVEIRA, I. E., LYRA, R., DAZZI, R. L. S., MARTINS, V.
G. FONTOURA KLEIN, A. H. Coastal Analyst System from Space Imagery Engine
(CASSIE): Shoreline management module. Environmental Modelling & Software, v.
140, p. 105033, 2021.
ALMEIDA, L. R., ROSSE, V. P., VIOLA, M. R., VIEIRA-FILHO, M. Tendências
meteorológicas e anomalias de evapotranspiração de referência no período de 20112017 para o Estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Climatologia, v. 26, 2020.

124

ALMEIDA, L. R; AMARO, V. E.; MARCELINO, A. M. T; SCUDELARI, A. C.
Avaliação do clima de ondas da praia de Ponta Negra (RN, Brasil) através do uso do
SMC-Brasil e sua contribuição à gestão costeira. Revista de Gestão Costeira
Integrada-Journal of Integrated Coastal Zone Management, v. 15, n. 2, p. 135-151,
2015.
ALVES, J. M. B; CHAVES, R. R; SERVAIN, J; SOUZA, E. B. D; SILVA, E. M. D;
SANTOS, A. C. S. D; BARBOSA, A. C. B; OLIVEIRA, C. J. D; SOMBRA, S. S;
COSTA, A. A; MELO PINHEIRO; F. G. D. M. Modelos acoplados do IPCC-AR4 e o
gradiente meridional de temperatura da superfície do mar no Atlântico Tropical:
relações com a precipitação no norte do nordeste do Brasil. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 29, p. 568-578, 2014.
ALVES-DA-SILVA, A. A. M. e VENTURA, J. E. E. S. (2011). “Cartografia da linha
de costa: reflexões e propostas” VI Congresso de Planeamento e Gestão das Zonas
Costeiras dos Países de Expressão Portuguesa, Ilha da Boa Vista. Cabo Verde
[online]. Disponível em: http://www.
igeo.pt/eventos/comumicacoes/Cabo_Verde/VICong_PGZCPEP_CLC_Anton
ioSilva.pdf. Acedido a 1 de agosto de 2012, 12 p.
AMARO, V. E., SCUDELARI, A. C., DE OLIVEIRA, D. S., DE LACERDA, I. L. C.,
DE MATOS, M. D. F. A. Análise de Índices de Vulnerabilidade Física com uso de
Geotecnologias na Região da Barreira do Inferno/RN. Revista de Geociências do
Nordeste, p. 179-192, 2021.
ANGULO, R. J; GIANNINI, P. C. F; KOGUT, J. S; PRAZERES FILHO, H. J;
SOUZA, M. C. Variação das características sedimentológicas através deuma sucessão
de cordões holocênicos, como função da idade deposicional, na ilha do Mel (PR). Bol.
Paranaense de Geociências, 1996. 44: 77-86.
ARAUJO, R. S., SILVA, G. D., FREITAS, D., KLEIN, A. H. F. Georreferenciamento
de fotografias aéreas e análise da variação da linha de costa. Métodos en teledetección
aplicada a la prevención de riesgos naturales en el litoral, p. 123-138, 2009.
ASMUS, M. L. A; NICOLOD, J; SCHERER, M. E. G; GIANUCA, K.; COSTA, J. C;
GOERSCH, L; HALLAL, G; VICTOR, K. D; FERREIRA, W. L. S.; RIBEIRO, J. N.
A; PEREIRA, C. R; BARRETO, B. T; TORMA, L. F; SOUZA, B. B. G;
MASCARELLO, M; VILLWOCK, A; Simples para ser útil: base ecossistêmica para o
gerenciamento costeiro. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 44, 2018.
ASSIS, M. F. Mudanças climáticas globais: controvérsias, participação brasileira e
desafios à ciência. Humboldt-Revista de Geografia Física e Meio Ambiente, v. 1, n.
2, 2021.
AZEVEDO, P. G. D., REHDER, R. C., COSTA FILHO, R. M. M., ISOGAI, R. C.,
REGO, S. B. Avaliação dos impactos do ciclo solar nos índices pluviométricos da
Estação Mirante de Santana (SP). 2022. Disponível em
https://dspace.mackenzie.br/handle/10899/29285 acesso em: 10 de agosto de 2022.

125

BAÍA, L. B., RANIERI, L. A., ROSÁRIO, R. P. Análise multitemporal da variação da
linha de costa em praias estuarinas do Nordeste do Pará. Geosciences= Geociências, v.
40, n. 1, p. 231-244, 2021.
BALDO, M. C.; TOMMASELLI, J. T. G.; OIKAWA, S. M. Análise da Tendência do
número de dias de chuva na bacia do rio Piquiri-PR. In: XIII Simpósio Brasileiro de
Climatologia Geográfica, 2018, Juiz de Fora Anais [...] Minas Gerais: v.1. p.14181427. 2018.
BARBOSA, R. V. R., VECCHIA, F. Análise do comportamento térmico de diferentes
arranjos urbanos na cidade de Maceió (AL) em escala de abordagem microclimática.
PARC Pesquisa em Arquitetura e Construção, v. 1, n. 4, p. 61-74, 2009.
BARBOSA, V. V., DE SOUZA, W. M., GALVÍNCIO, J. D. SOBRAL, M. D. C. M.
Influência da variabilidade climática na produção de leite na região semiárida do
nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Climatologia, v. 23, 2018.
BARROS, A. H. C. ARAUJO FILHO, J. C. SILVA, A. B. SANTIAGO, G. A. C. F.
Climatologia do Estado de Alagoas. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento
(CNPS). 2011. 1678-0892. pt_BR. Folhetos. 2011.
BATISTA, B. A; OLIVEIRA-JÚNIOR, J. F; SANTIAGO, D. B; SANTOS, C. T.
Avaliação da expansão urbana na Cidade de Maceió, Alagoas–Nordeste do Brasil.
Research, Society and Development, v. 10, n. 11, p. e253101119537-e253101119537,
2021.
BIO, A; GONÇALVES, J. A: PINHO, J; VIEIRA, L; VIEIRA, J; SMIRNOV, G;
BASTOD, L. Indicadores de vulnerabilidade de erosão costeira: Um estudo de caso no
Norte de Portugal. Journal of Integrated Coastal Zone Management/Revista de
Gestão Costeira Integrada, v. 20, n. 3, p. 197-209, 2020.
BISPO, E. C. N. Mapeamento das condições meteorológicas adversas nas rotas
Brasil-Europa da ZCIT com base nas cartas SIGWX de 2012 a 2021. Trabalho de
Conclusão de Curso Graduação em Ciências Aeronáuticas, Pontifícia Universidade
Católica de Goiás Escola Politécnica Graduação em Ciências Aeronáuticas. 2021.
BLANK, D. M. P. O contexto das mudanças climáticas e as suas vítimas. Mercator
(Fortaleza), v. 14, p. 157-172, 2015.
BOLZAN, M. J. A. Transformada em ondeleta: Uma necessidade. Revista Brasileira
de Ensino em Física, v. 28, n. 4, 2006.
BONFIM, O. E. T., DA SILVA, D. F.., KAYANO, M. T., ROCHA, L. H. D. S. Análise
dos Eventos Climáticos Extremos e de Suas Causas Climáticas para Redução de Riscos
nas Bacias Hidrográficas Aguapeí e Peixe, São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 35, p. 755-768, 2020.

BRASIL, Metodologia para quantificação de perigos costeiros e projeção de linhas de
costa futuras como subsídio para estudos de adaptação das zonas costeiras: litoral norte

126

da Ilha de Santa Catarina e entorno. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de
Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável; Laboratório de Oceanografia
Costeira; Universidade Federal de Santa Catarina; Elaboração Antonio Henrique da
Fontoura Klein. Brasília: MMA, 2016.
BRASIL. Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro – GI-GERCO/CIRM
Guia de Diretrizes de Prevenção e Proteção à Erosão Costeira – Brasília/DF, 2018.
111p: il ISBN 978-85-68813-13-3.
BRUUN, P. Coastal Erosion and the Development of Beach Profiles. Technical
Memorandum N° 44, Beach Erosion Board, 1954.
CABRAL, J. J. D. S. P., GUSMÃO, A. D., ANTONIO, M., DA SILVA JUNIOR, B.,
BARROS, E. N. Mudanças climáticas e subsidência do terreno como dificuldades para
a gestão urbana de uma avenida marginal de curso d’água em cidade costeira. Revista
de Geografia (Recife), v. 38, n. 2, 2021.
CARLOS, S. M; CUNHA, D. A; PIRES, M. V. Conhecimento sobre mudanças
climáticas implica em adaptação? Análise de agricultores do Nordeste brasileiro.
Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 57, p. 455-471, 2019.
CARMO, E.L. População e Mudanças Ambientais Globais. Revista Multiciência,
Campinas, ed. 8, Mudanças Climáticas. 2007.
CARVALHO, A. A. D., MONTENEGRO, A. A. D. A., SILVA, H. P. D., LOPES, I.,
DE MORAIS, J. E. , DA SILVA, T. G. Tendências da precipitação pluvial e da
temperatura no Nordeste brasileiro. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, v. 24, n. 1, p. 15-23, 2020.
CARVALHO, A. L. D., SOUZA, J. L. D., LYRA, G. B., PORFIRIO, A. C. S.
Ocorrência de períodos secos na região de Rio Largo, Alagoas. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 28, n. 2, p. 173-180, 2013.
OLIVEIRA, S. T. Análise da variabilidade climática sobre grandes culturas
cultivadas em Alagoas (AL). 2020. 119 f. Dissertação (Mestrado em Meteorologia) –
Instituto de Ciências Atmosféricas, Programa de Pós-Graduação em Meteorologia,
Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2020.
CARVALHO, S.L; RIZZO, R. A; CARVALHO C.L. G. L. Vulnerabilidade à poluição
da água subterrânea no núcleo urbano do Distrito de Monte Alto, Arraial do Cabo, RJ.
Revista de Ciências Ambientais, v. 15, n. 2, p. 01-13, 2021.
CASSIE, Coastal Analysis System via Satellite Imagery Engine Manual de uso
básico.Disponível em: https://www.cassiengine.com/ acesso em 16 de fevereiro de
2022.
CASTELHANO, F. J., SIQUEIRA PINTO, J. E. S. Tendências e alterações climáticas
no Estado de Sergipe, nordeste do Brasil. Revista do Departamento de Geografia, v.
42, p. e185565-e185565, 2022.

127

CAVALCANTE, I. B. S. Análise da variabilidade espaço-temporal da precipitação
em Maceió-AL e de suas causas climáticas. Maceió, 2022. Dissertação (mestrado) –
UFAL, Instituto de Ciências Atmosféricas, Programa de Pós-graduação em
Meteorologia.
CAVALCANTE, I. S. B., DA SILVA, D. F. Período de retorno de eventos extremos
em Alagoas e suas causas climáticas. Revista Mineira de Recursos Hídricos, v. 2,
2021.
CERQUEIRA, M. A., SANTOS, P. O. C., DE FARIAS, V. N. C., JÚNIOR, V. F. C.,
BARBOSA, R. V. R. Análise temporal por sensoriamento remoto da supressão de
vegetação nativa em vales na cidade de Maceió, Brasil. The Journal of Engineering
and Exact Sciences, v. 7, n. 1, p. 12151-01-11e, 2021.
CHUEIRI, D. M. A; FORTUNATO, R. A. Turismo e esgoto domésticos na Ilha Grande
(RJ): uma análise exploratória nas praias de Abraão e Aventureiro. Revista Brasileira
de Ecoturismo (RBEcotur), v. 14, n. 1, 2021.
COBRA, R.L; SILVA, R.C.; OLIVEIRA, G.F.A; MIRANDA, D.L; LEONARDI, F.A;
SILVA, M.L. Geoprocessamento aplicado ao levantamento e avaliação de solos:
Proposta de avaliação de terras para fins agrícolas no Município de Inconfidentes – MG
Revista Brasileira de Geografia Física v.12, n.02, p. 397-411. 2019.
COI - IOC – Intergovernmental Oceanographic Commission. Hazard awareness and
risk mitigation in integrated coastal area management. United Nations Educational,
Scientific and Cultural Organization (UNESCO), Manuals and Guides No 50, ICAM
Dossier No 5, 141p., Paris, França. 2010. Disponível em
http://www.loicz.org/imperia/md/content/loicz/stormsurges/sessione/3_barbiere_etal.pd
f.Acesso em out 2011.
COMISSÃO INTERMINISTERIAL PARA RECURSOS DO MAR (Brasil); Guia de
diretrizes de prevenção e proteção à erosão costeira. Grupo de Integração do
Gerenciamento Costeiro GI-GERCO. Edição 2018.
CORRÊA, L. F; MACEDO, A. V; MADUREIRA, E. A L; CASTRO, R. O; SILVA, A.
C; PINHEIRO, A. B; Poluição por resíduos sólidos e microplásticos em ambientes
costeiros. Avaliação, diagnóstico e solução de problemas ambientais e sanitários 1 /
Organizador Helenton Carlos da Silva. – Ponta Grossa, PR: Atena, 2020. Inclui
bibliografia ISBN 978-65-5706-329-3 DOI 10.22533/at.ed.293202508, p. 1-388–416.
CORREIA FILHO, W. L. F., SANTIAGO, D. B., OLIVEIRA JÚNIOR, J. F., SILVA
JUNIOR, C. A. Impact of Urban Decadal Advance on Land Use and Land Cover and
Surface Temperature in the City of Maceió, Brazil. Land Use Policy,87,1- 11. 2019.
CORREIA, M. D., SOVIERZOSKI, H. H. Gestão e desenvolvimento sustentável da
zona costeira do Estado de Alagoas, Brasil. Revista de Gestão Costeira IntegradaJournal of Integrated Coastal Zone Management, v. 8, n. 2, p. 25-45, 2008.
CORREIA, M. D; SOVIERZOSKI, H. H. Ecossistemas marinhos: recifes, praias e
manguezais. Maceió: Edufal, 2005.

128

COSTA, G. B., LYRA, R. F. D. F. Análise dos padrões de vento no Estado de Alagoas.
Revista Brasileira de Meteorologia, v. 27, p. 31-38, 2012.
COSTA, J. A ; SANTOS, M. A. C. M.; MENDES, K. P.; SILVA, G.; MIRANDA, V.
G.; MONTEIRO, B. L.; DA SILVA, D. F. Ciclos, períodos de eventos extremos e
escalas temporais na precipitação da bacia hidrográfica do Rio Jaguaribe (CE). Revista
Geonordeste, v. 27, p. 132, 2016.
COSTA, M. S. D., ARAÚJO, R. A. F. D. Variabilidade Climática: A Precipitação como
Parâmetro de Estudo Para os Casos de Dengue no Litoral, Sertão, Serra e Sul Cearense
Entre 2007 e 2019. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 36, p. 591-601, 2021.
CPTEC-INPE, 2020. Monitoramento do El Niño e La Niña. negrito. Disponível em:
<http://enos.cptec.inpe.br/>. Acesso em: 04 maio. 2022.
DA SILVA, D. F. Análise de aspectos climatológicos, agroeconômicos, ambientais e
de seus efeitos sobre a Bacia hidrográfica do rio Mundaú (AL e PE). Tese de
Doutorado (Recursos Naturais) - UFCG, Campina Grande-PB, 2009.
DA SILVA, D. F., COSTA, I. M., MATEUS, A. E., DE SOUSA, A. B. Previsão
climática e de ciclos climáticos para o Estado do Ceará. Revista Brasileira de
Geografia Física, v. 6, n. 4, p. 959-977, 2013.
DA SILVA, D. F. Aplicação de Análises de Ondaletas para Detecção de Ciclos e
Extremos Pluviométricos no Leste do Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 32, n. 2, 2017.
DA SILVA, D., LIMA, M., SOUZA NETO, P., GOMES, H., SILVA, F., ALMEIDA,
H., COSTA, R.; PEREIRA, M. Caracterização de Eventos Extremos e de suas Causas
Climáticas com Base no Índice Padronizado de Precipitação Para o Leste do Nordeste.
Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, n. 2, p. 449-464, 2020.
DA SILVA, D. F.; SOUZA NETO, P. F.; SILVA, S. D.; LIMA, M. J. S.;
CAVALCANTE, I. B. S.; OLIVEIRA, S. T.; MENDONCA, H. S.; BATISTA, B. A.;
ROCHA, L. H. S.; ALMEIDA, H. R. R. de C; PEREIRA, M. P. S.; ARAUJO, L. E.
Identificação das causas climáticas dos eventos extremos e dos impactos dos ENOS
Canônico e Modoki nas macrorregiões de Alagoas. Revista Brasileira De Geografia
Física, v. 14, p. 1880-1897-1897, 2021.
DENSKI, A. P. N., BACK, Á. J. Tendência climatológica nos elementos
meteorológicos e na evapotranspiração de referência de urussanga-sc (climatological
trends in weather elements and in evapotranspiration series of urussanga, santa catarina
state). Revista Brasileira de Climatologia, v. 17, 2015.
DIAS, J. L. Análise da configuração meridional de variáveis atmosféricas e
oceânica para o monitoramento da posição latitudinal da ZCIT no Atlântico
Tropical. 2018. 64 f. Dissertação (Mestrado em Meteorologia) - Programa de PósGraduação em Meteorologia, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, Universidade
Federal de Campina Grande, Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2018.

129

ELY, D. F; DEBREUIL, V. Análise das tendências espaço-temporais das precipitações
anuais para o Estado do Paraná–Brasil. Revista Brasileira de Climatologia, v. 21,
2017.
ESPÍNDOLA, I. B; RIBEIRO, W. C. Cidades e mudanças climáticas: desafios para os
planos diretores municipais brasileiros. Cadernos Metrópole, v. 22, p. 365-396, 2020.
ESTEVAM, C. N.., OSAKO, L. S., FRANCISCO, J. A. A. Análise multitemporal da
variação da linha de costa no setor centro-sul da Ilha de Santa Catarina, Brasil.
Geologia USP. Série Científica, v. 21, n. 4, p. 73-90, 2021.
FARIA, G. M. G. Proposta de macrozoneamento para Maceió: revisão do Plano
Diretor -2015/2016. Maceió: Texto Produzido para o Conselho de Arquitetura e
Urbanismo de Alagoas-CAU- Disponível em: http://www.caual.gov.br/wpcontent/uploads/2016/04/PROPOSTA_MACROZONEAMENTO1.pdf Acesso em 18
de fevereiro 2022.
FARIAS, E. G. G., MAIA, L. P. Uso de técnicas de geoprocessamento para a análise da
evolução da linha de costa em ambientes litorâneos do Estado do Ceará, Brasil. Revista
de Gestão Costeira Integrada-Journal of Integrated Coastal Zone Management, v.
10, n. 4, p. 521-544, 2010.
FARIAS, S. C. G. Acúmulo de deposição de lixo em ambientes costeiros: a praia
oceânica de Piratininga–niterói–RJ. Geo UERJ, v. 2, n. 25, p. 276-296, 2014.
FERNANDES, R. C., CARVALHO, A. L. Espacialização da precipitação pluvial no
município de Piranhas, Alagoas. Ciência e Natura, v. 35, n. 2, p. 295-303, 2013. DOI:
http://dx.doi.org/10.5902/2179-460X782, ISSN: 2179-460X, v. 35 n. 2 dezembro, 2013,
p. 295-303.
FERNANDES, T. M. M. Dinâmica da linha de praia em curto prazo entre Barra de
Maxaranguape e Ponta Gorda, litoral oriental do Rio Grande do Norte. 2021. 95 f.
Trabalho de Conclusão de Cursos (Graduação em Geologia) - Departamento de
Geologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2021.
FERREIRA, A. G., MELLO, N. G. S. Principais sistemas atmosféricos atuantes sobre a
região Nordeste do Brasil e a influência dos oceanos Pacíficos e Atlântico no clima da
região. Revista Brasileira de Climatologia, vol 1, nº 1, 15-28p, 2005.
FERREIRA, A.C; LACERDA, L.D. Degradation and conservation of Brazilian
mangroves, status and perspectives. Ocean e Coastal Management, v.125, p.38-46,
2016.
FERREIRA, F. E. P., LOPES, J. R. F., NERY, A. R. Análise espacial das tendências
climáticas e sua influência na agricultura irrigada no Ceará, BRASIL. Revista
Brasileira de Climatologia, v. 29, p. 602-625, 2021.
FERREIRA, S. P., GOMES, V. P., GALVÍNCIO, J. D., DOS SANTOS, A. M., DE
SOUZA, W. M. Avaliação da tendência espaço-temporal da precipitação pluviométrica

130

em uma região semiárida do Estado de Pernambuco. Revista Brasileira de
Climatologia, v. 21, 2017.
FLEURY, L. C; MIGUEL, J. C. H; TADDEI, R. Mudanças climáticas, ciência e
sociedade. Sociologias, v. 21, p. 18-42, 2019.
FOGA, S., SCARAMUZZA, PL, GUO, S., ZHU, Z., DILLEY JR, RD, BECKMANN,
T., LAUE, B. Comparação e validação de algoritmos de detecção de nuvens para
produtos de dados Landsat operacionais. Sensoriamento remoto do ambiente , v. 194,
p. 379-390, 2017.
FOLHES, M. T., FISCH, G. Caracterização climática e estudo de tendências nas séries
temporais de temperatura do ar e precipitação em Taubaté (SP). Ambiente & Água-An
Interdisciplinary Journal of Applied Science, v. 1, n. 1, p. 61-71, 2006.
FRANÇA, C. F; PEREIRA, R. R; JÚNIOR, J. L. D. A. F; ARAÚJO, F.A. Erosão da
orla costeira grande-bispo, ilha de Mosqueiro, Belém-PA, através da análise de
indicadores. Geografia Ensino & Pesquisa, v. 24, p. 20, 2020.
FRANCO, B. J. Análise do Índice de Vulnerabilidade Costeira no setor Oeste da
Região Metropolitana de Fortaleza. 2021. 41 f. Dissertação (Mestrado em Ciências
Marinhas Tropicais) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais,
Instituto de Ciências do Mar - LABOMAR, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza,
2021.
GARCIA, P. D., MENDES, M. G., KLEIN-GUNNEWIEK, ÁTILA F., GIRELI, T. Z.,
VENANCIO, K. K. Análise da evolução da linha de costa a partir de imagens de
satélite. Concilium, v. 22, n. 3, p. 637-649, 2022.
GERMANO, S. A., AMORIM, R. F. C., DELGADO, J. R. Vórtices Ciclônicos em
Altos Níveis que provocaram precipitações extremas nas cidades de Recife, Maceió e
Aracaju no período de 2011 a 2015. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 9, n.
07, p. 2377-2389, 2016.
GOMES, M. L., SILVA, S. T. Padrões dominantes de oscilação da temperatura do ar no
Estado de Mato Grosso por meio de ondeletas. Revista Interdisciplinar Animus, v. 1,
n. 7, p. 5-23, 2019.
GONÇALVES, F. N; BACK, Á. J. Análise da variação espacial e sazonal e de
tendências na precipitação da região sul do Brasil. Revista de Ciências Agrárias, v. 41,
n. 3, p. 592-602, 2018. DOI: https://doi.org/10.19084/RCA17204.
GRIMM, I. J. Impactos das mudanças climáticas no sistema turístico: O caso brasileiro.
Caderno Virtual de Turismo, v. 19, n. 1, 2019.
HIERA, M. D.; LIMA JÚNIOR, A. F.; ZANELLA, M. E. Tendência da precipitação no
Estado do Ceará. Revista Brasileira de Climatologia, v. 24, 2019.
IBGE- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades de
Estados. Alagoas, Maceió, IBGE, 2022.

131

INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO
(IPT). Cartas de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e
inundações – 1:25.000: Nota técnica explicativa 2014. 42p.
INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). (2013) Climate
Change: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fifth
Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge,
United Kingdom and New York: Cambridge University Press. 1.535 p.
IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O físico base científica
(AR5). Contribuição do grupo de trabalho I para o quinto relatório de avaliação.
Cambridge University Press, Cambridge, Reino Unido e Nova York, NY, EUA, 2013.
1535p. Mahlstein, I.; Knutti, R. Padrões de mudanças climáticas regionais identificados
por análise de cluster. Climate Dynamics, v.35, p.587-600, 2010.
https://doi.org/10.1007/s00382-009-0654-0.
IPCC, 2021: Summary for Policymakers. In: Climate Change 2021: The Physical
Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the
Intergovernmental Panel on Climate Change [Masson-Delmotte, V., P. Zhai, A. Pirani,
S. L. Connors, C. Péan, S. Berger, N. Caud, Y. Chen, L. Goldfarb, M. I. Gomis, M.
Huang, K. Leitzell, E. Lonnoy, J.B.R. Matthews, T. K. Maycock, T. Waterfield, O.
Yelekçi, R. Yu and B. Zhou (eds.)]. Cambridge University Press. In Press.
IWAMA, A. Y. Riscos e vulnerabilidades às mudanças climáticas e ambientais:
análise multiescalar na zona costeira de São Paulo-Brasil. CAMPINAS, 2014 – São
Paulo, 353p. Tese de Doutorado, Ambiente e Sociedade. Universidade Estadual e
Campinas (Unicamp) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) CAMPINAS –
São Paulo, 2014.
JACINTO, L. V., ELOI, W. M., SAKAMOTO, M. S. Características Climatológicas
dos Sistemas Convectivos de Mesoescala no Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 37, p. 69-80, 2022.
JACOBI, P. R., GRANDISOLI. R., COUTINHO, S. M. V. MAIA, R. A., TOLEDO. R,
F. Temas atuais em mudanças climáticas: para os ensinos fundamental e médio São
Paulo: IEE – USP, 2015. 112p. ISBN 978-85-86923-41-8.
JANDREY, S; AUMOND, J. J. Mudanças climáticas e planejamento urbano: cenários
futuros de aumento do nível do oceano no município de Itapema/SC. PerCursos, v. 21,
n. 46, p. 025-053, 2020.
KALIL, L; CHECCO, G. B. Segurança hídrica e mudanças climáticas no Brasil: uma
entrevista cruzada com Jerson Kelman e João Paulo Capobianco. IdeAs. Idées
d'Amériques, n. 15, 2020.
KLEIN, A. D. F., PRADO, M. F. V., DALINGHAUS, C., CAMARGO, J. M.
Metodologia para quantificação de perigos costeiros e projeção de linhas de costa
futuras como subsídio para estudos de adaptação das zonas costeiras: litoral norte da

132

Ilha de Santa Catarina e entorno. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, Secretaria
de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, 2016.
KOTINAS, V; EVELPIDOU, N; KARKANI, A; POLIDOROU, M. Modelling coastal
erosion. Co-funded by the Erasmus+`Programmeof the European Union, 2013.
KRELLING, A. P. Caracterização sócio-ambiental da Ponta do Poço, Pontal do
Paraná, PR. Trabalho de conclusão de curso de Curso de Graduação em Oceanografia,
Centro de Estudos do Mar, Setor de Ciências da Terra, Universidade Federal do Paraná.
2004.
Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988. Institui o Plano Nacional de Gerenciamento
Costeiro e dá outras providências. Presidência da República. Subchefia para
Assuntos Jurídicos. Brasília, DF, 16 mai. 1988. Disponível em: <http:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7661.htm>. Acesso em: 04 fev. 2022.
LEITE, J. C. Controvérsias na climatologia: o IPCC e o aquecimento global
antropogênico. Scientiae Studia, v. 13, p. 643-677, 2015.
LIMA, D. C. Análise das possíveis relações entre os ciclos solares e as anomalias de
TSM dos oceanos Pacífico e Atlântico tropicais. 2017. 103 f. Dissertação (Mestrado
em Meteorologia) – Programa de Pós-Graduação em Meteorologia, Centro de
Tecnologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba,
Brasil, 2017. Disponível em: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/1442
LINS-DE-BARROS, F. M. Análise integrada da vulnerabilidade costeira e riscos
associados. In: Anais do VI Congresso Planejamento e Gestão das Zonas Costeiras
dos Países de Expressão Portuguesa. Ilha de boa Vista, Cabo Verde, CD-ROM.
2011.
LOPES, D. N., DUARTE, C. R., DA SILVA, M. T., GRIGIO, A. M., FREIRES, E. V.,
DOS SANTOS, L. S. A. Evolução da linha de costa no município de São Gonçalo do
Amarante-CE no período de 1984 a 2020. Revista Brasileira de Geografia Física, v.
14, n. 05, p. 3067-3077, 2021.
LOPES, J.R.F.; DA SILVA, D.F. Aplicação do teste de Mann Kendall para análise de
tendência pluviométrica no Estado do Ceará. Revista de Geografia (Recife), v. 30, n. 3,
p. 192-208, 2013.
LÓPEZ, O. L. O., UPEGUI, J. J. V., SALAZAR, J. P. M. HERNÁNDEZ, A. T. F.
Análisis de tendencias climáticas con RClimdex en el departamento de Caldas,
Colombia. Scientia et Technica, v. 25, n. 4, p. 595-603, 2020.
LUZ, T. E. B., PINHEIRO, R. M. K., MATOS, M. D. F. A., AMARO, V. E.,
SCUDELARI, A. C. Alterações morfológicas na embocadura do complexo Estuarino
Lagunar Mundaú-Manguaba, Al/Brasil. Anais do XIX Simpósio Luso-Brasileiro de
Engenharia Sanitária e Ambiental, 2020.
LYRA, M. J. A., BONFIM, O. E. T., JANUÁRIO, I. R., DA SILVA, Y. U.,
MESQUITA, G. A. L., CAVALCANTE, L. C. V. Aplicação de metodologias distintas

133

no comportamento pluviométrico de Maceió/AL. Revista Ibero-Americana de
Ciências Ambientais, v. 9, n. 3, p. 104-112, 2018.
MADRUGA FILHO, J. D. Aspectos Geoambientais entre as Praias do Paiva e
Gaibu, Município do Cabo de Santo Agostinho (Litoral Sul dePernambuco).
Recife. Tese de Doutorado. Curso de Pós-Graduação em Geociências/UFPE, 2004. 272
p.
MAFRA, L. C. A. Estudo da Dinâmica Costeira da Região da Foz do Rio PiranhasAçú para Geração de Mapas de Sensibilidade do Litoral ao Derramamento de
Óleo. Natal. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e
Geofísica/UFRN, 2005. 138 p.
MAGALHÃES, B. L; BAPTISTA, T; FERNANDEZ, G. Dinâmica da linha de costa
entre a praia da Tartaruga e a desembocadura do rio São João (RJ). Os Desafios da
Geografia Física na Fronteira do Conhecimento, v. 1, p. 6504-6508, 2017.
MAHLSTEIN, I.; KNUTTI, R. Regional climate change patterns identified by cluster
analysis. Climate Dynamics, v.35, p.587-600, 2010. https://doi.org/10.1007/s00382009-0654-0.
MAIA, G. G. DE O., FONSECA, M. R. DE P. NETO, L. DE C. F., FERNANDES, L.
B., LIMA T. V. A Engenharia Ambiental no estudo da erosão de praias associados aos
impactos das construções na zona costeira no Estado do Ceará, Brasil. Brazilian
Journal of Development, v. 6, n. 3, p. 14002-14010, 2020. DOI:10.34117/bjdv6n3318
MARENGO, J. A. Mudanças climáticas, condições meteorológicas extremas e eventos
climáticos no Brasil. Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável
(FBDS). Mudanças climáticas e eventos extremos no Brasil. Disponível em:
http://www. fbds. org. br/fbds/IMG/pdf/doc-504. pdf. Acesso em, v. 24, 2009.
MARENGO, J. A; ALVES, L. M; BESERRA, E. A; LACERDA, F. F. Variabilidade e
mudanças climáticas no semiárido brasileiro. Recursos hídricos em regiões áridas e
semiáridas, v. 1, p. 385-422, 2011.
MARENGO, J. A. Mudanças climáticas, impactos e políticas públicas para reduzir
impactos. ClimaCom Cultura Científica - pesquisa, jornalismo e arte | Ano 5 - N 13 /
Dezembro de 2018 / ISSN 2359-4705.
MARENGO, J. A; SOUZA JR, C. Mudanças Climáticas: impactos e cenários para a
Amazônia. São Paulo: ALANA, 2018.
MARENGO, J. A; VALVERDE, M. C. Caracterização do clima no Século XX e
Cenário de Mudanças de clima para o Brasil no Século XXI usando os modelos do
IPCC-AR4. Revista Multiciência, v. 8, p. 5-28, 2007.
MARINO, M. T. R. D., FREIRE, G. S. S. Análise da evolução da linha de costa entre as
Praias do Futuro e Porto das Dunas, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Estado

134

do Ceará, Brasil. Revista de Gestão Costeira Integrada-Journal of Integrated
Coastal Zone Management, v. 13, n. 1, p. 113-129, 2013.
MARO, V. E; SCUDELARI, A. C.; OLIVEIRA, D. S; LACERDA, I. L. C.; MATOS,
M. de F. A. Análise de Índices de Vulnerabilidade Física com uso de Geotecnologias
na Região da Barreira do Inferno/RN. Revista de Geociências do Nordeste, p. 179192, 2021.
MARQUEZ, M. R. K. Morfodinâmica de um segmento da praia da ilha Comprida,
litoral sul do Estado de São Paulo. São Paulo. Dissertação de Mestrado. Universidade
de São Paulo. 137 p. 2007.
MARTELO, A. F; NICOLODI, J. L. As dunas frontais e sua função frente às
inundações da costa: validação de dois modelos de erosão como ferramenta para a
gestão costeira aplicados na praia do Mar Grosso, RS. Desenvolvimento e Meio
ambiente, v. 44, 2018.
MATOS, M. D. F. A., AMARO, V. E., SCUDELARI, A. C., ROSADO, S. B.
Estimativas das alterações de longo prazo na linha de praia do Litoral Oriental do Rio
Grande do Norte, Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 23, n.
1, p. 1028, 2022.
MAZZER, A. M., DILLENBURG, S. Variações temporais da linha de costa em praias
arenosas dominadas por ondas do sudeste da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis, SC,
Brasil). Pesquisas em Geociências, v. 36, n. 1, p. 117-135, 2009. 36(1), 117–135.
https://doi.org/10.22456/1807-9806.17880.
MEDEIROS, F. C. G; AMARO, V. E; SOUTO, M. V. S. Prognóstico da Erosão
Costeira no Litoral Setentrional do Rio Grande do Norte para os anos de 2020, 2030 e
2040. Geologia, v. 25, n. 2, 2008.
MEDEIROS, R. M., ARAÚJO, W. R., DE HOLANDA, R. M., SABOYA, L. M. F.,
FRANÇA, M. V., NETO, F. C. R. Oscilações climáticas e suas tendências para Lagoa
Seca–Paraíba, Brasil. Research, Society and Development, v. 10, n. 13, p.
e345101321506-e345101321506, 2021.
MEDEIROS, R. M., DE FRANÇA, M. V., DE HOLANDA, R. M., PEREIRA, M. L.
F., DE ARAÚJO, W. R., SABOYA, L. M. F. O El Niño e a La Niña e suas Influências
no Clima de Bom Jesus Piauí–Brasil. RECIMA21-Revista Científica
Multidisciplinar-ISSN 2675-6218, v. 2, n. 6, p. e26484-e26484, 2021.
MELO, F.T.L. Aspectos Morfo-Dinâmicos do Complexo Lagunar Nísia FlorestaPapeba-Guaraíras, Região Costeira Sul Oriental do RN. Natal. Dissertação de
Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2000. 71 p.
MENDONÇA, F. Mudanças climáticas globais: controvérsias, participação brasileira e
desafios à ciência. Humboldt - Revista de Geografia Física e Meio Ambiente, 1, 1-28.
2021.

135

MITTERSTEIN, M. R.; SEVERO, D.L. Análise de variabilidade intrasazonal e
interanual da precipitação no vale do Itajaí com a transformada de ondaletas. Revista
Dynamis, [S.l.], v. 13, n. 1, p. 01-10, jan. 2008. ISSN 1982-4866.
MOLION, L.C.B; BERNARDO, S.O. Uma revisão da dinâmica das chuvas no Nordeste
Brasileiro. Revista Brasileira Meteorologia, 17(1)1-10, 2002.
MOREIRA, A. P. M; VIEIRA, A. L. C; CONSOLAÇÃO SILVA, J. Tendências
climáticas e anomalias de precipitação em Caratinga-MG. Os Desafios da Geografia
Física na Fronteira do Conhecimento, v. 1, p. 2000-2009, 2017. DOI 10.20396/sbgfa.v.1i2017.2412 - ISBN 978-85-85369-16-3.
MOREIRA, T. F., DA GUIA ALBUQUERQUE, M., DE ALMEIDA ESPINOZA, J.
M., DE PAULA, D. P., ALVES, D. C. L., BARROS, E. L., BENDÔ, A. R. R;
CONCEIÇÃO, T. F. Estudo do comportamento da linha de costa na praia do Icaraí
(Caucaia, Ceará), a partir dos métodos digital shoreline analysis system e do polígono
de mudança. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, n. 07, p. 3395-3411, 2020.
MOURA, M. S. B., SOBRINHO, J. E., DA SILVA, T. G. F. Aspectos metereológico do
semiárido brasileiro. 2019. Capítulo em livro técnico (CPATSA), cap. 2, p. 85-104.
MUEHE D. (2010). Brazilian Coastal Vulnerability to Climate Change. Pan-American
Journal of Aquatic Sciences, 5(2): 173-183.
MUEHE, D. C. E. H. Erosão e progradação do litoral brasileiro. Brasília: Ministério
do Meio Ambiente, v. 1, p. 475, 2006.
MUEHE, D. Definição de Limites e Tipologias da Orla sob os Aspectos
Morfodinâmicos e Evolutivo. In: Projeto Orla: Subsídios para um projeto de gestão.
Brasília: MMA e MPO, 2004 (Projeto Orla), 104 p.
MUEHE, D. Erosão costeira, mudança do clima e vulnerabilidade. In: GUERRA, A. J.
T.; Jorge, M. C. O. (Orgs.). Processos erosivos e recuperação de áreas degradadas. São
Paulo: Oficina de Textos, 2013, p. 160-190.
MUEHE, D. O. Erosão e progradação do litoral brasileiro. 476p. ISBN 85-7738028-9. Brasília. 2006.
MUEHE, D. O sistema praial: formas, termos, processos e medição. In: MUEHE, D. O;
LINS−DE−BARROS, F. M.; PINHEIRO, L.S. (orgs.) Geografia Marinha: oceanos e
costas na perspectiva de geógrafos. Rio de Janeiro: PGGM, 2020. p. 27−55. ISBN
978−65−992571−0−0.
MUEHE, D., KLUMB-OLIVEIRA, L. Deslocamento da linha de costa versus
mobilidade praial. Quaternary and Environmental Geosciences, v. 5, n. 2, 2014.
NASCIMENTO JUNIOR, D. R. Morfologia e Sedimentologia ao Longo do Sistema
Praial – Duna Frontal de Ilha Comprida, SP. São Paulo. Dissertação de Mestrado.
Curso de Pós-Graduação em Geologia Sedimentar/USP, 2006. 156 p.

136

NASCIMENTO, B. M. D. S., BARBOSA, R. V. R. Processo de verticalização nos
bairros litorâneos de Maceió-AL XVI ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO
NO AMBIENTE CONSTRUÍDO XII ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE
CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO PALMAS – TO. XVI ENCAC/XII
ELACAC - 20 a 23 de outubro de 2021.
NASCIMENTO, J. V. S. Erosão e progradação da linha de costa de Icaraí de
Amontada - Ceará. 2018. 78 f. TCC- Trabalho de Conclusão de Curso- (Graduação em
Oceanografia) - Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza,
2018.
NEGRÃO, Y. DE S., SOUSA, H. C., RANIERI, L. A. Vulnerabilidade à erosão
costeira em praias amazônicas e a ocupação populacional em áreas de riscos. Revista
Brasileira de Geomorfologia, v. 23, n. 2, p. 1264-1284, 2022.
NEGRI, R., RICHTER, M. A. B., REIMER, M. E., LUZ, G. DE A. DA., DREVEK, F.
A., IZIDORO, C., NIEDZVIESKI, E., GOMES, V. E. A. Definição do Nível
Altimétrico da Estação Maregráfica da EPAGRI-CIRAM e Proposição de Leitura de
Alerta de Eventos de Alagamento por Maré para Joinville - SC. Conhecimento Em
Construção, 8, 79–92. (2021. Recuperado de
https://unoesc.emnuvens.com.br/conhecconstr/article/view/27190.
NÓBREGA, J. N. Estudos de variabilidades interanual e interdecenal da
precipitação pluvial das regiões hidrográficas da parte setentrional oriental do
Brasil utilizando a análise de ondaletas. 2019. 160f. Tese (Doutorado em
Meteorologia) – Pós-Graduação em Meteorologia, Centro de Tecnologia e Recursos
Naturais, Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2019. Disponível
em: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/11514.
NOVAK, L. P., LAMOUR, M. R. Avaliação do risco à erosão costeira em praias
urbanizadas do Paraná. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 22, n. 1, 2021.
OLIVEIRA, L. K; LEÃO, M. B. C. Mar sem fim: diversidade biológica e a proteção
nacional e internacional dos oceanos. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 2, p.
16570-16590, 2021.
PAULA, D. P. D. Análise dos riscos de erosão costeira no litoral de Fortaleza em
função da vulnerabilidade aos processos geogênicos e antropogênicos. Faro, 2012,
364p. Tese de doutorado, Ciências do Mar (Gestão Costeira), Faculdade de Ciências e
Tecnologia, Universidade do Algarve, 2012.
PBMC, 2016: Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às
mudanças climáticas: Relatório Especial do Painel Brasileiro de Mudanças
Climáticas [Marengo, J.A., Scarano, F.R. (Eds.)]. PBMC, COPPE - UFRJ. Rio de
Janeiro, Brasil. 184 p. ISBN: 978-85-285-0345-6.
PENEREIRO, J. C; MESCHIATTI, M. C. Variabilidades e Tendências Climáticas nos
Máximos do Inverno e Verão no Brasil. Revista Brasileira de Climatologia, v. 21,
2017.

137

PEREIRA, C., COELHO, C. Mapas de risco das zonas costeiras por efeito da ação
energética do mar. Revista de Gestão Costeira Integrada-Journal of Integrated
Coastal Zone Management, v. 13, n. 1, p. 27-43, 2013.
PEREIRA, T.D.S, COSTA, D.D., FRAGOSO JÚNIOR, C.R., MONTENEGRO,
S.M.G.L., UVO, C.B . Principais fatores de oscilação do clima controlando a
variabilidade da precipitação durante a estação seca no nordeste brasileiro: estudo de
caso das bacias dos rios mundaú e Paraíba do meio. Revista Água , v. 10, n. 11 de
2018.
PERES, A. P., NEVES, N. C. R. F., TADDEI, R. Atitudes e percepções de gestores
ambientais da Zona Costeira de SP frente às mudanças climáticas. Revista de
Economia e Sociologia Rural, 58(2), e191793. https://doi.org/10.1590/18069479.2020.191793, 2020.
PINHEIRO, Y. G. Morfodinâmica das praias arenosas e riscos costeiros do setor
leste da Ilha da Trindade, ES. Rio Grande, 2017, 134p. Dissertação. Mestrado em
Oceanografia Física, Química e Geologia Universidade Federal do Rio Grande, Rio
Grande do Sul, 2017.
PINHO, R. M. L; GRANZIERA, M. L. M. Efeitos das Mudanças Climáticas na Zona
Costeira: O Caso de Santos. Leopoldianum, v. 45, n. 125, p. 12-12, 2019.
PINHO, T. R. R; DANTAS, E. W. C; OLIVEIRA, S. J. Turismo e sustentabilidade em
comunidades costeiras: reflexões sobre mudanças socioambientais em Jericoacoara
(CE) e Barreirinhas (MA). Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur), v. 12, n. 4,
2019.
PLANO NACIONAL DE ADAPTAÇÃO À MUDANÇA DO CLIMA: volume 1:
estratégia geral: portaria MMA nº 150 de 10 de maio de 2016 / Ministério do Meio
Ambiente. Brasília: MMA, 2016.
RAMOS, J. M. F; DOMINGUEZ J. M. L. O índice de vulnerabilidade costeira para a
costa central do Estado da Bahia. In: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS
DO QUATERNÁRIO, 2004. Anais. Disponível em: Acesso em: 20 nov. 2021.
RANIERI, L. A., MAÂMAR, E. R. Evolução da linha de costa de Salinópolis, Nordeste
do Pará, Brasil. Pesquisas em Geociências, v. 42, n. 3, p. 207-226, 2015.
RAUBER, L. P., SILVA, A. C., MANTOVANI, A., ZÍLIO, M. Influências na produção
agrícola. Seminário de Iniciação Científica e Seminário Integrado de Ensino,
Pesquisa e Extensão, p. e22133-e22133, 2019.
REBOITA, M. S.; KRUSCHE, N.; AMBRIZZI, T.; ROCHA, R. P. Entendendo
o tempo e o clima na América do Sul. TERRA e DIDATICA 8(1):34 - 50, 2012.
REIS, J. S. Características dinâmicas e termodinâmicas dos vórtices ciclônicos de
altos níveis no Nordeste do Brasil. 2018. 76f. Dissertação (Mestrado em Ciências
Climáticas) - Centro de Ciências Exatas e da Terra, Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, Natal, 2018.

138

REGUERO, B.G; MÉNDEZ, F.J; LOSADA, I.J. Variability of multivariate wave
climate in Latin America and the Caribbean. Global and Planetary Change, 100:70–
84. DOI: 10.1016/j.gloplacha.2012.09.005.
RIBEIRO, W.C, 2008: Impactos das mudanças climáticas em cidades no Brasil. Centro
de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Parcerias Estratégicas, v. 13, n 27.
RIBEIRO, E. M.; PAIVA, S. V.; LUCAS, C. C; VILLAVICENCIO, C. B; SOARES,
M. O. Unidades de conservação costeiras e marinhas no Brasil. Geografia marinha
oceanos e costas na perspectiva de geógrafos. 1ed.Rio de Janeiro: Caroline Fontelles
Ternes, 2020, v. 1, p. 1-764.
ROCHA, A. F. Espectro cruzado e coerência wavelet: um estudo de variáveis
micrometeorológicas em frações urbanas na cidade de Cuiabá, MT. 2018. 126 f.
Tese (Doutorado em Física Ambiental) - Universidade Federal de Mato Grosso,
Instituto de Física, Cuiabá, 2018.
ROCHA, L.H.D.S, DA SILVA, D.F, KAYANO, M.T, BONFIM, O.E.T.
Homogeneidade, Eventos Extremos e suas Causas Climáticas: Bacia Hidrográfica do
Rio São Francisco. Revista Brasileira de Meteorologia , v. 37, p. 199-212, 2022.
ROCHA, T. B., MAGALHÃES, B. L., FERNANDEZ, G. B. Escalas interdecadal e
interanual na avaliação da dinâmica da linha de costa: Um estudo de caso nas praias de
Rio Das Ostras (RJ). Revista da ANPEGE, v. 17, n. 33, p. 146-161, 2021.
RODRIGUES, M. R. C; SILVA, J. O. M. Panorama Geral da Zona Costeira do Estado
do Amapá. Revista Brasileira de Geografia Física, v. 14, n. 03, p. 1664-1674, 2021.
RODRIGUES, T. K. Impacto das mudanças climáticas na zona costeira do
município de Aracaju-SE: estudo de caso utilizando o SMC (Sistema de
Modelagem Costeira). Salvador, 2014, 144p. Tese de doutorado, Programa de PósGraduação em Geologia Área de Concentração: Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar da
Universidade Federal da Bahia, 2014.
QUINAMO, L. A. Caracterização sedimentológica e aspectos geoambientais das
praias do litoral Sul de Pernambuco. Recife, 2013. 92 f. Dissertação (mestrado) UFPE, Centro de Tecnologia e Geociências, Programa de Pós-graduação em
Geociências, 2013.
SAES, R. V. S. T. Princípios de oceanografia .[et al.]. – Teresina: EDUFPI, 2018. 164
p. ISBN: 978-85-509-0288-3.
SALVIANO, M. F., GROPPO, J. D., PELLEGRINO, G. Q. Análise de tendências em
dados de precipitação e temperatura no Brasil. Revista Brasileira de Meteorologia, v.
31, p. 64-73, 2016.
SANSON, F. E. G; Florestas do antropoceno tensões no contexto das mudanças
climáticas. Florianópolis, 2016, 378p. Tese de doutorado, Programa de Pós-Graduação

139

Interdisciplinar em Ciências Humanas do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da
Universidade Federal de Santa Catarina. 2016.
SANTIAGO, B. D., GOMES, H. B. Estudo de ilhas de calor no município de
Maceió/AL usando dados orbitais do Landsat 5. Revista Brasileira de Geografia
Física, v. 9, n. 03, p. 793-803, 2016.
SANTOS, R. C. D. A. L. Evolução da linha de costa a médio e curto prazo
associada ao grau de desenvolvimento urbano e aos aspectos geoambientais na
Planície Costeira de Maceió-Alagoas.Recife, 2004, 1176p. Dissertação (Mestrado em
Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação) – Centro de Tecnologia e
Geociências, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil.
SANTOS, A. N. A dinâmica costeira e seus efeitos sobre a ocupação urbana na orla
marítima do Estado de Alagoas. SALVADOR, 2010, 227p. Tese de Doutorado,
Geologia. Universidade Federal da Bahia, 2010.
SANTOS, M. S. Caracterização espaço-temporal de secas utilizando ondaletas e o
Standardized Precipitation Index: uma aplicação para a parcela mineira da bacia
Rio São Francisco. 2011. Tese de Doutorado Programa de Pós-graduação em
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas
Gerais.
SANTOS, M. A. C. M., COSTA, I. M., COSTA, J. A., MATEUS, A. E., DA SILVA,
D.J., SOUSA, R. F. WITALO DA SILVA SALES, R. F., LOBO, J. T., SILVA, G.,
MIRANDA, V.G., MORENO, N. B. C., CALDAS, A. C. A., MONTEIRO. Tendências
No Nível De Rio Das Bacias Hidrográficas do Estado do Ceará e Suas Causas
Climáticas (ISBN 1984-2295). Revista Brasileira de Geografia Física, v. 7, p. 927938, 2015.
SANTOS, E. C., BONETTI, J. Análise da taxa de variação da linha de costa da Enseada
de Tijucas (SC) em diferentes escalas temporais como indicadora de suscetibilidade
costeira. Quaternary and Environmental Geosciences, v. 9, n. 2, 2018.
SANTOS, J. P. S, ANDRADE, A. C. S, NASCIMENTO, P. S. R., RAMOS, L. P.
Erosão costeira e faixas de recuo em praias arenosas do Sul de Sergipe, BRASIL.
Geociências, v. 40, n. 04, p. 1047-1061, 2021.
SANTOS, K. A. L.; Neves, K. M., Santos, W. A; VIEIRA. I. L; ALMEIDA, A. Q.
Variação da linha de costa no litoral central de Sergipe entre os anos de 1988 a 2019.
Anais do XIII Encontro De Recursos Hídricos em Sergipe. Aracaju-Sergipe, 2021.
SCHERER, M. Gestão de praias no Brasil: subsídios para uma reflexão. Revista de
Gestão Costeira Integrada-Journal of Integrated Coastal Zone Management, v. 13,
n. 1, p. 3-13, 2013.
SCOFIELD, G. B., DE ANGELIS, C. F., DE SOUSA JR, W. C. Estudo das Tendências
do Total de Precipitação e do Número de dias chuvosos no Litoral Norte de São Paulo.
RBRH–Revista Brasileira de Recursos Hídricos, v. 19, n. 3, p. 19-31, 2014.

140

SCUDELARI, A. C.; ROSADO, S. B.; DE MATOS, M. D. F. A.,AMARO, V. E. III005-melhoria da qualidade da água tratada e aumento da capacidade de etas através da
escolha adequada de coagulantes e auxiliares, em águas com alcalinidade alta (estudo de
caso). Anais do XIX Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental 2020.
SENADO FEDERAL (1988) - Constituição da República Federativa do Brasil.
Senado Federal, Brasília, DF, Brasil. Disponível em:
http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/
CON1988_10.10.2021/CON1988.pdf,
SERAFIM, M. B., SIEGLE, E., CORSI, A. C., e BONETTI, J. Coastal vulnerability to
wave impacts using a multi-criteria index: Santa Catarina (Brazil). Journal of
Environmental Management, v. 230, p. 21-32, 2019.
SHORT, A. D. Australian beach systems-nature and distribution. Journal of Coastal
Research, [s.i.], v. 22, n. 1, p. 11-27, 2006.
SILA, I. G; MORAES, F. S; STRUMINSKI, E. Comparação de técnicas de contenção
de ondas. Caderno de Graduação-Ciências Exatas e Tecnológicas-UNITALAGOAS, v. 4, n. 3, p. 25, 2018.
SILVA, A. S. D., SILVA, E. M. D., LEAL JUNIOR, J. B. V., SALES, D. C., MOURA,
I. J. M. , ALVES, J. M. B. Distúrbios Ondulatórios de Leste no Nordeste Brasileiro:
Um Estudo de Caso Utilizando Modelagem Numérica de Mesoescala. Revista
Brasileira de Meteorologia, v. 36, p. 637-649, 2021.
SILVA, D. V. Gestão ambiental e sustentabilidade em áreas costeiras e marinhas:
conceitos e práticas" Vol II [livro eletrônico] 1 ed. IVIDES.org. Rio de Janeiro, de
novembro de 2021.
SILVA, D. V., MATA-LIMA, H., MARTINS, M. C. B. S., ARAÚJO, M. C. B., KERN.
P., SILVA. M. C. G., FREITAS, A. C., OLIVEIRA, A. K., ULIANO, B. R.,
CRISTIANO, S. C., GATTO, D. B., ALMEIDA, H. R. R. C. A., FREITAS, M. C.,
AIRES, M., GANGUILHET, G., CARVALHO, M. C., COSTA, C. R., MARTINS, M.
C. B. S., SILVA, M. C. G., LAMPARELLI, C. C., MINELLO, M., FREITAS, F. S.,
PINHEIRO, M. S. S., SCELZA, G. C., CRISTIANO, S. C., MARTINS, F. M. C.P.F.,
KUROSHIMA, K. N., ABESSA, D. M. S., SANTOS, A., gestão ambiental e
sustentabilidade em áreas costeiras e marinhas: conceitos e práticas - volume II.
INVIDES- Instituto Virtual Para O Desenvolvimento Sustentável. 2022.
SILVA, G. A. D. Impactos do El niño-oscilação sul no potencial eólico do Nordeste
brasileiro: uma análise em condições atmosféricas com e sem a influência do
Atlântico Tropical Sul. 2021. . Dissertação (Mestrado em Meteorologia) - Programa de
Pós-Graduação em Meteorologia, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais - CTRN
Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas - UACA, Universidade Federal DE
Campina Grande – UFCG, 2021.

141

SILVA JUNIOR, O. M., SANTOS, L. S., RODRIGUES, M. Panorama Dos Riscos
Costeiros No Estado do Amapá: Conhecer Para Agir. In: Redução do risco de
desastres e a resiliência no meio rural e urbano. São Paulo, pp. 454–472. 2020.
SILVA, R.A.; SILVA, V.P.R.; CAVALCANTI, E.P; DOS SANTOS, D.N. Estudo da
variabilidade da radiação solar no Nordeste do Brasil. Revista Brasileira Engenharia
Agrícola e Ambiental, v. 14, n. 5, p. 501-509, 2010.
SILVA, I. R; GUIMARÃES, J. K; BITTENCOURT, A. C; RODRIGUES, T. K; AN, G.
F. Avaliação da dinâmica litorânea da região de Baixio/Barra do Itariri, litoral norte do
Estado da Bahia, utilizando o Sistema de Modelagem Costeira (SMC Brasil). Pesquisas
em Geociências, v. 44, n. 2, p. 221-234, 2017.
SILVA, M. T., ALCÂNTARA, C. R., SOUZA, E. P. D., OLINDA, R. A. D.,
GONÇALVES, W. A. Influência da temperatura da superfície do mar na ocorrência de
linhas de instabilidade na costa norte e nordeste do Brasil. Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 32, p. 260-268, 2017.
SILVA, R. O. B; MONTENEGRO, S. M. G. L; SOUZA, W. M. Tendências de
mudanças climáticas na precipitação pluviométrica nas bacias hidrográficas do Estado
de Pernambuco. Engenharia Sanitaria e Ambiental, v. 22, p. 579-589, 2017.
SILVA, L. E. F. Análise de tendência em séries históricas de vazão: uso de teste
estatístico paramétrico. Brazilian Applied Science Review, v. 4, n. 3, p. 998-1018,
2020.
SILVA, G. M. de C.; GOZZO, L. F.; REBOITA, M. S. Etapas de uma Previsão
Climática Sazonal. Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 17, n. 00, p. e021026-e021026,
2021.
SILVA,C. W. T., BARBOSA, H. A. Avaliação da precipitação na produtividade
agrícola da cana-de-açúcar: estudo de caso usina Coruripe para as safras de 2000/2005.
Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, n. 03, p. 1352-1366, 2021.
SIQUEIRA, A. H. B., SOUZA, L. O., MOLION, L. C. B., BERNARDO, S. O.,
SALVADOR, M. A., OLIVEIRA, J. P. P. Impactos do ENOS no Norte e Nordeste
Brasileiros e sua relação com a Oscilação Decadal do Pacifico. In: Anais do XIV
Congresso Brasileiro de Meteorologia, SBMET. 2006.
SIQUEIRA, A. H. B., MOLION, L. C. B. Utilização do filtro Hodrick-Prescott nas
análises de dados climáticos. Revista Brasileira de Climatologia, v. 11, 2012.
SOBREIRA, J. S; VILAR, J. W. C. Gestão de destinos turísticos costeiros:
ordenamento territorial do turismo em Coruripe-Alagoas. Revista Expressão
Científica, Aracaju, Ed. Especial ComTur, p. 46-49, 2018.
SOUSA, W. R. N., SOUTO, M. V. S., MATOS, S. S., SILVA NETO, C. A. DUARTE,
C. R., Extração automática de linhas de costa aplicada ao monitoramento de processos
de erosão costeira. Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, XVIII SBSR. 28
a 30 de maio 2017. ISBN 978-85-17-00088-1.

142

SOUSA, M. F. Erosão costeira da praia do Iguape: desafios e perspectivas. 2018. 79
f. TCC- Trabalho de Conclusão de Curso- (Graduação em Oceanografia) - Instituto de
Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, Instituto de Ciências do Mar,
Fortaleza, 2018.
SOUZA, C.R.G. A erosão costeira e os desafios da gestão costeira no Brasil. Revista de
Gestão Costeira Integrada, v. 9, p. 17-37, 2009.
SOUZA, W. F. D. Sensoriamento remoto e SIG aplicados à análise da evolução
espaçotemporal da linha de costa do município de Icapuí, Ceará-Brasil. Fortaleza,
2016, 135p. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Ceará,
Brasil.
SOUZA, J. L; SILVA, I. R; SANTOS, R. A. Políticas de adaptação frente às mudanças
climáticas globais: estratégias de gestão para as praias do município de mata de São
João, litoral norte da Bahia, BRASIL. Geociencias, v. 39, n. 4, p. 1153-1166, 2020.
SOUZA NETO, P. F., DA SILVA, D. F., ALMEIDA, H. R. R. ALMEIDA, H. R. R. C.
A Análise da Variabilidade Climática dos Oceanos Atlântico e Pacífico. Revista
Brasileira de Geografia Física, v. 14, n. 04, p. 1861-1879, 2021.
SPANGHERO, P., SOUZA, S. O., CHARLES, R., OLIVEIRA, R. C. Análise temporal
da evolução da linha de costa do setor urbano do município de Alcobaça/BA. Anais do
XII Simpósio Nacional de Geomorfologia. Cráto-CE, 2018.
SPERLING, V., FERNANDES, V., MARQUES, J. R. Relação entre a oscilação
decadal do pacífico (odp) e aprecipitação de verão no rio grande do sul. In:
CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA. 2009.
STIVE, M. J. F; AARNINKHOF, S. G. J.; HAMM, L.; HANSON, H.; LARSON, M.;
WIJNBERG, K. M.; NICHOLLS, R. J.; CAPOBIANCO, M. Variability of shore and
shoreline evolution.Coastal Engineering 47, p. 211– 235. 2002.
SUGUIO, K. Dicionário de Geologia Marinha. Queiroz T. A. Ed. São Paulo, 1992.
TABAJARA L.L; MARTINS L.R. Classificação textural de sedimentos praiais e a
relação com os processos morfogenéticos eólicos e marinhos. GRAVEL, ISSN 16785975. Dezembro – 2006 Nº 4 99-107. Porto Alegre.
TEIXEIRA, C. P. B., SOUTO, M. V. S., PINHEIRO, L. R. D. S. G., de MATOS, M. D.
F. A., GOMES, D. D. M. Análise da evolução costeira no município de Beberibe,
Estado do Ceará, entre os anos de 1979 A 2019. Geosciences= Geociências, v. 40, n.
04, p. 1005-1031, 2021.
THIELER, E. R; MARTIN, D; ERGUL, A. The Digital Shoreline Analysis System,
version 2.3. Shoreline change measurement software extension ArcMap 9.0. USGS
Open-File. 2005.

143

THIELER, E. R; HIMMELSTOSS, E. A; ZICHICHI, J. L; ERGUL, A. The Digital
Shoreline Analysis System (DSAS) version 4.0-an ArcGIS extension for calculating
shoreline change. US Geological Survey, 2009.
TOLDO JR., E. E., ALMEIDA, L.E.S.B. CORRÊA, I.C.S. Forecasting shoreline
changes of Lagoa dos Patos lagoon, Brazil. Journal of Coastal Research, 35: 43-50.
2003.
VIANNA, H. D; CALLIARI, L. J. Diversidade morfológica das dunas frontais no litoral
norte do Rio Grande Do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 20, n. 2,
2019.
VIANNA, L. F., SALES ARAÚJO, C., VANS, A. Erosão de praias e ressacas na Ilha
de Santa Catarina: causas, histórico recente e possibilidades de ação. Agropecuária
Catarinense, v. 35, n. 1, p. 8-12, 2022.
VILANI, M. T., SANCHES, L. Análise de Fourier e Wavelets aplicada à temperatura
do ar em diferentes tipologias de ocupação. Revista Brasileira de Engenharia
Agrícola e Ambiental, v. 17, p. 1340-1346, 2013.
WEINER, D. M. Análise da dinâmica costeira da foz do Rio Punaú, município de
Rio do Fogo/RN, com o apoio de geotecnologias. 2021. 91f. Dissertação (Mestrado
em Geografia) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal, 2021.
WEINER, D. M., AMARO, V. E., DE CARVALHO, I. Q., NASCIMENTO A., P. V.
Geotecnologias aplicadas na análise da dinâmica costeira na desembocadura do Rio
Punaú-RN, Nordeste do Brasil. REDE-Revista Eletrônica do PRODEMA, v. 1, n. 15,
p. 21-41, 2021.
WESCHENFELDER, J., ZOUAIN, R. A Variabilidade morfodinâmica das praias
oceânicas entre Imbé e Arroio do Sal, RS, Brasil. Pesquisas em Geociências, v. 29, n.
1, p. 3-13, 2002.
WOLFFENBÜTTEL, A. O que é? IPCC, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
– Ipea Presidente. 2007. Ano 4. Edição 34 - 10/5/2007. Disponível em URL:
http://www.ipea.gov.br Acesso em 01 de novembro de 2021.
WRIGHT, L. D; SHORT, A. D.; GREEN, M. O. Short-term changes in the
morphodynamic states of beaches and surf zones: an empirical predictive model.
Marine geology, [s.i.], v. 62, n. 3-4, p. 339-364, 1985.