André Luiz de Carvalho (2010).PDF
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA
N° de ordem: MET-UFAL-MS-067
ESTAÇÃO DE CULTIVO BASEADA NA PRECIPITAÇÃO
PLUVIAL DIÁRIA E NA OCORRÊNCIA DE PERÍODOS SECOS
PARA A REGIÃO DE RIO LARGO, ALAGOAS
ANDRÉ LUIZ DE CARVALHO
Maceió - AL
Fevereiro – 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA
N° de ordem: MET-UFAL-MS-067
ESTAÇÃO DE CULTIVO BASEADA NA PRECIPITAÇÃO PLUVIAL
DIÁRIA E NA OCORRÊNCIA DE PERÍODOS SECOS PARA A
REGIÃO DE RIO LARGO, ALAGOAS
ANDRÉ LUIZ DE CARVALHO
Dissertação
de
mestrado
Universidade
Federal
de
apresentada
Alagoas,
a
para
obtenção do título de Mestre em Meteorologia
Área
de
Concentração:
Superfície Terrestre.
Orientador: Prof. Dr. José Leonaldo de Souza
Maceió - AL
Fevereiro – 2010
Processos
de
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
C331e
Carvalho, André Luiz de.
Estação de cultivo baseada na precipitação pluvial diária e na ocorrência de
períodos secos para a região de Rio Largo, Alagoas / André Luiz de Carvalho,
2010.
[xiii], 68f. : il., grafs., tabs.
Orientador: Luiz Carlos Baldicero Molion.
Dissertação (mestrado em Meteorologia : Processos de Superfície Terrestre) –
Universidade Federal de Alagoas. Instituto de Ciências Atmosféricas. Maceió,
2010.
Bibliografia: f. 60-65.
Apêndices: f. 66-68.
1. Meteorologia agrícola. 2. Precipitação (Meteorologia) – Alagoas. 2. Estação
chuvosa. 4. Estação seca. I. Título.
CDU:551.577(813.5)
PENSAMENTO
"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência,
poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
(William Shakespeare)
Ao meu orientador Prof. Dr.
José Leonaldo de Souza, OFEREÇO.
A toda minha família, DEDICO.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. José Leonaldo de Souza pela orientação e incentivo durante o curso de
Mestrado.
Ao Prof. Dr. Gustavo Bastos Lyra pela co-orientação.
Aos meus amigos de graduação e de mestrado: Ronabson e Henderson.
Aos amigos que fiz no curso de Mestrado: Fábio, Ivon, Darlan, Henrique, Vinícius, José
André, Micejane e Cíntia.
Aos Colegas de Laboratório: Anthony, Ricardo, Maurício, Marcos Alex, Rui, Edmilson,
Franklin, Eduardo e Henrique.
Aos Professores: Marcos Moura e Bernardo Barbosa, pela participação na banca
examinadora.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) pela bolsa de
estudo que foi concedida.
A Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Ao CT-HIDRO/CNPq-504068/03-2, CNPq UNIVERSAL 479143/2007-2, CAPES, CNPqPIBIC-UFAL, pelos apoios financeiros.
SUMÁRIO
Pág.
LISTA DE FIGURAS............................................................................................. VIII
LISTA DE TABELAS............................................................................................
XI
LISTA DE EQUAÇÕES........................................................................................
XII
LISTA DE SIMBOLOS.......................................................................................... XIII
LISTA DE SIGLAS................................................................................................ XIV
1.0 INTRODUÇÃO...............................................................................................
1
2.0 REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................
3
2.1 Disponibilidade hídrica...........................................................................
2.2 Métodos agroclimáticos para planejamento agrícola.............................
2.3 Sistemas atmosféricos atuantes no Nordeste do Brasil.........................
2.4 El Niño Oscilação Sul (ENOS) e Oscilação Decadal do Pacífico
(ODP)...........................................................................................................
3
6
9
10
3.0 MATERIAL E MÉTODOS...............................................................................
11
3.1 Área de estudo e série diária de precipitação pluvial.............................
3.2 Características da estação chuvosa e de cultivo...................................
3.3 Aplicativo Instat Climatic.........................................................................
3.4 Dias secos e chuvosos...........................................................................
11
13
15
15
4.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................
17
4.1 Características da estação chuvosa e de cultivo...................................
4.2 El Niño / Oscilação Sul e períodos secos e na estação chuvosa..........
4.3 Probabilidade de ocorrência de períodos secos....................................
4.4 Probabilidade de ocorrência de dias secos e chuvosos........................
4.5 Probabilidade condicional de dias chuvosos..........................................
4.6 Quantidade de precipitação em dias chuvosos......................................
17
24
30
34
40
50
5.0 CONCLUSÕES..............................................................................................
58
6.0 REFERÊNCIAS BIBLIÓGRÁFICAS...............................................................
60
7.0 APÊNDICE.....................................................................................................
66
7.1 Distribuição da quantidade de precipitação diária e dias sem precipitação para o ano de 2008......................................................................
7.2 Distribuição de Períodos secos para o ano de 2008.............................
7.3 Representação dos Dias Julianos.........................................................
66
67
68
LISTA DE FIGURAS
Pág
Figura 1. Mapa de Alagoas com destaque para o município de Rio Largo...............11
Figura 2. Estação convencional agrometeorológica situada no Centro de
Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em Rio
Largo, Alagoas.....................................................................................................
12
Figura 3. Probabilidade Cumulativa do Início Potencial, Início de Sucesso e
Fim da estação chuvosa no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL................
18
Figura 4. Comparação entre o início potencial e o início de sucesso da
estação chuvosa e de cultivo para a região de Rio Largo - AL............................
24
Figura 5. Probabilidade de ocorrência de períodos secos (≥ 5 dias, ≥ 7 dias, ≥
10 dias) no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
27
Figura 6. Probabilidade de ocorrência de períodos secos (≥ 5 dias, ≥ 7 dias, ≥
10 dias), em grupos de três dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL,
considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm
(e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos......................
32
Figura 7. Totais de dias secos e chuvosos em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação
(a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de
precipitação pluvial de dias secos........................................................................
36
Figura 8. Totais de dias secos e chuvosos no dia anterior em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
37
Figura 9. Probabilidade de dias chuvosos em grupos de cinco dias no período
de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1
mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação
pluvial de dias secos............................................................................................
39
Figura 10. Total de dias secos com o dia anterior seco em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
41
Figura 11. Total de dias secos com o dia anterior chuvoso em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
42
Figura 12. Total de dias chuvosos com o dia anterior chuvoso em grupos de
cinco dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
44
Figura 13. Probabilidade observada e ajustada da ocorrência de um dia ser
chuvoso com o dia anterior chuvoso em grupos de cinco dias no período de
1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação
pluvial de dias secos............................................................................................
45
Figura 14. Total de dias chuvosos com o dia anterior seco em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
Figura 15. Probabilidade observada e ajustada da ocorrência de um dia ser
chuvoso com o dia anterior seco em grupos de cinco dias no período de 1973
– 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2
mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
46
dias secos.............................................................................................................
47
Figura 16. Probabilidade condicional de dias chuvosos em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem
precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como
limites de precipitação pluvial de dias secos........................................................
48
Figura 17. Média de chuva por dia chuvoso (mm) em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação
(a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de
precipitação pluvial de dias secos........................................................................
51
Figura 18. Quantidade média observada e ajustada de precipitação do dia
chuvoso seguido por outro dia chuvoso (mm) em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação
(a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de
precipitação pluvial de dias secos........................................................................
53
Figura 19. Quantidade média observada e ajustada de precipitação do dia
chuvoso seguido por um dia seco (mm) em grupos de cinco dias no período
de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1
mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação
pluvial de dias secos............................................................................................
54
Figura 20. Médias ajustadas da quantidade de precipitação para dia chuvoso
seguido por outro dia chuvoso e dia chuvoso seguido por um dia seco (mm)
em grupos de cinco dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL,
considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm
(e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos......................
55
Figura 21. Probabilidade semanal de totais de chuva (mm) no período de
1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação
pluvial de dias secos............................................................................................
57
LISTA DE TABELAS
Pág.
Tabela 1. Característica da estação chuvosa e de cultivo utilizando a
distribuição livre e ajustada pela distribuição normal...........................................
20
Tabela 2. Comprimento da estação chuvosa e de cultivo utilizando a
distribuição livre e ajustada pela distribuição normal...........................................
20
Tabela 3. Precipitação diária para o Ano de 1975...............................................
22
Tabela 4. Precipitação diária para o Ano de 2008...............................................
23
Tabela 5. Classificação e Intensidade do El Niño – Oscilação Sul no período
de 1973 a 2002.....................................................................................................
28
Tabela 6. Comprimento da estação chuvosa e de cultivo para a região de Rio
Largo, Alagoas.....................................................................................................
29
Tabela 7. Ocorrência diária de períodos secos para o ano de 2008 para a
região de Rio Largo, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm
(c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias
secos....................................................................................................................
33
Tabela 8. Total mensal de dias secos e chuvosos para o ano de 2008 para a
região de Rio Largo - AL, considerando 1 mm como o valor limite de
precipitação..........................................................................................................
38
Tabela 9. Total condicional de dias secos e chuvosos pela aplicação da
cadeia de Markov de 1° ordem a 1 mm de precipitação pluvial para o ano de
2008 para a região de Rio largo - AL...................................................................
50
LISTA DE EQUAÇÔES
Pág.
Equação
1.
Modelo
de
Penman-Monteith
FAO56
para
calcular
a
evapotranspiração de referência..........................................................................
13
Equação 2. Distribuição Normal..........................................................................
13
Equação 3. Função densidade de probabilidade para a distribuição Gama.......
14
Equação 4. Função densidade de probabilidade para a distribuição Gama.......
14
Equação 5. Função Gamma................................................................................
14
Equação 6. Sequência de dias secos e úmidos..................................................
16
Equação 7. Probabilidade para um dia ser chuvoso com o dia anterior seco.....
16
Equação 8. Probabilidade para um dia ser chuvoso com o dia anterior
chuvoso.................................................................................................................
16
LISTA DE SÍMBOLOS
γ
Constante psicrométrica
es
Pressão de saturação do vapor de água atmosférico
ea
Pressão atual do vapor de água atmosférico
∆
Gradiente da curva de pressão vs temperatura
µ
Média da distribuição normal
σ
Desvio padrão da população da distribuição normal
λ
Taxa média do processo da distribuição gamma
r
Número específico de eventos da distribuição gamma
Γ(r)
Função gamma
P_rd
Probabilidade de ocorrência de dias chuvosos com o dia
anterior seco
P_rr
Probabilidade de ocorr~encia de dias chuvosos com o dia
anterior chuvoso
U2
Velocidade do Vento a 2 m de Altura.
LISTA DE SIGLAS
ENOS
El Niño / Oscilação Sul
ODP
Oscilação Decadal do pacífico
ZCIT
Zona de Convergência Intertropical
TSM
Temperatura da Superfície do Mar
VCANS
Vórtice Ciclônico de Altos Níveis
VCAS
Vórtice Ciclônico de Ar superior
ZCAS
Zona de Convergência do Atlântico Sul
CECA
Centro de Ciências Agrárias
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
LARAS
Laboratório de Agrometeorologia e Radiometria Solar
Eto
Evapotranspiração de Referência
Rn
Saldo de Radiação
G
Fluxo de Calor no Solo
Ta
Temperatura do Ar
CARVALHO, André Luiz de. Estação de Cultivo baseada na Precipitação Pluvial
Diária e na Ocorrência de Períodos Secos para a Região de Rio Largo, Alagoas.
Orientador: Prof. Dr. José Leonaldo de Souza. Maceió – AL: MET, UFAL, 2010.
Dissertação (Mestrado em Meteorologia).
RESUMO
O objetivo desse trabalho foi determinar as características da estação de cultivo e os
períodos secos baseado em dados diários de precipitação pluvial para o município
de Rio Largo, Alagoas. A série de 36 anos de dados de precipitação pluvial diária
(1973 – 2008) foi obtida na estação convencional (9°28’S, 35° 49’O, 127m) do
Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Na definição de dia seco foram considerados seis diferentes valores de referência
para a precipitação (0, 1, 2, 3, 4 e 5 mm). O dia foi considerado seco quando
possuiu precipitação igual ou inferior a um desses valores e definido como chuvoso
em caso contrário. Os períodos secos foram definidos como a sequência de dias
secos com precipitação menor ou igual ao valor considerado de referência de
precipitação. O início (potencial e de sucesso), fim e comprimento da estação
chuvosa e de cultivo foram definidos pela utilização de métodos diretos em função
da precipitação pluvial e evapotranspiração de referência. As análises estatísticas de
ocorrência de chuva e de períodos secos foram feitas através da cadeia de Markov
no aplicativo Instat Climatic. Os períodos secos foram avaliados em três diferentes
intervalos de tempo (≥ 5 dias, ≥ 7 dias e ≥ 10 dias). A 80% de probabilidade, a
estação chuvosa iniciou-se no dia 07 de abril e terminou no dia 24 de outubro, com
comprimento de 221 dias. O início da estação chuvosa foi antecipado em anos de La
Niña (10 dias) e retardado em alguns anos de El Niño (9 dias), e assim, causa uma
diminuição no comprimento da estação de cultivo para anos de El Niño e aumento
em anos de La Niña. As maiores ocorrências de dias chuvosos foram observadas
entre abril e agosto (50 a 90%), enquanto novembro foi o mês mais seco (65 a 97%).
Na estação chuvosa (março a agosto), o período seco de 5 dias obteve as maiores
chances de ocorrência (5 a 85%). A ocorrência de períodos secos foi baixa para 7
dias (0 a 45%) e 10 dias (0 a 5%). As ocorrências de períodos secos foram
intensificadas pela ocorrência de eventos de El Niño (1 a 60%), entre 1980 e 1983, e
reduzidas em anos de eventos de La Niña (0 a 45%) entre 1983 e 1985.
Palavras Chaves: Dia seco, dia chuvoso, estação chuvosa e disponibilidade hídrica
CARVALHO, André Luiz de. Cultivation Station Based on Daily Precipitation and in
the Dry Spell Occurrence in Rio Largo, Alagoas. Adviser: Dr. José Leonaldo de
Souza. Maceió – AL: MET, UFAL, 2010. Dissertation (Master in Meterology).
ABSTRACT
The objective of this study was to determine the characteristics of the growing
season and dry spells based in daily rainfall data in Rio Largo, Alagoas. A serie time
with 36 years of daily precipitation data (1973 - 2008) was measured in the
conventional station (9 ° 28'S 35 ° 49'W, 127m) of the Agricultural Science Center
(ASC) of the Federal University of Alagoas (FUA). In the definition of dry days were
used six different values of precipitation (0, 1, 2, 3, 4 and 5 mm). The day was
considered dry when it has a rainfall of less than one of these six values and it was
defined as wet if the rainfall w as higher. The dry periods were defined as the
sequence of dry days with precipitation less than or equal to the reference value of
precipitation. The beginning (potencial and success), end e length of the rainy
season and cultivation were measured by using direct methods. Statistical analysis of
rain occurrence and dry spell was done with Markov chain in the software Instat
Climatic. The dry periods were defined in three different intervals (≥ 5 days, ≥ 7 days
and ≥ 10 days). At 80% probability the rainy season began on April 7th and finished
on October 24th with length of 221 days. The beginning of the rainy season was
anticipated in La Niña years (10 days) and delayed in years of El Niño (9 days), and
consequently, cause a decrease in length of growing season for El Niño years and
increase in La Niña years. The highest occurrences of rainy days were observed
between April to August (50 to 90%). And November was the driest month (65 to
97%). In the rainy season (March to August) the dry spell of 5 days was the one that
had the greatest chance of occurrence (5 to 85%). The occurrence of dry spells was
low for 7 days (0 to 45%) and 10 days (0 to 5%). The occurrences of dry spells were
intensified by the occurrence of El Niño events (1 to 60%) between 1980 and 1983
and were reduced in years of La Niña events (0 to 45%) between 1983 and 1985.
Key Words: Dry day, rainy day, rainy station and water availability.
1. INTRODUÇÃO
Uma das principais demandas na agricultura na atualidade é o aumento da
produtividade, com eficiência de aproveitamento dos recursos naturais. Perdas de
produtividade trazem prejuízos, tanto para o agricultor, como também para as regiões de
cultivo. As perdas na agricultura podem provocar escassez de alimentos, má nutrição,
doenças não verificadas, dizimação dos rebanhos de gado e perdas de vidas humanas
(Morse, 1987).
Para uma região, a falta ou a diminuição de recursos alimentícios provoca
prejuízos de forma social e, principalmente, econômica. As principais consequências
são: aumentos de preços, de importações de comida e na taxa de migração da área
rural para a área urbana. O baixo rendimento na produtividade de determinada cultura é
influenciado por fenômenos adversos que ocorrem na região, principalmente, a seca,
que resulta em diversas consequências negativas para as regiões agrícolas do Brasil
(Silveira e Assis, 2000).
Na região Tropical, a precipitação pluvial é o elemento meteorológico que mais
impacta a produtividade agrícola, sendo sua falta ou excesso o principal responsável
pela alternância das produções agrícolas anuais (Mousinho et al., 2006). A variabilidade
interanual e intra-sazonal da precipitação pluvial no Nordeste do Brasil é influenciada
por mecanismos de escala global como eventos de ENOS – El Niño / Oscilação Sul,
ODP (Oscilação Decadal do Pacífico) e a ZCIT (Zona de Convergência do Intertropical).
O ENOS é um fenômeno atmosférico de interação oceano-atmosfera, que ocorre no
oceano Pacífico Tropical, e é considerado como a principal causa da variabilidade
climática em diversas regiões do globo. Ele apresenta duas fases extremas: uma fase
quente, denominada El Niño, e uma fase fria, a La Niña.
1
Associado a disponibilidade pluviométrica, a produtividade agrícola é influenciada
pela ocorrência sequencial de dias secos, que são mais conhecidos como períodos
secos. A ocorrência de longos períodos secos é fator restritivo para se alcançar a
produtividade potencial das culturas, sendo importante a sua previsão (Fietz et al.,
1998). A ocorrência de períodos secos resulta em prejuízos para a agricultura,
particularmente se ocorreram nas fases fenológicas nas quais as plantas necessitam de
maiores quantidades de água, tais como: floração, frutificação ou enchimento de grãos
(Castro Neto et al., 1980). Os períodos secos contribuem para o baixo conteúdo de água
no solo provocando déficit hídrico, tanto nos solos como também dos regimes fluviais.
Informações em relação aos comprimentos de períodos secos auxiliam no manejo da
irrigação suplementar ou de salvação e em operações de campo como a colheita,
adubação, aplicação de herbicidas e inseticidas, entre outras (Sivakumar, 1992).
Os efeitos da seca são agravados pela disponibilidade inadequada de água às
culturas que é causada pela evapotranspiração acentuada, e pela falta de um programa
governamental de distribuição de água e fomento de técnicas de irrigação (Azevedo e
Leitão, 1990). O conjunto desses fatores associados à radiação solar proporciona
perdas ao produtor.
Vários modelos são utilizados para realizar análises das ocorrências de períodos
secos e chuvosos. Porém, um dos mais utilizados, tanto no Brasil como no mundo, é a
cadeia de Markov, por necessitar de poucos parâmetros de entrada. Esse método usa a
informação do dia anterior (seco ou chuvoso) para fornecer o prognóstico sobre a
possível ocorrência de um dia ser seco ou chuvoso em determinada região além de
fornecer informações sobre possíveis ocorrências de longos períodos secos (Stern et
al., 1982b). Modelos que realizam simulações possibilitaram maiores retornos
econômicos para os produtores rurais, com o uso de alternativas de datas de
semeadura, aplicação de nitrogênio, densidade de plantas e híbridos em relação às
fases do ENOS (Berlato et al., 2005).
O objetivo desse trabalho foi determinar as características da estação de cultivo e
os períodos secos baseado em dados diários de precipitação pluvial para o município de
Rio Largo, Alagoas.
2
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Disponibilidade Hídrica
As
culturas
agrícolas
necessitam,
para
o
adequado
crescimento
e
desenvolvimento, de determinada quantidade de água, que é suprida em parte pela
irrigação e, principalmente, pela precipitação pluvial. A precipitação pluvial está
diretamente relacionada com o rendimento final das culturas e sua variação durante o
ano, associado a outros fatores, pode provocar perdas na produtividade final das
culturas (Morais et al., 2001). Além da distribuição e a irregularidade da chuva, no tempo
e no espaço, outra característica climática que afeta uma região é a transição entre
períodos secos e chuvosos. Essa transição provoca notável mudança no clima,
principalmente, em regiões tropicais (Keller Filho et al., 2006).
O total de precipitação que ocorre durante o ano, mesmo que seja elevado, pode
dificultar a identificação da ocorrência de dias secos na estação chuvosa. Para a
agricultura, a distribuição, a frequência e a intensidade da precipitação são mais
importantes do que o total acumulado mensal. Porém, a quantidade total mensal de
precipitação é mais utilizada para estimar os efeitos da precipitação na agricultura e
também em balaços hídricos (Nieuwolt, 1989). Meses com total de precipitação elevado
podem apresentar ocorrência de dias secos, sendo a maior parte dessa precipitação
acumulada em períodos mais curtos (Riehl, 1979).
Como as culturas necessitam de elevada quantidade de água, a melhor época
para realizar a semeadura é a estação chuvosa. Uma forma de atenuar a falta de água
nas culturas é utilizar a data de início de chuvas como a data de plantio (Sivakumar,
3
1988). As plantações também podem ser realizadas durante a estação seca, sendo
necessária a utilização da irrigação para suprir a quantidade de água para as culturas.
A quantidade de precipitação que ocorre na estação chuvosa é suficiente para
que as culturas atinjam seu total desenvolvimento. Porém, ocorrências de sequências
de dias sem precipitação (períodos secos) provocam danos às culturas. As perdas na
produtividade nas culturas ocorrem, em muitos casos, devido à falta de água em suas
fases de desenvolvimento, principalmente em fases que são mais sensíveis a seca e
necessitam de maior quantidade de água (Sivakumar, 1992).
A maioria das culturas possui, durante o seu desenvolvimento, períodos críticos
com relação à falta de água, que podem provocar redução substancial na produtividade
final (Folegatti et al., 1997). Os prejuízos na produtividade dependem da duração e da
severidade do déficit de água nas culturas como também do desenvolvimento vegetal.
A redução dos eventos de precipitações ocasiona redução no conteúdo de água
armazenada no solo, que é definido como déficit hídrico. A deficiência hídrica ocorre
devido à variação da precipitação e também devido à intensa evapotranspiração. Outros
fatores como a baixa capacidade de retenção da água e a alta velocidade de infiltração
nos solos também estão relacionadas com a deficiência hídrica (Cruz et al., 1979).
O déficit hídrico causa também prejuízos para a economia de uma região, que é
dependente das atividades agrícolas. Sua intensidade, duração, época de ocorrência e
a interação com outros fatores do rendimento final é que vai definir o impacto da falta
de água sobre a economia da região (Cunha e Bergamaschi, 1992).
O fator de maior importância na variação do rendimento final das culturas é a
variabilidade interanual das condições hídricas do solo que é determinada pela
variabilidade das chuvas (Berlato, 1992).
O excesso de chuvas pode também trazer vários prejuízos para a agricultura,
devido ao escoamento superficial que é provocado quando a intensidade de
precipitação excede a taxa máxima de infiltração na camada superficial do solo. Vários
danos podem ocorrer, devido ao escoamento superficial, como o afogamento de
plantas no seu estágio inicial de desenvolvimento (Nieuwolt, 1989).
As perdas na agricultura são sérias, sendo condicionados pela precipitação e
pela necessidade hídrica da cultura e intensificadas pelo aumento de temperatura do ar
e dos solos e dos níveis de radiação solar. Outros fatores locais como o tipo de solo,
4
métodos de plantio, drenagem e o nível de água no solo, também podem afetar a
utilização da precipitação na agricultura.
O conteúdo de água disponível no solo é muitas vezes considerado apenas em
relação aos aspectos meteorológicos, tendo em base a demanda e o suprimento da
água por meio de métodos climatológicos. O teor da água no solo não é considerado,
mas leva em consideração o conceito de disponibilidade de água como função da
demanda atmosférica e da espécie vegetal (Braga e Villa Nova, 1983).
A pouca ocorrência de precipitação resulta também que o conteúdo de água no
solo atinja o ponto de murcha, devido à baixa capacidade dos solos de reter água. Isso
gera redução na produtividade potencial das culturas (Assad et al., 1993).
O balanço hídrico é importante na determinação da disponibilidade hídrica do
solo, a qual influencia diretamente nos processos que ocorrem nas plantas (Rose e
Stern, 1967). Pelo fato de ser importante no entendimento do requerimento de água dos
cultivos, relacionado com as condições do clima e do solo da região, ele tem sido
frequentemente utilizado no manejo da irrigação, por ser relativamente preciso na
determinação do consumo de água por comunidades vegetais (Pereira et al., 1994). O
balanço de água também é aplicado para definir os períodos de deficiência hídrica, em
que há necessidade de irrigação suplementar e também a identificação dos períodos de
excesso, em que a água da chuva será armazenada pelo solo. O balanço hídrico de
uma região é composto por alguns componentes como a precipitação, irrigação,
escoamento superficial, percolação profunda ou ascensão capilar e evapotranspiração,
que podem ser determinados por diferentes técnicas ou através de medidas.
A evapotranspiração é um elemento climatológico importante para a agricultura.
Ela representa o processo de transferência da água do sistema planata-solo para a
atmosfera, sendo parte dessa água diretamente evaporada do solo para a atmosfera e a
outra parte é transferida pelo processo de transpiração através dos tecidos vegetais
(Pereira et al., 1997). A evapotranspiração também pode ser expressa como a
quantidade equivalente de água evaporada por unidade de tempo, geralmente
representada como lâmina de água por unidade de tempo (mm dia-1) (Burman et al.,
1983). Essa quantidade de água, que é perdida dos solos e das plantas, é controlada
pelo balanço de energia, pela demanda atmosférica e pelo suprimento de água do solo
para as plantas. A radiação é o elemento mais importante no poder evaporante do ar,
porém outros fatores locais como o vento, a umidade e a temperatura do ar podem
5
influenciar na evapotranspiração (Pereira et al., 1997). A evapotranspiração pode ser
determinada pelo saldo de radiação, onde há forte correlação entre o saldo de radiação
e a radiação global (Chang, 1968). Porém os métodos na determinação da
evapotranspiração devem levar em conta a praticidade e a precisão, pois, apesar
desses métodos teóricos e micrometorológicos serem baseados em princípios físicos,
apresentam limitações, principalmente em relação à instrumentação, o que pode
restringir a sua utilização (Berlato e Molion, 1981).
Alguns métodos foram desenvolvidos para realizar o balanço hídrico, sendo o
método de Thornthwaite e Mather (1955) o que se destaca entre os demais. Esse
método considera que a baixa disponibilidade de água está diretamente relacionada
com a capacidade de armazenamento de água nos solos, afirmando assim, que o solo
atua como um componente ativo no seu cálculo.
2.2. Métodos Agroclimáticos para Planejamento Agrícola
A prática básica em análises agroclimáticas é somar quantidades de precipitação
sobre períodos arbitrários de 5, 7 ou 10 dias. Os totais, um de cada ano, para um
período particular, são analisados para se estimar as quantidades de chuva que podem
ser esperados em níveis de probabilidade pré-definidos. Isto pode ser feito
simplesmente requisitando os totais e derivando empiricamente os pontos percentuais
(Stern et al., 1982a)
Definir um evento para marcar o início de chuvas não é simples, devido a
natureza intermitente e irregular das precipitações tropicais (Stern et al., 1982a). O
evento pode ser definido de diferentes formas para diferentes aplicações utilizando a
quantidade de precipitação. A data do início é uma importante variável climatológica,
sendo utilizada como a data de plantio para que os cultivos sejam feitos em épocas que
ocorram as maiores quantidades de chuvas (Arruda, 1980). A definição da data do fim
das chuvas pode também depender na aplicação particular. Em alguns estudos, o fim
da estação chuvosa é definido como a última data, na qual uma quantidade de início é
excedida. Outra possibilidade é usar a primeira ocorrência de um longo período seco
depois de uma data específica. As definições acima são unicamente baseadas na
precipitação, mas a medida de água armazenada no solo é precisa para definir o fim do
período de crescimento mais realístico. Assim, é usado um simples balanço hídrico
6
diário (Stern et al., 1982a). Uma vez que definições satisfatórias do início e fim das
chuvas (ou estação de crescimento) foram estabelecidas, o comprimento da estação
chuvosa é calculado pela subtração, para cada ano, da data no qual as chuvas iniciam
e da data que elas terminam. É útil avaliar se há relação entre as datas de início e fim
de chuvas. Se não há correlação, torna-se fácil responder questões condicionais sobre
sua tendência (Stern et al., 1982a).
Períodos secos são sequências de dias secos consecutivos com determinada
precipitação igual ou inferior a um valor limite de precipitação adotado. Os dias com
quantidade de precipitação superior a esse valor limite são considerados como dias
chuvosos. Outras definições de períodos secos foram utilizadas por alguns autores,
como por exemplo, Vasconcellos et al. (2003) definiram dia como seco quando o
armazenamento de água no solo, de acordo com o balanço hídrico, foi igual ou inferior a
certo valor crítico, condicionado pela demanda atmosférica. Freitas e Grimm (1998)
caracterizaram o dia como seco quando a precipitação foi inferior a evapotranspiração
potencial. Silveira e Assis (2000) definiram períodos secos como sequências de dias
secos com a quantidade de precipitação igual à zero. Já Viana et al. (2002)
consideraram como dia seco o dia que apresentou déficit hídrico, ou seja, dia com
precipitação igual a zero ou inferior a evapotranspiração de referência.
Não há consenso a ser seguido com relação a quantidade de precipitação limite
que deve ser adotada para caracterizar o dia como seco. Esse valor limite de
precipitação depende das condições do clima e do solo da região. Vasconcellos et al.
(2003) definiram o valor limite de precipitação de acordo com as características físicas
do solo, profundidade efetiva do sistema radicular e a evapotranspiração. Na literatura
as quantidades de precipitação frequentemente utilizadas em estudos sobre períodos
secos foram 1 mm (Silva et al., 1997) e 5 mm (Assad et al, 1993; Fietz et al., 1998;
Viana et al., 2000). As ocorrências de seca podem também não estar relacionada com a
falta ou baixa quantidade de precipitação. Outros fatores que ocorrem em um período de
estiagem como o tipo de solo que armazena a água e o tempo de exposição da
cobertura vegetal à demanda atmosférica, podem ocasionar a seca agrícola em uma
região (Vasconcellos et al., 2003).
As ocorrências de períodos secos são fortemente influenciadas pelas condições
climáticas da região. Farmer e Wigley (1985) definiram que as causas mais prováveis
das ocorrências de períodos secos são: a temperatura da superfície do mar (TSM), as
7
condições da superfície do continente (albedo e umidade) e a umidade atmosférica. Nos
Trópicos, as ocorrências de períodos secos estão associadas à Zona de Convergência
Intertropical – ZCIT (Nieuwolt, 1989). Os períodos secos também estão associados aos
eventos de ENOS - El Niño / Oscilação Sul, sendo esse diretamente relacionado a
variações da temperatura do Oceano Pacífico Tropical Sul (Assad et al., 1993).
As informações sobre períodos secos são essenciais para a agricultura,
principalmente para avaliar o déficit de água para as culturas, e pode ser suprida via
irrigação. Essas informações também são importantes para definir se uma cultura ou
variedade é apta para determinada região. Inadequações de fenologia de uma cultura e
o regime de precipitação podem ser feitos com as informações sobre períodos secos
antes que experimentos de campo sejam realizados (Sivakumar, 1992).
A baixa quantidade de água disponível no solo, provocada pelos períodos secos,
pode trazer inúmeros prejuízos para a agricultura. Os períodos secos trazem prejuízos
para a economia de uma região, principalmente quando coincidem com a fase
reprodutiva das culturas e sua frequente ocorrência reduz a produtividade dessas
culturas. As ocorrências de períodos secos são mais danosas em períodos de maiores
acumulados de precipitações, ou seja, na estação chuvosa, já que elas não são
esperadas (Nieuwolt, 1989).
Os períodos secos, quando ocorrem na estação chuvosa são denominados de
veranicos. Os veranicos também são prejudiciais à agricultura quando ocorrem em fases
fenológicas, em que as plantas necessitam de maior quantidade de água, como o
florescimento e o enchimento de grãos (Sivakumar, 1992).
A preocupação na agricultura não é somente com a ocorrência de períodos secos,
mas também com sua intensidade. Longos períodos secos podem causar deficiência
hídrica tanto nos solos como nos sistemas fluviais que abastecem a região (Silveira e
Assis, 2000). Os períodos secos, dependendo da sua intensidade, podem ou não trazer
prejuízos às culturas. Isso vai depender do solo da região, da drenagem e das
condições hídricas do solo. Períodos secos de sete dias podem prejudicar a
produtividade final de uma cultura, caso ela não seja irrigada (Nieuwolt, 1989).
As consequências dos períodos secos sobre os cultivos podem ser minimizadas
com práticas no manejo do solo. Essas práticas podem auxiliar o armazenamento de
solo e assim reduzir o impacto da falta de água condicionada pela sequência de dias
secos (Assad et al., 1993).
8
2.3. Sistemas Atmosféricos Atuantes no Nordeste do Brasil
O regime de chuvas do Nordeste do Brasil é resultante da complexa atuação de
alguns sistemas como as frentes frias, as ondas de leste, Vórtices Ciclônicos da
Troposfera Superior (VCANS), ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) e sistemas de
brisas marítimas-terrestre.
As frentes frias constituem um dos principais mecanismos da ocorrência de
chuvas. Formam bandas de nuvens, quando ocorre o encontro entre uma massa de ar
frio (mais densa) com uma massa de ar quente (menos densa). A massa de ar frio fica
em baixo da massa de ar quente, e faz com que o ar quente e úmido suba, formando as
nuvens e, consequentemente, as chuvas (Serra, 1941). As ondas de leste são
formadas em áreas de influência dos ventos alísios e ocorrem em lugares próximos a
linha do Equador, no qual encontra-se a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Elas se deslocam de oeste para leste, ou seja, desde a costa da África até o litoral leste
do Brasil, associada a convecção (Yamazaki e Rao, 1977). Os vórtices ciclônicos de ar
superior (VCAS), que ocorrem entre os meses de novembro e fevereiro, causam chuvas
intensas e longos períodos de estiagem. Sua formação está relacionada com a
circulação geral da atmosfera, alta da Bolívia (AB), Zona de Convergência do Atlântico
Sul (ZCAS) e as frentes frias (Aragão, 1976). A Zona de Convergência Intertropical
(ZCIT) é um dos mais importantes sistemas meteorológicos atuando nos trópicos.
Devido à sua estrutura física, a ZCIT tem se mostrado decisiva na caracterização das
diferentes condições de tempo e de clima em diversas áreas da Região Tropical. Ela é
uma zona de convergência em baixos níveis (próximo a superfície), na região de
fronteira entre os hemisférios Norte e Sul. Brisas são caracterizadas como ventos que
ocorrem próximos a superfície do mar. As brisas podem ser classificadas em brisas
marítimas e brisas terrestres. A brisa marítima ocorre no período diurno, pois a terra é
aquecida mais rapidamente do que a água. A baixa pressão que é formada na
superfície forma uma ascensão do ar e o ar mais fresco do oceano e escoa em direção
a terra. As brisas terrestres ocorrem pela noite devido à capacidade de perder calor da
terra ser maior que o da água. A direção da brisa terrestre é da terra para o oceano e
sua intensidade é geralmente mais fraca por causa da diferença de temperatura que é
menor pela noite (Kousky, 1980).
9
2.4. El Niño Oscilação Sul (ENOS) e Oscilação Decadal do Pacífico (ODP)
O El Niño – oscilação sul (ENOS) é um dos principais modos de variabilidade
climática em diversas regiões do globo e está relacionado com a ocorrência de
precipitação no Nordeste do Brasil. O ENOS é um fenômeno de interação oceanoatmosfera, que ocorre no Oceano Pacífico Tropical com anomalias no padrão de
pressão atmosférica nas regiões de Darwin (norte da Austrália) e de Taiti, e é
considerado como a principal causa da variabilidade climática em diversas regiões do
globo. Ele apresenta duas fases extremas: uma fase quente e uma fase fria. A fase
quente do fenômeno (El Niño) é caracterizada pela elevação da Temperatura da
Superfície do Mar (TSM) das águas da região oriental do Oceano Pacífico Tropical, com
TSM acima da média da região, associado com a ocorrência de pressões atmosféricas
abaixo da normal na região de Taiti e acima da normal na região de Darwin. Na fase fria
(La Niña), a tendência das componentes oceânica e atmosférica é inversa (Fontana e
Berlato, 1997).
No Nordeste do Brasil a ocorrência de eventos de El Niño provoca aumento
significativo na temperatura do ar, que ocasiona maiores ocorrência de períodos secos.
Com ocorrência de eventos de La Niña a temperatura diminui e há maiores ocorrência
de precipitação. Previsões de ENOS são importantes, por que auxiliam no
planejamento da agricultura (calendário agrícola), no manejo do solo e na utilização da
água, visando minimizar os impactos da variabilidade climática sobre as culturas e
também para aproveitar as situações climáticas favoráveis.
A Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) são oscilações de longo prazo e seu
tempo de duração varia entre 20 e 30 anos. A ODP possui duas fases: uma fase quente
e uma fase fria. A fase quente apresenta anomalias positivas de TSM no oceano
Pacífico Tropical e anomalias negativas no oceano Pacífico Extratropical. As últimas
ocorrências de ODP ocorreram nos períodos de 1925 a 1946 e 1977 a 1998. A fase fria
apresenta anomalias negativas de Temperatura na Superfície do Mar (TSM) no oceano
Pacífico Tropical e anomalias positivas de TSM no oceano Pacífico Extratropical
(Molion, 2005).
10
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1. Área de Estudo e Série Diária de Precipitação Pluvial
O estudo foi realizado com dados observados na região de Rio Largo, localizado
na Região Metropolitana de Maceió, no estado de Alagoas (Figura 1). O clima dessa
região, segundo a classificação climática de Köppen, é quente e úmido, sem grandes
variações térmicas e com maiores ocorrências de precipitação no outono e no inverno.
Os valores totais anuais de precipitação pluvial são elevados com média anual de 1.800
mm. A temperatura do ar a 80% de probabilidade apresenta variação de 26,0°C e
32,8°C, para a temperatura máxima e de 18,3°C e 23,2°C, para a temperatura mínima
(Souza et al., 2004).
Figura 1. Mapa de Alagoas com destaque para o município de Rio Largo (Fonte:
Wikipédia, Dezembro de 2009).
11
Foi utilizada, neste estudo, uma série de 36 anos de dados de precipitação pluvial
diária (1973 – 2008), obtidos em pluviômetro convencional instalado na estação
agrometeorológica (Figura 2), no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), situada no município de Rio Largo (9°28’S, 35° 49’W,
127m) e região dos tabuleiros costeiros de Alagoas. Os dados foram agrupados em
períodos de cinco dias e para cada período determinou-se a média aritmética da série.
O tratamento dos dados e as análises estatísticas foram feitos no Laboratório de
Agrometeorologia e Radiometria Solar (LARAS) do Instituto de Ciências Atmosférica da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Figura 2. Estação agrometeorológica situada no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em Rio Largo, Alagoas.
12
3.2. Características da Estação Chuvosa e de Cultivo
O método direto (distribuição de freqüência) para identificação do início potencial
da estação chuvosa e de cultivo (Stern, 1982a) consistiu na determinação do primeiro
dia de março, que é o mês de transição entre o período seco e o período úmido, com
precipitação de 20 mm ou mais, em um ou dois dias consecutivos. Já o início de
sucesso consistiu no mesmo critério do início potencial, mas sem período seco de 10 ou
mais dias nos 30 dias posteriores. O fim da estação chuvosa com método direto
consistiu no primeiro dia depois do dia primeiro de setembro (mês de início do período
seco), quando a capacidade de armazenamento de água do solo máxima (60 mm)
diminui até zero contabilizando-se a precipitação pluvial e a evapotranspiração de
referência (ETo) diária. O comprimento em número de dias da estação de cultivo foi
determinado pela diferença entre o início e o fim das chuvas. A evapotranspiração de
referência diária foi determinada pelo modelo de Penman-Monteith FAO. Para utilizar
esse modelo foi necessário realizar medidas de saldo de radiação (Rn), fluxo de calor no
solo (G), temperatura média do ar (Ta) e umidade do ar, pressão atmosférica e
velocidade do vento a 2 m de altura (u2), constante psicrométrica ( γ ), pressão de
saturação do vapor de água atmosférico (es), pressão atual do vapor de água
atmosférico (ea), gradiente da curva de pressão vs temperatura ( ∆ ) realizadas na
estação do CECA.
900
u 2 (es − ea )
Ta + 273
∆ + γ (1 + 0,34u 2 )
0,408 ∆ (R n − G ) + γ
ET =
o
(1)
As datas de início, fim e o comprimento da estação chuvosa e de cultivo foram
ajustados a uma distribuição normal para comparar os resultados com a distribuição
observada.
f (x) =
1
e
2πσ
2
1 x − µ
−
2 σ
(2)
onde µ é a média e σ o desvio padrão da população.
13
Para analisar as ocorrências de dias secos e dias chuvosos foram considerados
seis referências limites de precipitação (0, 1, 2, 3, 4 e 5 mm), abaixo do qual o dia foi
considerado seco. Os dias secos e chuvosos, através da cadeia de Markov de 1°
ordem, foram divididos em quatro subgrupos: a) dia seco com o dia anterior seco, b) dia
seco com o dia anterior chuvoso, c) dia chuvoso com o dia anterior chuvoso e d) dia
chuvoso com o dia anterior seco. As probabilidades de ocorrência de dias secos e
chuvosos e a quantidade de precipitação pluvial diária foram modeladas pela utilização
da distribuição gamma (Buishand, 1977). A função densidade de probabilidade para a
distribuição gama é dada por:
f (x) =
λ r r −1 −λx
x e
Γ(r)
f (x) = 0
para x ≥ 0
(3)
para x < 0
(4)
onde os parâmetros da distribuição gama, que podem assumir qualquer valor positivo,
são: λ, taxa média do processo; r, número específico de eventos que ocorrem até que a
variável X (tamanho do segmento de tempo ou espaço) seja atingida.e Γ(r) é a função
gama, definida por:
∞
Γ(r) = ∫ x r −1 e − x dx
para r > 0
(5)
0
Os períodos secos foram analisados em três diferentes intervalos de tempo (≥
5dias, ≥ 7 dias e ≥ 10 dias) que foram definidos através de análises dos períodos secos
mais frequentes. As probabilidades foram determinadas com o auxílio do aplicativo
Instat Climatic (Stern et al., 2005) e os resultados foram armazenados em planilhas para
a construção dos gráficos em software adequado. Os dias do ano foram representados
nos gráficos pelo dia Juliano (Apêndice, Tabela 3).
14
A análise das características da estação chuvosa e de cultivo e de períodos secos
com os eventos de ENOS – El Niño Oscilação Sul foi realizada pela classificação dos
anos, em anos de ocorrência de um evento de El Niño e anos de ocorrência de um
evento de La Niña, da série de estudo. Essa classificação foi realizada pelo CPTEC e
está disponível no site (Disponível em: http://enos.cptec.inpe.br/tab_elnino.shtml e
http://enos.cptec.inpe.br/tab_lanina.shtml. Acessado em Mar.2009).
3.3. Aplicativo Instat Climatic
O aplicativo Instat Climatic (Stern et al., 2005) é uma ferramenta que auxilia nas
análises estatísticas de eventos climáticos. Com esse aplicativo pode-se realizar simples
análises de alguns eventos relacionados à meteorologia, como por exemplo: Início e fim
da estação chuvosa, períodos secos e chuvosos, extremos e o balanço hídrico. Essa
ferramenta também permite fácil aplicação de modelo estatístico, a cadeia de Markov,
um dos métodos utilizados no presente estudo.
O software Instat Climatic proporciona análise detalhada da quantidade de
precipitação pluvial diária e também os dias sem ocorrência de precipitação pluvial
(Apêndice, Tabela 1). Esse software classifica os dias em dias secos ou dias chuvosos,
e dessa forma, pode-se determinar a quantidade de dias secos que ocorre nos períodos
secos e também a quantidade de dias chuvosos que ocorre num período úmido
(Apêndice, Tabela 2).
3.4. Dias Secos e Chuvosos
A cadeia de Markov é a principal ferramenta estatística utilizada em análises de
ocorrência de precipitação pluvial diária. Também é importante na avaliação da
transição entre dias secos e chuvosos (Keller Filho et al., 2006). Geralmente são
utilizados programas computacionais como o Instat Climatic para ajustar e testar a
eficiência de ajuste da cadeia de Markov com dados de precipitação diária. A cadeia de
Markov comumente utilizada é a de 1° e 2° ordem. A cadeia de Markov de 1° ordem é
recomendada pelo menor número de parâmetros e a facilidade de realizar análises de
períodos secos mais longos (Stern, 1982b). Informações sobre dias secos e chuvosos
15
que ocorreram dois dias antes (2° ordem) têm pouco efeito na probabilidade de chuva
comparada com a informação de dias secos e chuvoso no dia anterior (1° ordem). A
cadeia de Markov de 1° ordem utiliza a informação do dia anterior para fornecer as
chances de ocorrer um dia seco ou chuvoso. A cadeia de Markov considera que a
quantidade de precipitação que ocorrer em determinado dia é um evento estocástico e
depende da probabilidade de o dia anterior ser seco (P_rd) ou chuvoso (P_rr). Cada ano
(Qi) pode ser descrito com uma sequência de dias secos (xj = 0) ou chuvosos (xj = 1)
como:
Qi = {x1, x2,........xj-1, xj}, para
(6)
Qi = {1, 2, 3,..........i-1, i}
em que, i é o número de anos e j é o número de dias do ano. A probabilidade para um
dia ser chuvoso após um dia seco será calculada pela seguinte equação:
∑Q =1 (x j = 1, x j −1 = 0 )
P(rd) = prob (xi = 1, xi =0) =
Q =i
∑Q =1 (x j −1 = 0 )
Q =i
(7)
Para calcular a probabilidade de um dia chuvoso seguido de um dia chuvoso é utilizado
a seguinte equação:
∑Q =1 (x j = 1, x j −1 = 1)
P(rr) = prob (xi = 1, xi =1) =
Q =i
∑Q =1 (x j −1 = 1)
Q =i
(8)
A função, neste caso, usando a análise de Fourier será ajustada para estimar a
probabilidade.
16
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Características da Estação Chuvosa e de Cultivo
A distribuição de frequência para o início da estação chuvosa e de cultivo
mostrou que o início potencial ocorreu a 20% de probabilidade, em 03/03 e a 80% em
01/04 (Figura 3). O nível de 80% de probabilidade é recomendado em climatologia
agrícola para garantir que a cada dez anos há chances em oito de ser observado um
evento igual ou superior. O início de sucesso (05/03) diferiu do início potencial (03/03)
por apenas dois dias a 20% de probabilidade (Tabela 1), enquanto a 80% a diferença
foi de seis dias (07/04). A diferença entre os inícios potencial e de sucesso da estação
chuvosa e de cultivo foi de aproximadamente 30 dias entre as probabilidades 20 e 80%.
O fim da estação chuvosa e de cultivo teve maior chance de ocorrência em
outubro. Em 20% dos anos, o fim ocorreu em 01/10, enquanto que a 80% de
probabilidade foi em 24/10 (29 anos). Isso foi equivalente, para 24/10, o
armazenamento de 60 mm ser totalmente utilizado no processo de evapotranspiração
da região. A proximidade nos valores do início potencial e do início de sucesso da
estação chuvosa e de cultivo resultou em comprimentos similares desses períodos
(Tabela 2). O comprimento médio do período de cultivo foi de 208 dias (início potencial)
e 203 dias (início de sucesso), com a diferença de apenas cinco dias entre os métodos.
O comprimento da estação chuvosa e de cultivo para 20% de probabilidade foi de 197 e
de 187 dias para o início potencial e de sucesso, respectivamente. Ou seja, para 1/5
dos anos (sete anos) a diferença foi de dez dias. Esses períodos de cultivo a 80% de
probabilidade tiveram 225 e 221 dias para o início potencial e de sucesso, o que
correspondeu a diferença de quatro dias em 29 anos da série de 1973 a 2008.
17
A Caracterização da estação chuvosa de Rio Largo foi realizada por Cardim
(2003), baseada no método da precipitação provável de 20 mm e no método da
precipitação provável a 75% de probabilidade e a evapotranspiração, em períodos
decendiais. Esses métodos mostraram que o início da estação chuvosa ocorreu no
decêndio entre os dias 01-10/04. Esses resultados mostram que métodos diretos são
úteis para a determinação do início da estação chuvosa, pois a 80% de probabilidade, o
início potencial ocorreu em 01/04 e o início de sucesso ocorreu em 07/04.
O fim e o comprimento da estação chuvosa apresentaram valores diferentes
comparando esses métodos. No método de precipitação provável a 20 mm e a 75% de
probabilidade, o fim da estação chuvosa ocorreu no decêndio entre 01-10/10. Mas, o
método direto mostrou que o fim da estação chuvosa, a 80% de probabilidade, ocorreu
no fim de outubro (24/10). O comprimento da estação, que foi de 193 dias para os
métodos de precipitação provável a 20 mm e a 75%, para o método direto foi de 225
dias, considerando o início potencial e 221 dias dado o início de sucesso.
Início potencial
Início Sucesso
Fim
100
Probabilidade (%)
80
60
40
20
0
50
100
150
200
250
300
Dia Juliano
Figura 3. Probabilidade Cumulativa do Início Potencial, Início de Sucesso e Fim da
estação chuvosa no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL.
18
Baseado na distribuição normal ajustada (Tabela 1), o início potencial e de
sucesso da estação chuvosa e de cultivo também apresentaram proximidade. A 20 %
de probabilidade, o início potencial da estação chuvosa e de cultivo foi observado em
04/03, enquanto que o início de sucesso foi para 07/03, ou seja, a diferença foi de
apenas três dias. A 80% de probabilidade, o início potencial da estação chuvosa e de
cultivo ocorreu em 29/03 e o início de sucesso foi em 09/04, e assim, diferença de 11
dias.
A distribuição normal, quando comparada com a distribuição de frequência
observada mostrou valores próximos para as datas de início da estação chuvosa e de
cultivo. Ao nível de 20% de probabilidade, a diferença foi de um dia para o início
potencial e de dois dias para o início de sucesso. Para 80% de probabilidade a
diferença foi de três e dois dias para o início potencial e de sucesso, respectivamente.
O fim da estação chuvosa e de cultivo ocorreu em 30/09 e 23/10 para as probabilidades
de 20 e 80%, respectivamente. A diferença, tanto para a probabilidade de 20% quanto
para de 80%, foi de apenas um dia.
Os comprimentos médios da estação chuvosa e de cultivo (Tabela 2) foram de
209 dias (início potencial) e 202 dias (início de sucesso), ou seja, houve apenas
diferença de sete dias. A diferença entre os comprimentos da estação chuvosa e de
cultivo também foi baixa para os demais níveis de probabilidade. A 20% a probabilidade
esses períodos ocorreram com 193 e 182 dias, respectivamente para o início potencial
e de sucesso, com onze dias de diferença entre eles. Enquanto que ao nível de 80% os
comprimentos da estação chuvosa foram de 225 (início potencial) e 222 dias (início de
sucesso), com diferença de apenas três dias. A diferença entre o comprimento médio
pela distribuição de frequência observada e pela função de probabilidade normal foi de
apenas um dia, tanto para o início potencial quanto para o de sucesso. Comparando o
comprimento das estações chuvosas e de cultivos pelas duas distribuições observou-se
que a 20% de probabilidade houve diferença de quatro e cinco dias, respectivamente. A
80% de probabilidade, o comprimento desses períodos, pelas duas distribuições, não
teve diferença para o início potencial e diferiu de apenas um dia para o inicio de
sucesso. Esses valores mostram que tanto o início potencial quanto o início de sucesso
apresentaram resultados semelhantes, podendo ser usado qualquer um dos dois na
determinação da estação chuvosa e de cultivo.
19
Tabela 1. Característica da estação chuvosa e de cultivo baseada na distribuição livre e
ajustada pela distribuição normal.
Distribuição Observada
Distribuição Normal
Porcentagem (%)
Início
potencial
Início
Sucesso
Fim
Início
potencial
Início
Sucesso
Fim
10
03/03
03/03
24/09
27/02
28/02
23/09
20
03/03
05/03
01/10
04/03
07/03
30/09
50
13/03
18/03
10/10
16/03
23/03
11/10
80
01/04
07/04
24/10
29/03
09/04
23/10
90
06/04
22/04
04/11
04/04
17/04
29/10
Tabela 2. Comprimento da estação chuvosa e de cultivo baseado na distribuição livre e
na ajustada pela distribuição normal.
Distribuição Observada
Porcentagem
Comprimento
Comprimento
(%)
(Fim – Iníc.Pot.) (Fim –Iníc.Suc.)
Distribuição Normal
Comprimento
(Fim – Iníc. Pot.)
Comprimento
(Fim – Iníc.Suc.)
10
185
174
185
171
20
197
187
193
182
50
208
203
209
202
80
225
221
225
222
90
232
232
233
233
20
O conhecimento da data do início da estação chuvosa e de cultivo na agricultura
subsidia o planejamento, baseado na disponibilidade de água precipitada, associado às
necessidades das plantas, função dos estádios nas quais a demanda de água é maior.
Diversas vezes a data do início das chuvas é considerada como a data de semeadura
(Arruda, 1980).
Resultados do início potencial da estação chuvosa e de cultivo necessitam ser
avaliados com atenção, devido ao fato de não considerar uma sequência posterior de
dias secos. Portanto, é adequado considerar o início de sucesso, que leva em
consideração esse critério. Como exemplo, no ano de 1975 (Tabela 3), o início
potencial da estação chuvosa e de cultivo foi 03/03 com 28 dias secos após essa data.
Enquanto o início de sucesso foi depois e em 25/04, sem ocorrência de dias secos
posteriores. Essas informações são úteis em agroclimatologia para garantir condições
hídricas
favoráveis
(precipitação
pluvial)
ao
plantio
e
o
seu
subsequente
desenvolvimento das culturas agrícolas, tais como germinação de sementes e
estabelecimento de plantas para culturas anuais. Essas definições também são
importantes para a cultura de cana-de-açúcar nas operações de corte, rebrota, tratos
culturais e transporte da produção.
A data do início da estação chuvosa e de cultivo para o início potencial e para o
início de sucesso foi a mesma em 29 anos (Figura 4). Contudo, em sete anos
ocorreram longos períodos secos após a data definida pelo início potencial. Assim, a
utilização do início potencial na definição do início da estação chuvosa e de cultivo pode
resultar em perdas de produtividade. O início de sucesso foi o método que mostrou
melhores resultados, destacando-se para a definição do início das ocorrências de
chuvas. No ano de 2008 (Tabela 4), o início potencial ocorreu no dia 17/03, tendo
aproximadamente 30 mm de precipitação em dois dias consecutivos. Nos dias
seguintes houve uma sequência de dias com elevada precipitação. Períodos secos
também foram observados após o início potencial, porém esses períodos não
possuíram uma sequência longa de dias (menores que 10 dias). Com a ausência de
longos períodos secos, o início de sucesso também ocorreu no dia 17/03.
21
Tabela 3. Precipitação pluvial diária (mm) e dias sem precipitação para o ano de 1975.
Dias
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
1
--
--
--
--
26.4
0.6
12.0
0.9
1.4
0.5
--
3.3
2
--
--
0.7
--
20.3
7.8
6.0
0.9
15.7
--
--
1.1
3
1.2
--
34.0
--
0.2
8.0
6.0
--
15.5
--
--
0.6
4
1.7
--
2.2
--
3.7
--
9.8
1.7
8.5
0.2
--
4.5
5
0.1
--
0.2
--
0.6
--
--
--
38.3
1.4
--
13.7
6
21.2
--
0.5
--
0.4
--
1.8
--
9.8
0.1
--
0.4
7
0.3
--
5.8
4.5
--
--
9.5
1.3
7.2
--
--
--
8
--
--
18.6
10.2
0.1
0.4
37.6
11.6
12.9
--
--
--
9
--
--
3.0
1.0
--
1.6
24.8
11.6
10.3
--
--
--
10
0.2
--
--
0.3
--
24.2
7.8
0.3
12.2
--
--
0.3
11
--
--
--
--
10.6
31.5
19.5
0.8
9.1
0.2
--
--
12
0.7
--
--
--
20.2
7.3
10.0
0.6
3.2
--
--
--
13
8.0
--
--
--
2.1
1.6
14.4
1.4
0.5
0.3
--
--
14
2.4
0.2
--
--
10.7
21.3
48.5
0.8
2.4
--
--
--
15
0.2
1.7
--
--
35.5
6.0
16.0
5.5
9.8
--
--
3.6
16
--
--
--
--
1.3
36.0
38.0
5.4
4.9
--
0.3
3.3
17
--
--
--
1.3
--
60.0
2.0
3.6
0.3
--
0.2
--
18
0.3
--
--
3.8
24.2
14.5
--
1.0
19.7
--
0.5
5.2
19
--
--
--
--
62.8
7.7
12.2
25.0
0.3
--
--
--
20
0.2
--
--
--
7.3
7.6
6.1
1.3
8.1
--
--
--
21
--
--
--
--
66.0
18.3
18.4
0.3
1.8
--
--
--
22
--
--
--
--
17.6
18.0
4.0
9.2
1.4
--
--
--
23
3.2
--
--
10.0
62.8
44.5
1.5
20.5
30.8
--
--
--
24
3.8
1.7
--
3.0
63.0
16.0
6.2
12.4
--
0.8
5.0
13.4
25
13.9
8.8
--
17.3
25.3
2.7
25.8
1.3
--
--
1.0
4.7
26
2.4
--
--
34.6
10.8
19.5
37.0
6.4
3.7
2.0
0.5
9.6
27
0.2
--
--
8.9
8.0
--
14.6
0.9
5.3
0.9
--
5.6
28
7.8
14.8
--
32.5
--
0.5
5.1
28.6
7.9
1.3
0.2
0.1
29
7.0
--
--
17.2
2.2
1.0
7.7
2.5
1.3
1.8
--
1.7
30
--
--
47.2
14.5
9.0
0.5
3.4
8.2
--
5.2
--
31
--
0.3
--
4.2
23.5
--
5.8
22
Tabela 4. Precipitação pluvial diária (mm) e dias sem precipitação para o ano de 2008.
Dias
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
1
--
--
--
--
3.0
8.4
14.0
--
10.0
--
--
--
2
--
--
2.0
8.2
--
21.4
5.6
10.0
13.5
--
--
--
3
--
--
--
--
--
6.0
17.0
17.2
11.5
6.0
--
--
4
--
--
--
--
27.8
5.3
6.0
7.5
22.0
1.0
--
--
5
--
--
--
--
7.2
8.0
2.0
--
--
--
--
--
6
--
--
--
33.0
--
7.0
54.0
4.0
--
--
--
--
7
--
--
--
0.8
--
--
2.0
5.0
0.5
--
--
--
8
--
--
4.2
2.2
9.0
1.5
14.5
5.0
--
1.5
--
--
9
7.5
--
--
--
89.6
4.4
27.0
5.0
--
9.0
--
2.0
10
--
--
0.4
--
30.8
3.2
11.0
0.4
3.0
12.0
--
3.0
11
0.3
--
2.7
--
31.6
0.4
19.0
--
6.0
8.2
--
4.5
12
--
--
--
--
10.8
--
11.0
3.5
--
1.0
--
--
13
2.2
--
10.0
--
6.2
15.6
5.5
8.0
--
4.8
--
--
14
3.6
--
--
--
1.0
3.5
--
3.0
--
2.2
--
1.0
15
3.0
29.8
--
--
--
--
--
--
--
--
--
--
16
0.4
1.8
15.0
0.6
194.0
11.5
19.0
7.0
--
0.4
--
--
17
--
1.2
14.2
--
41.0
5.0
14.0
71.2
--
--
--
--
18
--
--
11.0
3.6
9.8
3.0
83.0
4.5
--
--
1.0
--
19
--
--
39.0
9.0
11.5
11.2
14.3
4.2
--
--
--
--
20
--
20.0
17.8
3.8
--
2.8
2.0
9.5
--
--
--
--
21
--
--
5.6
15.8
2.2
1.0
5.0
3.0
0.6
1.0
--
--
22
--
--
8.0
4.6
1.2
2.0
9.0
6.7
--
--
--
--
23
--
--
13.2
--
5.9
5.0
--
1.4
--
--
--
--
24
5.2
--
15.0
--
1.8
6.8
3.0
4.6
--
1.0
2.0
--
25
--
--
18.4
--
9.2
10.9
1.5
2.0
3.0
--
--
--
26
--
--
2.0
--
64.0
--
2.7
2.0
--
--
--
--
27
--
21.8
--
--
16.0
10.5
4.8
39.5
--
--
--
--
28
2.5
0.4
--
17.6
8.0
2.0
12.0
9.0
--
--
--
--
29
4.0
0.5
59.8
--
13.8
1.2
--
--
3.5
--
--
--
30
--
1.6
2.1
2.0
--
4.5
--
--
--
--
--
31
--
2.8
2.0
--
3.8
--
-23
160
Início Estação Chuvosa
Início Potencial
Início de Sucesso
140
120
100
80
60
1975
1980
1985
1990
1995
2000
2005
Ano
Figura 4. Comparação entre o início potencial e o início de sucesso da estação chuvosa
e de cultivo para a região de Rio Largo - AL.
4.2 El Niño /Oscilação Sul - ENOS e Períodos Secos na Estação Chuvosa
As probabilidades de períodos secos podem ser modificadas pela ocorrência do
El Niño – Oscilação Sul. A distribuição das probabilidades de períodos secos para todos
os anos de estudo (Figura 5) mostrou que o período de cinco dias foi o de maior
ocorrência em todos os anos do estudo como era de se esperar. Nesse período, a
probabilidade de ocorrência variou de aproximadamente 6 a 64%, para 0 e 5 mm de
precipitação como limite para dia seco, respectivamente. Para sete e dez dias as
probabilidades foram aproximadamente de 2% (0 mm) a 55% (5 mm) e 0% (0 mm) a
45% (5 mm), respectivamente. Entre os anos de 1980 a 1983 observou-se aumento
significativo nas ocorrências de períodos secos (1% a 60%) entre todos os limites de
precipitação adotados para dia seco. O aumento de períodos secos entre esses anos
deve-se a ocorrências de eventos de El Niño, já que no ano de 1980 ocorreu um evento
fraco de El Niño (Tabela 5) e nos anos seguintes foi registrado um evento forte de El
Niño (1982 a 1983). Após esse período de eventos fortes de El Niño, notou-se
diminuição nas probabilidades de ocorrências de períodos secos, relacionada à
ocorrência da fase fria do ENOS (La Niña) ocorrida entre 1983 a 1985.
24
A constatação dessa relação entre períodos secos e eventos de El Niño –
Oscilação Sul, ainda foi acentuada com a ocorrência de um evento moderado de El
Niño (1986 a 1988), onde as frequências de períodos secos voltaram a ser elevadas. O
período no qual tiveram as maiores probabilidades de ocorrência de períodos secos
(1997 - 1998) coincidiu com a ocorrência de um El Niño forte. Esse período foi
antecipado por um evento fraco de La Niña (1995 - 1996), e diminuição das ocorrências
de períodos secos. Em todos os anos com ocorrências de El Niño forte e moderado
(1983, 1987, 1991, 1993, 1997) foram observadas maiores ocorrências de períodos
secos. Já em anos de ocorrência de La Niña forte (1974, 1976, 1988), moderada (2000)
e fraca (1996) as probabilidades de ocorrência de períodos secos diminuíram. Nesses
anos o período de cinco dias variou de (10 a 20%), o de sete dias (4 a 15%), e o de dez
dias (0 a 10%).
Souza et al. (2004) mostraram que a quantidade média de precipitação pluvial em
anos de ocorrência de eventos de El Niño foi reduzida, ou seja, esses anos
apresentaram maior tendência para ocorrências de períodos secos. Em anos de La
Niña, houve aumento médio de precipitação pluvial.
Notou-se redução da probabilidade de ocorrência de períodos secos entre 1973 e
aproximadamente 1980. Isso pode estar associado a outro modo de variabilidade
climática que é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP). Na fase fria da ODP, que
ocorreu entre 1942 e 1976, houve maior incidência de eventos de La niña, o que
proporcionou a redução na probabilidade de ocorrência de períodos secos. Entre 1977
e 1998 ocorreu a fase quente da ODP que apresentou maior incidência de eventos El
Niño. Nesse período foi registrado aumento das probabilidades na ocorrência de
períodos secos.
A Oscilação Decadal do Pacífico também pode influenciar o início da estação
chuvosa e de cultivo. Entre 1973 e 1980 houve maior concentração de anos com
diferença entre a data do início potencial e o início de sucesso (cinco em sete anos), ou
seja, nos 36 anos, ocorreram sete anos com diferença entre o início potencial e o início
de sucesso, e desses, cinco anos foram observados entre 1973 e 1980. O ano de 1993
também apresentou diferença significativa entre o início potencial e o início de sucesso
(Figura 4). Isso pode ser explicado pela ocorrência de um evento de El Niño forte que
provocou maiores ocorrências de períodos secos longos.
25
Em anos de La Niña as ocorrências de chuvas foram antecipadas, ou seja, os
eventos de chuvas ocorreram no início de março (início potencial). Porém, essas datas
podem ser seguidas por longos períodos secos. No ano de 1985 as chuvas iniciaram no
dia 02/03 e após esse dia houve ocorrência de um período seco de mais de dez dias. O
início de sucesso nesse ano ocorreu no dia 24/03. A ocorrência das chuvas foi
antecipada em aproximadamente um mês, já que a 80% de probabilidade o início
potencial para os 36 anos foi 01/04. Entre 1974 e 1980 houve ocorrências de eventos
de La niña e El niño fraco e as ocorrências de chuvas também ocorreram no início de
março.
Já com ocorrência de eventos de El Niño forte as ocorrências de chuvas foram
retardadas. Nos anos de 1982, 1993 e 1998 as ocorrências de chuvas começaram em
30/03, 19/04 e 06/04 para o início potencial e 30/03, 25/05 e 06/04 para o início de
sucesso. Comparando essas datas do início potencial e de sucesso com o valor a 80%
de probabilidade para os 36 anos, observou-se que o início potencial e de sucesso para
o ano de 1982 ocorreu em datas próximas com apenas dois dias de diferença. O ano
de 1998 também apresentou pouca diferença, com apenas 5 dias tanto para o início
potencial e de sucesso. Porém, o ano de 1993 apresentou atraso significativo nas
ocorrências de chuvas, sendo a diferença de 18 dias para o início potencial e de 54 dias
para o início de sucesso. O evento de El Niño com intensidade forte que ocorreu nesse
ano provocou a ocorrência de dias secos em dias nos quais eram esperadas elevadas
quantidades de precipitação e mudou a época de ocorrência de chuvas dessa região.
O comprimento da estação chuvosa e de cultivo (Tabela 6) foi menor com
ocorrências de eventos de El Niño (1993, 1995, 1997 e 1998). No ano de 1993, que
apresentou um evento de El Niño forte, a estação de chuvosa e de cultivo teve 153 dias
para o início potencial e 117 para o início de sucesso. Os anos de 1995, 1997 e 1998
apresentaram quantidade total de dias para a estação chuvosa e de cultivo de 179, 193
e 187 dias tanto para o início potencial como para o início de sucesso, pois os
comprimentos da estação chuvosa e de cultivo para esses anos foram iguais para
essas duas metodologias. Nos dois anos seguintes (1998 e 1999) houve ocorrência de
um evento de La Niña e a quantidade de dias da estação chuvosa e de cultivo
aumentou para 204 e 217 dias, novamente para os dois critérios de início da estação
chuvosa e de cultivo utilizados.
26
(a)
(b)
1,0
1,0
5 dias
7 dias
10 dias
5 dias
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
Ano
Ano
(c)
(d)
1,0
5 dias
7 dias
10 dias
5 dias
7 dias
10 dias
0,8
Probabilidade (%)
0,8
Probabilidade (%)
10 dias
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
1,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
Ano
Ano
(e)
(f)
1,0
1,0
5 dias
7 dias
5 dias
10 dias
7 dias
10 dias
0,8
Probabilidade (%)
0,8
Probabilidade (%)
7 dias
0,8
Probabilidade (%)
Probabilidade (%)
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005
Ano
Ano
Figura 5. Probabilidade de ocorrência de períodos secos (≥ 5 dias, ≥ 7 dias, ≥ 10 dias)
no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1
mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
27
Tabela 5. Classificação e Intensidade do El Niño – Oscilação Sul no período de 1973 a
2008 (Fonte: Cptec / INPE)
Período
Classificação
Intensidade
1972 - 1973
El niño
Forte
1973 - 1976
La niña
Forte
1976 - 1977
El niño
Fraco
1977 - 1978
El niño
Fraco
1979 - 1980
El niño
Fraco
1982 - 1983
El niño
Forte
1983 - 1984
La niña
Fraco
1984 - 1985
La niña
Fraco
1986 - 1988
El niño
Moderado
1988 - 1989
La niña
Forte
1990 - 1993
El niño
Forte
1994 - 1995
El niño
Moderado
1995 - 1996
La niña
Fraco
1997 - 1998
El niño
Forte
1998 - 2001
La niña
Moderado
2002 – 2003
El niño
Moderado
2004 – 2007
El niño
Fraco
2008
La niña
Forte
28
Tabela 6. Comprimento da estação chuvosa e de cultivo para a região de Rio Largo,
Alagoas.
Ano
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
Comprimento (Iníc. Pot.)
200
210
228
208
241
221
220
245
208
196
204
190
219
234
201
219
231
204
206
221
153
220
179
199
193
187
204
217
181
212
210
229
204
198
231
198
Comprimento (Iníc. Suc.)
200
171
175
188
241
192
166
245
208
196
204
190
199
234
201
219
231
204
206
221
117
220
179
199
193
187
204
217
181
212
210
229
204
198
231
198
29
4.3. Probabilidade de Ocorrência de Períodos Secos
A análise de ocorrência diária de períodos secos mostrou que as maiores chances
foram para períodos secos de 5 dias (Figura 6). Na estação seca (setembro – março) as
ocorrências de períodos secos (curtos e longos) foram altas, independente do limite
diário de precipitação adotado para dias secos. Para períodos secos de cinco dias, a
probabilidade de ocorrência manteve-se entre 98 e 99% de chance de ocorrência na
estação seca. Para sete dias, a probabilidade variou de 90 a 99%, enquanto que o
período de dez dias apresentou variação de 60 a 95%. Como esperado, as ocorrências
de períodos secos entre setembro e março foram elevadas, devido a pouca ocorrência
de dias chuvosos observada anteriormente. As chances de ocorrer um período seco
entre cinco e sete dias foram maiores, quando se considerou o dia seco com zero de
precipitação, sendo a diferença entre eles de 10% de probabilidade. Entre 1 e 5 mm de
precipitação como limite de dia seco, as chances foram inferiores e de 1% de
probabilidade.
As chances de ocorrer um período seco entre cinco e dez dias variaram de 5 a
40% de probabilidade. E entre sete e dez dias as chances variaram de 5 a 30%. Essa
alta ocorrência de períodos secos entre os meses de setembro a março é explicada por
todas as condições dinâmicas que condicionam o clima local como a latitude, condições
de relevo, vegetação e continentalidade. As maiores quantidades de períodos secos que
ocorreram entre novembro e dezembro são explicadas além da alta quantidade de
energia solar disponível, também pela pouca ocorrência de dias chuvosos.
Após o período entre setembro e março notou-se redução acentuada nas
probabilidades de ocorrência de períodos secos. Isso ocorreu devido a chegada da
estação chuvosa, onde a quantidade de energia solar foi reduzida e houve maiores
ocorrências de precipitação que estão associadas a alguns sistemas atmosféricos que
atuam nessa região como as frentes frias que são intensificadas nesse período. A
análise de períodos secos na estação chuvosa é de fundamental importância para a
agricultura, por que podem provocar redução da quantidade de água disponível nos
solos e provocar perdas na produtividade. Outras atividades econômicas da região
como o turismo e a construção civil estão relacionadas com as ocorrências de períodos
secos.
30
Entre os meses de abril a agosto foram observou-se que as ocorrências de
períodos secos foram menores, principalmente para períodos secos longos (sete e dez
dias). As ocorrências dos períodos secos aumentaram com o aumento do limite de
precipitação adotado para dia seco. Para períodos secos de cinco dias as ocorrências
variaram de 10 a 80%. Para sete dias variou de 0 a 45% e para dez dias entre 0 e 15%.
Essas baixas probabilidades de ocorrer um período seco mais longo significam que
houve quantidade satisfatória de água disponível no solo e que as culturas não foram
prejudicadas, mesmo tendo chances de ocorrer períodos secos de cinco dias. A
ocorrência de períodos secos de cinco dias na estação chuvosa não deve trazer
prejuízos elevados aos agricultores da região, visto que as probabilidades não foram
altas e que o período seco não foi longo.
As menores ocorrências de períodos secos ocorreram entre junho e julho, sendo
os limites de precipitação considerados entre 0 e 2 mm. Para períodos secos de cinco e
sete dias as ocorrências tiveram variação de 7 a 35% e de 0 a 12% de chances. Os
períodos secos de dez dias não apresentaram variação significativa nesses meses. A
partir de 3 mm de precipitação, as ocorrências de períodos secos foram superiores a
50% para cinco dias, 20% para sete dias e 5% para dez dias.
A Tabela 7 apresenta a ocorrência de período secos durante o ano de 2008 para
o limite de 1 mm de precipitação. Foi observado que as maiores ocorrências de períodos
secos foram observadas a partir do mês de setembro até a metade do mês de fevereiro.
Entre esses meses, os períodos secos apresentaram comprimentos de diferentes
quantidades de dias, ou seja, alguns foram períodos curtos e outros foram longos.
A partir do mês de março as ocorrências de períodos secos diminuíram até o mês
de agosto. Entre os meses de maio a agosto houve poucas ocorrências de períodos
secos, porém foram períodos secos de poucos dias (2 dias). O mês de novembro e
dezembro foram os meses que apresentaram os períodos secos mais longos. Novembro
apresentou um período seco que teve um total de 40 dias. Esse período seco começou
no dia 15 de outubro e terminou no dia 23 de novembro. Dezembro apresentou 2
períodos secos longos: um com 14 dias, que teve início no dia 25 de novembro, e outro
com 20 dias que teve toda a sua duração nesse mês.
31
(a)
7 dias
10 dias
5 dias
1,0
1,0
0,8
0,8
Probabilidade
Probabilidade
5 dias
(b)
0,6
0,4
0,2
0,6
0,4
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Dia Juliano
(c)
(d)
5 dias
7 dias
5 dias
10 dias
1,0
1,0
0,8
0,8
Probabilidade
Probabilidade
10 dias
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
7 dias
300
350
10 dias
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Dia Juliano
(e)
(f)
5 dias
7 dias
10 dias
5 dias
1,0
1,0
0,8
0,8
Probabilidade
Probabilidade
7 dias
0,6
0,4
0,2
300
350
7 dias
10 dias
200
300
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0
0
50
100
150
200
250
300
Dia Juliano
350
0
50
100
150
250
350
Dia Juliano
Figura 6. Probabilidade de ocorrência de períodos secos (≥ 5 dias, ≥ 7 dias, ≥ 10 dias),
em grupos de três dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias
sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites
de precipitação pluvial de dias secos.
32
Tabela 7. Ocorrência sequencial de dias secos no ano de 2008 para o limite de 1 mm de
precipitação para a região de Rio Largo, Alagoas.
Dia Juliano Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
1
3
3
3
1
0
0
0
1
0
2
18
7
2
4
4
0
0
1
0
0
0
0
3
19
8
3
5
5
1
1
2
0
0
0
0
0
20
9
4
6
6
2
2
0
0
0
0
0
1
21
10
5
7
7
3
3
0
0
0
1
1
2
22
11
6
8
8
4
0
1
0
0
0
2
3
23
12
7
9
9
5
1
2
1
0
0
3
4
24
13
8
10
10
0
0
0
0
0
0
4
0
25
14
9
0
11
1
1
0
0
0
0
5
0
26
0
10
1
12
2
2
0
0
0
1
0
0
27
0
11
2
13
0
3
0
1
0
2
0
0
28
0
12
3
14
1
4
0
2
0
0
1
1
29
1
13
0
15
0
5
0
0
0
0
2
0
30
2
14
0
16
1
6
1
0
1
0
3
0
31
3
15
0
0
2
7
2
1
2
1
4
1
32
4
16
1
0
0
8
0
0
0
0
5
2
33
5
17
2
0
0
9
0
0
0
0
6
3
34
6
18
3
1
0
0
0
0
0
0
7
4
35
7
19
4
2
0
0
0
0
0
0
8
5
36
8
20
5
0
0
0
1
0
0
0
9
6
37
9
21
6
1
0
0
0
1
0
0
10
7
38
10
22
7
2
0
0
0
0
0
0
11
8
39
11
23
8
3
0
1
0
0
1
0
12
9
40
12
24
0
4
0
2
0
0
0
0
13
10
0
13
25
1
5
0
3
0
0
0
0
0
11
1
14
26
2
6
0
4
0
1
0
0
1
12
2
15
27
3
0
1
5
0
0
0
0
2
13
3
16
28
0
1
2
0
0
0
0
0
3
14
4
17
29
0
2
0
1
0
0
1
1
0
15
5
18
30
1
0
0
0
1
0
2
1
16
6
19
31
2
0
0
3
0
17
20
33
4.4. Probabilidade de Ocorrência de Dias Secos e Chuvosos
As ocorrências de dias secos e chuvosos (Figura 7) mostraram que a região de
Rio Largo possui maior número de dias secos entre setembro e março e maior número
de dias chuvosos entre abril e agosto. A quantidade de dias chuvosos e secos que
ocorreram na estação chuvosa e de cultivo, dependeu do limite de precipitação para os
dias secos ou chuvosos. O número de dias chuvosos reduziu com o aumento do limite
de precipitação pluvial considerado. As maiores ocorrências de dias chuvosos
ocorreram entre abril a agosto, com limite de precipitação para dia seco de 0 mm
(Figura 7a). A probabilidade de ocorrência de dias chuvosos, quando a condição do dia
seco foi zero de precipitação, foi superior a 70% (Figura 9a), que representou em torno
de 120 a 160 dias nos 36 anos da série (Figura 7a). Precipitação pluvial diária inferior a
1 mm não contribui para repor ou suprir as necessidades hídricas das plantas, pois
essa quantidade de precipitação é normalmente transpirada pelas plantas ou pela
superfície do solo (Nieuwolt, 1989). Precipitações pluviais entre 1 e 3 mm são
praticamente perdidas por evapotranspiração, principalmente no período entre
setembro e março, quando a demanda evaporativa da atmosfera supera esses valores.
Entre 1 e 3 mm como limites de dias secos, as ocorrências de dias chuvosos
permaneceram superiores aos dias secos na maioria dos dias do período entre abril e
agosto (Figura 7b e 7c). A ocorrência de dias chuvosos para os limites de dias secos de
1 mm, 2 mm e 3 mm, foi superior a 120 dias (70%), 100 dias (60%) e 100 dias (60%),
respectivamente. Porém, para o limite de 3 mm para dias secos, as ocorrências de dias
chuvosos foram maiores entre julho e agosto. Entre 4 mm e 5 mm as ocorrências de
dias chuvosos foram baixas. As ocorrências de dias chuvosos foram um pouco
superiores a aproximadamente 80 dias e a probabilidade foi superior a 50% em apenas
alguns dias.
O período entre setembro a março os dias secos aumentaram com o aumento do
limite de precipitação. Para dias com zero de precipitação, a maioria dos dias ocorreu
com totais superiores a 120 dias secos na série de 36 anos, o que correspondeu a uma
probabilidade de dias chuvosos entre 30 e 40%. Quando se definiu dias secos com 1, 2
e 3 mm os totais de dias secos na série de 36 anos aumentaram, com valores
superiores a 150 dias. Assim, como as ocorrências de dias secos aumentaram, houve
diminuição na probabilidade de ocorrência de dias chuvosos. A porcentagem de dias
34
chuvosos na estação seca apresentou variação de 10 a 40% (Figura 9). E, quando se
considerou dias secos até 4 e 5 mm, os totais de dias secos foram superiores. Cerca de
160 dias secos foram observados e houve apenas em torno de 10 a 20% de chances de
ocorrer dias chuvosos.
A Figura 8 mostrou que a quantidade de dias com ocorrências de dias secos e
chuvosos no dia anterior apresentou tendência análoga das ocorrências de dias secos e
chuvosos (Figura 7). Na estação chuvosa também houve ocorrência de longas
seqüências de dias chuvosos devido a elevada ocorrência de dias chuvosos e a baixa
ocorrência de dias secos. A Tabela 8 mostrou que nos meses da estação chuvosa as
ocorrências de dias secos a 1 mm para o ano de 2008 foram baixas, com máximo de
oito dias secos em agosto. As quantidades ocorridas de dias secos para os outros
meses da estação chuvosa foram de 20 dias (abril), 7 dias (maio), 7 dias (junho) e 4 dias
(julho). Esses resultados mostraram que de todos os meses da estação chuvosa, abril
foi o único que apresentou valores elevados de dias secos.
Julho foi o mês com maiores ocorrências de dias chuvosos dessa região (27 dias).
Abril, maio, junho e agosto apresentaram um total de 10 dias, 24 dias, 23 dias e 23 dias
chuvosos, respectivamente. A probabilidade de ocorrência de chuvas entre 0 e 5 mm
em julho variou de 50 a 90% (Figura 9). No ano de 2008, julho apresentou um total de
27 dias chuvosos e apenas 4 dias secos, ou seja, a probabilidade de ocorrer dias
chuvosos foi de 87%. A baixa ocorrência de dias secos confirma as ocorrências de
longas séries de dias chuvosos.
O período que apresentou maiores ocorrências de dias secos começou em
setembro e terminou em fevereiro. Os dias secos entre esses meses variaram de 22
dias secos (setembro) para 29 dias secos (novembro).
Entre todos os meses da estação seca, novembro foi o mês com maiores
ocorrências de dias secos (Figura 7). As chances de ocorrer dias chuvosos entre 0 e 5
mm variaram de 5 a 30%. Isso significa que a probabilidade de ocorrência de dias secos
variou de 70 a 95%. No ano de 2008, esse mês apresentou 29 dias secos e apenas 1
dia chuvoso, ou seja, aproximadamente 97% dos dias de novembro foram de dias
secos. E com isso, as chances de ocorrer longas sequências de dias secos foram
elevadas.
35
(a)
(b)
200
200
Dia seco
Dia chuvoso
160
160
120
120
Dias
Dias
Dia seco
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
200
Dia seco
Dia seco
Dia chuvoso
160
160
120
120
Dias
Dias
200
Dia Juliano
200
80
40
Dia chuvoso
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
200
(f)
Dia seco
200
Dia chuvoso
160
160
120
120
Dias
Dias
Dia chuvoso
80
40
Dia seco
Dia chuvoso
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 7. Totais de dias secos e chuvosos em grupos de cinco dias no período de 1973
– 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3
mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
36
(a)
(b)
200
200
Dia seco
Dia chuvoso
160
160
120
120
Dias
Dias
Dia seco
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
200
Dia seco
Dia chuvoso
Dia seco
160
160
120
120
Dias
Dias
200
Dia Juliano
200
80
40
Dia chuvoso
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
200
(f)
Dia seco
200
Dia chuvoso
160
160
120
120
Dias
Dias
Dia chuvoso
80
40
Dia seco
Dia chuvoso
80
40
0
0
0
50
100
150
200
Dia Juliano
250
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 8. Totais de dias secos e chuvosos no dia anterior em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
37
Tabela 8. Total mensal de dias secos e chuvosos para o ano de 2008 para a região de
Rio Largo - AL, considerando 1 mm como o valor limite de precipitação.
Mês
Dia seco
Dia chuvoso
Total
Jan
23
8
31
Fev
24
5
29
Mar
13
18
31
Abr
20
10
30
Mai
7
24
31
Jun
7
23
30
Jul
4
27
31
Ago
8
23
31
Set
22
8
30
Out
24
7
31
Nov
29
1
30
Dez
28
3
31
38
(b)
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
(a)
30
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
250
300
350
300
350
300
350
(d)
30
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
200
Dia Juliano
(c)
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
30
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
150
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 9. Probabilidade de dias chuvosos em grupos de cinco dias no período de 1973
– 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3
mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
39
4.5. Probabilidade Condicional de Dias Chuvosos
Nas análises de dias secos e chuvosos, a informação de que o dia anterior foi
seco ou chuvoso também é importante, por que influencia na condição do dia atual ser
seco ou chuvoso. As ocorrências de dias secos com o dia anterior seco foram maiores
entre setembro e março e menores entre abril e agosto (Figura 10). Mas, as variações
das ocorrências de dias secos com o dia anterior chuvoso foram baixas (Figura 11). No
período entre setembro e março as ocorrências de um dia seco com o dia anterior seco
apresentou valores elevados (60 a 175 dias) entre 0 e 5 mm. As chances de ocorrer um
dia seco com o dia anterior chuvoso foram baixas (2 a 40 dias). No período entre abril e
agosto os dias secos apresentaram valores baixos, tanto considerando o dia anterior
seco ou chuvoso. Dias secos com o dia anterior seco tiveram variação de 7 a 80 dias
entre 0 e 5 mm. E, dias secos com o dia anterior chuvoso tiveram variação de 10 a 40
dias. Como houve poucas ocorrências sequenciais de dias secos entre abril e agosto,
as ocorrências de dias secos com o dia anterior seco foram elevadas. A região de Rio
Largo apresenta maior probabilidade, no mês de julho, para ocorrências de período
secos de 2 dias (Carvalho et al., 2009).
Na estação seca, o dia Juliano 58 (27 de fevereiro) apresentou valores elevados
de dias secos com o dia anterior seco, que variaram de 100 a 170 dias entre 0 e 5 mm.
Para 3 mm esse dia apresentou um total de aproximadamente 160 dias secos com o
dia anterior seco, ou seja, para um total de 180 dias houve cerca de 20 dias secos com
o dia anterior chuvoso. Para 5 mm esse dia apresentou um total próximo a 170 dias
secos com o dia anterior seco e o total de dias secos com o dia anterior chuvoso foi de
aproximadamente 10 dias.
Na estação chuvosa, o dia 189 apresentou valores baixos para dias secos com o
dia anterior seco, com variação de 5 a 60 dias entre 0 e 5 mm. Para 3 mm, houve um
total de 30 dias secos com o dia anterior seco e 30 dias secos com o dia anterior
chuvoso. Como o total é de 180 dias, os outros dias foram chuvosos com o dia anterior
seco ou com o dia anterior chuvoso.
40
(b)
200
160
160
120
120
Dias
Dias
(a)
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
250
300
350
300
350
300
350
(d)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
200
Dia Juliano
(c)
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
150
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 10. Total de dias secos com o dia anterior seco em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
41
(b)
200
160
160
120
120
Dias
Dias
(a)
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
300
350
250
300
350
300
350
(d)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
250
Dia Juliano
(c)
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
Dia Juliano
(e)
(f)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 11. Total de dias secos com o dia anterior chuvoso em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
42
A distribuição dos totais de dias chuvosos apresentou grande variação para a
condição de dia chuvoso, quando o dia anterior também foi chuvoso (Figura 12). Mas, a
condição de dia chuvoso dado que o dia anterior foi seco apresentou pequenas
variações diárias e totais baixos (Figura 14).
Dias chuvosos com o dia anterior chuvoso apresentou valores elevados na
estação chuvosa (40 a 150 dias) entre 0 e 5 mm, o que correspondeu a uma
probabilidade de 50 a 90% (Figura 13). Os meses entre junho e agosto apresentaram
maiores ocorrências para um dia chuvoso com o dia anterior chuvoso.
O dia 164 apresentou cerca de 160 dias chuvosos com o dia anterior chuvoso,
como esses valores para dias secos e chuvosos têm um total de 180 dias por causa da
quantidade de anos utilizados e pela formação de grupos com cinco dias. Assim esse
mesmo dias apresentou cerca de 20 dias chuvosos com o dia anterior seco
Entre setembro e março, os totais de dias chuvosos com o dia anterior chuvoso
apresentaram valores baixos com variação de 0 a 60 dias (7 a 70%) entre 0 e 5 mm. As
chances de ocorrer um dia chuvoso com o dia anterior seco, entre 0 e 5 mm, tiveram
variação de 5 a 45 dias, o que correspondeu a uma probabilidade de 5 a 80% (Figura
15). A quantidade de dias chuvosos com o dia anterior seco foi baixa na estação
chuvosa, por causa das poucas ocorrências de dias secos que ocorreu nessa época do
ano. Já na estação seca, período que compreende os meses de setembro a março,
houve pouca ocorrência de dias chuvosos.
Comparando as probabilidades ajustadas de ocorrência de dias chuvosos com o
dia anterior seco ou chuvoso (Figura 16) notou-se que a diferença entre a ocorrência de
um dia chuvoso com o dia anterior chuvoso e a ocorrência de dias chuvosos com o dia
anterior seco foi maior no período entre setembro a março com cerca de 30% de
diferença e menor no período entre abril e agosto com cerca de 20%, para todos os
valores limites de precipitação pluvial utilizados. Portanto, os meses com maiores
ocorrências de dias chuvosos têm maior probabilidade de apresentar maiores
ocorrências de um dia chuvoso com o dia anterior chuvoso (30 a 90%) entre 0 e 5 mm,
mas houve chances de 7 a 63% de ocorrer dias chuvosos com o dia anterior seco.
43
(b)
200
160
160
120
120
Dias
Dias
(a)
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
300
350
300
350
300
350
(d)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
250
Dia Juliano
(c)
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 12. Total de dias chuvosos com o dia anterior chuvoso em grupos de cinco dias
no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1
mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
44
(a)
1,0
Prob. chuva
(b)
1,0
Prob. ajustada
Prob. chuva
0,8
Probabilidade
Probabilidade
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
1,0
Prob. chuva
Prob. ajustada
Prob. chuva
Prob. ajustada
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
200
Dia Juliano
1,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
(f)
1,0
1,0
Prob. chuva
Prob. chuva
Prob. ajustada
Prob. ajustada
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
Prob. ajustada
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 13. Probabilidade observada e ajustada da ocorrência de um dia ser chuvoso
com o dia anterior chuvoso em grupos de cinco dias no período de 1973 – 2008, Rio
Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4
mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
45
(b)
200
160
160
120
120
Dias
Dias
(a)
200
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
250
300
350
300
350
300
350
(d)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
200
Dia Juliano
(c)
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
200
200
160
160
120
120
Dias
Dias
150
80
40
80
40
0
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 14. Total de dias chuvosos com o dia anterior seco em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
46
(a)
(b)
1,0
1,0
Prob. chuva
Prob. ajustada
Prob. chuva
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
1,0
Prob. chuva
Prob. ajustada
Prob. chuva
Prob. ajustada
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
200
Dia Juliano
1,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
(f)
1,0
1,0
Prob. chuva
Prob. chuva
Prob. ajustada
Prob. ajustada
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
Prob. ajustada
0,8
Probabilidade
Probabilidade
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
Dia Juliano
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 15. Probabilidade observada e ajustada da ocorrência de um dia ser chuvoso
com o dia anterior seco em grupos de cinco dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo
– AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e
5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
47
(a)
(b)
1,0
1,0
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
Chuv. seco
0,8
Probabilidade
Probabilidade
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
1,0
Chuv. seco
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
Chuv. chuvoso
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
200
Dia Juliano
1,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dias Juliano
(e)
(f)
1,0
1,0
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
0,8
Probabilidade
0,8
Probabilidade
Chuv. chuvoso
0,6
0,4
0,2
0,0
0,6
0,4
0,2
0,0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 16. Probabilidade condicional de dias chuvosos em grupos de cinco dias no
período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm
(b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de
dias secos.
48
Analisando os dias secos e chuvosos, com o dia anterior seco ou chuvoso, para o
ano de 2008, com limite de precipitação de 1 mm para dias secos (Tabela 9), notou-se
que a partir de setembro os dias chuvosos apresentaram baixos valores. Novembro foi o
mês com maior ocorrência de dias secos, com 29 dias, e houve apenas um dia chuvoso.
Desses 29 dias secos, 28 tiveram a ocorrência de um dia seco no dia anterior. Isso
indica que houve uma sequência longa de dias secos, ou seja, a maioria dos dias do
mês de novembro não tiveram precipitação superior a 1 mm. Houve apenas um dia no
qual foi registrado o dia chuvoso. Mas esse dia chuvoso apresentou um dia seco no dia
anterior.
Julho apresentou maiores quantidades de dias chuvosos com 27 dias, e desses,
23 apresentaram um dia chuvoso no dia anterior. Como a ocorrência de dias chuvosos
foi alta e os dias secos apresentaram valores baixos, houve uma seqüência longa de
dias com precipitação superior a 1 mm. Em apenas 4 dias foi registrado ocorrência de
dias secos, porém desses apenas um dia apresentou um dia seco no dia anterior. Os
outros 3 dias secos tiveram dias chuvosos no dia anterior. A Tabela 8 também mostrou
que no ano de 2008 a quantidade de precipitação que ocorreu em dias chuvosos com o
dia anterior seco foi baixa entre os meses de setembro e março. Os 4 dias tiveram
apenas 13,4 mm de precipitação, porém a quantidade de precipitação para dias
chuvosos com um dia chuvoso no dia anterior foi menor com 7,6 mm em 3 dias. Isso
indica que no período com maiores ocorrências de dias secos, principalmente entre os
meses de janeiro e fevereiro, mesmo que haja uma seqüência de dias chuvosos a
quantidade de precipitação total desses dias chuvosos foi baixa. Dias chuvosos com um
dia seco no dia anterior tiveram maior quantidade de precipitação.
No período de abril a agosto, dias chuvosos com um dia chuvoso no dia anterior
possuíram um volume de água precipitada alta. Mas, dias secos com dias chuvosos no
dia anterior também apresentaram altas quantidades de precipitação. Maio apresentou
maior quantidade de precipitação para esse ano com 347,2 mm para dias chuvosos
dado que o dia anterior foi chuvoso e 54,4 mm para dias chuvosos dado que o dia
anterior foi seco. Julho também apresentou altos valores de precipitação com 301,9 mm
para dias chuvosos dado que o dia anterior foi chuvoso e 36,5 mm para dias chuvosos
dado que o dia anterior foi seco.
49
Tabela 9. Total condicional de dias secos e chuvosos pela aplicação da cadeia de
Markov de 1° ordem a 1 mm de precipitação pluvial para o ano de 2008 para a região de
Rio largo - AL.
Mês Seco/seco Seco/chuvoso Chuvoso/seco Chuvoso/chuvoso Tot. Chuv. seco Tot. Chuv. chuvoso
Jan
20
4
4
3
13,4
7,6
Fev
21
3
3
2
68,6
1
Mar
8
5
6
12
87,7
136,6
Abr
14
6
6
4
60,7
29,2
Mai
3
4
4
20
54,4
347,2
Jun
1
6
5
18
36,1
97,1
Jul
1
3
4
23
36,5
301,9
Ago
3
5
4
19
20,5
189,3
Set
18
4
4
4
15,5
49
Out
21
3
3
4
9,3
27,4
Nov
28
1
1
0
1
0
Dez
27
1
1
2
1
5,5
4.6. Quantidade de Precipitação em Dias Chuvosos
A distribuição anual da quantidade média de precipitação (Figura 17) mostrou-se
variável. As quantidades de precipitação aumentaram com o aumento do valor limite de
precipitação pluvial com cerca de 1 a 2 mm entre cada valor limite. A média de
precipitação pluvial obteve maiores valores nos dias nos quais foram observados
maiores ocorrências de dias chuvosos (abril - agosto). Nesses dias os valores médios
de precipitação pluvial variaram de 10 a 20 mm. Os dias 119 (28 de abril) e 194 (12 de
julho) merecem destaque especial, pois apresentaram valores médios de precipitação
pluvial elevados. Em 28 de abril a quantidade média de precipitação pluvial variou de 19
a 27 mm entre 0 e 5 mm. E em 12 de julho a variação foi de 18 a 28 mm.
No período com maiores ocorrência de dias secos, os valores médios de
precipitação pluvial tiveram, na maioria dos dias, variação de 5 a 10 mm. Mas,
apresentou variação de 3 a 20 mm entre 0 e 5 mm. A distribuição anual da quantidade
média de precipitação apresentou variação de 3 a 28 mm entre 0 e 5 mm.
50
(b)
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
(a)
30
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
300
350
300
350
300
350
(d)
30
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
250
Dia Juliano
(c)
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
30
30
25
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
200
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
Figura 17. Média de chuva por dia chuvoso (mm) em grupos de cinco dias no período
de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2
mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias
secos.
51
A quantidade de precipitação que ocorre em um dia chuvoso também está
relacionado com a ocorrência de um dia seco ou chuvoso no dia anterior. As
distribuições da quantidade média de precipitação pluvial do dia chuvoso com o dia
anterior chuvoso (Figura 18) e do dia chuvoso com o dia anterior seco (Figura 19)
mostraram que as maiores quantidades de precipitação ocorreram em dias chuvosos
dado que o dia anterior foi chuvoso. As médias de precipitação pluvial apresentaram
variação de 3 a 47 mm durante o ano para dias chuvosos com o dia anterior chuvoso.
Dias chuvosos com o dia anterior seco apresentaram uma variação na quantidade
média de precipitação diária de 2 a 24 mm. A quantidade média de precipitação diária
de um dia chuvoso com o dia anterior chuvoso foi maior que a do dia chuvoso. Isso
pode está relacionado a atuação de um sistema de grande escala na região. Esses
resultados mostraram que dias chuvosos, dado que o dia anterior foi chuvoso, possuem
uma quantidade média de precipitação diária maior do que dias chuvosos com um dia
seco no dia anterior. Entre abril e agosto, a quantidade média para a maioria dos dias
ficou compreendida entre 10 e 20 mm (entre 0 e 5 mm) para dias chuvosos com um dia
chuvoso no dia anterior. E para dias chuvosos com o dia anterior seco a quantidade
média de precipitação variou de 5 a 15 mm na maioria dos dias. Os dias 28 de abril e 12
de julho, que apresentaram alta quantidade média de precipitação para um dia chuvoso,
também possuíram elevada quantidade média de precipitação para dias chuvosos com
um dia chuvoso no dia anterior. Ficou claro que as ocorrências de dias chuvosos dado
que o dia anterior foi chuvoso aumentaram a quantidade média de precipitação em uma
região. Entre os meses de setembro a março, a quantidade média de precipitação diária
variou na maioria dos dias de 5 a 20 mm para dias chuvosos com um dia chuvoso no dia
anterior entre 0 e 5 mm. E para dias chuvosos com o dia anterior seco a variação foi de
2 a 15 mm. As médias ajustadas da quantidade média de precipitação pluvial diária
(Figura 20) mostraram que a diferença da quantidade média de precipitação entre o dia
chuvoso com um dia chuvoso no dia anterior e o dia chuvoso com um dia seco no dia
anterior foi mais acentuada entre abril e agosto com variação de 5 a 10 mm entre todos
os limites de precipitação (0 e 5 mm). Entre setembro e março também foi registrado
uma diferença significativa da quantidade de precipitação entre os dias chuvosos (seco
e chuvoso no dia anterior) com variação máxima de 3 a 6 mm. Mas, a diferença na
quantidade média de precipitação diária em dias chuvosos foi menor entre janeiro e
março com variação de 1 a 2 mm.
52
(a)
(b)
60
60
Média chuva
Média ajustada
Média chuva
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
60
Média chuva
Média chuva
Média ajustada
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
50
Precipitação (m m)
200
Dia Juliano
60
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
(f)
60
60
Média chuva
Média chuva
Média ajustada
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
50
Precipitação (m m)
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
50
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 18. Quantidade média observada e ajustada de precipitação do dia chuvoso
seguido por outro dia chuvoso (mm) em grupos de cinco dias no período de 1973 –
2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3
mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
53
(a)
(b)
60
60
Média chuva
Média ajustada
Média chuva
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
60
Média chuva
Média ajustada
Média chuva
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
50
Precipitação (m m)
200
Dia Juliano
60
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
(f)
60
60
Média chuva
Média chuva
Média ajustada
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
50
Precipitação (m m)
Média ajustada
50
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
50
40
30
20
10
0
40
30
20
10
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 19. Quantidade média observada e ajustada de precipitação do dia chuvoso
seguido por um dia seco (mm) em grupos de cinco dias no período de 1973 – 2008, Rio
Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4
mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
54
(a)
(b)
30
30
Chuv. seco
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
(c)
250
300
350
(d)
30
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
25
Precipitação (m m)
25
Precipitação (m m)
200
Dia Juliano
30
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
0
50
100
Dia Juliano
150
200
250
300
350
Dia Juliano
(e)
(f)
30
30
Chuv. seco
Chuv. seco
Chuv. chuvoso
Chuv. chuvoso
25
Precipitação (m m)
25
Precipitação (m m)
Chuv. chuvoso
25
Precipitação (m m)
Precipitação (m m)
25
20
15
10
5
0
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 20. Médias ajustadas da quantidade de precipitação para dia chuvoso seguido
por outro dia chuvoso e dia chuvoso seguido por um dia seco (mm) em grupos de cinco
dias no período de 1973 – 2008, Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação
(a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4 mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação
pluvial de dias secos.
55
Na Figura 21, o total acumulado de precipitação em uma semana foi superior em
meses nos quais a ocorrência de dias chuvosos foi mais acentuada. A 20% de
probabilidade o total de precipitação semanal variou de 18 a 33 mm (0 e 5 mm). Para 50
e 80%, o total variou de 40 a 60 mm e 85 a 107 mm, respectivamente. Entre setembro e
março, a 20% de probabilidade, o total de precipitação semanal variou de 0 a 10 mm.
Para 50 e 80% de probabilidade o total variou de 3 a 55 mm e 14 a 86 mm,
respectivamente.
Entre setembro e março, a quantidade total de precipitação pluvial semanal foi
baixa. A 20% de probabilidade, o total de precipitação apresentou valores próximos de
zero na maioria dos dias, para todos os limites de precipitação. Para 4 e 5 mm como
limite de precipitação, todos os dias da estação seca tiveram total de precipitação pluvial
igual a zero. A 50 a 80% de probabilidade, os totais foram de 0 a 20 mm e de 8 a 60
mm.
Entre os meses da estação seca, o período entre novembro e dezembro
apresentou um total acumulado de precipitação semanal baixo. Isso pode ser explicado
pela grande quantidade de dias secos que ocorreu e pela baixa quantidade de
precipitação pluvial diária. A 20% de probabilidade o total de precipitação, em um
período de sete dias, apresentou zero de precipitação (0 a 5 mm). Para 50 e 80%, o
total de precipitação acumulada variou de 0 a 5 mm e 9 a 19 mm, respectivamente.
Após o dia 60 (1 de março) houve aumento significativo no total de precipitação,
que foi mais acentuado a 80% de probabilidade. Esse aumento no total de precipitação
está relacionado com o início da estação chuvosa e de cultivo, que já foi discutido
anteriormente. O período de sete dias, no qual ocorreu o início da estação chuvosa,
apresentou uma variação na quantidade total de precipitação em um período de sete
dias de 0 a 3 mm a 20% de probabilidade. A 50% de probabilidade o total de
precipitação semanal foi de 10 a 20 mm e a 80% de probabilidade o total de precipitação
foi de 35 a 50 mm, considerando todos os limites de precipitação adotados para dias
secos.
56
(a)
(b)
60
40
20
0
50
100
150
200
250
300
Precipitação Total (m m)
0
0
50
100
150
200
250
(d)
60
40
20
0
150
200
250
300
80%
50%
20%
60
40
20
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
(e)
(f)
80
60
40
20
0
350
80
350
80%
50%
20%
300
100
Dia Juliano
100
Precipitação Total (m m)
20
(c)
80
100
40
Dia Juliano
80%
50%
20%
50
60
Dia Juliano
100
0
80
350
Precipitação Total (m m)
0
300
350
80%
50%
20%
100
Precipitação (m m)
Precipitação Total (m m)
80
80%
50%
20%
100
Precipitação Total (m m)
80%
50%
20%
100
80
60
40
20
0
0
50
100
150
200
250
Dia Juliano
300
350
0
50
100
150
200
250
300
350
Dia Juliano
Figura 21. Probabilidade semanal de totais de chuva (mm) no período de 1973 – 2008,
Rio Largo – AL, considerando dias sem precipitação (a), 1 mm (b), 2 mm (c), 3 mm (d), 4
mm (e) e 5 mm (f), como limites de precipitação pluvial de dias secos.
57
5. CONCLUSÕES
Baseado nos resultados pode-se concluir:
•
O método direto apresentou resultados satisfatórios na determinação da estação
chuvosa e de cultivo (início, fim e comprimento).
•
Para analisar o início da estação chuvosa e de cultivo, o método do início
potencial apresentou bons resultados, porém o início de sucesso é o mais
recomendado para o início das chuvas.
•
A estação chuvosa na região de Rio Largo, Alagoas inicia-se a 80% de
probabilidade em 07 de abril e terminou em 24 de outubro, compreendendo um
período de 221 dias.
•
As ocorrências de eventos de ENOS influenciaram o início da estação chuvosa e
de cultivo. Ocorrências de El Niño retardaram o início da estação chuvosa e de
cultivo, enquanto as ocorrências de La Niña anteciparam o início da estação
chuvosa e de cultivo.
•
Os períodos secos maiores ou iguais a cinco dias são os de maior ocorrência em
todos os anos.
58
•
Na estação chuvosa houve maiores ocorrências de períodos secos de cinco dias.
Para períodos secos mais longos as chances de ocorrências são baixas ou
praticamente nulas.
•
Ocorrências de eventos de El Niño intensificaram as ocorrências de períodos
secos e, no entanto, as ocorrências de La Niña reduziram as ocorrências de
períodos secos.
•
Novembro foi o mês com maiores ocorrências de dias secos da região estudada.
•
Os dias chuvosos com a ocorrência de um dia chuvoso no dia anterior tiveram
maiores chances de ocorrência comparados com os dias chuvosos com a
ocorrência de um dia seco no dia anterior.
•
As quantidades médias de precipitação em um dia chuvoso aumentou com o
aumento do valor limite adotado. Porém, a cada 1 mm de diferença a variação foi
baixa.
•
Dias chuvosos com ocorrência de outro dia chuvoso possuiu valores médios de
precipitação maiores quando comparado com o dia chuvoso antecedido por um
dia seco.
59
6. REFERÊNCIAS BIBLIÓGRAFICAS
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65
7. APÊNDICE
TABELA 1. Distribuição da quantidade de precipitação diária e dias sem precipitação
para o ano de 2008.
66
TABELA 2. Distribuição de Períodos secos para o ano de 2008.
67
TABELA 3. Representação dos Dias Julianos.
Dias
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Jan
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Fev
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
-
Mar
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
Abr
92
93
94
95
96
97
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
-
Mai
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
Jun
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
-
Jul
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
Ago
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
Set
245
246
247
248
249
250
251
252
253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
-
Out
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
305
Nov
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
-
Dez
336
337
338
339
340
341
342
343
344
345
346
347
348
349
350
351
352
353
354
355
356
357
358
359
360
361
362
363
364
365
366
68