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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

N° de ordem: MET-UFAL-MS-076

CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS DO DESMATAMENTO NO
MICROCLIMA EM RONDÔNIA (RO) - LBA 2002

CINTIA RABELO DA ROCHA

Maceió - Alagoas
Maio – 2010

CINTIA RABELO DA ROCHA

CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS DO DESMATAMENTO NO
MICROCLIMA EM RONDÔNIA (RO) - LBA 2002

Dissertação submetida ao colegiado do
curso de Pós-graduação em Meteorologia
da Universidade Federal de Alagoas –
UFAL, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do grau de Mestre
em Meteorologia

Orientador: Prof. Dr. Roberto Fernando da Fonseca Lyra

Maceió - Alagoas
Maio – 2010

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
R000c

Rocha, Cíntia Rabelo da.
Caracterização dos impactos do desmatamento no microclima em Rondônia
(RO) – LBA 2002 / Cíntia Rabelo da Rocha, 2010.
xxi, 99f. : il., grafs., tabs.
Orientador: Roberto Fernando da Fonseca Lyra.
Dissertação (mestrado em Meteorologia : Processos de Superfície Terrestre) –
Universidade Federal de Alagoas. Instituto de Ciências Atmosféricas. Maceió,
2010.
Bibliografia: f. 76-82.
Anexos: f. 83-99
1. Micrometeorologia. 2. Microclima. 3. Desmatamento – Amazônia.
I. Título.
CDU: 551.58 (811.1)

V

Dedico ao meu esposo Henrique,
meus pais Paulinho e Solange,
meu irmão Roger,
meus avós maternos Ondina e Donário (In memoriam),
meus avós paternos Ivone (In memoriam) e Octaviano (In memoriam),
minha avó de coração Zair
e minha sogra Jeane

VI
AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador e professor Dr. Roberto Fernando da Fonseca Lyra pela paciência,
amizade e conhecimento transferido na orientação desta dissertação.
Aos membros da banca examinadora: Prof. Dr. Rosiberto Salustiano e Prof. Dr.
Renílson Targino Dantas pela paciência, sugestões e correções.
Aos professores do ICAT que de alguma forma colaboraram com essa dissertação.
Aos colegas de mestrado, e também amigos fora da universidade: Alan, Ana Carla
(Carlotinha), Darlan, Fabio, Maicon, Marlise, Vinicius Pinho e Vinicius (Japa) pela
amizade e boa companhia durante os anos de mestrado.
Às minhas amigas Camila, Daiane, Eliane, Débora, Juliana, Lilian e Natália, meus
primos Júlia, Katiane e Solon Jr. e meu tio Solon pelo carinho e incentivo.
Aos amigos Paulo e Denise pela ajuda no início dessa fase em Maceió, e pelo
conhecimento e incentivo.
Ao amigo e professor Vilson Dias de Ávila, pelo conhecimento em Meteorologia
Dinâmica, conhecimentos “gerais” e pela amizade e incentivo durante os anos de
graduação e mestrado.
Ao Sr. Joilson de Lima Cedrim pela recepção e ajuda indispensáveis para a realização
do mestrado em Maceió.
A secretária da Pós-Graduação Thays Santos Silva pela disposição e competência.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPQ) pelo
auxílio financeiro concedido.

VII

“De um certo ponto adiante não há mais retorno.
Esse é o ponto que deve ser alcançado.”
Franz Kafka

VIII
ROCHA, Cintia Rabelo. Caracterização dos Impactos do Desmatamento no Microclima
em Rondônia (RO). Orientador: Prof. Dr. Roberto Fernando da Fonseca Lyra; MaceióAL: ICAT/UFAL, 2010. Dissertação (Mestrado em Meteorologia).

RESUMO

Neste trabalho serão discutidos os possíveis impactos microclimáticos da substituição
da vegetação nativa por pastagem no Oeste da Amazônia (Rondônia) em estação
chuvosa. O objetivo é contribuir para uma melhor compreensão desses impactos sobre o
microclima local, em particular a balanço de energia em superfície. Os dados foram
colhidos durante o experimento LBA em 2002 (Large Scale Biosphere-Atmosphere
Experiment in Amazonia), sendo utilizados dados de fevereiro a março deste ano. As
medidas foram realizadas em dois sítios experimentais, um no interior de uma floresta
nativa (10°5’ S; 61° 55’ W; 120 m) e o outro em área onde a floresta foi substituída por
pastagem (10° 45’S; 62° 21’ W; 290 m). Os resultados mostraram que em área
desmatada a temperatura aumentou, em média 0,88 °C. A área de pastagem também se
mostrou 11 % mais seca, com ventos 2,3 m.s-1 mais intensos. O saldo de radiação
também se mostrou inferior em área desmatada, em média 20,41 W.m-2. No que diz
respeito aos fluxos turbulentos de calor sensível e calor latente em área degradada, H se
apresentou 13,16 W.m-2 maior, e LE foi 38 W.m-2 inferior. Esta situação se refletiu na
razão de Bowen, que foi em média 0,59 maior. A quantidade de energia disponível
convertida em aquecimento do ar (H/Rn) foi de 39,41% na pastagem e 11,18% na
floresta, e a quantidade de energia disponível utilizada na evaporação (H/LE) na área
desmatada foi de apenas 31,6%, enquanto na área de floresta nativa foi de 54%

IX
ROCHA, Cintia Rabelo. Caracterização dos Impactos do Desmatamento no Microclima
em Rondônia (RO). Orientador: Prof. Dr. Roberto Fernando da Fonseca Lyra; MaceióAL: ICAT/UFAL, 2010. Dissertação (Mestrado em Meteorologia).

ABSTRACT

This work will discuss the possible climatic impacts of the replacement of native
vegetation by pastures in western Amazonia (Rondônia) during the rainy season. The
aim is to contribute to a better understanding of these impacts over the local
microclimate, especially the surface energy balance. Data were collected during the
LBA experiment in 2002 (Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in
Amazonia), being used the data between February and march of this year.
Measurements were performed at two experimental sites, one within a native forest
(10°5’ S; 61° 55’ W; 120 m) and the other in the area where forest has been replaced by
pasture (10° 45’S; 62° 21’ W; 290 m). The results showed that the temperature in the
deforested area increased on average 0.88 ° C. The pasture area also was 11% drier,
with winds of 2.3 ms-1 more intense. The net radiation was also lower in deforested
area, 20.41 W.m-2 on average. In what concern the turbulent fluxes of sensible and
latent heat, in the in the degraded area, H presented 13.16 W.m-2 higher, and LE was 38
W.m-2 inferior. This situation is reflected in the Bowen ratio, which averaged 0.59
higher. The amount of available energy converted in air heating (H/Rn) was of 39,41%
in the pasture and11,18% in the forest. The amount of available energy converted in
evaporation (H/LE) in the deforested area was only 31,6%, while in the native forest
was 54%.

X
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA

SUMÁRIO
DEDICATÓRIA

V

AGRADECIMENTOS

VI

RESUMO

VIII

ABSTRACT

IX

SUMÁRIO

X

LISTA DE FIGURAS

XII

LISTA DE TABELAS

XVIII

LISTA DE SÍMBOLOS

XXI

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

XXII

1-INTRODUÇÃO

1

2-REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2

2.1 A Amazônia

2

2.2 O clima da Amazônia

3

2.3 A Camada Limite Atmosférica na Amazônia

3

2.3.1 Experimentos sobre a CLA na Amazônia

4

2.3.2 Alguns resultados obtidos em estudos sobre a Camada Limite
Atmosférica na Amazônia com relação a:

5

2.3.2.1 Radiação

5

2.3.2.2 Fluxos de massa e energia

8

2.3.2.3 Caracterização da CLA

11

2.3.2.4 Meteorologia Física

14

2.3.2.5 Vento

15

2.3.2.6 Modelagem

16

2.3.2.7 Sensoriamento Remoto

19

2.3.2.8 Impacto ambiental

20

2.3.2.9 Outros estudos

21

XI
3- DADOS E METODOLOGIA

23

3.1 Sítios Experimentais

23

3.2 Dados Utilizados

24

3.3 Período de estudo

25

3.4 Situações sinóticas durante o experimento

25

3.4.1 Fevereiro

25

3.4.2 Março

26

4- RESULTADOS E DISCUSSÕES
4. 1 Análise da representatividade do período estudado

27
27

4.1.1 Temperatura do ar

27

4.1.2 Umidade Relativa do ar

28

4.1.3 Velocidade do Vento

29

4.1.4 Saldo de Radiação

30

4. 2 Comportamento das variáveis de superfície

31

4.2.1 Temperatura do ar

32

4.2.2 Umidade Relativa do ar

36

4.2.3 Velocidade do Vento

40

4.2.4 Saldo de Radiação

44

4.3 Fluxos turbulentos de calor sensível e calor latente

51

4.3.1 Fluxo de Calor Sensível (H)

51

4.3.2 Fluxo de Calor Latente (LE)

62

4.3.3 Razão de Bowen (β)

71

5- CONCLUSÕES

74

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

76

ANEXO A

83

ANEXO B

88

ANEXO C

92

ANEXO D

97

XII
LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1-

(Pag.)
Áreas da Reserva Biológica do Jaru e da Fazenda Nossa Senhora
Aparecida no Estado de Rondônia. Fonte: Leite (2004). .....................(23)

Figura 4.1-

Ciclos médios diários de temperatura do ar em área de floresta (a) e
pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados. .........(28)

Figura 4.2-

Ciclos médios diários da umidade relativa do ar em área de floresta (a) e
pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados. .........(29)

Figura 4.3-

Ciclos médios diários da velocidade do vento em área de floresta (a) e
pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados. .........(30)

Figura 4.4-

Ciclos médios diários do saldo de radiação em área de floresta (a) e
pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados. .........(31)

Figura 4.5-

Temperatura do ar em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical. ....................................(32)

Figura 4.6-

Ciclo médio diário da temperatura do ar em floresta (verde) e pastagem
(vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio. ..............(36)

Figura 4.7-

Umidade relativa do ar em área de floresta (verde) e pastagem
(vermelho). Cada dia está separado por uma linha vertical. ................(37)

Figura 4.8-

Ciclo médio diário da umidade relativa do ar na floresta (verde) e
pastagem (vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
............................................................................................................(40)

Figura 4.9-

Velocidade do vento em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical. ....................................(41)

XIII
Figura 4.10- Ciclo médio diário da velocidade do vento na floresta (verde) e na
pastagem (vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
...............................................................................................................(44)
Figura 4.11- Saldo de radiação em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical. ....................................(46)
Figura 4.12- Ciclo médio diário do saldo de radiação na floresta (verde) e na pastagem
(vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio. ..............(48)
Figura 4.13- Taxa de variação média do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de floresta
(verde) e pastagem (vermelho). ............................................................(51)
Figura 4.14- Fluxos de calor sensível em áreas de floresta (verde) e pastagem
(vermelho). Cada dia está separado por uma linha vertical. ................(53)
Figura 4.15- Comparação entre o fluxo de calor sensível (verde) e saldo de radiação
(roxo) para área de floresta. Cada dia está separado por uma linha
vertical. .........................................................................................(53)
Figura 4.16- Comparação entre o fluxo de calor sensível (vermelho) e o saldo de
radiação (roxo) para área de pastagem. Cada dia está separado por uma
linha vertical. ........................................................................................(54)
Figura 4.17- Ciclo médio diário do fluxo de calor sensível em área de floresta (verde)
e pastagem (vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
..............................................................................................................(55)
Figura 4.18- Comparação entre os ciclos médios diários do saldo de radiação (verde) e
fluxo de calor sensível (roxo) em área de floresta. ..............................(56)
Figura 4.19- Comparação entre os ciclos médios diários do fluxo de calor sensível
(vermelho) e saldo de radiação (roxo) em área de pastagem. ..............(56)
Figura 4.20- Taxa de variação média do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) entre 06 e 18
HL em áreas de floresta (verde) e pastagem (vermelho). ...................(59)
Figura 4.21- Dispersão entre o saldo de radiação e fluxo de calor sensível em área de
floresta. ............................................................................................(60)

XIV
Figura 4.22- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor sensível em área de
pastagem. .........................................................................................(60)
Figura 4.23- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor latente e o saldo de
radiação em área de floresta. O eixo principal corresponde ao LE/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao LE/Rn entre 08 e 17 HL. ..(61)
Figura 4.24- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor sensível e o saldo de
radiação em área de pastagem. O eixo principal corresponde ao H/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao H/Rn entre 08 e 17 HL. ....(62)
Figura 4.25- Fluxo de calor latente para área de floresta (verde) e pastagem
(vermelho). Cada dia está separado por uma linha vertical. ................(63)
Figura 4.26- Fluxo de calor latente (verde) e saldo de radiação (roxo) para área de
floresta. Cada dia está separado por uma linha vertical. ......................(63)
Figura 4.27- Fluxo de calor latente (vermelho) e saldo de radiação (roxo) para área de
Pastagem. Cada dia está separado por uma linha vertical. ...................(64)
Figura 4.28- Ciclo médio diário do fluxo de calor latente em área de floresta (verde) e
pastagem (vermelho). As linhas pontilhadas representam o desvio médio.
.....................................................................................................(65)
Figura 4.29- Ciclos médios diários do fluxo de calor latente (verde) e saldo de
radiação (roxo) em área de floresta. ..................................................(66)
Figura 4.30- Ciclos médios diários do fluxo de calor latente (vermelho) e o saldo de
radiação (roxo) na pastagem. ...........................................................(66)
Figura 4.31- Taxa de variação média do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) entre 06 e 18
HL em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho). ......................(68)
Figura 4.32- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor latente em área de
floresta. ............................................................................................(69)
Figura 4.33- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor latente em área de
pastagem. .........................................................................................(69)

XV
Figura 4.34- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor latente e o saldo de
radiação em área de floresta. O eixo principal corresponde ao LE/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao LE/Rn entre 08 e 17 HL. ..(70)
Figura 4.35- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor latente e o saldo de
radiação em área de pastagem. O eixo principal corresponde ao LE/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao LE/Rn entre 08 e 17 HL. ..(71)
Figura 4.36- Ciclo médio diário da Razão de Bowen em área de floresta (verde) e
pastagem (vermelho). ...........................................................................(72)
Figura 4.37- Razão de Bowen média entre 06 e 18 HL em área de floresta. ............(72)
Figura 4.38- Razão de Bowen média entre 06 e 18 HL em área de pastagem. .........(73)
Figura A.1- Dia Juliano 36 (05/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). .........(83)
Figura A.2- Dia Juliano 38 (07/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). .........(83)
Figura A.3- Dia Juliano 42 (11/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). .........(83)
Figura A.4- Dia Juliano 46 (15/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). .........(84)
Figura A.5- Dia Juliano 66 (07/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(84)
Figura A.6- Dia Juliano 67 (08/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(84)
Figura A.7- Dia Juliano 71 (12/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(85)
Figura A.8- Dia Juliano 73 (14/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(85)
Figura A.9- Dia Juliano 80 (21/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(85)
Figura A.10- Dia Juliano 81 (22/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(86)
Figura A.11- Dia Juliano 83 (24/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(86)
Figura A.12- Dia Juliano 85 (26/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(86)
Figura A.13- Dia Juliano 89 (30/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b). ........(87)

XVI
Figura B.1-

Dia Juliano 36 (05/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(88)

Figura B.2-

Dia Juliano 38 (07/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(88)

Figura B.3-

Dia Juliano 42 (11/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(88)

Figura B.4-

Dia Juliano 46 (15/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(89)

Figura B.5-

Dia Juliano 66 (07/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a) e 11:00
(b). ........................................................................................................(89)

Figura B.6-

Dia Juliano 67 (08/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(89)

Figura B.7-

Dia Juliano 71 (12/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(89)

Figura B.8-

Dia Juliano 73 (14/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(90)

Figura B.9-

Dia Juliano 80 (21/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(90)

Figura B.10- Dia Juliano 81 (22/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). ...................................................................(90)
Figura B.11- Dia Juliano 83 (24/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). .................................................................(90)
Figura B.12- Dia Juliano 85 (26/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). .................................................................(91)
Figura B.13- Dia Juliano 89 (30/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00
(b), 14:00 (c) e 17:00 (d). .................................................................(91)
Figura C.1- Dia Juliano 36 (05/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). .........(92)

XVII
Figura C.2- Dia Juliano 38 (07/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). .........(92)
Figura C.3- Dia Juliano 42 (11/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). .........(93)
Figura C.4- Dia Juliano 46 (15/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). .........(93)
Figura C.5- Dia Juliano 66 (07/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(93)
Figura C.6- Dia Juliano 67 (08/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(94)
Figura C.7- Dia Juliano 71 (12/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(94)
Figura C.8- Dia Juliano 73 (14/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(94)
Figura C.9- Dia Juliano 80 (21/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(95)
Figura C.10- Dia Juliano 81 (22/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(95)
Figura C.11- Dia Juliano 83 (24/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(95)
Figura C.12- Dia Juliano 85 (26/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(96)
Figura C.13- Dia Juliano 89 (30/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b). ........(96)

XVIII
LISTA DE TABELAS

Tabela 4.1-

(Pag.)
Valores médios diários da temperatura do ar (°C) e estatísticas em área
de floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX)
e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). .................................................(33)

Tabela 4.2-

Valores médios diários da temperatura do ar (°C) e estatísticas em área de
pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA), desvio
padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP). .................................................(34)

Tabela 4.3-

Valores médios diários da umidade relativa do ar (%) e estatísticas em
área de floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX)
e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). .................................................(38)

Tabela 4.4-

Valores médios diários da umidade relativa do ar (%) e estatísticas em
área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários
(MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP)........................(38)

Tabela 4.5-

Valores médios diários da velocidade do vento (m.s-1) e estatísticas em
área de floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX)
e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). .................................................(42)

Tabela 4.6-

Valores médios diários da velocidade do vento (m.s-1) e estatísticas em
área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários
(MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ......................(43)

XIX
Tabela 4.7-

Taxas de variação médias diárias do saldo de radiação (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ..........(49)

Tabela 4.8-

Taxas de variação médias diárias do saldo de radiação (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). .........(50)

Tabela 4.9-

Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor sensível (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ..........(57)

Tabela 4.10- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor sensível (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ..........(58)
Tabela 4.11- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor latente (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ..........(67)
Tabela 4.12- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor latente (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV),
valores máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP). ..........(67)
Tabela D.1- Taxas de variação horária do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de
floresta de 05/02 a 30/03/2002. ........................................................(97)
Tabela D.2- Taxas de variação horária do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) em área de
floresta de 05/02 a 30/03/2002........................................................(97)

XX
Tabela D.3- Taxas de variação horária do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) em área de
floresta de 05/02 a 30/03/2002..............................................................(98)
Tabela D.4- Taxas de variação horária do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de
pastagem de 05/02 a 30/03/2002......................................................(98)
Tabela D.5- Taxas de variação horária do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) em área de
pastagem de 05/02 a 30/03/2002.......................................................(99)
Tabela D.6- Taxas de variação horária do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) em área de
pastagem de 05/02 a 30/03/2002......................................................(99)

XXI
LISTA DE SÍMBOLOS

β

- Razão de Bowen

σ

- Desvio Padrão

H

- Calor Sensível (W.m-2)

L

- Radiação de Onda Longa (W.m-2)

Ld

- Radiação de Onda Longa Atmosférica

LE

- Calor Latente (W.m-2)

R2

- Coeficiente de Determinação

Rg

- Radiação Global (W.m-2)

Ri

- Número de Richardson

Rn

- Saldo de Radiação (W.m-2)

UR

- Umidade Relativa (%)

Zi

- Altura da Camada Limite Convectiva (m)

XXII
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ABLE

- Amazonian Boundary Layer Experiment

ABRACOS

- Anglo-Brasilian Amazonian Climate Observation Study

AMC

- Atmospheric Mesoscale Campaign

AMP

- Amplitude

ARME

- Amazon Region Micrometeorological Experiment

BES

- Balanço de Energia em Superfície

CAPE

- Energia Potencial Disponível para Convecção

CGM

- Modelos de Circulação Geral

CLA

- Camada Limite Atmosférica

CLC

- Camada Limite Convectiva

CLE

- Camada Limite Estável

CLN

- Camada Limite Noturna

CPTEC

- Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos

CV

- Coeficiente de Variação

DJ

- Dia Juliano

DMQ

- Desvio Médio Quadrático

EMA

- Erro Médio Absoluto

FNS

- Fazenda Nossa Senhora Aparecida

GOES

- Satélite Geoestacionário

HL

- Hora Local

IBGE

- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IPCC

- intergovernmental panel on climate change

INPE

- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

IOS

- Oscilação intrasazonal

XXIII
LBA

- Large Scale Biosphere Atmosphere Experiment in Amazonia

MAX

- Máximo

MACOE

- Experimento de CO2 Atmosférico de Manaus

MCGA

- Modelo de Circulação Geral da Atmosfera

METAR

- Meteorological Aerodrome Report

MIN

- Mínimo

NCAR

- National Centers for Atmosphere Research

NCEP

-National Centers for Environmental Prediction

PVM

- Potential Vegetation Model

RACCI

- Radiation, Cloud and Climate Interactions

RAMS

- Regional Atmospheric Modeling System

RBLE

- Rondônia Boundary Layer experiment

REBIO

- Reserva Biológiaca

RO

- Rondônia

SODAR

- Sonic Detection And Ranging

SSiB

- Simplified Simple Biosphere Model

TAE

- Taxa de Variação do Armazenamento de Energia

TRMM

- Tropical Rainfall Measuring Mission

UTC

- Universal Time Coordinated

VCAN

- Vórtice Ciclônico de Altos Níveis

ZCIT

- Zona de Convergência Intertropical

1
CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

A Amazônia brasileira é um território de 5032925 Km², que compreende os estados do
Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá e parte dos estados do Tocantins,
Mato Grosso e Maranhão (FISCH et al, 1998). Por muitas décadas esta região tem sido
modificada pelo desmatamento e introdução de outras culturas e pecuária, o que reflete
no balanço de energia em superfície tanto na Amazônia como em outros ecossistemas
influenciados por ela. O crescimento econômico e populacional da região é reconhecido
como uma das principais forçantes do processo de perda de florestas. Varias questões
preocupam ambientalistas, devido principalmente à perda da biodiversidade na
Amazônia e também especialistas em mudanças climáticas, visando às emissões de
gases que intensificam o efeito estufa. Atualmente há uma grande preocupação com o
desmatamento desordenado da Floresta Amazônica e sua influencia sobre o clima
mundial (IPCC, 2007). OLIVEIRA (2008) realizou um estudo de modelagem para
avaliar as conseqüências climáticas de alterações da vegetação na Amazônia. Utilizou
como ferramenta básica de trabalho o Modelo de Circulação Geral da Atmosfera
(MCGA) e o Modelo de Vegetação Potencial (PVM) do CPTEC – INPE. O estudo
indicou que as mudanças na cobertura vegetal da Amazônia afetam significativamente
os balanços de radiação, de energia, de água, a estrutura dinâmica da atmosfera e,
conseqüentemente, a convergência de umidade e de massa em baixos níveis da
atmosfera. Este trabalho tem como principal objetivo contribuir para uma melhor
compreensão dos possíveis impactos do desmatamento (substituição por pastagem)
sobre o microclima local em particular a repartição da energia em superfície durante a
estação chuvosa.

2
CAPÍTULO 2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 A Amazônia
A Bacia Amazônica possui uma área estimada de 6,3 milhões de Km2, sendo que
aproximadamente 5 milhões em território brasileiro e o restante dividido entre Bolívia,
Colômbia, Equador e Peru. Esta região é limitada a oeste pela Cordilheira do Andes, ao
norte pelo Planalto das Guianas, ao sul pelo Planalto Central e a leste pelo Oceano
Atlântico, por onde toda água captada na bacia escoa para o mar. Segundo o IBGE
(disponível em: < http://www.ibge.gov.br>), a área da Amazônia Legal no Brasil é de
5032925 Km2, compreendidos pelos estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima,
Acre, Amapá e parte dos estados do Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.

Molion (1990), mencionou que a Floresta Amazônica corresponde a 8% do cinturão
latitudinal (10°N–10°S) e a 34% da superfície terrestre correspondendo a 88 milhões de
quilômetros quadrados, dos quais 77% são oceanos e 23% continentes. Deste 50% é
coberto por florestas naturais. A região Amazônica, com uma área de 7 x 106 m2
(Amazônia Legal incluindo outros países), é uma importante fonte de calor para a
circulação geral da atmosfera e desempenha um papel significativo no ciclo
biogeoquímico, particularmente no balanço global do carbono (MOLION, 1995).

Desde a ocupação dos exploradores europeus no século XVI, a Floresta Amazônica vem
sendo degradada. Estima-se que uma área de aproximadamente 550.000 Km2, cerca de
12,5% da floresta original, já tenha sido desmatada através da derrubada e da queima da
biomassa. Essa mudança na cobertura do solo provoca alterações nos parâmetros
meteorológicos, tais como, o balanço de energia que, por sua vez, interage com a
superfície e modifica, a Camada Limite Atmosférica (CLA), a temperatura e a
evapotranspiração da floresta, que consequentemente, provocarão alterações no ciclo
das chuvas, podendo interferir também, no clima regional e global. (LEITE, 2004)

3
2.2 O clima da Amazônia

O clima atual da região Amazônica é uma combinação de vários fatores, sendo que o
mais importante é a disponibilidade de energia solar, através do balanço de energia. A
Amazônia, recebe no topo da atmosfera um valor máximo de 36,7 MJ.m-2.dia-1 em
Dezembro/Janeiro e um valor mínimo de 30,7 MJ.m-2.dia-1 em Junho/Julho. Estes
valores são reduzidos pela transmissão atmosférica, mas são em média, da ordem de 15
MJ.m-2.dia-1. Devido aos altos valores de energia que incide na superfície, o
comportamento da temperatura do ar mostra uma pequena variação ao longo do ano,
com exceção da parte mais ao sul (Rondônia e Mato Grosso), que inclusive sofrem a
ação de sistemas frontais (denominados localmente por Friagens). A amplitude térmica
sazonal é da ordem de 1 a 2 °C, sendo que os valores médios situam-se entre 24 e 26 °C.
(disponível em:<http://climanalise.cptec.inpe.br/~rclimanl/boletim/cliesp10a/fish.html>.

2.3 A Camada Limite Atmosférica na Amazônia

Pode-se definir Camada Limite Atmosférica (CLA) como a parte da troposfera que é
diretamente influenciada pela presença da superfície terrestre, e reage às suas forçantes
em uma escala de tempo de 1 hora ou menos (STULL, 1988).

A CLA é a região onde ocorre a maioria dos transportes de energia (calor sensível e
latente) no sistema Terra – Atmosfera e que também é chamada de Camada Limite
Convectiva (CLC). As diferenças existentes no tipo de superfície e rugosidade do
terreno contribuem diretamente para a maneira como a CLA influencia este transporte
de energia (LEITE, 2004).

A mudança no uso da terra altera o funcionamento da Camada Limite, começando pela
alteração nos fluxos em superfície, como o Saldo de Radiação (Rn), Calor Latente (LE)
entre outros, e afetando inclusive as circulações em maior escala, modificando, por
exemplo, o regime local de chuvas.

4
2.3.1 Experimentos sobre a CLA na Amazônia

Experimentos envolvendo regiões de floresta e de pastagem (área desmatada) na
Amazônia vêm sendo realizados desde 1983 com o objetivo de estudar o efeito do
desmatamento nos processos de interação floresta-atmosfera no que diz respeito a CLA,
bem como estabelecer os processos físicos, biológicos e fisiológicos que interagem com
a atmosfera e causam alteração no clima (COHEN et al., 2000). Neste ano foi realizado
o ARME (Amazon Region Micrometeorological Experiment), que se estendeu por dois
anos e teve como objetivo coletar dados micrometeorológicos da partição de energia
pela Floresta Amazônica e estimar a evapotranspiração (ROCHA et al, 2002).

Depois deste, vários outros estudos se seguiram, visando melhorar o entendimento do
funcionamento da Camada Limite na Amazônia, entre eles:

ABLE (Amazonian Boudary Layer Experiment). Foi realizado em duas fases:
estação seca de julho a agosto de 1985, e estação chuvosa de abril a maio de
1987. Objetivou estudar a CLA tropical e, obter uma caracterização química
quantitativa da variabilidade temporal e espacial de vestígios de gases e
aerossóis ao longo do Amazonas. (GARSTANG et al, 1990)
RBLE (Rondônia Boundary Layer experiment). Foi realizado em três etapas
entre 1992 e 1994 (RBLE1 em 1992, RBLE2 em 1993 e RBLE3 em 1994) e
teve como objetivo estudar a Camada de Mistura e a estrutura termodinâmica da
atmosfera em áreas de floresta e pastagem. (LEITE, 2004)
ABRACOS (Anglo-Brasilian Amazonian Climate Observation Study). Foi
realizado de 1991 a 1995. Teve como objetivo o monitoramento do clima da
Amazônia, melhorar a compreensão do desmatamento e fornecer dados para
modelos CGM (Modelos de Circulação Geral), em áreas de floresta tropical e
pastagem. As medições foram feitas em três locais (Manaus, Marabá e JiParaná). (GASH e NOBRE, 1997)
LBA (Large Scale Biosphere Atmosphere Experiment in Amazonia). Iniciou em
1999 e tem como objetivos, gerar novos conhecimentos essenciais para a
compreensão dos processos climatológicos, ecológicos, hidrológicos e de
bioquímica da Amazônia, dos impactos dos diferentes usos da terra nesses

5
processos e das interações da floresta com o sistema biogeofisico do Planeta.
Durante o LBA estão sendo realizadas diversas campanhas de coletas de dados.
Um dos primeiros experimentos realizados foi a campanha WET AMC/LBA, de
janeiro a fevereiro de 1999, durante a estação chuvosa em Rondônia. Para
caracterizar a estação de transição de seca para chuvosa foi realizado o
experimento DRY TO WET AMC/LBA, em Rondônia e Mato Grosso, entre
setembro e dezembro de 2002, ambos em áreas de floresta e pastagem
(disponível em <lba.cptec.inpe.br/lba/site/>).

2.3.2 Alguns resultados obtidos em estudos sobre a Camada Limite Atmosférica
na Amazônia com relação a:

2.3.2.1 Radiação

Feitosa et al (1998) analisaram a radiação solar global em áreas de floresta e pastagem
na Amazônia com dados coletados pelo Projeto ABRACOS (1992-1996). Eles
concluíram que os diferentes tipos de vegetação alteram as características da radiação
solar global incidente, tendo em vista a influência do tipo de superfície na cobertura de
nuvens e, principalmente, na liberação de aerossóis para a atmosfera. Existe também
uma variabilidade temporal em relação às épocas seca e chuvosa. Os resultados obtidos
mostraram que a radiação solar global (Rg) durante a estação seca atinge os máximos
entre 12 e 13 horas local. A Rg integrada ao longo do dia na área de floresta durante a
época seca é de 18,3 MJ.m-2.dia-1 em média, enquanto que na estação chuvosa diminui
para 17,1 MJ.m-2.dia-1. Para a área de pastagem esses valores são de 17,1 MJ.m-2.dia-1
na estação seca e 16,9 MJ.m-2.dia-1 na estação chuvosa. O efeito da atenuação de Rg foi
de 2,0 MJ.m-2.dia-1 para o total integrado. A absorção da Rg pelo vapor d’água durante a
estação seca na área de floresta de 185 W.m-2, ao passo que na pastagem a absorção é de
174 W.m-2. Para o período chuvoso esses valores de absorção são de 210 W.m-2 para a
área de floresta e de 200 W.m-2 para pastagem. Ocorre também uma transmitância de
0,66 para floresta e 0,58 para pastagem, durante a estação chuvosa, sendo que estes
valores decresceram na estação seca para 0,50 e 0,52 para floresta e pastagem,
respectivamente.

6
Moura et al (1999), utilizando dados coletados nos dois sítios experimentais do projeto
ABRACOS, período 1991-1996, estudaram as variações horárias e diárias do albedo
devido ao desmatamento da floresta amazônica na região de Ji-Paraná, Rondônia, em
dois sítios experimentais, sendo um representativo da vegetação nativa de floresta
tropical e outro com área desmatada (pastagem). Analisaram também as variações do
albedo com a estação chuvosa (jan-fev-mar) e seca (jun-jul-ago), como ainda sua
relação com o ângulo de elevação solar. Os resultados encontrados mostraram que o
albedo médio foi de 13,2% na floresta e 20% na pastagem. Observaram também que da
estação seca para a chuvosa houve uma redução de 3,1% do albedo na pastagem e de
11% do albedo na floresta. As análises mostraram que em fevereiro os valores mínimos
anuais do albedo da pastagem estão associados à nebulosidade e, em outubro, à variação
do ângulo de elevação solar em torno do meio-dia e à natureza da vegetação.

Galvão e Fisch (2000a) utilizaram as medidas micrometeorológicas de superfície
realizadas na área de pastagem do Projeto ABRACOS para avaliar o balanço completo
de radiação e o desempenho de fórmulas empíricas para estimativas da radiação de onda
longa atmosférica (Ld), para o final da estação chuvosa e início da estação seca do ano
de 1993, na região de Ji-Paraná (RO). De um modo geral, os componentes do balanço
de radiação apresentaram um ciclo diário bem definido com os valores mais elevados
ocorrendo durante o período diurno e os menores durante a noite. As estimativas de
radiação de onda longa da atmosfera, a partir desses modelos, subestimaram as
observações, resultando em valores de desvio médio quadrático (DMQ) variando entre
50,7 a 75,2 W.m-2, assim como valores negativos de erro médio absoluto (EMA) de 73,0 a -49,1 W.m-2. Um ajuste local dos coeficientes das fórmulas empíricas utilizadas
foi realizado, obtendo-se as melhores estimativas de Ld pelos modelos em que a
emissividade é função somente da temperatura do ar. Os índices estatísticos das
equações ajustadas mostraram coeficientes de correlações (R2) próximos à unidade,
pequenos valores de DMQ e EMA próximos de zero.

Em pesquisa feita por Moura et al (2001), foi comparada a radiação solar global em dois
diferentes ecossistemas: pastagem e floresta tropical. Foram utilizadas as medidas
obtidas durante a realização do projeto ABRACOS (Anglo-Brazilian Amazonian
Climate Observation Study), entre 1991 e l996. Foram utilizados sítios experimentais
em áreas de floresta e pastagem, nas proximidades da cidade de Ji-Paraná, no estado de

7
Rondônia, separados entre si por aproximadamente 100 km. Os autores verificaram que
a radiação global, com médias de 17,3 MJ.m-2.dia-1 na floresta e 16,8 MJ.m-2.dia-1 na
pastagem, representando uma diferença de 2% entre os sítios experimentais, sofre
influência da nebulosidade (fevereiro) e das queimadas (setembro).

Aguiar et al (2006a) analisaram dados coletados em julho de 2005 e janeiro de 2006 em
dois sítios experimentais em Rondônia, como parte do experimento LBA com o
objetivo de avaliar a variação sazonal do albedo em dois tipos de cobertura vegetal:
floresta e pastagem. Os albedos médios diários não apresentaram grandes variações
sazonais. Conforme era esperado, os maiores valores dos albedos médios diários foram
encontrados na área de pastagem. Os maiores valores dos albedos na área de pastagem
implicam em menor saldo de radiação, com um valor médio de 9,02 MJ.m-2.d-1,
enquanto na área de floresta obteve-se um saldo de radiação médio diário de
12,9 MJ.m-2.d-1.

Querino et al (2006) analisaram os valores médios anuais da Radiação Solar Global
(Rg) e concluíram que no geral, e em todas as épocas estudadas, os sítios de Rondônia
apresentaram maiores valores do que os sítios de Manaus, bem como constataram que
os registros médios de Rg foram de aproximadamente 650 W.m-2. No entanto, houve
uma redução em todos os sítios dos valores de Rg, causada pela nebulosidade, quando
comparados os períodos chuvoso e seco. Os autores encontraram albedos médios anuais
maiores em áreas de pastagem. Essa diferença significa um aumento em média de
aproximadamente 38%, no valor do albedo, quando se substituem florestas nativas por
pastagens. Esse aumento no albedo da região indica, nesse caso, que superfície após a
substituição de sua cobertura natural, retém menos energia. Com isso tem-se uma
redução no balanço de radiação, disponibilizando uma menor quantidade de energia
para os processos atmosféricos que se iniciam próximo da superfície, como por
exemplo, convecção.

Souza Filho et al (2006) estudaram a variação sazonal do balanço de radiação e de seus
componentes, de uma floresta tropical. Utilizaram-se dados do projeto CARBOPARÁ,
parte integrante do experimento LBA, coletados na reserva florestal de Caxiuanã, região
nordeste da Amazônia. O albedo médio foi 8,2% para o período chuvoso, e 11,9% para
o período menos chuvoso. Durante o período chuvoso, o balanço de onda curta média

8
horária é superior ao período menos chuvoso durante todas as horas do dia. O balanço
diário de radiação de onda longa para os períodos estudados foram sempre negativos
pelo fato de a radiação terrestre (L↑) ser maior que a contra radiação emitida pela
atmosfera (L↓). Durante dias de céu claro, o balanço de radiação foi o dobro do
observado para dias de céu nublado.

2.3.2.2 Fluxos de massa e energia

Marques Filho e Ribeiro (1988), estudando as relações entre fluxos e gradientes sobre
floresta, afirmaram que as funções adimensionais de estabilidade para os fluxos de calor
sensível e de vapor d’água foram estabelecidas em condições de instabilidade
atmosférica na região amazônica. Os resultados alcançados para as formas das funções
adimensionais implicam em que não é mais possível, nas condições de instabilidade
atmosférica, utilizar-se a simplificação Ri = (z-d)/L (z é a altura da observação (m), d é
o deslocamento do plano de referência (m) e L é o comprimento de estabilidade), tão
útil nas aplicações práticas.

Objetivando analisar o comportamento das componentes do balanço de energia de áreas
de floresta e de pastagem, na região de Ji-Paraná, para o final do período chuvoso e
início do período seco, durante o ano de 1993 com dados do projeto ABRACOS,
Galvão e Fisch (1998) verificaram, na partição dos fluxos, que a floresta utiliza uma
maior quantidade de energia para evaporar e uma pequena quantidade para aquecer o ar
em ambos os período estudados, enquanto que na pastagem a transferência de energia
para a atmosfera dá-se de ambos os modos pelos fluxos de calor latente e calor sensível
no período seco e predominantemente pelo fluxo de calor latente durante o período
chuvoso.

Galvão e Fisch (2000b) apresentaram o balanço de energia em áreas de floresta e
pastagem na Amazônia (Ji-Paraná, RO), utilizando medidas micrometeorológicas de
superfície realizadas nas áreas de floresta e de pastagem do Projeto ABRACOS na
região de Ji-Paraná (RO) para avaliar o balanço de energia no período de transição do
final da estação chuvosa e início da estação seca do ano de 1993. Os resultados
indicaram que, durante o período chuvoso, a devolução de energia para a atmosfera é
realizada predominantemente pelo fluxo de calor latente, cuja fração do saldo de

9
radiação (LE/Rn) utilizada foi 0,79 na floresta e 0,65 na pastagem. Uma pequena parte
(H/Rn) é usada para o aquecimento da atmosfera, correspondendo a 0,17 na floresta e
0,20 na pastagem. No período seco, a floresta continua a utilizar uma maior quantidade
de energia para evaporar (LE/Rn igual a 0,62) e uma menor quantidade para aquecer o
ar (H/Rn igual a 0, 18), enquanto, na pastagem, a transferência de energia para a
atmosfera ocorre em magnitudes similares entre os fluxos de calor latente e calor
sensível (razão de Bowen igual a l), principalmente nos horários entre 11 e 14 Horas
Locais (HL).

Santos (2000) analisou medições de concentração do dióxido de carbono na floresta
Amazônica em Manaus, obtidas por um balão cativo à 300m do solo, durante o
Experimento MACOE (Experimento de CO2 Atmosférico de Manaus) em Novembro de
1995 e verificou que houve fontes na floresta durante a noite e sumidouros durante as
primeiras horas da manhã, mostrando que o ecossistema é um absorvente líquido de
dióxido de carbono. Os ganhos de CO2 fotossintético excederam as perdas respiratórias
do experimento. Também verificou que não há modificações importantes no CO2 à
noite no interior das copas e acima de 60 m

Imbuzeiro et al (2007), utilizando dados de estações meteorológicas e sistemas de
covariância de vórtices no período entre os anos de 2002 e 2003, analisaram o
comportamento horário dos fluxos de energia tanto para estação seca quanto para
estação chuvosa. As médias diárias dos fluxos mostraram que o saldo de radiação (Rn),
o calor sensível (H) e o calor latente (LE) apresentam maiores valores na estação seca.
O aumento de Rn e H se deve ao fato de que na estação seca a nebulosidade é menor e
há uma maior incidência de radiação solar do que na estação chuvosa. Era de se esperar
que o LE apresentasse maior valor na estação chuvosa, devido a sua forte dependência
com a umidade do ar, já que nesta estação o número de ocorrência de dias chuvosos é
maior, permitindo que a umidade do ar atinja valores maiores e mais constantes. O
aumento de LE na estação seca pode ser explicado pelo fato de que durante o período
seco a floresta continua a utilizar uma quantidade maior de energia para evaporar (LE) e
uma menor para aquecer o ar (H).

10
Michiles e Gielow (2006), utilizando dados do projeto RACCI/LBA obtidos durante a
época de transição entre as estações seca e chuvosa, estudaram o armazenamento e
balanço de energia em superfície para uma área de floresta no sudoeste da Amazônia.
Eles concluíram que devido à ocorrência de grandes biomassas, altas temperaturas e
umidades relativas do ar em florestas de terra firme da Amazônia, a estimativa da TAE
(taxa de variação do armazenamento de energia) nestas é crítica para o BES (balanço de
energia em superfície). No que concerne ao fechamento do BES, observaram, em
termos horários, diurnos, noturnos e diários, uma relativa melhora quando se inclui a
TAE nos cálculos.

Cabral et al (2007) simularam fluxos de superfície sobre diferentes tipos de vegetação
no período de 15 de Outubro de 2006 a 15 de Abril de 2007. As simulações foram feitas
em cobertura de floresta tropical, pastagem coberta por um tipo de bioma e soja. Os
valores encontrados para a fração evaporativa e razão de Bowen no experimento
Controle, utilizado para validação do modelo, foram bastante próximos ao observados
em campo. Nota-se que no experimento Soja, o valor médio do fluxo de calor sensível
acumulado diário é o menor, e o da Pastagem é o maior. Porém, para o fluxo de calor
latente ocorre o inverso, indicando que na soja a maior parte da energia disponível é
utilizada nos processos de evapotranspiração, e na pastagem a energia disponível é
utilizada para aquecer a superfície.

Aguiar et al (2006b), analisando os Fluxos de massa e energia em uma floresta tropical
no sudoeste da Amazônia durante o ano de 2004, verificaram que o saldo de radiação
apresentou pequena variação sazonal, diferentemente dos fluxos de calor latente e
sensível, que apresentaram clara variação. As medidas de fluxo de calor latente
indicaram redução de 19,6% na estação seca e as medidas de fluxo de calor sensível
chegaram a dobrar seus valores na mesma estação. Assim como ocorreu com a partição
de energia, a magnitude dos fluxos de CO2 apresentou variação sazonal e do ciclo
diurno, apresentando tipicamente um fluxo positivo durante a noite e negativo durante o
dia.

11
Liberato e Brito (2007) analisaram fluxos de CO2 entre a vegetação e a atmosfera na
Amazônia em áreas de floresta e pastagem a partir de dados do LBA. Os resultados
mostraram que a floresta absorve mais CO2 do que a pastagem e que durante a estação
seca há uma diminuição na absorção de CO2 em ambos os sítios, permanecendo uma
absorção maior pela floresta. Observaram também que durante o período da manha na
floresta, há uma forte emissão de CO2 devido ao acumulo do gás pela floresta durante a
noite.

2.3.2.3 Caracterização da CLA.

Silva e Lyra (1998) compararam floresta e pastagem ao nível da baixa troposfera
durante o RBLE-3 e concluíram que na camada 0-2500 m o ar sobre a pastagem é mais
quente e mais seco, com diferença média de temperatura de 1,17 K e de umidade
específica de 0,19 g.kg-1. A pequena diferença entre a umidade dos dois sítios se deve
ao fato do ar da pastagem ser alimentado com umidade proveniente da floresta.

Carmo et al (1998), aplicando o método das variáveis conservativas no estudo da
camada limite amazônica, investigaram a estrutura termodinâmica da CLC sobre a
Amazônia ocidental, usando dados do RBLE-3, mostrando que, no geral, a estrutura de
três camadas (subsaturada, saturada e entranhamento) está bem definida em ambas as
regiões de floresta e pastagem e que a camada superficial não está acoplada à camada
úmida até 1500 UTC e 1800 UTC para os casos de pastagem e floresta. Com o
acoplamento das camadas, o ar próximo à superfície torna-se mais seco, com máximo
de umidade específica ocorrendo durante a noite e manhã no caso de pastagem, devido
ao resfriamento radiativo e advecção de ar úmido da floresta, e sobre a floresta o
máximo de umidade ocorre às 1500 UTC devido à evaporação na camada estável rasa.

Oliveira e Fisch (2000) realizaram uma análise da estrutura e evolução dinâmica da
Camada Limite Atmosférica (CLA) através do estudo da turbulência atmosférica, em
áreas de floresta e de pastagem na região de Ji-Paraná (Rondônia), durante a estação
seca de 1994. Concluíram que na pastagem o regime torna-se instável mais cedo (6 HL)
do que na floresta (8 HL), com valores do comprimento de Monin-Obukhov de 75m e
160m, respectivamente. Os efeitos turbulentos, de acordo com o número de Richardson,

12
surgem às 10 HL na pastagem e 11:30 HL na floresta, propagando-se na vertical até no
máximo 1400m na pastagem e 900m na floresta.

Souza e Lyra (2002) descreveram algumas características da termodinâmica da Camada
Limite Atmosférica sobre Rondônia e suas relações com a substituição de áreas de
florestas naturais por pastagens, utilizando dados de perfis verticais de pressão
atmosférica, temperatura do ar, umidade específica e velocidade e direção do vento,
observados

durante

o

RBLE-3.

Os

resultados

evidenciaram

importantes

diferenças/mudanças entre as CLAs sobre os dois tipos de vegetação. A área desmatada
(pastagem) é sempre mais quente e mais seca ao longo do ciclo diurno. Durante o dia, a
taxa de crescimento é praticamente o dobro: a CLA é 2,7K mais quente e 3,0 g.Kg-1
mais seca, sendo que a sua espessura chega a ser 1000m superior. Durante a noite, a
diferença de umidade passa a ser o dobro daquela registrada durante o dia. Por outro
lado, a CLA, na pastagem durante a noite é mais estável, menos espessa cerca de 30% e
2,2K mais fria.

Comparando as estações seca e chuvosa em área de floresta nativa no oeste da
Amazônia no que diz respeito à evolução da camada limite (ROCHA et al, 2002), foram
encontradas diferenças entre as duas estações, menores na Camada Limite Convectiva
(CLC) e significativas na Camada Limite Estável (CLE). Em média, a altura da CLC foi
16% (109m) maior na estação chuvosa (766m versus 657m). Na CLE, a diferença foi de
102% (253m), sendo maior na estação chuvosa (247m versus 500m).

Rocha et al (2002) fizeram a mesma comparação, mas em área de pastagem. Também
foram encontradas diferenças entre as duas estações, mais durante a Camada Limite
Convectiva (CLC) do que na Camada Limite Estável (CLE). Em média, a altura da
CLC foi 57% (399m) menor na estação chuvosa (692m versus 1091m). Na CLE, a
diferença foi de 110% (188m), sendo maior na estação chuvosa (358m versus 170m).
No entanto, os autores frisam que são necessários estudos mais apurados para que se
chegue a uma compreensão dos mecanismos que levam a formação da CLA durante a
estação chuvosa. O suporte teórico existente, desenvolvido em países de clima
temperado, deve ser visto com reservas em virtude da grande complexidade da CLA em
região de floresta tropical.

13
Lyra et al (2003) observaram o comportamento da Camada Limite Atmosférica (CLA)
sobre o oeste da Amazônia na estação seca de 1994, comparando área devastada com
área de floresta e encontraram diferenças significativas entre os sítios. Durante o dia, no
ambiente modificado (pastagem), a Camada Limite Convectiva (CLC) esteve 80% mais
espessa, 2K mais quente e 6 g.Kg-1 mais seca do que a CLC na floresta. A Camada
Limite Noturna (CLN) esteve mais quente, seca, a quebra de sua estabilidade foi mais
freqüente e ocorreu mais cedo do que a CLN na floresta pela manhã. Os resultados
obtidos indicaram também que os mecanismos dinâmicos de meso e grande escala têm
uma influência significativa no comportamento da CLA nesses locais.

Utilizando dados obtidos com os experimentos LBA/TRMM (1999) para a estação
chuvosa, e ABRACOS/RBLE para a estação seca, Fisch et al (2004), estudaram a
Camada Limite Convectiva (CLC) sobre pastagem e floresta na Amazônia.

Os

resultados apresentados sugerem que o desflorestamento pode modificar a dinâmica da
camada limite, especialmente durante a estação seca, quando os fluxos de calor sensível
são muito altos sobre a pastagem, criando uma CLC aproximadamente 550m mais
profunda em comparação à da floresta. A altura da CLC totalmente desenvolvida na
pastagem foi computada em 1650m e a da floresta em aproximadamente 1100m.
Durante a estação chuvosa, a altura da CLC é mais baixa do que durante a estação seca
e tem a mesma altura (aproximadamente 1000m) para sítios de pastagem e floresta. A
CLC sobre pastagem é mais quente e mais seca do que sobre a floresta durante a estação
seca, mas durante a estação chuvosa as temperaturas do ar e a umidade são semelhantes.

Silva e Lyra (2006) fizeram um modelo prognóstico do crescimento da CLC em função
dos fluxos em superfície, e este se mostrou bastante promissor. Com exceção do fluxo
de condução em superfície os demais apresentaram boa correlação com altura da CLC.
O melhor ajuste encontrado foi com o fluxo integrado saldo de radiação (r2 igual a
0,9998). Os resultados obtidos mostraram que o modelo representou muito bem o
crescimento da CLC, principalmente entre 11 e 14 HL. Em termos de média global, a
diferença entre os valores obtidos via simulação e os observados foram inferiores a
resolução espacial da radiossonda (cerca de 50m).

Santos e Fisch (2007) fizeram uma comparação entre quatro diferentes métodos de
estimativa da altura da CLC durante o experimento RaCCI-LBA (2002) em Rondônia,

14
Amazônia. Os métodos utilizados foram os seguintes: das Parcelas; do Número de
Richardson; dos Perfis; e um método de medição direta através do SODAR. Os autores
observaram que o Método das Parcelas superestimou as alturas da CLC (em 15% para
às 08:00 HL e 14:00 HL e 30% nos demais horários), em quase todos os casos
analisados, obtendo índices baixos do coeficiente de determinação (r2), quando
comparado com os outros métodos. O Método do Número de Richardon e o Método dos
Perfis apresentaram alturas muito semelhantes, com diferenças médias de menos de 50
m, alcançando um valor de r2 igual a 0,97, durante o período de início da estação
chuvosa. As medidas realizadas com o SODAR não se mostraram adequadas nas
primeiras horas da manhã, indicando que o equipamento mediu a Camada Limite
Residual (do dia anterior) e não a Camada Limite Convectiva rasa, em fase de
desenvolvimento.

2.3.2.4 Meteorologia Física

Souza et al (2000) propuseram uma teoria simples para circulações convectivas
induzidas pela heterogeneidade da superfície. A teoria é baseada na termodinâmica de
motores de calor e fornece uma simples explicação física para as características gerais
da circulação forçada por heterogeneidades da superfície em terrenos inclinados. Em
particular, a teoria é aplicada a uma circulação de mesoescala induzidas pelo
desmatamento. Ela prevê que a intensidade da circulação convectiva de mesoescala
forçada pelo desmatamento depende da diferença não adiabática da temperatura e
umidade próximas à superfície, entre a floresta e as regiões desmatadas, e da
profundidade da camada limite convectiva. A teoria foi testada com sucesso nas
observações feitas durante um experimento de campo na floresta amazônica e de uma
clareira próxima.

Analisando dados de um disdrômetro e um radar de apontamento vertical instalados no
aeroporto de Ji-Paraná, RO, Brasil, para o experimento de campo WET AMC/LBA &
TRMM/LBA, em Janeiro e Fevereiro de 1999, Albrecht e Silva Dias (2005) analisaram
detalhadamente a estrutura microfísica relacionada a um padrão mais convectivo de
regimes de fluxos de leste e mais estratiforme em regimes de fluxos de oeste. A
diferenciação entre os perfis de precipitação convectiva e estratiforme dentre os
diversos sistemas de precipitação, existentes na região tropical, é muito importante para

15
a circulação atmosférica global, sendo extremamente sensível à distribuição vertical de
calor latente. Na América do Sul, a atividade convectiva responde à Oscilação
Intrasazonal (IOS). A breve análise dos regimes de ventos associados à IOS mostrou
uma grande diferença no tipo, tamanho e processos microfísicos de crescimento de
hidrometeoros em cada regime de vento: regimes de leste possuem mais turbulência e
conseqüentemente formação de precipitação convectiva, e regimes de oeste possuem
formação de precipitação mais estratiforme.

Silva Dias et al (2005) apresentaram alguns resultados obtidos dentro do Projeto LBA e
em particular na componente de Física do Clima que apontam para interações físicas
extremamente complexas, que apenas agora começam a ser compreendidas e cuja
pesquisa levanta novas questões sobre os mecanismos envolvidos. Os resultados obtidos
apontam para possíveis processos físicos que estão sendo alterados pelo desmatamento
e pelas queimadas. Os dados colhidos durante as campanhas intensivas do LBA indicam
que as circulações locais provocadas pelo desmatamento e os núcleos de condensação
de nuvens gerados pela queima da biomassa afetam a formação de nuvens e de chuvas,
reduzindo a chuva nos vales desmatados e as chuvas locais de nuvens rasas que
reciclam os compostos orgânicos voláteis naturalmente emitidos pela floresta. As
implicações dessas alterações com relação ao equilíbrio dos ecossistemas são o foco das
pesquisas atuais.

2.3.2.5 Vento

Estudando as relações da brisa de rio com a camada limite local na Amazônia, Oliveira
e Fitzjarrald (1993) observaram a evolução diurna da camada limite planetária sobre a
floresta amazônica, próximo ao local onde há a confluência dos rio Negro e Solimões,
onde se mostra a existência de uma rotação diurna do vento próximo a superfície e a
presença freqüente de um vento máximo noturno em baixos níveis. Estas circulações
explicam-se como elementos de uma circulação de brisa de rio e de terra, induzida pelo
contraste termal entre os rios e a floresta adjacente.

Oliveira e Fitzjarrald (1994) apresentaram uma análise linear para estimar a estrutura
espacial e a intensidade de uma brisa induzida por um rio com largura e contraste
térmico semelhantes aos observados no Amazonas central. Os autores observaram que

16
os contrastes térmicos são suficientes para produzir uma brisa de rio que pode ser
percebida mais de 20 km adentro diariamente. Um modelo de fechamento
unidimensional de segunda ordem foi usado para mostrar que os máximos noturnos de
vento em nível baixo observados e a rotação diurna do vento superficial são aspectos de
uma brisa de rio que interage com o fluxo médio que varia de acordo com a estação.

Oliveira e Fisch (2001) estudaram o comportamento do perfil do vento em áreas de
floresta e pastagem na região de Ji- Paraná durante a estação seca de 1994 utilizando
dados de radiossondagens. O vento na floresta foi em média 2 m.s-1 mais intenso que na
pastagem. Eles notaram a presença de ventos máximos, em ambos os sítios, em torno de
2000 m, próximo das 8 horas local, de aproximadamente 8,0 m.s-1 na floresta e 6,5 m.s-1
na pastagem.

Sá e Pachêco (2006) estudaram perfis de velocidade do vento medidos em torre de 60m
de altura construída na Reserva Florestal do Jarú. Os dados foram coletados durante a
campanha intensiva úmida do LBA. Os resultados confirmam as proposições, segundo
as quais o cisalhamento do vento no topo da copa e o ponto de inflexão do perfil vertical
de velocidade do vento sintetizam a informação básica referente à dinâmica das
interações turbulentas entre o escoamento acima e dentro da copa florestal de Rondônia.

2.3.2.6 Modelagem

Fisch et al (1997) analisaram as modificações microclimáticas provocadas pelo
desmatamento da região Amazônica, utilizando-se do modelo de Circulação Geral da
Atmosfera do Hadley Centre (Reino Unido). De um modo geral, a substituição de
floresta por pastagem provoca, em nível sazonal, uma redução no saldo de radiação de
ondas curtas e total, um aumento na temperatura média do ar, uma redução pequena na
umidade específica do ar, um aumento da velocidade do vento, uma redução na
evaporação e precipitação, e um período de seca mais prolongado, que estende-se de
junho a julho no cenário de floresta para maio a agosto no caso da pastagem.
Analisando um mês tipicamente úmido e um mês ao final da época seca, o saldo de
radiação (ondas curtas e total) é superior na floresta em relação a pastagem, em ambas
as estações. A razão de Bowen é tipicamente de +0,3 durante a época chuvosa,
aumentando para valores entre 1,0 e 3,0 durante a estação seca. No caso da temperatura

17
do ar, a floresta apresenta um valor máximo maior do que de pastagem (1,2 °C) durante
o período das chuvas e é inferior ao mínimo da temperatura da pastagem na estação seca
(-2,5 °C). A velocidade do vento foi mais intensa na pastagem em relação a floresta,
sendo que, no período seco, a pastagem apresentou ventos de até 3,5 m.s-1.

Tota e Fisch (1998) aplicaram um modelo de estimativa de fluxo regional a áreas de
floresta e pastagem na Amazônia, apresentando uma análise comparativa entre fluxos
turbulentos de calor sensível medidos pontualmente e estimados em escala regional por
um modelo simples, sobre uma área de floresta e outra de pastagem, na região de JiParaná-RO, usando dados do experimento RBLE-3. Os resultados mostraram que, em
uma média diária, o modelo superestima os valores medidos em superfície. Isto sugere
que, apesar das limitações do modelo (sensibilidade dos parâmetros de entrada, inversão
de grande escala e advecção dentre outros processos não considerados pelo modelo), as
medidas feitas em um único ponto talvez não sejam representativas da contribuição da
superfície em uma escala regional, mesmo aquelas realizadas sobre uma área
homogênea (floresta) como sobre uma área heterogênea (pastagem). Essas diferentes
características entre áreas de floresta e de pastagem são oriunda do desflorestamento,
onde a mudança, principalmente do albedo da superfície, dentre outras, alteram as
trocas de energia entre a superfície e a Camada Limite Planetária, e consequentemente,
os balanços de energia e radiação.

Para determinar o impacto do uso/cobertura do solo na hidrometeorologia regional, Roy
e Avissar (2002) utilizaram um modelo de mesoescala de alta resolução chamado
RAMS (Regional Atmospheric Modeling System). Concluíram que as circulações
coerentes de mesoescala foram provocadas pela heterogeneidade superficial; o fluxo
sinótico não eliminou as circulações, mas as transportou para longe da posição onde
foram geradas, sendo isto foi reforçado por imagens de satélite. Essas circulações
afetaram o transporte de umidade e calor em escala sinótica e podem afetar o clima.
Correia et al (2005) calibraram o “simplified simple biosphere model – SSiB” para
áreas de pastagem e floresta na Amazônia com dados do LBA. Foram utilizadas
medidas micrometeorológicas e hidrológicas obtidas durante o período seco de 2001.
Os resultados obtidos indicaram que o modelo simulou bem o saldo de radiação, tanto
na pastagem quanto na floresta. O fluxo de calor latente foi superestimado nos dois

18
sítios nos períodos de simulação, o que deve estar relacionado aos parâmetros utilizados
no cálculo dessa variável. O modelo subestimou o fluxo de calor sensível na pastagem e
na floresta, principalmente no período noturno; porém, para a floresta, os valores foram
mais próximos daqueles observados. Com os parâmetros ajustados, melhores
estimativas dos fluxos de calor latente e de calor sensível foram geradas e,
conseqüentemente, representou melhor as partições de energia na floresta e na
pastagem.

Correia et al (2006) estudaram o impacto das modificações da cobertura vegetal no
balanço de água na Amazônia utilizando o Modelo de Circulação Geral da Atmosfera
(MCGA) do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos acoplado ao esquema
de superfície Simplified Simple Biosphere Model (SSiB) com a finalidade de avaliar as
conseqüências climáticas decorrentes de modificações da cobertura vegetal na bacia
Amazônica de acordo com três cenários de desflorestamento: alterações atuais; previstas
para o ano de 2033 e desflorestamento de grande escala da Amazônia. Em todos os
cenários, foi observado um mecanismo de retroalimentação negativo, pois o aumento na
convergência de umidade agiu no sentido de minimizar os efeitos da redução na
evapotranspiração sobre as áreas desflorestadas. No cenário atual a convergência de
umidade e a evapotranspiração agiram em sentidos contrários, e o aumento da
convergência de umidade se sobressaiu à redução na evapotranspiração, conduzindo a
um aumento na precipitação na parte sul da bacia Amazônica. Nos outros dois cenários
houve uma redução na precipitação, decorrente da diminuição significativa na
evapotranspiração. Entretanto, embora havendo redução na precipitação quando toda a
floresta Amazônica é substituída por pastagem, a distribuição não foi homogênea,
apresentando diminuição na parte leste da bacia e aumento na parte oeste. Em todos os
cenários observou-se aumento na convergência de umidade na Amazônia.

Neves et al (2006) propuseram um modelo de CLC capaz de simular com muita eficácia
o desenvolvimento da CLC, principalmente na floresta. Levando em conta as limitações
que envolvem a determinação da altura da CLA analiticamente, os resultados obtidos
foram considerados muito bons. Considerando todo o conjunto de dados, a razão entre
modelo e observado, no RBLE-2, foi de 2% na floresta e de 25% na pastagem. No
RBLE-3 a diferença na floresta foi insignificante (0,7%) e na pastagem foi o único caso
de sub-estimativa (14%).

19
Santos et al (2007) realizaram um estudo de modelagem com um modelo
unidimensional, no intuito de investigar o desenvolvimento da Camada Limite Noturna
(CLN), durante a época úmida na região Amazônica, visando aumentar os
conhecimentos sobre seu funcionamento sob diferentes condições ambientais. O
Modelo simulou a profundidade (hi) e a estrutura da CLN sobre 3 sítios experimentais
em Rondônia – RO. Estas simulações foram comparadas com observações locais. Os
autores verificaram que o modelo consegue representar a estrutura e o desenvolvimento
da CLN, sobre os 3 sítios As simulações mostraram que o sítio de transição florestapastagem e Floresta apresentaram características similares de desenvolvimento da CLN,
principalmente no período entre 19 HL e 06 HL. Para a área totalmente desmatada as
análises indicaram que a CLN tem um desenvolvimento parecido com aquele observado
sobre áreas urbanas, onde uma camada de mistura turbulenta rasa é observada próximo
à superfície nas primeiras horas da noite.

2.3.2.7 Sensoriamento Remoto

Utilizando imagens de satélite e as radiossondagens do WET AMC/LBA, Machado e
Laurent (2000) estudaram as características dinâmicas e termodinâmicas da atmosfera
na região do Amazonas no período chuvoso e verificaram um aumento da temperatura
próximo a superfície e na camada de mistura, que é associado a um aumento na
quantidade de vapor d’água nesta camada, indicando a existência de água disponível no
solo para que o fluxo de calor latente forneça a umidade na camada de mistura, na
medida em que a temperatura aumenta. O aumento de ambas variáveis implica em um
aumento da temperatura potencial equivalente na camada de mistura, e a atmosfera se
torna mais instável, a camada de empuxo positivo aumenta atingindo a tropopausa e a
inibição diminui, favorecendo o desenvolvimento da convecção. Como os fluxos na
camada limite dependem da instabilidade atmosférica, o aumento desta favorece o
aumento do fluxo vertical de vapor d’água na atmosfera. Essas condições mostram que
a atmosfera nesta região necessita simplesmente de um acréscimo de temperatura na
camada limite para tornar a atmosfera propícia ao desenvolvimento da convecção.

Silva e Lyra (2007) a partir de radiossondagens e um SODAR durante a campanha
DRY TO WET-AMC/LBA-2002 objetivaram estimar a altura da CLC (Zi).
Comparando a altura da CLC determinada pelo método analítico (perfis verticais) e por

20
um SODAR sobre uma região de pastagem durante a transição da estação seca para a
chuvosa na Amazônia, observaram que no horário das 08:00 HL houve uma
considerável superestimativa de Zi por parte do SODAR e que, em média, as melhores
correlações foram verificadas às 4:00 HL.

Silva e Lyra (2009) compararam perfis do vento horizontal medidos por
radiossondagens e por um equipamento SODAR durante experimento DRY TO WET AMC/LBA. em 2002, no Estado de Rondônia. As análises foram feitas para três
camadas: da superfície até 500 m, de 500 m até 1000 m e de 1000 m até 1500 m. Na
primeira camada os campos apresentaram boa concordância, porém, a correlação entre
as medidas diminuiu de forma significativa nas outras duas camadas. Os resultados
sugerem que os dados do SODAR poderiam ser mais bem aproveitados, se na instalação
do instrumento fosse dada prioridade a uma camada menos profunda (até 500 m) e com
uma resolução vertical maior.

2.3.2.8 Impacto ambiental

Silva Dias (2006) sintetizou os resultados do Projeto LBA envolvendo aspectos
meteorológicos e sua relação com alterações na superfície e na atmosfera produzidas
por desmatamentos e por queimadas. Os resultados mostram que além da variabilidade
natural da circulação atmosférica em grande escala, há efeitos provocados tanto pelo
desmatamento como por queimadas, na forma de circulações locais, alteração do
balanço de energia e umidade da camada superficial, e alteração na microestrutura de
nuvens. Há indicações de que os efeitos dessas alterações afetem a quantidade de chuva
observada, porém, ainda há incertezas consideráveis quanto a ordem de grandeza dos
impactos.

Cohen et al (2007) estudaram a influência do desmatamento sobre o ciclo hidrológico
na Amazônia utilizando cenários realísticos da esperada mudança da cobertura vegetal.
Adicionaram no modelo climático um esquema de vegetação dinâmica, propiciando
mudanças em suas características estruturais em função das condições climáticas.
Concluíram que o impacto do desmatamento deixa a Amazônia mais seca e quente, no
entanto a magnitude dessas mudanças é menor se comparada com resultados de
experimentos usando Modelos de Circulação Geral (MCGs). Estudos recentes sugerem

21
que para representar melhor os processos meteorológicos locais, tais como as grandes
linhas de instabilidade, uma resolução melhor precisa ser usada.

Os aerossóis atmosféricos respondem por uma das maiores incertezas na investigação
dos cenários de mudança climática. A margem de erro associada às estimativas nas
contribuições dos aerossóis no balanço energético global ainda é elevada,
particularmente no que diz respeito ao chamado “efeito indireto”. No Brasil, as medidas
realizadas dentro do contexto LBA-SMOCC-EMfiN! (Large-Scale BiosphereAtmosphere Experiment in Amazonia – Smoke Aerosols, Clouds, Rainfall and Climate –
Experimento de Microfísica de Nuvens) possibilitaram uma base de dados ampla sobre
aerossóis e microfísica de nuvens. Concluiu-se que alterações significativas no processo
de desenvolvimento da precipitação podem ocorrer em associação com a grande
quantidade de aerossóis produzidos em queimadas, mas que diversas questões,
principalmente referentes ao papel dos núcleos de condensação gigantes e núcleos de
gelo ainda precisam ser elucidadas (COSTA E PAULIQUEVIS, 2009).

2.3.2.9 Outros resultados

Longo et al (2002) apresentaram um controle de qualidade dos dados das
radiossondagens realizadas durante a campanha WET-AMC/LBA (Wet season
Atmospheric Meso-scale Campaign, Large Scale Biosphere Atmosphere Experiment in
Amazon), em janeiro e fevereiro de 1999, em Rondônia. O controle de qualidade de
dados foi dividido em quatro fases: a primeira fase, baseada em métodos de inspeção
visual, detectou e corrigiu problemas de incompatibilidade de data e hora e problemas
com as unidades do vento. Na segunda fase, os dados de superfície foram comparados
com dados de outros instrumentos próximos às bases de lançamento, aplicando um
método de verossimilhança simples para eliminar ou substituir dados com problemas.
Na terceira fase, foi aplicado um método de verossimilhança estatística a fim de analisar
trechos suspeitos nos perfis das sondagens, que estivessem fora do intervalo de
confiança de 95%, eliminando o trecho quando justificável. Na quarta fase, foi
analisado o comportamento da divergência bidimensional de massa integrada na coluna
atmosférica a partir das sondagens (método de consistência física). Após o controle de
qualidade foi possível constatar que a remoção ou substituição dos dados considerados
suspeitos, em especial de superfície, torna o conjunto de dados de sondagens muito mais

22
confiável. Este fato foi exemplificado pelos autores com o CAPE (Energia Potencial
Disponível para Convecção), que, antes da aplicação do controle de qualidade
apresentava, em diversos casos, valores exageradamente elevados, não verificados no
conjunto corrigido de dados.

Longo et al (2004) analisaram um evento de friagem que atingiu a região sudoeste da
Amazônia, além das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul durante a estação chuvosa
(novembro de 1999). Para esta análise, utilizaram-se as imagens do satélite GOES-8,
reanálises dos campos globais do NCEP e dados meteorológicos de superfície de
aeroportos (METAR), radiossondagens e estações automáticas de superfície, além de
informações de precipitação e irradiância solar do projeto LBA. Este evento provocou
alterações significativas nas condições sinóticas, dinâmicas, e de convecção nesta
região, produzindo redução de temperatura, umidade específica e aumento da
velocidade dos ventos na região de Mato Grosso e Rondônia. Observaram-se
temperaturas de até 12°C, com ventos persistidos de até 7 m.s-1 oriundos do quadrante
sul e variação de razão de mistura em torno de 8 g.kg-1 em pouco mais de 24 horas. A
atmosfera tornou-se muito mais estável e levou cerca de 2 a 3 dias para restabelecer as
condições observadas antes da passagem do sistema.

Webler et al (2007) analisaram as características da precipitação em área de floresta
primária e área de pastagem em Rondônia nos anos de 1999 a 2006. O resultado dessas
análises mostrou que a área de floresta apresentou precipitação 20%, em média, superior
a área de pastagem, e ambos os sítios apresentaram uma maior incidência de chuvas no
final do dia, onde a pastagem tem pico em média às 18h e a floresta às 17h.

23
CAPÍTULO 3

DADOS E METODOLOGIA

3.1 Sítios Experimentais

Os dois sítios experimentais (Figura 3.1) estão localizados no Oeste da Amazônia (Sul
de Rondônia) e são denominados:
Floresta - Reserva Biológica do Jarú “REBIO JARÚ” (10° 5’ S; 61° 55’W; 120 m). A
reserva é uma área de preservação permanente de floresta nativa localizado
aproximadamente 80 km ao norte de Ji-Paraná a 120 m acima do nível de mar, com
árvores de 30 m de altura em média.

Pastagem - Fazenda Nossa Senhora Aparecida, no Município de Ouro Preto do Oeste
(10° 45’ S; 62° 21’ W; 290 m). É uma área de fazenda de gado a 290 m de altitude
aproximadamente, 50 km de Ji-Paraná. O local está no centro de uma área de cerca de
50 km de raio que foi largamente desmatada e coberta por uma vegetação rasteira
(gramínea do tipo “brachiaria brizantha”), pastagem esta, plantada nos anos 80.

Floresta
Pastagem

Figura 3.1- Áreas da Reserva Biológica do Jaru e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida
no Estado de Rondônia.
Fonte: Leite (2004)

24
3.2 Dados Utilizados

No decorrer do experimento LBA-2002 feito em área de floresta na Reserva Biológica
do Jaru (REBIO) e em área de pastagem na Fazenda Nossa Senhora Aparecida (FNS),
foram coletados dados divididos em dois grupos:

a) Micrometeorológicos de superfície:

Radiação de onda curta incidente e refletida (Piranômetro Kipp & Zonen CM21) e
radiação de onda longa incidente e refletida (Pirgeômetro Kipp & Zonen CG1) em
W.m-2, Umidade Relativa (Higrômetro Vaisala HMP35A), Pressão atmosférica
(Barômetro Vaisala PTB100A) em hPa, Precipitação (Sensor de precipitação de
caçamba oscilante EM ARG-100 tipping bucket) em mm, Temperatura do ar (resistor
PT100 (HMP35A)) em °C, Velocidade do vento (Anemômetro Vector A100R) em
m.s-1.

b) Fluxos turbulentos:
Através de um sistema “eddy correlation”, foram medidos os fluxos de calor sensível
(H)(Gill R2) e calor latente (LE)( Gill R2 + Li-Cor LI-6262).

No conjunto de dados brutos, as variáveis de superfície foram armazenadas de meia em
meia hora e os fluxos turbulentos de H e LE foram armazenados de 1 em 1 hora. Com a
finalidade de que estes dados coincidissem, foram feitas médias de 1 em 1 hora para os
dados de superfície. A partir destes dados, foram calculados os valores médios para
cada dia e médias horárias para todo o período. Foram também calculados o desvio
padrão (σ), o coeficiente de variação (CV), máximo (max), mínimo (min) e amplitude,
tanto para os valores médios diários como para os horários.

Para identificação da nebulosidade, na região dos sítios experimentais, foram usadas
imagens no canal espectral infravermelho do satélite GOES-8, para quatros horários
diários (12, 15, 18, 21 UTC). Essas imagens estão disponíveis na internet, pelo site
http://www.ncdc.noaa.gov/gibbs/.

25

Para apoiar as análises foram utilizados dados de reanálise no NCEP – NCAR (National
Centers for Environmental Prediction – National Centers for Atmosphere Research)
para gerar figuras representativas das situações sinóticas atuantes durante o período de
estudo, através das componentes zonal (u) e meridional do vento (v), onde foi gerado
composições de linha de corrente e divergência nos níveis isobáricos de 925 e 200 hPa.

3.3 Período de estudo

O período utilizado foi de 05 de fevereiro a 30 de março de 2002, correspondentes ao
período chuvoso, durante o experimento LBA. Devido às falhas nos dados de fluxos
turbulentos de calor sensível e calor latente, foram utilizados os dias 05, 07, 11 e 15 de
fevereiro e 07, 08, 12, 14, 21, 22, 24, 26 e 30 de março, que correspondem aos dias
Julianos (DJ) 36, 38, 42, 46, 66, 67, 71, 73, 80, 81, 83, 85 e 89.

3.4 Situações sinóticas durante o experimento

3.4.1 Fevereiro

No mês de fevereiro foram registradas precipitações abaixo do normal, estiagem que
começou no segundo semestre de 2001. A ZCIT esteve posicionada, em média a 3°N, a
banda de nebulosidade associada a ela interagiu com o VCAN, contribuindo para o
aumento da nebulosidade no setor norte da América do Sul. A Alta da Bolívia esteve
presente em todos os dias do mês de fevereiro. O posicionamento médio do centro da
alta troposférica foi observado em 16,9 ºS e 67,5 ºW, aproximadamente. Foram
observados VCANs no oceano Atlântico, o primeiro de 03 a 14 de fevereiro, outro de
18 a 21 de fevereiro e um novo nos dias 27 e 28. No dia 24, um VCAN atuou no
nordeste do Pará, enfraquecendo no dia seguinte. Os campos de linhas de corrente e
divergência (Anexo C) mostram o escoamento em baixos níveis (925 hPa) e as posições
dos VCANs e da Alta da Bolívia em todos os dias estudados (200 hPa)
(CLIMANÁLISE, 2002).

26
3.4.2 Março

No mês de março as chuvas continuaram abaixo da média em Rondônia. A ZCIT
permaneceu ao norte de sua posição climatológica, aproximadamente em 3°N. A Alta
da Bolívia esteve presente em quase todos os dias do mês de março. O posicionamento
médio do centro da alta troposférica foi observado em 20,1ºS e 65,5ºW,
aproximadamente, ficando esta localização a sudoeste da posição climatológica média
deste mês. Na maior parte do mês de março predominaram cavados e vórtices ciclônicos
em altos níveis em várias Regiões do Brasil e sobre o oceano adjacente. A permanência
destes sistemas em latitudes ao norte de 20ºS inibiu o avanço das frentes frias e
contribuiu para a estiagem prolongada em grande parte do Brasil Central. Cinco vórtices
ciclônicos atuaram no País durante este mês. Os Campos de linhas de corrente e
divergência (Anexo C) mostram o escoamento em baixos níveis (925hPa) e as posições
dos VCANs e da Alta da Bolívia em todos os dias estudados (200 hPa)
(CLIMANÁLISE, 2002).

27
CAPÍTULO 4

RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Análise da representatividade do período estudado

Com a finalidade de verificar se o período estudado é representativo ou não da estação
chuvosa de 2002, são comparados a seguir os gráficos médios de cada variável de
superfície para cada localidade. As linhas pontilhadas representam a média para todo o
período e as linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados.

Após analisar todas as variáveis de superfície, pode-se concluir que o período de treze
dias utilizado é representativo da estação chuvosa de 2002.

4.1.1 Temperatura do ar

Levando em consideração o ciclo médio diário dos treze dias, a temperatura média do ar
em área de floresta (Figura 4.1a) e pastagem (Figura 4.1b) mostrou valores abaixo da
média do período inteiro, além de ter apresentado o valor máximo uma hora após o
máximo para o período inteiro (16 HL) em ambos os sítios. No entanto, as médias
gerais se mostraram bem próximas, o que comprova a representatividade do período.
Em área de floresta, a média para o período completo foi de 24,31±1,71 °C e para o
período de treze dias foi de 23,74±1,68 °C. Na área de pastagem a média para o período
completo foi de 25,12±1,35 °C e para o período de treze dias foi de 24,61±1,28 °C.

28

Temperatura do ar ( C)

28
27
26
25
24
23
22
21
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(a)

Temperatura do ar ( C)

29
28
27
26
25
24
23
22
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(b)
Figura 4.1- Ciclos médios diários de temperatura do ar em área de Floresta (a) e
Pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados.
4.1.2 Umidade Relativa do ar

Em ambos os casos (floresta e pastagem), o ciclo médio diário da UR apresentou seu
valor mínimo para o período completo bem menor do que o valor da média de treze
dias, além da ocorrência do mínimo uma hora antes no período completo, no entanto, os
valores médios foram muito próximos, o que torna o período de treze dias
representativo da estação chuvosa de 2002. Em área de floresta (Figura 4.2a), a média
para o período completo foi de 94,20±4,10 % e para o período de treze dias foi de
95,94±3,95 %. Na área de pastagem (Figura 4.2b) a média para o período completo foi
de 82,03±5,56 % e para o período de treze dias foi de 83,95±5,19 %.

29

Umidade Relativa (%)

105
100
95
90
85
80
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(a)

Umidade Relativa (%)

95
90
85
80
75
70
65
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(b)
Figura 4.2- Ciclos médios diários da umidade relativa do ar em área de Floresta (a) e
Pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados.
4.1.3 Velocidade do vento

No ciclo médio diário de treze dias, a velocidade do vento em área de floresta (Figura
4.3a) foi maior do que a média para o período completo, e na área de pastagem (Figura
4.3b) foi menor, porém as médias foram muito próximas, evidenciando a
representatividade do período de treze dias também no que diz respeito à velocidade do
vento. Em área de floresta, a média para o período completo foi de 1,55±0,84 m.s -1 e
para o período de treze dias foi de 1,57±0,89 m.s-1. Na área de pastagem a média para o
período completo foi de 2,85±1,71m.s-1 e para o período de treze dias foi de 2,92±1,62
m.s-1.

Velocidade do vento (m.s-1)

30

2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

Velocidade do vento (m.s-1)

(a)
6,0
5,5
5,0
4,5
4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(b)
Figura 4.3- Ciclos médios diários da velocidade do vento em área de Floresta (a) e
Pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados.
4.1.4 Saldo de radiação

No que diz respeito ao saldo de radiação, em ambos os sítios o ciclo médio de treze dias
apresentou-se menor. Em área de floresta, os horários de máximo Rn coincidiram. No
entanto, as médias foram muito parecidas, se for considerado o alto desvio padrão. Estes
resultados mostram que o período de treze dias pode representar a estação chuvosa. Em
área de floresta (Figura 4.4a), a média para o período completo foi de 150,03±78,03
W.m-2 e para o período de treze dias foi de 111,64±74,43 W.m-2. Na área de pastagem
(Figura 4.4b) a média para o período completo foi de 124,27±70,75 W.m-2 e para o
período de treze dias foi de 91,22±67,90 W.m-2.

31

600

Fluxo Rn (W.m-2)

500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(a)

Fluxo Rn (W.m-2)

500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local

(b)
Figura 4.4-

Ciclos médios diários do saldo de radiação em área de Floresta (a) e
Pastagem (b). As linhas pontilhadas representam o período completo e as
linhas contínuas representam a média dos treze dias estudados.

4. 2 Comportamento das variáveis de superfície

São discutidos a seguir a evolução das principais variáveis que definem o microclima
local em cada um dos sítios estudados: temperatura do ar, umidade relativa, velocidade
do vento e saldo de radiação. Visando verificar se os dias estudados são representativos
do período chuvoso, uma comparação entre estes dias e o conjunto completo de dados
foi realizada (ver item 4.1).

32

4.2.1 Temperatura do ar

A evolução temporal da temperatura do ar na floresta e na pastagem para o período
estudado está representada na Figura 4.5. Verifica-se na floresta, que o período pode ser
dividido em dois. O primeiro vai do DJ 36 (05/fev) ao dia DJ 80 (21/mar) e o segundo a
partir do DJ 81 (22/mar), quando se verifica uma tendência clara de aumento da
temperatura nos últimos dias estudados, com exceção do D J83 (24/mar), e mais
especificamente nos DJs 80, 81, 85 e 89. Essa tendência de aumento nos últimos dias
estudados é representativa do fim da estação chuvosa. Todos os valores máximos de
temperatura aconteceram entre 13 e 17 HL, sendo o horário das 17 HL o que mostra o
maior número de ocorrências (7 dias).

A temperatura do ar em área de pastagem variou entre 21,25 °C às 00 HL do DJ 67 e
30,21 °C às 16 HL do DJ 89. Diferentemente da área de floresta, a pastagem não
apresentou tendência muito forte de aumento, o que pode ser justificado pela

Temperatura ar ( C)

suscetibilidade da pastagem à variação de nebulosidade.

32
31
30
29
28
27
26
25
24
23
22
21
20
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
T Floresta

T Pastagem

Figura 4.5- Temperatura do ar em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical.
A Tabela 4.1 mostra os dados estatísticos correspondentes a cada um dos dias estudados
para a área de floresta. A maior temperatura verificada no período ocorreu no DJ 89
(30/mar), dia em que chega aos 31,37°C, com uma amplitude térmica de 7,85°C, a

33
maior na área de floresta para o período em questão. No mesmo dia ocorreu também o
maior coeficiente de variação (CV), que foi de 10% da média. A menor temperatura
observada ocorreu no DJ 67, dia 08 de março, e foi de 20,54°C. A amplitude térmica
mínima observada (1,76 °C) ocorreu no DJ 73 (24/mar), dia em que também ocorreu o
menor CV (2% da média). Rocha (2003) trabalhou com dados da estação chuvosa de
1999 e encontrou temperatura máxima em área de floresta em torno de 32°C, no DJ 43,
horário das 15:30 HL e mínima de 21,4°C no DJ 36 às 06 HL.

A maior temperatura média ocorreu no DJ 89 (30/03) e foi de 26,88°C e a menor foi de
21,95°C, no DJ 71 (12/03), A média geral para a área de floresta foi de 23,73°C, com
desvio padrão médio de 1,41°C, valores compatíveis com os verificados durante a
estação chuvosa de 1999 em área de floresta: média de 25,18°C, com desvio padrão de
2,42°C (Leite, 2002).
Tabela 4.1- Valores médios diários da temperatura do ar (°C) e estatísticas em área de
floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA), desvio
padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36

05/fev

24,0

0,98

0,04

25,6

22,7

2,9

38

07/fev

22,5

1,18

0,05

24,6

20,9

3,7

42

11/fev

23,6

1,65

0,07

26,5

21,2

5,3

46

15/fev

22,2

0,97

0,04

24,6

21,1

3,5

66

07/mar

23,3

2,16

0,09

26,5

20,5

6

67

08/mar

23,4

1,69

0,07

26,2

20,5

5,68

71

12/mar

21,9

1,03

0,05

24

20,6

3,4

73

14/mar

22,3

0,53

0,02

23

21,3

1,8

80

21/mar

24,7

2,09

0,08

27,8

22,4

5,4

81

22/mar

24,3

2,14

0,09

28

21,8

6,2

83

24/mar

24,4

0,89

0,04

26,2

23,3

2,9

85

26/mar

25,1

1,53

0,06

29

23,5

5,5

89

30/mar

26,9

2,59

0,10

31,4

23,5

7,8

Na área de pastagem, o DJ 73 foi o que apresentou maior amplitude térmica (7,87°C)
(Tabela 4.2). Nesse dia as imagens de satélite (ver Figura B.8 em anexo) mostram, além
de muita nebulosidade, a presença de vários sistemas convectivos desde o início da

34
manhã, o que dificultou a chegada da radiação à superfície, resultando em maior perda
radiativa.

A menor amplitude térmica na área de pastagem foi observada no DJ 83 (2,32 °C), onde
apesar da forte nebulosidade, a precipitação acumulada ocorrida foi de apenas 1 mm.
Em seis dos treze dias estudados a temperatura máxima acontece às 16 HL e em
nenhum dos dias ocorre temperatura máxima após esse horário. O maior desvio diário
encontrado correspondeu a mais de 10% da temperatura média, e foi no dia em que
ocorreu a maior amplitude térmica (DJ 89).

As temperaturas médias diárias para o período oscilaram entre 23,16±1,29 °C no (DJ
71) e 26,05±2,78 °C no (DJ 89), e a média geral foi de 24,61±0,84°C. Na estação
chuvosa de 1999 (LEITE,2002; ROCHA, 2003), T variou entre 31,45 °C (DJ 45) e
21,03 °C (DJ 51) e a média geral foi de 24,79±2,44 °C na área de pastagem.

Tabela 4.2- Valores médios diários da temperatura do ar (°C) e estatísticas em área de
pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA), desvio
padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

24,7
24,3
25,6
24,6
24,7
23,4
23,2
24,2
25,3
25,5
24,4
23,9
26

1,51
1,30
2,60
1,35
2,30
1,24
1,29
2,24
2,36
2,14
0,78
0,88
2,78

0,06
0,05
0,10
0,05
0,09
0,05
0,06
0,09
0,09
0,08
0,03
0,04
0,11

28,0
26,5
30
27
29
26,6
25,7
29,1
29,2
28,9
25,8
26,1
30,2

22,9
22,45
22,4
23,1
21,6
21,2
21,4
21,2
22,3
23,4
23,5
22,8
22,4

5,2
4,0
7,7
3,9
7,4
5,4
4,3
7,9
6,9
5,5
2,3
3,3
7,8

A temperatura em área de pastagem geralmente foi maior do que em área de floresta.
Das 312 medições feitas concomitantemente nos dois sítios, 219 foram maiores em área
de pastagem, o que representa mais de 70% do total.

35
Os ciclos diários médios, no período estudado, nas áreas de floresta e de pastagem são
semelhantes (Figura 4.6). A temperatura média na pastagem é sempre maior do que na
floresta. Isto mostra um dos efeitos negativos do desmatamento que já foi verificado por
diversos autores (AGUIAR ET AL, 2006b; BASTABLE ET AL, 1993; GALVÃO E
FISCH, 1998; SILVA E LYRA, 1998). Pode-se notar que a temperatura, em ambos os
sítios começa a subir no mesmo horário: 7 HL. No entanto o ritmo de crescimento é
diferente entre as localidades, sendo que a área de floresta apresenta sua temperatura
máxima uma hora depois da pastagem, e quanto maior as temperaturas, maior a
diferença entre os sítios. A diferença média entre os sítios é de 0,87°C, a diferença
máxima (1,93 °C) ocorre às 10 HL e a diferença mínima (0,22 °C) ocorre às 22 HL.

A temperatura média em área de floresta variou entre 22,15 °C às 07 HL e 25,72°C às
16 HL. O desvio padrão ficou em torno de 5% da média, aumentando pela manhã até
por volta das 14 HL e diminuindo em seguida até o final da noite. Na estação chuvosa
de 1999, Rocha (2003) encontrou valor máximo de 28,4 °C às 15:30 HL. Para a
transição da estação seca para chuvosa de 2002, Leite, 2004 encontrou valores médios
entre 25,72°C as 05 HL e 33,17 °C às 14 HL, valores bem mais altos que os da estação
chuvosa de 2002.

O ciclo médio diário da temperatura em área de pastagem apresentou um aumento a
partir das 07 HL, horário de menor temperatura (22,85°C) até as 12 HL. Das 12 às 13
HL nota-se um pequeno decréscimo e a partir da 13 HL a temperatura torna a subir até
atingir o valor máximo às 16 HL (27,04°C). Para estação chuvosa de 1999, Rocha
(2003) encontrou o pico máximo de 28,9 °C às 14 HL e Para a estação de transição de
2002 (LEITE, 2004) foram encontrados valores entre 22,24 °C ás 05 HL e 32,70°C ás
11 HL. O desvio padrão máximo de 2,05°C ocorre em dois horários, às 10 HL e às 14
HL, momentos em que o desvio padrão é aproximadamente 8% da média.

36

29
28

T média ( C)

27
26
25
24
23
22
21
20
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
T Pastagem

T Floresta

Figura 4.6- Ciclo médio diário da temperatura do ar em floresta (verde) e pastagem
(vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
4.2.2 Umidade relativa do ar (UR)

A evolução temporal da umidade relativa do ar em áreas de floresta e pastagem é
mostrada na Figura 4.7. Na área de floresta, a UR apresenta seu menor valor no DJ 89
(30/mar), correspondente a 71,4%. Verifica-se que existem muitos períodos onde o
valor da umidade relativa é igual ou próximo a 100%. Isto não representa
necessariamente uma atmosfera saturada ou a ocorrência de precipitação. É comum a
UR atingir 100% em áreas de floresta sem que se verifique condensação.

No comportamento da UR em área de pastagem durante o período em estudo verificamse variações bastante significativas, principalmente no DJ 42, onde UR apresenta seu
menor valor. Todas as ocorrências de UR mínima se deram em horários entre 09 e 17
HL, no entanto o horário mais usual é o das 16 HL (seis ocorrências), isso ocorre
porque nesse período as temperaturas são mais altas.

A UR em sítio de pastagem variou entre 55,28% às 16 HL do DJ 42 e 94,23% às 07 HL
do DJ 89. A média geral foi de 83,95% e o desvio padrão médio foi de 3,46%. Para o
ano de 1999, Leite (2002) encontrou os valores mais baixos próximo do meio dia local,
sendo que o mínimo observado foi de 54,73%.

37

105

Umidade Relativa (%)

100
95
90
85
80
75
70
65
60
55
50
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
UR Floresta

UR Pastagem

Figura 4.7- Umidade relativa do ar em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical.
A Tabela 4.3, onde estão dispostos todos os valores médios diários de umidade relativa
do ar e demais dados estatísticos para área de floresta, mostra médias diárias entre
90,34%, no DJ 89 e 99,06%, no DJ 83. A estatística pode ter ficado um pouco
comprometida devido à falta de dados, pois dos treze dias observados, apenas sete
continham dados de umidade relativa.

A média geral de UR é 95,94%, com desvio padrão médio de 3,19%, aproximadamente
3% da média. Em 1999, Leite (2002) e Rocha (2003) encontraram média geral de UR
de 87,29±12,06%, com mínimo de 78,91% no DJ 43 e máximo de 100% na madrugada
de quase todos os dias.

38
Tabela 4.3- Valores médios diários da umidade relativa do ar (%) e estatísticas em área
de floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA), desvio
padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

98
96,5
93
98,5
99,1
96,2
90,3

2,29
4,42
6,89
2,65
1,87
5,75
9,66

0,02
0,05
0,07
0,03
0,02
0,06
0,11

100
100
100
100
100
100
100

94
86,5
74,8
89,8
92,6
80,4
71,4

6
13,5
25,2
10,1
7,4
19,6
28,6

O maior valor médio de UR na pastagem (Tabela 4.4) ocorreu no DJ 85 e foi de
87,67±2,94 % e o menor, de 77,86±11,97 %, ocorreu no DJ 42, dia que apresentou a
maior amplitude (36,85%). A menor amplitude de UR ocorreu no DJ 83 e foi de 8,6 %,
dia que também apresentou a menor amplitude de temperatura.

Tabela 4.4- Valores médios diários da umidade relativa do ar (%) e estatísticas em área
de pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÈDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

85,4
86,3
77,9
85
80,1
86,7
87,3
85,8
80,4
82
87,3
87,7
79,5

7,25
6,92
11,97
7,14
9,14
5,63
6,17
8,74
10,05
10,24
2,87
2,94
12,10

0,08
0,08
0,15
0,08
0,11
0,06
0,07
0,10
0,12
0,12
0,03
0,03
0,15

93,4
93,8
92,1
93,7
90,1
93,0
93,2
94,2
90,3
91,5
91,1
91,5
94,2

71,5
74,1
55,3
73,1
61,3
70,6
74,8
66,1
60,3
65,8
82,5
80,9
61,6

21,9
19,7
36,8
20,6
28,8
22,4
18,4
28,1
30,1
25,7
8,6
10,6
32,6

39
Das 168 medições feitas em ambos os sítios, em apenas duas ocasiões UR esteve maior
na pastagem, ou seja, em quase 99% dos casos a variável esteve maior na floresta. Nas
médias horárias a diferença entre os sítios fica ainda mais evidente, apresentando
valores ainda maiores quando os valores de umidade são menores. Em virtude da
deficiência de dados em sítio de floresta, onde só havia dados para sete dos treze dias
estudados, as médias horárias em sítio de pastagem foram calculadas usando apenas os
mesmos sete dias disponíveis para a área de floresta.

Os ciclos médios de umidade relativa (Figura 4.8) indicam que a vegetação exerce
controle sobre a radiação, temperatura e, por conseguinte, sobre a umidade. Por esse
mesmo motivo, na floresta a umidade relativa começa a diminuir a partir das 08 HL,
enquanto na pastagem esse decréscimo começa às 07 HL. De 06 até 16 HL a umidade
diminui e a diferença entre os dois sítios aumenta. A partir das 16 HL ocorre o inverso,
a UR aumenta e a diferença entre os sítios diminui. As diferenças entre os sítios variam
entre 7,47% às 00 HL e 16,98% às 15 HL, em média 11,98%.

Nota-se que nas primeiras horas da manhã em área de floresta, a umidade está mais
próxima de 100%, isso ocorre porque este é o horário de menor temperatura, portanto de
menor pressão de vapor de saturação, precisando de menos vapor d’água no ar para que
ocorra saturação A partir das 9 HL a umidade começa a cair, chegando aos 88,47% às
16 HL, horário em que a temperatura média é máxima. Em 1999, na estação chuvosa,
Rocha encontrou umidade mínima em torno de 72%, também às 16 HL. Em 2002, na
estação de transição seca para chuvosa, a UR máxima foi de 98,13% às 06 HL e o
mínimo (60,94%) ocorreu às 15 HL (LEITE, 2004).

As médias horárias da umidade relativa na pastagem variaram entre 72,82 % às 16 HL e
91,94 às 07 HL. No ano de 1999, Rocha (2003) também encontrou o mínimo de UR às
16 HL, em torno de 73%. Para a estação de transição de 2002, Leite (2004) encontrou
valor mínimo de 55,08% às 12 HL.

40

105
100

UR (%)

95
90
85
80
75
70
65
60
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
UR Pastagem

UR Floresta

Figura 4.8- Ciclo médio diário da umidade relativa do ar na floresta (verde) e pastagem
(vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.

4.2.3 Velocidade do Vento

A evolução da velocidade do vento durante o período estudado está representada na
Figura 4.9, onde se pode notar certo padrão em sua variação. Na maioria das vezes
diminui durante a noite e aumenta durante o dia. Dentro da floresta a velocidade do
vento é geralmente baixa, porque a mata, densa, atua como barreira, impedindo o livre
escoamento do ar. No entanto, em raros dias foram registradas velocidades
relativamente altas, como 4,87 m.s-1, a maior do período, às 01 HL do DJ 46 (15/02).
A velocidade máxima do vento em área de pastagem foi 11,03 m.s-1 no DJ 46 às 13 HL.
Nesse dia também ocorreu a maior variação na velocidade do vento, que oscilou entre
0,69 m.s-1 às 18 HL e 11,03m.s-1 às 13 HL. A menor variação ocorreu no DJ81, entre 0
m.s-1 e 4,09 m.s-1 às 17 HL. Vale salientar que Leite (2002) encontrou o valor máximo
de 12,68 m.s-1 para o período chuvoso de 1999.

Velocidade do Vento (m.s-1)

41

12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
-1
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
V Floresta

V Pastagem

Figura 4.9- Velocidade do vento em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical.
Na Tabela 4.5 é apresentado um resumo dos dados estatísticos correspondentes a cada
um dos dias estudados. A maior velocidade média do vento em área de floresta ocorreu
no DJ 66 (07/mar) e correspondeu a 2,22 m.s-1 e a menor foi de 0,76 m.s-1, ocorrida no
DJ 81. Nota-se que a velocidade do vento é uma variável bastante instável, porque,
apesar de depender de algum regime de brisa existente na região, depende ainda mais de
eventos maiores e mais fortes, de escala sinótica. A média geral da velocidade do vento
foi de 1,57 m.s-1 e o desvio padrão médio foi aproximadamente 0,49 m.s-1.

Segundo Leite, 2002, em 1999 também foram observados ventos de fracos a
moderados, alcançando máximos em torno de 6 m.s-1. A média geral para a estação
chuvosa de 1999 foi de 1,54 m.s-1, valor bem próximo ao encontrado em 2002, com
desvio padrão de 0,88 m.s-1. Na estação de transição de 2002, Leite, 2004 encontrou
média geral na floresta de 1,66 m.s-1 (± 0,56).

42
Tabela 4.5- Valores médios diários da velocidade do vento (m.s-1) e estatísticas em
área de floresta. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMPLITUDE

36

05/fev

1,7

0,64

0,39

2,7

0,5

2,2

38

07/fev

2,1

0,49

0,23

3,1

1,1

2

42

11/fev

1,7

0,72

0,43

3,3

0,4

2,9

46

15/fev

2

0,92

0,46

4,9

0,5

4,4

66

07/mar

2,2

0,99

0,44

3,5

0,3

3,2

67

08/mar

1,6

1,00

0,63

3,1

0

3,1

71

12/mar

1,0

0,66

0,64

2,5

0,2

2,3

73

14/mar

1,2

0,81

0,68

3,1

0,1

3,0

80

21/mar

2,2

0,74

0,34

3,6

0,8

2,8

81

22/mar

0,8

0,65

0,86

2,5

0

2,5

83

24/mar

1,0

0,95

0,92

3,5

0

3,5

85

26/mar

1,8

1,04

0,57

4,0

0

4,0

89

30/mar

1,2

0,80

0,68

2,7

0,1

2,6

A velocidade média diária do vento na pastagem (Tabela 4.6) variou entre 1,79±1,28
m.s-1 no DJ 71 e 4,63±2,93 m.s-1 no DJ 46, com média de 2,92 m.s-1. O desvio padrão
entre as médias diárias foi de 0,74 m.s-1, aproximadamente 25% da média. Dos treze
dias estudados, 11 apresentaram as velocidades máximas do vento no período que se
concentra entre 9 HL e 15 HL. Apenas três das velocidades mínimas se encontraram
neste mesmo período.

43
Tabela 4.6- Valores médios diários da velocidade do vento (m.s-1) e estatísticas em
área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios diários (MÉDIA),
desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores máximo (MAX) e
mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

2,6
3,2
2,9
4,6
3,8
2,9
1,8
2,8
2,8
1,9
3,2
2,4
3,0

2,15
1,73
1,95
2,93
2,40
2,69
1,28
2,42
1,77
1,54
1,95
1,92
2,30

0,81
0,53
0,68
0,63
0,63
0,93
0,71
0,85
0,63
0,82
0,62
0,79
0,76

7,5
6,6
5,9
11,0
7,6
9,6
4,1
7,9
5,4
4,5
8,3
6,9
6,4

0
0,7
0
0,7
0,8
0
0
0,2
0
0
0,7
0
0

7,4
5,9
5,9
10,3
6,9
9,6
4,1
7,7
5,4
4,5
7,6
6,9
6,4

A velocidade do vento é maior na pastagem em 223 das 311 medições feitas nos dois
sítios, num total de aproximadamente 72%. Esse fato também se reflete na velocidade
média para cada horário.

A velocidade média do vento em área de floresta (Figura 4.10) é muito baixa durante
todo o dia devido à densidade da vegetação, cuja rugosidade dificulta o escoamento do
ar. No entanto, na pastagem, a velocidade do vento quase alcança os 6 m.s-1 às 13 HL
horário em que a diferença média entre os sítios é de 3,76 m.s-1. A velocidade média
na floresta foi de 1,56±0,89 m.s-1 e na pastagem de 2,92±1,62 m.s-1.

Na área de floresta o ciclo é marcado por três picos diários, sendo o maior deles (2,16
m.s-1) às 12 HL. Como se pode ver, a velocidade média do vento dentro da floresta não
apresenta grandes variações durante o dia, que apenas podem ser observadas em poucas
ocasiões, não interferindo ou interferindo de maneira não significativa, na média. Na
estação de transição de 2002 (LEITE, 2004), o máximo na floresta foi de 2,49 m.s-1 às
14 HL.

Em área de pastagem, o horário em que a velocidade média do vento se apresentou
maior foi às 13 HL, com velocidade de 5,81 m.s-1, e desvio padrão de 2,14 m.s-1, 37%
da média. A menor média horária da velocidade foi de 1,20 m.s-1, às 06 HL, com desvio

44
padrão de 0,85 m.s-1 (71% da média). No período de transição para a estação chuvosa de
1999 (LEITE, 2004), os valores encontrados ficaram entre 0,33 m.s-1 às 05 HL e 2,47
m.s-1 às 13 HL.

8
7

V vento (m.s-1)

6
5
4
3
2
1
0
-1
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
U Pastagem

U Floresta

Figura 4.10- Ciclo médio diário da velocidade do vento na floresta (verde) e na
pastagem (vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
4.2.4 Saldo de Radiação (Rn)

A Figura 4.11 representa a evolução do saldo de radiação durante o período estudado.
Nela fica evidente a existência de muita nebulosidade. No que diz respeito a área de
floresta, no DJ 36 puderam-se observar duas grandes variações, sendo a mais importante
delas entre 10 e 11 HL, quando havia forte nebulosidade, que precedeu alguma
precipitação. Outra oscilação importante ocorreu entre 13 e 14 HL, também explicada
pela forte nebulosidade presente nesse dia. Os DJs 42, 66, 73 e 89 apresentaram queda
do Rn após as 11 HL.
No DJ 42 a média horária da velocidade do vento mais elevada (maior que 2 m.s-1),
houve grande quantidade de nuvens convectivas (que podem ser observadas

nas

imagens de satélite do canal IR, na Figura B.3 em anexo). No entanto houve pouca
precipitação (3,2 mm), ocorrida depois das 13 HL. Já no DJ 66 ocorreram, também
depois das 13 HL, ventos de 3,2 m.s-1 e precipitação de 0,2 mm, que não foi
significativa. No DJ 73, além de importante nebulosidade, foram observados
precipitação de 4,6 mm, que ocorreu a partir das 12 HL e a velocidade do vento máxima

45
do dia, também às 12 HL. No DJ 89 a perda radiativa ocorre entre 11 e 13 HL, horário
em que diminuem também a UR e a Pressão atmosférica. Nos DJs 67 e 80 a queda de
Rn ocorreu após as 12 HL. Vale salientar que o vento estava aumentando nas duas
ocasiões. Nos DJs 46 e 81, Rn decresceu depois das 13 HL.

No DJ 46 foi verificado o maior valor de Rn entre os dias estudados, que correspondeu
a 871,28 W.m-2 às 13 HL, sendo registrado, após este horário uma queda abrupta que
pode ser explicada pela presença de forte nebulosidade, seguida de precipitação de 7,2
mm entre 13 e 19 HL.
O menor valor observado foi de -46,33 W.m-2, às 20 HL do DJ 71, dia que apresentou o
segundo menor valor de Rn máximo durante o período, que foi de 277,51 W.m-2. Nesse
dia havia muita nebulosidade devido a uma região de difluência em altos níveis, causada
pela interação da Alta da Bolívia com um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, cujo
centro estava situado na divisa entre os estados de Minas Gerais e Goiás (ver figura C.7,
em anexo).
O maior valor médio de Rn entre 06 e 18 HL ocorreu no DJ 66 e foi de 403,91 W.m-2,
com desvio padrão em torno de 72% da média. O menor valor ocorreu no DJ73 (89,56
W.m-2), apresentou desvio padrão de 72,26 W.m-2, valor em torno de 80% da média.
A média geral de Rn foi de 111,64 W.m-2, sendo o desvio padrão de 48,46 W.m-2, e a
média entre o nascer e o pôr do Sol foi de 224,19 ± 90 W.m-2, valores médios bem
menores que os encontrados por Leite (2002) para o ano de 1999: média de 344,66
W.m-2 e desvio padrão de 228,83 W.m-2, que conflitam com os encontrados por Rocha
(2003), que obteve média de 298 W.m-2 entre o nascer e o pôr do Sol para a estação
chuvosa de 1999. Na transição da estação seca para chuvosa de 2002, Leite (2004)
encontrou média geral de 181 ± 234,23 W.m-2.
O saldo de Radiação em área de pastagem variou entre -59,9 W.m-2 no DJ 71 e 756,04
W.m-2 no DJ 66, apresentando média total de 91,23 W.m-2 e desvio padrão de 37,42
W.m-2, aproximadamente 41% da média. Vale salientar que a maior precipitação
acumulada para o período em área de pastagem (13,2mm) ocorreu no DJ 71. A média
do período estudado (91,23 W.m-2) ficou um pouco abaixo, mas é da mesma ordem de

46
grandeza daquela encontrada por Von Randow (2007) para a estação chuvosa (128,6
W.m-2). A maior variação diária de Rn (690,35 W.m-2) ocorreu no DJ 89 e a menor
(314,96 W.m-2) no DJ 85.
O Rn médio entre 06 e 18 HL, apresentou seu maior valor no DJ 42 (297,4 W.m-2) e o
menor ocorreu no DJ 85 (96,45 W.m-2), com média de 189,84 W.m-2 e desvio padrão de
aproximadamente 36 % da média (69,34 W.m-2). De acordo com Rocha (2003), a
média para o período chuvoso em 1999 foi de 281 W.m-2.

O Rn máximo ocorre, em todos os dias estudados, entre 10 e 16 HL, sendo o horário das
12 HL o de maior ocorrência (em quatro dos treze dias estudados). Para o período
chuvoso de 1990 (BASTABLE et al, 1993), o maior valor de Rn encontrado em área de
pastagem foi de 520 W.m-2.

850

Rn diário (W.m-2)

750
650
550
450
350
250
150
50
-50
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
Rn Floresta

Rn Pastagem

Figura 4.11- Saldo de radiação em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho). Cada
dia está separado por uma linha vertical.
O saldo de radiação se mostrou maior em área de floresta em aproximadamente 60%
das comparações, isso ocorre porque a perda radiativa em área de pastagem é muito
maior. No entanto, em cinco dos treze dias estudados o Rn máximo foi maior em área
de pastagem, pois a qualquer aumento de Rg, a pastagem reage mais rapidamente por
causa da vegetação mais rasa.

47
A evolução média diária do saldo de radiação em áreas de floresta e pastagem (Figura
4.12) mostra que os ciclos são semelhantes, porém oscilam menos floresta. Isto
denuncia a maior influência de nebulosidade na área de pastagem. Valores mais baixos
de Rn ocorrem na pastagem porque os valores de albedo são maiores neste tipo de
vegetação, o que diminui a energia disponível. O valor máximo na floresta ocorreu às
13 HL, ocorrendo uma hora mais cedo na pastagem. O mínimo ocorre primeiro na
pastagem, às 19 HL (na floresta ocorre às 18 HL). O Rn médio foi maior na floresta
(111,64±74,43 W.m-2) do que na pastagem (91,23±67,9 W.m-2), o que representa uma
diferença média entre os sítios de 20,41 W.m-2.

Na área de pastagem, Rn apresenta um aumento mais rápido no início da manhã. Isso
acontece porque é nela que o aquecimento é mais rápido pela manhã, devido ao
aumento gradativo da incidência solar durante esse horário. Para a estação chuvosa de
1990 (BASTABLE ET AL, 1993), também foram observados fluxo maiores de saldo de
radiação em área de floresta do que na pastagem.
Na floresta o maior valor de Rn foi de 397,84 W.m-2 (às 13 HL). Galvão e Fisch, (1998,
2000) encontraram valor médio máximo de 470 W.m-2 (às 12 HL) para o fim da estação
chuvosa de 1993. No período de transição da estação seca para chuvosa de 1990,
Bastable et al (1993) encontraram valor máximo em torno de 600 W.m-2 , também às 12
HL. O ciclo médio diário apresenta um decréscimo entre 12 e 14 HL, tornando a
aumentar das 14 às 15 HL, horário em que volta a decrescer, atingindo o mínimo às 20
HL, com o valor de -27,04 W.m-2, e σ em torno de 50% da média. No horário em que o
Rn é máximo, o desvio padrão é de 229,30 W.m-2, em torno de 58% da média. O maior
desvio padrão encontrado ocorreu no às 14 HL e representou 65% da média.

O ciclo médio diário do saldo de radiação na pastagem apresenta dois decaimentos
importantes, um deles das 10 às 11 HL, e o outro das 12 às 13 HL. O primeiro coincide
com o horário em que ocorre precipitação em cinco dos dias estudados e o segundo com
a maior velocidade média do vento.
O maior Rn médio ocorre às 12 HL (383,62 W.m-2) , bem menor do que o encontrado
por Leite (2004) para a estação de transição de 2002, que foi de 541,28 W.m-2 . O menor
Rn médio ocorreu às 19 HL, -33,68 W.m-2. O desvio médio é de 67,9 W.m-2,

48
correspondendo a aproximadamente 46% da média. O maior desvio ocorre no horário
das 14 HL e é de 243,09 W.m-2, correspondente a 72% da média. O menor desvio
(10,62 W.m-2) ocorreu às 20 HL e correspondeu a 41 % da média.

700

Fluxo Rn (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
Rn pastagem

Rn Floresta

Figura 4.12- Ciclo médio diário do saldo de radiação na floresta (verde) e na pastagem
(vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.
A Tabela 4.7 mostra a taxa de variação média de Rn entre o nascer e o pôr do Sol e suas
estatísticas em área de floresta de 05/02/2002 a 30/03/2002. A taxa média de variação
diária máxima de Rn ocorreu no DJ 38 e foi 8,94 W.m-2.h-1 e a mínima ocorreu no DJ
80 e foi de aproximadamente 0,46 W.m-2.h-1 . A média geral da variação é de 4,03 W.m2

.h-1.

49
Tabela 4.7- Taxas de variação médias diárias do saldo de radiação (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36

05/fev

6,05

90,31

14,93

154,53

-125,09

279,63

38

07/fev

8,94

97,84

10,94

111,59

-236,00

347,59

42

11/fev

8,00

185,58

23,20

338,12

-303,88

642,01

46

15/fev

1,94

232,39

119,64

429,21

-567,07

996,28

66

07/mar

4,50

212,79

47,33

258,33

-497,04

755,36

67

08/mar

3,88

143,07

36,85

243,34

-231,03

474,37

71

12/mar

1,76

72,01

40,94

126,55

-149,60

276,15

73

14/mar

4,37

70,43

16,10

102,37

-137,49

239,86

80

21/mar

0,46

176,05

379,91

173,27

-328,37

501,65

81

22/mar

3,02

126,51

41,87

212,60

-287,93

500,53

83

24/mar

1,66

86,67

52,07

148,14

-188,53

336,68

85

26/mar

1,03

207,95

201,25

310,01

-378,80

688,81

89

30/mar

6,79

141,53

20,83

257,16

-316,81

573,97

A Tabela 4.8 mostra a taxa de variação temporal de Rn de 05/02 a 30/03/2002 em área
de pastagem. A taxa de variação máxima positiva foi de 2,20 W.m-2.h-1 no DJ 38, e a
taxa máxima de variação negativa ocorreu no DJ 89 (-3,25 W.m-2.h-1), mesmo dia em
que ocorreram as temperaturas máximas diária, média, maior amplitude térmica e a
maior amplitude de pressão atmosférica.

Esta variável mostra um padrão existente em grande parte dos dias: taxas de variação
negativas são encontradas às 11 HL em oito dos dias estudados e às 13HL em dez dos
treze dias estudados, conforme pode ser observado na Tabela D.4, em anexo. Esse
decréscimo na taxa de variação horária, que ocorre justamente na faixa de horário onde
o Rn apresenta os maiores valores, está relacionado com a intensa convecção que ocorre
nas primeiras horas de incidência solar, ocasionando em forte nebulosidade durante esse
período, o que impede que a radiação chegue à superfície. Deve-se mencionar também
que o período de resposta da superfície em relação à quantidade de radiação incidente
em área de pastagem é mais curto do que em área de floresta, o que ocasiona em um
maior dinamismo no que diz respeito tanto à perda, quanto o ganho radiativo.

50
Tabela 4.8- Taxas de variação médias diárias do saldo de radiação (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

0,45
2,20
1,65
-1,62
-1,74
-0,91
-2,74
-1,90
-0,06
-0,67
0,07
1,30
-3,25

160,25
84,50
161,44
208,57
255,52
124,73
107,91
158,31
92,61
103,95
151,03
96,36
170,17

354,00
38,39
97,61
-128,94
-146,82
-137,23
-39,33
-83,29
-1547,01
-154,38
2153,58
74,16
-52,38

400,76
148,43
273,88
378,40
349,70
138,13
136,68
224,72
131,39
205,01
410,16
132,98
235,71

-232,63
-123,26
-256,52
-281,59
-582,58
-353,48
-292,94
-372,36
-153,58
-110,99
-253,98
-216,72
-263,38

633,38
271,69
530,40
659,99
932,28
491,61
429,61
597,08
284,97
316,00
664,13
349,70
499,09

A Figura 4.13 mostra a taxa de variação média do saldo de radiação em áreas de floresta
e pastagem. O padrão esperado é de crescimento pela manhã até o meio dia solar e
decréscimo durante a tarde. Na área de floresta uma pequena diminuição ocorre na parte
da manhã (9-10 HL) certamente devido a influencia da nebulosidade. Essa nebulosidade
juntamente com a ocorrência de precipitação faz a taxa diminuir das 14 as 15HL. O
horário das 11 às 14 HL apresenta precipitação em seis dos treze dias observados, por
isso esta variação negativa tão forte.
As taxas médias de variação de Rn na floresta oscilaram entre -133,42±96,04 W.m-2.h-1
entre 17 e 18 HL e 105,24±121,86 W.m-2.h-1 entre 10 e 11 HL e a média geral foi de
4,03±114,88 W.m-2.h-1 com CV igual a 4,06.

As taxas de variação do saldo de radiação na floresta mostram um padrão existente em
grande parte dos dias: taxas de variação negativas são encontradas às 12 e às 14 HL em
seis dos treze dias estudados e ás 13 e 15 HL em oito dos dias estudados (ver Tabela
D.1, em anexo). Esse decréscimo na taxa de variação horária, que ocorre justamente na
faixa de horário onde o Rn apresenta os maiores valores, está relacionado com a intensa
convecção que ocorre nas primeiras horas de incidência solar, ocasionando em forte
nebulosidade durante esse período, o que impede que a radiação chegue à superfície.

51
A taxa de variação média do saldo de radiação em área de pastagem oscila bastante
durante o dia. O que a faz fugir do padrão esperado são principalmente as duas quedas
entre 10 e 11 HL e entre 12 e 13 HL, as quais já foram mencionadas anteriormente (ver
Figura 4.12). As taxas médias de variação de Rn oscilaram entre -136,24±117,07 W.m2

.h-1 entre 16 e 17 HL e 116,02±143,48 W.m-2.h-1 entre 11 e 12 HL e a média geral foi

de -0,6±114,72 W.m-2.h-1 com CV igual a 0,55.

∂Rn/∂t (média)

∂Rn/∂t (W.m-2.h-1)

150
100
50
0
-50
-100
-150

06-07 07-08 08-09 09-10 10-11 11-12 12-13 13-14 14-15 15-16 16-17 17-18

Hora Local
Floresta

Pastagem

Figura 4.13- Taxa de variação média do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de floresta
(verde) e pastagem (vermelho).
4.3 Fluxos turbulentos de calor sensível e calor latente

4.3.1 Fluxo de Calor Sensível (H)

A evolução do fluxo de calor sensível na floresta e na pastagem durante o período em
estudo estão ilustrados na Figura 4.14. Visando uma melhor comparação de H com Rn
as variáveis foram plotadas juntas para a floresta (Figura 4.15) e pastagem (Figura
4.16). Verifica-se claramente que H varia de acordo com o comportamento Rn entre 06
e 18 HL, apresentando, salvo raras exceções, valores máximos nos mesmos horários em
que Rn é máximo.

Os valores mais altos de H observados para a Floresta ocorreram no DJ 42, alcançando
seu máximo às 11 HL (195 W.m-2), momento em que mais de 30% da energia

52
disponível foi convertida em aquecimento do ar. O dia onde H atingiu os valores mais
baixos foi o DJ 46, a 01 HL (-97,32 W.m-2).
O Fluxo médio diário de H variou entre -2,89±15,69 W.m-2 no DJ 73 e 23,39±36,25
W.m-2 (DJ89), com média de 10,12±8,86 W.m-2. Este desvio corresponde a quase 90%
da média. Se forem consideradas as médias apenas entre o nascer e o pôr do Sol, H
varia entre -3,06 W.m-2 no DJ 73 e 45,14 W.m-2 no DJ 66, com média de 24,9±16,22
W.m-2. Neste caso o desvio padrão representa cerca de 65% da média.
Na pastagem, os valores de H variaram entre -38,25 W.m-2, às 06 HL do DJ 73 e , 194,6
W.m-2 às 14 HL do DJ 46. O horário em que H máximo ocorreu com maior freqüência
foi o das 12 HL, que apresentou cinco ocorrências (DJs 66, 80, 81, 83 e 89), e o valor
máximo de H coincidiu com o máximo de Rn em sete dias (DJs 46, 66, 67, 71, 83, 85 e
89).
O dia em que ocorreu a maior amplitude de H na pastagem foi o DJ 46 (204,96 W.m-2),
variando entre -10,36 W.m-2 às 02 HL e 194,6 W.m-2 às 14 HL, e o dia que apresentou
menor amplitude foi o DJ 83 (54,5 W.m-2) , onde H variou de -7,75 W.m-2 a 46,75
W.m-2 às 24 HL e 12 HL respectivamente.
O fluxo de calor sensível médio diário variou entre 9,62 W.m-2 no DJ 85 e 42,19 W.m-2
no DJ 89, com média de 23,29 W.m-2 e desvio padrão de 10,98 W.m-2, representando
47% da média. O H médio entre 06 e 18 HL variou entre 17.57 W.m-2 no DJ 85 e 79,19
W.m-2 no DJ 89, apresentando média de 44,87 W.m-2 e desvio padrão de 20,49 W,m-2 ,
aproximadamente 45% da média.

53

250

H diário (W.m-2)

200
150
100
50
0
-50
-100
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
H Floresta

H Pastagem

Figura 4.14- Fluxos de calor sensível em áreas de floresta (verde) e pastagem
(vermelho). Cada dia está separado por uma linha vertical.

1000

Fluxos (W.m-2)

800
600
400
200
0
-200
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
Rn

H

Figura 4.15- Comparação entre o fluxo de calor sensível (verde) e o saldo de radiação
(roxo) para área de floresta. Cada dia está separado por uma linha vertical.

54
800

Fluxos (W.m-2)

700
600
500
400
300
200
100
0
-100
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
Rn FNS-02

H FNS-02

Figura 4.16- Comparação entre o fluxo de calor sensível (vermelho) e o saldo de
radiação (roxo) para área de pastagem. Cada dia está separado por uma
linha vertical.
A quantidade de energia disponível convertida em aquecimento do ar apresenta-se
maior em área de pastagem em 66% dos casos, no entanto, em cinco dias apresentam
seus máximos maiores que na floresta. O horário de valor máximo de H em área de
pastagem ocorre uma hora antes no sítio de floresta. Isto porque se verifica uma queda
na pastagem, muito provavelmente relacionada ao aumento local de nebulosidade neste
horário (11 HL). O fato é que os dois ciclos médios apresentam comportamento
diferente do esperado (que é de uma curva mais suave), principalmente na floresta.

O fato mais curioso é a diminuição quase linear de H na floresta, em desacordo com os
ciclos de temperatura e de Rn. Isto provavelmente ocorreu também por causa da forte
nebulosidade que permaneceu durante todos os dias de estudo, acarretando em valores
negativos de H nesta faixa de horário (entre 11 e 16 HL), o que se reflete na média.
Neste horário também ocorrem as maiores velocidades do vento na floresta. Este
decréscimo em H foi verificado em grande parte dos dias estudados.

No geral, H foi nitidamente maior na pastagem, do que na floresta, exceto pelo horário
das 11 HL, que se mostrou 9,57 W.m-2 maior na floresta. A diferença média foi de
13,16 W.m-2. Em termos de variabilidade, o CV foi maior na floresta (-2,16) do que na
pastagem (-1,4).

55
O ciclo médio diário do Fluxo de Calor Sensível em áreas de floresta e pastagem
(Figura 4.17) e sua comparação com Rn para a floresta (Figura 4.18) e para a pastagem
(Figura 4.19) evidenciam a dependência entre H e Rn também nos ciclos diários, pois as
curvas apresentam um padrão semelhante. O horário de maior valor médio de H na
Floresta ocorre às 11 HL, e é de 66,94±62,93 W.m-2 e o horário de menor H médio
ocorreu às 01 HL e foi de -12,47±27,24 W.m-2 (valores próximos aos encontrados por
Galvão e Fisch (1998, 2000b) para 1993, e por Aguiar et al (2006b), em 2004). Não
acompanha, no entanto, os valores de Rn, nos quais o máximo ocorre às 13HL.

O ciclo médio diário de H em área de pastagem e a sua comparação com o ciclo médio
diário de Rn mostram que, a partir das 06 HL, H começa a aumentar até as 10 HL,
quando ocorre um declínio até as onze, e depois aumenta até alcançar seu valor máximo
(84,92±50,79 W.m-2) às 12 HL, quando Rn também é máximo. Von Randow (2007)
encontrou o valor máximo em torno de 150 W.m-2 às 12 HL. Os desvios aumentam do
nascer do Sol até as 12 HL, diminui até o pôr do Sol e tende a se manter constante ao
longo da noite. Os resultados apresentados são semelhantes aos encontrados por Galvão

Fluxo H (W.m-2)

e Fisch, (1998, 2000b).

160
140
120
100
80
60
40
20
0
-20
-40
-60
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
H Pastagem

H Floresta

Figura 4.17- Ciclo médio diário do fluxo de calor sensível em áreas de floresta (verde) e
pastagem (vermelho). As linhas verticais representam o desvio médio.

Fluxo H (W.m-2)

56

450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
-50
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

Hora Local
H med

Rn med

Figura 4.18- Comparação entre os ciclos médios diários do fluxo de calor sensível
(verde) e saldo de radiação (roxo) em área de floresta.

400

Fluxos (W.m-2)

350
300
250
200
150
100
50
0
-50
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

Hora Local
H med

Rn med

Figura 4.19- Comparação entre os ciclos médios diários do fluxo de calor sensível
(vermelho) e saldo de radiação (roxo) em área de pastagem.
A Tabela 4.9 mostra a taxa de variação média das 6 às 18 HL do fluxo de calor sensível
e suas estatísticas em área de floresta para cada um dos treze dias de medições. A
variação média positiva máxima ocorreu no DJ 38 (0,85 W.m-2.h-1) e variação média
negativa máxima ocorreu no DJ 85 (-0,85 W.m-2.h-1). A média geral da taxa de variação
de Rn foi de -0,01.

57
Tabela 4.9- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor sensível (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36

05/fev

0,79

33,58

42,43

67,52

-59,02

126,54

38

07/fev

0,85

14,27

16,69

32,79

-34,54

67,33

42

11/fev

0,09

79,41

860,29

138,82

-168,36

307,18

46

15/fev

-0,24

59,00

-244,27

96,94

-156,07

253,01

66

07/mar

-0,78

63,54

-81,14

99,68

-118,49

218,17

67

08/mar

-0,40

33,32

-82,82

54,24

-57,14

111,38

71

12/mar

-0,10

18,42

-193,17

20,48

-34,82

55,30

73

14/mar

0,55

24,47

44,13

33,17

-61,03

94,20

80

21/mar

0,19

50,06

265,63

56,10

-139,57

195,67

81

22/mar

-0,03

64,11

-1852,09

136,06

-129,14

265,20

83

24/mar

-0,02

29,44

-1196,12

39,65

-71,89

111,54

85

26/mar

-0,85

54,09

-63,47

72,17

-104,51

176,68

89

30/mar

-0,21

44,58

-210,74

52,51

-104,35

156,86

A Tabela 4.10 mostra as taxas médias diárias de variação de H em área de pastagem no
período de 05/fev a 30/mar de 2002. A taxa de variação positiva máxima do fluxo de
calor sensível foi de 2,10 W.m-2.h-1 no DJ 42 (mesmo dia em que ocorreu o maior valor
médio de Rn), e a máxima variação negativa foi de -0,61 W.m-2.h-1 no DJ 38 (dia em
que ocorreu a maior taxa média diária de variação positiva de Rn).

58
Tabela 4.10- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor sensível (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

-0,50
-0,61
2,10
-0,02
-0,27
0,83
0,74
0,43
0,28
-0,39
0,54
0,58
1,07

41,06
20,71
42,64
53,16
41,39
41,45
31,93
43,89
32,14
26,72
12,44
29,33
34,66

-81,81
-34,07
20,32
-2830,90
-150,68
50,03
42,94
102,52
113,11
-69,09
23,12
50,42
32,34

74,52
34,05
62,63
79,00
54,52
46,73
55,04
82,76
68,78
55,46
27,52
59,67
52,11

-68,41
-32,84
-103,35
-110,42
-89,44
-122,74
-84,78
-86,28
-52,23
-38,96
-15,75
-64,77
-62,07

142,93
66,89
165,98
189,42
143,96
169,47
139,82
169,03
121,01
94,42
43,27
124,44
114,18

De acordo com a Figura 4.20, que mostra as taxas de variação de H na floresta e na
pastagem, a taxa de variação média de H na floresta apresenta uma sucessão de picos,
denunciando a sua grande variabilidade. Ela variou entre -21,94±34,96 W.m-2.h-1 entre
16 e 17 HL e 34,49±45,59 W.m-2.h-1 entre 10 e 11 HL, com média de -0,01±41,77 W.m2

.h-1 e CV de -3,5. As máximas variações diárias, positiva e negativa, ocorreram no

mesmo dia (DJ 42) e foram de 138,82 W.m-2.h-1 e -168,36 W.m-2.h-1 respectivamente.

Na área de floresta, em sete dos dias estudados (DJs 36, 42, 46, 66, 73, 81 e 85)
aparecem variações negativas às 12 HL, o que influencia muito na média horária, sendo
que em apenas em um desses dias (DJ 36) a variação começa no horário anterior. O
decréscimo da variação nesse horário se deve à diminuição do Rn, que por sua vez
ocorre devido ao decréscimo de Rg por causa da grande quantidade de nebulosidade de
nuvens convectivas. Muitas dessas nuvens formam grandes sistemas convectivos,
presentes o tempo todo durante a estação chuvosa e que devido toda a evaporação
ocorrida desde o nascer do sol obstruem a passagem da radiação. Então, o H, que até
este horário (12 HL) está aumentando (ver Tabela D.2, em anexo), ou continua
aumentando, mas varia mais lentamente, ou diminui.

Na área de pastagem, as duas quedas de H (10 a 11HL e 12 a 13HL) ficam ainda mais
evidentes nas taxas de evolução temporal de H. Pode-se notar que existe uma tendência

59
à diminuição da taxa de variação dos fluxos entre 10 e 11 HL (sete dias apresentam
taxas negativas). A taxa de variação de H aumenta até as 12 HL, e torna a diminuir até
as 13 HL, quando a maior parte dos valores é negativa (nove valores) (ver Tabela D.5,
em anexo). As taxas médias de variação de H oscilaram entre -8,30±20,62 W.m-2.h-1
entre 12 e 13 HL e 23,88±26,41 W.m-2.h-1 e a média geral foi de 0,39±29,13 W.m-2.h-1
com CV igual a 4,89.

∂H/∂t (média)
40

∂H/∂t (W.m-2.h-1)

30
20
10
0
-10
-20
-30
-40
-50
06-07 07-08 08-09 09-10 10-11 11-12 12-13 13-14 14-15 15-16 16-17 17-18

Hora Local
Floresta

Pastagem

Figura 4.20- Taxa de variação média do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) entre 06 e 18
HL em áreas de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
A Figura 4.21 mostra a comparação entre os valores de Rn e H em área de floresta. A
equação de dispersão encontrada foi y=0,1572x- 7,4338 e o coeficiente de determinação
foi igual a 0,6464, o que significa uma correlação de mais de 80%.

60

230

y = 0,157x - 7,433
R² = 0,646

H (W.m-2)

180

130

80

30

-20
-100

100

300

500

700

900

1100

Rn (W.m-2)
Figura 4.21- Dispersão entre o saldo de radiação e fluxo de calor sensível em área de
floresta.
A curva de dispersão entre H e Rn (Figura 4.22) mostra a comparação entre os valores
das duas variáveis. A equação de dispersão encontrada foi y=0,2267x- 2,602 e o
coeficiente de determinação foi igual a 0,8663, o que significa uma correlação de 93%.

250

y = 0,226x + 2,602
R² = 0,866

H (W.m-2)

200
150
100
50
0
-50
-100

100

300

500

700

900

Rn (W.m-2)
Figura 4.22- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor sensível em área de
pastagem.
A Figura 4.23 mostra o ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor sensível e o
saldo de radiação entre 08 e 17 HL em sítio de floresta, onde se verifica uma diferença
marcante entre a noite e o dia. Durante o dia a média foi de 0,11±0,03 e a noite de
0,33±0,17. O fato é que durante a noite a quantidade de Rn utilizado para aquecer a
atmosfera é maior, ou seja, a maior parte da energia disponível é transformada em calor

61
sensível, uma vez que a superfície emite radiação para a atmosfera e a maior parte dela
é utilizada para aquecer o ar no interior da camada limite noturna. Em área de floresta, o
valor de H/Rn médio durante o dia foi um pouco menor do que o encontrado para a
estação chuvosa de 1993, que foi de 0,17 (GALVÃO e FISCH, 2000b).

0,2
0,18
0,16
0,14
0,12
0,1
0,08
0,06
0,04
0,02
0

0,7
0,6
0,5

H/ Rn

0,4
0,3
0,2
0,1
0
-0,1
-0,2
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
H/Rn med

H/Rn 08-17

Figura 4.23- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor sensível e o saldo de
radiação em área de floresta. O eixo principal corresponde ao H/Rn médio
e o eixo secundário corresponde ao H/Rn entre 08 e 17 HL.
Ao contrário da área de floresta, onde o dia começa com valores altos de H/Rn, nos
primeiros momentos em que o sol está presente na área de pastagem (Figura 4.24),
apenas 20% da energia disponível é convertida em aquecimento do ar. Durante os
horários em que estes valores são mais confiáveis (das 08 HL até as 17 HL), a porção da
energia disponível que é convertida em aquecimento do ar varia entre 20% às 09 HL e
27,53% às 13 HL. O valor médio para esta razão foi de 0,16, pouco menor do que o
encontrado por Galvão e Fisch (2000b) para estação chuvosa de 1993 (0,20).

62

1,5

0,29

1,0

0,27

H/ Rn

0,25
0,5
0,23
0,0
0,21
-0,5

0,19

-1,0

0,17
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
H/Rn med

H/Rn 08-17

Figura 4.24- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor sensível e o saldo de
radiação em área de pastagem. O eixo principal corresponde ao H/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao H/Rn entre 08 e 17 HL.
4.3.2 Fluxo de Calor Latente (LE)

A evolução temporal do fluxo de calor latente diário para os dias estudados é mostrada
na Figura 4.25. Assim como no caso de H, LE foi plotado também junto com Rn,
comprovando a dependência entre as duas variáveis tanto em área de floresta (Figura
4.26) quanto em área de pastagem (Figura 4.27)
Na área de floresta os fluxos de H variaram entre -43,88 W.m-2 às 02 HL do DJ 67 e
550,10 W.m-2 às 14 HL do DJ 66. Os valores médios diários de LE variaram entre 13,90
W.m-2 (DJ73) e 130,31 W.m-2 (DJ66), com média de 71,07 ±32,5W.m-2. Trata-se de um
desvio padrão alto (em torno de 45% da média). Se considerarmos os valores de LE
apenas entre 06 e 18 HL, H varia entre 24,84 W.m-2 (DJ73) e 238,86 W.m-2 (DJ66),
com média de 127,45±59,96 W.m-2. Neste caso o desvio representa 47% da média.

Na área de pastagem os horários de LE máximo variam entre 10 e 16 HL, sendo mais
frequente no horário das 12 HL (DJs 46, 81, 83 e 89). O fluxo de calor latente máximo
coincide com Rn máximo em seis casos: DJ 67 às 16 HL, DJ 71 às 16 HL, DJ 73 às 10
HL, DJ 83 às 12 HL, DJ 85 às 10 HL e DJ 89 às 12 HL.
LE variou entre -25,71 W.m-2 (às 19 HL do DJ 80) e 279,8 W.m-2 (às 16 HL do DJ 42).
O seu valor médio diário variou entre 9,64 W.m-2 no DJ 83 e 59,34 W.m-2 no DJ 42,

63
com média de 32,75 W.m-2, e desvio padrão de 15,83 W.m-2 (em torno de 48% da
média).

Se forem considerados os valores médios diários de LE na pastagem apenas entre 06 e
18 HL, ele varia entre 17,45 W.m-2 (DJ 83) e 109,93 W.m-2 (DJ 42), com média de
60,62 W.m-2 e σ de 29,30 W.m-2 (48% da média).

600

LE diário (W.m-2)

500
400
300
200
100
0
-100
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
LE Floresta

LE Pastagem

Figura 4.25- Fluxo de calor latente para área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
Cada dia está separado por uma linha vertical.

1000

Fluxos (W.m-2)

800
600
400
200
0
-200
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
Rn JAR-02

LE JAR-02

Figura 4.26- Fluxo de calor latente (verde) e saldo de radiação (roxo) para área de
floresta. Cada dia está separado por uma linha vertical.

64
800
700

Fluxos (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano
Rn FNS-02

LE FNS-02

Figura 4.27- Fluxo de calor latente (vermelho) e saldo de radiação (roxo) para área de
pastagem. Cada dia está separado por uma linha vertical.
Em 68% das comparações entre os sítios, LE foi maior na floresta. A comparação entre
os ciclos médios de LE na floresta e pastagem (Figura 4.28) mostra uma diferença
grande. Assim como no caso de H, o ciclo médio de LE também foi plotado juntamente
com Rn, onde foi verificada uma importante dependência entre LE e Rn em áreas de
floresta (Figura 4.29) e pastagem (Figura 4.30) também no ciclo médio diário. Os
valores médios diários de LE são maiores na floresta devido à disponibilidade hídrica
nesta área, onde a ação antrópica não ocorreu. A floresta é muito mais rica em umidade
do que a pastagem, tendo mais água para evaporar. Além disso, a enorme diferença em
termos de porte e quantidade de espécies vegetais na floresta implica em maior controle
da perda de vapor de água via transpiração. Existe uma defasagem de uma hora entre os
máximos. Na pastagem, o máximo ocorre às 12 HL, e na floresta ocorre às 13 HL. O
mínimo em área de floresta ocorre às 22 HL, enquanto que e em área de pastagem
ocorre às 20 HL.
A diferença média entre os sítios foi de 38,041 W.m-2 em favor da floresta. Houve mais
variabilidade na floresta (CV igual a 4,29) do que na pastagem (CV igual a -1,6). Estes
resultados indicam que durante um período chuvoso, a devolução de energia para a
atmosfera é realizada predominantemente pelo fluxo de calor latente.
O ciclo médio diário de LE em área de floresta variou de 0,4 W.m-2 às 22 HL a 245,22
W.m-2 às 13 HL, valores que estão próximos aos encontrados por Galvão e Fisch (1998,

65
2000) e menores que os encontrados por Aguiar et al (2006b). Verifica-se que, como no
caso de Rn e H, os desvios são muito altos próximo do meio dia, atingindo seu máximo
às 13 HL, 157,99 W.m-2, que corresponde a 64% da média. Sua comparação com Rn
(figura 4.20) mostra que o horário de LE máximo coincide com o máximo de Rn.

O ciclo médio diário do fluxo de calor latente em área de pastagem mostra uma variação
média diária de -2,03 W.m-2 às 06 HL a 109,87 W.m-2 às 12 HL, horário em que
apresenta o menor desvio padrão (em torno de 63% da média). Sua comparação com Rn
mostra que o horário de LE máximo coincide com o de H máximo. Galvão e Fisch
(1998, 2000b) encontraram valores máximos da média próximos a 300 W.m-2, assim
como Von Randow (2007) que utilizou valores coletados entre 1999 e 2002, o que
sugere que durante o experimento que eles utilizaram tenha chovido mais e que havia
mais umidade estocada no solo e biomassa, então grande parte da energia disponível foi
utilizada para evaporação.

450

Fluxo LE (W.m-2)

400
350
300
250
200
150
100
50
0
-50
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
LE Pastagem

LE Floresta

Figura 4.28- Ciclo médio diário do fluxo de calor latente em área de floresta (verde) e
pastagem (vermelho). As linhas pontilhadas representam o desvio médio.

Fluxos (W.m-2)

66

450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
-50
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
LE med

Rn med

Fluxos (W.m-2)

Figura 4.29- Ciclos médios diários do fluxo de calor latente (verde) e saldo de radiação
(roxo) em área de floresta.

400
350
300
250
200
150
100
50
0
-50
-100
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
LE med

Rn med

Figura 4.30- Ciclos médios diários do fluxo de calor latente (vermelho) e saldo de
radiação (roxo) na pastagem.
A Tabela 4.11 mostra as taxas de variação temporal médias de LE entre 06 e 18 HL em
área de floresta para cada um dos dias estudados. A variação máxima de LE ocorre no
DJ89 (6,79 W.m-2.h-1) e a mínima ocorre no DJ71 (-0,38 W.m-2.h-1). A variação média é
de 2,21 W.m-2.h-1, e o desvio padrão é de 2,29 W.m-2.h-1, mais de 100% da média, o que
se explica pela ocorrência de períodos de nebulosidade e/ou chuva em grande parte dos
dias estudados. A evolução horária desta variável para cada um dos dias estudados pode
ser visualizada no Anexo A.

67
Tabela 4.11- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor latente (W.m-2) e
estatísticas em área de floresta. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

2,67
5,27
2,77
0,74
5,00
1,87
-0,38
2,34
-0,97
1,06
0,63
0,96
6,79

71,83
68,72
118,17
183,55
106,66
109,45
50,60
37,25
133,99
128,08
53,12
131,97
122,18

26,94
13,04
42,64
246,76
21,34
58,48
-134,52
15,89
-137,59
120,57
84,21
138,14
18,00

123,03
127,70
170,40
442,20
132,10
183,52
67,71
43,81
152,70
171,30
111,08
154,40
221,70

-101,70
-155,30
-205,75
-276,70
-249,00
-286,40
-134,52
-91,62
-316,90
-285,01
-109,50
-393,24
-191,20

224,73
283,00
376,15
718,90
381,10
469,92
202,23
135,43
469,60
456,31
220,58
547,64
412,90

As taxas de variação média de LE entre o nascer e o pôr do Sol em área de pastagem
(Tabela 4.12) mostram-se extremamente inconstantes, o que se explica pela intensa
nebulosidade durante todos os dias estudados (ver figuras do anexo B). A variação
média positiva máxima ocorreu no DJ 42 e foi de 5,16 W.m-2.h-1, dia em que ocorreu
também a taxa de variação positiva máxima do fluxo de calor sensível. Apenas um dia
apresentou taxa de variação média negativa, o DJ 71.
Tabela 4.12- Taxas de variação médias diárias do fluxo de calor latente (W.m-2) e
estatísticas em área de pastagem. A tabela apresenta os valores médios
diários (MÉDIA), desvio padrão (σ), coeficiente de variação (CV), valores
máximo (MAX) e mínimo (MIN), e amplitude (AMP).
DJ
36
38
42
46
66
67
71
73
80
81
83
85
89

DIA

MÉDIA

σ

CV

MAX

MIN

AMP

05/fev
07/fev
11/fev
15/fev
07/mar
08/mar
12/mar
14/mar
21/mar
22/mar
24/mar
26/mar
30/mar

0,66
1,91
5,16
0,11
0,66
0,88
-0,42
0,37
2,75
1,11
0,54
1,05
2,66

54,31
23,18
60,88
83,93
58,92
34,29
36,17
44,60
44,70
31,42
18,65
20,53
44,77

82,18
12,15
11,81
734,22
89,77
39,10
-85,24
120,83
16,27
28,35
34,64
19,57
16,81

103,30
61,84
95,20
170,32
97,89
46,02
48,49
88,68
107,42
66,12
44,59
46,33
53,19

-80,09
-30,58
-151,70
-139,04
-118,70
-69,37
-87,48
-79,90
-75,27
-48,28
-35,63
-34,02
-72,60

183,39
92,42
246,90
309,36
216,59
115,39
135,97
168,58
182,69
114,40
80,22
80,35
125,79

68
A Figura 4.31 mostra a variação temporal média horária entre 06 e 18 HL do Fluxo de
Calor Latente. A partir das 07 HL a variação de LE em área de floresta começa a
aumentar significativamente até as 10 HL para depois cair até às 17 HL, padrão que
pode ser visualizado em grande parte dos dias disponíveis (ver Tabela D.3, em anexo).
Após as 17 HL, ocorre um aumento na variação horária de LE, uma vez que a
diminuição de LE com o tempo passa a ser mais lenta. As taxas médias de variação de
LE oscilaram entre -85,20±85,29 W.m-2.h-1 entre 16 e 17 HL e 61,96±64,88 W.m-2.h-1
entre 09 e 10 HL e a média geral foi de 2,4±90,85 W.m-2.h-1, com CV igual a -0,38.

Entre 12 e 13 HL, em área de pastagem, ocorre decréscimo na variação em nove dias, e
entre 16 e 17 HL isso acontece em todos os dias, situação que se reflete na média (ver
Tabela D.6, em anexo). A máxima variação positiva ocorre entre 9 e 10 HL, chegando
aos 34,48 W.m-2.h-1 Uma diminuição bem pronunciada da variação ocorre entre 12 e 13
HL, por causa da convecção que ocorre durante a manhã inteira, diminuindo a
quantidade de radiação global, e por conseqüência Rn. Outra variação negativa ocorre
de 16 a 17 HL. As taxas médias de variação de LE variaram entre -45,16±43,01 W.m2

.h-1 entre 16 e 17 HL e 65,51±2,34 W.m-2.h-1 entre 11 e 12 HL e a média geral foi de

1,45±38,61 W.m-2.h-1 com CV igual a 3,96.

∂LE/∂t (média)
∂LE/∂t (W.m-2.h-1)

80
60
40
20
0
-20
-40
-60
-80
-100
06-07 07-08 08-09 09-10 10-11 11-12 12-13 13-14 14-15 15-16 16-17 17-18

Hora Local
Floresta

Pastagem

Figura 4.31- Taxa de variação média do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) entre 06 e 18
HL em área de floresta (verde) e pastagem (vermelho).
A Figura 4.32 mais uma vez evidencia a dependência entre LE e Rn através da curva de
dispersão, onde as variáveis mostram uma relação de y=0,5584x+8,4416 entre si, com

69
coeficiente de determinação R2 de 0,8874, o que representa uma correlação de 94%
entre as duas variáveis.

580

y = 0,558x + 8,441
R² = 0,887

LE (W.m-2)

480
380
280
180
80
-20
-100

100

300

500

700

900

1100

Rn (W.m-2)
Figura 4.32- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor latente em área de
floresta.
A Figura 4.33, que mostra a dispersão entre o Saldo de Radiação e o Fluxo de Calor
Latente em área de pastagem, mais uma vez evidencia a dependência entre LE e Rn
através da curva de dispersão, onde as variáveis mostram uma relação de
y=0,2929x+6,0296 entre si, com coeficiente de determinação R2 de 0,7994, o que
representa uma correlação de 89% entre as duas variáveis.

300

y = 0,292x + 6,029
R² = 0,799

LE (W.m-2)

250
200
150
100
50
0
-50
-100

100

300

500

700

900

Rn (W.m-2)
Figura 4.33- Dispersão entre o saldo de radiação e o fluxo de calor latente em área de
pastagem.

70
A relação entre LE e Rn mostra que a quantidade de energia disponível convertida em
calor latente varia bastante durante o dia, sendo mais intensa durante o período diurno,
tanto na floresta quanto na pastagem. Os valores desta razão foram plotados apenas para
o período entre 08 e 17 HL, em virtude da dificuldade de obtenção dos valores dos
fluxos no início da manhã e no fim da tarde.

Na área de floresta (Figura 4.34), o maior valor encontrado foi às 16 HL, quando LE
alcançou 63%, na média. O valor médio encontrado na estação chuvosa de 1993 para
esta fração em área de floresta foi de 79% (GALVÃO; FISCH, 2000b)

0,7

0,7

0,5

0,6
0,5

LE/ Rn

0,3

0,4
0,1

0,3
-0,1

0,2

-0,3

0,1
0

-0,5
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
LE/Rn med

LE/Rn 08-17

Figura 4.34- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor latente e o saldo de
radiação em área de floresta. O eixo principal corresponde ao LE/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao LE/Rn entre 08 e 17 HL.
Para a área de pastagem (Figura 4.35), o maior valor de LE/Rn encontrado foi às 17 HL,
quando LE representou, na média, 54% da energia disponível. Segundo Galvão e Fisch
(1998), este percentual foi de 65% na estação chuvosa de 1993. Durante o dia, verificase um aumento na razão, variando entre 0,17 às 09 HL e 0,54 às 17 HL, com média de
0,31. Às 18 HL, LE/Rn alcança o menor valor (-2,41), estes valores relativamente altos
ocorrem quando Rn troca de sinal, ou seja, quando atinge valores próximos de zero.

LE /Rn

71

1,0

0,55

0,5

0,5

0,0

0,45

-0,5

0,4

-1,0

0,35

-1,5

0,3

-2,0

0,25

-2,5

0,2

-3,0

0,15
1

3

5

7

9

11

13

15

17

19

21

23

Hora Local
LE/Rn med

LE/Rn 08-17

Figura 4.35- Ciclo médio diário da razão entre o fluxo de calor latente e o saldo de
radiação em área de pastagem. O eixo principal corresponde ao LE/Rn
médio e o eixo secundário corresponde ao LE/Rn entre 08 e 17 HL.
4.3.3 Razão de Bowen (β)

A razão de Bowen média em áreas de floresta e pastagem está representada na Figura
4.36. A quantificação dos fluxos de H e LE durante a noite é muito difícil, uma vez que
o sistema “eddy correlation” só quantifica os fluxos se houver vento. Por outro lado,
insetos e condensação dificultam o funcionamento do anemômetro sônico. Além do
mais, quando os valores de LE são muito próximos de zero, ocasiona em um erro na
equação da razão de Bowen. Por isso, foi feita a média apenas entre 08 às 17 HL.

Na área de floresta os valores de LE são tipicamente maiores, assim como os valores de
H são maiores na pastagem. No entanto, as magnitudes de H e LE são diferentes, uma
vez que em período chuvoso há uma predominância de devolução da energia disponível
para a atmosfera em forma de evaporação tanto em floresta como em pastagem. A
diferença média de LE entre os sítios é de 0,59 em favor da floresta.
Em área de floresta, constatou-se que β varia de -0,005 às 17 HL a 0,35 às 11 HL.
Galvão e Fisch (1998) também encontraram o valor máximo em área de floresta às 11
HL (em torno de 0,4) para o fim da estação chuvosa de 1993. Valores negativos de
razão de Bowen podem ocorrer quando ou H ou LE são negativos, ou quando há erro de
instrumento.

72
As médias entre 08 e 17 HL também mostraram bastante oscilação em área de
pastagem. Verificou-se que β diminui no decorrer do dia, variando entre 1,18 às 08 HL
e 0,34 ás 17 HL. Galvão e Fisch (1998) para a estação chuvosa de 1993, encontraram
valores de β em área de pastagem entre 0,3 e 0,4, comportamento que se mostrou muito
mais constante.

Razão de Bowen

1,4
1,2
1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

Hora Local
Floresta 08-17

Pastagem 08-17

Figura 4.36- Ciclo médio diário da razão de Bowen em área de floresta (verde) e
pastagem (vermelho).
Exceto pelos DJs 67 e 71, a média diária da razão de Bowen durante o dia em área de
floresta (Figura 4.37) é bastante homogênea. Ocorre que nestes dias há uma
predominância muito forte de LE, o que diminui a razão entre os fluxos de calor
sensível e calor latente.

Razão de Bowenn

1,0
0,5
0,0
-0,5
-1,0
-1,5
-2,0
-2,5
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano

Figura 4.37- Razão de Bowen média entre 06 e 18 HL em área de floresta.

73
O maior valor médio de razão de Bowen entre 06 e 18 HL em área de pastagem (Figura
4.38) ocorreu no DJ 85, onde alcançou o valor de 2,08. O menor valor para essa variável
ocorreu no DJ 42, com valor de -0,39. A média geral de β durante todos os dias foi 0,30,
e entre o nascer e o pôr do Sol foi igual a 0,90.

2,5

Razão de Bowenn

2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
-0,5
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

Dia Juliano

Figura 4.38- Razão de Bowen média entre 06 e 18 HL em área de pastagem.

74
CAPÍTULO 5

CONCLUSÕES

Comparando as variáveis de superfície e os fluxos turbulentos de calor sensível e calor
latente em áreas de floresta e pastagem, pode-se afirmar que a substituição da vegetação
nativa por pastagem provocou mudanças significativas na atmosfera local, aumentando
os valores de temperatura, velocidade do vento, fluxos de calor sensível e razão de
Bowen e diminuindo os valores de umidade relativa, saldo de radiação e fluxo de calor
latente.

A temperatura média em área de floresta foi de 23,7 °C e em área de pastagem, foi de
24,6 °C, portanto a área desmatada se mostrou mais quente, em média 0,88°C. No
entanto, esta diferença média chega a 1,93 °C às 10 HL. Esses valores de temperatura se
refletiram nos valores de umidade relativa, que se apresentaram mais baixos em área de
pastagem, que se mostrou em média 11% mais seca, com valor médio de 84,1%,
enquanto na floresta este valor foi de 95,9%.
A velocidade do vento alcançou o valor máximo de 4,87 m.s-2 na floresta, enquanto na
pastagem, o vento máximo foi de 11,03 m.s-1. Os ventos foram mais intensos na área
desmatada, principalmente durante o dia (06 às 18 HL), quando a diferença média entre
as localidades é próxima dos 2,3 m.s-1, o que corresponde a valores 41,26% mais altos.

O saldo de radiação se mostrou inferior em área desmatada, apresentando média de
91,23 W.m-2, contra 111,64 W.m-2 na floresta, sendo em média 20,41 W.m-2 menor
(10%). No entanto, esta situação não contribuiu significativamente na distribuição dos
fluxos de calor sensível e calor latente, uma vez que durante a estação chuvosa,
tipicamente H é maior na pastagem e LE é maior na floresta.
O fluxo de calor sensível apresentou média de 10,12 W.m-2 na floresta e 23,29 W.m-2 na
pastagem, apresentando-se, em média, 13,16 W.m-2 maior na área degradada, o que
corresponde a 39,41%. Entre 08 e 17 HL, a energia disponível convertida em
aquecimento do ar (H/Rn) em área de pastagem representou, em média, 23,04% de Rn,
contra apenas 11,18% na floresta.

75
O fluxo médio de LE na floresta foi de 71,07 W.m-2, e em área desmatada foi de 32,75
W.m-2, em média 36,7% inferior, ou seja, em torno de 38 W.m-2. A porcentagem da
energia disponível convertida em evaporação (LE/Rn) na área desmatada foi de apenas
31,6%, enquanto na área de floresta nativa foi de 54%.
A razão de Bowen (β) na área desmatada, entre 08 e 17 HL, foi quase 60% maior que na
floresta. Na pastagem, β médio foi bem maior (0,79), apresentando uma diferença de
0,59 entre os sítios.

76

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SOUZA, S. S.; LYRA, R. F. F.. Características observadas da termodinâmica da
camada limite atmosférica sobre Rondônia e suas relações com a substituição de áreas
de florestas naturais por pastagens: projeto RBLE . Revista Brasileira de
Meteorologia, v. 16, n. 2, p. 157-164, 2002.
STULL. R. B. An introduction to boundary layer meteorology. Dordrecht, Kluwer
Academic Publisher, 1988, 666p.
TOTA, J.; FISCH, G.. Modelo de estimativa de fluxo regional aplicado em áreas de
floresta e pastagem na Amazônia. In: Congresso Brasileiro de Meteorologia – I
Simpósio Brasileiro de Micrometeorologia, Brasília, 1998.
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166p. PhD thesis, Wageningen University, Wageningen, The Netherlands, 2007.
WEBLER, A. D.; AGUIAR, R. G.; AGUIAR, L. J. G.. Características da precipitação
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Natura, v. Especial, p. 55-58, 2007.
Site do projeto LBA, disponível em <lba.cptec.inpe.br/lba/site/> acessado em setembro
de 2009.

83
Anexo A- Fluxos diários de Rn, H e LE em áreas de floresta e pastagem.

Evolução horária dos fluxos saldo de radiação (linha vermelha), calor sensível (linha roxa) e
calor latente (linha verde), expressos em unidades de W.m-2 nos seguintes dias:

700
600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

700
600
500
400
300
200
100
0
-100

1

3

5

7

9

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

Rn JAR-02

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.1- Dia Juliano 36 (05/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

500
400
300
200
100
0

500
400
300
200
100
0

-100

-100
1

3

5

7

9

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

H JAR-02

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
Rn JAR-02

9

Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.2- Dia Juliano 38 (07/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

700
600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

700
600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

Rn JAR-02

H JAR-02

7

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
LE JAR-02

Rn FNS-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)
Figura A.3- Dia Juliano 42 (11/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

(b)

84
1000

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

1000
800
600
400
200
0

-200

800
600
400
200
0

-200
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

7

H JAR-02

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
Rn JAR-02

9

Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.4- Dia Juliano 46 (15/fev) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

1000

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

1000
800
600
400
200
0

800
600
400
200
0

-200

-200
1

3

5

7

9

1

3

5

7

Hora Local
Rn JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

11 13 15 17 19 21 23
H JAR-02

Hora Local
Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.5- Dia Juliano 66 (07/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
Rn JAR-02

7

LE JAR-02

Rn FNS-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)
Figura A.6- Dia Juliano 67 (08/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

(b)

85

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

400
300
200
100
0

400
300
200
100
0

-100

-100
1

3

5

7

9

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local
Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.7- Dia Juliano 71 (12/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local
Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.8- Dia Juliano 73 (14/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

900
700
500
300
100

900
700
500
300
100

-100

-100
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local

Hora Local
Rn JAR-02

7

LE JAR-02

Rn FNS-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)
Figura A.9- Dia Juliano 80 (21/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

(b)

86
600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local
Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.10- Dia Juliano 81 (22/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

600
500
400
300
200
100
0
-100

1

11 13 15 17 19 21 23

3

5

7

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

9 11 13 15 17 19 21 23
Hora Local

Rn FNS-02

LE JAR-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)

(b)

Figura A.11- Dia Juliano 83 (24/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

900
700
500
300
100

900
700
500
300
100

-100

-100
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

7

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local
LE JAR-02

Rn FNS-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)
Figura A.12- Dia Juliano 85 (26/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

(b)

87
700
600
500
400
300
200
100
0
-100

Fluxos (W.m-2)

Fluxos (W.m-2)

700
600
500
400
300
200
100
0
-100
1

3

5

7

9

11 13 15 17 19 21 23

1

3

5

Hora Local
Rn JAR-02

H JAR-02

7

9

11 13 15 17 19 21 23

Hora Local
LE JAR-02

Rn FNS-02

H FNS-02

LE FNS-02

(a)
Figura A.13- Dia Juliano 89 (30/mar) em área de Floresta (a) e Pastagem (b).

(b)

88
Anexo B – Imagens de satélite no canal IR
Imagens de satélite no canal IR para os dias estudados. A Área marcada em amarelo posiciona
a região de estudo.
Fonte: GIBBS/NOAA.

(a)
Figura B.1-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 36 (05/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)
Figura B.2-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 38 (07/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)
Figura B.3-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 42 (11/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

89

(a)
Figura B.4-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 46 (15/fev) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)

(b)

Figura B.5- Dia Juliano 66 (07/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a) e 11:00 (b).

(a)
Figura B.6-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 67 (08/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)
Figura B.7-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 71 (12/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

90

(a)
Figura B.8-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 73 (14/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)
Figura B.9-

(b)

(c)

(d)

Dia Juliano 80 (21/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura B.10- Dia Juliano 81 (22/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura B.11- Dia Juliano 83 (24/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

91

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura B.12- Dia Juliano 85 (26/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura B.13- Dia Juliano 89 (30/mar) nos seguintes horários locais: 08:00 (a), 11:00 (b), 14:00
(c) e 17:00 (d).

92
Anexo C- Campos de linhas de corrente e divergência em 925 hPa e em 200 hPa.

Campos de linhas de corrente e divergência em 925 hPa e 200 hPa para os dias estudados. As
linhas com setas representam a direção do escoamento e a área hachurada representa a
divergência (x10-4) em s-1.
Fonte de dados: NCEP/NCAR.

(a)
(b)
Figura C.1- Dia Juliano 36 (05/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.2- Dia Juliano 38 (07/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

93

(a)
(b)
Figura C.3- Dia Juliano 42 (11/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.4- Dia Juliano 46 (15/fev) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.5- Dia Juliano 66 (07/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

94

(a)
(b)
Figura C.6- Dia Juliano 67 (08/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.7- Dia Juliano 71 (12/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)

(b)

Figura C.8- Dia Juliano 73 (14/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

95

(a)
(b)
Figura C.9- Dia Juliano 80 (21/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.10- Dia Juliano 81 (22/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)

(b)

Figura C.11- Dia Juliano 83 (24/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

96

(a)
(b)
Figura C.12- Dia Juliano 85 (26/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

(a)
(b)
Figura C.13- Dia Juliano 89 (30/mar) no nível de 925 hPa (a) e 200 hPa (b).

97
Anexo D: Tabelas de variações horárias de Rn, H e LE.

Taxas de variação horárias do saldo de radiação (Rn) e de fluxos de calor sensível (H) e calor
latente (LE) para todos os horários entre 06 e 18 HL. Os valores estão expressos em W.m-2.h-1.

Tabela D.1- Taxas de variação horária do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de floresta de
05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
36

38

42

46

HL

05/fev

07/fev

11/fev

15/fev

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar 22/mar 24/mar 26/mar 30/mar

06-07

-0,51

9,35

9,02

23,45

23,02

-18,16

-5,07

4,77

-13,59

07-08

61,65

74,12

81,68

135,59

183,58

11,30

33,54

43,89

08-09

39,18

14,31

43,31

-2,14

206,44

31,09

36,74

39,35

09-10

154,53

56,95

162,45

162,84

108,66

98,79

126,55

72,22

10-11

-125,09

35,49

338,12

39,08

258,33

148,38

31,04

19,27

11-12

28,04

-26,99

-78,18

83,25

-160,01 243,34

12-13

123,32

82,95

-163,47 429,21

-10,13

13-14

-102,00

-28,89

-146,31 -567,07 170,88 -181,04

14-15

-4,49

111,59

269,69

154,54

15-16

66,23

105,40 -103,89 -162,33 -497,04

-17,59

16-17

-71,33

-90,96

-303,88

-71,02

2,46

17-18

-96,92

-236,00

-12,55

6,95

-54,50

66

67

71

73

80

81

83

85

89

4,57

2,07

10,77

123,66

56,69

66,18

135,88

52,34

142,30

109,06

32,73

74,86

257,16

151,19

91,78

-32,74

-39,17

119,09

173,27

212,60

20,19

114,85

102,55

50,07

-137,49 161,45

19,96

-51,66

288,07

-37,37

-18,32

-21,38

-328,37

81,00

33,22

-61,81

-28,05

22,95

48,67

34,60

-41,16

41,71

310,01

82,74

-26,78

102,37 -119,70

-48,07

148,14 -319,56

-38,65

22,93

4,58

90,39

-287,93

49,85

-378,80 -124,97

-140,97 -149,60

-7,92

-278,44

-94,75

-101,18

-80,44

25,61

-199,84 -231,03 -102,96 -115,84 -131,21

-67,49

-188,53

-42,25

-316,81

-32,39

-52,05

-12,11

Tabela D.2- Taxas de variação horária do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) em área de floresta de
05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
36

38

42

46

11/fev

15/fev

HL

05/fev 07/fev

06-07

-1,43

-2,86

-1,03

07-08

-3,80

6,35

-11,20

08-09

14,19

-0,62

09-10

39,50

-5,10

10-11

-24,88

1,55

120,76

78,29

11-12

-15,53

5,93

-26,00

-29,19

12-13

-59,02

5,86

-168,36

96,94

13-14

67,52

5,15

-80,71

-156,07

66

67

71

73

80

81

83

85

89

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar

22/mar 24/mar 26/mar

30/mar

-12,36

-1,59

-34,33

-27,53

-5,45

-0,03

2,31

-1,24

-1,36

-10,21

22,84

42,18

26,69

16,79

-23,23

18,71

4,04

1,62

62,69

9,79

20,66

-9,30

-12,34

35,13

14,51

-0,56

24,96

33,15

21,32

-56,71

0,72

65,81

15,48

39,87

-14,88

10,74

33,17

48,90

-14,30

-15,35

8,87

47,63

99,68

3,89

12,91

10,76

21,06

83,20

20,05

31,14

-10,06

-118,49

54,24

15,43

-61,03

56,10

-69,56

-71,89

33,21

25,44

-27,35

-12,87

-19,93

30,10

-139,57

136,06

39,65

18,39

40,99

93,74

-43,84

4,59

14,69

6,67

-129,14

-4,85

72,17

-1,80

14-15

1,40

-0,13

138,82

-1,58

-51,53

16,24

20,48

8,96

-26,53

5,89

27,90

-104,51

-70,72

15-16

37,01

32,79

-14,42

-3,76

3,84

35,00

1,44

16,88

38,87

-22,61

18,73

-71,43

17,31

16-17

-6,65

-3,27

-33,02

-4,28

-92,46

-57,14

-34,82

-3,62

-35,40

-20,51

1,31

-47,84

52,51

17-18

-38,02 -34,54

-10,11

-0,15

14,27

-13,36

-15,85

-13,46

-11,29

-8,98

-37,57

44,30

-104,35

98
Tabela D.3- Taxas de variação horária do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) em área de floresta de
05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

HL

05/fev 07/fev

11/fev

15/fev

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar 22/mar 24/mar 26/mar 30/mar

06-07

1,3

-0,27

2,44

-1,42

2,57

07-08

11,33

9,21

-2,88

72

97,44

18,74

08-09

4,22

21,26

81,42

-24,81

107,08

32,1

09-10

113,45 50,65

94,23

36,64

44,9

-18,52

10-11

-27,6

11,78

170,4

205,53

85,8

32,79

11-12

15,8

13,92

116,5

-189,4

17,5

183,52

4,68

1,03

-9,31

-0,43

14,08

-0,22

5,04

2,73

8,14

-6,25

50,88

19,58

-4,87

85,9

-4,45

17,36

43,81

82,85

25,87

80,84

15,96

128,62

45,76

38,55

111,6

74,17

-32,8

25,1

221,7

67,71

10

96,5

114,2

-33,04

78,7

-143,8

11,6

-91,62

124

-47,9

9,85

154,4

89,8

12-13

-21,93

40,7

-162,4

442,2

66,7

25,5

29,9

30,52

-316,9

163,5

3,47

-23,3

33,9

13-14

123,03

-12,4

-129,5

-276,7

132,1

0,6

-68,7

-1,53

152,7

-190,1

-13,73

64,8

17,1

14-15

-95,7

50,2

123,5

-193,19

-92,5

-2,6

38,5

37,35

-125,5

171,3

14,42

62,3

-191,2

15-16

86,2

127,7

-86,3

-9,84

-249

127,5

17,3

-20,01

41,5

-285,01 111,08 -393,24

126,6

16-17

-101,7

-93,9

-205,75

-90,75

-30,5

-286,4

-110,21

30,85

-90,3

-11,05

-17,3

-83,75

-16,8

17-18

-73,73 -155,3

37,08

35,55

-113,13

-91,47

-63,28

-31,89

-139,56

-34,83

-109,5

20,51

-175,98

Tabela D.4- Taxas de variação horária do saldo de radiação (∂Rn/∂t) em área de pastagem de
05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
HL

36

38

42

46

05/fev

07/fev

11/fev

15/fev

66

67

71

73

80

81

83

85

89

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar 22/mar 24/mar 26/mar 30/mar

06-07

-7,13

15,68

-8,32

5,33

21,08

-12,06

2,94

-23,92

4,39

9,07

12,08

-6,10

-1,89

07-08

93,21

116,16

57,35

139,73

179,45

10,07

16,76

198,84

93,79

62,45

87,44

95,84

162,67

08-09

99,22

22,95

207,05

49,09

187,19

11,01

43,41

224,72

59,79

137,01

14,56

54,78

196,29

09-10

400,76

77,64

-7,93

243,30

111,99

37,13

108,62

82,86

25,29

118,69

31,07

132,98 -144,77

10-11

-42,98

-8,94

213,84 -179,22

-41,83

52,44

62,91

-372,36

64,07

-32,77

-64,54

-216,72 195,26

11-12

-232,63 148,43

42,79

298,16

136,44

-61,63

199,88

131,39

-24,43

410,16

-24,27

235,71

12-13

-174,27 -123,26 -144,45 -197,39 -367,44

-1,88

-52,86

-93,03

65,71

205,01 -253,98

3,97

-235,47

13-14

-101,27

-22,12

273,88

378,40

349,70

103,39

23,08

-107,11 -108,49

-54,28

-119,89

42,61

85,29

14-15

123,84

61,71

-21,96

-269,58 -582,58

-64,44

59,52

-38,50

39,15

-108,69

50,43

106,45

-4,54

15-16

26,83

-103,54 -145,50

-119,16 138,13

136,68

-30,88

-75,05

-110,99

-71,81

-3,00

-125,93

16-17

-99,60

-56,34

-188,75 -281,59

-30,10

-353,48 -292,94

-29,53

-147,25 -100,02

-21,87

-28,23

-141,49

17-18

-80,10

-99,74

-256,52

-29,09

-68,57

-35,68

-153,58 -109,81

-72,75

-141,42 -263,38

248,31

-96,22
-61,18

-82,17

99
Tabela D.5- Taxas de variação horária do fluxo de calor sensível (∂H/∂t) em área de pastagem
de 05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
36

38

42

46

66

67

71

73

80

81

83

85

89

HL

05/fev 07/fev

11/fev

15/fev

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar 22/mar 24/mar 26/mar 30/mar

06-07

4,39

11,87

0,26

0,37

0,24

07-08

50,80

4,42

4,44

20,95

47,74

08-09

-27,91

8,03

51,52

13,22

54,52

09-10

74,52

22,26

-7,62

56,35

32,60

10-11

49,40

-18,02

58,10

-48,31

-13,40

11-12

-68,41

15,84

-8,15

78,42

12-13

-51,89

11,06

-27,68

13-14

-26,70 -14,78

62,63

14-15

14,15

34,05

3,90

15-16

7,32

-32,84

8,70

16-17

-15,80 -20,47

17-18

-16,40 -29,32

-0,30

0,45

-2,35

-4,33

0,29

3,70

0,29

-1,41

-1,98

2,07

55,48

15,26

10,26

10,90

20,04

52,11

-15,09

-3,83

51,07

20,84

37,39

0,76

3,42

31,24

13,31

33,62

-10,64

4,73

18,53

8,61

59,67

4,56

2,33

6,50

-86,28

14,32

-11,33

-4,74

-64,77

20,20

42,00

46,73

-2,31

82,76

68,78

55,46

27,52

-29,88

49,60

-5,40

-6,20

18,51

-8,94

9,95

-36,36

-10,00

-9,77

16,14

-7,40

79,00

-89,44

27,37

-3,88

-40,00

25,46

4,90

-15,75

-1,94

-38,80

-36,30

-4,77

-11,30

25,28

-30,26

6,10

-14,79

14,77

12,22

-9,80

-42,70

-65,01

14,96

55,04

-1,72

-52,23

-23,57

-13,13

17,93

19,80

-103,35

-110,42

-3,60

-122,74

-84,78

-20,01

-17,49

-38,96

-5,27

-2,76

-62,07

-15,47

-5,42

1,75

38,95

-9,55

-2,43

-41,39

-33,21

-10,60

-22,80

-44,10

Tabela D.6- Taxas de variação horária do fluxo de calor latente (∂LE/∂t) em área de pastagem
de 05/02 a 30/03/2002.
Dia Juliano/Data
36

38

42

46

05/fev

07/fev

11/fev

15/fev

06-07

-8,05

15,78

-1,58

-1,85

-0,32

0,71

1,14

-6,26

-1,49

0,16

6,35

-0,41

-8,98

07-08

45,75

-0,81

-1,58

8,05

42,75

31,41

7,12

50,38

5,90

5,23

1,33

14,76

53,19

08-09

-16,81

15,46

45,76

9,42

16,98

-18,87

-4,28

88,68

12,97

39,09

10,05

4,53

7,13

09-10

88,41

6,31

13,40

52,58

97,89

-8,93

2,68

56,30

20,67

35,93

-12,14

46,33

48,86

10-11

103,30

0,88

95,20

-46,82

-18,60

8,16

31,04

-79,90

8,84

-1,53

4,38

-6,59

48,50

11-12

-74,20

1,24

-13,90

170,32

69,70

5,01

1,22

-27,24

107,42

66,12

44,59

-34,02

48,10

12-13

-80,09

61,84

3,50

-139,04

20,00

34,13

7,80

-47,19

-16,60

-12,30

-35,63

-23,45

-18,70

13-14

-28,51

-30,58

54,00

133,34

6,50

23,46

-4,78

15,30

34,30

-1,40

-1,36

-0,94

-25,40

14-15

-13,92

0,81

41,10

-50,00

-118,70

46,02

48,49

-10,56

25,60

-12,20

17,57

8,63

-24,10

15-16

25,84

2,75

43,90

-3,90

-95,52

19,50

43,37

-21,33

-55,70

-13,70

-11,26

25,14

48,70

16-17

-3,85

-24,76

-151,70

-98,81

-28,81

-59,83

-51,84

-10,03

-30,90

-42,71

-4,53

-6,74

-72,60

17-18

-29,28

-24,13

-61,06

-31,80

16,67

-69,37

-87,48

-3,35

-75,27

-48,28

-12,34

-13,60

-70,08

HL

66

67

71

73

80

81

83

85

89

07/mar 08/mar 12/mar 14/mar 21/mar 22/mar 24/mar 26/mar 30/mar