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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA - MESTRADO
N° de ordem: MET-UFAL-MS/134
JACINTO GASPAR MANUEL POMBAL
VARIABILIDADE DA PRECIPITAÇÃO SOBRE A REGIÃO OCIDENTAL DO
OESTE DO SAHEL ASSOCIADA AO COMPORTAMENTO DA FRENTE
INTERTROPICAL- FIT
MACEIÓ – AL
2016
JACINTO GASPAR MANUEL POMBAL
VARIABILIDADE DA PRECIPITAÇÃO SOBRE A REGIÃO OCIDENTAL DO
OESTE DO SAHEL ASSOCIADA AO COMPORTAMENTO DA FRENTE
INTERTROPICAL- FIT
Dissertação submetida ao colegiado do
Curso
de
Pós-Graduação
em
Meteorologia da Universidade Federal de
Alagoas – UFAL, para obtenção do título
de Mestre em Meteorologia – área de
concentração em Processos de Superfície
Terrestre.
Orientadora: Prof;a Dra; Maria Luciene
Dias de Melo
Co-orientador: Prof; Dr. Luiz Carlos
Baldicero Molion
MACEIÓ – AL
Março, 2016
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Janaina Xisto de Barros Lima
P788v
Pombal, Jacinto Gaspar Manuel.
Variabilidade da precipitação sobre a região ocidental do oeste do Sahel
associada ao comportamento da frente intertropical - FIT / Jacinto Gaspar Manuel.
Manuel. – 2016.
71 f. : il. Orientadora: Maria Luciene Dias de Melo.
Coorientador: Luiz Carlos Baldicero Molion.
Dissertação (Mestrado em Meteorologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Ciências Atmosféricas. Programa de Pós-Graduação em Meteorologia.
Maceió, 2016.
Bibliografia: f. 70-71.
1. Precipitação (Meteorologia). 2. Variabilidade climática – Sahel, África.
3. Frente intertropical. I. Título.
CDU: 551.577.3 (6-15)
Dedico este trabalho em memória aos
meus Pais Gaspar Manuel Pombal e
Maria Jacinto Marcolino Pombal. À toda
a minha família, em especial a minha
esposa, Ana João José Fernandes.
Aos filhos Gaspar Fernandes Pombal e
Jacinto Manuel Lima Pombal. Aos
meus irmãos Rebeca, Francisco,
Carolina, Domingas, Álvaro, Maria,
Margarida, Augusto, Luiza, Lucy, Vivi e
N'gueve. Aos meus professores e
orientadores: Dra. Maria Luciene Dias
de Melo e Luiz Carlos Baldicero Molion.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a toda minha família, que com muito carinho e apoio não mediram
esforços e depositaram confiança para que eu chegasse até esta etapa de minha
vida.
Às Forças Armadas Angolanas em especial a Força Aérea Nacional Angolana
pelo apoio e incentivo dado durante todo o tempo da graduação e mestrado.
À Maria Rubinete da Silva Lima pelo que representou e representa em minha
vida durante este trajeto especialmente pelo companheirismo, apoio e carinho
recebidos;
Aos professores do Instituto de Ciências da Atmosfera da Universidade
Federal de Alagoas em particular à Dra. Maria Luciene Dias de Melo e ao Dr. Luiz
Carlos Baldicero Molion, pela paciência na orientação e incentivo no geral, que
tornaram possível o término deste trabalho.
Aos colegas João Maria de Sousa Afonso, Isidro Metódio Tuleni pelas ajudas
e sugestões.
Ao Sérgio Oliveira Bernardo e Alessandro Sarmento Cavalcante pelo o apoio
durante a elaboração do trabalho.
Ao professor Marco Antonio Maríngulo Lemes pelo incentivo e sugestões.
RESUMO
O objetivo deste estudo visa ampliar o conhecimento sobre o clima da África
Ocidental. Foram utilizados dados de reanálise do Environment Predicition/Nacional
Center for Atmospheric Research (NCPE/NCAR), disponíveis no site Earth Reserarch
Laboratory (ESRL) para avaliar a variabilidade da precipitação da região Ocidental do
Oeste do Sahel para o período 1948-2014. A precipitação média anual para estação
chuvosa que ocorre de julho-setembro foi 600mm. Constatou-se que o principal
mecanismo responsável pela produção das chuvas, naquela região é a Frente
Intertropical-FIT. Analisaram-se os campos de Pressão ao Nível Médio do Mar-PNM,
de Radiação de Ondas Longas-ROL e do Vento Meridional-VV para avaliar o
deslocamento latitudinal e longitudinal das altas subtropicais dos hemisférios, norte e
sul para identificar a cobertura de nuvens e atividade convectiva e determinar o
posicionamento e o comportamento da FIT. Além disso, utilizaram-se os índices da
Oscilação Multidecadal do Atlantico-OMA e da Oscilação Decadal do Pacífico-ODP
para identificar aspectos comuns capazes de produzir impactos no clima da região.
Constatou-se que os eventos La Niña em qualquer uma das fases frias da ODP
estiveram relacionadas com totais pluviométricos acima da média em quase toda a
faixa Ocidental incluindo a faixa do Sahel e abaixo da média ao longo da costa
ocidental. Verificou-se que a distribuição espacial dos desvios positivos da
precipitação associado aos eventos La niñas nas fases frias da ODP, se deslocaram
mais para norte acompanhando, o posicionamento da FIT. Enquanto os desvios
negativos da precipitação associado as La niñas na fase fria da ODP se deslocaram
mais para sul acompanhando, o posicionamento da FIT. Na comparação dos El niños
1972-73,1982-83,1987-88, e as La niñas 1954-55,1975-76 e 1988-89 ficou evidente
que os eventos El niños apresentaram uma redução das chuvas sugerindo que estes
influenciam os períodos longos e severos de seca na região.
Palavras chave: Variabilidade da precipitação no Sahel. Frente intertropical
ABSTRACT
The aim of this study is to increase knowledge of the climate Western Africa.
Reanalysis data were used the Environment Predicition / National Center for
Atmospheric Research (NCPE / NCAR), available on the website Earth Reserarch
Laboratory (ESRL) to evaluate the variability of precipitation western Sahel region for
the period 1948-2014. The average annual rainfall for the rainy season which occurs
from July to September was 600 mm. It was found that the main mechanism
responsible for the production of rainfall in the region is the Intertropical Front-FIT. It
were analyzed fields the Sea Level Pressure-SLP, the Longwave Radiation-ROL and
the Meridional Wind-VV to assess the latitudinal and longitudinal displacement of the
subtropical high of the hemispheres, north and south to identify cloudness and
convective activity and determine the location and behavior of ITF. In addition, they
used the indices of the Atlantic Multidecadal Oscillation-OMA and Decadal Oscillation
Pacific-ODP to identify commonalities capable of producing impacts on the climate in
region. It was found that the La Niña events in any of the cold phases of the ODP were
related to total rainfall above average in almost all western range including the Sahel
band and below the average over the western coast. It was found that the spatial
distribution of positive deviations precipitation events associated with La niñas cold
phases of ODP, moved further north following the positioning of the ITF. While
negative deviations from the associated rainfall La niñas warm phase in the ODP
moved further south following the positioning of the FIT. Comparing the El niños 197273,1982-83,1987-88, and La Niñas 1954-55 1975-76 and 1988-89 it became clear that
the events El niños showed a reduction in rainfall suggesting that these influence the
long and severe periods of drought in the region.
Keywords: Variability of rainfall in the Sahel. Intertropical front.
LISTA DAS FIGURAS
Figura 1 - Distribuição média temporal da pressão ao nível médio do mar.
São indicados os centros de alta (A) e baixa(B) pressão bem
como os ventos predominantes à superfície(setas) ............................ ....17
Figura 2 - Variações totais mensais da precipitação em (mm) com a latitude
e longitude. As linhas tracejadas indicam a superfície da
descontinuidade........................................................................................19
Figura 3 - Circulação do vento meridional nas duas estações em cima
verão e em baixo inverno..........................................................................22
Figura 4- Anomalias da TSM PNM nos extratrópicos em relação a) o índice
da ODP e (b) o índice CTI para o período de 1900-1992. Os tons de
cor representam a TSM e os contorno a PNM..........................................23
Figura 5 - Índice Oscilação Decadal do Pacífico.......................................................24
Figura 6 - Índice Oscilação Multidecal do Atlantico-OMA..........................................25
Figura 7 - Condições sobre o oceano Pacífico do El niño-Oscilação
Sul(ENOS).................................................................................................27
Figura 8 - Impacto do fenômeno El Niño em diversas partes do globo
para a) verão e b) inverno.........................................................................29
Figura 9 - Impacto do fenômeno La Niña em diversas partes do globo
para a) verão e b) inverno.........................................................................30
Figura 10 - Localização da área de estudo a) Continente Africano. b) Região
Ocidental do Oeste do Sahel.
para a) verão e b) inverno.........................................................................31
Figura 11 -Média anual da precipitação a) de julho-setembro e média mensal
da precipitação b) julho, c) agosto e d) setembro para o período
1948-2014.................................................................................................37
Figura 12 -Média anual da precipitação de julho-setembro para a) fase fria
1948-1976 b) fase quente 1976-1998 c) fase fria atual da ODP em
relação o período 1948-2014....................................................................38
Figura 13 -Média da Pressão ao Nível Mar referente ao deslocamento
latitudinal e longitudinal da AN e da AS para o período
1948-2014.................................................................................................39
Figura 14 -Média da Pressão ao Nível Mar. referente ao deslocamento
latitudinal e longitudinal da AN e da AS para fase fria 1948-1976............41
Figura 15 -Média da Pressão ao Nível Mar. referente ao deslocamento
latitudinal e longitudinal da AN e da AS para fase quente
1976-1998.................................................................................................43
Figura 16 -Média da Pressão ao Nível Mar. referente ao deslocamento
latitudinal e longitudinal da AN e da AS para fase fria atual
1998-2014.................................................................................................45
Figura 17 - Anomalias da Radiação de Ondas Longas para a fase quente
da ODP 1976-1998, durante o período de julho-setembro.......................46
Figura 18 - Anomalias da Radiação de Ondas Longas para a fase quente
da ODP 1998-2014, durante o período de julho-setembro.......................47
Figura 19 - Anomalias do Vento Meridional para o período 1948-2014,
durante a estação chuvosa julho-setembro...............................................48
Figura 20 - Anomalias do Vento Meridional para a fase fria 1948-1976,
durante a estação chuvosa de julho-setembro.........................................49
Figura 21 - Anomalias do Vento Meridional para a fase quente da ODP
1976-1998, durante a estação chuvosa de julho-setembro......................50
Figura 22 - Anomalias do Vento Meridional para a fase fria atual da ODP
1998-2014, durante a estação chuvosa de julho-setembro......................51
Figura 23 - a) Correlação entre a precipitação e ROL. b) Média de ROL
durante a fase quente 1976-1998 da ODP...............................................52
Figura 24 - a) Correlação entre a precipitação e ROL. b) gráfico de Hovmöller
para a radiação de ondas longas-ROL durante a fase fria atual
1998-2014 da ODP....................................................................................53
Figura 25 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
ODP com relação ao período 1948-2014 para a fase fria
1948-1976.................................................................................................54
Figura 26 -Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
ODP com relação ao período 1948-2014 para a quente
1976-1998...............................................................................................54
Figura 27 -Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
ODP com relação ao período 1948-2014 para a fase atual
1998-2014.................................................................................................55
Figura.28 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
da OMA com relação ao período 1948-2014 durante a Fase fria
1948-1976 da ODP...................................................................................56
Figura 29 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
da OMA com relação ao período 1948-2014 durante a Fase quente
1976-1998.................................................................................................57
Figura 30 -Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da
OMA com relação ao período 1948-2014 durante a Fase fria atual
1998-2014.................................................................................................57
Figura 31 -Desvios de precipitação julho-setembro com relação ao período
1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase fria 1948-1976 da ODP.....................................................59
Figura 32 -Desvios de precipitação julho-setembro com relação ao período
1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase quente 1976-1998 da ODP...............................................60
Figura 33 - Desvios de precipitação julho-setembro com relação ao período
1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase fria atual 1998-2014 da ODP.............................................61
Figura 34 -Desvios de precipitação a)1972-1973 b)1982-1983 c) 1986-1987
d) 1997-1998 de julho-setembro com relação ao período 1948-2014
associado aos El Niños de 1973, 1983, 1987 e 1997 respectivamente....63
Figura 35 -Evolução temporal dos El niños 1972-73, 1982-1983,1986-1987 e
1997-1998 na região El niño 3..............................................................63
Figura 36 -Desvios de precipitação a)1954-1955 b)1975-1976 c) 1988-1989
d) 1997-1998 de julho-setembro com relação ao período 1948-2014,
associado às La niñas de 1955,1975,e 1989 respectivamente................65
Figura 37 -Evolução temporal das La niñas 1954-1955, 1975-1976,e 19881989 na região El niño 3............................................................................65
Figura 38 -Totais Médios da precipitação nos anos dos eventos El niños na
região Ocidental do Oeste do Sahel..........................................................66
Figura 39 -Totais Médios da precipitação nos anos dos eventos LA niñas na
região Ocidental do Oeste do Sahel..........................................................67
LISTA DE ABREVIATURAS
ODP
Oscilação Decadal do Pacífico
PNM
Pressão ao Nível Médio do Mar
ROL
Radiação de Onda Longa
OMA
Oscilação Multidecadal do Atlântico Norte
PREC
Precipitação
VV
Vento Meridional
IME
Índice Multivariado ENOS
NCPE Nacional Centers Environment Predicition
NCAR
Nacional Center for Atmospheric Research
ESRL
Earth Reserarch Laboratory
GrRADS Grid Analysis and Dysplay Siystem
NOAA Nacional Oceanic & Atmospheric Administration
PSD Physical Sciences Division
ICOADS International Comprehensive Ocean-Atmosphere Data Set
FOE Funções Ortogonais empíricas
AST Alta Subtropical
CTI...Cold Tongue Índex
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO............................................................................................. ..14
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA....................................................................... 16
2.1
Padrões da circulação atmosférica das altas subtropicais sobre
o Atlântico............................................................................................................ ..16
2.2
Frente Intertropical-FIT...........................................................................
18
2.3
Radiação de Onda Longa-ROL...............................................................
20
2.4
Vento Meridional-VV.................................................................................. 21
2.5
Oscilação Decadal do Pacífico-ODP........................................................ 22
2.6
Oscilação Multidecadal do Atlântico-OMA.............................................. 25
2.7
El niño e La ninã/oscilação sul-ENOS...................................................... 27
3
MATERIAIS E MÉTODOS........................................................................... 31
3.1
Local de estudo .......................................................................................... 31
3.2
Dados utilizados.............................................................................................32
3.2.1 Dados de Precipitação-PREC.................................................................... 32
3.2.2 Dados de Pressão ao Nível médio do Mar-PNM...................................... 33
3.3. 3 Dados de Vento Meridional-VV................................................................. 33
3.2 4 Dados de Radiação de Onda Longa-ROL............................................
33
3.2.5 Índice de Oscilação Decadal Pacífico-ODP............................................. 33
3.2.6 Índice Multivariado ENOS-IME.................................................................. 34
3.2.7 Índice de Oscilação Multidecadal do Atlântico-OMA.............................. 34
3.3
Correlação.................................................................................................. 35
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................... 36
4.1
Climatologia da precipitação para o período da estação chuvosa de
julho-setembro............................................................................................ 36
4.1.1 Análise do Índice da Oscilação Decadal do Pacífico-ODP......................... 37
4.1.2 Pressão ao Nível Médio do Mar-PNM........................................................... 38
4.1.3 Radiação de Onda Longa-ROL..................................................................... 46
4.1.4 Vento Meridional-VV......................................................................................47
4.2
Análise de correlação................................................................................ 51
4.2.1 Correlação entre a PREC e a ROL.......................................................
51
4.2.2 - Correlação entre a PREC e o índice da ODP.......................................
53
4.2.3 Correlação entre a PREC e o índice da OMA........................................
55
4.3
Análise dos eventos El Niño e La Niña associados aos desvios da
precipitação de julho-setembro com relação ao período 1948-2014
durante as fases da ODP............................................................................ 58
4.3.1 El niño.......................................................................................................... 61
4.3.2 La niña......................................................................................................... 64
5
CONCLUSÕES............................................................................................ 68
REFERÊNCIA.............................................................................................. 70
15
1
INTRODUÇÃO
As mudanças climáticas são na atualidade um dos maiores desafios que o
mundo enfrenta diante aos processos de planejamento para o desenvolvimento
humano. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
-IPCC (2014), as alterações nos padrões de precipitação com ocorrência de
períodos de seca e enchentes em várias regiões do mundo, de forma intensa e
frequentes, indicam sinais de mudanças climáticas.
De acordo com o Índice de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas-CCERA
(2015) a região Ocidental do Oeste do Sahel é uma das regiões da África que mais
sofre os impactos das mudanças climáticas que inclui secas e enchentes. Estes
impactos nos padrões climáticos, afetam a disponibilidade de água, segurança
alimentar, produção agrícola, pesca, pecuária, saúde e infraestruturas, restringindo
de modo geral o desenvolvimento do continente africano.
Um exemplo do agravamento das mudanças climáticas foram as condições de
seca severa dos anos de 1970, 1972, 1977 e 1981 na região de Sahel, ocasionando
aproximadamente a morte de 80% do gado. Cerca de 725.000 e 348.500 pessoas
emigraram de Burkina Faso e Mali respectivamente, para a Costa do Marfim, como
resultado da falta de chuvas, Musk (1988).
Na região Ocidental do Oeste do Sahel a variabilidade climática exibe
características nítidas de chuvas extremas e de secas severas, envolvendo os dois
hemisférios (norte e sul). A precipitação apresenta-se com variações notáveis na sua
distribuição, pois os índices pluviométricos anuais decrescem do equador para os
trópicos, Diarra (1981).
Neste trabalho procura-se dar uma contribuição ao entendimento da
variabilidade da precipitação, associada a Frente Intertropical-FIT como sendo uma
das causas das anomalias de chuvas na região Ocidental do Oeste do Sahel ao
contrario, da Zona de Convergência Intertropical-ZCIT que em seu ciclo anual, se
movimenta meridionalmente entre 10°N e 3°S.
Através do estudo de variáveis meteorológicas tais como a Pressão à Nível
Médio do Mar-PNM), Radiação de Ondas Longas -ROL, Vento Meridional -VV e
Precipitação -PREC procura-se determinar o comportamento da FIT, na circulação
da atmosfera tropical daquela região. Partindo da hipótese de que anomalias na
Circulação Geral da Atmosfera provocam impactos nos climas regionais, procura-se
16
também identificar e avaliar períodos atípicos como os episódios El Niño e La Niña
considerado fenômenos de alta frequência, com relação a fases frias e quentes da
Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) e Oscilação Multidecadal Atlântico Norte
(OMA), estes últimos de baixa frequência, visando prever e melhorar os prognósticos
climáticos para as atividades humanas e ambientais.
Dados de
reanálise
do
Environment
Predicition/Nacional
Center
for
Atmospheric Research (NCPE/NCAR), disponíveis no site Earth Reserarch
Laboratory (ESRL) correspondentes ao período (1948-2014) foram utilizados para a
análise das variáveis meteorológicas e relacioná-los com a variabilidade da
precipitação associado ao comportamento da FIT. A exemplo, estabelecer-se-á uma
relação dos desvios de precipitação com eventos El Niño e La Niña intensos(fortes)
de julho à setembro, período que representa a estação chuvosa na maior parte da
extensão territorial da região Ocidental do Oeste do Sahel.
Nos capítulos 2 e 3 apresentam-se uma descrição da metodologia e materiais
utilizados das principais variáveis meteorológicas e índices climáticos que
influenciam na variabilidade da precipitação associada ao comportamento da FIT e
uma descrição geral dos fenômenos de escala interanual e interdecadal que
produzem chuvas e secas na escala regional e global. No capítulo 4 e 5 são
mostrados os resultados obtidos das analises e conclusões.
17
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1
Padrões de circulação atmosférica das altas subtropicais sobre o
Atlântico
No campo da pressão à superfície do globo constata-se muita das vezes a
presença de uma ou mais isóbaras fechadas, concêntricas ou não, delimitando uma
área aonde a pressão é maior ou menor que qualquer outro ponto à sua volta. Tais
núcleos de pressão mais elevada são denominados centros de alta pressão, centros
anticiclônicos ou simplesmente anticiclones. Os de menor pressão são chamados de
centros de baixa pressão, centros ciclônicos ou simplesmente ciclones (VarejãoSilva, 1999).
Dentro dos cinturões de alta pressão nos subtrópicos dos dois hemisférios,
células distintas são desenvolvidas ao longo dos oceanos, que se manifestam como
altas no campo de pressão à superfície e refletidos como anticiclones no fluxo
padrão da baixa troposfera também chamado de centros de ação ou simplesmente
de altas subtropicais (Hastenrath, 1991). As altas subtropicais (AST) são de núcleo
quente e mantém circulações fechadas em todos os níveis, podendo se estender até
a alta troposfera. No hemisfério norte localizam-se as (AST) do Atlântico Norte e as
do Pacífico norte em torno de 300N. No hemisfério sul localizam-se as (AST) do
Atlântico Sul, do Pacífico sul e do Índico sul próximo de 250S (ver Figura 1 ).
As (AST) estão intimamente ligadas às estruturas da circulação geral da
atmosfera sofrendo variações de intensidade e de posição, exercendo influência
sobre o tempo e clima regionais. Segundo Flohn (1981) a redução do gradiente de
temperatura (pressão) Equador-Polo, deslocaria os centros das (AST), ramos
descendentes das Células de Hadley, em direção aos polos. Deste modo, as trilhas
dos ciclones extratropicais (“storm tracks”) e os jatos subtropical e polar se
deslocariam mais para o lado polar mudando a distribuição espacial da precipitação
pluvial.
18
Figura 1 - Distribuição média temporal da pressão ao nível médio do mar. São
indicados os centros de alta (A) e baixa(B) pressão bem como os ventos
predominantes à superfície(setas)
Fonte: VAREJÃO-SILVA, 1999.
Teissereng de Bort (1883) citado por Davis et al. (1997) foi o primeiro que
identificou e definiu o comportamento do ciclo anual das (AST) a partir de mapas
mensais da pressão média ao nível do mar-PNM. Rawson (1908) analisou o
movimento destes centros de pressão, através de cartas sinópticas diárias durante
um período de 66 anos entre 1841 e 1906, elaboradas para a África de Sul (Cape
Town e Durban). Ele observou que o movimento das (AST) é caracterizado por uma
oscilação cíclica latitudinal que ocorre tanto no sul quanto à norte do equador.
Segundo o autor esta oscilação cíclica latitudinal, indica a existência de uma
variabilidade interdecadal na posição geográfica das (AST) do Atlântico. Mostrou
ainda que as (AST) seguem a marcha aparente do sol com as mudanças da
declinação solar, complementando assim um ciclo de 19 anos ou seja 9,5 anos de
deslocamento entre sua posição extrema norte e extrema sul.
Russuell (1902) e Lyons (1905) associaram a oscilação cíclica das (AST com
o período de ocorrências de secas e enchentes de lagos e rios sobre a América do
Sul e Austrália e sobre a África Central. Hastenrath (1991) a partir de estudos
anteriores (1967a) sobre a América Central, Caribe e África subsaariana, onde
chuvas abundantes ocorrem entre maio e Junho e de forma abrupta mais seco entre
julho e agosto. Ele observou que nestas regiões a distribuição espacial da
19
precipitação pluvial associada ao deslocamento das (AST), apresenta uma
progressão menos acentuada para o norte do que para sul, durante a passagem do
inverno para o verão.
De acordo com Molion et al, (2004) uma possível causa da variabilidade dos
centros das altas subtropicais seria a oscilação decadal do Pacífico-ODP
ocasionado pelas teleconexões, considerando que o oceano Pacífico ocupa um
terço da superfície terrestre e que a temperatura da superfície do mar-TSM é
condição de contorno inferior mais importante para atmosfera
Por exemplo, quando ocorreu uma das maiores mudanças de fase da ODP,
em julho de 1976, o sistema de baixa pressão das Aleutas (Pacífico Norte) se
intensificou e se deslocou para leste. Concomitantemente, as TSM tornaram-se mais
baixas no Pacífico Central Norte e mais quentes no Pacífico Leste. O Pacífico
Equatorial passou do evento La Niña mais intenso dos últimos 50 anos para um
evento El Niño. Precipitação, cobertura de neve e descarga de rios decresceram no
noroeste da América do Norte e cresceram no sul dos Estados Unidos e Norte do
México.
2.2
Frente Intertropical-FIT.
No contato entre duas massas de ar de regiões de origem diferentes, forma-
se uma superfície de descontinuidade, conhecida como superfície frontal. Essa
descontinuidade é uma zona de transição, estreita e inclinada, na qual os elementos
meteorológicos como pressão, temperatura, vento e umidade variam abruptamente.
A linha ou zona de contato da superfície frontal com a superfície do solo, ou
qualquer outro plano horizontal, é chamada de Frente .
Durante algum tempo não foram encontradas, referências a respeito de
superfícies de descontinuidade na literatura sobre a circulação tropical africana
dentre elas :" Air- France´s Climatology of Africa (1963)", "Thompson's atlas The
Climate of Africa (1965)" e Africa in the World Survey of Climatology from
Griffiths (1972b). De acordo com Leroux (1983) a Frente Intertropical-FIT chamada
por Front Intertropical em francês, é uma superfície de descontinuidade que afigurase somente em partes da África, rotulada como Intertropical Front (ITF), Monsoon
Front (MF), Intertropical Convergence (ITC), Surface Discontinuity (SD), Inertropical
Convergence Zone (ITCZ), Intertropical Discontinuity (ITD) ,etc ( ver Figura 2 ).
20
Segundo Hastenrath (1991) as primeiras tentativas de interpretação de
evidência da FIT reside ao grande mérito das escolas britânicas e francesas de
meteorologia. Deste modo, os meteorologistas britânicos e franceses entre eles
(Hamilton e Archbold, 1945); (Walker, 1957); (Clackson, 1960;) (Dettwiller, 1965;)
(Sansom, 1965;) (Anonymous, 1967;) (Germain, 1968).sugeriram que a FIT forma-se
do contraste pronunciado entre as propriedades do ar em ambos os lados da
descontinuidade, associada ao deslocamento latitudinal de sua posição em direção
aos polos, no decurso do ano sobre o oeste de África.
Figura 2 - Variações totais mensais da precipitação em (mm) com a latitude e
longitude. As linhas tracejadas indicam a superfície da descontinuidade.
Fonte: DETTWILLER, 1965.
Musk (1988) analisou a estação chuvosa de julho-setembro no Oeste de
África observou que o ciclo anual de precipitação na região é o resultado do avanço
sazonal para norte da descontinuidade intertropical devido ao escoamento equatorial
quente, úmido e instável de sudoeste que se desloca para norte através do oeste da
África, de março a julho (ver Fig. 15.3). que é profunda sobre o Golfo da Guiné/costa
do Atlântico, mas mais rara ao norte, sobreposta por ventos continentais secos de
do Saara de nordeste para sudoeste, produzindo sérias consequências climáticas
como secas e enchentes..
Recentemente Molion e Lúcio (2013) analisaram a relação entre a ODP,
ENOS e FIT no Shael na África e definiram a FIT como uma descontinuidade
21
originada pela convergência de duas massas de ar sobre o norte do Continente
Africano, normalmente confundida com a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Observaram ainda que as características da ZCIT sobre o Atlântico Leste e da FIT
sobre o Continente Africano diferem consideravelmente, pois sua gênese é distinta.
A ZCIT é formada pela convergência dos ventos Alísios de nordeste e de
sudeste, massas de ar quentes e úmidas, que escoam dos anticiclones subtropicais
sobre o Atlântico em direção às latitudes equatoriais em ambos os hemisférios. Em
seu ciclo anual, a ZCIT se movimenta meridionalmente, aproximadamente entre
10°N e 3°S. Por outro lado, a FIT é resultante da convergência do escoamento de
uma massa de ar seco do anticiclone do Norte da África com o escoamento de
massa de ar úmida de sudoeste que se origina no anticiclone do Atlântico Sul.
2.3
Radiação de Onda Longa-ROL
A radiação solar incidente (Radiação de Ondas curtas-ROC) e a radiação
emitida pela superfície para o espaço exterior (Radiação de Onda Longa-ROL)
desempenham importante papel na determinação do equilíbrio energético global do
planeta. A ROL através de transferência de calor latente e calor sensível determina a
quantidade de fluxo de energia disponível para evaporação da água da superfície e
para o aumento ou diminuição da temperatura da superfície. O saldo de radiação em
superfície é uma condição necessária para do compreensão dos climas global e
regional.
Nas regiões tropicais o saldo de radiação pode mudar devido às mudanças
sazonais da precipitação, mesmo quando a temperatura e a insolação mantém-se
relativamente constantes. A variação anual do saldo de radiação geralmente segue
a insolação, dependendo da latitude, das condições do céu e do albedo da
superfície. Durante o verão pode atingir valores com picos aproximando-se aos 200
Wm-2 sobre os continentes e 300 Wm-2 sobre superfícies de água Hartamnn (1994) .
Segundo Bomventi et al (2006) citando (Lau et al., 1997) e (Dutton et al.,
2000) para as regiões tropicais baixos valores de ROL registrados por satélite no
topo da atmosfera terrestre, são utilizados para caracterizar regiões de convecção
profunda, enquanto que em latitudes médias, valores similares de ROL podem
representar nuvens do tipo Stratus e que a convecção tropical, geralmente
corresponde uma região de ROL abaixo de 240 Wm-2.
22
Molion e Bernardo (2002), analisaram as diferenças das anomalias de ROL
entre janeiro de 1998 (El Niño) e janeiro de 2000 (La Niña) e notaram que existem
diferenças superiores a 120 Wm-2 e em uma grande extensão do Pacífico as
diferenças foram superiores a 40 Wm-2. As anomalias negativas (menor perda)
ocorrem devido à intensificação do efeito-estufa sobre o Pacífico durante os El
Niños, em função da maior concentração de vapor d´água (umidade), o principal gás
de efeito-estufa, nos níveis inferiores da troposfera (camada limite) e uma maior
cobertura de nuvens sobre a região de águas anomalamente quentes. Durante os La
Niñas, ocorre o contrário, e o efeito-estufa se enfraquece, fazendo com que a região
de águas frias perca mais ROL.
2.4
Vento Meridional-VV
Na atmosfera são obsevados vários fenômenos meteorológicos de pequena e
grande escalas espacial e de tempo tais como turbulência, convecção-cúmulo,
perturbações nos movimentos do ar que transportam calor e umidade dos trópicos
para às regiões polares e vice-versa. Na atmosfera tropical a componente meridional
do vento é a responsável pelos movimentos verticais do ar que escoa entre os
anticiclones subtropicais e as células de Hadley nos dois hemisférios.
O ar que flui para norte é mais quente do que o ar que fui para sul, de modo
que a média em torno da longitude dado pelo produto meridional da velocidade e
temperatura é positivo, mesmo que a média do vento meridional seja zero. Isto é
caracterizado pelo transporte de energia cinética disponível para os extratrópicos
através da célula de Hadley dentro dos trópicos em direção aos polos
(Hartamnn,1994).
Durante o verão no hemisfério norte a geração de energia cinética é menor,
tornando muito mais fraca a circulação de Hadley que é compensado pela
dissipação dentro dos trópicos e ao mesmo tempo no hemisfério sul ela se
desenvolve mais vigorosamente e estende-se até o norte. No inverno do hemisfério
norte um superávit substancial de energia cinética disponível é gerado e circulação
de Hadley se torna mais intensa e se estende em direção ao sul e
concomitantemente no hemisfério sul ela se torna mais fraca, Hastenrath (1991),
(ver figura.3).-.
23
Figura 3 - Mostra a circulação do vento meridional nas duas estações em cima verão e
em baixo inverno.
Fonte NEWELL et al,(1972,1974).
Desbois et al (1984) citado por Hastenrath (1991), avaliou observações
efetuadas por satélite e aeronaves em agosto de 1979, e verificou que a progressão
das chuvas confinadas ao Sul da descontinuidade, que se estende a partir da costa
do Golfo da Guiné para o leste, no interior do continente em direção ao hemisfério
norte, é consistente com a circulação meridional dos ventos. Ou seja coincide com o
chamado esquema de análise dos ventos de Hartamnn.
2.5
Oscilação Decadal do Pacífico-ODP
As flutuações recorrentes de padrões climáticos tais como a TSM que
configuram amplamente sinais da variabilidade climática no oceano Pacífico, foram
designadas de modo geral de Oscilação Interdecadal do Pacífico-ODP incluindo o
pacífico tropical (Hare, 1994). Vários estudos relacionaram as flutuações da TSM do
oceano Pacífico com o ciclo de produção da pesca do salmão. Notou-se que a
pesca do salmão, ora abundante no Golfo do Alasca e míngua no Noroeste do
Pacífico. coincidia com a disseminação da ODP.
Zhang (1996) com base na série climatológica histórica 1900-93 demonstrou
que a ODP é um índice derivado das análises EOFs da TSM com anomalias
positivas e negativa e de frequência interdecadal (várias décadas). Mantua et al.
24
(1997) descreveram a ODP como o modo principal da variabilidade da TSM cuja
polaridade positiva (negativa) coincide com a fase quente (fria) do ENOS
respectivamente, estendendo-se por um ciclo de 50 à 70 anos e duração entre 25 e
30 anos por cada uma das suas fases. Na fase fria (quente) da ODP as anomalias
negativas (positivas) da TSM prevalecem sobre Pacífico Tropical e ao longo da
costa das Américas e as anomalias positivas (negativas) nos extratrópicos,
resultando em águas frias (quentes) nas referidas regiões (ver figura 4).
Figura 4 - Mostra as anomalias da TSM E PNM nos extratrópicos em relação a) o
índice da ODP e (b) o índice CTI para o período de 1900-1992. Os tons de
cor representam a TSM e os contorno a PNM.
Fonte:COADS .
A reconstrução da série histórica da TSM pelo Meteorological Office Historical SST
Dataset (HSSTD), fornecida pela the Climatic Research Unit, University of East
Anglia citado por Folland (1990) e Parker (1995),.identificou três períodos de
reversão do clima: 1925-1946, 1947-1976 e 1977-1998 correspondendo as fases
quente, fria e quente da ODP respectivamente. Atualmente, o período 1998-presente
uma nova fase fria dá sinais de evidências, conforme o gráfico do índice-ODP
exibido na (Figura 5).
25
Figura 5 - Gráfico do Índice Oscilação decadal do Pacífico
Fonte: Dados ERSL/NOAA/PSD, 2015.
Molion e Lúcio (2005). denotaram o papel da condição do oceano Pacífico e a
ODP como uns dos principais controladores climáticos afeto ao clima global e
regional. Analisaram os impactos da ODP sobre o clima do Sahel e observaram que
os eventos El Niño da fase quente, estiveram associados a desvios negativos de
precipitação, em toda África Equatorial e Sahel durante a estação chuvosa de julho a
setembro. Em contraste, nos El Niños da fase fria, os desvios foram positivos na
África Ocidental, ao longo da costa do Golfo da Guiné, e negativos na África
Oriental.
Molion et al e Kalnay et al (2004,1996), constataram que a aproximação
(afastamento) da (AST) do hemisfério sul em direção ao equador, durante a fase fria
1948-1976 e fase quente (1976-1998) da ODP, propiciou com que a (FIT) sobre o
Continente Africano, se deslocasse mais para o norte (sul) de sua posição normal,
resultando num deslocamento da borda do Deserto do Sahara para o norte (sul) e
expansão do Sahel respectivamente. Países, como Burkina Faso, Chad, Niger,
Eritréa, Mauritânia e Sudão, tiveram terras agricultáveis parcialmente tomadas pela
expansão do Deserto.
26
2.6
Oscilação Multidecadal do Atlântico-OMA
A oscilação multidecadal do Atlântico-OMA é uma corrente oceânica que é
pensado para afetar a TSM do Atlântico Norte com base em diferentes modos de
escala de tempo multidecadais (Oldenborgh et al,2009). Em outras palavras a OMA
é a variabilidade natural temporal de certa forma hipotética da TSM do Atlântico
Norte num intervalo de 5 a 8 décadas. Segundo Enfield et al, (2001) a OMA foi
identicado por Schlesinger e Ramankutty (1994) ao analisarem o registro das
obsevações da TSM do Atlântico entre 1856 e 1999. em que foram detectados cíclos
de fases quentes, ocorridos entre 1860-1880 e 1940-1960 e fases frias entre 19051925 e 1970-1990.
Segundo Sequeira (2012) o índice OMA é calculado levando em consideração
as anomalias da região norte do Atlântico e a região do Golfo do México. Após o
cálculo inicial entre 00 e 700 N é feita a padronização, usando a climatologia
interpolado em grade 50 x 50 desde 1856 (ver Figura.6).
Figura.6 - .Gráfico do Índice Oscilação Multidecal do Atlantico-OMA
Fonte:ERSL/NOAA/PSD, 2015.
27
A OMA afeta padrões de chuva e da temperatura do ar sobre grande parte do
hemisfério norte, América do Norte, Europa, Nordeste do Brasil e Sahel na África, ao
qual há indicios de sua influência na ocorrência de grandes secas e furações
Trenberth (2005). Estudos Paleoclimatológicos ao longo dos últimos 3.000 anos
confirmaram que a precipitação aumentou na fase quente e diminuiu na fase fria
OMA (Shanahan et al, 2009). De acordo com Kerr (2000) as fases frias e quentes da
OMA, possuem entre 20-40 anos de duração. Na fase quente da OMA as
ocorrências de secas tendem a ser mais frequentes ou prolongadas, à exemplo das
que ocorreram entre 1925 e 1965 no Centro Oeste e Sudoeste dos EUA e Shael
citadas por Knight et al (2005), Follander et al (1986); Rowell et al (1995)
respectivamente.
O Nacional Climatic Data Center/Nacional Oceanic and Atmospheric
Administration-NCDC/NOAA (2006) divulgou um estudo onde associava a
intensidade e frequência de furacões no Golfo do México com a variabilidade
temporal da TSM no Atlântico e mostrou que, durante a fase positiva(negativa) da
OMA,
houve
uma
tendência
de
aumento
(diminuação)
e
intensificação
(enfraquecimento) dos furacões no Golfo do México. Como exemplo, a temporada
de 2005, que apresentou mais de 25 furacões registrados. Convém comentar que
neste período com intensificação dos Alísios, houve uma mudança de El Niño para
La Niña no segundo semestre de 2005.
Dima e Lohmam (2007) propuseram um mecanismo determinístico baseado
na interação entre o oceano, atmosfera e o gelo no mar para demonstrar periocidade
e previsão de mudanças da OMA com base em uma análise de 70 anos de dados
observados. Notaram que as variações da circulação termohalina refletia nas
anomalias da TSM do Atlântico Norte, através de pradrões da PNM no hemisfério
norte que é amplificada por conexões oceano-atmosfera com Pacífico Norte. O
padrão da PNM e ventos associados induzem mudanças no gelo e salinidade do
mar assim como nos fluxo de água doce, modicando a circulação oceânica de
grande escala e gerando anomalias na TSM do Atlântico norte.
Molion (2005) relacionou os efeitos da OMA durante a fase fria (quente) da
ODP, as águas do Golfo do México tenderam a ficar mais quentes (frias), o que por
sua vez, possívelmente aumentou (diminuiu) a frequência de furacões nessa região.
Segundo o autor, os Alísios mais intensos (fracos) durante a fase fria (quente)
transportam águas mais (menos) quente para o Golfo.
28
2.7
El Niño e La Niña/oscilação sul-ENOS
O El Niño(La Niña)-Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno físico decorrente
da interação das camadas superiores do Oceano Pacífico Equatorial com a
atmosfera Tropical através de troca de calor latente e calor sensível. A componente
oceânica, o El Niño(La Niña) é caracterizada pelo aquecimento(resfriamento) das
águas superficiais do Pacífico. Os ventos alísios sopram de leste para oeste na faixa
equatorial, transportando a água superficial da costa oeste da América do Sul para
oeste, resultando uma concentração de água mais quente na costa da Austrália e
uma ressurgência das águas mais profundas e frias na costa do Peru. isso faz com
que a termoclina se aprofunde na parte ocidental do Pacífico e a isoterma de 20 0
chegue à cerca de 200m a 250m de profundidade. A componente atmosférica, a
Oscilação Sul, consiste em flutuações nos campos de pressão entre o Pacífico
Ocidental(baixa pressão) e o Pacífico Oriental(alta pressão). Foram escolhidas, e
utilizadas como referencia nos estudos de clima, as estações de Tahiti(17,5 0S;
149,60W), na Polinésia Francesa, e a de Darwin (124 0S; 130,90W), na Austrália
(Molion,1992). Na figura 8 mostram-se as condições dos eventos El Niño e La Niña
sobre o oceano Pacífico.
Figura 7 - Condições sobre o oceano Pacífico dos El niño-Oscilação Sul (ENOS)
a)
b)
c)
Fonte Pacific Marine Enviromental Laboratory-PMEL/NOAA, 2015
Segundo Bernardo (1999), em 1920, o meteorologista inglês Gilbert Walker
forneceu as primeiras pistas sobre as anomalias climáticas ligadas às diferenças de
29
PNM registradas entre essas duas estações, que ocorriam como uma gangorra
barométrica gigante, de tal forma que quando a PNM era baixa no Pacífico
Ocidental, era alta no Pacífico Oriental e vice-versa. A circulação associada a essas
oscilações de PNM, na direção leste-oeste, passou a ser conhecida como célula de
Walker. Para quantificar as oscilações de PNM definiu-se um índice, denominado
Índice de Oscilação Sul (IOS), correspondente à diferença de PNM normalizada
entre essas duas estações. Deste modo o IOS é negativo quando a PNM está
abaixo da normal em Taiti e acima da normal em Darwin e positivo quando ocorre o
inverso. O fenômeno El Niño (fase quente) é repetitivo, não cíclo, ocorrendo em
intervalos de três a sete anos, quando as TSM permanecem altas, e o IOS negativo,
durante um período de seis a dezoito meses.
Hastenrath e Greischar citados por Aragão (1990) observaram que
normalmente, as temperaturas da superfície do mar (TSM) são mais quentes na
parte Ocidental e mais frias na parte Oriental do Pacífico Equatorial. Este gradiente
leste-oeste de TSM é mantido pelos ventos alísios. Na região de águas mais
quentes, há muita chuva e na região de águas frias praticamente não chove
(chamados desertos oceânicos). Quando há um enfraquecimento dos ventos alísios,
o gradiente de TSM não mais pode ser mantido e as águas tornam-se mais quentes
no Pacífico Central e Oriental. A região de máxima pluviometria no Pacífico
Ocidental, desloca-se para o Pacífico Central. Tal deslocamento provoca uma
mudança no regime de ventos, causando um enfraquecimento ainda maior dos
ventos alísios. Isso, por sua vez, ocasiona um aquecimento adicional das águas,
com consequente deslocamento mais para leste da região de intensa chuvas e
assim sucessivamente, completando o ciclo.
O fenômeno EL NIÑO desencadeiam mudanças na circulação geral da
atmosfera
e
consequentemente
provocam
adversidades
climáticas
(secas,
enchentes, temperaturas altas, etc.) em diversas regiões continentais ao redor do
globo.
30
Figura 8 - Impacto do fenômeno El Niño em diversas partes do globo para a) verão e
b) inverno.
a)
b)
Fonte: NCEP/NOAA/EUA, 2015
O impacto do El Niño nas regiões da África Equatorial apresentam-se com
moderado aumento das temperaturas médias. Não há um padrão característico de
mudança de chuvas, definindo períodos chuvosos. Na região sudeste da África o
fenômeno El Niño provoca secas de moderadas a intensas durante estação
chuvosa, caracterizando períodos secos e quentes. Embora existam diferenças sub-
31
regionais, as comparações históricas mostram que as necessidades humanitárias
globais na região são mais elevados em anos de El Niño do que em anos de La
Niña. Segundo a Emergency Events Database-(EM-DAT), em 1988 inundações
afetaram 2,5 milhões de pessoas e a seca em 1999 afetou 31,5 milhões de pessoas
foram ambos, anos associados com um evento La Niña seguido de um evento El
Niño.
Figura 9 - Impacto do fenômeno La Niña em diversas partes do globo para a) verão e
b) inverno.
a)
b)
Fonte: NCEP/NOAA/EUA (2015)
32
3
MATERIAIS E MÉTODOS.
3.1
Região de estudo
A região Ocidental do Oeste do Sahel constitui a área de estudo delimitada
entre 100S;250N e 200W;200E (Figura 10), fica localizada na parte Ocidental do
Continente Africano, situada em ambos hemisférios (norte e sul). Com relevo
relativamente uniforme e florestas tropicais (parte sul) e deserto (parte norte), está
inserida nos países da costa Oriental do Oceano Atlântico e alguns que partilham a
faixa ocidental do deserto do Saara, tais como a Mauritânia, Cabo Verde, Senegal,
Gambia, Guiné Bissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Mali, Costa do Marfim, Gana,
Benini, Burkina Faso, Niger, Oeste do Chade, Nigéria, Camarões, Congo
Democrático, Gabão, Oeste da República do Congo e Norte de Angola.
Figura 10 - Localização da área de estudo a) Continente Africano. b) Região do
Ocidental Oeste do Sahel.
c)
Fonte: a) http://www.suapesquisa.com/mapas/mapa_africa, 2015.
b)
b) Autor, 2015
Variações dos regimes pluviométricos na região Ocidental do Oeste do Sahel,
tanto nos totais anuais quanto na distribuição sazonal, conferem zonas climáticas
distintas: clima equatorial, tropical e desértico. Sobre a faixa da costa ocidental e do
Golfo da Guiné até à sul de Camarões, a região recebe um total pluviométrico médio
33
em torno de 550-600mm enquanto a faixa equatorial até o norte de Angola, o total
médio varia entre 150-200mm e na faixa norte, o total médio é inferior à 100mm.
3.2
Dados utilizados
No presente capitulo é feita a descrição dos dados e técnicas utilizados para
análise das composições de séries temporais das variáveis meteorológicas e índices
climáticos, agrupados em três períodos distintos: período de estudo (1948-2014);
período da fase fria da ODP (1948-1976); período da fase quente da ODP (19761988); período da fase fria atual da ODP (1988-2014); período dos eventos El niños
(1973, 1983, 1987 e 1997) e período dos eventos La Niñas (1955, 1975 e 1989).
Foram utilizados médias mensais e anuais da PNM, ROL, VV, PREC e os
índices IME, ODP, e OMA, obtidos a partir do banco de dados de reanálises do
Environment Predicition/Nacional Center for Atmospheric Research-NCPE/NCAR,
reconstruídos por Kalnay et al (1996) no projeto reanálise 40 anos. A grade de
resolução de cobertura espacial é de 2,5º x 2,5º de latitude e longitude com escala
temporal compreendido desde primeiro de janeiro de 1948 até o presente,
disponíveis no site esrl.psd.data@noaa.gov do Earth Reserarch Laboratory –ESRL.
Os dados utilizados foram extraídos a partir do Grid Analysis and Dysplay
Siystem-GrRADS onde foi gerado a configuração de composições das médias,
anomalias e correlações das variáveis meteorológicas e índices climáticos para os
meses de julho-setembro. O método de análise, interpretação dos dados utilizado foi
o de comparação visual entre os campos meteorológicos e os índices climáticos
3.2.1 Dados de Precipitação-PREC
Os dados de PREC são provenientes da Global Precipitation Climatology
Centre (GPCC), versão 6.0, obtidos a partir de estações observacionais de
superfície em continentes e oceanos, desde primeiro de janeiro de 1901 com
resolução espacial de 2,5º x 2,5º de latitude e longitude (Schneider et al, 2011). O
campo
de
PREC
foi
utilizado
para
determinar
secas/tempestades e a variabilidade anual das chuvas.
eventos
extremos
como
34
3.2.2 Dados de Pressão ao Nível Médio do Mar-PNM.
O campo de PNM foi utilizado para estimar as coordenadas geográficas da
posição média, o deslocamento latitudinal e longitudinal dos centros AST do
Atlântico Norte e Atlântico Sul baseado no esquema de Hastenrath (1991).
3.2.3 Dados de Vento Meridional-VV.
O campo do VV foi utilizado para determinar o posicionamento e
deslocamento da FIT. Os dados de VV são medidos em m/s, com escala temporal
compreendida desde primeiro de janeiro de 1948 até o presente.
3.2.4 Dados de Radiação de Onda Longa-ROL
O campo da ROL foi utilizado para identificar as regiões de convecção
profunda e da nebulosidade associadas aos desvios da precipitação. O período dos
dados é compreendido desde de junho de 1974 a dezembro de 2013 captado a
partir do satélite de orbita polar da NOAA. (Liebmann & Smith, 1996).
3.2.5 Índice da Oscilação Decadal do Pacífico ODP
Os índices climáticos são utilizados para descrever o estado e as mudanças
que se produzem nos sistemas climáticos e são frequentemente usados para
realizar análises estatísticas tais como a comparação de series temporais,
estimativas de médias e a identificação de valores extremos e tendências (Milán,
2015).
Neste trabalho índice-ODP foi utilizado para verificar o impacto ou
interferência da ODP sobre a variabilidade da precipitação na região Ocidental do
Oeste do Sahel em cada uma das suas fases (quente e fria). O Índice-ODP foi
calculado por meio da Análise da Componente Principal (ACP), usando dados das
anomalias mensais da TSM do Pacífico (Mantua, 1999). Os valores padronizados
para o índice-ODP compreendidos desde 1900 até o presente são atualizados
periodicamente e estão disponíveis no banco de dados da NOAA/ESRL/PSD e
podem ser acessados através do site http://www.ncdc.noaa.gov/teleconnections/pdo.
35
3.2.6 Índice Multivariado ENOS-IME.
O Índice Multivariado ENOS - IME abreviado por (MEI) em inglês é um
método usado para classificar a intensidade de um evento ENOS e o mais
importante para monitorar a variabilidade climática global em escalas de tempo
interanuais. Valores positivos do IME indicam ocorrência de condições de El Niño
enquanto, valores negativos ocorrência de condições de La Niña (Wolter e Timlin,
2011).
O IME é composto por seis principais variáveis observadas sobre o Pacífico
tropical que são: pressão do nível do mar, componentes do vento de superfície zonal
e meridional , temperatura da superfície do mar, temperatura do ar na superfície, e
fração de nebulosidade total do céu. Estas variáveis foram computadas e publicados
pela International Comprehensive Ocean-Atmosphere Data Set (ICOADS)
O IME é calculado separadamente para cada um dos doze meses e expresso
como médias bimensais (Dez / Jan, Jan / Fev, ..., Nov / Dez). Após filtragem
espaciais os campos são agrupados individualmente (Wolter, 1987). Este índice é
determinado como a primeira componente principal (CP) não rotacionada de todos
os seis campos observados combinados. Primeiramente é normalizada a variância
total de cada campo e em seguida, a extração do primeiro CP na matriz de covariância dos campos combinados (Wolter e Timlin, 1993).
A fim de manter o IME comparável, todos os valores sazonais são
normalizados no que diz respeito a cada tempo e período de referência. Os dados
estão disponíveis no site http://www.esrl.noaa.gov/psd/enso/mei/. O IME foi utilizado
para identificar os eventos El Niños e La Niñas mais intensos durante o período de
estudo (1948-2014) e verificar a interferência destes com relação aos desvios da
precipitação na região Ocidental do Oeste do Sahel.
3.2.7 Índice Oscilação Multidecadal do Atlântico-OMA
O índice-AMO é calculado levando em consideração as anomalias da TSM do
Atlântico norte através de técnicas estatísticas sofisticadas aplicadas, incluindo
projeções de Funções Ortogonais Empíricas (FOE), Kaplan et al (1998). O conjunto
de dados do índice-AMO com escala temporal compreendido desde primeiro de
36
janeiro de 1856 até o presente e resolução espacial de grade 5x5,estão disponíveis
no NOAA/PSD através do site http://www.esrl.noaa.gov/psd/data/timeseries/AMO/.
O índice-OMA foi utilizado para verificar a associação das anomalias da TSM
do Atlântico norte com eventos extremos afetos aos padrões de chuva na região
Ocidental do Oeste do Sahel.
3.3
Correlação
A análise de correlação linear foi aplicada entre PREC-ROL, PREC-ODP,
PREC-OMA para verificar a influência da ROL, ODP e OMA sobre a variabilidade da
precipitação na região Ocidental do Oeste do Sahel. Os valores de correlações
foram obtidas a partir de médias mensais e sazonais do conjunto de dados de
correlações dos índices climáticos e das variáveis meteorológicas, compreendidos
desde janeiro de1948 até o presente, disponíveis no banco de dados de reanálise do
NCPE/NCAR através do site http://www.esrl.noaa.gov/psd/data/correlation/. O
cálculo das correlações foi efetuado, usando a fórmula do coeficiente de correlação
linear, dada por:
𝑟=
∑(𝑋𝑌)
√∑(𝑋)2 ∑(𝑌)2
onde r é o coeficiente de correlação e X e Y são as variáveis consideradas com suas
médias removidas
O coeficiente de correlação (r) fornece o grau de relacionamento linear entre
duas variáveis, ou seja, mede a correlação entre duas variáveis. O valor de r pode
variar entre –1 e +1, sendo que quando o coeficiente é maior que zero significa que
a correlação linear é positiva e quando o coeficiente é menor que zero significa que
a correlação linear é negativa. Porém, se r for igual ou próximo de zero, diz-se que
não existe correlação linear. porém pode existir correlação não linear entre as
variáveis.
Note-se que o campo de significância foi determinado para um intervalo
obtida pelo teste t-Student aplicada a uma série que apresenta N graus de liberdade,
correspondente aos anos da série histórica de dados analisados.
37
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No presente capítulo são apresentados os resultados obtidos e discussão dos
dados utilizados através da análise de mapas gerado com dados utilizados de
médias mensais de Precipitação-PREC, Radiação de Ondas Longas-ROL e Vento
Meridional-VV.
4.1
Climatologia da precipitação para o período da estação chuvosa de
julho-setembro.
A Figura 11.a apresenta a composição média da precipitação de julho-
setembro para o período 1948-2014. Observa-se que durante a estação chuvosa a
média do período é de 600mm, sendo agosto o mês mais chuvoso com cerca de
800mm (Figura11.c). Os meses de julho e setembro apresentaram média de 700mm
e 550mm respectivamente (Figura11.b) e (Figura11.d). Os maiores valores da
precipitação estão localizados em duas regiões: 1) ao longo do litoral da costa
ocidental desde a Guiné até à Libéria e 2) no Golfo da Guiné com médias variando
entre 300-600mm.
A faixa do Sahel que inclui a Mauritânia, Mali ,Niger, Burkina Faso e Norte da
Nigéria e a faixa equatorial desde o Gabão até o Norte de Angola apresentam
médias de precipitação variando entre 50 à 250 mm. Percebe-se que a faixa do
Sahel é a região de menor redução das chuvas. Para Musk (1988) e Molion et al
(2013) esta distribuição espacial anômala das chuvas pode ser ocasionado pela
convergência do escoamento de uma massa de ar seco do anticiclone do Norte da
África com a massa de ar úmida do sudoeste, originando-se do anticiclone do
Atlântico Sul, ou seja,devido a FIT
38
Figura 11 - Média anual da precipitação a) de julho-setembro e média mensal da
precipitação b) julho, c) agosto e d) setembro para o período 1948-2014
(a) Julho-agosto-setembro (1948-2014)
(c) agosto (1948-2014)
(b) julho (1948-2014)
(d) agosto (1948-2014)
Fonte: Autor, 2015.
4.1.1 Análise do Índice da Oscilação Decadal do Pacífico-ODP
A figura 12 mostra a composição média da precipitação de julho-setembro
para as fases da ODP. Deste forma de acordo com a (Figura 12.a), durante a fase
fria de 1948-1976 o total médio de 450mm de chuva está abaixo da média do
período, enquanto para a fase quente 1976-1998 (Figura 12.b) observa-se um total
médio de 650mm de chuva acima da média do período. Na fase fria atual 1998-2014
(Figura 12.c) observa-se um total médio de 550mm da precipitação. Verifica-se que
nas duas fases frias ocorre redução na precipitação em relação.à média do período
enquanto, na fase quente observa-se aumento dos totais pluviométricos acima da
média do período embora seja importante anotar que a fase fria atual ainda se
39
mantenha em curso, uma vez não haver evidências de reversão de polaridade (fase
quente) que correspondam mudanças dramáticas na oscilação do oceano Pacífico.
Este fato explica a influência da ODP na variabilidade da precipitação sobre
os climas regionais, uma vez que segundo Mantua et al,(1997) a ODP está
positivamente (fase quente) correlacionada com chuvas e negativamente (fase fria)
correlacionada com períodos secos.
Figura 12 - Média anual da precipitação de julho-setembro para a) fase fria 1948-1976
b) fase quente 1976-1998 c) fase fria atual da ODP em relação o período 19482014
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
Isto condiz com a pesquisa realizada por Molion e Lúcio (2005) através da
qual a condição do oceano Pacífico por sua grande extensão, ocupando um terço da
superfície terrestre e sua ODP são uns dos principais controladores climáticos
relativos ao clima global, podendo influenciar no clima regional da África Ocidental.
4.1.2 Pressão ao Nível Médio do Mar-PNM
Neste item é apresentado o deslocamento das AST do Atlântico norte e sul
em relação a posição geográfica média padrão entre as faixas de 300S e 300N. Para
o período 1948-2014, o centro da AST do Atlântico norte (Figura 13.a), atingiu sua
posição extrema norte e leste, no mês outubro à (370N; 150W) próximo à península
ibérica e sua posição média extrema oeste no mês de agosto à (36 0N; 380W) junto
dos Açores. Sua posição extrema sul posicionou-se nos meses de fevereiro e março
à (300N; 300W) e (300N; 330W) respectivamente.
40
Figura 13.-.Posição média b) deslocamento latitudinal e c) deslocamento longitudinal
das altas subtropicais para o período 1948-2014.
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
41
Por outro lado, o centro da AST do Atlântico sul atingiu sua posição extrema
sul no mês de fevereiro à (31 0S; 70W) e sua posição extrema leste posicionou-se no
mês de abril à (320S; 00). Sua posição extrema norte ocorreu nos meses de agosto e
setembro à (260S; 130W) e (260S; 120W) respectivamente e sua posição extrema
oeste no mês de julho à (270S; 140W).
Isto ocorre devido ao deslocamento aparente do sol que se inicia desde o
trópico de capricórnio ao trópico de câncer e retorna ao capricórnio para completar
seu ciclo anual (verajão, 2005). Em seus estudos, Molion et al (2004) mencionou
haver um atraso de fase de 1 ou 2 meses no deslocamento latitudinal das altas
subtropicais, como é caso por eles citado do centro da AST do Atlântico norte ao
deslocar-se de sua posição extrema norte em outubro para sua posição extrema sul
em março.
O centro da AST do Atlântico norte apresenta deslocamento latitudinal de
cerca de (70) entre 300N e 370N e deslocamento longitudinal de cerca de (24 0) entre
150W e 380W (ver figura 13.b) enquanto, o centro da AST do Atlântico sul tem
deslocamento latitudinal de cerca de (60) entre 260S e 300S e deslocamento
longitudinal de cerca de (24 0) entre 150W e 380W (ver Figura 13.c), sendo que uma
área de baixa pressão com eixo inclinado noroeste-sudeste, se estabeleceu
aproximadamente entre 150N e 250N. Note-se que no presente trabalho as posições
extremas em relação ao atraso de fase de meses é de modo geral consistente com
trabalhos anteriores de Rawson (1908), Hastenrath (1991), Molion et al (2004).
Durante a fase fria 1948-1976 da ODP, o centro da AST do Atlântico norte
(Figura 14) atingiu sua posição extrema norte e leste no mês de novembro à (370N;
260W), e sua posição extrema oeste no mês de junho à (34 0N; 380W), enquanto sua
posição extrema sul posicionou-se no mês de março à (280N; 320W). Por outro lado,
o centro da AST do Atlântico sul atingiu sua posição extrema sul no mês de fevereiro
à (310S; 70W) e sua posição extrema leste posicionou-se no mês de abril à (330S;
00). Sua posição extrema norte ocorreu no mês de junho à (260S; 100W) e sua
posição extrema oeste no mês de julho à (270S; 130W). O centro da AST do
Atlântico norte apresenta sua posição extrema médio de julho-setembro à
(360N;360W), afastando-se do equador mais para norte fora do continente e mais
para oeste em direção ao oceano. No mesmo período, o centro da AST do Atlântico
sul tem sua posição extrema médio à (28 0S e 100W), afastando-se do equador mais
para a sul e aproximando-se mais para leste em direção ao continente.
42
Figura 14 - Posição média b) deslocamento latitudinal e c) deslocamento longitudinal das altas
subtropicais para a fase fria da ODP 1948-1976
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
43
Isso ocorre devido a maiores temperaturas sobre o continente neste período
do ano (verão) no hemisfério norte e menores temperaturas (outono) hemisfério sul.
Observa-se uma vasta área de baixa pressão que se estabeleceu aproximadamente
entre (100N e 270N). Com o afastamento do centro da AST do Atlântico norte mais
para norte e aquecimento do continente pela radiação solar incidente ocorrem
movimentos ascendentes do ar e convergência dos ventos nos baixos níveis
originando nebulosidade convectiva. O contrário, ocorre com o centro da AST do
Atlântico sul que se aproxima em direção ao continente , dando lugar a subsidência
do ar e divergência dos ventos nos baixos níveis (Hartamnn,1994) .
Devido ao deslocamento latitudinal de cerca de 9 0 entre 280N e 370N do
centro da AST do Atlântico norte pode-se afirmar que este seja a causa da subida da
ITCZ e consequentemente da subida da borda equatorial de Sahel mais para norte,
conforme descrito por Molion et al (2004). Uma vez que a ITCZ está localizada
dentro dos ventos alísios, nota-se que esse deslocamento latitudinal do centro da
AST do Atlântico norte é consistente com o que foi apresentado na (Figura.12.a), na
qual durante a fria 1948-1976 da ODP os totais pluviométricos estiveram abaixo da
média do período. Este fato sugere que o deslocamento latitudinal das altas
subtropicais seguem uma variabilidade interdecadal.Segundo Rawson (1909), uma
alternância do tipo gangorra na PNM entre os dois centros de ação,
afastamento(aproximação) mais para norte e mais sul do equador e vice-versa pode
ser uma das causas de longos períodos alternados de seca e de chuvas na África e
em outras regiões do Planeta.
Para fase quente 1976-1998 da ODP (Figura 15), o centro da AST do
Atlântico norte apresentou deslocamento latitudinal menor, cerca de (30) entre 320N
e 350N e deslocamento longitudinal menor. de cerca de (14 0) entre 140W e 380W
comparado com a fase fria 1948-1976. Durante o período de julho-setembro, teve
sua posição extrema média mais para norte à (340N e 340W), aproximando-se em
direção ao continente e afastando-se dele do oeste. Já o centro da AST do Atlântico
sul neste mesmo período posicionou-se em média à (270S e 100W), afastando-se
mais para sul e aproximando-se de leste em direção ao continente.
44
Figura 15 - Posição média b) deslocamento latitudinal e c) deslocamento longitudinal
das altas subtropicais para a fase quente da ODP 1976-1998.
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
45
Observa-se
que
a
área
0
de
baixa
pressão
agora
estabeleceu-se
0
aproximadamente entre 17 N e 25 N um pouco abaixo da anterior com eixo
inclinado no sentido noroeste-sudeste. Hastenrath, (1991) atribuiu a este
deslocamento da região de baixa pressão à condições termodinâmicas atuantes na
região dos ventos alísios, tais como a subsidência do ar, inversão de temperatura e
umidade, associada a FIT. Isso sugere que na fase quente da ODP o deslocamento
latitudinal do centro da AST do Atlântico norte, pode também ser uma das causas da
descida da FIT mais para sul. Note-se que a amplitude latitudinal da FIT é maior que
a da ITCZ e atinge cerca de (200N), sendo mais intensa do que esta sobre o
continente Molion e Sérgio (2013).
Concomitantemente a subida da borda equatorial de Sahel, muito mais para norte é
associada ao deslocamento do centro de ação, fazendo com que os países do
centro oeste da região como Mauritânia, Burkina Faso, Níger, passassem a receber
chuvas abundantes e recuperassem suas terras agricultáveis. Molion et al, (2004).
Isso configura a fase quente com totais pluviométricos acima da média do período.
conforme apresentado na (Figura.12.b).
Para fase fria atual 1998-2014 da ODP (Figura 16), o centro da AST do
Atlântico norte apresenta deslocamento latitudinal maior, cerca de (60) entre 320N e
380N e deslocamento longitudinal maior, cerca de (28 0) entre 110W e 390W,
comparado com a fase anterior.
Durante o período de julho-setembro, sua posição extrema média posicionase mais norte à (350N e 370W), aproximando-se em direção ao continente e
afastando-se dele do oeste. O centro da AST do Atlântico sul neste mesmo período
posicionou-se em média à (270S e 100W), aproximando-se mais para norte e
afastando-se um pouco menos do leste em direção ao continente.
A área de pressão baixa apresenta características semelhantes a da fase
quente mas difere na sua extensão de cobertura, devido ao deslocamento latitudinal
e longitudinal do centro da AST do Atlântico norte que são maiores. Isso sugere um
provável recuo ligeiro da FIT e da ITCZ, fazendo com que os totais pluviométricos se
situem acima da média da fase fria 1948-1976 e abaixo da média do período de
acordo com as (Figura 12.a), (Figura 12b) e (Figura 12c). Figura 16 - Posição média
b) deslocamento latitudinal e c) deslocamento longitudinal das altas subtropicais
para a fase quente da ODP 1998-2014.
46
Figura 16 - Posição média b) deslocamento latitudinal e c) deslocamento longitudinal
das altas subtropicais para a fase quente da ODP 1998-2014.
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
47
4.1.3 Radiação de Onda Longa-ROL
Para a fase quente da ODP 1976-1998 (Figura 17) a ROL apresenta núcleos
de anomalias negativas na faixa do Sahel. Isso indica menos perda da ROL e pode
representar maior quantidade de formação de nuvens e atividade convectiva embora
em escala global a região Ocidental Oeste do Sahel esteja situada nos trópicos,
onde a distribuição padrão da ROL é positiva. Segundo Bomventi et al (2006)
citando (Chelliah & Arkin, 1992), regiões de intensa e frequente convecção e
precipitação, associadas às monções e à Zona de Convergência Inter-Tropical
(ZCIT) aparecem como regiões de baixa ROL.
Figura 17 - Anomalias da Radiação de Ondas Longas para a fase quente da ODP 19761998, durante o período de julho-setembro.
Fonte: Autor, 2015..
Hartamnn (1994) em seu estudo associou a perda da ROL em regiões do
norte de África a uma provável combinação do albedo relativamente elevado da
superfície do deserto com uma atmosfera seca acima dela. Além disso, verifica-se
uma relação das anomalias negativas da ROL com a área dos valores mínimos da
PNM conforme ilustrado na (Figura 15). Núcleos de anomalias positivas da ROL são
apresentadas ao longo de quase toda a faixa litoral da costa Ocidental e Golfo da
Guiné e também em toda a faixa equatorial da região. Neste caso, os núcleos de
anomalias positivas da ROL indicam maior perda para o espaço e menos quantidade
48
de formação de nuvens. Uma explicação para este fato pode ser associado à
influência do Atlântico, uma vez que sobre os oceanos tropicais ocorrem valores
altos de insolação e baixos valores de albedo de acordo com Hartamnn (1994).
Para a fase fria atual da ODP 1998-2014 (Figura 19) ao contrário da fase
quente, observa-se núcleos de anomalias positivas na faixa do Sahel, indicando
maior perda da ROL que pode representar menos quantidade de formação de
nuvens e fraca atividade convectiva. Núcleos de anomalias negativas da ROL são
observados ao longo de quase toda a faixa litoral da costa ocidental e Golfo da
Guiné e também em toda a faixa equatorial da região, correspondendo à maior
quantidade de cobertura de nuvens e convecção intensa. Apesar das observações
da ROL via satélite terem iniciado somente em 1979, presume-se que a fase fria
1948-1976 da ODP assemelha-se à fase fria atual, a julgar pela consistência dos
resultados obtidos.
Figura 18 - Anomalias da Radiação de Ondas Longas para a fase quente da ODP 19482014, durante o período de julho-setembro.
Fonte: Autor, 2015.
4.1.4 Vento Meridional-VV
Neste itens são apresentados as anomalias do vento meridional para o
período 1948-2014, e para a fase fria 1948-1976, fase quente 1976-1998 e fase fria
49
atual 1998-2014 da ODP. Durante o período 1948-2014, (Figura 20) verifica-se um
núcleo
de
anomalias
positivas
(sentido
sul-norte)
do
vento
meridional
aproximadamente na faixa entre 10 0S e 180N. Por outro lado, anomalias negativas
do vento meridional (sentido norte-sul) são mostrados entre 190N e 250N.
Figura 19 - Anomalias do Vento Meridional para o período 1948-2014, durante a
estação chuvosa de julho-setembro.
Fonte: Autor, 2015.
Este fato sugere existir uma descontinuidade tropical do vento designado por
vários autores de Frente Inter-Tropical-(FIT). Hastenrath (1991) e (Molion e Sérgio
2013) citaram em seus trabalhos que o contraste entre as propriedades das massas
de ar em ambos hemisférios, como a principal causa desta descontinuidade
resultante da convergência do escoamento de uma massa de ar seco do anticiclone
do Norte da África com o escoamento de massa de ar úmida de sudoeste que se
origina no anticiclone do Atlântico Sul que ao cruzar o Equador, esse escoamento
(ventos Alísios de sudeste) é desviado para a direita, tornando-se em ventos de
sudoeste e transportando umidade para dentro do continente.
Adiantaram ainda que o fluxo da descontinuidade é mais pronunciado quando
a baixa pressão nela incorporado sofre um deslocamento latitudinal maior no ciclo
anual, chegando a sua posição mais a norte no período de julho-setembro. Isso
condiz com o observado na (Figura 13a) em que a descontinuidade alcançou
50
durante o período, aproximadamente os 18 0N e com o que foi apresentado
(Figura.13.b) (Figura.13.c) sobre o deslocamento latitudinal e longitudinal da AN.
A (Figura.20) mostra núcleos de anomalias positivas e negativas do vento
meridional durante a fase fria 1948-1976 da ODP sendo os primeiros as que
predominam. Percebe-se que o núcleo das anomalias positivas indicam o
deslocamento da FIT mais para norte com inclinação sudoeste-nordeste. Hartamnn
(1994) destacou a importância dos aspectos termodinâmicos pois que a
transferência de calor latente e sensível para a atmosfera são responsáveis pela
geração de movimentos ascendentes (convecção) devido o aquecimento solar da
superfície.
Isso sugere que a FIT transporta umidade a partir do Golfo da Guiné e das
áreas úmidas no interior do continente fazendo com que os países à sul da sua
posição recebam chuvas frequentes. À norte da FIT onde observam-se anomalias
negativas, o vento é menos quente e sofre o efeito da subsidência devido o ar seco
reinante sobre a faixa do Sahel ocorrendo, chuvas escassas. Este fato parece
explicar uma das causas pela qual a região Ocidental Oeste do Shael durante a fase
fria 1948-1976 da ODP tivesse recebido chuvas abaixo da média conforme
apresentado na (Figura.12.a).
Figura 20 - Anomalias do Vento Meridional para a fase fria 1948-1976, durante a
estação chuvosa de julho-setembro
Fonte: Autor, 2015.
51
Para a fase quente 1976-1998 da ODP (Figura 21) ao contrário da fase fria,
observa-se que o núcleo das anomalias negativas (sentido norte-sul) predomina em
quase toda região, indicando um abaixamento da FIT mais para sul em direção ao
Equador. Isso confirma a hipótese de que a borda sul de Sahel tenha se deslocado
mais ao norte e que as regiões do cento oeste da região como Burkina Faso, Nigéria
e República Centro Africana tivessem recebido aumento das chuvas. Isto condiz
com os totais pluviométricos acima da média do período durante a fase quente
1976-1998 da ODP apresentados na (Figura 12.b).
Figura 21 - Anomalias do Vento Meridional para a fase quente da ODP1976-1998,
durante a estação chuvosa de julho-setembro.
Fonte: Autor, 2015.
Para a fase fria atual 1998-2014 da ODP (Figura 22) os núcleo das anomalias
negativas e positivas apresentam uma distribuição quase que semelhante a da fase
fria 1948-1976. Verifica-se um abaixamento menos acentuado da FIT em relação a
fase quente 1976-1998 sugerindo um deslocamento da borda sul de Sahel um
pouco menos norte. Verifica-se uma elevação no aumento das chuvas no Burkina
Faso, Nigéria, República Centro Africana mas os totais pluviométricos mantém-se
abaixo da média do período conforme mostrado na (Figura 12.c).
52
Figura 22 - Anomalias do Vento Meridional para a fase fria atual da ODP 1998-2014,
durante a estação chuvosa de julho-setembro.
Fonte: Autor, 2015.
4.2
Análise de correlação.
Neste item são apresentados composições de correlação entre a precipitação
e ROL, índices ODP e OMA.
4.2.1 Correlação entre a PREC e ROL
Na (figura 23.a) é mostrado a distribuição da correlação entre PREC e ROL
durante a fase quente da ODP 1976-1998. Observam-se núcleos distintos com
coeficientes positivos de correlação variando de (0,1 à 0,4) na faixa do Sahel e
negativos variando de (-0,1 à -0,4) ao longo da costa Ocidental e no Golfo da Guiné.
Durante a fase quente da ODP a TSM do Pacífico assume valores positivos e a ROL
tende a ser menor. Isso mostra que as regiões com coeficientes de correlação
negativos tendem apresentar menor formação de quantidade de nuvens enquanto,
as regiões com coeficientes positivos tendem a maior formação de quantidade de
nuvens.
Verifica-se que PREC e ROL estão correlacionadas com valores baixos mas
nota-se que a precipitação apresenta totais pluviométricos acima da média do
53
período, conforme exibido na (figura 12.b). A distribuição média da ROL (figura 23.b)
mostra que a faixa do Sahel encontra-se na região com valores > 240 Wm-2,
indicando ausência de atividade convectiva enquanto, a faixa da costa Ocidental e
do Golfo da Guiné encontra-se na região com valores < 240 Wm-2 indicando
atividade convectiva.
Figura 23 - a) Correlação entre PREC e a ROL. b) Média anual da ROL durante a fase
quente da ODP 1976-1998.
a)
b)
Fonte: Autor, 2015.
Na (figura 24.a) observa-se que a correlação entre PREC e ROL durante a
fase fria atual da ODP 1998-2014 é positiva por quase toda a região incluindo a faixa
do Sahel. O núcleo dos coeficientes positivos é mais pronunciado ao longo da costa
Ocidental e no Golfo da Guiné com valores modestamente altos entre (0,5 e 0,6),
mostrando consistência da correlação entre as duas variáveis. Verifica-se que os
valores médios da ROL (figura 24.b) apresenta distribuição similar à da fase quente
embora os totais pluviométricos seguem abaixo da média do período conforme
exibido na (figura 12.b).
De acordo com Lau et al. (1997) a atividade de convecção profunda se inicia
com a ROL < 240 Wm-2. Isso sugere que além da ROL, o aumento(diminuição) da
precipitação na região Ocidental do Oeste do Sahel durante a fase quente (fria) da
ODP são influenciados por outros processos correspondentes ao mecanismo da
convecção profunda. Neste caso, o deslocamento da FIT para norte(sul) seria
54
responsável pelo início da atividade convectiva, uma vez que a ITCZ em seu ciclo
anual, desloca-se aproximadamente entre 100N e 30S.
Figura 24 - a) Correlação entre PREC e ROL. b) Média anual da ROL durante a fase fria
atual da ODP 1998-2014.
a)
b)
Fonte: Autor, 2015.
4.2.2
Correlação entre a PREC e o índice da ODP
Durante a fase fria da ODP 1948-1976 (Figura 25 ) não há significância,
associação ou seja a ODP não interfere. Os valores de correlação variam entre (0,1
e 0,35) para os positivos e (-0,1 e -0,05) para os negativos. Nota-se um núcleo de
valores negativos sobre da região central Ocidental do Oeste do Sahel durante a
fase fria resultando em diminuição das chuvas, principalmente em Mali e Burkina
Faso que detectaram a expansão do deserto de Sahel para sul, em direção ao
equador.
55
Figura 25 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da ODP com
relação ao período 1948-2014 para a fase fria 1948-1976.
Fonte: Autor, 2015.
Na fase quente 1976-1998 da ODP (Figura 26 .) observa-se que a correlação
entre a precipitação e índice da ODP foi positiva. Seu núcleo posicionado sobre a
faixa do Sahel, no entanto não apresenta significância. Durante a fase quente a TSM
positiva favorece o aumento da precipitação, diminuindo a expansão do deserto do
Sahel para sul, minimizando estes impactos nos países limítrofes ao deserto.
Figura 26 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice-ODP com
relação ao período 1948-2014 para a quente 1976-1998.
Fonte: Autor, 2015..
Na fase fria atual 1998-2014 da ODP (Figura 27) observa-se somente núcleos
de correlação positiva e um deles é mais pronunciado desde o Golfo da Guiné e
56
toda faixa equatorial até o norte de Angola. Embora nessa faixa a correlação se
apresente mais persistente, os valores baixos entre (0,25 e 0,4). Na faixa do Sahel
sobre Mauritânia e Mali o núcleo de correlação apresenta coeficientes positivos
altos, variando de (0,5 à 0,7).
Xavier et al (2001) referenciaram que a existência de correlações não implica
necessariamente em efeito causal mas nesta tipo de análise o objetivo é denotar os
sinais detectados não no sentido algébrico mas para os quais são encontrados nas
interrelações entre a ODP e a precipitação. De modo geral as correlações mostramse pouco expressivas e parecem não indicar uma relação nítida ou evidente da
influência da ODP no padrão da estação chuvosa na região. Ocidental Oeste do
Sahel.
Figura 27 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da ODP com
relação ao período 1948-2014 para a fase fria atual 1998-2014.
Fonte: Autor, 2015.
4.2.3 Correlação entre a PREC o índice da OMA
Durante a fase quente de 1948-1976 (Figura 28) observa-se um núcleo de
correlação positiva em toda a faixa do Sahel com correlações entre (0,5 e 0,7). Ao
longo da região equatorial verifica-se coeficientes entre (-0,1 e -0,3). Isso condiz com
o fato de que quando a OMA se encontra em sua fase quente apresenta
configurações de TSM quentes no Atlântico Tropical Norte, e TSM frias no Atlântico
Equatorial e Tropical Sul, com movimentos descendentes de transporte do ar frio e
seco dos altos níveis da atmosfera (Lindberg,2010) fazendo com que ocorra redução
57
de chuvas.sobre a Região Leste da Amazônia/Litoral Norte Brasileiro e em alguns
países da África Ocidental. Porém ao longo da costa ocidental desde a Libéria até o
Golfo da Guiné, a correlação foi negativa indicando intensificação das chuvas.
Figura 28 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da OMA com
relação ao período 1948-2014 durante a Fase fria da ODP 1948-1976.
Fonte: Autor, 2015.
A fase fria 1976-1998 da OMA (Figura 29) apresenta uma distribuição de
correlação positivos em quase toda a região Ocidental do Oeste do Sahel indicando
que durante este período as chuvas intensificaram-se devido a que neste período as
TSM do Atlântico Tropical Norte estão mais frias e no Atlântico Tropical Sul mais
quentes. Ocorre aumento de movimentos ascendentes e intensificação da formação
de nuvens e aumenta os índices pluviométricos sobre a região
58
Figura 29 - Composição da correlação entre a precipitação de julho-setembro e o
índice da OMA com relação ao período 1948-2014 durante a Fase quente
da ODP 1976-1998.
Fonte: Autor,2015.
Na fase fria atual 1998-2014 da OMA (Figura 30) apresenta uma distribuição
de correlação semelhante a da fase fria anterior com coeficientes mais
pronunciados, com correlações positivos e negativos altos, indicando índices
pluviométricos um pouca acima mas inferior a média da estação chuvosa.
Figura 30 - Correlação entre a precipitação de julho-setembro e o índice da OMA com
relação ao período 1948-2014 durante a Fase fria Fase fria atual 1998-2014.
Fonte: Autor, 2015.
59
4.3
Análise dos eventos El Niño e La Niña associados aos desvios da
precipitação de julho-setembro com relação ao período 1948-2014
durante as fases da ODP.
Neste item são apresentados os resultados da análise das anomalias da
precipitação baseado no impacto dos eventos El Niños (La Niñas) em diversas
regiões do globo terrestre dependendo das fases da ODP.
Observa-se que durante a fase fria 1948-1976 da ODP, os eventos El Niños
(Figura 31.a) estiveram associados aos desvios positivos da precipitação em quase
toda a faixa ocidental da região incluindo a faixa do Sahel com exceção de uma
pequena franja ao longo da costa que abrange setores da Costa do Marfim, Gana,
Togo e Benin.
Porém na faixa equatorial, os eventos El Niños estiveram associados aos
desvios negativos da precipitação enquanto, os eventos La Niñas (figura 31.b)
estiveram associados aos desvios positivos da precipitação em quase toda a faixa
ocidental e aos desvios negativos em toda faixa equatorial e em uma pequena franja
ao longo da costa que abrange setores da Costa do Marfim, Gana, Togo e Benin
Isso mostra que tanto os eventos El niños como os La niños estiveram relacionados
com totais pluviométricos acima da média em toda a faixa ocidental e abaixo da
média ao longo da costa da ocidental e da faixa equatorial durante a fase fria 19481976 da ODP.
(continua)
60
Figura 31 - Anomalias de precipitação entre os meses julho-setembro com relação ao
período 1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase fria 1948-1976 da ODP.
a)
b)
Fonte: Autor, 2015.
Durante a fase quente 1976-1998 da ODP (Figura 32.a) ao invés da fase
fria,observa-se que os eventos El niños estiveram associados aos desvios negativos
da precipitação em toda a região ocidental do oeste do Sahel com exceção dos
setores da Guiné,.Serra Leoa e Golfo da Guiné ao longo da costa ocidental onde se
observam associados aos desvios negativos.
Já as La Niñas (Figura 32.b) estiveram associados desvios positivos em
quase toda a região enquanto que em setores como Mauritânia, Mali e Níger na
faixa do Sahel, Nigéria na faixa ocidental, Golfo da Guiné ao longo da costa
ocidental e Gabão na faixa equatorial, os eventos La Niñas estiveram associados
aos desvios negativos.
Os eventos El Niños estiveram relacionados com totais pluviométricos abaixo
da média em toda a faixa ocidental e acima da média ao longo da costa ocidental
enquanto, os eventos La Niñas estiveram relacionados com totais pluviométricos
acima da média em toda a faixa ocidental e acima da média ao longo da costa
ocidental.
61
Figura 32 - Anomalias de precipitação entre os meses de julho-setembro com relação
ao período 1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase quente 1976-1998 da ODP.
a)
b)
Fonte: Autor, 2015.
Entretanto na fase fria atual 1998-2014 da ODP (Figura 33.a) observa-se que
eventos El niños estiveram associados aos desvios positivos da precipitação em
quase toda a faixa do Sahel e em alguns setores da faixa ocidental como Gâmbia,
Guiné Bissau, Burkina Faso, Gana, Benin, Togo e Camarões da região e ao longo
da costa ocidental desde a Guiné até o Golfo da Guiné com exceção da Libéria,
parte Gana, Togo e Benini.
Na faixa equatorial desde a Guiné Equatorial até o norte de Angola e ao longo
da costa ocidental sobre a Guiné e o Golfo da Guiné os eventos El Niños estiveram
associados aos desvios negativos da precipitação. Já as La Niñas (Figura 33.b)
estiveram associadas aos desvios positivos da precipitação em quase toda a região
de estudo e estiveram associadas aos desvios negativos ao longo da costa ocidental
sobre a Guiné, Costa do Marfim, Golfo da Guiné e nas faixas do Sahel e Oriental da
região sobre a Mauritânia, Níger e Chade respectivamente.
Os eventos El Niños estiveram relacionados com totais pluviométricos acima da
média em toda a faixa ocidental e abaixo da média na faixa equatorial enquanto, os
eventos La Niñas estiveram relacionados com totais pluviométricos acima da média
em toda a faixa ocidental e abaixo da média ao longo da costa ocidental.
62
Figura 33 - Anomalias de precipitação entre os meses de julho-setembro com relação
ao período 1948-2014 para a composição de eventos a) El Niño e b) La Niña,
durante a fase fria atual 1998-2014 da ODP.
a)
b)
Fonte: Autor, 2015.
Percebe-se que de modo geral os eventos La Niñas em qualquer uma das
fases frias da ODP estiveram relacionadas com totais pluviométricos acima da média
em quase toda a região Ocidental do Oeste do Sahel e abaixo da média ao longo da
costa ocidental. Além disso, verifica-se que a distribuição dos desvios da
precipitação apresentam uma variação espacial sugerindo que nos eventos La niñas
das fases frias da ODP, os desvios positivos se deslocaram mais para norte
acompanhando, um posicionamento da FIT mais para norte. Esse fato parece ser
coerente também com as La niñas na fase quente da ODP indicando que os desvios
negativos se deslocaram mais para sul acompanhando, um posicionamento da FIT
mais para sul.
4.3.1 El Niño
Nas (Figura 34) e (Figura 35) mostram-se o impacto dos eventos e evolução
temporal dos El niños de 1973, 1983, 1987 e 1997 na região El niño 3 ,considerados
os mais fortes em relação o período de estudo 1948-2014, associados aos desvios
da precipitação 1972-1973, 1982-1983, 1986-1989, 1997-1998 durante a estação
chuvosa (julho-setembro) na região Ocidental do Oeste do Sahel.
Observa-se (Figura 34.a) que o El niño de 1973 esteve associado aos desvios
negativos da precipitação 1972-1973 em quase toda a região incluindo a faixa do
63
Sahel e toda faixa equatorial. e aos desvios positivos ao longo da costa ocidental
desde a Libéria até a Nigéria no Golfo da Guiné. As condições da TSM no Pacífico
Equatorial indicavam a presença do fenômeno El Niño (Figura 35) de tal modo que
anomalia da TSM na região do El Niño 3 estava positiva e em torno de 2°C acima da
média, caracterizando o fenômeno El Niño.no período de março de 1972 à março de
1973.
Observa-se (Figura.34.b) que o El niño de 1982 esteve associado aos desvios
negativos da precipitação 1982-1983 em quase toda a região incluindo a faixa de
Sahel e aos desvios positivos sobre a Serra Leoa na costa ocidental, Camarões ao
longo do Golfo da Guiné e República Centro Africana na faixa leste da região. Notase que as condições da TSM no Pacífico Equatorial (Figura 35) indicavam a
presença do fenômeno El Niño de tal modo que anomalia da TSM na região do El
Niño 3 estava positiva e em torno de 2,7°C acima da média, caracterizando o
fenômeno El Niño no período de janeiro de 1982 à setembro de 1983.
Observa-se (figura 34.c) que o El niño de 1987 esteve associado aos desvios
negativos da precipitação 1986-1987 em quase toda a região incluindo a faixa do
Sahel, no Golfo da Guiné sobre os Camarões, e na costa equatorial. Observa-se
também que o El niño de 1987 esteve associado aos desvios positivos ao longo do
Golfo da Guiné desde a Costa do Marfim até Nigéria e na faixa meridional da região
desde o sul Camarões até o Norte de Angola. As condições da TSM no Pacífico
Equatorial (figura 35) indicavam a presença do fenômeno El Niño de tal modo que
anomalia da TSM na região do El Niño 3 estava positiva e em torno de 1,53°C acima
da média, caracterizando o fenômeno El Niño.no período de agosto de 1986 à
dezembro de 1998.
Observa-se (Figura 34.d) que o El Niño de 1997 esteve associado aos
desvios negativos da precipitação 1997-1998 em quase toda a região e aos desvios
positivos sobre o leste do Mali e Níger na faixa de Sahel, sobre a Guiné,Serra Leoa.
e Libéria na costa ocidental, sobre a República dos Camarões no Golfo da Guiné e
em toda a faixa equatorial até o Norte de Angola à sul da região. As condições da
TSM no Pacífico Equatorial (Figura 35) indicavam a presença do fenômeno El Niño
de tal modo que anomalia da TSM na região do El Niño 3 estava positiva e em torno
de 3,1°C acima da média, caracterizando o fenômeno El Niño.no período de abril de
1997 à junho de 1998.
64
Figura 34 - Desvios de precipitação a)1972-1973 b)1982-1983 c) 1986-1987 d) 19971998 de julho-setembro com relação ao período 1948-2014, associado aos El
Niños de 1973, 1983, 1987 e 1997 respectivamente.
a)1972-1973
b)1982-1985
c)1986-1987
Fonte: Autor, 2015.
d)1997-1998
Figura 35 - Evolução temporal dos El niños 1972-73, 1982-1983, 1986-1987 e 1997-1998
na região El niño 3.
4
3
2
1972-1973
1
1982-1983
0
1997-1998
-1
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
-2
Fonte: Autor, 2015.
65
4.3.2
La Niña
Nas (Figura 36) e (Figura 37) mostram se o impacto e evolução temporal dos
eventos La Niñas de 1955, 1975 e 1989 na região El Niño 3 ,considerados os mais
fortes em relação o período de estudo 1948-2014, associados aos desvios da
precipitação durante a estação chuvosa (julho-setembro) na região Ocidental do
Oeste do Sahel.
Observa-se (Figura 36.a) que a La Niña de 1955 esteve associado aos
desvios positivos da precipitação 1954-1955 na faixa do Sahel e ao longo de toda a
costa ocidental com exceção da Serra Leoa onde os desvios foram negativos.região.
A La niña de 1955 esteve também associado aos desvios negativos da precipitação
em toda faixa equatorial até o norte de Angola e sobre o Gana,Togo, Benini e
Camarões no Golfo da Guiné com exceção da Nigéria onde os desvios foram
positivos. As condições da TSM no Pacífico Equatorial (Figura 37) indicavam a
presença do fenômeno La niña de tal modo que anomalia da TSM na região do El
Niño 3 estava negativa e em torno de -1,98°C abaixo da média, caracterizando o
fenômeno La niña.no período de janeiro de 1954 à dezembro de 1955.
Observa-se (Figura 36.b) que a La Niña de 1975 esteve associado aos
desvios positivos da precipitação 1975-1976 em quase toda a faixa ocidental e
oriental da região e aos negativos na faixa do Sahel e na faixa equatorial até o norte
de Angola à sul da região. Ao longo do Golfo da Guiné a La niña de 1975 esteve
associado aos desvios positivos da precipitação somente sobre a Costa do Marfim e
Gabão. As condições da TSM no Pacífico Equatorial (Figura 37) indicavam a
presença do fenômeno La Niña de tal modo que anomalia da TSM na região do El
Niño 3 estava negativa e em torno de -1,86°C abaixo da média, caracterizando o
fenômeno La niña.no período de janeiro de 1975 à maio de 1976.
Observa-se (Figura 36.c) que a La niña de 1989 esteve associado aos
desvios positivos da precipitação 1988-1989 em quase toda a região Ocidental do
Oeste de Sahel. Os desvios negativos estiveram associados em pequenas franjas
da faixa do Sahel sobre o Mali e Níger,e na faixa equatorial sobre o Gabão, na costa
ocidental sobre a Serra Leoa e Libéria e no Golfo da Guiné sobre Camarões.. As
condições da TSM no Pacífico Equatorial (Figura 37) indicavam a presença do
fenômeno La Niña de tal modo que anomalia da TSM na região do El Niño 3 estava
66
negativa e em torno de -1,79°C abaixo da média, caracterizando o fenômeno La
niña.no período de março de 1988 à dezembro 1989.
Figura 36 - Desvios de precipitação a)1954-1955 b)1975-1976 c) 1988-1989 d) 19971998 de julho-setembro com relação ao período 1948-2014, associado às La
niñas de 1955, 1975, e 1989 respectivamente.
a)
b)
c)
Fonte: Autor, 2015.
Figura 37 - Evolução temporal das La niñas 1954-1955, 1975-1976, e 1988-1989 na
região El niño 3. Fonte dos dados ESRL
1
0
1954-1955
-1
1975-1976
-2
1988-1989
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
-3
Fonte: Autor, 2015.
Na Figura 38 são apresentados os totais pluviométricos referente aos anos
dos eventos El Niños fortes em relação o período de 1948-2014. Verifica-se que de
modo geral a faixa do Sahel e faixa equatorial até ao norte de Angola à sul da
região, são as que mais sofreram com a redução de chuvas na ordem de 0 -100mm.
Um fato chama atenção para os El Niños de 1983 (Figura 38.b) e 1997 (Figura 38.d)
que apresentaram valores reduzidos da precipitação desde a Costa do Marfim até o
Benin no Golfo da Guiné, na mesma ordem que as verificadas na faixa do Sahel e
67
na faixa equatorial. Isso indica que nem sempre os El Niños provocam desvios
positvos(negativos) de precipitação em regiões tropicais. De acordo com Molion
(2011) é possível que a ODP não seja uma oscilação regular e que a variabilidade
climática interanual, em particular os eventos ENOS apresente impactos regionais
distintos, dependendo da configuração e do sinal das anomalias de.TSM Embora o
El niño de 1997 tenha sido considerado o mais forte dos últimos 60 anos, o El Niño
de 1973 foi o que provocou mais seca na região.
Figura 38 - Totais Médios da precipitação nos anos dos eventos El Niños na região
Ocidental do Oeste do Sahel.
a)1973
c)1987
Fonte: Autor, 2015.
b)1983
d)1997
68
Na Figura 39 são apresentados os totais pluviométricos referente aos anos
dos eventos La niñas fortes em relação o período de 1948-2014. Percebe-se que
durante os eventos das La Niñas (Figura 39.a), (figura 39.b) e (Figura 39.c) tiveram
totais pluviométricos acima da média,cerca de 800mm, 800mm e 650mm
respectivamente, mostrando que foram anos mais úmidos.
Figura 39 - Totais Médios da precipitação nos anos dos eventos La Niñas região
Ocidental do Oeste do Sahel.
a)1955
Fonte: Autor,2015
b)1975
c)1987
69
5
CONCLUSÕES
O ciclo anual dos centros das AST do Atlântico norte e sul parecem ser a
causa do posicionamento da FIT, que se desloca para norte e para sul do Equador
originado pela convergência do escoamento de uma massa de ar seco e de ar
úmido
de
sudoeste
dos
anticiclones
do
norte
de
África
e
Atlântico
sul,respectivamente.
A análise da climatologia da precipitação de julho-setembro mostrou que a
FIT é o principal mecanismo da distribuição espacial anômala das chuvas, na região
Ocidental do Oeste do Sahel. Na faixa da costa ocidental desde a Guiné até a
Libéria e no Golfo da Guiné, os totais pluviométricos são mais acentuados. Enquanto
que na faixa de Sahel e na faixa equatorial da região ocorre redução
De modo geral a análise de correlação mostrou-se pouco expressivo e não
indicou uma relação nítida ou evidente entre a precipitação e a ODP para o padrão
da estação chuvosa na região Ocidental Oeste do Sahel. Entre a precipitação e a
ROL a correlação mostrou-se ser consistente, porém com baixos valores de
correlação. A correlação entre a precipitação e a OMA apresentou uma distribuição
de coeficientes de correlação acima de 0,5.
Durante a fase fria 1948-1976 e a fase fria atual 1998-2014 da ODP a
precipitação esteve abaixo da média do período, cerca de 450 e 550mm
respectivamente, enquanto na fase quente 1976-1998, ocorreu aumento acima da
média na ordem de 650mm. Este resultado era esperado uma vez que a fase quente
da ODP está correlacionada com chuvas e a fase fria correlacionada com períodos
secos
Os eventos de La Niñas em qualquer uma das fases frias da ODP estiveram
associados aos desvios positivos da precipitação, com deslocamento para norte,
acompanhando o posicionamento da FIT. Na fase quente da ODP as La Niñas
estiveram associados aos desvios negativos deslocando-se mais para sul
acompanhando,o posicionamento da FIT.
O impacto dos El Niños de 1973, 1983, 1987 e 1997 apresentaram redução
das chuvas na ordem de 0-100mm na faixa do Sahel e na faixa equatorial até o
norte de Angola à sul da região. O El Niño de 1973 foi o que provocou a seca
mais.severa da região embora, o El Niño de 1997 foi o maior de intensidade durante
os últimos 60 anos, em torno 3,10C. Os eventos extremos das La Niñas de 1955,
70
1975 e 1989 tiveram totais pluviométricos acima da média, cerca de 800mm, 800mm
e 650mm respectivamente, mostrando que foram anos úmidos.
Concluí-se que os resultados ora encontrados e alguns já confirmados por
outros pesquisadores, contribuem para a sazonalidade das chuvas na região
Ocidental do Oeste do Sahel. Nesta perspectiva, recomenda-se para estudos
futuros:
o uso da variável meteorológica Omega no intuito de estimar os
movimentos verticais com relação a ROL para aferir outros possíveis processos
correspondentes ao mecanismo da convecção profunda que influenciam o
aumento(diminuição) da precipitação.
o uso de séries longas de eventos El Niños e La Niñas particularmente
maior número de eventos intensos(fortes) para determinar sua influência em relação
aos desvios da precipitação.
71
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