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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
PROGRAMA DE PÓS – GRADUAÇÃO EM METEOROLOGIA
Nº de Ordem: MET – UFAL – MS – 82
VÓRTICE CICLÔNICO EM ALTOS NÍVEIS ASSOCIADO À CORRENTE DE JATO
NO NORDESTE BRASILEIRO NOS ANOS DE 1998 - 2007.
Micejane da Silva Costa
MACEIÓ
2010
MICEJANE DA SILVA COSTA
VÓRTICE CICLÔNICO EM ALTOS NÍVEIS ASSOCIADO À CORRENTE DE JATO
NO NORDESTE BRASILEIRO NOS ANOS DE 1998 - 2007
Dissertação
submetida
ao
corpo
docente
da
Coordenação do programa de Pós-graduação em
Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas UFAL, para obtenção do título de Mestre em
Meteorologia – área de concentração em Processos
de Superfície Terrestre.
Orientador: Prof. Dr. Vladimir Levit
Co-orientadora: Prof. Drª. Natalia Fedorova
MACEIÓ
2010
i
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Lucia Lima do Nascimento
C837v
Costa, Micejane da Silva.
Vórtice ciclônico em altos níveis associado à corrente de jato no nordeste
Brasileiro nos anos de 1998 - 2007. – 2010.
xiii, 98 f.: il. grafs. e tabs.
Orientador: Vladimir Levit.
Co-Orientadora: Natalia Fedorova.
Dissertação (mestrado em Meteorologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Ciências atmosféricas. Maceió, 2010.
Bibliografia: f. 71-76.
Apêndices: f. 77-98.
1. Meteorologia sinótica. 2. Vórtice Ciclônico em Altos Níveis. 3. Corrente de
Jato – Brasil, Nordeste. 4. Circulação atmosférica – Brasil, Nordeste. 5. Precipitação
(Meteorologia). I. Título.
CDU: 551.555(812/813)
AGRADECIMENTOS
Agradecer é a forma que o homem encontrou para expressar sua gratidão e reconhecer
o valor que há nas diversas relações com seu próximo, não importando sua duração.
Primeiramente agradeço a Deus pela benção da vida, pois sem ele nada disso seria
possível.
À minha mãe por ter me dado à vida e principalmente sempre me incentivou a nunca
desistir dos meus ideais por maiores que sejam os obstáculos a serem ultrapassados, servindome como alicerce para o meu progresso.
Agradeço em especial aos meus queridos orientadores Vladimir Levit e Natalia
Fedorova pela confiança, dedicação e respeito compartilhados na orientação deste trabalho,
servindo como fontes de entusiasmo e conhecimento. Muito obrigada.
A todos os demais Professores do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade
Federal de Alagoas que contribuíram no meu aprendizado e desenvolvimento intelectual, em
especial ao prof. Marco Antônio Maringolo.
A todos os amigos e colegas conquistados ao longo do curso, pela amizade e apoio
prestados nos momentos difíceis, seja na vida acadêmica ou pessoal, que direta ou
indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.
Agradeço
as
professoras
Iracema
Fonseca
de
Albuquerque
Cavalcanti
(CPTEC/INPE) e Maria Luciene Dias de Melo (ICAT/UFAL) por participarem de
minha banca.
Agradeço a você meu eterno irmão de coração Cícero Santana, por ter me dado
momentos tão especiais em sua companhia. Saudades eternas.
A Universidade Federal de Alagoas (UFAL), pela oportunidade de minha PósGraduação valorizando o lado profissional e pessoal.
A Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) por ter concedido
a bolsa de estudo, permitindo assim, uma dedicação exclusiva a este trabalho.
Muito Obrigada!!!
iii
MICEJANE DA SILVA COSTA. Orientador: Prof. Dr. Vladimir Levit. Vórtice Ciclônico
em Altos Níveis associado à Corrente de Jato no Nordeste Brasileiro nos Anos de 1998 –
2007. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Meteorologia). Instituto de Ciências
Atmosféricas – ICAT. Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Maceió, Alagoas, Brasil.
(113p). 2010.
RESUMO
A ligação entre os Vórtices Ciclônicos em Altos Nivéis (VCAN) e a Corrente de Jato na
região Nordeste do Brasil (CJNEB) foram analisados por 10 anos (1998-2007). Estes estudos
são necessários para a melhoria da previsão meteorológica de curto prazo no Estado de
Alagoas, Brasil. O Centro Nacional de Previsão Ambiental / National Center for Atmospheric
Research (NCEP / NCAR) , disponibiliza dados de reanálise para elaborar campos de linhas
de corrente em conjunto com magnitude do vento em 200 hPa nos quatros horarios sinóticos
(UTC). A analise foi feita em 3.652 campos que foram gerados respresentando os dias de cada
ano. Todos os eventos de vórtices com e sem CJNEB foram identificados. Durante o período
de estudo 214 VCAN próximo ao NEB foram observados e 147 deles acima do Estado de
Alagoas. Em 63% dos eventos de VCAN próximo a Alagoas foram associados com CJNEB.
As durações de VCAN e VCAN associado a CJNEB foram, em média, 3,8 e 3,0 dias,
respectivamente. Os VCAN foram observados durante todo o ano, exceto em julho. O VCAN
com CJNEB foram registrados durante todo o ano excluindo julho e setembro, e foram mais
fortes do período mais quente (novembro-março). Todos CJNEB eram fracas, com velocidade
do vento no centro do núcleo em média 32ms-1. E o valor máximo alcançou 44ms-1. A
velocidade predominante foi entre 20 e 28ms-1 , e foi registrada em 78% dos eventos. A
direção da CJNEB foram observados com maior frequência com sentidos de sul, oeste e
sudeste. Três padrões de circulação zonal, meridional e transversal foram obtidos. Por
exemplo, cada padrão de circulação foi descrito em detalhes. A precipitação no Estado de
Alagoas, associada ao aos eventos de Padrão zonal, meridional e transversal, foram estudados.
Palavras-chave: VCAN. CJNEB. Padrões de Circulação. Precipitação. Brasil Nordeste.
iv
MICEJANE DA SILVA COSTA. Leader: Prof. Dr. Vladimir Levit. Cyclonic vortex of
high levels associated with the jet stream in Northeast Brazil in the Years 1998 to 2007.
Dissertation (Graduate Program in Meteorology). Institute of Atmospheric Sciences – ICAT.
Federal University of Alagoas – UFAL. Maceió, Alagoas, Brasil. (113p). 2010.
ABSTRACT
Connection between upper tropospheric cyclonic vortex (UTCV) and jet stream in the
Northeastern region of Brazil (JSNEB) were analyzed for 10 years (1998-2007). These studies
are necessary for short term weather forecasting improvement in the Alagoas State of Brazil.
The National Centers for Environmental Prediction/ National Center for Atmospheric
Research (NCEP/NCAR) reanalysis data were used for elaborate 200 hPa streamlines fields at
00:00 UTC. The 3.652 streamlines fields were analyzed. All events of UTCV with and
without JSNEB were identified. During study period 214 UTCVs near NEB were observed
and 147 of them above the Alagoas State. 63% UTCV events near Alagoas were associated
with JSNEB. The durations of UTCVs and UTCV with JSNEB were on an average 3.8 and
3.0 days, respectively. The UTCVs were observed throughout the year, excluding July.
UTCV with JSNEB were registered throughout the year except July and September and were
stronger in the warm period (November - March). All JSNEB were weak, wind velocity at
the nucleus center was at an average 32(verificar valor) ms-1 and value maximum reached
44m/s. The predominant velocity was 20-28ms-1 and was registered in 78% of events. The
CJNEB direction from South, West, Nortwest and Southeast were observed more frequently.
Three circulation pattern Zonal, Meridional and Transversal were obtained. For example, each
circulation pattern was described in details. The precipitation in Alagoas State, associated
with the Zonal, Meridional and Transversal events, were studied.
Keywords: VCAN. Jet Stream. Winds in the region northeast of Brazil. Circulation Patterns.
v
LISTA DE FIGURAS
Página
FIGURA 01
Seção vertical, mostrando a zona de forte baroclinia na troposfera (entre
A e C); zona frontal e corrente de jato (J), situada sobre a vertical B.
FONTE: Palmén, Newton, 1969.
05
FIGURA 02
Dimensões laterais da corrente de jato
FONTE: British Broadcasting Corporation (BBC), 2002.
05
FIGURA 03
Posição geográfica da corrente de jato
06
FIGURA 04
Representação esquemática da circulação global das Correntes de Jato
Polar e Subtropical.
07
FIGURA 05
Representação esquemática da circulação meridional e as correntes de
jato associadas. FONTE: Adaptado de NWS/NOAA.
07
FIGURA 06
Configuração típica da nebulosidade e escoamento do vento em altos
níveis, relacionada com a permanência das zonas frontais no Sul e
Sudeste do Brasil. Linha tracejada-pontilhada (vermelha), CJS; linha
tracejada (azul), CJP. Imagem no canal infravermelho SMS/GOES de
1983. FONTE: Adaptado de Kousky e Cavalcanti (1984).
10
FIGURA 07
Posicionamento da corrente de jato em relação às massas de ar quente e
fria. FONTE: CAMPOS, 2006
12
FIGURA 08
Máximo de vento e redemoinhos ou vórtices.
FONTE: HPC/NCEP e Uccellini e Kocin (1987)
14
FIGURA 09
Representação esquemática da estrutura vertical da corrente de jato para o
hemisfério sul. FONTE: Adaptado da University of North Carolina at
Chapel Hill.
Representação esquemática do eixo da corrente de jato.
FONTE: Adaptado de Medina (1976).
15
FIGURA 11
Formação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VC) sobre o Oceano
Atlântico sul (A, B e C)
FONTE: Adaptado de VAREJAO – SILVA, 2005.
18
FIGURA 12
Adaptado de VAREJAO – SILVA, 2005.
FONTE: Kousky e Gan (1981).
19
FIGURA 13
Formação esquemática de um VCAN
FONTE: BJERKNES, 1951.
19
FIGURA 14
Imagem do satélite GOES do dia 13 de junho de 1980 às 06:17Z, sobre a
América do Sul. FONTE: Gan (1982)
21
FIGURA 10
vi
16
FIGURA 15
Imagem do satélite GOES do dia 22 de dezembro de 1980 às 12:16Z,
sobre a América do Sul. FONTE: Gan (1982).
23
FIGURA 16
Esquema
do
perfil
vertical
FONTE: CONDE E DIAS, 2000
24
FIGURA 17
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Alta)
24
FIGURA 18
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Africana I)
25
FIGURA 19
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Africana II)
25
FIGURA 20
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Clássica)
26
FIGURA 21
Ciclo anual da AB e seu perfil vertical. FONTE: Molion (2008).
27
FIGURA 22
Região selecionada para visualização dos Sistemas Sinóticos (Área 1 e 2).
30
FIGURA 23
Distribuição espacial das estações Pluviométricas nas regiões ambientais
do estado de Alagoas (ponto azul). FONTE: DMET/SEMARH
Freqüência de ocorrência versus precipitação média em Alagoas (mm/dia)
(A) e distribuição de freqüência acumulada relativa (B), para os casos de
VCAN+CJNEB.
Localização do VCAN associado à CJNEB, ligado ao HN e HS pelas
correntes CJHS e CJHN, 04 fev. de 2007 as 00 UTC.
Freqüência mensal das ocorrências do VCAN e VCAN+CJ com
velocidades superiores a 20 m.s-1. Período (1998 -2007).
Distribuição mensal do VCAN e VCAN+CJ no período de 1998 – 2007
(área 2)
Quantidade dos dias (D) com CJNEB em vários sentidos (A); Freqüência
dos casos em meses (B); Freqüência dos vários tipos de Intensidade (C);
Freqüência dos casos em anos (D);
Exemplos dos freqüentes sentidos da corrente de jato: a) CJ Transversal;
b) CJ Zonal; c) CJ Meridional. FONTE: NCEP/NCAR
Mostra os três padrões da CJNEB, por meio de uma média diária
utilizando campo das linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento
(m.s-1).
Linha de corrente e magnitude do vento com os três tipos de corrente de
jato presentes nos HN e HS – Padrão tipo Zonal. FONTE: NCEP/NCAR
Posição da trajetória do centro do VCAN indicando sua trajetória (inicio
– fim) entre os dias 8 e 20 de janeiro de 2001. FONTE: NCEP/NCAR
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) em dias
alternados no mês de janeiro de 2001.
Sistema sinótico associados com a CJNEB tipo Zonal ( ) de W-E:
VCAN ( ) e Alta do Atlântico Sul ( ), mostrados no campo de linha
de corrente e magnitude do vento (m.s-1) em 200hPa (a – b) e Imagem do
satélite GOES – 8 , IR e VW (c – d) para o dia 11/01/2001 às 1800Z.
FONTE: NCEP/NCAR
Distribuição espacial da Precipitação acumulada (mm/dia), durante o dia
11 de janeiro de 2001, onde o VCAN+CJNEB tipo zonal.
FONTE: DMET/SEMARH
31
FIGURA 24
FIGURA 25
FIGURA 26
FIGURA 27
FIGURA 28
FIGURA 29
FIGURA 30
FIGURA 31
FIGURA 32
FIGURA 33
FIGURA 34
FIGURA 35
vii
de
um
VCAN.
32
34
40
44
45
47
51
52
53
55
56
57
FIGURA 36
FIGURA 37
FIGURA 38
FIGURA 39
FIGURA 40
FIGURA 41
FIGURA 42
FIGURA 43
FIGURA 44
FIGURA 45
FIGURA 46
FIGURA 47
FIGURA 48
Linha de corrente e magnitude do vento com os três tipos de corrente de
jato presentes nos HN e HS – Padrão tipo Transversal.
FONTE: NCEP/NCAR
Posição do centro do VCAN indicando sua trajetória entre os dias 27 e 31
de outubro de 2001. FONTE: NCEP/NCAR
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 a
31 de outubro de 2001. FONTE: NCEP/NCAR
Sistema sinótico associados com a CJNEB tipo Transversal ( ) de NWSE: CJSHN, CJSHS, VCAN ( ) , AB ( ) e Alta do Atlântico Sul ( ),
mostrados no campo de linha de corrente e magnitude do vento (m.s-1) em
200hPa (a – b) e Imagem do satélite GOES 8 , IR e VW (c – d) para o dia
28/10/2001 às 1800Z. FONTE: NCEP/NCAR
Distribuição espacial da Precipitação acumulada (mm/dia), durante o dia
28 de outubro de 2001, onde o VCAN+CJNEB tipo transversal.
FONTE: DMET/SEMARH
Linha de corrente e magnitude do vento com os três tipos de corrente de
jato presentes nos HN e HS – Padrão tipo meridional.
FONTE: NCEP/NCAR
Posição do centro do VCAN indicando sua trajetória entre os dias 01 e 12
de dezembro de 2001;
FONTE: NCEP/NCAR
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 a
31 de outubro de 2001.
FONTE: NCEP/NCAR
Sistema sinótico associados com a CJNEB Meridional ( ) de S-N:
CJSHN, CJSHS, VCAN ( ) e AB ( ), mostrados no campo de linha de
corrente e magnitude do vento (m.s-1) em 200hPa (a – b) e Imagem do
satélite GOES – 8 , IR e VW (c – d) para o dia 11/12/2001 às 1800Z.
Precipitação acumulada (mm), durante o dia 11 de dezembro de 2001.
FONTE: DMET/SEMARH
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 05 a
21 de janeiro de 2001, em quatro horários UTC (Tipo ZONAL).
FONTE: NCEP/NCAR
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 a
de
2001,
em
quatro
horários
UTC
31
de
outubro
(Tipo TRANSVERSAL ). FONTE: NCEP/NCAR
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 24
de novembro de 2000 a 21 de janeiro de 2001, em quatro horários UTC
(Tipo MERIDIONAL). FONTE: NCEP/NCAR
viii
58
58
60
62
63
63
64
66
67
68
82
88
91
LISTA DE TABELA
Página
TABELA 01
Número de eventos e quantidade em dias de VCAN e VCAN+CJ em área
1 e 2 com suas respectivas porcentagem (Freqüência) em que esses
eventos ocorrem ano a ano, durante os 10 anos (A1% e A2%). %
apresenta o total em Freqüência com qual freqüência os sistemas da Área
2 teve presente na Área 1.
39
TABELA 02
Número de eventos de VCAN observados por VAZ, 2009 e COSTA,
2010.
42
TABELA 03
Distribuição máxima da precipitação nas regiões ambientais do estado de
Alagoas, tendo posição da CJ (Zonal). (ZM) Zona da Mata; (BSF) Baixo
São Francisco; (A) Agreste; (L) Litoral; (S) Sertão e (SSF) Sertão do São
Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
78
TABELA 04
Distribuição máxima da precipitação nas regiões ambientais do estado de
Alagoas, tendo posição da CJ (Transversal). (ZM) Zona da Mata; (BSF)
Baixo São Francisco; (A) Agreste; (L) Litoral; (S) Sertão e (SSF) Sertão
do São Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
79
TABELA 05
Distribuição máxima da precipitação nas regiões ambientais do estado de
Alagoas, tendo posição da CJ (Meridional). (ZM) Zona da Mata; (BSF)
Baixo São Francisco; (A) Agreste; (L) Litoral; (S) Sertão e (SSF) Sertão
do São Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
80
ix
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
A
Agreste
AB
Alta da Bolívia
AAS
Anticiclone do Atlântico Sul ou Alta do Atlântico Sul
AS
América do Sul
BBC
British Broadcasting Corporation
BSF
Baixo São Francisco
CAN
Cavado em Altos Níveis
CCM
Complexos Convectivos de Meso-escala
Cbs
Cumulunimbos
Ci
Cirrus
CJ
Corrente de Jato
CJHN
Corrente de jato do Hemisfério Norte
CJHS
Corrente de jato do Hemisfério Sul
CJS
Corrente de jato Subtropical
CJSHN
Corrente de jato Subtropical do Hemisfério Norte
CJSHS
Corrente de jato Subtropical do Hemisfério Sul
CJP
Corrente de Jato Polar
CJPHN
Corrente de jato Polar do Hemisfério Norte
CJPHS
Corrente de jato Polar do Hemisfério Sul
CJNEB
Corrente de jato do Nordeste Brasileiro
DMET
Diretoria de Meteorologia
E
Leste
ENOS
El Ninõ Oscilação Sul
Grads
Grid Analysis and Display System
GOES
Geostrationary Satellite Server
HN
Hemisfério Norte
HS
Hemisfério Sul
hPa
Hectopascal (unidade de medida de pressão atmosférica)
HPC
Hydrometeorological Prediction Center (Centro de Previsões
Hidrometeorológicas)
IR
Infravermelho
x
JBN
Jato de Baixos Níveis
km
Quilômetro
km.h-1
Quilômetro por hora
L
Litoral
M
Meridional
METEOSAT É uma constelação de satélites geoestacionários Europeus
mm/dia
Milímetro por dia
-1
Metro por segundo
m.s
N
Norte
NCAR
National Center for Atmospheric Research
NCEP
National Centers for Environmental Prediction
NE
Nordeste
NEB
Nordeste do Brasil
NVA
Advecção de vorticidade negativa ou anticiclônica
NVM
Núcleos de ventos máximos
NW
Noroeste
PVA
Advecção de vorticidade positiva ou ciclônica.
S
Sertão
S
Sul
SEMARH
Secretária de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos
SE
Sudeste
SSF
Sertão do São Francisco
SW
Sudoeste
T
Transversal
UTC
Tempo Universal Coordenado
VCAN
Vórtice Ciclônicos em Atos Níveis
VCAN+CJ
Vórtice Ciclônicos em Atos Níveis associado a Corrente de Jato
W
Oeste
WV
Vapor d’água
Z
Zonal
ZCAS
Zona de Convergência do Atlântico Sul
ZM
Zona da Mata
xi
SUMÁRIO
1
Resumo
Abstract
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
Lista de Siglas e Abreviaturas
INTRODUÇÃO
Página
iv
v
vi
Ix
X
01
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
04
2.1
2.1.1
2.1.2
2.1.3
2.2
2.3
2.4
2.4.1
2.4.2
2.4.3
2.5
3
3.1
3.2
3.2.1
3.3
3.4
3.5
3.6
4
4.1
Corrente de Jato (CJ)...........................................................................
Corrente de jato ‘POLAR, SUBTROPICAL’ ........................................
Corrente de Jato no Nordeste Brasileiro ................................................
Localização da Corrente de Jato pelas imagens de satélite....................
Fluxo Zonal e Meridional ....................................................................
Variações no verão e no inverno..........................................................
VCAN.....................................................................................................
Tipo Palmén ...........................................................................................
Tipo Palmer ............................................................................................
Processos de formação do VCAN
tipo Palmer .................................
Alta da Bolívia (AB) .............................................................................
MATERIAIS E MÉTODOS
Regiões de Estudo ................................................................................
Dados para identificação CJNEB e VCAN ........................................
Dados pluviométricos ............................................................................
Imagens de satélite ...............................................................................
Ferramentas utilizadas.........................................................................
Metodologia ..........................................................................................
Padrões de Circulação da CJNEB associado ao VCAN ...................
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Análise da freqüência do VCAN e VCAN+CJ no período
estudado
Freqüência anual ....................................................................................
Freqüência mensal .................................................................................
Variações das freqüências dos VCAN e VCAN+CJ entre os Anos.
Análises da Intensidade e Sentido da CJNEB ...................................
Precipitação ..........................................................................................
Padrões de Circulação da CJNEB associado ao VCAN ..................
Padrão da CJNEB do tipo Zonal ...........................................................
Padrão da CJNEB do tipo Transversal ..................................................
Padrão da CJNEB do tipo Meridional ...................................................
Diferenças e Semelhanças entre os três Padrões da CJNEB..................
Exemplos das CJNEBs associados ao VCAN.....................................
04
06
08
09
10
11
17
21
22
24
26
30
30
30
31
33
33
33
35
36
36
4.1.1
4.1.2
4.2
4.3
4.4
4.5
4.5.1
4.5.2
4.5.3
4.5.4
4.6
xii
36
40
40
45
47
48
48
49
49
50
52
4.6.1
4.6.2
4.6.3
4.6.4
4.7
4.7.1
4.7.2
4.7.3
4.8
4.8.1
4.8.2
4.8.3
5
Exemplo do tipo Zonal ..........................................................................
Trajetória do VCAN ..............................................................................
CJNEB tipo Zonal e sistemas sinóticos associados................................
Precipitação ............................................................................................
Exemplo do tipo transversal................................................................
Trajetória do VCAN...............................................................................
CJNEB tipo Transversal e sistemas sinóticos associados.......................
Precipitação.............................................................................................
Exemplo do tipo Meridional................................................................
Trajetória do VCAN...............................................................................
CJNEB tipo Meridional e sistemas sinóticos associados........................
Precipitação.............................................................................................
CONCLUSÕES
REFERÊNCIAS
APÊNDICES
xiii
52
52
56
57
57
58
61
62
63
64
68
68
69
71
77
1
1 INTRODUÇÃO
A descoberta da CJ ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando aviões
bombardeiros sobrevoavam as Ilhas Japonesas a uma altura aproximada de 10 quilômetros e
algumas vezes, permaneciam praticamente parados em relação ao solo, em virtude da
existência de ventos fortes em sentido contrario ao seu movimento (RIEHL, 1969).
Em 1947, um vôo estava em andamento em direção ao oeste, cruzando os Andes. O
avião, do tipo Stardust, estava a caminho de Santiago, Chile, mas nunca chegou lá. Um avião
de 20 toneladas, tripulação e seis passageiros desapareceram sem deixar rastros, sendo que
alguns destroços do Stardust foram encontrados no ano 2000. A pesquisa que se seguiu,
revelou o modo como o avião desapareceu e o papel que a “corrente do jato” tinha
desempenhado. Em seu vôo final, a 60 anos atrás, o piloto tinha encontrado uma tempestade
sobre os Andes e subiu para 7.300 metros, para passar por cima dela. Ocorre que, a esta
altitude, o avião estava voando dentro do jato sulista, mas o piloto não sabia disto. Naquela
época pouco se sabia sobre a “corrente do jato”, não havia navegação por instrumentos. Eles
não tinham idéia de que uma poderosa “corrente de jato” estava reduzindo a velocidade
dramaticamente. Sem radar e com cobertura de nuvens abaixo, a tripulação acreditou que
tinham ultrapassado a cadeia de montanhas e estavam prontos para descer até Santiago. Na
realidade, eles estavam voando na face dos Andes. O avião bateu no topo de uma geleira,
matando todos instantaneamente. O choque produziu uma avalanche que enterrou os restos do
avião. Escondidos embaixo do gelo os destroços desceram lentamente a geleira por 60 anos,
até eventualmente emergir na base, desvendando o mistério do desaparecimento do Stardust.
Estes viajantes perderam a vida porque ninguém sabia que essa “corrente de jato” estava lá.
Os pilotos de hoje sabem onde estão as “correntes do jato”, principalmente porque
embarcam os aviões nessas correntes e as linhas aéreas economizam combustível nessas
viagens. Com isso despertou o interesse de pesquisadores sobre esse assunto, dando mais
ênfase ao estudo das mesmas.
O Nordeste Brasileiro sofre alterações no tempo, devido à presença de sistemas
meteorológicos, tais como: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtices Ciclônicos
em Altos Níveis (VCAN), Cavados de Altos Níveis (CAN), frentes frias, ondas de leste,
linhas de instabilidade entre outros. Esta região apresenta também uma acentuada
variabilidade espacial e temporal no seu regime de chuvas (Kousky, 1979).
2
Os VCANs são um dos principais mecanismos de mudança do tempo na América do
Sul em especial no Nordeste. Os vórtices ciclônicos podem ser classificados também como
úmidos ou secos, dependendo da quantidade de nebulosidade associada (Lourenço e Gan,
1996). Os vórtices úmidos estão associados a muita nebulosidade, atingindo níveis mais
baixos da atmosfera. Já os vórtices secos, estão confinados na média e alta troposfera,
possuindo pouca nebulosidade, além de movimento descendente e seco no seu centro. No
caso dos vórtices existem dois tipos: O Palmen que este localizado nas latitudes subtropicais
com maior ocorrência no inverno e primavera. O tipo Palmer localiza-se nas latitudes
tropicais, em especial na região nordeste do Brasil com ocorrência no verão, forma-se graças
à intensificação da crista da alta da Bolívia, juntamente com a intensificação do cavado
abaixo, sobre o Oceano Atlântico (Kousky e Gan 1981, citado por Lourenço e Gan, 1996).
Segundo Campos e Fedorova (2006), outros sistemas sinóticos mostraram ligações
dos VCAN’s no Hemisfério Sul (continente e oceano) com VCAN do Hemisfério Norte,
Vórtices de Médios Níveis e Corrente de Jato de Baixos Níveis.
Em altos níveis da atmosfera, próximo à tropopausa, existe uma região onde os ventos
de oeste, adquirem velocidades máximas. A velocidade desses ventos aumenta com altura, a
partir da superfície terrestre, devido à existência de gradientes meridionais de temperatura,
esse escoamento caracterizado por valores máximos de ventos superiores a 30 m/s é
denominado corrente de jato ou simplesmente jato. Caracterizado por forte cisalhamento
vertical e lateral do vento (Reiter, 1969).
A corrente de jato do nordeste brasileiro (CJNEB) localiza-se geralmente próximo dos
200 hPa na tropopausa tropical entre as latitudes de 20ºS e o Equador tendo maior ocorrência
e desenvolvimento durante os meses de inverno (GOMES 2003 e CAMPOS 2005). A posição
do núcleo de velocidades máximas varia e a corrente pode persistir por 24h e, às vezes, de 3 a
4 dias (FEDOROVA, 1999).
No primeiro estudo sobre Corrente de Jato do Nordeste Brasileiro (CJNEB) próximo
de Alagoas (Gomes, 2003), foram identificadas fortes correntes de ar em altos níveis. Estas
correntes foram registradas durante todas as estações do ano. As velocidades das correntes, na
maioria dos casos estiveram no limite de velocidade característica das CJ (30m/s). Entretanto,
no inverno e na primavera os valores médios da velocidade do vento, no eixo da corrente,
foram maiores do que o limite e os valores máximos atingiram 50m/s. Estes sistemas causam
perturbações nos campos meteorológicos de médios a altos níveis da atmosfera e nem sempre
são de fácil identificação. A passagem destes sistemas é de suma importância na determinação
das condições do tempo local.
3
Diante do exposto, o objetivo desse trabalho foi avaliar a influência do VCAN
associado com a CJNEB (VCAN+CJ), visando uma melhoria na previsão de tempo no Estado
de Alagoas.
Para isso foi feita, uma análise de 10 anos (1997-2007), das ocorrências, intensidades,
sentidos da CJNEB na periferia do VCAN (Tipo Palmer), próximo do Estado de Alagoas,
estudando a Freqüência com que ocorrem esses eventos juntos, para determinação dos
padrões de circulação da CJNEB associada ao VCAN.
4
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Este capítulo tratou de algumas discussões relativas a trabalhos, definições e
pesquisas, relacionados aos Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCAN), Corrente de Jato
(CJ) e Alta da Bolívia (AB).
2.1 Corrente de Jato (CJ)
A corrente de jato pode ser definida como fortes ventos em altos níveis da atmosfera
que se deslocam de oeste para leste presentes em uma faixa, relativamente estreita, na
troposfera superior das latitudes médias e regiões subtropicais presentes no hemisfério norte e
hemisfério sul. Essa corrente flui como uma faixa semi-contínua ao redor do globo, onde
possui regiões com grande diferença de temperatura, ou seja, quando o ar polar frio, se move
para o equador, encontra o ar equatorial quente, que está se movendo para o pólo (levando
calor aos pólos e frio para os trópicos), sendo um ingrediente chave na previsão do tempo.
Quando essas duas massas de ar se encontram, um vento de alta velocidade ou jato é
gerado. Conforme a Terra gira, este ar em rápido movimento flui ao redor do planeta. Quanto
maior o contraste de temperatura, mais rápido é o jato.
As correntes de jato (CJ) possuem ventos a cerca de 6 km de altitude, provocados por
abruptas diferenças de temperatura entre a troposfera e a estratosfera, mais especificamente na
tropopausa, entre o ar tropical quente e o ar frio polar. Podem estender-se ao longo de
milhares de quilômetros de comprimento e alguns quilômetros de largura. A posição da
corrente de jato com referência à posição da tropopausa e da zona baroclínica intensa é
mostrada no esquema da seção vertical da atmosfera na Figura 1 (PALMÉN e NEWTON,
1969).
Fedorova (2008) verificou que o jato é um escoamento de ar na alta troposfera ou
estratosfera, com velocidades maiores que 30m.s-1 (108km.h-1 ou 60 nós), alcançando, por
vezes, 160km.h-1.
5
FIGURA 1
FONTE:
Seção vertical, mostrando a zona de forte baroclinia na troposfera (entre A e C); zona
frontal e corrente de jato (J), situada sobre a vertical B.
Palmén e Newton, 1969.
Normalmente, as correntes de jato fluem por uma extensão de aproximadamente 1000
km, com aproximadamente 100 km, de largura e apenas 1 km de espessura (Figura 2).
FIGURA 2
FONTE:
Dimensões laterais da corrente de jato
British Broadcasting Corporation (BBC), 2002.
O cisalhamento vertical do vento é da ordem de 5-10 m.s-1 por km e o cisalhamento
lateral, de 5m.s-1 por 100 km. Popularmente conhecido também como Jet Streams, ou seja, ar
encaixado no fluxo geostrófico, de oeste nos dois hemisférios norte e sul. O padrão em onda
dos ventos fornece um importante mecanismo para transferência de calor através das latitudes
6
médias: de um lado de uma onda, ar quente é dirigido para o pólo, enquanto do outro lado ar
frio é dirigido para o equador. Há duas Correntes de Jatos principais, uma em cada hemisfério
(Figura 3); a mais forte é a do Hemisfério Norte (HN), ela se forma a alta altitude quando o ar
quente dos trópicos se encontra com o ar frio do Pólo Norte (PALMÉN E NEWTON, 1969).
FIGURA 3
FONTE:
Posição geográfica da corrente de jato
Campos (2006)
2.1.1 Corrente de jato ‘POLAR e SUBTROPICAL’
Há dois tipos de corrente de jato (Polar e Subtropical), ambas localizadas na
tropopausa, onde há mistura do ar troposférico e estratosférico, as quais têm sido amplamente
investigadas.
A corrente de ventos mais próxima dos pólos é chamada de Corrente de Jato Polar (CJP), e
aquela mais próxima da região subtropical denomina-se Corrente de Jato Subtropical (CJS),
em detalhe na Figura 4 (AHRENS, 2000).
7
Corrente de Jato Polar
Corrente de Jato Subtropical
FIGURA 4
FONTE:
Representação esquemática da circulação global das Correntes de Jato Polar e
Subtropical.
Adaptado de USP
A corrente de jato Polar forma-se na fronteira entre a circulação polar e a célula de
Ferrel; encontra-se geralmente entre as latitudes de 35ºS a 70ºS com aproximadamente 13 km
de altura ou em nível de pressão (~200hPa) (Figura 5). A sua posição é mais próxima ao
equador durante o inverno do que no verão. A corrente de jato Subtropical forma-se onde as
células de Ferrel e Hadley se encontram. CJS está associada à circulação da Célula de Hadley
e geralmente fica localizada no limite polar dessa célula, entre as latitudes de 20S a 35S,
conforme Figura 5 (AHRENS, 2000).
FIGURA 5
FONTE:
Representação esquemática da circulação meridional e as correntes de jato
associadas.
Adaptado de NWS/NOAA.
Segundo Palmem e Newton (1969), a circulação de Hadley é um dos principais
mecanismos para a manutenção da CJS. Esta corrente é mais regular e sua posição média
muda em direção ao equador no período de inverno e em direção aos pólos no verão.
8
A CJS tem aspecto de uma banda longa e estreita de cirrus. Esse jato é mais
desenvolvido na estação de inverno onde a circulação média meridional é mais intensa
(HASTENRATH, 1991).
As Correntes de Jato se propagam em forma de ondas, dando origem a cavados e
cristas em altos níveis. Quando a CJ forma um cavado, o ar tende a divergir, formando um
sistema de baixa pressão naqueles níveis. Como conseqüência, o ar da superfície ascende,
formando um sistema de baixa pressão na superfície. Caso o ar flua ao redor das cristas de
uma CJ, o mesmo convergira, dando origem a uma zona de alta pressão.
Como o ar fluirá troposfera abaixo, em função da presença de ar quente no seu topo,
haverá subsidência e será formado um sistema de alta pressão a superfície, mantendo o tempo
firme. Um indicador comum da posição do eixo da CJ (área com a maior velocidade do vento
na CJ) é a presença de nuvens cirruformes (CONOVER, 1960; VALOVCIN, 1968;
DOSWELL, 1976), que tendem a se formar a sul ou sudeste do eixo no Hemisfério Sul (HS).
2.1.2 Corrente de jato no Nordeste Brasileiro (CJNEB)
A corrente de jato do nordeste brasileiro (CJNEB) localiza-se geralmente próximo dos
200 hPa na tropopausa tropical entre as latitudes de 20ºS e o Equador tendo maior ocorrência
e desenvolvimento durante os meses de inverno e primavera (GOMES 2003 e CAMPOS
2005).
Segundo Gomes (2003), as correntes de jato no Nordeste do Brasil (CJNEB) foram
encontradas em todas as estações do ano sobre o Estado de Alagoas. Nos meses de janeiro
(verão) e abril (outono), a velocidade média da CJNEB ficou abaixo de 30m/s. Já nos meses
de julho (inverno) e outubro (primavera) os ventos médios foram superiores a 30m/s. As
CJNEB no período seco do ano (novembro-dezembro-janeiro) mostraram ter ligações com os
VCAN, isso pode ser confirmado nos resultados apresentados nesse estudo.
Alguns estudos mostraram a existência de correntes de ventos fortes em altos níveis,
entre o setor nordeste da Alta da Bolívia (AB) e o setor sudoeste do VCAN (possivelmente
associado ao jato subtropical), que contribuem para manutenção do vórtice (RAMIREZ,
1996). Virji (1981) também observou que os ventos com componente sul entre a AB e o
Cavado em Altos Níveis (CAN) podem alcançar velocidades superiores a 20m.s-1.
Células de circulação, criadas pela CJNEB e pelos ventos Alísios, foram responsáveis
pela formação de movimentos ascendentes que contribuíram para formação de Complexos
9
Convectivos de Meso-escala (CCM) a leste do estado de Alagoas (FEDOROVA ET AL.
2005).
Outros estudos (Campos e Fedorova (2006) mostraram ligações com VCAN no
Hemisfério Sul (no continente e oceano), VCAN do Hemisfério Norte, Vórtices de Médios
Níveis e Corrente de Jato de Baixos Níveis. Alguns destes sistemas sofreram mudanças na
estrutura devido às circulações transversais da CJNEB.
2.1.3 Localização da Corrente de Jato pelas imagens de satélite
Embora a localização da posição dos jatos em imagens de satélite não seja tão fácil
quanto se possa imaginar, uma variedade de padrões comuns pode ser usada para indicar onde
o máximo do jato ocorre. O eixo do jato é usado para descrever a área de maior velocidade
dos ventos numa corrente de jato. Um indicador comum da posição do eixo do jato é nuvens
cirrus que tendem a se formar a sul ou Sudeste do eixo (no HS). Essas formações de nuvens,
têm uma borda bem definida no seu limite em direção ao Pólo. Freqüentemente, a corrente de
jato passa sobre nuvens de baixos níveis e as cobre com seu escudo de cirrus. Quando
nenhuma zona de cirrus está presente, mas outras nuvens altas e médias existem, a corrente de
jato pode ainda ser localizada. Onde o jato cruza a formação de nuvens, as bandas de nuvens
serão mais avançadas corrente abaixo (a favor da corrente). As bordas corrente acima serão
também mais avançadas que as nuvens nas vizinhanças. Mudanças abruptas no tipo da nuvem
(por exemplo, tipo das células convectivas), podem também indicar a posição das correntes de
jato nas imagens de satélite. Na Figura 6, adaptada do trabalho de Kousky e Cavalcanti (1984)
mostra-se uma imagem de satélite na qual se superpôs o escoamento do vento em altos níveis
da atmosfera. Tem-se, nessa figura, um exemplo de configuração típica da nebulosidade e do
escoamento de vento, associado à permanência de sistemas frontais no Sul do Brasil.
10
FIGURA 6
FONTE:
Configuração típica da nebulosidade e escoamento do vento em altos níveis,
relacionada com a permanência das zonas frontais no Sul e Sudeste do Brasil. Linha
tracejada-pontilhada (vermelha), CJS; linha tracejada (azul), CJP. Imagem no canal
infravermelho SMS/GOES de 1983
Adaptado de Kousky e Cavalcanti (1984).
2.2 Fluxo Zonal e Meridional
As ondas da corrente de jato possuem comprimento de onda e amplitude. O
comprimento de onda de uma típica corrente de jato está entre 50º e 75º de longitude (ou
aproximadamente 5000 km). A amplitude das ondas está geralmente entre 5º e 25º de latitude,
e pode ser muito importante para determinar o tempo. Onde as ondas da corrente de jato são
baixas em amplitude, são chamadas fluxo zonal, indicando que o ar está fluindo quase
diretamente de oeste para leste. Com fluxo zonal, um pouco de mistura do ar quente com o ar
frio ocorre, e as baixas que se desenvolvem são usualmente fracas. Altas amplitudes da onda
do jato são chamadas de Fluxo Meridional. Fluxo meridional é caracterizado por cavados
com baixa pressão e cristas com alta pressão. Estes resultam no maior transporte de massas de
ar quente e frio. Com a corrente de jato suprindo circulação e energia, o fluxo meridional
pode contribuir para o desenvolvimento de tempestades severas.
11
2.3 Variações no verão e no inverno
As características das correntes de jato mudam com as estações do ano. No inverno,
por exemplo, a corrente de jato polar no Hemisfério Norte está normalmente localizada entre
30oN e 35oN e seus ventos podem atingir 300km/h. No verão, contudo, a corrente de jato
polar vai muito mais para norte (aproximadamente 50oN) e os ventos atingem apenas
160km/h. O jato subtropical também sofre variações similares sazonais. Essas mudanças estão
relacionadas com as mudanças de estação que correspondem à forma na qual a área de
máximo aquecimento na Terra migra ao longo do ano. As diferenças sazonais na velocidade
do vento dentro das correntes de jato ocorrem porque durante o inverno, quando o pólo está
na escuridão, a gradiente de temperatura entre a região equatorial e polar atinge o seu
máximo. Durante os meses de verão, a diferença de temperatura entre o pólo e o equador é a
menor possível e os ventos são mais fracos desintensificando as CJs, já no período de inverno
a gradiente de temperatura atinge seu máximo aumentando a velocidade dos ventos e,
conseqüentemente, a intensidade das CJs. Esse raciocínio vale para ambos os hemisférios.
As correntes de jatos variam sazonalmente, já que a gradiente de temperatura varia
conforme a estação do ano. A geração de máximos de vento em altura depende diretamente
do gradiente horizontal de temperatura (HOLTON, 1979). A CJP, não é semi-permanente,
diferenciando-se assim da CJS, que está associada com a forte gradiente horizontal de
temperatura, podendo em qualquer instante coincidir com as estreitas zonas frontais em altos
níveis (PEZZI et al., 1996). A corrente de jato dá suporte, a transferência do acúmulo de
energia dos trópicos em direção aos pólos e do excesso de frio das regiões polares em direção
a região tropical. CIVITA et al.(1995), concluiu que no inverno, as diferenças de temperatura
aumentam à medida que se intensificam as correntes de jato. Pezzi et al. (1996) fizeram uma
análise do escoamento atmosférico com a finalidade de observar os 50 comportamentos
sazonais e interanuais da CJP e CJS para a América do Sul;
Segundo Gomes (2003) confirmado por Campos (2005), a maior ocorrência e
desenvolvimento da CJNEB é nos meses de inverno e primavera. Gomes
(2003)
estudou
estas correntes de ar forte em altos níveis próximo ao nordeste brasileiro, onde em alguns
casos atingiram a velocidade de 50m.s-1 no período de inverno. Em alguns casos durante o
verão, o autor observou a ligação das correntes de jato dos Hemisférios sul e norte, esta
ligação contribuiu para a formação do VCAN. Quando a CJNEB esteve associada ao VCAN
reprimiu seus movimentos ascendentes na periferia oeste do vórtice formando movimentos
subsidentes fracos.
A presença da CJ como fronteira é um sinal da existência de massas de
12
ar sendo separado pelo mesmo (Figura 7), para o hemisfério sul, o ar frio se localiza à direita
do jato (FORTUNE, 1980), enquanto no hemisfério norte o ar frio se localiza a esquerda.
A posição do centro de velocidades máximas varia e a corrente pode persistir por 24h
e, às vezes, por três a quatro dias (FEDOROVA, 1999). Sabe-se que, em algumas regiões,
mais de uma corrente de jato pode estar presente (PALMÉN and NEWTON, 1969). Muitos
sistemas sinóticos de latitudes médias parecem desenvolver-se como conseqüência da
instabilidade da corrente de jato. Esta instabilidade baroclínica depende principalmente do
cisalhamento vertical do vento (HOLTON, 1979). Browing (1985) ressalta a importância da
Corrente de Jato associando alguns casos de precipitação com a Corrente de Jato.
Kousky e Cavalcanti (1984) relacionaram o padrão do escoamento em altos níveis a
um bloqueio ocorrido na América do Sul durante o evento El Niño Oscilação Sul de 1983,
ressaltando o papel do Jato Subtropical nas intensas precipitações sobre a Região Sul.
FIGURA 7
FONTE:
Posicionamento da corrente de jato em relação às massas de ar quente e fria.
CAMPOS, 2006
Segundo James e Anderson (1984) a posição longitudinal e a intensidade dos jatos no
Hemisfério Sul apresentam uma variação interanual.
A influência da CJS sobre a América do Sul foi estudada em 1983 (ano de El Niño)
por Kousky e Cavalcanti (1984) utilizando cartas de superfície e de escoamento do vento em
altos níveis, juntamente com imagens de satélite, para 1982-1983. Os resultados obtidos pelos
13
autores indicam uma CJS bem pronunciada sobre a América do Sul e o Pacífico Leste. Como
sugerido por Bjerknes (1966), e comprovado por Arkin (1982), essa corrente atmosférica em
altos níveis é intensificada na região do Pacífico Leste durante os anos de El Niño.
Severo (1994) e Severo et al. (1994), mostram que dentre os sistemas meteorológicos
responsáveis por chuvas intensas, estão aqueles em que é sugerida uma interação entre a CJS
e sistemas frontais em baixos níveis. Entretanto, nestes trabalhos não se esclarece como esta
interação ocorre e quais são seus possíveis mecanismos.
Blackmon et al. (1977), fez um estudo muito importante, servindo de grande ajuda
para entender a questão de como a corrente de jato climatológica é mantida, se por fluxos
associados a vórtices transientes ou somente pelo escoamento médio no tempo. Os autores
ilustraram a manutenção da CJS, usando a presença do escoamento ageostrófico médio
meridional nas regiões de entrada e saída do jato para inferir a presença da circulação vertical.
Conforme Blackmon et al. (1977) a circulação na entrada do jato é termicamente
direta com movimento ascendente no lado equatorial. Dessa forma, a energia cinética do jato
é mantida por fontes térmicas de energia. A presença de uma corrente de jato assegura que
algum processo de ajuste dos campos de massa e de vento está ocorrendo nas regiões de
entrada e saída do jato.
Na região de entrada da corrente de jato, há uma aceleração ageostrófica da parcela de
ar, pois a mesma se move para o centro do jato ou núcleo de ventos máximos (NVM). Na
região de saída do jato, ocorre desaceleração ageostrófica.
Sechrist e Whitaker (1979), concluiu que, o movimento nessas regiões tem alguma
componente ageostrófica devido às mudanças de velocidade na entrada e saída da corrente de
jato. Na América do Sul, sistemas convectivos de mesoescala provocam tempo severo em
conseqüência da entrada das CJ em seu lado anticiclônico (crista) e devido a presença de uma
Corrente de Jato de Baixos Níveis (CJBN), conforme estudos de Salio et al. (2007) e Anabor
et al. (2008).
Células de circulação, criadas pela CJNEB e pelos ventos Alísios, foram responsáveis
pela formação de movimentos ascendentes que contribuíram para formação de Complexos
Convectivos de Meso-escala (CCM) a leste do Estado de Alagoas (FEDOROVA ET AL.
2005). A Figura 8(a) representa um máximo de vento de 46m/s, com a intensidade do mesmo
diminuindo para 36m/s em ambos os lados do máximo. Ao diminuir o máximo de vento, se
produz uma cortante de intensidade do vento, gerando redemoinhos ou vórtices, localizados e
direcionados para zonas de diminuição de intensidade, afastando-se do máximo.
14
Caracteristicamente, ao norte do máximo se produzirá uma cortante anticiclônica do
vento, a qual se define como positivo no Hemisfério Sul. Sendo oposto, ao Sul da máxima
produzindo uma cortante ciclônica, definida como negativa para o Hemisfério Sul (Riehl et
Al., 1952). Associado a este padrão de circulação está o movimento ascendente (descendente)
do lado ciclônico ou frio (anticiclônico ou quente) do jato, que também está de acordo com os
padrões de advecção de vorticidade (Figura 8b). Esquema de centros de vorticidade relativa
máxima (ciclônico) e mínima (anticiclônica) e padrões de advecção relacionados associados
com um jet streak contínuo. (NVA representa a advecção de vorticidade negativa ou
anticiclônica; PVA representa advecção de vorticidade positiva ou ciclônica).
(a)
FIGURA 8
FONTE:
(b)
Máximo de vento e redemoinhos ou vórtices.
HPC/NCEP e Uccellini e Kocin (1987)
Conforme o ar flui através de um cavado em uma corrente de jato, tende a divergir em
altas altitudes, formando um sistema de baixa pressão em altitudes. Isso faz com que o ar da
superfície flua para cima, formando um sistema de baixa pressão na superfície. Conforme o ar
flui para cima, tende a espiralar na direção horária (HS) e anti-horária (HN). O cavado é
conhecido como a região ciclônica da corrente de jato. Em ambos os hemisférios, os cavados
e suas baixas-pressões associadas estão caracterizados pelo ar frio ascendente que se esfria faz
com que as nuvens se formem.
A corrente de jato tem estrutura assimétrica do campo do vento e da temperatura em
torno do eixo. Próximo da tropopausa, a distribuição da temperatura é mais complicada,
porque a altura da tropopausa no ar frio é menor do que no ar quente. Nos níveis em que a
15
troposfera está em uma massa de ar e a estratosfera em outra, ocorre o nivelamento da
temperatura e nos níveis mais altos o gradiente de temperatura inverte seu sinal
(FEDOROVA, 2001). A Figura 9 mostra um jato orientado de oeste para leste, onde na
entrada A, há uma área de divergência, enquanto que na entrada A’, há uma zona de
convergência. O oposto se cumpre na saída do jato, com uma área de convergência na saída
B, e uma região de divergência na saída B’, do Jato. A avaliação dessas áreas de convergência
e divergência na entrada e na saída do jato sinaliza regiões de ascensão e subsidência de ar.
Esse fato ocasiona transformação de energia potencial em energia cinética na entrada do jato
ocasionando uma circulação direta. Na saída do jato ocorre o inverso da entrada, ocasionando
uma perda de energia cinética com consequente aumento de energia potencial disponível,
formando uma circulação indireta.
FIGURA 9
FONTE:
Representação esquemática da estrutura vertical da corrente de jato para o
hemisfério sul.
Adaptado da University of North Carolina at Chapel Hill.
A velocidade do vento no jato não é uniforme em toda a sua extensão horizontal.
Freqüentemente, os máximos dos jatos deslocam-se ao longo do eixo, no mesmo sentido do
vento (MEDINA, 1976), mas a velocidade do vento nos núcleos de ventos máximos (nvm) de
uma corrente de jato é maior do que a velocidade com que este núcleo se move (Figura 10).
Esses nvm encontram-se presentes nos regimes de escoamento extratropical e, devido a sua
importância como 28 precursores de ciclogênese e tempos severos, tem recebido significante
atenção da comunidade sinótica (CARLSON, 1991; BLUESTEIN, 1993).
16
FIGURA 10
FONTE:
Representação esquemática do eixo da corrente de jato.
Adaptado de Medina (1976).
No estudo sobre ciclogênese na América do Sul, de Gan (1982), ele constatou a
influência da circulação em altos níveis na formação e desenvolvimento de ciclones, devido
ao cisalhamento vertical e zonal do vento, e a posição da onda, em altos níveis e define onde
pode ocorrer a ciclogênese.
Pezzi et al. (1996), também realizaram um trabalho sobre a climatologia da corrente de
jato sobre a América do Sul para o período de 1985 a 1994. Observou-se que no trimestre de
verão a CJS desaparece prevalecendo a CJP ou extratropical, no trimestre de outono a CJS
apresenta-se bem definida e em processo de intensificação chegando no trimestre de inverno
em sua máxima intensidade na América do Sul e perdendo força durante o trimestre de
primavera adquirindo curvatura anticiclônica em resposta ao aparecimento da Alta da Bolívia.
O posicionamento e a intensidade do jato em altos níveis são fatores importantes para
o deslocamento dos sistemas frontais. Quanto mais ao sul e mais intenso estiver o jato mais
difícil será o avanço das frentes para latitudes baixas (Andrade, 2007).
17
2.4 VCAN
O VCAN consiste de uma circulação ciclônica fechada com núcleo frio e seu eixo
estende-se desde 200hPa até 500hPa (ARAGÃO, 1976; KOUSKY E GAN, 1981; GAN,
1982; RAMÍREZ et al., 1999), podendo alcançar a superfície em aproximadamente 10% dos
casos (FRANK, 1970 apud KOUSKY & GAN, 1981). Também são conhecidos pela
formação de uma baixa fria em altos níveis, exercendo uma forte influência nas condições do
tempo na região de atuação. Estão geralmente, associados a episódios de chuvas intensas no
Nordeste do Brasil (NEB), podendo provocar um acumulado mensal, 10 vezes superior às
normais climatológicas nas regiões localizadas sob a sua periferia ou contribuir para que o
verão seja mais seco e mais quente nas localidades sob o seu núcleo (ALVES et AL,1996
apud SILVA, 2002).
Os primeiros estudos observacionais sobre VCAN no Atlântico Sul Tropical foram
feitos por Dean (1971) e Aragão (1975). Eles mostraram que as chuvas excessivas no
Nordeste do Brasil e suas vizinhanças poderiam estar relacionadas a tais vórtices. Blanco et
al. (1996) concluíram que os VCANs são os principais sistemas indutores de precipitação na
pré-estação chuvosa do NEB.
Kousky e Gan (1981), Gan (1982) e Ramirez (1996(97)), utilizando dados
meteorológicos convencionais, análises de modelos de previsão de tempo e imagens de
satélites definiram diversos aspectos relacionados à origem, formação e deslocamento dos
VCAN. Fedorova e Fedorov (1998) analisaram a participação da corrente de jato na formação
do VCAN e perceberam que na maioria dos casos, o estágio inicial de formação ocorre na
entrada da corrente de jato ou próximo da mesma.
Os vórtices ciclônicos podem também ser classificados como "úmidos" ou "secos",
dependendo da quantidade de nebulosidade associada. Os vórtices confinados na média e alta
troposfera possuem pouca nebulosidade e são denominados secos. Os vórtices "secos",
descrito por Frank (1970), estão caracterizados por movimento descendente e seco no seu
centro. Os vórtices que atingem os níveis mais baixos da troposfera possuem bastante
nebulosidade, sendo chamados de vórtices "úmidos".
Em 1951 Bjerkns observou que a formação do VCAN ocorre devido à intensificação
de um cavado em ar superior; fato posteriormente confirmado por outros autores (ARAGÃO,
1976; KOUSKY E GAN, 1981).
A formação do vórtice está associada a um sistema de alta pressão que surge em altos
18
níveis na região da Bolívia, conhecida como a Alta da Bolívia (AB) com a pré-existência, de
um cavado frio em altos níveis sobre o Nordeste Brasileiro, que ao penetrar nos subtrópicos
pode ter uma inclinação meridional bem acentuada, o qual foi desligado de sua região fonte
polar (PALMÉN E NEWTON, 1969; KOUSKY E GAN, 1981; VIRJI, 1981; SILVA DIAS E
BONATTI, 1985; RAO E BONATTI, 1987) (Figura 11). O gênesis do VCAN estaria
relacionado com a propagação de energia de onda no sentido SO-NE.
Uma frente fria ativa, oriunda de latitudes médias, que se desloca para os trópicos,
poderia provocar essa advecção na região que precede à chegada da frente. Assim, a frente
fria organiza a convecção que contribui, através da liberação de calor latente, para a
intensificação da crista. Como conseqüência, ocorre à amplificação do cavado em altos níveis
a leste da crista e, posteriormente, a formação do vórtice. Ou seja, a intensidade do
anticiclone, sobre o continente em 200 hPa, determina a formação dos vórtices ciclônicos
sobre o oceano. (GAN E KOUSKY 1986, KOUSKY E GAN, 1981, RAO E BONATTI
1987).
A
FIGURA 11
FONTE:
Formação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VC) sobre o Oceano Atlântico
sul (A, B e C).
Adaptado de VAREJAO - SILVA, 2005.
A nebulosidade associada ao VCAN esta representada, em metade dos casos, em forma de S,
formado pelo vórtice extratropical baroclínico com frente fria e nebulosidade do VCAN em
torno do seu centro, como mostra a Figura 12.
19
FIGURA 12
FONTE:
Adaptado de VAREJAO - SILVA, 2005.
Kousky e Gan (1981).
A inclinação do eixo do cavado para oeste faz com que a parte do cavado, em baixas
latitudes, tenha uma velocidade zonal inferior ao resto do cavado atrasando-se até desprenderse completamente (Figura 13). Desse modo, uma circulação ciclônica fechada forma-se nesta
parte desprendida, ou seja, quando massas de ar de altas latitudes associadas com cavados
estendidos, tornam-se desprendidas.
FIGURA 13
FONTE:
Formação esquemática de um VCAN
BJERKNES, 1951.
De acordo com Cruz (1998), as observações demonstram que ocorre uma interação
entre o VCAN e a CJS através das circulações transversais diretas e indiretas que, estas
circulações são responsáveis pelas conversões de energia potencial disponível em cinética na
entrada da corrente de jato, e por conversões de energia cinética em potencial disponível na
saída.
20
Virji (1981) observou a presença de VCAN que se formaram na costa leste do Brasil e
deslocaram-se de leste para oeste para dentro do continente. Kousky e Gan (1981) e Gan
(1983) mostraram que estes VCAN são de centro frio e apresentam-se mais frequentes nos
meses de verão austral (dezembro e janeiro). Kousky e Gan (1981) também sugeriram sob
hipótese que o mecanismo, para a manutenção destes VCAN, consiste na conversão de
energia potencial em energia cinética pelos processos de descendência de ar frio e seco, no
centro do vórtice, e a ascendência de ar quente e úmido na sua periferia.
O caráter meridional do padrão durante o verão em 200hPa ocorre em função do forte
aquecimento em cima das três maiores áreas continentais do hemisfério sul (América do Sul,
África e Austrália) que conduz ao desenvolvimento de fortes anticiclones em 200hPa sobre os
continentes e áreas oceânicas vizinhas (KOUSKY E GAN, 1981).
Segundo Kousky e Gan, 1981; Gan, 1986 e Silva e Lima, 2001, o período de maior
permanência dos VCAN ocorrem nos meses de verão do HS época na qual a circulação no ar
superior é anticiclônica na América do Sul, sendo o mês de janeiro aquele em que o fenômeno
é mais comumente observado, com média de 15 dias, e de menor permanência nos meses de
novembro e abril, com aproximadamente 7 dias de atuação.
Segundo Molion et al. (2004) os VCAN formam-se, preferencialmente, em anos nos
quais se observa o fenômeno La Niña (resfriamento das águas superficiais do Pacífico
Equatorial) ou quando as temperaturas da superfície do Pacífico Equatorial estão próximas da
normalidade. Contudo, distúrbios ondulatórios nos ventos Alísios em níveis mais baixos
podem modificar a estrutura de seus movimentos verticais, gerando movimentos ascendentes
do ar na parte central do VCAN (RODRIGUES ET AL., 2006).
Esses VCANs podem ser classificados em dois tipos: vórtices do tipo Pálmen
(baroclínico), que se originam nas latitudes subtropicais e atuam nas regiões Sul e Sudeste do
Brasil, e os vórtices do tipo Palmer, que se originam em latitudes tropicais, atingindo a Região
Norte e Nordeste do Brasil.
21
2.4.1 Tipo Palmén
O vórtice desse tipo é mais conhecido ou chamado de Ciclone Desprendido, Baixa Cut
Off. Sua origem é aproximadamente sobre o Pacífico Sudeste ao Sul de 20°S.
Esses sistemas formam-se quando bolsões de ar frio, associados com extensos cavados
no ar superior, se desprendem e ficam confinados no lado equatorial da corrente média dos
ventos de oeste (W). A bifurcação do escoamento em altos níveis está ajudando na formação
destes bolsões de ar frio. Conforme Palmén e Newton,1969 (apud Gan, 1982), ao penetrar
nos subtrópicos, podem ter uma inclinação meridional bem acentuada.
Possuem sentido de oeste para leste; intensificam ao cruzar os Andes, passando por
Argentina, Paraguai e sul do Brasil. No seu ciclo de vida, possui todos os estágios de
desenvolvimento (crescimento baroclínico e no estágio de enfraquecimento torna-se
barotrópico). Mais frequentemente forma-se no período de inverno e primavera (Fedorova,
2008). A Figura 14 mostra um VCAN do Tipo Palmén sobre a América do Sul em 13 de
junho de 1980 às 06:17Z.
FIGURA 14
FONTE:
Imagem do satélite GOES do dia 13 de junho de 1980 às 06:17Z, sobre a América
do Sul.
Gan (1982).
22
2.4.2 Tipo Palmer
Identificado por Palmer (1951), é um dos principais sistemas meteorológicos que
provoca alterações no regime de precipitações no NEB. Conhecido como ciclones
subtropicais, localizados nas latitudes Tropicais acima de 10 km de altitude. Sua formação
ocorre, na maioria das vezes, sobre o Atlântico Sul; possui sentido de leste para oeste. O
período de formação é de novembro a março (verão), apresentando maior freqüência nos
meses de janeiro e fevereiro (Gan, 1982). Sua origem não envolve ar polar como no caso do
Palmen.
Em muitos casos, está associado a uma frente fria, originou-se de ciclone extratropical,
ou ZCAS. No geral, sua borda oeste é mais ativa, apresentando Cbs. A borda leste apresenta
Cirrus (Ci) ou nenhuma nebulosidade. Quando estacionário, apresenta nebulosidade em
praticamente toda sua periferia.
Seu tempo de vida médio é de aproximadamente 7 dias. Apresentam máxima vorticidade
ciclônica abaixo da crista, em 200hPa e um centro de ar seco e frio subsidente, que inibe a
formação de nuvens. Cerca de 60% não atingem o nível de 700hPa e em torno de 10%
atingem a superfície (Frank, 1966). Sua circulação ciclônica (horária no Hemisfério Sul)
surge inicialmente nas partes mais alta da troposfera (em torno de 12km de altura),
estendendo-se gradualmente para os níveis mais baixos (Gan, 1983). Os ventos são fracos nos
níveis baixos e médios, aumentando sua velocidade com a altura e atingindo velocidade
máxima em torno de 200hPa.
Os vórtices Ciclônicos provocam alteração no tempo e, dependendo de sua intensidade
e permanência, causam sérios problemas locais e regionais. Ao se deslocar para oeste sobre a
Região Nordeste, estes sistemas com o centro sobre o interior do continente, inibem chuvas
sobre esta região.
A trajetória dos VCAN normalmente é de leste para oeste, com velocidade de 4º a 6° de
longitude por dia (Gan, 1983). Segundo Molion (2008), algumas vezes, os VCAN ficam
oscilando na direção leste-oeste, com seus centros se deslocando centenas de quilômetros em
curto intervalo de tempo. Isso ocorre porque, sob a periferia esquerda do VCAN (o Sistema
Frontal propriamente dito), os totais pluviais são altos e a evaporação da chuva, associada à
cobertura de nuvens (que corta o fluxo de radiação solar), resfriam a superfície. Isso faz com
que o movimento ascendente desse ramo salte sobre a superfície que está sendo aquecida e
que foi umedecida previamente pela chuva.
23
Os ventos são fracos nos níveis baixos e médios, aumentando sua velocidade com a
altura e atingindo velocidade máxima em torno de 200hPa. Na Figura 15, imagem do satélite
GOES em 22 de dezembro de 1980 às 1216Z, verifica-se um VCAN do tipo Palmer sobre a
América do Sul.
FIGURA 15
FONTE:
Imagem do satélite GOES do dia 22 de dezembro de 1980 às 12:16Z, sobre a
América do Sul.
Gan (1982).
Esses vórtices Ciclônicos são caracterizados por um movimento descendente de ar frio
e seco no seu centro e um movimento ascendente de ar quente e úmido na sua periferia,
possuindo, portanto uma circulação direta. Esse fato ocasiona transformação de energia
potencial em energia cinética, segundo Kousky e Gan (1981) e Frank (1970) apud Gan
(1982).
Considerando o movimento vertical gerado pelos VCAN, estes possuem uma
circulação direta que se caracteriza por um movimento descendente de ar frio e seco no seu
centro, e movimento ascendente de ar quente e úmido na sua periferia (Figura 16), com o eixo
vertical inclinado, em direção do ar mais frio (CARLSON,1991 apud GAN, 1982).
24
FIGURA 16
FONTE:
Esquema do perfil vertical de um VCAN.
CONDE E DIAS, 2000
2.4.3 Processos de formação do VCAN
(tipo Palmer)
Os VCAN possuem quatro tipos de formação (Alta, Africana I, Africana II e Clássica),
que será descrito abaixo:
• Alta - Deve-se a intensificação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS),
que por sua vez causa a formação da Alta do Atlântico Sul de Ar Superior, resultando
na formação de um cavado a norte/noroeste desse anticiclone (Figura 17). Segundo
Fedorova (2008), a AB se encontra mais ao oeste, observa-se a corrente com
escoamento mais zonal no HN, e possui duração de 2,5 - 5 dias; Este tipo de formação
descrito por Ramirez et al.(1999).
FIGURA 17
FONTE:
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Alta)
Fedorova (2008).
25
• Africana I - Ocorre devido à intensificação de Anticiclone e da convecção na África
que faz surgir um par de anticiclones em altos níveis; AB encontra-se só ao norte no
HN; Alta de um Hemisfério influência na formação do vórtice em outro hemisfério,
possui curta duração de 2,5 - 3 dias. (Figura 18).
FIGURA 18
FONTE:
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Africana I)
Fedorova (2008).
• Africana II - A formação deste tipo de vórtice ocorre devido à intensificação do
Anticiclone na África no HN (Figura 19). Formam-se VCAN nas cristas dos
Anticiclones de Altos Níveis do HN; As faixas dos anticiclones nas latitudes 20º-30º
nos HN e HS ajudam na formação da circulação fechada do VCAN. Tem Duração de
3 - 7 dias.
FIGURA 19
FONTE:
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Africana II)
Fedorova (2008).
26
• Clássica - A formação ocorre pelo mecanismo proposto por Kousky e Gan (1981), que
está associado à intensificação da crista da AB em altos níveis e ao deslocamento de
frentes frias para latitudes baixas (Figura 20). A AB intensifica formando sua crista
mais intensa, com isso, influência na intensificação do cavado até a formação do
vórtice fechado. Esse vórtice encontra-se mais próximo ao nordeste influenciando no
tempo, com duração de 6 - 12 dias.
FIGURA 20
FONTE:
Processo de formação do VCAN tipo Palmer (Clássica)
Fedorova (2008).
2.5 Alta da Bolívia (AB)
A Alta da Bolívia (AB) é o anticiclone que ocorre na alta troposfera, no verão, sobre a
América do Sul (AS). É grande a variabilidade da sua posição e intensidade ao longo de todo
o verão (Figura 21). Para entender a variabilidade na posição e intensidade da AB é
necessário entender a interação que ela tem com outros sistemas sinóticos que agem na AS,
durante o verão. O padrão de circulação de verão indica que, corrente abaixo da AB, forma-se
uma circulação ciclônica, que também varia de posição e intensidade ao longo do verão, e
cujo efeito mais marcante é a subsidência induzida em baixos níveis sobre o NEB.
27
FIGURA 21
FONTE:
Ciclo anual da AB e seu perfil vertical.
Molion (2008).
Além do cavado corrente abaixo, as variações na AB parecem estar vinculadas
também às penetrações de sistemas frontais sobre o continente. Oliveira (1986) registrou nove
casos de ocorrência da AB, nos quais a passagem de uma frente fria, sobre a parte central do
continente, levava a AB a deslocar-se para oeste. A advecção de vorticidade negativa,
associada à penetração do cavado frontal sobre o continente, provavelmente diminui a
vorticidade na região leste da AB, provocando o seu deslocamento para oeste. Esse
mecanismo depende da profundidade do cavado frontal e da inclinação do seu eixo em
relação à AB. Além disso, a posição do eixo do jato, associado à frente, também afeta o
posicionamento da Alta. Climatologicamente, a vorticidade anticiclônica, associada ao
cisalhamento do escoamento na região do jato subtropical intensifica a circulação na região da
AB. Entretanto, mesmo sem o efeito do jato, a circulação persiste sugerindo que a liberação
de calor sob o continente seja o mecanismo fundamental de manutenção da AB (Carvalho,
1989).
Utilizando a análise do perfil vertical da estação meteorológica de Antofagasta (23°S e
70°W), Gutman e Schwerdtfeger (1965), mostraram que, no verão do Hemisfério Sul, a
camada troposférica entre 200 e 500hPa aumentava de espessura, sugerindo que a fonte de
aquecimento para gerar esse aumento na espessura estivesse vinculada à liberação de calor
associada a dois processos: calor latente devido à convecção e também calor sensível liberado
pelo Altiplano Boliviano.
Em 1980, Gill utilizou as equações da água rasa num modelo hidrodinâmico simples e
mostrou que, impondo uma forçante térmica que representasse o efeito conjunto da convecção
tropical, era possível gerar um anticiclone em altitude. A posição desse anticiclone era
28
sensível à distância meridional em que a fonte era colocada em relação ao equador. Esse
resultado motivou uma série de experimentos numéricos que visavam o entendimento do
efeito das fontes de calor nas regiões tropicais sobre a circulação nos trópicos e adjacências.
Resultados mais recentes desse tipo de experimento foram obtidos por Gandu e
Geisler (1991), que fizeram experimentos no cinturão tropical, utilizando três fontes de calor
para representar o efeito da convecção na Amazônia, Indonésia e África. Todos os
experimentos reproduziram a AB, mas o cavado corrente abaixo da AB não ficou bem
definido em termos de posicionamento quando o modelo foi forçado apenas com a fonte na
Amazônia. Esse fato foi mais nítido quando a fonte foi colocada na Indonésia, sendo
fundamental, nesse caso, o papel da advecção. Esses resultados sugerem que a distribuição da
convecção ao longo do cinturão tropical pode ser importante na determinação da posição de
ambos, AB e cavado.
O papel da não-linearidade na variabilidade climatológica da região do cavado já havia
sido sugerido anteriormente por Carvalho et. al. (1988). Os modelos hidrodinâmicos,
entretanto, são muito simples para representarem a totalidade de processos envolvidos na
dinâmica de formação e flutuação da circulação da AB e cavados, já que os processos físicos
passam a ter um papel relevante na regulação desses sistemas ao induzir em processos nãolineares mais complexos. No contexto dos processos físicos, ressalta-se o efeito da camada de
cirrus associada à região de difluência. Essa camada resfria localmente o topo da coluna
abaixo dos cirrus, e, num mecanismo similar ao do efeito estufa, aquece a coluna como um
todo. Esse processo pode intensificar a instabilidade da coluna, estimulando a convecção e
pode ter participação no desenvolvimento das linhas de instabilidade que se formam abaixo da
camada de cirrus. A interação entre a AB e o cavado pode então alterar o perfil da coluna
atmosférica através de um mecanismo físico, e esse processo é não-linear. Associadas a estas
linhas de instabilidade já ocorreram alguns episódios de chuvas intensas sobre o extremo
oeste do interior da região NE, mesmo quando a maioria da região se encontrava sob o
domínio da subsidência do cavado em altitude. Há outros mecanismos que pode ter um papel
mais relevante à formação dessas linhas, possivelmente a topografia associada à penetração de
uma circulação favorável.
Mecanismos semelhantes podem ocorrer na interação entre a AB e as penetrações
frontais. A AB pode intensificar a convecção na região frontal e a divergência em altitude
pode ajudar nesse processo. No entanto, isso depende muito das características dos dois
sistemas no instante da penetração da frente sobre o continente. É possível que a divergência
em altitude, associada à região da AB, entre em fase com a convergência úmida em baixos
29
níveis, associada à região frontal, e estabeleça-se assim um mecanismo de "feedback", que
estimule a convecção na banda frontal, e essa, por sua vez, aumente a divergência em altitude.
Entretanto o posicionamento adequado da divergência associada à AB depende de uma série
de fatores de grande escala, dentre eles a posição do jato subtropical e a distribuição da
convecção ao longo do cinturão tropical.
O cenário discutido acima sugere um tripé de interação, Alta da Bolívia, cavado e
frentes, governado por interações lineares e não-lineares que estabelecem o posicionamento e
intensidade dos sistemas e de bandas de nebulosidade associadas. A relevância do papel dos
processos físicos nesse mecanismo é, no entanto, uma questão em aberto (Spinoza, 1996). A
precipitação intensa e persistente sobre a região tropical da AS e a correspondente liberação
de calor latente (que é cerca de duas vezes maior do que o fluxo ascendente de calor sensível)
é o mecanismo que mantém anticiclones de altos níveis de “núcleo quente” em larga escala
durante o verão, ou seja, a convecção é a responsável pela manutenção da Alta da Bolívia.
30
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Regiões de Estudo
Foram utilizadas duas regiões de estudo, dando enfoque ao Estado de Alagoas (área 1,
entre 5 – 15 ºS e 20 – 40 ºW) e NEB (área 2, entre 0 – 30 ºS e 5 – 50 ºW), abrangendo toda a
região do Nordeste Brasileiro e Oceano Atlântico Sul (Figura 18). Optou-se também pela
região 2 para uma melhor visualização da origem, desenvolvimento, deslocamento,
posicionamento e dissipação dos VCAN atuantes nesta região, independentes de estarem ou
não associados a Corrente de Jato (CJ). Foi contabilizado os VCAN que no decorrer do seu
ciclo de vida, os seus centros encontravam-se posicionados nas áreas 1 e 2 (Figura 22). Foram
utilizadas as duas áreas (1 e 2), para se ter uma noção dos eventos ocorridos tanto nas regiões
litorâneas do NEB e adjacentes, dando ênfase ao Estado de Alagoas.
FIGURA 22
Região selecionada para visualização dos Sistemas Sinóticos (Área 1 e 2).
3.2 Dados para identificação CJNEB e VCAN
Foi utilizado no período de dez anos (1998 – 2007), dados de reanálise do modelo
global Reanálises do National Centers for Environmental Prediction / National Center for
31
Atmospheric Research (NCEP/NCAR), estes dados estão disponíveis na homepage
http://www.cdc.noaa.gov/. As variáveis utilizadas para o estudo da relação entre o VCAN e
Corrente de Jato no Nordeste Brasileiro (CJNEB) foram: as componentes zonal (u) e
meridional (v) do vento (m.s-1) em 200 hPa, nos horários sinóticos convencionais (00, 06, 12
e 18 UTC). Tais dados foram dispostos em pontos de grade, cuja resolução horizontal é de
2,5º x 2,5º em latitude e longitude (KALNAY et al, 1996). Segundo Silva (2005), os VCANs
ou Cavados em Alto Níveis (CAN), abrange uma faixa de longitude igual ou maior que 10º, e,
portanto a resolução de 2,5º é considerada adequada.
3.2.1 Dados pluviométricos
Os dados de precipitação foram levados em consideração após estudos dos vórtices,
com a presença da CJNEB atuando em sua periferia, para definição dos casos. Foram
utilizados dados diários de precipitação do Estado de Alagoas no período de (1998 – 2007),
fornecidos pela Secretária de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH),
por meio da Diretoria de Meteorologia (DMET). Distribuídos num total de 71 estações
pluviométricas divididas por regiões ambientais como mostra a Figura 23.
FIGURA 23
FONTE:
Distribuição espacial das estações Pluviométricas nas regiões ambientais do Estado de
Alagoas (ponto azul).
DMET/SEMARH
Devido ao grande número de dados onde não ocorreu precipitação, optou-se por
classificar apenas precipitações acima de 0,1mm/dia. Foi feita a freqüência e a freqüência
acumulada relativa da precipitação para identificar os dias em que teve maior registro de
32
chuva. Logo em seguida, verificou se houve nesses dias a presença da CJNEB na periferia do
VCAN com núcleo de ventos máximos mais intensos, atuando no NEB e adjacências.
Pode-se observar que a maior freqüência de precipitação, foi de 5mm com 279 casos,
sendo que em aproximadamente 68 casos, a precipitação foi inferior a 1 mm/dia (Figura
24A), e 66% dos casos as precipitações foram inferiores a 8,9 mm/dia (Figura 24B). Acima de
9mm/dia o número de ocorrências cai para cerca de 20%. Baseados nestes dados foram
definidos diferentes categorias para representar a precipitação média diária no Estado de
Alagoas durante a ocorrência de VCAN+CJNEB, classificada a seguir, conforme a
metodologia utilizada por Silva 2005.
• Categoria I (0% - 66%):
0,1 ≥ P ≤ 8,9 mm/dia
• Categoria II (66% - 95%):
8,9 > P ≤ 30 mm/dia
• Categoria III (95% - 100%):
P > 30 mm/dia
CAT - I
CAT - III
CAT - II
CAT - II
CAT - I
CAT - III
A
FIGURA 24
B
Freqüência de ocorrência versus precipitação média em Alagoas (mm/dia) (A) e
distribuição de freqüência acumulada relativa (B), para os casos de
VCAN+CJNEB.
33
Para o estudo de caso foram escolhidos os meses de janeiro, outubro e dezembro de
2001, sendo que cada mês representou um tipo de padrão de circulação. Esses meses foram
escolhidos por apresentarem maiores ocorrências de precipitação.
3.3 Imagens de satélite
Para a avaliação da nebulosidade associada aos VCAN foram utilizadas as imagens no canal
espectral infravermelho e vapor d’água, dos satélites GOES 8 e METEOSAT, para o período
de 1998-2007, disponíveis nos horários (00, 06, 12 e 18 UTC); Essas imagens estão
disponíveis na homepage http://www.ncdc.noaa.gov/gibbs/. Estes dados foram usados com a
finalidade de encontrar casos de nebulosidade típica associada ao VCAN e VCAN+CJ com
sistemas sinóticos associados.
3.4 Ferramentas utilizadas
A visualização gráfica e análise dos dados foram obtidos por meio do Software
GrADS (Grid Analysis and Display System) versão 2.0 2009 adaptado por Doty (2001). Esse
software permite através da leitura de um script, a visualização dos dados de reanálise do
NCEP/NCAR em pontos de grade. As tabelas de freqüência, números de eventos, sentido e
intensidade do vento na corrente de jato presente na periferia do VCAN, foram elaboradas a
partir de planilhas eletrônicas.
3.5 Metodologia
Para visualização dos VCAN e VCAN+CJ fez-se necessário analisar o campo
composto das linhas de corrente e magnitude do vento em 200 hPa, com grade compreendida
entre (30ºN – 30ºS e 5ºW – 80ºW) nos horários (00, 06, 12 e 18 UTC) equivalente a (21:00,
03:00, 09:00 e 15:00 horários de Brasília) utilizando software GrADS (Grid Analysis and
Display System) (Doty, 2001). Em seguida, foi construído um arquivo de dados diários,
relativos aos meses dos anos de 1998 – 2007, totalizando 3.652 dias. Também foi observado
34
em imagens de satélite no canal espectral infravermelho e vapor d’água, a existência do
sistema para posterior confirmação.
Como os vórtices Ciclônicos estudados podem possuir uma vida média que varia
consideravelmente, uns duram apenas algumas horas, outros mais de duas semanas. Foi
adotada a hipótese de se considerar como VCAN: inicio - formação de uma circulação
ciclônica em altos níveis (200 hPa), com permanência mínima de 24 horas; fim – término da
circulação fechada, restando apenas um cavado.
Com isso, foi possível identificar e analisar todos os casos com a passagem do VCAN
com e sem formação da Corrente de Jato (CJ) no Nordeste Brasileiro presente em sua
periferia, no período de 10 anos (1998 - 2007). Foram calculadas as quantidades dos VCANs
tanto em eventos como em dias, estando ou não associado à Corrente de Jato no Nordeste
Brasileiro. As CJNEB são mais fracas do que CJ subtropicais ou polares (Gomes, 2003), no
presente estudo foram analisadas todas as correntes de ar com velocidades a partir de 20 m/s.
Um exemplo detalhado do VCAN e CJ atuantes apresenta-se na Figura 25, possibilitando a
localização do centro do VCAN e a intensidade da CJ.
CJHN
1
FIGURA 25
2
Localização do VCAN associado à CJNEB, ligado ao HN e HS pelas correntes
CJHS e CJHN, 04 fev. de 2007 as 00 UTC.
35
Foram tabelados todos os VCANs identificados tanto na área 1 como na área 2 (Figura
25). Assim foram definidas as freqüências dos VCANs e VCAN+CJ no período em estudo.
Em seguida foram analisadas a intensidade e sentido das CJNEB para determinação do
sentido do vento e sua intensidade (velocidade máxima no núcleo) da corrente de jato (CJ)
sendo usados os mesmos campos das linhas de corrente e velocidade do vento.
3.6 Padrões de Circulação da CJNEB associado ao VCAN
Foram elaborados padrões na CJNEB, utilizando dados diários das componentes de
vento (u e v) no período (1998-2007) nas seqüências diárias dos campos de linhas de corrente
e magnitude do vento em 200 hPa, nos horários sinóticos convencionais já citados
anteriormente. Onde foi feita uma média da intensidade do vento (m.s-1) ocorrida nesses dias,
que apresentassem mesmas características sinóticas de cada padrão. Foi levada em
consideração a direção da CJNEB presente na periferia do VCAN. Para elaboração desse
script (anexo 1), foi usado a mesma metodologia utilizada por Repinaldo (2010), onde foi
feita o agrupamento dos casos e a média entre eles. Em casos que apresentavam dias corridos,
primeiramente foi feito a média destes dias, para depois fazer a média do caso inteiro, como
exemplifica a equação 1.
Equação 1
Assim, foram identificados três padrões na CJNEB e foram definidas como Padrão
meridional as correntes com sentido de (S-N), zonal (W-E) e transversal (NW-SE ou SENW), verificado na Figura 28 (A) (resultados). Os três padrões têm ligação direta do VCAN
com a presença da Alta da Bolívia (AB) e Anticiclone do Atlântico Sul (AAS), acompanhamse paralelamente com mesma inclinação e deslocamento. Depois foram definidos os meses
que apresentassem todas as características sinóticas dos três tipos de padrões de circulação da
CJNEB.
36
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Análise da freqüência do VCAN e VCAN+CJ no período estudado
Segundo Gan e Kousky (1986), os VCANs são observados somente nos meses quentes
de setembro até abril. Em nosso estudo foi verificada a existência dos VCAN durante todo o
ano.
4.1.1 Freqüência anual
Para identificação das ocorrências de VCAN, observou-se as cartas sinóticas dia após
dia, levando em consideração a presença desse vórtice tanto na área 1, como na área 2,
independente de estarem associado a uma corrente de jato, com ou sem presença de
precipitação.
Durante o período avaliado, nas áreas 1 e 2 (tabela 1), observa-se que houve um total
de 567 dias com ocorrências de VCAN na área 1, tendo em média 56,7 dias/ano,
independentemente de ocorrer precipitação. Na área 2, houve um total de 924 dias com
ocorrências do VCAN, em média 92,4 dias/ano. Ou seja, estes resultados mostram que de
todos os VCAN atuantes no NEB, 61% ocorrem na região de Alagoas. E desses 567 dias, 292
dias estavam associados à CJ, representando 62% dos dias em que passaram também pela área
2.
O ano de 2000 foi observado como sendo o de maior número de dias com VCAN na
área 1, totalizando 81 dias, equivalente a 14,3% do seu total. Já em 2003, apenas 38 dias com
VCAN foram observados com freqüência de 6,7% do total. Na área 2, a maior ocorrência de
VCAN foi no ano de 2007, com total de 116 dias correspondente a 12,5% do total, e a menor
freqüência em 1999, com 7,9% do total de dias. Comparando a área 1 com a área 2, pode-se
concluir que os maiores e menores números de dias com ocorrência de VCAN foram
observados em anos distintos. Durante os anos estudados, a maioria dos VCAN no NEB (área
2) foi registrada próximo ao litoral alagoano (área 1). Por exemplo, em 2005, dos 80 dias com
VCAN ocorridos no NEB (área 2), 87,5% desses foram localizados na área 1, influenciando
diretamente as condições de tempo e clima na região alagoana. O ano de 2000 ficou em
segundo lugar com 85% dos casos próximo ao litoral alagoano.
O VCAN associado à Corrente de Jato (VCAN+CJ) próximo de Alagoas foi
observado em 292 dias. A quantidade máxima dos eventos VCAN+CJ por ano ocorreu em
37
2007 (área 1), com 49 dias desses eventos em Alagoas, equivalente a 80% do total ocorrido
no NEB. A quantidade mínima (10 dias) dos eventos foi observada em 2002. No NEB (área
2) teve máximo de VCAN+CJ em 2002 com 67 dias, desse total somente 10 dias se
localizaram na (área 1). O número mínimo de eventos de VCAN+CJ na área 2 com 22 dias
ocorreu em 1998, todavia teve apenas 1 dia sem a presença da CJ em sua periferia,
equivalente a 95% dos dias. Em 2003, apenas 32% dos dias de VCAN+CJ atuaram na região
alagoana. Em 2000 em 100% dos dias, todos os sistemas VCAN+CJ no NEB ocorreram
próximo de Alagoas (área 1).
Os eventos apresentados somam-se 147 VCAN e 92 VCAN+CJ na área 1 e 214
VCAN e 141 VCAN+CJ na área 2. Em média na área 1, verificaram-se 14,7 VCAN/ano,
enquanto que VCAN+CJ foram observados 9,2/ano.
Na área 2, foram observados 214
VCANs sendo que 141 VCANs foram associados à CJ, tendo em média 21,4 VCAN/ano e
14,1 VCAN+CJ. Ou seja, do total de VCANs existentes, 69% ocorrem próximo a área
alagoana. Os VCAN+CJ influenciam em 65% do total desses eventos, no clima do estado.
Comparando a quantidade de dias com a quantidade de eventos ocorridos, pode-se
dizer que a ocorrência em dias com VCAN é bem superior ao número de eventos, explicável
pelo fato de cada evento permanecer por vários dias, apenas se deslocando. O mesmo ocorre
com a presença do VCAN+CJ.
A duração do VCAN e VCAN+CJ ficou em média de 3,8 e 3,0 dias para área 1, e
cerca de 4,3 e 3,3 dias para área 2, respectivamente.
Observando o número de eventos de VCAN, pode-se observar que sua freqüência
máxima ocorreu em 2001, correspondente a 86% de todos os eventos ocorridos na área 2,
também ocorreram na área 1. Segundo Cavalcanti e Kousky (2004), os VCANs
permaneceram perto da costa leste do Nordeste do Brasil. No entanto, em janeiro de 2001
esses vórtices se mudaram gradualmente para oeste, atingindo tanto o interior como a
fronteira Brasil-Bolívia, afetando a atividade convectiva sobre grande parte do Centro-Oeste e
Sudeste do Brasil.
Os máximos e os mínimos de VCAN, também ocorreram em anos distintos, ficando a
área 1, com o seu máximo em 2002, total de 20 eventos, e o seu mínimo, em 2003, total de 10
eventos. Já na área 2, seu máximo ocorre em 2007, com 27 eventos, e seu mínimo em 1998,
com 18 eventos. Os dias em que os VCAN+CJ tiveram sua freqüência máxima no ano de
2000, com 92% dos eventos ocorridos no NEB (área 2), também ocorreram próximo a
Alagoas (área 1). Os mínimos também ocorreram em anos diferentes. A área 1 ficou com o
38
mínimo em 2003, com 5 eventos, e área 2 em 1998, com 8 eventos. O ano de 2000 coincidiu
ocorrer os máximos nas duas áreas, área 1, com 13 eventos e Área 2, com 19 eventos.
TABELA 1: Número de eventos e quantidade em dias de VCAN e VCAN+CJ nas áreas 1 e 2, com suas respectivas porcentagem (Freqüência) em que esses eventos
ocorrem ano a ano, durante os 10 anos (A1% e A2%). % apresenta o total em Freqüência com qual freqüência os sistemas da Área 2 estiveram presentes na Área 1.
(cores em destaque: vermelho = maior freqüência nos dez anos; azul = máximo e preto = mínimo)
Número de Eventos
Ano
VCAN
Quantidade em Dias
VCAN + CJ
Área 1 A1% Área 2 A2%
VCAN
%
Área 1
A1%
Área 2
A2%
%
9,5
18
8,4
78
7
7,6
8
5,7
87,5
13
8,8
19
8,8
68
7
7,6
10
7
70
15
10,2
20
9,3
75
12
13
13
9,2
92
1998
14
1999
2000
VCAN + CJ
Área 1 A1% Área 2 A2%
67
8,8
%
Área 1
A1%
Área 2
A2%
%
83
21
7,3
22
4,7
95
11,8
81
50
8,8
73
7,9
68
24
8,2
30
6,4
80
81
14,3
95
10,3
85
35
11,9
35
7,5
100
2001
8
12,2
21
9,8
86
10
10,9
14
9,9
71
45
8
102
11,2
44
32
10,9
56
12
57
2002
13,6
24
11,2
83
19
13,5
68
56
9,9
110
11,9
51
10
3,4
67
14,3
15
6,8
19
8,9
53
13
5
14,1
2003
20
10
5,4
15
10,6
33
38
6,7
95
10,3
40
18
6,2
57
12,2
32
2004
13
8,8
24
11,21
54
9
9,8
18
12,8
50
53
9,3
82
8,8
65
32
10,9
52
11,2
61
2005
18
12,24
22
10,3
82
12
13
15
10,6
80
70
12,3
80
8,6
87,5
39
13,4
42
8,9
93
2006
14
9,5
20
9,3
70
8
8,7
13
9,2
61
58
10,2
90
9,7
64
32
10,9
45
9,6
71
2007
12
8,2
27
12,6
44
9
9,8
16
11,3
56
49
8,6
116
12,5
42
49
16,7
61
13,2
80
Total
147
100
214
100
69
92
100
141
100
65
567
100
924
100
61
292
100
467
100
62
Média
14,7
10
21,4
6,9
9,2
6,5
56,7
6,1
29,2
Máximo
20
13,6
27
12,6
86
13
14,1
14,1
19
13,5
92
81
14
92,4
116
12,5
87,5
49
13,3
46,7
67
14,3
100
6,2
Mínimo
10
6,8
18
8,4
53
5
5,4
8
5,7
33
38
6,7
73
7,9
42
10
3,4
22
4,7
15
39
40
4.1.2 Freqüência mensal
A climatologia da freqüência mensal dos VCAN e dos VCAN+CJ na área 1 estão
apresentadas na Figura 26. Os VCANs foram observados durante quase todo ano, somente em
julho não foram registrados. De maio até setembro o número dos eventos é muito pequeno,
em média 0,2 VCAN e 0,1 VCAN+CJ. No período de outubro a março, observa-se um
aumento no número de eventos, que atinge o máximo de 4,0 VCAN no mês de janeiro,
concordando com Kousky e Gan (1981) que também encontraram o maior número de eventos
no mês de janeiro. Nos anos analisados no presente trabalho, o mês de setembro apresentou
um número de eventos muito pequeno, por ser um mês de transição entre o inverno/verão,
todavia Kousky e Gan (1981) incluíram este mês no período com VCAN. Ocorreu esse evento
no ano de 2007, e este não estava associado à CJ.
O VCAN+CJ segue o mesmo padrão em relação à freqüência do VCAN com menor
intensidade. Os meses que representaram o período com maior ocorrência do evento
VCAN+CJ, foram de novembro a março e os de menor freqüência são os meses de maio,
junho e agosto, ressaltando que, para os meses de julho e setembro não houve presença do
evento, como mostra a Figura 26.
1998 - 2007
VCAN+CJ
VCAN
TOTAL MENSAL
6
5
4
3
2
1
0
JAN FEV MAR ABR MAI
JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
MÊS
FIGURA 26
Freqüência mensal das ocorrências do VCAN e VCAN+CJ com velocidades
superiores a 20m.s-1. Período (1998 -2007).
4.2 Variações das freqüências dos VCAN e VCAN+CJ entre os Anos
Para uma melhor visualização das variações das ocorrências dos eventos ocorridos nos
respectivos anos foram gerados gráficos da freqüência mensal VCAN e VCAN+CJ atuando
diretamente no Estado de Alagoas e no NEB (Figura 27).
Pode-se observar que em todos os anos ocorreram VCAN nos meses de novembro a março,
confirmando os resultados obtidos por Kousky e Gan (1981). Esses mesmos VCAN estavam
41
associados à corrente de jato (CJ) em menor freqüência, ficando apenas o mês de março de
1999 sem a presença da CJ. Ao mesmo tempo foi observada uma variação dos meses com os
maiores números de eventos por mês, ou seja, os máximos em quantidades de VCANs foram
encontrados nos seguintes meses e anos: janeiro (1998 e 2007 com cinco eventos cada; e 2000
com seis eventos); fevereiro (1999 com seis eventos; 2005 com cinco eventos); marco (2001,
com cinco eventos), novembro (2002, 2006 e 2007, todos com quatro eventos cada);
dezembro (2003 e 2007 com cinco eventos cada). Estes resultados mostram que não existe um
mês específico com predominância de VCAN, isto significa os números máximos de VCANs
podem ser observados no período de novembro até março.
Analisando o período pode-se observar que o único mês que não foi observado
VCAN, foi o mês de julho, nos demais tiveram pelo menos um caso. Em 80% dos meses de
abril foi registrado pelo menos um caso de VCAN, ocorridos em oito anos, sendo que em 5
anos estavam associados à Corrente de Jato; os anos de 1999 e 2002 não foi observado
nenhum VCAN. A ocorrência máxima para esse mês foi de três eventos nos anos de 2004 e
2007.
No período em estudo ocorreram picos significativos da freqüência dos VCAN: no
mês de junho de 2002 com 03 eventos e no mês de outubro nos anos de 2004 e 2005 com 04
eventos. Destacam-se agosto de 2002 e setembro 2007, pois foram os únicos eventos
encontrados durante o período estudado comparando-se com os mesmo meses de todos os
anos. O mês de outubro teve a presença do VCAN em 80% dos anos estudados, sendo com
maior freqüência no ano de 2004 e 2005 com 4 eventos; Dos 80% dos eventos, 70% estava
associado a CJ.
O período quente dos anos de 1998 e 1999 foi detalhadamente estudado por Vaz
(2009) e, por isso, foi possível comparar os resultados (Tabela 2). Teve uma alteração nos
resultados obtidos por Vaz (2009), pois ele utilizou uma grade maior (90°W a 0°W e 60°S a
15°N) considerando assim os VCAN que ultrapassaram a linha do Equador. Comparando com
a grade utilizada no presente trabalho, (5ºW a 50ºW e 0ºS a 25ºS), fica claro que a grade aqui
utilizada é menor.
Foi possível verificar a quantidade de eventos superior encontrada por Vaz (2009),
como pode ser visto na Tabela 02. Somando-se os resultados obtidos por ele, e comparando
com os resultados aqui observados, fica claro que em todos os meses, houve uma variação
média compreendida entre 2 e 4 VCANs/mês.
42
TABELA 2: Número de eventos de VCAN observados por VAZ (2009) e o presente estudo (PE).
Ano/Mês
1998
1999
TOTAL
Nov
Vaz
04
03
07
PE
01
02
03
Dez
Vaz
05
06
11
PE
02
03
05
Jan
Vaz
06
05
11
PE
05
05
10
Fev
Vaz
08
06
14
PE
04
06
10
Mar
Vaz
06
05
11
PE
04
03
07
Na Figura 27 observa-se que o VCAN foi associado à corrente de jato (CJ) nos meses
de novembro a março em todos os anos. Os meses com maiores freqüências (4 eventos) foram
em anos diferentes: novembro de 2002; dezembro de 2000, 2002, 2003, 2006 e 2007; janeiro
de 2004; fevereiro de 1999 e 2005 com 4 eventos cada.
Os dois anos em que ocorreu a presença do VCAN+CJ foi, no mês de maio de 2002 e
2005 com um evento cada, o mês de agosto teve ocorrência somente em 2002, sendo todos
esses eventos associados à corrente de jato. O mês de junho teve a presença do VCAN em três
anos consecutivos, considerados raros, por ocorrer no período de inverno, sendo um evento
em 2000 e 2001, e três eventos em 2002. Todos esses eventos estavam associados a uma CJ.
No ano de 2002 de acordo com a figura 27(E), pode-se observar o VCAN e sua
distribuição que ocorreu em quase todos os meses desse ano, ficando apenas o mês de abril,
julho e setembro sem a presença desse sistema, lembrando que todos estavam associados ao
menos a uma CJ. No decorrer do ano a maior incidência desse evento, foi nos meses de
novembro e dezembro com 04 eventos, e de janeiro a março incluindo junho todos com 03
eventos. A menor ocorrência foi nos meses de maio e agosto com apenas um caso. O ano de
2002 teve 03 eventos de VCAN no mês de junho, onde somente um desses eventos esteve
associado à CJ. O mês de outubro teve a presença do VCAN em oito anos, sendo seis anos
associados à corrente de jato (CJ), ocorrendo a maior freqüência do VCAN+CJ, somente no
ano de 2004 com 3 eventos.
Em janeiro de 2002, Vaz (2009), verificou que o surgimento do VCAN se formou no
dia 01 sobre o Oceano Atlântico sul, na posição 20ºS e 15ºW, se deslocando de leste para
oeste, demonstrando um significativo deslocamento meridional e, posteriormente, se
dissipando no dia 10 sobre o Oceano Atlântico Sul a 18ºS e 25ºW. Na figura 27(I), pode-se
observar a distribuição anual do VCAN no ano de 2006, tendo maior incidência nos meses de
novembro a janeiro e o mês de março, com total de 04 eventos. Neste ano a menor ocorrência
foi nos meses de fevereiro e abril com 02 casos cada, sendo que a cada dois casos 1 estava
associado a CJ, ficando os demais meses sem ocorrência do VCAN.
43
Segundo Vaz (2009), no decorrer do mês de janeiro de 2006 foram registrados
episódios de VCAN, sendo a maior parte deles a leste do Brasil e oceano adjacente.
Com a nova climatologia dos VCAN, definida aqui nesse estudo, pode-se observar
uma ligação direta dos VCAN ocorridos, associados a uma corrente de ventos fortes em sua
periferia (CJ), contribuindo na mudança de sua estrutura vertical. Onde em 90% dos casos de
VCAN estiveram associados à corrente de jato (CJ), ficando somente o ano de 1999 sem sua
presença. O mês de abril teve a presença de VCAN, em 08 anos, sendo 05 anos associados à
CJ. Os dois anos em que ocorreu a presença do VCAN no mês de maio, e agosto de 2002,
todos estavam associados a essa corrente. Vale acentuar que, o mês de setembro de 2007 foi o
único ano que teve a presença do VCAN nesse mês, sem a corrente de jato atuando em sua
periferia.
44
VCAN+CJ
1999
VCAN
6
5
4
3
2
1
4
3
2
1
0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
A
VCAN+CJ
MÊS
2001
VCAN
6
5
4
3
2
1
4
3
2
1
0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
MÊS
VCAN+CJ
5
4
3
2
1
MÊS
2003
VCAN
6
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
D
VCAN+CJ
VCAN
6
TOTAL MENSAL
TOTAL MENSAL
2002
5
4
3
2
1
0
0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
E
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
F
MÊS
2004
VCAN+CJ
MÊS
2005
VCAN
VCAN+CJ
VCAN
6
6
TOTAL MENSAL
TOTAL MENSAL
VCAN
5
0
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
MÊS
2006
VCAN+CJ
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
H
MÊS
2007
VCAN
VCAN+CJ
VCAN
6
TOTAL MENSAL
6
TOTAL MENSAL
VCAN+CJ
6
TOTAL MENSAL
TOTAL MENSAL
2000
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
B
MÊS
G
VCAN
5
0
C
VCAN+CJ
6
TOTAL MENSAL
TOTAL MENSAL
1998
5
4
3
2
1
0
5
4
3
2
1
0
JAN FEV MAR ABR
I
FIGURA 27
MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
MÊS
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
J
MÊS
Distribuição mensal do VCAN e VCAN+CJ no período de 1998 – 2007 (área 2)
45
4.3 Análises da Intensidade e Sentido da CJNEB
A Figura 28 (B – D) apresenta a distribuição mensal e anual da intensidade e sentido
da CJ que atuou no Nordeste Brasileiro associado ao VCAN no período de 1998 – 2007.
Os seguintes sentidos de correntes de jato foram identificados neste trabalho: N, NW,
NE, E, S, SW e SE e (Figura 28A).
A Figura 28 (A) apresenta o sentido em que a CJNEB foi predominante na periferia do
VCAN. Por meio desta figura pode-se observar a distribuição dos diferentes sentidos da
CJNEB, onde predominou o sentido de sul com 47% dos dias, seguido do sudeste e oeste com
17% e 11,8% do total de sentidos possíveis, (217, 80 e 55 dias), respectivamente.
Por meio dessa Figura 28 (C) fica claro que as velocidades no núcleo da CJ, conhecido
também como núcleo de ventos máximos (NVM), foram predominantes entre 20-24m.s-1 com
191 dias, seguido de 24-28m.s-1, com 174 dias e de 28-32m.s-1 com 61 dias, no decorrer dos
10 anos.
220
140
200
120
180
160
100
140
D
80
120
D
100
60
80
40
60
40
20
20
A
0
S
SW
SE
N
NW
NE
W
E
0
B
JAN FEV MAR ABR MAI JUN
Sentido
JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Meses
80
250
70
200
60
50
150
D
D
100
40
30
20
50
10
C
0
20-24
24-28
28-32
32-36
Intensidade (m/s)
FIGURA 28
36-40
40-44
D
0
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
Ano
Quantidade dos dias (D) com CJNEB em vários sentidos (A); Freqüência dos
casos em meses (B); Freqüência de Intensidade nos intervalos (C); Freqüência dos
casos de CJNEB em anos (D).
46
Segundo Repinaldo (2010), as velocidades das CJNEB que não ultrapassam os
-1
24m.s ocorrem com mais freqüência na periferia do VCAN, quando há atuação de La Niña.
Já no período Neutro as correntes com velocidade entre 24-28m.s-1 foram as mais observadas.
Esses resultados estão de acordo com os obtidos por Repinaldo (2010), onde a velocidade
predominante da CJNEB não ultrapassa os 24m.s-1, na perifeira do VCAN.
Os anos que merecem destaque, Figura 28 (D), são 2002 e 2007 com duração média
de 11,2 e 10,2 dias, respectivamente. Em relação à velocidade máxima 40-44m/s, esta ocorreu
em dois anos consecutivos (2001 com dois dias e 2002 com um dia). A média anual ficou em
torno de 46,7 dias. Analisando separadamente cada intensidade pode-se observar que no
decorrer dos dez anos a velocidade predominante na CJNEB foi de 20-24 m/s equivalente a
40,9% dos dias de todas as velocidades juntas, destacando-se os anos de 2004 e 2007 com 28
e 30 dias, respectivamente. A velocidade entre 24-28 m/s se destacou em dois anos
consecutivos 2002 e 2003, com 27 dias cada, total que equivale a 26,5% de todas as
velocidades juntas. Esses resultados estão de acordo com a climatologia feita por Campos
(2010), onde ele verificou no período (1994 – 2009), que a formação do núcleo da CJNEB,
teve em 93% dos casos, velocidade entre 20 e 30m.s-1. Na figura 28 (B), fica claro o mesmo
padrão de distribuição mensal com que ocorrem os sistemas VCAN+CJ. Tendo maiores
números em dias, ocorridos no mês de dezembro com 73 dias predominando o sentido de sul
e janeiro 63 dias (sentido de SE).
O mês de novembro teve um total anual de 51 dias, sendo predominante a corrente do
tipo meridional, direção sul com 20 dias. O mês de fevereiro teve 79 dias com diferentes
sentidos, tendo predominância de sul em 34 dias e sentido de sudeste em 18 dias. O mês de
março teve uma diminuição na presença da CJNEB atuando junto com VCAN, ficando
apenas com 8% dos dias, predominando o sentido de sul com total de 20 dias. Entre os meses
compreendidos de maio a setembro quase não se observa à presença da corrente de jato (CJ),
ficando sem a presença nos meses de julho e setembro.
Usando os resultados da figura 28A, pode-se classificar em três tipos as CJ atuantes no
NEB, mais precisamente no Estado de Alagoas: Meridional (M) sentido de Sul, Transversal
(T) sentido de sudeste, e Zonal (Z) de oeste, como pode ser visto na figura 29. Todos os
outros sentidos juntos foram observados em 24,6% dos eventos. Entre estes restantes,
ressaltaram-se os sentidos N e NW, com 10% e 9,6%, respectivamente.
47
(a)
FIGURA 29
(b)
(c)
Exemplos dos sentidos mais freqüentes das correntes de jato: a) CJ Transversal
(SE); b) CJ Zonal (W); c) CJ Meridional (S)
4.4 Precipitação
As tabelas 3, 4 e 5, em anexo, mostram os dias que apresentaram as mesmas
características sinóticas dos três tipos de corrente de jato: Meridional (M), Transversal (T) e
Zonal (Z), atuando na periferia do VCAN próximo ao NEB.
Nessas tabelas, são relacionadas às precipitações ocorridas em cada região ambiental
do Estado de Alagoas, levando-se em consideração os dias, meses e anos com as
características de cada tipo de CJNEB.
A CJNEB do tipo Zonal (Z) (tabela 3 em anexo) foi observada em apenas nove dias.
Em geral, as regiões com maior distribuição de chuva, foram a Zona-da-Mata e Litoral
Alagoano, com dois dias de ocorrência de precipitação acima de 20mm, sendo seu valor
máximo de 24mm ocorrido no dia 11 de janeiro, na Zona-da-Mata.
A CJNEB do tipo Transversal (T) (tabela 4 em anexo) foi observada em 32 dias, no
decorrer dos dez anos de estudo. A distribuição de precipitação foi mais homogênea se
comparada com o tipo Zonal. Em todas as regiões ambientais registrou-se precipitação
considerável, a saber: sete dias com precipitação acima de 20mm, quatro dias acima de 30mm
e dois dias acima de 40mm. As regiões mais atingidas foram o Sertão, Litoral e Zona-daMata.
A CJNEB do tipo Meridional (M) (tabela 5 em anexo) foi observada em maior
quantidade de dias (72 dias). A posição dessa corrente foi mais freqüente em todo estudo. A
distribuição da precipitação foi verificada em todas as regiões do Estado, variando de 20mm a
91,2mm. O total de precipitação igual a 20mm foi verificado com maior freqüência em todas
48
as regiões do Estado, com máximo de 10 dias na região da Zona-da-Mata, oito dias na região
do Agreste e Litoral, e cinco dias no Sertão. A precipitação acima de 50mm, ocorreu em seis
dias distribuídos nas regiões aqui citadas, com máximo de 91,2mm na faixa litorânea, mais
especificamente em Maceió.
Essas tabelas ajudaram a definir os três estudos de casos, detalhando a circulação de ar
nos dois hemisférios. Isso foi feito levando-se em conta o dia no qual se registrou maior
quantidade de precipitação para cada tipo de circulação.
4.5 Padrões de Circulação da CJNEB associado ao VCAN
Após analisar a CJNEB na periferia dos VCAN, observou-se que além de predominar
três direções diferentes, essas mesmas direções permitiram a formação de três padrões bem
distintos de circulação em altos níveis: Padrões do tipo Meridional, Zonal e Transversal.
Os três padrões têm ligação direta com a presença da alta da Bolívia (AB), como mostra a
Figura 30. Essas correntes associadas aos VCAN, cavados e a alta da Bolívia acompanham-se
paralelamente com mesma inclinação e deslocamento.
4.5.1 Padrão da CJNEB do tipo Zonal
A distribuição da CJNEB foi caracterizada como uma corrente do tipo Zonal, por
apresentar o sentido do seu escoamento de oeste para leste. Essa corrente tem posição sobre
parte do NEB e oceano Atlântico, localiza-se na parte norte do VCAN ou no prolongamento
do seu cavado. Nota-se, em termos gerais, como principal característica deste padrão, o
sentido do vento de (W-E), quase zonal. Utilizando os dados médios do vento, não foi
possível a visualização do VCAN com núcleo fechado, mostrando apenas seu cavado, figura
30 (A).
A alta da Bolívia (AB) está com seu núcleo centrado em Rondônia, coordenadas 12ºS / 62ºW.
O escoamento da AB, está ligado à formação do cavado que possui um NVM ao norte desse
cavado. O resultado obtido aqui nesse estudo mostra que a posição do cavado se encontra
abaixo dos 10ºS, como proposto por Repinaldo (2010) que afirmou que a CJNEB Zonal
forma-se no setor norte do VCAN. Este deve estar posicionado preferencialmente abaixo de
49
10°S para que a CJNEB Zonal esteja posicionada sobre ou próximo ao NEB. Neste caso, não
importa se o VCAN está posicionado sobre o continente ou oceano.
As CJSHN e CJSHS possuem um comportamento bem parecido em seu escoamento,
tendo dois núcleos máximos em cada hemisfério entre as latitudes (20º e 40º S e N). No HN é
observado sobre o oceano Atlântico Tropical Norte e parte da África, com núcleos de vento
em 70º e 20ºW de 40m.s-1 e 28m.s-1, respectivamente. No HS, foram observados esses NVM
no sul da América do Sul, em 65ºW, com 40m.s-1, e sobre o oceano Atlântico Tropical Sul,
em 20ºW com NVM superior a 44m.s-1.
4.5.2 Padrão da CJNEB do tipo Transversal
Foi caracterizado como corrente do tipo transversal, as correntes que estivessem na
periferia do lado oeste ou leste do VCAN, tanto com sentido NW-SE como SE-NW. O que
define nesse padrão o tipo de corrente é a posição do VCAN, onde o mesmo possui uma
inclinação transversal bem acentuada do seu cavado para a costa do NEB, com seu núcleo
sobre o continente ou próximo a ele. Foram notados ventos superiores a 20m.s-1, porém na
figura 30 (B), não foi possível visualizar a CJNEB do tipo transversal, devido à média dos
seus valores ficarem abaixo dos 20m.s-1. A alta da Bolívia (AB) aparece bem configurada,
com seu núcleo centrado sobre o Mato Grosso, nas coordenadas 15ºS / 58ºW, estendendo-se
sua crista, com eixo no sentido noroeste-sudeste, até o oceano Atlântico. Esse padrão está de
acordo com Repinaldo (2010) que diz que na Amazônia há uma região de difluência. As
CJSHS e CJSHN não possuem comportamento parecido entre si. No HN, observam-se dois
núcleos da CJSHN, onde o primeiro possui NVM em 30ºN e 75ºW no valor acima de 44m.s-1,
o segundo com um pequeno NVM em 15ºN e 25ºW no valor de 36m.s-1. No HS, o
escoamento do vento se encontra bem zonal, com um núcleo máximo de 44m.s-1, estendendose desde 30º até 70ºW.
4.5.3 Padrão da CJNEB do tipo Meridional
A CJNEB do tipo Meridional, Figura 30 (C), foi definida primeiramente por possuir
uma posição do seu escoamento, com sentido (S-N) e localizar-se na periferia oeste do
VCAN.
50
Também há a presença da AB com núcleo bem definido, centrada ao norte, sobre o
estado de Mato Grosso e parte da Bolívia, em 15ºS / 58ºW, com sua crista influenciando
diretamente na posição e formação do VCAN pelo lado oeste. Esta configuração favorece
assim, uma posição meridional no eixo do VCAN e conseqüentemente os NVM na CJNEB
com escoamento mais meridional. Esses resultados confirmam a teoria descrita por Repinaldo
(2010), onde ele verificou que a CJNEB Meridional forma-se sempre no setor oeste da
periferia do VCAN, por isso a necessidade do VCAN estar posicionado na costa leste do NEB
ou sobre o oceano adjacente para essa corrente se formar.
No HN, pode-se observar a CJSHN com dois núcleos de vento máximo centrados nas
latitudes 25ºN e 15ºN, com 48m.s-1 e 36m.s-1, respectivamente. No HS, encontra-se o fluxo
bem zonal no escoamento do vento da CJSHS, com dois núcleos máximos entre as latitudes
30ºS e 40ºS e centrado nas longitudes 20ºW e 50ºW com valor de 36m.s-1 cada.
Esse padrão possibilita, em alguns casos, a ligação das correntes dos dois Hemisférios
(CJSHN e CJSHS) por meio da CJNEB Meridional. Esse resultado está de acordo com os
obtidos por Repinaldo (2010), onde foi verificada essa ligação das correntes dos hemisférios
pela atuação da CJNEB Meridional.
4.5.4 Diferenças e Semelhanças entre os três Padrões da CJNEB.
A AB encontra-se presente nos três padrões (figura 30), possuindo mesma posição nos
padrões do tipo meridional e transversal, com coordenadas 15ºS / 58ºW, e uma pequena
variação nas coordenadas da posição do tipo zonal, em 12ºS / 62ºW.
No HN, nota-se o fluxo da CJSHN quase zonal nos três padrões, posicionados entre
10ºN e 40ºN. A CJSHN aparece de maneira semelhante nos padrões zonal e meridional
mostrando dois núcleos em mesma posição. Sendo que a região de NVM no padrão zonal
localizado nas longitudes 10º a 30ºW possui a menor velocidade do vento (28m.s-1). No
padrão meridional localiza-se na mesma longitude da zonal, com sua velocidade máxima
chegando a 36m.s-1.
O padrão do tipo meridional possui núcleos máximos na CJSHN nas longitudes 20º e
70ºW com valores máximos de (36 - 48m.s-1), respectivamente. A CJSHN no padrão do tipo
zonal tem semelhança com o padrão meridional, no que se refere ao seu escoamento e
localização, porém com velocidades menos intensas em seu eixo, não ultrapassando 40m.s-1
51
na longitude 65ºW. No padrão do tipo transversal a CJSHN possui dois núcleos, o primeiro
com máximo em 23ºW (36m.s-1) e o segundo entre 55ºW a 80ºW com máximo de 44m.s-1.
No HS observa-se a CJSHS presente nos três padrões, todas localizadas entre 20ºS e
40ºS com velocidade máxima que atinge 40m.s-1, no padrão do tipo transversal. Os
prolongamentos nos cavados do VCAN aparecem nos três padrões, o que diferencia é a sua
extensão, possui sentido oeste passando pelo Norte do Brasil, maior inclinação no seu eixo no
padrão transversal, com sentido para oeste, da região NEB.
A
B
C
FIGURA 30
Mostra os três padrões da CJNEB, por meio de uma média diária utilizando
campo das linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1).
52
4.6 Exemplos das CJNEB associados ao VCAN
4.6.1 Exemplo do tipo Zonal
A figura 31 mostra um exemplo dos mapas de linhas de correntes e magnitude do
vento (m.s-1) em 200 hPa, onde é possível observar os três tipos de CJ presentes ( CJSHN,
CJSHS e CJNEB), duas no HS e uma no HN.
CJSHN
AB
CJNEB
VCAN
CJSHS
FIGURA 31
Linha de corrente e magnitude do vento com os três tipos de corrente de jato
presentes nos HN e HS – Padrão tipo Zonal (11/01/2001 – 00UTC)
4.6.2 Trajetória do VCAN
Observa-se a trajetória do vórtice (FIGURA 32), que atuou no período de 08-20 de
janeiro de 2001 sobre a Região Nordeste e Sudeste do Brasil. Verifica-se que o vórtice teve
sua formação sobre o oceano atuando nos dois primeiros dias, com deslocamento para oeste,
deslocando-se em direção ao continente Brasileiro atingindo parte do Nordeste e Sudeste.
Segundo Ramírez et al (1999), os VCAN com deslocamento predominante de oeste são mais
intensos sobre o oceano, entretanto, existem casos relativamente raros em que os VCAN se
53
deslocam até o centro do continente, podendo alcançar até a costa oeste do continente sul
americano (Figura 32), concordando com resultados de Ramírez et al (1999); Souza et al
(2001). Apesar do VCAN ter se deslocado para o interior do continente, a periferia norte deste
sistema atingiu o NEB, influenciando nas condições de tempo no Estado de Alagoas.
-5
LATITUDE
-10
-15
8
20
-20
-25
-60
-55
-50
-45
-40
-35
-30
-25
LONGITUDE
FIGURA 32
Posição da trajetória do centro do VCAN indicando sua trajetória (inicio – fim)
entre os dias 8 e 20 de janeiro de 2001.
Analisando a figura 33 (A-L), pode-se observar que o VCAN e a CJNEB surgem em
diferentes períodos.
CJNEB
Primeiramente vão ser detalhados, todos os correntes presentes, tanto no HN quanto
no HS.
Pela análise dessas figuras foi possível definir qual dos sistemas ocorreu primeiro. A
CJNEB do tipo zonal formou-se muito antes do VCAN. Isso foi possível devido à
intensificação do cavado vindo do HN que ajudou na formação dessa corrente. A CJNEB foi
formada a partir do dia 5 de janeiro as 00 UTC (FIGURA 33A), onde no decorrer desse dia
(FIGURA 33 A-D), foi possível visualizar o deslocamento da CJSHN para direção sul, tendo
sua extremidade ultrapassada a linha do equador, contribuindo assim para formação dessa
corrente.
A CJNEB permaneceu ligada a CJSHN por um ramo, e no decorrer dos dias a CJNEB
foi se intensificando, permanecendo ligada até o último horário do dia 9 (FIGURA 33G). A
partir do dia 10, Figura 33H, a ligação da CJNEB com a corrente do HN, teve um
54
rompimento, mas permaneceu presente na periferia norte do VCAN, com NVM menos
intenso (24 – 28m.s-1).
A CJNEB permaneceu presente até o dia 13/01, totalizando oito dias seguidos, sendo
que dos oito dias, cinco estavam associados ao VCAN.
A Figura 33I (dia 11) representa bem a atuação do jato na borda oeste do VCAN,
permanecendo com mesma forma até o dia 13 (Figura 33J), sendo com menor intensidade,
onde pode-se observar que teve uma desintensificação desta corrente, permanecendo o vórtice
se deslocando para o continente. A partir do dia 14, essa CJNEB desaparece, restando o
VCAN que se desloca para a parte central do continente, até se dissipar no dia 21 (figura
29L).
Observando a figura 33 (A-L), podemos verificar que no HN, a CJSHN se encontra situada
nas latitudes 10 e 40ºN, com velocidade acima de 48m.s-1 em seu núcleo.
No HS observam-se duas correntes de jato, a CJSHS situada nas latitudes 25º e 50ºS com
NVM acima dos 48m.s-1, a CJNEB localizada na periferia norte do VCAN sobre a costa leste
do NEB, com NVM de 32m.s-1. A posição do Anticiclone do Atlântico Sul (AAS) favoreceu
na ligação da CJNEB com a CJSHN, como mostra as Figuras 33 (E-G).
Por meio dessa análise pode-se ressaltar que existe uma ligação direta do escoamento
do HS com HN, como mostra as figuras 33 (A-L). Essa ligação é bem visível no lado oeste do
VCAN e lado leste da AB, com seu escoamento alimentando a corrente do HN.
VCAN
O VCAN nesse padrão teve sua formação (núcleo fechado), posterior à CJNEB que já
estava presente no lado leste do NEB, ficando com maior número de dias, total de 13 dias.
Iniciou-se a partir do dia 8 de janeiro as 00 UTC, figura 33 (E-F), onde pode-se observar sua
formação sobre oceano Atlântico Sul, com dois núcleos, que no próximo horário 06 UTC
aparece em sua formação clássica, favorecendo na intensificação desse vórtice.
O cavado do VCAN possui uma inclinação bem acentuada sentido para costa da África onde
em sua borda aparece um núcleo, formando um novo centro fechado desde o dia 08
permanecendo até dia 14, totalizando sete dias com sua presença, localizados ao lado norte do
Anticiclone do Atlântico Sul (AAS).
AB
A posição da AB influenciou diretamente no desenvolvimento, deslocamento e
dissipação dos sistemas aqui analisados. Em todo o período analisado ela se encontrou mais
55
ao sul, posição típica para o período de verão. Com isso favoreceu a posição zonal da CJNEB
na periferia norte do VCAN.
A
B
C
E
F
K
D
I
FIGURA 33
G
H
J
K
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) em dias alternados
no mês de janeiro de 2001.
L
56
4.6.3 CJNEB tipo Zonal e sistemas sinóticos associados
A Figura 34 mostra a corrente de jato com sua distribuição espacial de W-E com
núcleo atingindo 28m/s em cima do Estado de Alagoas, estando associada ao VCAN que esta
posicionado em 13°S/39°W. A leste desse VCAN observa-se um Anticiclone do Atlântico Sul
centrado em 19°S/13°W.
O VCAN associado à CJNEB em sua periferia atuou próximo ao NEB, influenciando
na quantidade de precipitação no Estado de Alagoas, como podem ser confirmados, pelas
imagens de satélite, com grande quantidade de nebulosidade associada a eles.
No dia 11/01/2001 (Figura 34 c-d), pode-se observar que a periferia do VCAN esteve
com bastante atividade convectiva em toda sua extensão oeste e norte. O centro desse vórtice
atuou na região sul da Bahia com forte convecção ao Norte do VCAN, tendo nuvens densas
sobre os Estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
FIGURA 34
FONTE:
a
b
b
c
d
Sistema sinótico associados com a CJNEB tipo Zonal (
) de W-E: VCAN ( )
e Alta do Atlântico Sul (
), mostrados no campo de linha de corrente e
magnitude do vento (m.s-1) em 200hPa (a - b) e Imagem do satélite GOES – 8 ,
infra-vermelho (IR) e vapor d’água (WV) (c - d) para o dia 11/01/2001 às 1800Z.
NWS / NOAA
57
4.6.4 Precipitação
Utilizando dados de precipitação do dia 11 de janeiro, foi possível gerar um mapa de
precipitação para visualizar a distribuição de chuva em todas as regiões ambientais do estado
de Alagoas, conforme Figura 35. Foi escolhido esse dia por apresentar a atuação da CJNEB
tipo Zonal e maior volume de chuva, chegando ao valor máximo de 24 mm/dia. Neste dia
ocorreram precipitações entre 0.1mm (Chuvisco) e 24mm (Chuva Moderada), sendo,
observada a precipitação máxima na parte norte da faixa litorânea, e parte norte de Zona da
mata (FIGURA 35). Nas demais regiões as precipitações foram mais fracas não ultrapassando
1mm/dia.
-9
-9.5
-10
-10.5
-38
FIGURA 35
-37.5
-37
-36.5
-36
-35.5
24
23
22
21
20
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Distribuição espacial da Precipitação acumulada (mm/dia), durante o dia 11 de
janeiro de 2001, onde o VCAN+CJNEB tipo zonal.
4.7 Exemplo do tipo transversal
Esse mapa de linhas de correntes e magnitude do vento (m.s-1) em 200 hPa, mostra onde se
encontram os quatro tipos de CJ presentes ( CJSHN, CJNEB, CJSHS e CJPHS), três no HS e
uma no HN (Figura 36).
58
CJSHN
CJNEB
AB
CJSHS
VCAN
CJPHS
FIGURA 36
Linha de corrente e magnitude do vento com os três tipos de corrente de jato
presentes nos HN e HS – Padrão tipo Transversal (28/10/2001 – 12UTC).
4.7.1 Trajetória do VCAN
Observa-se a trajetória do VCAN (figura 37), atuando no período de 27-31 de outubro
de 2001, sobre o oceano Atlântico Sul. Verifica-se que esse vórtice, teve sua formação sobre o
oceano, com deslocamento sentido Norte até o dia 29, desse dia em diante deslocou-se com
sentido para Sul, continuando atuar no oceano até sua dissipação. Esse VCAN teve cinco dias
de vida.
-5
LATITUDE
-10
-15
-20
31
-25
-60
-55
-50
-45
-40
27
-35
-30
LONGITUDE
FIGURA 37
Posição do centro do VCAN indicando sua trajetória entre os dias 27 e 31 de
outubro de 2001;
59
Analisando as figuras 38 (A-P), foi possível ver que a CJNEB tipo transversal formouse antes do VCAN, a partir do dia 25 de outubro de 2001, as 12 UTC (Figura 38C).
CJNEB
Um cavado vindo do HS associado à CJSHS contribuiu com sua intensificação, para
que a CJNEB do tipo transversal se formasse. A velocidade do vento no núcleo dessa corrente
que se formou ultrapassou os 44m.s-1. A CJSHS permaneceu ligada a CJNEB em todos os
dias analisados. A velocidade no NVM da CJNEB foi diminuindo com o passar dos dias.
Teve ligação com a CJSHN por meio de um ramo, isso se deve a formação do VCAN, que
propiciou para que ocorresse, como pode ser visto nos dias 28 e 29, Figura 38 (I-L).
No HN a CJSHN se encontra situada nas latitudes 10º e 40ºN, com velocidade acima
de 48m.s-1 em seu núcleo. No HS foi possível observar três correntes de jato, a CJPHS situada
ao lado da CJSHS compreendidas as duas nas latitudes 20º e 70ºS com NVM acima dos
48m.s-1. A CJNEB transversal ficou localizada na periferia leste do VCAN, com NVM de
44m.s-1.
Observando essas correntes foi possível verificar que o escoamento que passa pela periferia
oeste do VCAN se divide em dois ramos ao chegar à parte norte desse VCAN, onde uma
parte ligada ou direcionada para o HN e a outra volta pela periferia leste desse mesmo vórtice.
Lembrando que isso só ocorre depois que o vórtice se encontra formado. Com isso, fica claro
a ligação entre os dois hemisférios, e principalmente a influência que o escoamento do HS
tem sobre o HN.
VCAN
O VCAN formou-se sobre o oceano Atlântico Sul no dia 27 as 00 UTC (figura 38G),
ficando com seu ciclo de vida reduzido em quatro dias, atuando somente no oceano, não
chegando a atingir o continente, com menor duração em comparação ao padrão zonal. Essa
formação ocorreu no mesmo período em que a CJNEB transversal já se encontrava presente.
AB
A posição da AB influenciou diretamente no desenvolvimento, deslocamento e
dissipação dos sistemas aqui analisados. Em todo o período analisado ela se encontrou
centrada na Bolívia. Lembrando que a AB surge no mês de outubro por começar aquecer o
platô Boliviano. A CJSHS fica perto da AB, atuando em sua periferia. Sua crista favoreceu na
60
formação e posição transversal da CJNEB transversal, localizada na periferia leste do VCAN
com inclinação transversal sentido a costa leste do NEB.
61
FIGURA 38
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 a 31 de
outubro de 2001.
4.7.2 CJNEB tipo Transversal e sistemas sinóticos associados
As ocorrências com casos deste tipo de corrente de jato foram observadas em 32 dias,
no decorrer de sete anos, (2000 - 2007). No exemplo mostrado na Figura 39, foi observada a
alta da Bolívia em 10°S/75°W, um VCAN com eixo posicionado em 15°S/35°W associados à
CJNEB com inclinação de NW-SE com núcleo atingindo a 32 m/s sobre o Estado de Alagoas.
No lado leste do VCAN se encontra posicionado em 10°S/6°W um Anticiclone do Atlântico
Sul.
Nas imagens de satélite (figura 39 c-d), observa-se a posição do centro do VCAN e a
grande quantidade de nebulosidade em sua periferia, lado leste, associada à CJNEB. O VCAN
esteve centrado no oceano. Essa nebulosidade atingiu toda a costa litorânea do NEB.
62
CJSHN
CJNEB
a
c
FIGURA 39 –
FONTE:
b
b
d
Sistema sinótico associado com a CJNEB tipo Transversal (
) de NW-SE:
CJSHN, CJSHS, VCAN ( ) , AB ( ) e Alta do Atlântico Sul ( ), mostrados
no campo de linha de corrente e magnitude do vento (m.s-1) em 200hPa (a - b) e
Imagem do satélite GOES 8 , IR e WV (c - d) para o dia 28/10/2001 às 1800Z.
NWS / NOAA
4.7.3 Precipitação
A Figura 40 mostra a distribuição da precipitação ocorrida no dia 28 de outubro de
2001, onde a corrente atuante foi a CJNEB do tipo transversal. As regiões com maiores
volume de chuva foram Litoral, Zona da Mata, Baixo São Francisco e parte do Agreste.
Chegou a 48mm na capital Alagoana. Nas demais regiões as precipitações foram mais fracas
não ultrapassando 2 mm/dia.
63
-9
-9.5
-10
-10.5
-38
FIGURA 40 –
-37.5
-37
-36.5
-36
-35.5
48
46
44
42
40
38
36
34
32
30
28
26
24
22
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Distribuição espacial da Precipitação acumulada (mm/dia), durante o dia 28 de
outubro de 2001, onde o VCAN+CJNEB tipo transversal.
4.8 Exemplo do tipo Meridional
Esse mapa de linhas de corrente e magnitude do vento (m.s-1) em 200 hPa, mostra a
localização dos cinco tipos de CJ presentes ( CJPHN, CJSHN, CJNEB, CJSHS e CJPHS), três
no HS e duas no HN (Figura 41).
CJPHN
CJSHN
AB
CJNEB
VCAN
CJSHS
CJPHS
FIGURA 41 –
Linha de corrente e magnitude do vento com os cinco tipos de corrente de jato
presentes nos HN e HS – Padrão tipo meridional
(02/12/2001 – 12UTC)
64
4.8.1 Trajetória do VCAN
Observa-se o posicionamento e a trajetória do centro do VCAN (figura 42), no período
de 01-12 de dezembro de 2001, sobre o oceano Atlântico Sul. O vórtice teve sua formação
sobre o oceano no dia 01, com deslocamento no sentido para a costa leste do NEB, dissipando
no dia 12. Lembrando que o centro desse vórtice não chegou a atingir o continente,
perfazendo doze dias de duração.
-5
LATITUDE
-10
12
07
-15
01
-20
-25
-45
-40
-35
-30
-25
-20
-15
LONGITUDE
FIGURA 42 –
Posição do centro do VCAN indicando sua trajetória entre os dias 01 e 12 de
dezembro de 2001;
CJNEB
A CJNEB tipo meridional foi formada a partir do dia 25 de novembro de 2001
(FIGURA 43A), por meio do aparecimento de um VCAN que contribuiu para que essa
corrente se desenvolvesse. Esse VCAN teve três dias de atuação, dissipando no dia 28/11.
Essa mesma CJNEB continua atuando, até o dia 15 de dezembro, perfazendo 21 dias de vida.
A corrente que contribuiu para essa formação foi a CJSHS. O núcleo da CJNEB no inicio de
sua formação foi de 20m.s-1, no decorrer de seu desenvolvimento, chegou a atingir 44m.s-1,
valor máximo. Esse tipo de corrente possibilitou, neste caso, a ligação das correntes dos dois
Hemisférios (CJSHN e CJSHS) por meio da CJNEB Meridional. Nesse estudo pode-se
observar quatro dias seguidos com essa ligação em evidência, como mostra as figuras
(43 B-E).
No HN observam-se duas correntes de jato atuantes, compreendidas nas latitudes 10º e
50ºN, com velocidade acima de 48m.s-1 em seu núcleo. No HS, observa-se a atuação de três
correntes de jato, a CJSHS e CJPHS entre as latitudes 20 e 60ºS e CJNEB meridional
localizada na periferia oeste do VCAN, com escoamento meridional, sentido (S-N).
65
Por meio da análise dessas correntes, pode-se observar a interação entre os dois
Hemisférios, ou seja, a ligação que o escoamento do vento que passa no HS também interage
com o HN, principalmente quando há atuação da CJNEB meridional. Essa ligação possui a
forma da letra S, passando no lado sul da AB, lado oeste e norte do VCAN (figura 43C).
VCAN
O VCAN formou-se sobre o oceano Atlântico Sul no dia 01 de dezembro as 00 UTC
(figura 43B), ficando com seu ciclo de vida até o dia 12 as 06 UTC, atuando somente no
oceano, não chegando a atingir o continente. A CJNEB transversal já se encontrava presente.
Esse VCAN teve sua posição quase estacionária a partir do dia 08.
AB
Nessa análise observa-se a AB não tão definida. Teve poucos dias (3-7), com seu
núcleo formado, o que se destacou foi sua crista. A posição da AB ou crista influenciou
diretamente na posição, desenvolvimento, deslocamento e dissipação dos sistemas aqui
analisados. A CJSHS fica perto da AB, atuando em sua periferia.
66
FIGURA 43 –
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 - 31 de
outubro de 2001.
4.8.2 CJNEB tipo Meridional e sistemas sinóticos associados
A distribuição espacial da CJNEB com sentido de S-N denominada Meridional foi
mais freqüente durante todo o período estudado (1998-2007). Esteve associado, em sua
maioria, aos VCAN, cavado e a Alta da Bolívia. Na Figura 40, pode-se notar a saída da
corrente de jato representada pela seta, sobre o Estado de Alagoas, com velocidades na
periferia de até 20 m/s e núcleo com 48 m/s. Essa corrente possibilitou a ligação da CJSHN
com a CJSHS.
67
No lado oeste se encontra a AB e no lado leste um VCAN associado à CJNEB Meridional
com eixo em 14ºS/30ºW.
As imagens de satélite ilustram bem a nebulosidade associada aos sistemas atuantes
nesse dia. No dia 11/12/2001 (FIGURA 44 c-d), observa-se que a periferia do VCAN esteve
com bastante atividade convectiva, com nuvens densas em toda sua extensão. O centro desse
vórtice se encontra nas coordenadas 10ºS / 34ºW.
CJSHN
CJSHS
a
c
FIGURA 44 –
FONTE:
b
d
Sistema sinótico associados com a CJNEB Meridional ( ) de S-N: CJSHN,
CJSHS, VCAN ( ) e AB ( ), mostrados no campo de linha de corrente e
magnitude do vento (m.s-1) em 200hPa (a - b) e Imagem do satélite GOES – 8 , IR
e VW (c - d) para o dia 11/12/2001 às 1800Z.
NWS / NOAA
68
4.8.3 Precipitação
Utilizando os dados de precipitação do dia 11 de dezembro de 2001, foi possível gerar
um mapa mostrando a distribuição de chuva em todas as regiões ambientais do Estado de
Alagoas, (FIGURA 45). Nesse dia ocorreu precipitação em todo o Estado, variando entre
moderada e forte. O volume máximo ocorreu na região litorânea com 91,2mm. As regiões
com volume acima de 5mm foram no Baixo São Francisco, Litoral e parte Norte de Zona da
mata.
LATITUDE
-9
-9.5
-10
-10.5
-38
-37.5
-37
-36.5
-36
-35.5
LONGITUDE
FIGURA 45 –
Precipitação acumulada (mm), durante o dia 11 de dezembro de 2001.
95
90
85
80
75
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
69
5 CONCLUSÕES
Foram analisados todos os 214 VCAN no NEB, entre estes, 147 eventos estiveram
localizados em Alagoas. Os VCAN atuantes em Alagoas foram observados durante 567 dias e
quando associado à CJNEB teve uma redução significativa de 49% do seu total em dias.
Os VCAN foram observados durante todo o ano excluindo somente julho. A maior
freqüência desses VCAN foi entre os meses de novembro a março, confirmando os resultados
de Kousky e Gan (1981). Eles também foram registrados de abril a setembro, atingindo três
vórtices no mês de junho de 2002.
O VCAN+CJ foram observados durante todo o ano excluindo julho e setembro, com
maior freqüência de novembro a março. Considerando os VCAN que em sua periferia tiveram
a ação de uma CJNEB com velocidade acima de 20m/s, em média 9,2 VCAN por ano foram
associados com CJNEB acima do Estado de Alagoas. A CJNEB ficou mais intensa de outubro
a novembro.
A predominante velocidade do vento máximo no núcleo da CJNEB variou entre 20 e
28 m/s, equivalente a 78% do total de todas as velocidades juntas. A velocidade máxima de
44 m/s ocorreu em três dias; sendo dois dias no ano de 2001 e um dia em 2002.
Os resultados mostraram que as distribuições espaciais da CJNEB atuando na periferia
do VCAN, encontradas em todos os anos, tiveram as seguintes direções: NW-SE, SE-NW,
SW-NE, NE-SW, W-E, E-W, S-N e N-S. As direções de S-N, W-E e NW-SE ou SE-NW
foram as que mais tiveram registro em todos os anos de estudo, totalizando 76% de todos os
sentidos possíveis.
As CJNEB foram classificadas em três tipos distintos conforme seu sentido sobre o
NEB: Meridional (de Sul) com 47%, Zonal (de oeste) com 12%, e Transversal (de sudeste)
com 17%.
Com os três sentidos da CJNEB definidos foram possíveis determinar três tipos de
padrões de circulação: Zonal, Transversal e Meridional.
Padrão tipo Zonal foi formado pela corrente de oeste no setor norte do VCAN;
podendo ocorrer tanto no oceano como no continente. A AB permitiu um fluxo mais zonal do
escoamento, fazendo com que o VCAN se posicione abaixo dos 10ºS. Em alguns casos teve
ligação da CJNEB com a CJSHN.
As correntes de Sudeste (SE) e Noroeste (NW) definiram o padrão do tipo
Transversal. Nesse padrão o cavado do VCAN tem seu eixo inclinado para oeste, e
70
posicionado próximo ou sobre o NEB. Em alguns casos foi observada uma ramificação do
CJSHN penetrar no HS.
As CJNEB de Sul (S) foram chamadas de Meridional, ocorre no setor oeste do VCAN,
e pode se posicionar tanto no oceano Atlântico como sobre o continente, dependendo da
posição do centro do VCAN. Possui um eixo bem meridional no VCAN, com isso foi
possível ver a ligação entre os dois Hemisférios, pela atuação da CJNEB ligando as CJSHN e
CJSHS.
A velocidade do vento no eixo da CJNEB foi mais intensa no padrão do tipo
transversal até 48m.s-1. O padrão meridional não ultrapassou os 44m.s-1 , ficando menos
intenso no padrão Zonal que teve a menor velocidade em seu núcleo, entre 24-28m.s-1. A AB
em todos os casos apresentou uma circulação bem configurada.
Foi elaborada uma descrição das precipitações no estado de Alagoas, associados aos
três padrões de VCAN+CJ.
As precipitações mais intensas foram associados ao padrão tipo Meridional, atingindo
volume máximo de 91,2mm/dia, no litoral Alagoano. Na presença do padrão tipo Transversal,
houve precipitação máxima de 49mm/dia, ocorrida também na região Litorânea.
Já a
precipitação no padrão tipo Zonal teve seu volume máximo não ultrapassando os 24mm/dia.
- Sugestões para trabalhos futuros
•
Análise da CJNEB e sua influência nos JBN ocorridos no NEB;
•
Fazer a climatologia do VCAN e CJNEB nos últimos 30 anos;
•
Análise do balanço de energia cinética em torno da corrente de jato pelo vento
ageostrófico.
•
Fazer a climatologia da AB e verificar sua influência na formação do VCAN.
71
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APÊNDICES
78
TABELA 3: Quantidade máxima da precipitação em mm/dia, nas regiões ambientais do Estado de
Alagoas, tendo posição da CJ (Zonal). (ZM) Zona da Mata; (BSF) Baixo São Francisco; (A) Agreste; (L)
Litoral; (S) Sertão e (SSF) Sertão do São Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
ZONAL
MÁXIMA
TOTAL
DIA
MÊS
ANO
ZM
BSF
A
L
S
SSF
MÁX
12
fev
1998
0
0
0
0
0
0
0
13
fev
1998
0
0
0
2
0
0
2
14
fev
1998
1
0
0
0
0
0
1
9
jan
2001
1
0
0
1
0
0
1
10
jan
2001
2
0
3
4
0
0
4
11
jan
2001
24
0
1
21
0
0
24
27
ago
2002
12
10
7
8
0
0
12
28
ago
2002
6
1
3
3
0
1
6
7
nov
2004
3
4
0
23
0
0
23
24
10
7
23
0
1
24
TOTAL (MÁX)
79
TABELA 4: Distribuição máxima da precipitação nas regiões ambientais do Estado de Alagoas, tendo
posição da CJ (Transversal). (ZM) Zona da Mata; (BSF) Baixo São Francisco; (A) Agreste; (L) Litoral;
(S) Sertão e (SSF) Sertão do São Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
TRANVERSAL
MÁXIMA
TOTAL
DIA
MÊS
ANO
ZM
BSF
A
L
S
SSF
MÁX
31
dez
2000
0
0
0
5
0
0
5
27
out
2001
35
28
6
35
0
4
35
28
out
2001
22
12
10
49
6
2
49
29
out
2001
18
11
16
25
0
0
25
30
out
2001
6
37
21
2
0
0
37
17
nov
2001
0
0
0
1
0
0
1
18
nov
2001
0
9
0
4
0
0
9
19
nov
2001
0
0
0
0
0
0
0
11
fev
2002
5
13
16
17
15
9
17
13
fev
2002
38
0
4
12
20
7
38
7
jun
2002
39
4
11
35
20
1
39
29
nov
2002
8
1
4
8
0
0
8
30
nov
2002
3
0
0
2
0
0
3
25
dez
2002
14
0
25
0
48
2
48
5
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
6
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
7
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
8
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
7
dez
2003
0
18
0
0
0
0
18
8
dez
2003
0
0
0
0
0
0
0
9
dez
2003
0
0
0
0
0
0
0
28
jan
2005
0
0
0
0
26
0
26
29
jan
2005
0
0
0
0
0
0
0
30
jan
2005
0
0
0
0
0
0
0
23
jan
2006
0
2
2
1
0
0
2
24
jan
2006
0
0
0
0
0
0
0
9
fev
2006
0
0
0
0
0
0
0
10
fev
2006
0
0
0
0
0
0
0
19
jan
2007
0
0
0
1
0
0
1
20
jan
2007
0
0
0
0
4
0
4
15
out
2007
0
2
2
3
0
0
3
26
nov
2007
0
0
0
0
0
0
0
39
37
25
49
48
9
49
TOTAL (MÁX)
TABELA 5: Distribuição máxima da precipitação nas regiões ambientais do Estado de Alagoas, tendo posição da CJ (Meridional). (ZM) Zona da Mata; (BSF)
Baixo São Francisco; (A) Agreste; (L) Litoral; (S) Sertão e (SSF) Sertão do São Francisco; em destaque o dia com maior precipitação (Azul).
MERIDIONAL
MÁXIMA
TOTAL
DIA
MÊS
ANO
ZM
MÁX
A
L
S
SSF
MÁX
2
Jan
1999
0
0
0
0
0
0
3
Jan
1999
8
0
0
0
0
4
Jan
1999
5
0
0
1
5
Jan
1999
3
0
0
10
Dez
2000
2
0
11
Dez
2000
50
12
Dez
2000
1
Jan
2
MERIDIONAL
MÁXIMA
TOTAL
DIA MÊS
ANO
ZM
BSF
A
L
S
SSF
MÁX
0
15
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
0
8
16
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
0
0
5
17
jan
2003
0
0
0
0
0
0
11
0
0
0
3
30
jan
2003
10
0
6
17
25
11
25
0
0
0
0
2
31
jan
2003
35
2
7
15
4
0
35
24
0
0
7
44
50
14
mar
2003
18
4
16
43
0
0
43
14
11
8
3
5
16
16
10
dez
2003
12
0
0
7
0
0
12
2001
0
0
0
0
0
0
0
11
dez
2003
18
0
1
13
0
0
18
Jan
2001
0
0
0
0
0
0
0
9
fev
2004
0
4
0
1
0
0
4
5
Dez
2001
0
0
0
3
0
0
3
21
fev
2004
5
0
0
2
66
30
66
6
Dez
2001
6
7
0
6
0
0
7
22
dez
2004
0
0
0
0
4
0
4
7
dez
2001
2
21
0
18
0
3
21
23
dez
2004
0
0
0
0
0
0
0
8
dez
2001
26
5
0
57
2
0
57
21
jan
2005
0
0
0
0
6
22
22
9
dez
2001
9
13
10
4
3
0
13
1
mar
2005
0
0
0
0
0
0
0
10
dez
2001
48
21
7
23
0
0
48
2
mar
2005
0
0
0
0
0
0
0
11
dez
2001
35
13
35
91
0
8
91
3
mar
2005
0
0
0
0
0
0
0
12
dez
2001
7
24
24
61
4
19
61
25
nov
2005
2
0
2
1
33
6
33
24
dez
2001
9
37
37
0
0
0
37
7
dez
2005
39
3
74
18
9
28
74
8
jan
2002
37
18
37
35
17
2
37
8
dez
2005
0
0
0
2
5
43
43
18
jan
2002
26
3
26
21
28
5
28
9
dez
2005
0
0
0
0
2
0
2
19
jan
2002
24
15
24
11
14
5
24
10
dez
2005
0
0
0
2
0
0
2
80
MERIDIONAL
MÁXIMA
TOTAL
MERIDIONAL
MÁXIMA
TOTAL
DIA
MÊS
ANO
ZM
MÁX
A
L
S
SSF
MÁX
DIA MÊS
ANO
ZM
BSF
A
L
S
SSF
MÁX
20
jan
2002
21
6
21
13
15
0
21
11
dez
2005
0
0
0
9
0
0
9
9
fev
2002
15
0
15
5
0
0
15
12
dez
2005
0
3
0
25
0
0
25
10
fev
2002
18
0
18
13
23
0
23
7
fev
2006
0
0
0
0
0
0
0
1
dez
2002
0
6
0
4
0
0
6
8
fev
2006
0
0
0
0
2
1
2
2
dez
2002
0
0
3
0
0
0
3
30
nov
2006
0
0
0
0
0
0
0
3
dez
2002
0
0
0
0
0
0
0
1
dez
2006
0
0
0
0
0
0
0
9
dez
2002
0
0
13
4
4
33
33
2
dez
2006
0
0
0
0
0
0
0
10
dez
2002
5
0
0
0
12
8
12
4
dez
2006
5
4
4
8
2
0
8
11
dez
2002
0
0
0
1
0
0
1
28
jan
2007
0
0
0
0
0
0
0
12
dez
2002
2
2
0
0
0
0
2
30
jan
2007
0
0
0
0
0
0
0
2
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
31
jan
2007
0
0
0
0
0
0
0
3
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
1
fev
2007
0
0
0
0
0
0
0
12
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
2
fev
2007
0
0
0
0
0
0
0
13
jan
2003
0
0
0
0
0
0
0
4
fev
2007
0
0
0
0
11
0
11
14
jan
2003
TOTAL
(MÁX)
0
0
0
0
0
0
0
5
fev
0
0
0
0
0
0
0
50
37
37
91
28
44
91
2007
TOTAL
(MÁX)
39
4
74
43
66
43
74
81
82
FIGURA 46 –
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 05 a 21 de
janeiro de 2001, em quatro horários UTC (Tipo ZONAL).
83
84
85
86
87
20
24
28
32
36
40
44
48
88
FIGURA 47 –
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 25 a 31 de
outubro de 2001, em quatro horários UTC (Tipo TRANSVERSAL ).
89
90
91
FIGURA 48 –
Linhas de corrente em 200 hPa e magnitude do vento (m.s-1) dos dias 24 de
novembro à 16 de dezembro de 2001, em quatro horários UTC (Tipo
MERIDIONAL).
92
93
94
95
96
97
98